quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 11

11 – Magnus Bane

Jace se inclinou para frente e bateu a mão contra a partição que nos separavam do
taxista. "Vire à esquerda! Esquerda! Eu disse para tomar a Broadway, seu cérebro-
morto idiota!"
O taxista respondeu por vibrações no volante tão difíceis para a esquerda que Clary
foi atirada contra Jace. Ela deixou sair um uivo de ressentimento. "Porque é que
estamos indo para Broadway, afinal?"
"Estou com fome," Jace disse. "E não há nada em casa, exceto sobras do chinês." Ele
pegou o seu telefone fora do seu bolso e começou digitar.
"Alec! Acorda!" ele gritou. Clary pode ouvir um irritado zumbido na outra
extremidade. "Nos encontre no Taki. Café da manhã. Sim, você me ouviu. Café da
manhã. O quê? É apenas a poucos quarteirões de distância. Vem logo."
Ele desligou e meteu o telefone em um de seus muitos bolsos, enquanto eles eram
empurrados para um meio fio. Entregando ao motorista um punhado de notas, Jace
empurrou Clary para fora do carro. Quando ele saiu na calçada atrás dela, ele se
espreguiçou como um gato e esticou os braços amplamente. "Bem-vindo ao maior
restaurante de Nova York."
Não pareceu muito, um baixo edifício de tijolo que arqueava no meio como um suflê
arruinado. Um inclinado letreiro em néon proclamando o nome do restaurante estava
pendurado lateralmente e estava estalando. Dois homens em longos casacos e
chapéus de feltro se inclinaram em frente da porta estreita. Não havia janelas.
“Isso parece como uma prisão,” Clary disse.
Ele apontou para ela. ”Mas em uma prisão você poderia pedir um espaguete fra
diavolo que faria você querer beijar seus dedos? Eu acho que não.”
“Eu não preciso de espaguete. Eu preciso saber o que um Magnus Bane é.”
“Isso não é um o quê? É um quem,” Jace disse, “isso é um nome.”
“Você sabe quem ele é?”
“Ele é um bruxo,” Jace disse, em sua mais moderada voz. “Apenas um bruxo poderia
por um bloqueio em sua mente como este. Ou talvez um dos Irmãos do Silêncio, mas
claramente não foi um deles.”
"Você ouviu falar desse bruxo?" Clary exigiu, já que estava rapidamente cansando da
moderada voz de Jace.
"O nome soa familiar -"
"Ei!" Era Alec, parecendo como se ele tivesse rolado fora da cama e colocado jeans
em cima do seu pijama. Seu cabelo despenteado, arrepiado selvagemente em torno
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de sua cabeça. Ele galopou em direção a eles, os olhos sobre Jace, ignorando Clary,
como de costume. "Izzy está a caminho," ele disse. "Ela está trazendo o mundano."
"Simon? De onde é que ele veio?" Jace perguntou.
"Ele foi a primeira coisa que apareceu esta manhã. Não podia ficar longe de Izzy, eu
acho. Patético." Alec pareceu divertido. Clary queria chutar ele. "De qualquer
maneira, nós vamos entrar ou o quê? Estou morrendo de fome."
"Eu também," disse Jace. "Eu poderia realmente ir por algumas caudas fritas de
rato."
“Algumas o quê?” Clary perguntou, certa de ter ouvido errado.
Jace riu para ela. “Relaxe,” ele disse. “É apenas uma refeição.”
Eles foram parados na porta da frente por um homem empertigado. Enquanto ele se
endireitava. Clary pegou um vislumbre do seu rosto sob o chapéu. Sua pele era
vermelha escura, suas mãos quadradas terminavam em unhas azuis empretecidas.
Clary se sentiu endurecer, mas Jace e Alec pareceram despreocupados. Eles disseram
algo para o homem, que acenou e deu um passo atrás, permitindo a passagem deles.
“Jace,” Clary assobiu enquanto a porta fechava atrás deles. “Quem era aquele?”
"Você quer dizer o Clancy?" Jace perguntou, olhando ao redor da iluminação brilhante
do restaurante. Era agradável no interior, apesar da falta de janelas. Aconchegantes
cabines aninhadas uma contra outras, cada uma enfileirada com brilhantes estofados
coloridos. Adoravelmente não combinando, louças de barro estava alinhados no
balcão, atrás do qual ficava uma garota loira em um avental de garçonete rosa e
branco, agilmente contando o troco para um homem atarracado em uma camisa de
flanela. Ela viu Jace, acenou e gesticulou para que eles sentassem aonde eles
quisessem. "Clancy mantém fora os indesejáveis," Jace disse, juntando-se a ela para
uma das cabines.
“Ele é um demônio,” ela sibilou. Vários freqüentadores se viraram para olhar para ela
– um garoto com dreads pontudos azuis estava sentando próximo a uma bonita
garota indígena com longo cabelo preto e asas douradas como neblina brotando de
suas costas. O garoto ficou obscuramente carrancudo. Clary ficou feliz por o
restaurante estar quase vazio.
"Não, ele não é," Jace disse, deslizando em uma cabine. Clary mudou-se para se
sentar ao lado dele, mas Alec já estava lá. Ela sentou delicadamente no banco da
cabine oposta a eles, seu braço ainda rígido, apesar da ajuda de Jace. Ela se sentia
oca por dentro, como se os Irmãos do Silêncio tivessem chegado em seu interior e
escavado para fora dela, deixando ela leve e tonta. "Ele é um ifrit," Jace explicou.
"Eles são bruxos sem magia. Metade demônios que não podem lançar feitiços por
qualquer razão."
“Pobres bastardos,” Alec disse, pegando seu menu. Clary pegou seu menu também, e
olhou. Gafanhotos e mel eram retratados como o especial do dia, tal como pratos de
carne crua, todo os peixes crus, e algo chamado como um sanduíche de morcego
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tostado. Uma página da seção
que eles tinham no bar – para
animal, classificado como tipo
inteiro?” ela perguntou em voz
de bebidas era devotada a diferentes tipos de sangue
o alívio de Clary, eles eram diferentes tipos de sangue
A, tipo O, ou tipo B negativo. “Quem come peixe cru
alta.
“Kelpies,” Alec disse. “Selkies. Talvez ocasionalmente o nixie.”
