quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 20

20 – Ratos no beco
Hodge, arfando, olhou após dele, seus punhos apertando e fechando a seu lado. Sua
mão esquerda estava enluvada, molhada com o líquido escuro que tinha ensopado
em seu peito. O olhar no seu rosto era uma mistura de júbilo e de auto-aversão.
"Hodge!" Clary bateu a mão na parede invisível entre eles. Dor acertava o seu braço,
mas não era nada comparada a abrasadora dor dentro do peito dela. Ela sentiu como
se seu coração fosse bater de um jeito como se saindo da gaiola das costelas. Jace,
Jace, Jace as palavras ecoaram em sua mente, querendo ser gritadas em voz alta. Ela
mordeu ela de volta. "Hodge, me deixe sair!"
Hodge virou, agitando sua cabeça. "Eu não posso," ele disse, usando o lenço
imaculadamente dobrado para esfregar em suas mãos manchadas. Ele parecia
genuinamente arrependido. "Você apenas irá tentar me matar."
"Não vou," ela disse. "Eu prometo."
"Mas você não foi levantada uma Caçadora de Sombra," ele disse, "e suas promessas
não significam nada." A borda de seu lenço estava fumaçando agora, como se ele o
tivesse mergulhado em ácido, e sua mão não estava menos enegrecida. Franzindo as
sobrancelhas, ele abandonou o projeto.
"Mas Hodge," ela disse desesperadamente, "você ouviu ele? Ele vai matar Jace."
"Ele não disse isso." Hodge estava na mesa agora, abrindo uma gaveta, tirando um
pedaço de papel. Ele puxou uma caneta do bolso dele, tocando-a fortemente contra a
borda do balcão para fazer a tinta fluir. Clary olhou para ele. Ele estava escrevendo
uma carta?
"Hodge," ela disse cuidadosamente, "Valentine disse que Jace estaria com seu pai em
breve. O pai de Jace está morto. O que mais ele poderia querer dizer?"
Hodge não olhou para cima do papel que estava rabiscando. "É complicado. Você não
iria entender."
"Eu entendo o suficiente." Ela sentiu sua amargura como se aquilo pudesse queimar
através da sua língua. "Eu entendo que Jace confiou em você e você negociou ele
para um homem que odiava o pai e provavelmente odeia Jace, também, só porque
você é muito covarde para viver com uma maldição que você merecia."
A cabeça de Hodge jogou-se para cima. "É isso o que você acha?"
"É o que eu sei."
Ele colocou a sua caneta para baixo, agitando sua cabeça. Ele parecia cansado e tão
velho, muito mais velho do que Valentine tinha parecido, apesar de serem da mesma
idade. "Você só sabe pedaços e fragmentos, Clary. E você está em melhor situação
desse jeito." Ele dobrou o papel que tinha sido escrito em um elegante e limpo
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quadrado e o jogou no fogo, que chamejou num brilhante e verde ácido antes de
diminuir.
"O que você está fazendo?" Clary exigiu.
"Enviando uma mensagem." Hodge se afastou do fogo. Ele estava em pé perto dela,
separados apenas pelo muro invisível. Ela pressionou os dedos contra ela, desejando
que ela pudesse escavar dentro dos olhos dele – apesar deles estarem tão tristes
quanto os de Valentine tinha estado irritados. "Vocês são jovens," ele disse. "O
passado não é nada para você, nem mesmo um outro país como é para o velho, ou
um pesadelo como é para o culpado. A Clave lançou esta maldição sobre mim, porque
eu auxiliei Valentine. Mas eu dificilmente era o único membro do Círculo a servir ele –
os Lightwoods não eram tão culpados quanto eu era? Não eram os Waylands?
Porém, eu fui o único amaldiçoado a viver a minha vida sem poder ser capaz de
colocar um pé fora das portas, tanto quanto uma mão através da janela."
"Não é minha culpa," afirmou Clary. "Não é culpa de Jace. Porque punir ele por aquilo
que a Clave fez? Eu posso compreender você ter dado a Valentine a Taça, mas Jace?
Ele vai matar Jace, tal como ele matou o pai de dele...
"Valentine," disse Hodge, "ele não matou o pai de Jace."
Um soluço se quebrou livre no peito de Clary. "Eu não acredito em você! Tudo que
você fala são mentiras! Tudo que você disse é uma mentira!"
"Ah," disse ele, "o absolutismo moral dos jovens, que não permite concessões. Você
não pode ver, Clary, que da minha própria maneira eu estou tentando ser um bom
homem?"
