quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 12

12 - A festa do homem morto

As instruções no convite levaram eles para uma vizinhança largamente industrial no
bairro Brooklyn, cujas ruas estavam alinhadas com fábricas e armazéns. Algumas,
Clary podia ver, tinham sido convertidas em lofts e galerias, mas havia ainda alguma
coisa proibidas sobre suas iminentes formas quadradas, ostentando apenas algumas
janelas cobertas de grades de ferro.
Eles fizeram o seu caminho pela estação de metro, Isabelle navegando com o sensor,
que parecia ter uma espécie de sistema de mapeamento construída. Simon, que
amava dispositivos eletrônicos, estava fascinado – ou, pelo menos, ele estava
fingindo que era pelo sensor que ele estava fascinado. Na esperança de evitar eles,
Clary ficou para trás se retardando enquanto eles cruzavam através de um parque
horroroso, com sua grama mal conservada, queimada marrom pelo calor do Verão.
No lado direito, os pináculos de uma igreja lampejavam cinza e preto contra o céu
sem estrelas.
“Continue,” disse uma voz irritada em seu ouvido. Era Jace, que tinha se deixado ficar
para trás para caminhar ao lado dela. “Eu não quero ter que continuar olhando para
trás de mim para ter certeza de que nada aconteceu com você.”
“Então não se incomode.”
“A última vez que te deixei sozinha, um demônio atacou você,” ele apontou.
“Bom, eu certamente odiaria ter que interromper sua agradável noite à toa, com
minha súbita morte.”
Ele piscou. "Existe uma linha fina entre sarcasmo e a sincera hostilidade, e você
parece ter atravessado ela. O que há?"
Ela mordeu seu lábio. "Esta manhã, os caras esquisitos cavaram ao redor do meu
cérebro. Agora eu estou indo me encontrar com o cara esquisito que originalmente
cavou ao redor do meu cérebro. E se eu não gostar do que ele achar?"
"O que te faz pensar que você não vai gostar?"
Clary puxou o cabelo dela longe de sua pele grudenta. "Eu odeio quando você
responde a uma pergunta com uma pergunta."
"Não você não odeia, você acha que isso é encantador. Enfim, não seria melhor você
saber a verdade?"
“Não. Eu quero dizer, talvez. Eu não sei.” Ela suspirou. “E você?”
“Esta é a rua certa!” chamou Isabelle, um quarto de um bloco à frente. Eles estavam
em uma estreita avenida alinhada com antigos armazéns, embora a maioria agora
tinha sinais de residência humana: canteiros cheios de flores, cortinas de rendas
sopradas pela úmida brisa da noite, latas de lixo numeradas colocadas sobre a
calçada. Clary olhou com atenção, mas não tinha como saber se esta era a rua que
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ela tinha visto na Cidade do Osso – na sua visão, ela tinha sido quase suprimida pela
neve.
Ela sentiu os dedos de Jace tocarem seu ombro. “Absolutamente. Sempre,” ele
murmurou.
Ela olhou de lado para ele, não entendendo. “O quê?”
“A verdade,” ele disse. “Eu gostaria...”
“Jace!” Era Alec. Ele estava em pé na calçada, não muito longe; Clary se perguntou
por que sua voz tinha soado tão alto.
Jace se virou, sua mão caindo do seu ombro. ”Sim?”
“Você acha que estamos no lugar certo?” Alec estava apontando para algo que Clary
não pode ver; ela estava escondida atrás da maior parte de um grande carro preto.
“O que é isso?” Jace se juntou a Alec; Clary pode ouvi-lo rir. Chegando ao redor do
carro, ela pode ver o que eles estavam olhando: várias motocicletas, elegantes e
prateadas, com baixos chassis pretos. Oleosamente – parecendo tubos e canos
serpenteando em torno deles, filamentos como veias. Havia uma sensação
desconfortável de algo orgânico sobre as motos, como as bio-criaturas em uma
pintura de Giger.
“Vampiros,” Jace disse.
“Elas se parecem como motocicletas para mim,” Simon disse, se juntanto a eles com
Isabelle a seu lado. Ela fez uma careta para as motos.
“Elas são, mas elas foram alteradas para correrem com energia demoníaca,” ele
explicou. “Vampiros utilizam elas – para se locomoveram rápido durante a noite. Isso
não está estritamente no Pacto, mas...”