“Não peça nenhuma comida de fada,” Jace disse, olhando para ela por cima do seu
menu. “Ela tende a deixar os humanos um pouco loucos. Um minuto você está
mastigando uma ameixa de fada, no próximo minuto você estará correndo nu pela
Avenida Madison com galhos em sua cabeça. Não,” ele adicionou apressadamente,
“que isso alguma vez tenha acontecido comigo.”
Alec riu. “Você se lembra...,” ele começou, e se lançou em uma história que continha
muitos nomes misteriosos e nomes próprios que Clary nem sequer se incomodou em
tentar seguir. Em vez disso ela estava olhando para Alec, o observando enquanto ele
estava falando para Jace. Havia uma cinética, uma energia quase febril nele que não
tinha estado lá antes. Alguma coisa sobre Jace que estimulava ele, trazendo ele em
foco. Se ela estivesse desenhando eles juntos, ela pensou, ela poderia fazer Jace um
pouco embaçado, quanto a Alec se destacaria, todo acentuado, planos e ângulos
claros.
Jace estava olhando para baixo enquanto Alec falava, sorrindo um pouco e tocando
seu copo de água com uma unha. Ela sentiu que ele estava pensando em outras
coisas. Ela sentiu um súbito flash de simpatia por Alec. Jace poderia não ser uma
pessoa fácil de se lidar. Eu estava rindo de você porque declarações de amor me
divertem, especialmente quando não são correspondidas.
Jace olhou enquanto a garçonete passava. "Nós nunca vamos ter um café?" ele disse
em voz alta, interrompendo Alec no meio da frase.
Alec cessou, a sua energia sumindo. "Eu..."
Clary disse apressadamente. "Para o que são todas essas carnes cruas?" ela
perguntou, indicando a terceira página de seu menu.
"Lobisomens," disse Jace. "Embora não me importe com um bife sangrento de vez em
quando." Ele se inclinou sobre a mesa e virou as páginas do menu de Clary. "Comida
humana está na parte de trás."
Ela examinou as perfeitamente normais seleções do menu com uma sensação de
entorpecimento. Era tudo demais. "Eles têm smoothies aqui?"
"Eles tem esse smoothie22 de damasco e ameixa - com mel de flor selvagem que é
simplesmente divino," Isabelle disse, aparecendo com Simon a seu lado. "Chega pra
lá," ela disse a Clary, que ficou tão perto da parede que ela podia sentir o frio dos
tijolos pressionando em seu braço. Simon, deslizou próximo a Isabelle, lhe
oferecemdo um meio-sorriso envergonhado que ela não retornou. "Você deveria
pegar um."
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Smoothie = tipo de Milk Shake.
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Clary não tinha certeza se Isabelle estava falando com ela ou para Simon, então ela
não disse nada. O cabelo de Isabelle fazia cócegas em seu rosto, cheirando a algum
tipo de perfume de baunilha. Ela odiava perfume de baunilha. Ela nunca conseguiu
entender porque algumas garotas sentiam a necessidade de cheirar como uma
sobremesa.
“Então, como foi na Cidade do Osso?” Isabelle perguntou, folheando seu menu
aberto. “Você achou o que tinha na cabeça de Clary?”
“Nós conseguimos um nome,” Jace disse. “Magnus...”
“Cala a boca,” Alec sibilou, dando um golpe em Jace com o menu fechado.
Jace olhou ofendido. “Jesus.” Ele esfregou seu braço. “Qual é o seu problema?”
“Este lugar está cheio de Downworlders. Você sabe disso. Eu pensei que você
quisesse manter os detalhes da investigação em segredo.”
“Investigação?” Isabelle gargalhou.
devêssemos ter codinomes.”
“Agora
nós somos detetives?
Talvez
nós
“Boa idéia,” Jace disse. “Eu posso ser o Barão Hotschaft Von Hugenstein.”
Alec cuspiu sua água de volta em seu copo. Nesse momento a garçonete voltou para
pegar seus pedidos. De perto ela ainda era uma linda garota loira, mas seus olhos
eram totalmente inquietantes – inteiramente azuis, sem nenhum branco ou qualquer
pupila neles. Ela sorriu com afiados dentinhos. "Sabem o que você querem?"
Jace sorriu. "O de sempre," ele disse, e recebeu um sorriso da garçonete em troca.
"Eu também," Alec em concordância, embora ele não chegasse a sorrir. Isabelle
fastidiosamente ordenou um smoothie de frutas, Simon pediu para tomar um café, e
Clary, após um momento de hesitação, escolheu um copo de café grande e
panquecas de côco. A garçonete piscou um olho azul para ela e saiu em disparada.
"Ela é uma ifrit também?" Clary perguntou, a olhando.
"Kaelie? Não. Parte-fey, eu acho," disse Jace.
"Ela tem olhos de nixie," disse Isabelle pensativamente.
"Você realmente não sabe o que ela é?" perguntou Simon.
Jace balançou sua cabeça. “Eu respeito a privacidade dela.” Ele cutucou Alec. ”Hey,
me deixe sair por um segundo.”
Zangado, Alec se deslocou de lado. Clary olhava Jace enquanto ele avançava até
Kaelie, que estava inclinada contra o bar, falando com o cozinheiro através de uma
passagem para a cozinha. Tudo que Clary pôde ver do cozinheiro era uma cabeça
inclinada em um chapéu branco de chef. Altas e peludas orelhas apareciam através
dos buracos cortados em ambos os lados do chapéu.
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Kaelie virou-se para sorrir para Jace, que colocou um braço em torno dela. Ela se
aconchegou nele. Clary se perguntou se isso era o que Jace entendia por respeitando
a sua privacidade.
Isabelle rolou seus olhos. “Ele realmente não deveria importunar a garçonete –
pessoal com isso.”
Alec olhou para ela. “Você não acha que ele quer dizer isso? Digo, que ele gosta
dela.”
Isabelle deu de ombros. “Ela é uma Downworlder,” ela disse, como se isso explicasse
tudo.
“Eu não entendi.” Clary disse.
Isabelle olhou para ela sem interesse. “Entendeu o quê?”
“Toda essa coisa de Downworlder. Vocês não caçam eles, porque eles não são
exatamente demônios, mas eles não são exatamente pessoas, também. Vampiros
matam, eles bebem sangue...”
“Apenas vampiros nocivos bebem sangue humano vindo de pessoas vivas,” inseriu
Jace. “E estes, nós temos permissão para matar.”