Ela sacudiu a cabeça dela. "Isso não funciona dessa forma. As coisas boas que você
faz não anula as más. Mas..." Ela mordeu seu lábio. "Se você me disser onde
Valentine está..."
"Não."
Ele respirou a palavra. "É dito que os Nephilim são os filhos dos homens e dos anjos.
Todo este patrimônio Angelical que tem dado para nós é uma longa distância da
queda." Ele tocou a superfície da parede invisível com suas mãos. "Você não foi
levantada como um de nós. Você não tem nenhuma parte nesta vida de cicatrizes e
assassinatos. Você ainda pode fugir. Deixar o Instituto, Clary, o mais breve que você
puder. Sair, e nunca mais voltar."
Ela sacudiu sua cabeça. "Eu não posso," ela disse. "Eu não posso fazer isso."
"Então, você tem as minhas condolências," ele disse, e saiu da sala.
A porta se fechou atrás de Hodge, deixando Clary em silêncio. Havia apenas a sua
própria respiração e o arranhar da ponta de seus dedos contra a dura barreira
transparente entre ela e a porta. Ela fez exatamente o que ela disse a si mesma que
ela não faria, e se jogou contra si mesma naquilo, uma e outra vez, até que ela
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estivesse exausta e seu lados doloridos. Então ela se afundou no chão e tentou não
chorar.
Em algum lugar do outro lado desta barreira Alec estava morrendo, enquanto Isabelle
aguardava por Hodge vir e salvá-lo. Em algum lugar fora desta sala Jace estava
sendo rudemente sacudido para acordar, por Valentine. Em algum lugar as chances
de sua mãe estavam declinando para longe, momento a momento, segundo a
segundo. E ela estava presa aqui, tão inútil e indefesa quanto uma criança que ela
era.
Ela então se pressionou sentada, lembrando do momento em Madame Dorothea em
que Jace tinha pressionado a estela em sua mão. Ela nunca tinha dado a ele de volta?
Segurando seu fôlego, ela a sentiu em seu bolso esquerdo do casaco, que estava
vazio. Lentamente, sua mão penetrou no bolso direito, os seus suados dedos tocando
o tecido e em seguida, escorregando através de algo duro, suave, e esférico – a
estela.
Ela limitou-se aos pés dela, seu coração batendo, e sentiu com a mão esquerda a
parede invisível. Encontrando-a, ela abraçou a si mesma, avançando devagar a ponta
da estela em frente com a sua outra mão até que descansou contra o suave nível do
ar. Já havia uma imagem se formando em sua mente, como um peixe elevando-se
através da água turva, o padrão de suas escamas crescendo mais claro e mais claro
enquanto se aproximava da superfície. Lentamente da primeira vez, e então mais
confiante, ela moveu a estela em toda a parede, deixando queimaduras brilhantes
cinza – linhas brancas pairando no ar após ela.
Ela sentiu quando a runa estava pronta, e abaixou sua mão, respirando difícil. Por um
momento tudo estava imóvel e silencioso e a runa pendurada como um néon
brilhante, queimando seus olhos. Depois, veio um som como o estilhaçar mais alto
que ela tinha ouvido, como se ela estivesse de pé em uma cachoeira de pedras
ouvindo a colisão delas para o chão em tudo ao seu redor. A runa que ela tinha
desenhado tornou-se preta e evaporou-se para longe como cinzas, o chão tremeu sob
seus pés e, então tinha acabado, e ela sabia que, sem sombra de dúvida, ela estava
livre.
Ainda segurando a estela, ela correu para a janela e empurrou a cortina de lado. O
crepúsculo estava caindo e as ruas abaixo estavam banhadas em um brilho
avermelhado roxo.
Ela pegou uma clara visão de Hodge atravessando uma rua, a sua cabeça cinza
surgindo acima da multidão.
Ela se lançou para fora da biblioteca e desceu as escadas, parando apenas para
empurrar a estela de volta no bolso de sua jaqueta. Ela tomou as escadas correndo,
alcançando a rua, com um golpe acertando em sua face. Pessoas andando com seus
cães no úmido crepúsculo, saltavam de lado enquanto ela se movimentava na
passagem ao lado do East River. Ela capturou a visão de si mesma numa janela
escura de um edifício de apartamentos quando ela virava ao redor de uma esquina.
Seu suado cabelo estava emplastrado em sua testa, o rosto dela com crostas de
sangue seco.