“Eu ouvi dizer que algumas motos podem voar,” Alec disse ansiosamente. Ele soou
como Simon com um novo vídeo game. “Ou ficam invisíveis com um piscar de um
interruptor. Ou funcionam debaixo d‟agua.”
Jace tinha saltado para baixo do meio fio e estava circulando as motos, as
examinando. Ele aproximou uma mão e bateu em uma das motos, ao longo do
lustroso chassis. Tinha palavras pintadas ao longo da lateral, em prata: Nox Invictus.
"Noite Vitoriosa," ele traduziu.
Alec estava olhando para ele estranhamente. "O que você está fazendo?"
Clary pensou ver Jace deslizar sua mão de volta para dentro de sua jaqueta. "Nada."
"Bem, se apresse," Isabelle disse. "Eu não peguei esse vestido para ver você fazer
bagunçar na sarjeta com um monte de motocicletas."
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“Elas são bonitas de se olhar,” Jace disse, saltando para cima da calçada. “Você tem
que admitir isso.”
“Então eu admito,” Isabelle disse, que não parecia inclinada a admitir nada. ”Agora,
se apresse.”
Jace estava olhando Clary. “Este edifício,” ele disse, apontando para o armazém de
tijolo vermelho. “É este?”
Clary exalou. ”Eu acho que sim,” ela disse incerta. “Todos eles se parecem o mesmo.”
"Uma maneira de descobrir," Isabelle disse, subindo os degraus com um passo
determinado. O resto deles a seguiram, agrupando perto de uma outra entrada com
mau-cheiro. Uma simples lâmpada pendurada por um cordão acima, iluminando uma
grande porta de metal – e uma fila de campainhas de apartamento à esquerda ao
longo da parede. Apenas uma tinha um nome escrito sobre ela: bane. (perdição)
Isabelle pressionou a campainha. Nada aconteceu. Ela pressionou novamente. Ela
estava quase para pressionar pela terceira vez quanto Alec pegou seu pulso. ”Não
seja rude,” ele disse.
Ela olhou para ele. “Alec...”
A porta se abriu.
Um homem esbelto parado na entrada os olhou curiosamente. E foi Isabelle que se
recobrou primeiro, mostrando um brilhante sorriso. “Magnus? Magnus Bane?”
“Esse seria eu.” O homem bloqueando a porta era tão alto e magro quanto um muro.
O cabelo dele era uma coroa densa de espinhos pretos. Clary pensou que pela forma
da curva dos olhos sonolentos e o tom dourado de sua pele bronzeada
uniformemente, ele vinha da Ásia. Ele usava jeans e camisa preta coberta com
dezenas de fivetas de metal. Seus olhos estavam encrostados como uma máscara de
guaxinim em carvão de gliter, seus lábios estavam pintados com uma sombra azul
escura. Ele inclinou uma mão que carregava um anel através de seus cabelos
espetados e os olhou pensativamente. “Crianças de Nephilim,” ele disse. “Bem, bem.
Não me lembro de ter convidado vocês.”
Isabelle tirou o convite e o acenou como se fosse uma bandeira branca. “Eu tenho um
convite. E estes...” ela indicou o resto do grupo com um grande acenar de seu braço
– “são meus amigos.”
Magnus arrancou o convite de sua mão e olhou para ele com um monótono desgosto.
“Eu devia estar bêbado,” ele disse. Ele escancarou a porta. “Entrem. E tentem não
matar nenhum dos meus convidados.”
Isabelle pegou o seu convite e Jace foi para a extremidade da entrada, medindo
Magnus com seus olhos. “Mesmo se um deles derramarem bebida em meus sapatos
novos?”
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“Mesmo isso.” A mão de Magnus balançou, tão rápida que era apenas um borrão. Ele
pegou a estela da mão de Jace – Clary não tinha sequer percebido que ele a estava
segurando – e tirou ela. Jace pareceu ligeiramente envergonhado. “E quanto a isso,”
Magnus disse, deslizando ela para o bolso do jeans de Jace, “mantenha ela em suas
calças, Caçador de Sombras.”
Magnus sorriu e começou a subir as escadas, deixando um parecendo surpreso – Jace
segurando a porta. “Vamos,” ele disse, acenando para o resto deles lá dentro. “Antes
que ninguém pense que é minha festa.”
Eles se empurraram passando por Jace, rindo nervosamente. Apenas Isabelle parou e
balançou sua cabeça. “Tente não chatear ele, por favor. Senão ele não vai nos
ajudar.”