“E lobisomens são o quê? Apenas filhotes que cresceram demais?”
“Eles matam demônios,” Isabelle disse. “Então se eles não nos incomodam, nós não
incomodamos eles.”
Como deixar aranhas vivas porque elas matam mosquitos. Clary pensou. “Então eles
são bons o suficiente para se deixar viver, bons o suficiente para fazer a comida para
vocês, bons o suficiente para flertar – mas não realmente bons o suficiente? Quero
dizer, não tão bons como as pessoas.”
Isabelle e Alec olharam para ela como se ela estivesse falando Urdu. “Diferente das
pessoas.” Alec disse finalmente.
“Melhor do que os mundanos?” Simon disse.
"Não," Isabelle disse decididamente. "Você poderia tornar um mundano em um
Caçador de Sombras. Quero dizer, nós viemos dos mundanos. Mas você nunca
poderia tornar um Downworlder em um dos da Clave. Eles não podem suportar as
Runas."
“Então eles são fracos?” Clary perguntou.
“Eu não diria isso,” Jace disse, deslizando para seu assento próximo a Alec. Seu
cabelo estava bagunçado e havia uma marca de batom em sua bochecha. “Pelo
menos não como um peri, um djinn, um ifrit, e Deus sabe o que está escutando.” Ele
sorriu quando Kaelie apareceu e distribuiu a comida.
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Clary julgou suas panquecas consideravelmente. Elas pareciam fantásticas: marrom
dourado, encharcado com mel. Ela deu uma mordida enquanto Kaelie se afastava
sobre os saltos altos dela.
Elas eram deliciosas.
"Eu disse que era o melhor restaurante de Manhattan," disse Jace, comendo suas
batatas fritas com os dedos.
Ela olhou para Simon, que estava mexendo seu café, de cabeça para baixa.
"Mmmf," disse Alec, cuja boca estava cheia.
"Certo," Jace disse. Ele olhou para Clary. "Não é uma via de mão única," ele disse.
"Podemos não gostar sempre de Downworlders, mas eles não gostam de nós sempre,
também. Uns cem anos de Acordos não pode acabar com um milhão de anos de
hostilidade."
"Tenho certeza que ela não sabe o que os Acordos são, Jace," Isabelle disse em torno
da colher dela.
"Não, na verdade," Clary disse.
"Eu não," disse Simon.
"Sim, mas ninguém se importa o que você sabe." Jace disse examinado uma batata
frita antes de dar uma mordida nela.
"Eu gosto da companhia de certos Downworlders em certas horas e lugares. Mas nós
realmente não somos convidados para as mesmas festas."
"Espere." Isabelle disse de repente sentando-se ereta. "Que nome você disse que se
chamava?" Ela exigiu, virando-se para Jace. "O nome na cabeça de Clary."
"Eu não disse," disse Jace. "Pelo menos, eu não acabei. É Magnus Bane." Ele sorriu
para Alec zombeteiramente. "Rima com „extracuidadoso com a dor em seu traseiro‟.”
Alec murmurou uma réplica em seu café. É aquilo rimava com algo que soava muito
mais como "chovendo no molhado". Clary sorriu interiormente.
"Não pode ser, mas estou quase certa... " Isabelle cavucou em sua bolsa e puxou um
pedaço de papel azul dobrado. Ela sacudiu ele entre os dedos. "Olhe para isso."
Alec pegou em sua mão o papel, olhou-o com um encolher de ombros, e o entregou a
Jace. "É um convite para uma festa. Em algum lugar no Brooklyn," ele disse. "Eu
odeio Brooklyn."
"Não seja um esnobe," disse Jace. Então, tal como Isabelle fez, ele se sentou ereto e
fixou o olhar. "Onde você conseguiu isso, Izzy?"
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Ela flutuou sua mão pelo ar. "Foi daquele kelpie no Pandemonium. Ele disse que seria
fantástico. Ele tinha uma pilha deles."
“O que é isso?” Clary demandou impacientemente. “Vocês vão mostrar para o resto
de nós ou não?”
Jace girou o convite ao redor para que eles todos pudessem ler. Estava impresso em
um papel fino, quase um pergaminho, em uma fina, elegante, com forma de aranha
escrita. Ele anunciava uma reunião na humilde casa de Magnus, o Magnífico Bruxo, e
prometia aos participantes "Uma noite de delícias extasiadas além de suas selvagens
imaginações".
“Magnus,” Simon disse. “Magnus como Magnus Bane.”
“Eu duvido que haja muitos bruxos chamados Magnus na Area Tristate,” Jace disse.
Alec piscou com isso. ”Isso significa que nós vamos a essa festa?” Ele perguntou para
ninguém em particular.
“Nós não temos que fazer nada,” Jace disse, estava lendo a fina impressão no
convite. “Mas de acordo com isso, Magnus Bane é o Alto Bruxo do Brooklyn.” Ele
olhou para Clary. “Eu mesmo, estou um pouco curioso do porquê o nome do Maior
Bruxo do Brooklyn está fazendo dentro da sua cabeça.
***
A festa não iria começar até a meia-noite, então com o dia inteiro para matar, Jace e
Alec desapareceram na sala de armas e Isabelle e Simon anunciaram a sua intenção
de caminhar no Central Park então ela poderia mostrar a ele os círculos de fadas.
Simon perguntou a Clary se ela queria vir junto. Asfixiando uma fúria assassina, ela
recusou por motivo de exaustão.
Que não era exatamente uma mentira – ela estava exausta, seu corpo continuava
enfraquecido pelos pós-efeitos do veneno e também por ter acordado cedo demais.
Ela deitou em sua cama no Instituto, chutando seus sapatos, disposta a se por para
dormir, mas o sono não veio. A cafeína em suas veias efervescia como água
gaseificada, e sua mente estava cheia de imagens se movimentando. Ela continuava
vendo o rosto de sua mãe olhando para ela, sua expressão de pânico. Continuava
vendo as Estrelas Falantes, ouvindo as vozes dos Irmãos do Silêncio em sua cabeça.
Porque havia um bloqueio em sua mente? Porque haveria de um poderoso bruxo ter
posto aquilo, e qual o propósito? Ela se perguntou que memórias ela poderia ter
perdido, quais experiências ela teve que ala não podia agora evocar. Ou talvez todas
as coisas que ela pensava que se lembrava eram uma mentira...?