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Ela chegou a intersecção onde ela tinha visto Hodge. Por um momento ela pensou
que tinha perdido ele. Ela se arremessou através da multidão perto da entrada do
metrô, tomando de lado as pessoas, utilizando o seu joelho e cotovelos como armas.
Suada e machucada, Clary se empurrou livre da multidão apenas a tempo de ver um
flash do terno de tweed desaparecer ao virar a esquina de um beco estreito de
serviço entre dois edifícios.
Ela contornou ao redor de uma lixeira e entrou na boca do beco. A parte de trás da
garganta ela sentia como se queimasse a cada vez que ela respirava. Embora tivesse
estado crepúsculo na rua, aqui no beco estava tão escuro quanto o anoitecer. Ela
apenas pode ver Hodge, de pé na extremidade final do beco, onde ele acabava,
terminava na parte de trás de um restaurante fast-food. O lixo do restaurante estava
empilhado no exterior: amontoados sacos de comida, pratos de papel sujos, talheres
de plástico que se quebravam desagradavelmente debaixo de suas botas enquanto
ele se virava para olhar para ela. Ela lembrou de um poema que ela leu na aula de
Inglês: Eu acho que nós somos ratos no beco / Onde os homens mortos perderam
seus ossos.
"Você me seguiu," ele disse. "Você não deveria."
"Eu vou te deixar sozinho, se você só me disser onde Valentine está."
"Eu não posso fazer isso," ele disse. "Ele saberá que eu te disse, e minha liberdade
será tão curta quanto a minha vida."
"Vai ser do mesmo jeito, quando a Clave descobrir que você deu a Taça Mortal para
Valentine," Clary apontou. "Depois de nos enganar para encontrar ela para você.
Como você pode viver consigo mesmo, sabendo o que ele planeja fazer com isso?"
Ele cortou ela com um curta gargalhada. "Eu temo mais Valentine do que a Clave, e
mesmo você, se você fosse sábia," ele disse. "Ele teria encontrado a Taça
eventualmente, quer eu ajudasse ele ou não."
"E você não se importa de que ele estará a utilizando para matar crianças?"
Um espasmo atravessou seu rosto quando ele dava um passo em frente, ela viu
alguma coisa brilhar em sua mão. "Será que tudo isso realmente importa tanto assim
para você?"
"Eu te disse antes," disse ela. "Eu não posso simplesmente me afastar."
"Isso é muito ruim," ele disse, e ela viu ele levantar seu braço e se lembrou, de
repente, de Jace dizendo que a arma de Hodge era o chakram, o disco voador. Ela
abaixou a cabeça antes mesmo de ela ver o brilhante círculo de metal girar cantando
em direção a sua cabeça, que passou, sussurrante, a centímetros de seu rosto e
embutindo-se na escada de incêndio de metal a sua esquerda.
Ela olhou para cima. Hodge estava encarando ela, o segundo disco metálico seguro
levemente em sua mão direita. "Você ainda pode correr," ele disse.
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Instintivamente ela levantou as mãos, mas a lógica disse a ela que apenas um
chakram a fatiaria em pedaços. "Hodge..."
Alguma coisa se arremessou na frente dela, uma coisa grande, cinza-negra, e viva.
Ela ouviu Hodge gritar de horror. Tropeçando para trás, Clary viu a coisa mais
claramente enquanto ela passava entre ela e Hodge. Era um lobo, 1 metro e oitenta
de comprimento, a pele de animal cor de azeviche com um único ponto através da
listra cinza.
Hodge, o disco de metal agarrado em sua mão, estava branco quanto um osso.
"Você," ele respirou e, com um senso de distante admiração, Clary percebeu que ele
estava falando com o lobo. "Eu pensei que você tinha fugido..."
Os lábios do lobo puxaram-se para trás de seus dentes, e ela viu a sua língua
vermelha estendida. Havia ódio em seus olhos enquanto ele olhava para Hodge, um
puro e ódio humano.
"Você vem por mim, ou pela garota?" Hodge disse. O suor correndo de suas
têmporas, mas a mão dele era estável.
O lobo andou na direção dele, rosnando baixo em sua garganta.
"Ainda há tempo," disse Hodge. "Valentine iria querer você de volta..."
Com um uivo o lobo saltou. Hodge gritou novamente e, em seguida, houve um flash
de prata, e um doentio ruído enquanto o chakram embutia a si mesmo na lateral do
lobo. O lobo suspendeu-se nas patas traseiras, e Clary viu a borda do disco
sobressaindo na pele do lobo, o sangue fluindo, enquanto ele atingia Hodge.