Jace pareceu aborrecido. “Eu sei o que eu estou fazendo.”
“Eu espero que sim.” Isabelle passou rapidamente por ele em um redemoinho de
saias.
O apartamento de Magnus era no topo de uma longa e raquítica escada. Simon se
apressou para acompanhar Clary, que estava se lamentando de ter posto sua mão no
corrimão estável. Aquilo estava colante com algo que brilhava em um apagado verde
pálido.
“Eca,” Simon disse, e ofereceu o canto de sua camiseta para ela limpar sua mão. Ela
limpou. “Está tudo bem? Você parece distraída.”
“É só que ele me parece familiar. Magnus, eu quero dizer...”
“Você acha que ele foi para St. Xavier.”
“Muito engraçado.” Ela olhou para ele acidamente.
“Você está certa. Ele parece muito velho para ser um estudante. Eu pensei ter tido
química com ele no ano passado.”
Clary gargalhou alto. Imediatamente Isabelle estava atrás dela, respirando em seu
pescoço. “Eu estou perdendo algo engraçado? Simon?”
Simon ficou uma graça olhando embaraçado, mas não disse nada. Clary murmurou,
“Você não perdeu nada,” e ficou atrás deles. As solas das botas se arrastando
estavam começando a doer nos seus pés. No momento que ela chegou ao topo das
escadas ela estava mancando, mas ela esqueceu a dor enquanto atravessava a porta
da frente de Magnus.
O loft era enorme e quase totalmente sem mobília. Janelas do chão ao teto estavam
manchadas com uma espessa película de sujeira e tinta, bloqueando a maior parte da
luz ambiente que vinha da rua. Grandes pilares de metal cravados com luzes
coloridas presas em um arco, o teto coberto de fuligem. Portas arrancadas para fora
das suas dobradiças e descansavam sob lixeiras em metal dentado, fazendo um bar
improvisado em uma ponta da sala. Uma mulher de pele lilás em um bustiê metálico
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estava misturando as bebidas ao longo do balcão alto, copos fortemente coloridos,
pintados com o fluído no interior deles: vermelho sangue, azul cianótico, verde
veneno. Mesmo para uma bartender de Nova York, ela trabalhava com uma
surpreendentemente rápida eficiência – provavelmente ajudava o fato de que ela
tinha um segundo conjunto de longos e graciosos braços para ajudarem com os
primeiros. Clary lembrou da estátua da deusa indiana de Luke.
O resto da multidão era tão estranho. Um lindo rapaz com cabelo molhado preto
esverdeado sorriu para ela sobre um prato com o que parecia ser de peixe cru. Seus
dentes eram afiados e serrilhados, como de um tubarão. Ao lado dele estava uma
garota com longos cabelos loiros sujos, trançado com flores. Sob a saia de seu curto
vestido verde, os pés dela eram espalmados como os de um sapo. Um grupo de
mulheres jovens tão pálidas que Clary se perguntou se elas estavam usando
maquiagem branca de palco, bebericavam um líquido escarlate, espesso demais para
ser vinho que flutuava nos copos de cristal. O centro da sala estava lotado por corpos
dançando a batida que vibrava das paredes, embora Clary não pudesse ver a banda
em nenhum lugar.
"Está gostando da festa?"
Clary tentou sorrir. “É em comemoração de alguma coisa?”
“O aniversário do meu gato.”
“Ah.” Ela olhou ao redor. “Onde está seu gato.”
Ele se soltou do pilar, procurando solenemente. “Eu não sei. Ele fugiu.”
Clary se poupou de responder aquilo com o reaparecimento de Jace e Alec. Alec
parecia intratável, como de costume. Jace usava um cordão com minúsculas flores
brilhando ao redor do seu pescoço e parecia contente com ele mesmo. “Onde estão
Simon e Isabelle?” Clary disse.
“Na pista de dança.” Ele apontou. Ela podia vê-los no canto da pista cheia de corpos.
Simon estava fazendo o que ele fazia geralmente em vez de dançar, que era se
levantarpara cima e para baixo ao redor de seus calcanhares, parecendo
desconfortável. Isabelle estava furtivamente em um círculo ao redor dele, sinuosa
como uma cobra, trilhando seus dedos em todo o seu peito. Ela estava olhando para
ele como se ela estivesse planejando arrastá-lo em um canto para fazer sexo. Clary
colocou seus braços em torno de si mesma, suas pulseiras retinindo juntas. Se eles
dançarem mais perto, eles não terão de sair para um canto para fazer sexo.