Ela se sentou, já não capaz de suportar seus pensamentos que a tomavam. Pés
descalços, ela percorreu o corredor em direção à biblioteca. Talvez Hodge pudesse
ajudar ela.
Mas a biblioteca estava vazia. A luz da tarde se inclinava entre as cortinas separadas,
despejando barras douradas através do piso. Sobre a mesa descansava o livro que
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Hodge estava lendo mais cedo, sua capa coberta de couro reluzindo. Ao lado estava
Hugo dormindo em seu poleiro, o bico guardado debaixo da asa.
Minha mãe conhecia esse livro, Clary pensou. Ela tocou ele, lendo do lado de fora. A
dor por segurar algo que era uma parte da vida de sua mãe foi como um corroer no
buraco do seu estômago. Ela cruzou a sala rapidamente, posicionando suas mãos no
livro. Ele estava morno, o couro aquecido pelo sol. Ela levantou a capa.
Algo dobrado deslizou para fora entre as páginas e flutuou para o chão aos seus pés.
Ela se curvou pare recuperá-lo, colocando ele aberto em reflexo.
Era uma fotografia de um grupo de jovens, nenhum muito mais velho do que a
própria Clary. Ela sabia que estava segurando algo de vinte anos atrás, não por causa
das roupas que eles estavam usando – que, como a maioria do vestuário dos
Caçadores de Sombras, estavam indefinidos em preto – mas por que ela reconheceu
sua mãe instantaneamente: Jocelyn não mais do que dezessete ou dezoito, seu
cabelo partido ao meio para trás e seu rosto um pouco arredondado, o queixo e a
boca eram menos definidas. Ela se parece comigo, Clary pensou desorientadamente.
O braço de Jocelyn estava ao redor de um garoto que Clary não reconheceu. Isso lhe
deu um sobressalto. Ela nunca pensou em sua mãe se envolvendo com alguém que
não fosse seu pai, desde que Jocelyn nunca tinha tido um encontro ou se interessado
em romance. Ela não era como a maioria das mães solteiras, que perambulavam na
Associação dos Pais e Mestres se encontrando para provavelmente – procurar por
pais, ou a mãe de Simon, que estava sempre checando seu perfil no JDate23. O
garoto era bonito, com cabelos tão loiros que parecia quase brancos, e olhos negros.
“Este é Valentine,” disse uma voz no seu cotovelo, “quando ele tinha dezessete.”
Ela deu um pulo para trás, quase derrubando a foto. Hugo deu um assustado e infeliz
grasno antes de voltar para baixo em seu poleiro, penas agitadas.
Era Hodge, olhando para ela com olhos curiosos.
“Me desculpe,” ela disse, colocando a fotografia sobre a mesa e indo rapidamente
para trás. “Eu não queria bisbilhotar suas coisas.”
“Está tudo bem,” ele tocou a fotografia com uma cicatrizada e descorada mão – um
estranho contraste com a limpa pureza do tweed do punho de sua manga. “É um
pedaço de seu passado, depois de tudo.”
Clary se impulsionou de volta em direção a mesa como se a foto exercesse uma
atração magnética. O garoto de cabelo branco na foto estava sorrindo para Jocelyn,
seus olhos apertados em um jeito que os garotos apertam os olhos quando eles
realmente gostam de você. Ninguém, Clary pensou, tinha olhado ela daquele jeito.
Valentine, com sua frieza, as feições do rosto finas, parecendo absolutamente o
contrário do seu próprio pai, com seu sorriso aberto e os cabelos brilhantes que ela
tinha herdado. “Valentine parece... bem legal.”
23
Site de relacionamentos.
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“Legal, ele não era,” Hodge disse, com um sorriso torto, “mas ele era charmoso,
inteligente e muito convincente. Você reconhece mais alguém?”
Ela olhou novamente. Parado em pé atrás de Valentine, um pouco a esquerda, estava
um garoto magro com um espetado cabelo castanho claro. Ele tinha grandes ombros
e punhos, para alguém que não tinha crescido em sua altura ainda. “É você?”
Hodge concordou. “E...?”
Ela teve que olhar duas vezes antes que ela identificasse alguém que ela conhecia:
tão jovem que era quase irreconhecível. No fim de seus óculos que davam a ele
distância, e os olhos por trás deles, azul claro como água do mar. “Luke,” ela disse.
"Lucian. E aqui." Inclinando sobre a foto, Hodge indicou um casal adolescente
parecendo elegante, ambos de cabelos escuros, a garota era meia cabeça mais alta
que o rapaz. Suas características eram estreitas e predatórias, quase cruéis. "O
Lightwoods," ele disse. "E ali," ele indicou um rapaz muito bonito com ondulados
cabelos escuros, cor forte no queixo quadrado em seu rosto. "É Michael Wayland."
“Ele não se parece nada com Jace.”
“Jace lembra sua mãe.”
“E isso, é como uma foto de turma?” Clary perguntou.
"Não é bem assim. Este é um retrato do Círculo, tirada no ano que foi formado. É por
isso que Valentine, o líder, está na frente, e Luke está em seu lado direito, ele era o
segundo de Valentine no comando."
Clary virou seu olhar para longe. "Eu ainda não entendo porque minha mãe iria se a
juntar algo como isso."
"Você precisa entender..."
"Você continua dizendo," Clary disse zangada. "Eu não vejo por que eu preciso
entender nada. Você me diz a verdade, e eu vou compreender isso ou não."
O canto da boca de Hodge contraiu. "Como você quiser." Ele pausou para alcançar
uma mão e afastar Hugo, que estava se empertigando ao longo da borda da
importante mesa. "Os Acordos nunca tiveram o apoio de toda a Clave. Quanto mais
veneráveis as famílias, especialmente, apegados aos velhos tempos, quando
Downworlders eram assassinados. Não apenas pelo ódio, mas porque isso os faziam
se sentir mais seguros. É mais fácil para enfrentar uma ameaça como um grande
número, um grupo, não individual que precisam ser avaliados um a um... e a grande
maioria de nós conhecia alguém que tinha sido ferido ou morto por um Downworlder.
Não há nada," ele acrescentou, "nada como o absolutismo moral dos jovens. É fácil,
enquanto se é criança, acreditar em bons e maus, em claro e escuro. Valentine,
nunca perdeu isso – nem seu idealismo destrutivo, nem sua apaixonada aversão a
qualquer coisa que ele considerava „não humano‟.”