Hodge gritou uma vez enquanto ele caia, as mandíbulas do lobo segurando sobre o
seu ombro. Sangue voou para o ar como um spray de tinta vindo de uma lata
quebrada, respingando na parede de cimento com vermelho. O lobo levantou a
cabeça do corpo amolecido do professor e voltou sua cabeça cinza, o olhar de lobo
sobre Clary, dentes pingando escarlate.
Ela não gritou. Não havia ar em seus pulmões que ela pudesse arrastar para fazer um
som; ela lutou com os pés dela e correu, correu para a boca do beco e as familiares
luzes de néon da rua, correu para a segurança do mundo real. Ela podia ouvir o lobo
rosnando atrás dela, sentindo o seu hálito quente sobre as costas de suas pernas
nuas. Ela se colocou em um último esforço de velocidade, arremessando a si mesma
em direção à rua...
A boca do lobo se fechou na sua perna, jogando ela para trás. Mesmo antes de sua
cabeça atingir o chão duro, ela mergulhou na escuridão, ela descobriu que ela tinha
ar suficiente para gritar, depois de tudo.
***
O som das gotas de água acordaram ela. Lentamente Clary abriu os olhos. Não havia
muito para se ver. Ela estava deitada, sobre um grande beliche que havia sido
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colocado sobre o chão de uma pequena sala de paredes sujas. Havia uma raquítica
mesa apoiada contra uma parede. Sobre ela tinha um, parecendo barato, castiçal de
metal, ostentando uma pesada vela vermelha que lançava a única luz no quarto. O
teto era rachado e úmido, água escorria para baixo através das fissuras na rocha.
Clary sentiu um vago sentimento de que algo estava faltando naquele quarto, mas
essa preocupação foi sobrepujada pelo forte cheiro de cachorro molhado.
Ela se sentou e, imediatamente quis que não tivesse. A dor quente atravessava sua
cabeça como um espinho, seguido por uma onda de náusea em resposta. Se tivesse
havido alguma coisa em seu estômago, ela teria posto pra fora.
Um espelho pendurado sobre a beliche, pendia de um prego colocado entre duas
pedras. Ela olhou nele e estava chocada. Não se admirava de seu rosto machucado –
longos arranhões corriam paralelos a partir do canto direito de seu olho até a borda
da sua boca. Sua bochecha direita estava encrustada com sangue, o sangue estava
manchando seu pescoço e toda a frente de sua camisa e jaqueta. Em um súbito
pânico ela agarrou o seu bolso, então relaxou. A estela ainda estava lá.
Foi então que ela percebeu o que era curioso sobre o quarto. Uma parede era de
barras: espessas barras de ferro do piso ao teto. Ela estava presa em uma cela.
As veias ondulando com a adrenalina, Clary cambaleou em seus pés. Uma onda de
tontura correu através dela, e ela segurou a mesa para se apoiar a si mesma. Eu não
vou desmaiar, ela disse com raiva. E então, ela ouviu os passos.
Alguém estava descendo o corredor do lado de fora da cela. Clary afastou-se contra a
mesa.
Era um homem. Ele estava carregando uma lanterna, a sua luz mais brilhante do que
a vela, o que a fez piscar e tornar ele dentro de uma sombra iluminada. Ela viu a
altura, os ombros quadrados, o cabelo bagunçado, e foi só quando ele empurrou a
porta da cela aberta e entrou dentro que ela percebeu quem ele era.
Ele parecia o mesmo: jeans usados, camisa de brim, botas de trabalho, o mesmo
cabelo irregular, os mesmos óculos empurrados para baixo para o meio do seu nariz.
As cicatrizes que ela tinha notado, ao longo do lado de sua garganta, da última vez
que tinha visto ele estavam se curando do remendo na pele brilhante agora.
Luke.
Aquilo tudo foi demais para Clary. Exaustão, falta de sono e alimentação, terror e
perda de sangue, apanharam ela em uma onda corrente. Ela sentiu seu joelhos
resistirem enquanto ela mergulhava em direção ao chão.
Em segundos Luke estava atravessando a sala. Ele se moveu tão rápido, que ela não
teve tempo para acertar o chão antes dele apanhá-la, balançando ela da maneira que
ele havia feito quando ela era uma garotinha. Ele a colocou sobre a cama e se
afastou, os olhos ansiosos. "Clary?" ele disse, segurando ela. "Você está bem?"
Ela recuou, atirando suas mãos se defendendo dele. "Não me toque."