"Olha," Jace disse, se dirigindo à Magnus, "nós realmente precisamos falar com..."
"MAGNUS BANE!" Uma profunda, e crescente voz pertencia a um homem
surpreendentemente baixo que parecia estar perto dosseus trinta. Ele era
compactamente musculoso, com uma cabeça careca raspada suave e um apontado
cavanhaque. Ele nivelou um dedo tremendo em Magnus. "Alguém derramou água
benta no tanque de gasolina da minha moto. Está arruinada. Destruída. Todos os
tubos estão derretidos".
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“Derretidos?” murmurou Magnus. “Que terrível.”
“Eu quero saber quem fez isso.” O homem descobriu seus dentes, mostrando longos
e afiados caninos. Clary olhou com fascinação. Elas não se pareciam do jeito que ela
imaginava as presas de vampiro: Estas eram tão finas e afiadas como agulhas. “Eu
pensei que você tinha jurado que não haveria homens-lobo aqui à noite, Bane.”
“Eu não convidei nenhuma das Crianças da Lua,” Magnus disse, examinando suas
unhas brilhosas. “Precisamente por causa da sua estúpida pequena inimizade. Se
algum deles decidiram sabotar sua moto, eles não foram convidados meus, e por esta
razão...” ele ofereceu um singelo sorriso. “Não é minha responsabilidade.”
O vampiro rugiu com raiva, apontando seu dedo em direção a Magnus. “Você está
tentando me dizer que...”
O dedo indicador coberto de gliter de Magnus moveu apenas uma fração, tão
levemente que Clary quase pensou que ele não tinha o movido de forma alguma. O
meio do rosnar do vampiro ficou impedido e preso em sua garganta. Sua boca mexia
mas som nenhum saiu.
"Você abusou da minha cordialidade," Magnus disse preguiçosamente, abrindo os
olhos bem amplos. Clary viu, com um movimento brusco de surpresa, que tinham
verticais fendas nas pupilas, como um felino. "Agora vai." Ele alargou os dedos de sua
mão, e o vampiro se virou tão fortemente como se alguém tivesse agarrado seus
ombros e o girado em torno dele. Ele marchou de volta, entre a multidão e em
direção à porta.
Jace assobiou sob a sua respiração. "Isso foi impressionante."
"Você quer dizer ajustar esse assobio?" Magnus lançou os olhos em direção ao teto.
"Eu sei. Qual é o seu problema?"
Alec fez um ruído sufocado. Após um momento Clary reconheceu aquilo como uma
risada. Ele devia fazer isso mais vezes.
"Nós colocamos a água benta em seu tanque de gasolina, você sabe," ele disse.
"ALEC," disse Jace. "Cale a boca."
“Eu imaginava isso,” Magnus disse, parecendo divertido. “Pequenos bastardos
vingativos, vocês não? Vocês sabiam que suas motos corriam com energia
demoníaca. Eu duvido que ele será capaz de consertá-la.”
“Um sanguessuga a menos com um transporte extravagante,” Jace disse. “Meu
coração sangra.”
“Ouvi dizer que alguns deles podem fazer suas motos voarem,” colocou Alec, que
parecia animado mais uma vez. Ele estava quase sorrindo.
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“Meramente uma história de bruxa velha,” disse Magnus, seus olhos de gato
piscando. “Então é por isso que vocês precisavam estragar a minha festa? Só para
arruinar as motos de alguns sugadores de sangue?”
“Não,” Jace era agora todo negócios novamente. “Nós precisamos falar com você.
Preferivelmente em algum lugar privado.”
Magnus levantou uma sobrancelha. Droga, Clary pensou, mais um.
“Eu estou com problemas com a Clave?”
“Não,” Jace disse.
“Provavelmente não,” Alec disse. “Owou!” Ele olhou para Jace, que o tinha chutado
fortemente no tornozelo.
“Não,” Jace repetiu. “Podemos falar com você sob o selo do Pacto. Se você nos
ajudar, qualquer coisa que diga será confidencial.”
"E se eu não ajudá-lo?"
Jace estendeu suas mãos largamente. As tatuagens de runas em suas palmas se
destacaram totalmente pretas. “Talvez nada. Talvez uma visita da Cidade do
Silêncio.”