"Mas ele amava a minha mãe," disse Clary.
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“Sim,” Hodge disse. “Ele amava sua mãe. E ele amava Idris...”
“O que há de tão grande sobre Idris?” Clary perguntou, ouvindo a irritabilidade em
sua própria voz.
“Ela era,” Hodge começou, e corrigiu a si mesmo, “ela é, o lar para os Nephilim, onde
eles podem ser verdadeiramente eles mesmos, um lugar onde não há necessidade de
se esconder ou do glamour. Um lugar abençoado pelo Anjo. Você nunca terá visto
uma cidade até que você veja Alicante das torres de vidro. É mais linda do que você
pode imaginar.” Havia um rasgo de dor em sua voz.
Clary pensou subitamente em seu sonho. ”Lá eles sempre... dançam na Cidade de
Vidro?”
Hodge piscou para ela como se estivesse despertando de um sonho. “Toda semana.
Eu nunca participei, mas sua mãe sim, e Valentine.” Ele riu suavemente. “Eu era mais
um estudioso. Eu passava meus dias na biblioteca, em Alicante. Os livros que você vê
aqui são apenas uma fração dos tesouros que eles possuem. Eu achei que talvez eu
pudesse me juntar a Irmandade algum dia, mas depois do que eu fiz, é claro, eles
não me quiseram.”
“Sinto muito,” Clary disse desajeitadamente. Sua mente ainda cheia das memórias de
seu sonho. Havia uma fonte de sereia onde eles dançaram? Valentine usava branco,
de modo que sua mãe podia ver as marcas em sua pele, mesmo através de sua
camisa?
“Eu posso ficar com isso?” Ela disse, indicando a fotografia.
Um cintilar de hesitação passou pelo rosto de Hodge. “Eu preferia que você não
mostrasse isso a Jace,” ele disse. “Ele já tem o suficiente a lidar, sem fotos de seu pai
morto vindo à tona.”
“É claro.” Ela a abraçou em seu peito. “Obrigada.”
“Não é nada.” Ele olhou para ela questionadoramente. “Você veio a biblioteca para
me ver, ou por algum outro motivo?”
“Eu estava me perguntando se você tinha ouvido a resposta da Clave. Sobre a taça.
E... minha mãe.”
“Eu tive uma resposta curta esta manhã.”
Ela podia ouvir o entusiasmo em sua própria voz. “Eles vão enviar pessoas?
Caçadores de Sombras?”
Hodge pareceu afastar-se dela. “Sim, eles vão.”
“Porque eles não ficam aqui?” ela perguntou.
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"Existe uma certa preocupação que o Instituto esteja sendo vigiado por Valentine.
Quanto menos ele souber, melhor." Ele viu a sua miserável expressão, e suspirou.
"Sinto muito eu não poder dizer mais, Clarissa. Eu não sou muito confiável para a
Clave, mesmo agora. Me disseram muito pouco. Eu gostaria de poder te ajudar."
Houve alguma coisa na tristeza em sua voz que fez ela relutar em empurrá-lo para
obter mais informações. "Você pode," ela disse. "Eu não consigo dormir. Estou me
mantendo pensando muito. Você poderia..."
"Ah, uma mente inquieta." Sua voz estava cheia de compaixão. "Posso te dar alguma
coisa para isso. Espere aqui."
***
A poção que Hodge lhe deu cheirava agradavelmente a zimbro e a folhas. Clary
mantinha aberto o frasco e cheirava ele em seu caminho de volta para o corredor.
Foi, infelizmente que, ainda em aberto, quando ela entrou seu quarto e encontrou
Jace estirado em sua cama, olhando para seu caderno de esboços. Com um pequeno
guincho de surpresa, ela largou o frasco, ele estornou ao longo do chão, derramando
o líquido verde pálido na madeira.
"Oh, querida," Jace disse, se sentando, o caderno de esboços abandonado. "Espero
que não seja nada importante."
"Era uma poção para dormir," disse ela com raiva, tocando o frasco com a ponta de
um tênis. "E agora já era."
"Se pelo menos Simon estivesse aqui. Ele provavelmente poderia aborrecê-la até
você dormir."
Clary não estava com humor para defender Simon. Em vez disso ela pegou o caderno
de esboços. “Eu geralmente não deixo as pessoas olharem isso.”
“Por que não?” Jace parecia desgrenhado, como se ele próprio estivesse dormindo.
“Você é uma artista muito boa. Às vezes, excelente.”
“Bom, porque isso é como um diário. Exceto que eu não penso em palavras, eu penso
em imagens, por isso eu desenho tudo. Mas ainda é muito privado.” Ela se perguntou
se ela soava tão louca quanto ela suspeitava.
Jace pareceu ferido. “Um diário sem nenhum desenho meu nele? Onde estão as
fantasias tórridas? As capas de novela de romance? O...”
“Todas as garotas que você conhece se apaixonam por você?” Clary perguntou
quietamente.
A pergunta pareceu murchar ele, como um alfinete furando um balão. “Não é amor,”
ele disse, depois de uma pausa. “Pelo menos...”
“Você podia tentar não ser encantador o tempo todo,” Clary disse. “Poderia ser uma
alivio para todos.”
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Cassandra Cale – The Mortal Instruments 01 – City of Bones
Ele olhou para baixo em suas mãos. Elas já eram como as mãos de Hodge, flocos de
neve branco minúsculos como cicatrizes, mas a pele era jovem e sem linhas. "Se
você está realmente cansada, eu poderia te colocar para dormir," ele disse. "Te
contar história para dormir."
Ela olhou para ele. "Você está falando sério?"
"Estou sempre sério."
Ela se perguntou se foi o cansaço que fez ambos ficarem um pouco loucos. Mas Jace
não parecia cansado. Ele parecia quase triste. Ela colocou o caderno de esboços na
mesa de cabeceira, se curvando lateralmente sobre o travesseiro. "Ok."
"Feche os olhos."
Ela fechou eles. Ela podia ver a imagem depois da luz da lâmpada refletida contra
suas pálpebras, como minúsculos prismas.
“Havia uma vez um menino,” Jace disse.
Clary interrompeu imediatamente. “Um menino Caçador de sombras?”
“É claro.” Por um momento um pouco de divertimento coloriu sua voz. Então, ele
tinha ido embora. "Quando o menino tinha seis anos, seu pai lhe deu um falcão para
treinar. Falcões são aves de rapina – matam aves, seu pai lhe disse, um Caçador de
Sombras no céu.