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Uma expressão de profunda dor atravessou seu rosto. Com cansaço, ele passou uma
mão sobre sua testa. "Eu acho que eu mereço isso."
"Sim. Você merece."
O olhar no rosto dele estava preocupado. "Eu não espero que você acredite em
mim...”
"Isso é bom. Porque eu não vou."
"Clary..." Ele começou a andar longamente pela cela. "O que eu fiz... eu não espero
que você entenda. Eu sei que você sente que eu abandonei você..."
"Você me abandonou," ela disse. "Você disse para nunca mais ligar para você
novamente. Você nunca se importou comigo. Nunca se importou com a minha mãe.
Você mentiu sobre tudo."
"Não," disse ele, "sobre tudo."
"Então, seu verdadeiro nome é Luke Garroway?"
Seus ombros se baixaram perceptivelmente. "Não," ele disse, e depois olhou para
baixo. Uma mancha vermelha escura estava se espalhando em toda a frente de sua
camisa do macacão azul.
Clary sentou ereta. "Isso é sangue?" ela exigiu. Ela se esqueceu por um momento de
ser furiosa.
"Sim," Luke declarou, sua mão contra o seu lado. "A ferida deve ter se aberto quanto
eu levantei você."
"Que ferida?" Clary não podia ajudar perguntando.
Ele disse com deliberação: "Os discos de Hodge ainda são afiados, embora seu braço
de lançamento não é o que era antes. Acho que ele pode ter pegado uma costela."
"Hodge?" Clary disse. "Quando você...?"
Ele olhou para ela, não dizendo nada, de repente ela lembrou do lobo no beco, todo
negro exceto uma única risca cinza ao seu lado, e ela lembrava do disco o acertando,
e ela entendeu.
"Você é um lobisomem."
Ele levou a mão fora da sua camisa, seus dedos estavam manchados de vermelho.
"Sim," ele disse laconicamente. Ele se moveu para a parede e bateu fortemente nela:
uma, duas, três vezes. Aí ele se virou de volta para ela. "Eu sou."
"Você matou Hodge," ela disse, se lembrando.
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"Não.” Ele balançou a cabeça. "Eu feri ele realmente forte, eu acho, mas quando eu
voltei para o corpo, ele tinha ido embora. Ele deve ter se arrastado para longe."
"Você rasgou o seu ombro," ela disse. "Eu vi você."
"Sim. Embora vale lembrar que ele estava tentando matar você naquele momento.
Ele machucou mais alguém?"
Clary afundou os dentes em seu lábio. Ela sentiu o gosto do sangue, mas era sangue
velho de onde Hugo tinha atacado ela. "Jace," ela disse em um sussurro. "Hodge
golpeou ele e o entregou para... Valentine."
"Para Valentine?" Luke disse, parecendo espantado. ”Eu sabia que Hodge tinha dado
a Valentine a Taça Mortal, mas eu não tinha percebido...”
“Como você sabe disso?” Clary começou, antes se lembrando. "Você me ouviu
falando com Hodge no beco,” ela disse, “antes de você pular nele."
"Eu pulei nele, como você diz, porque ele estava prestes a cortar sua cabeça fora,"
Luke disse, em seguida, olhou para cima enquanto a porta da cela se abria
novamente, e um homem alto veio em, seguida com uma pequena mulher, ela
parecia tão baixa quanto uma criança. Ambos se vestiam simples, roupas casuais:
jeans e camisetas de algodão, e ambos tinham o mesmo desordenado cabelo claro,
apesar da mulher ser loira e o do homem ser de um distinto cinza e preto. Ambos
tinham os mesmos jovens e antigos rostos, sem linhas, mas com olhos cansados.
"Clary," Luke disse, "conheça o meu segundo e terceiro, Gretel e Alaric."
Alaric inclinou sua enorme cabeça para ela. "Nós tínhamos nos conhecido."
Clary o encarou, alarmada. “Nós tínhamos?”
"No Hotel Dumort," ele disse. "Você colocou sua faca nas minhas costelas."
Ela se contraiu contra a parede. "Eu, ah... me desculpe?”
"Não precisa," afirmou. "Foi um excelente arremesso." Ele mergulhou uma mão em
seu bolso no peito e removeu a adaga de Jace, com o seu piscar de olho vermelho.
Ele a segurou para ela. "Eu acho que isso é seu?"
Clary o fitou. "Mas..."
"Não se preocupe," ele garantiu ela. "Eu limpei a lâmina."