A voz de Magnus estava como mel derramado sobre cacos de gelo. “Essa é a escolha
que você está me oferecendo, pequeno Caçador de Sombras.”
“Isso de forma alguma é uma escolha,” Jace disse.
“Sim,” disse o bruxo. “Isso é exatamente o que eu quis dizer.”
O quarto de Magnus era uma confusão de cores: amarelo canário, lençóis e colchas
cobriam um colchão até o chão, a penteadeira em azul elétrico estava cheia com mais
potes de pintura e maquiagem do que a de Isabelle. Cortinas de veludo cor de arco-
íris escondiam do chão ao teto as janelas, e um emaranhado tapete de lã cobria o
chão.
“Lugar legal,” Jace disse, tirando um lado da cortina pesada presa. "Acha que paga
bem, sendo o Alto Bruxo de Brooklyn?"
"Paga isso," disse Magnus. "Não tem muito benefícios no pacote, apesar de tudo.
Não tem plano dentário." Ele fechou a porta atrás dele e se inclinou contra ela.
Quando ele cruzou os braços, a sua camiseta levantou-se, mostrando uma faixa de
ouro no estômago plano, demarcado por um umbigo. "Então," ele disse. "O que tem
em suas desonestas mentes pequeninas?"
"Não são eles, na verdade," disse Clary, encontrando a sua voz antes de Jace poder
responder. "Sou eu quem queria falar com você."
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Magnus virou seus olhos desumanos sobre ela. "Você não é um deles," ele disse.
"Nem da Clave. Mas você pode ver o mundo invisível."
"Minha mãe era uma da Clave," Clary disse. Esta era a primeira vez que ela tinha dito
isso em voz alta e sabia que era verdade. "Mas ela nunca me contou. Ela o manteve
em segredo. Não sei porquê."
"Então, lhe pergunte."
"Eu não posso. Ela..." Clary hesitou. "Ela se foi."
"E o seu pai?"
"Ele morreu antes de eu nascer."
Magnus exalou irritadamente. "Tal como Oscar Wilde disse uma vez, „Perder um dos
pais pode ser considerado uma desgraça. Perder ambos, parece descuido‟."
Clary ouviu Jace fazer um pequeno som sibilante, como o ar sendo sugado através de
seus dentes. Ela disse, "eu não perdi a minha mãe. Ela foi tirada de mim. Por
Valentine."
“Eu não conheço nenhum Valentine,” Magnus disse, mas seus olhos piscaram como
chamas de velas ondulando, e Clary soube que ele estava mentindo. “Sinto muito por
sua trágica circunstância, mas não consigo ver o que quer seja que tenha haver
comigo. Se você pudesse me dizer..."
"Ela não pode te dizer, porque ela não se lembra," Jace disse acentuadamente.
"Alguém apagou suas memórias. Então fomos para a Cidade do Silêncio para ver o
que os Irmãos podiam tirar de sua cabeça. Havia duas palavras. Acho que você pode
adivinhar quais elas eram."
Houve um breve silêncio. Finalmente, Magnus deixou sua boca virar no canto. Seu
sorriso era amargo. "A minha assinatura," ele disse. "Eu sabia que era loucura,
quando eu fiz isso. Um ato de arrogância..."
"Você assinou a minha mente?" Clary disse em descrença.
Magnus levantou suas mãos, traçando flamejantes contornos de letras contra o ar.
Quando ele baixou sua mão, elas se penduraram ali, quentes e douradas, fazendo as
linhas pintadas de seus olhos e boca queimarem com a luz refletida, magnus bane.
"Eu estou orgulhoso do meu trabalho em você," ele disse devagar, olhando Clary.
"Tão limpo. Tão perfeito. O que você visse, você iria esquecer, mesmo que você as
visse. Nenhuma imagem de fadas ou gnomos ou de bestas com longas pernas
permaneceria para dificultar seu inocente sono mortal. Foi do jeito que ela queria que
fosse."
A voz de Clary era fina com a tensão. "Do jeito de quem queria?"
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Magnus suspirou, e com o toque de seu hálito, as letras de fogo engolidas para longe
em brilhante cinzas. Finalmente ele falou, e ela não estava surpreendida, embora ela
soubesse exatamente o que ele iria dizer, ainda que ela sentisse as palavras como
um golpe contra o seu coração.
"Sua mãe," ele disse.
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