O falcão não gostava do menino, e o menino não gostava dele, também. Seu bico
afiado fazia ele ficar nervoso, e seus olhos brilhantes sempre pareciam estar
observando ele. Aquilo podia cortar ele com o bico e as garras quando ele se
aproximava: Por semanas seus pulsos e mãos estavam sempre sangrando. Ele não
sabia, mas o seu pai tinha selecionado um falcão que tinha vivido na selva há mais de
um ano, e, portanto, era quase impossível de domar. Porém, o garoto tentou, porque
o seu pai tinha dito a ele para fazer o falcão ser obediente, e ele queria agradar a seu
pai.
Ele ficou com o falcão constantemente, mantendo ele acordado e falando com ele e
até mesmo tocando música para ele, porque um pássaro cansado está destinado a
ser mais fácil de domar. Ele aprendeu o equipamento: a cinta das pernas, o capuz
para vedar os olhos, o cabo, a trela que limitam o pássaro ao seu pulso. Ele estava
mantendo o falcão cego, mas ele não podia continuar a fazer isso, em vez disso ele
tentou se sentar onde a ave pudesse vê-lo enquanto ele tocava e alisava suas asas,
disposto a confiar nele. Ele a alimentava na sua mão, e de primeira ela não quis
comer. Mais tarde ela comeu tão selvagem que o seu bico cortou a pele da sua
palma. Mas o menino estava satisfeito, porque eram progressos, e porque ele queria
que a ave o conhecesse, mesmo que a ave tivesse que consumir o seu sangue para
que isso acontecesse.
Ele começou a ver que aquele falcão era bonito, que as asas finas foram construídas
para a velocidade de vôo, que era forte e rápida, feroz e suave. Quando mergulhava
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no chão, era como se movido como a luz. Quando ele aprendeu a circular e chegar ao
seu pulso, ele quase gritou com alegria.
Às vezes o pássaro pulava para o seu ombro e colocava o seu bico no seu cabelo. Ele
sabia que a falcão o amava, e quando ele estava certo que não foi apenas
domesticado, mas perfeitamente domesticado, ele foi até seu pai e lhe mostrou o que
ele tinha feito, esperando que ele se mostrasse orgulhoso.
Em vez disso o seu pai pegou o pássaro, agora manso e de confiança, nas suas mãos
e quebrou o seu pescoço. „Eu lhe disse para torná-lo obediente,‟ seu pai disse, e
largou o corpo sem vida do falcão no chão. „Ao invés disso, você ensinou ele a amar
você. Falcões não devem ser carinhosos animais de estimação: Eles são ferozes e
violentos, selvagens e cruéis. Este pássaro não foi domado; ele foi arruinado.‟
Mais tarde, quanto seu pai deixou ele, o garoto chorou em cima do seu animal, até
que eventualmente seu pai enviou um empregado para pegar o corpo da ave e
enterrá-la. O menino nunca chorou novamente, e ele nunca esqueceu o que ele
aprendeu: que o amor é para destruir, e ser amado é ser o que vai ser destruído.”
Clary, que tinha estado ainda deitada, respirando com dificuldade, rolou em suas
costas e abriu os olhos dela. "Essa é uma história horrível," ela disse indignadamente.
Jace tinha puxado para cima as pernas dele, o queixo nos joelhos. "Ela é?" ele disse
pensativamente.
“O pai do menino é horrível. Essa é uma história de abuso infantil. Eu deveria saber o
quê os Caçadores de Sombras pensam ser uma história para dormir. Tudo o que dá é
pesadelos para se acordar gritando...”
“As vezes as Marcas podem dar a você pesadelos para se acordar gritando,” Jace
disse, “se você tivê-las quando for muito jovem.” Ele olhou para ela cuidadosamente.
A tarde trouxe à luz através das cortinas e fez seu rosto um estudo de contrastes.
Contraste, ela pensou. A arte das sombras e luz. “É uma boa história, se você pensar
sobre isso,” disse ele. “O pai do menino estava apenas tentando torná-lo mais forte.
Inflexível.”
"Mas você tem que aprender a se subjulgar um pouco," Clary disse com um bocejo.
Apesar do conteúdo da história, o ritmo da voz de Jace fez ela se sentir com sono.
“Ou você irá se quebrar.”
“Não, se você for forte o suficiente," Jace disse com firmeza. Ele se afastou, e ela
sentiu as costas da mão dele alisar a bochecha dela, ela percebeu que os olhos dela
estavam escorregando fechados. A exaustão fez seus ossos ficarem líquidos; ela
sentiu como se ela pudesse ser varrida e desaparecer. Quando ela caiu no sono, ela
ouviu o eco das palavras em sua mente. Ele me deu tudo o que eu queria. Cavalos,
armas, livros, inclusive um falcão de caça.
"Jace," ela tentou dizer. Mas o sono pegou ela em suas garras, levando ela, e ela
ficou em silêncio.
Ela acordou com uma voz urgente. “Levante-se!”
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Clary abriu os olhos lentamente. Eles pareciam gelatinosos, colados uns nos outros.
Algo fez cócegas em seu rosto. Era o cabelo de alguém. Ela se sentou rapidamente e
acertou a sua cabeça em algo duro.
“Uau! Você acertou minha cabeça.” Era uma voz de garota. Isabelle. Ela ligou a luz
próxima a cama e olhou Clary com ressentimento, esfregando seu couro cabeludo.
Ela parecia brilhar à luz da lâmpada – ela estava usando uma saia longa prateada e
um top enfeitado com lantejoulas, e suas unhas estavam pintadas como moedas
brilhantes. Fios de contas prateadas estavam presos em seu cabelo escuro. Ela
parecia como uma deusa da lua. Clary odiou ela.
“Bem, ninguém disse para você estar inclinada sobre mim desse jeito. Você
praticamente me assustou até a morte.” Clary friccionou sua própria cabeça. Havia
uma ferida no local um pouco acima da sobrancelha. “O que é que você quer afinal?”
Isabele indicou o céu escuro da noite do lado de fora. “È quase meia-noite. Nós temos
que ir para a festa, e você ainda não está vestida.”
“Eu só tenho isso para usar,” Clary disse, indicando seu conjunto de jeans e camiseta.
“Isso é um problema?”