Sem palavras, ela ficou com a adaga. Luke estava rindo debaixo de sua respiração.
"Em retrospecto," disse ele, "talvez o ataque ao Dumort não foi tão bem planejado,
como poderia ter sido. Eu tinha destacado um grupo de lobos para vigiar você, e ir
atrás de você, se você parecesse estar em qualquer perigo. Quando você entrou no
Dumort..."
"Jace e eu podíamos ter lidado com isso." Clary deslizou a adaga em sua cintura.
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Gretel apontou um sorriso tolerante para ela. "É para isso que nos convocou,
senhor?”
"Não," Luke disse. Ele tocou seu lado. "Minha ferida se abriu, e Clary aqui tem
algumas lesões que ela própria poderia melhorar com um pouco de cuidados. Se você
não se importar em pegar alguns suprimentos..."
Gretel inclinou a cabeça dela. "Eu vou voltar com o kit de cura," ela disse, e saiu,
Alaric seguiu ela como uma sombra de tamanho fora do normal.
"Ela te chamou de 'senhor'," Clary disse, no momento em que a porta da cela foi
fechada atrás deles. "E o que você quer dizer com o seu segundo e o terceiro?
Segundo e terceiro do que?"
"No comando," Luke disse lentamente. "Eu sou o líder deste bando de lobos. Este é o
porquê Gretel me chama de 'senhor'. Acredite em mim, isso levou um belo trabalho
para quebrar o hábito dela de me chamar de 'mestre'."
"A minha mãe sabe?"
"Sabe o quê?"
"Que você é um lobisomem."
"Sim. Ela soube desde que aconteceu."
"Nenhum de vocês, naturalmente, pensou em mencionar isso para mim."
"Eu teria dito a você," Luke afirmou. "Mas sua mãe era inflexível que você não
soubesse nada sobre os Caçadores de Sombras ou do Mundo das Sombras. Eu não
poderia explicar o meu ser como lobisomem como algum tipo de incidente isolado,
Clary. Tudo isso fazia parte do padrão maior que sua mãe não queria que você visse.
Eu não sei o que você aprendeu...”
"Muita coisa," disse Clary sem rodeios. "Sei que minha mãe era uma Caçadora de
Sombras. Eu sei que ela era casada com Valentine e que ela roubou a Taça Mortal
dele e fugiu para se esconder. Sei que depois que ela me teve, ela me levou a
Magnus Bane a cada dois anos para minha Visão ser tirada. Sei que quando Valentine
tentou fazer você dizer aonde estava a Taça, era em troca da vida da minha mãe, que
você disse a ele que ela não importava para você."
Luke olhou para a parede. "Eu não sabia onde a Taça estava," ele disse. "Ela nunca
me disse."
"Você poderia ter tentado negociar..."
"Valentine não negocia. Ele nunca faria. Se a vantagem não é dele, ele nem mesmo
vem à mesa. Ele é completamente de idéias fixas e totalmente sem compaixão, e
apesar dele ter amado sua mãe uma vez, ele não iria hesitar em matá-la. Não, eu
não iria negociar com Valentine."
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"Então, você apenas decidiu abandonar ela?" Clary exigiu furiosamente. "Você é o
líder de toda uma matilha de lobisomens e você apenas decidiu que ela nem sequer
precisava realmente de sua ajuda? Sabe, era ruim o bastante quando eu pensei que
você era outro Caçador de Sombras que virou as costas para ela por causa de algum
juramento estúpido dos Caçadores de Sombras, ou algo parecido, mas agora eu sei
que você é apenas um nojento Downworlder que nem sequer se importa que em
todos esses anos, ela o tratou como um amigo, como um igual, e é assim que você
paga a ela de volta!"
"Ouça você mesma," Luke disse quietamente. "Você parece um Lightwood".
Ela estreitou seus olhos. "Não fale sobre Alec e Isabelle como você conhecesse eles."
"Eu quis dizer seus pais," Luke declarou. "Quem eu conheço, muito bem, de fato,
quando nós todos éramos Caçadores de Sombras juntos."
Ela sentiu seus lábios abertos em surpresa. "Eu sei que você estava no Círculo, mas
como você manteve eles sem descobrir que você era um lobisomem? Eles não
sabiam?"
"Não," Luke disse. "Porque eu não nasci um lobisomem. Eu fui feito um. E eu já posso
ver que se você está inclinada a ouvir qualquer coisa que eu tenha a dizer, você vai
ter que ouvir toda a história. É um longo conto, mas eu acho que nós temos tempo
para isso."
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