"Se isso é um problema?" Isabelle olhou como se ela fosse desmaiar. "É claro que é
um problema! Nenhum Downworlder iria usar essas roupas. E é uma festa. Você vai
ficar esquisita como uma ferida no polegar se você estiver vestida... informal,” ela
terminou, parecendo como se a palavra que ela desejasse usar fosse muito pior do
que "informal".
"Eu não sabia que estávamos vestindo para sair," Clary disse acidamente. "Eu não
tenho nenhuma roupa de festa comigo."
"Você só tem que pegar emprestada uma minha."
"Ah, não." Clary pensou na camiseta grande demais e nos jeans. "Quero dizer, eu não
poderia. Realmente."
O sorriso de Isabelle era tão brilhante quanto pregos. "Eu insisto."
“Eu realmente prefiro vestir minhas próprias roupas,” Clary protestou, se contorcendo
desconfortavelmente enquanto Isabelle posicionava ela em frente ao espelho que ia
até o chão em seu quarto.
“Bem, você não pode,” Isabelle disse. “Você parece como se tivesse oito anos, e pior,
você parece como uma mundana.”
Clary apertou sua mandíbula rebeldemente. “Nenhuma de suas roupas vão caber em
mim,”
“Nós vamos ver isso.”
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Clary assistiu Isabelle pelo espelho enquanto ela saqueava dentro de seu armário.
Seu quarto parecia como se uma bola de discoteca tivesse explodido dentro dele. As
paredes eram negras e eram fracamente iluminadas com redemoinhos de pontos –
em tinta dourada. Havia roupas em todos os lugares, pendendo nas costas das
cadeiras de madeira e se derramando para fora do armário e o alto guarda-roupa
encostado contra uma parede. Sua penteadeira, com um espelho com bordas de pele
cor de rosa, estava coberto por gliter, lantejoulas e potes de blush e pó.
“Quarto legal,” Clary disse, pensando longinquamente nas paredes cor de laranja de
sua casa.
“Obrigada, eu mesma pintei.” Isabelle emergiu de seu armário, segurando algo preto
e provocante. Ela o jogou para Clary.
Clary segurou a roupa, deixando ela se desdobrar. “Parece muito pequena.”
“É stretch,” Isabelle disse, “agora coloque ela.”
Rapidamente, Clary recuou para o pequeno banheiro, que estava pintado de azul
brilhante. Ela se retorceu no vestido por cima de sua cabeça, ele era apertado, com
minúsculas alças finas. Tentando não inalar muito profundamente, ela retornou para
o quarto, onde Isabelle estava sentada na cama, deslizando um conjunto de anéis
nos dedos dos pés em sua sandália. “Você é tão sortuda por ter pouco peito,” Isabelle
disse. “Eu nunca poderia vesti-lo sem um sutiã.”
Clary fez uma careta. “É muito curto.”
"Não é curto. Está ótimo," Isabelle disse, tocando com os dedos dos pés em volta e
debaixo da cama. Ela chutou para fora um par de botas pretas e algumas meias-
calças. "Aqui, você pode usar essas com ele. Elas vão fazer você parecer mais alta."
"Claro, porque eu tenho peito pequeno e sou uma anã." Clary puxou a borda do
vestido para baixo. Aquilo só tocava o topo de suas coxas. Ela quase nunca usava
saias, muito menos as mini-saias, então ela estar vendo grande parte das suas
próprias pernas, era alarmante. "Se isso é curto em mim, como ela deve ser em
você?" ela meditou em voz alta para Isabelle.
Isabelle sorriu. “Em mim é uma camiseta.”
Clary se deixou cair em cima da cama e puxou as meias e as botas. Os sapatos
ficaram um pouco frouxos ao redor de suas batatas das pernas, mas eles não
escorregavam em seus pés. Lançando-se em seus pés, ela olhou para si mesma no
espelho. Ela tinha que admitir que a combinação do vestido preto curto, meia-calças
e as botas altas eram bastante fera. A única coisa que estragava era...
“Seu cabelo,” Isabelle disse. “Eu preciso prendê-los. Desesperadamente. Sente-se.”
Ela apontou imperiosamente em direção a penteadeira. Clary se sentou e arqueava
seus olhos fechados enquanto Isabele puxava seu cabelo fora da trança – não muito
gentilmente – escovando eles e empurrando grampos dentro dele. Ela abriu seus
olhos justo quando uma esponja de pó estalou em seu rosto, soltando uma densa
nuvem de gliter. Clary tossiu e olhou para Isabelle acusadoramente.
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A outra garota riu. “Não olhe para mim. Olhe para si mesma.”
Olhando para o espelho. Clary viu que Isabelle tinha puxado seu cabelo em uma
elegante trança no topo de sua cabeça, segurando ela no lugar com grampos
brilhantes. Clary se lembrou de repente do seu sonho, o denso cabelo pesando em
sua cabeça, dançando com Simon... ela se mexeu impacientemente.
“Não se levante ainda,” Isabelle disse, “nós não terminamos.” Ela agarrou uma
caneta de delineador. ”Abra seus olhos.”
Clary ampliou seus olhos, o que foi bom para manter ela mesma longe de chorar.
“Isabelle, eu posso te perguntar uma coisa?”
“Claro,” Isabelle disse, empunhando o delineador com perícia.
“Alec é gay?”
O punho de Isabelle contraiu. O delineador escorregou, pintando uma longa linha
preta do canto do olho de Clary até sua linha do cabelo. “Oh, inferno,” Isabelle disse,
colocando a caneta para baixo.
“Tá tudo bem,“ Clary começou, colocando sua mão em cima de seu olho.
“Não, não está.” Isabelle soou próxima às lágrimas enquanto ela se arrastava entre
os montes de lixo no topo da penteadeira. Eventualmente ela veio com uma bola de
algodão, que ela entregou para Clary. “Aqui. Use isso.” Ela sentou na beira de sua
cama, as pulseiras em seus tornozelos tinindo, e olhou para Clary através de seu
cabelo. “Como você adivinhou?” Ela disse finalmente. “Você não pode dizer
absolutamente para ninguém,” Isabelle disse.
“Nem mesmo Jace?”
“Especialmente não para Jace!”
“Tudo bem.” Clary ouviu a rigidez em sua própria voz. “Eu acho que eu percebi por
não ser lá grande coisa.”
“Seria para os meus pais,” Isabelle disse quietamente. “Eles rejeitariam ele e o
colocariam para fora da Clave...”
“O que, você não pode ser gay e um Caçador de Sombras?”
“Não há nenhuma regra oficial sobre isso. Mas as pessoas não gostam disso. Quero
dizer, menos as pessoas com nossa idade, eu acho,” ela adicionou, sem certeza, e
Clary se lembrou como algumas outras pessoas da idade dela e de Isabelle que ela
realmente tinha conhecido. “Mas a geração mais velha, não. Se isso acontecer, não
fale sobre isso.”
“Ah,” Clary disse, desejando que ela nunca tivesse mencionado isso.
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“Eu amo meu irmão,” Isabelle disse, “e faria qualquer coisa por ele. Mas não há nada
que eu possa fazer quanto a isso.”
“Pelo menos ele tem você,” Clary disse embaraçada, e ela pensou por um momento
em Jace, que achava que o amor era algo que te fazia em pedaços. “Você realmente
acha que Jace... se importaria?”
“Eu não sei,” Isabelle disse, em um tom que indicava que o tema da conversa era o
suficiente. “Mas não é minha escolha a fazer.”
“Eu acho que não,” Clary disse. Ela se inclinou no espelho, usando o algodão que
Isabelle tinha dado a ela para tirar o excesso de maquiagem do olho. Quando ela se
sentou de volta, ela derrubou a bola de algodão com surpresa: O que Isabelle tinha
feito com ela? Suas bochechas pareciam afiladas e angulares, seus olhos profundos,
misteriosos, e em um luminoso verde.
“Eu pareço com minha mãe,” ela disse em surpresa.
Isabelle levantou suas sobrancelhas. “O que? Tão meia idade? Talvez um pouco mais
de glitter...”
“Chega de glitter,” Clary disse apressadamente. “Não, está bom. Eu gostei disso.”
“Ótimo,” Isabele saltou fora de sua cama, seus tornozelos tocando. “Vamos lá.”
“Eu preciso parar no meu quarto e pegar uma coisa.” Clary disse, se levantando.
“Além disso, eu preciso de alguma arma? E você?”
“Eu tenho muitas.” Isabelle sorriu, chutando seus pés a fim de que seus tornozelos
retinissem como sinos de Natal. "Estes, por exemplo. O esquerdo é ouro, que é
venenoso para os demônios, e o direito é um ferro abençoado, no caso de eu correr
atrás de algum vampiro não amigável ou mesmo fadas – fadas odeiam ferro. Ambos
têm força das runas esculpidas neles, então eu posso abalar um inferno com um
chute."
“Caçando demônios e na moda,” Clary disse. ”Eu nunca teria pensado que isso
pudesse andar junto.”
Isabelle gargalhou alto. “Você ficaria surpreendida.”
Os garotos estavam esperando por elas na entrada. Eles estavam usando preto, até
mesmo Simon, em que ficou um pouco demais – um grande par de calças pretas e
sua própria camisa virada de dentro para fora para esconder o logotipo da banda. Ele
estava em pé desconfortavelmente ao lado, enquanto Jace e Alec encostados
relaxadamente contra a parede, parecendo aborrecidos. Simon olhou para Isabelle
enquanto caminhava dentro da entrada, seu chicote dourado enrolado em seu punho,
suas correntes de metal vibrando como sinos. Clary esperou que ele olhasse pasmado
– Isabelle parecia incrível – mas seus olhos deslizaram para ela, onde eles ficaram
com um olhar de espanto.
“O que é isso?” ele exigiu, se endireitando. “O que você está usando, eu quero dizer.”
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Clary olhou para baixo, para si mesma. Ela tinha colocado um casaco leve para fazê-
la se sentir menos nua e agarrou sua mochila do seu quarto. Ela a lançou sobre o seu
ombro, tocando familiarmente entre as omoplatas de seus ombros. Mas Simon não
estava olhando para sua mochila, ele estava olhando para suas pernas, como se ele
nunca as tivesse visto antes.
“Isso é um vestido, Simon,” Clary disse secamente. “Eu sei que eu não uso muito,
mas realmente.”
"É tão curto," ele disse em confusão. Mesmo em metade de roupas de caçador de
demônio, Clary pensou, ele parecia ser o tipo de rapaz que iria até sua casa para
buscá-la para um encontro e seria educado com seus pais e legal com seus animais
de estimação.
Jace, por outro lado, parecia o tipo do rapaz que iria até a sua casa, a queimaria e a
poria abaixo com chutes. “Eu gosto do vestido,” ele disse, desprendendo-se a si
mesmo da parede. Seus olhos corriam de cima para baixo dela, preguiçosamente,
como o acariciar de patas de um gato. “Isso precisa de uma coisinha extra, apesar de
tudo.”
“Então, agora você é um expert em moda?” A voz dela saiu desigualmente – ele
estava muito perto dela, perto o suficiente para que ela pudesse sentir o calor dele,
cheirar o leve e quente perfume recentemente aplicado nas Marcas.
Ele tirou algo para fora da sua jaqueta e entregou a ela. Era um longo e fino punhal
em uma bainha de couro. O cabo da adaga era engastado com uma única pedra
vermelha esculpida em forma de rosa.
Ela balançou a cabeça dela. "Eu nem sequer sei como usar isso..."
Ele a pressionou em sua mão, ondulando os dedos em torno dos dela. "Você irá
aprender." Ele baixou a voz dele. "Está no seu sangue."
Ela puxou sua mão para trás lentamente. "Tudo bem".
"Eu poderia lhe dar uma bainha de coxa para colocar ela," Isabelle ofereceu. "Eu
tenho toneladas."
“CERTAMENTE QUE NÃO!” Simon disse.
Clary deu a ele um olhar irritado. “Obrigada, mas eu não sou o tipo de garota que usa
uma bainha na coxa.” Ela mergulhou a adaga no bolso do lado de fora de sua
mochila.
Ela olhou para cima enquanto fechava ela, para encontrar Jace olhando ela através
dos olhos semicerrados. "E uma última coisa," ele disse. Ele se aproximou e puxou os
grampos de brilhantes do cabelo dela, a fim de que eles caissem em quentes e
pesados cachos em seu pescoço. A sensação do cabelo dela fazendo cócegas em sua
pele nua era desconhecido e estranhamente prazeroso.
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"Muito melhor," ele disse, e desta vez ela pensou que talvez a voz dele estava
levemente desigual também.
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