quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 8

8– Arma da Escolha

Ela estava muito surpresa para gritar. A sensação de queda era a pior parte, seu
coração flutuou até sua garganta e seu estômago virou água. Ela arremessou suas
mãos para fora, tentando pegar em qualquer coisa, qualquer coisa que pudesse
diminuir sua queda.
Suas mãos fecharam sobre ramos. Folhas rasgaram na sua mão. Ela baqueou no
chão duro, seu quadril e ombro acertando envolvidos por terra. Ela rolou, sugando o
ar de volta a seus pulmões. Ela estava apenas começando a se sentar quando alguém
pousou em cima dela.
Ela foi derrubada para trás. Uma testa bateu contra a dela, seus joelhos batendo
contra o da outra pessoa. Se enroscando em braços e pernas, Clary tossiu cabelo
(não o seu próprio) para fora de sua boca e tentou lutar abaixo do peso que sentiu
como se a estivesse esmagando.
"Ouch," Jace disse em seu ouvido, o seu tom indignado. "Você me empurrou."
"Bem, você aterrizou em cima de mim."
Ele elevou a si mesmo nos seus braços e olhou para ela serenamente. Clary podia ver
o céu azul acima da sua cabeça, um pedaço de ramo de árvore, e no canto uma ripa
de revestimento cinza de casa. "Bem, você não me deixou muita escolha, não é?" ele
perguntou. "Não depois que você decidiu dar um salto alegremente através daquele
portal como se você estivesse pulando do trem F15. Você teve apenas sorte de isso
não nos despejar no East River16.”
"Você não tinha que vir atrás de mim."
“Sim, eu tinha,” ele disse. “Você é muito inexperiente para proteger a si mesma em
uma situação hostil sem mim.”
“Que doce. Talvez eu te perdoe.”
“Me perdoar? Pelo quê?”
“Por me dizer para calar a boca.”
Seus olhos se estreitaram: “Eu não mandei..., bem, eu mandei, mas você estava...”
“Esquece.” Seu braço, pregado debaixo das costas dele, estava começando a dar
cãibras. Rolando para o lado para libertá-lo, ela viu a grama marrom de um gramado
morto, uma cerca de grade, e mais das ripas de madeira cinza, dolorosamente
familiar.
Ela congelou. “Eu sei onde nós estamos.”
15
16
Linha de trem.
Nome de um rio americano.

Jace parou, gaguejando. “O que?”
“Está é a casa de Luke.” Ela sentou, lançando Jace para o lado. Ele rolou
graciosamente para seus pés e deu a mão a ela ajudando-a a se levantar. Ela ignorou
ele e se levantou direto, balançando seu braço adormecido.
Eles estava na frente de uma pequena casa cinza enfileirada, alinhada entre as outras
casas que estavam às margens d‟agua de Williamsburg. Uma brisa soprou vinda do
East River, acertando um pequeno sinal balançando acima dos tijolos em frente aos
degraus. Clary viu Jace enquanto ele lia as palavras em blocos em voz alta,
“Garroway Livros. Semi-novos, novos e edições esgotadas. Fechado aos sábados.” Ele
olhou para a porta escura à frente, sua maçaneta com um pesado cadeado, uma
quantidade de correspondência de poucos dias descansando sobre o capacho,
intocada. Ele olhou para Clary. “Ele mora em uma livraria?”
“Ele mora atrás da loja.” Clacy olhou para cima e para baixo da rua vazia, que era
delimitada em um dos finais à distância pela arqueada ponte de Williamsburg, e por
uma fábrica de açúcar no outro lado. Atravessando lentamente o constante rio, o sol
estava atrás dos arranha-céus da baixa Manhattan, delineando eles em ouro, “Jace,
como nós chegamos aqui?”
“Através do portal,” Jace disse, examinando o cadeado. “Ele leva você a qualquer
lugar em que você estiver pensando.”
“Mas eu não estava pensando em aqui,” Clary se opôs. “Eu não estava pensando em
lugar nenhum.”
“Você deve ter pensado.” Ele largou o assunto, parecendo desinteressado. “Então,
uma vez que estamos aqui mesmo assim..."
"Sim?"
"O que você quer fazer?"
“Ir embora, eu acho,” Clary disse amargamente. “Luke me disse para não vir aqui.”
Jace balançou a cabeça. “E você apenas vai aceitar isso?”
Clary colocou seus braços em torno de si mesma. Apesar do calor do dia, ela sentiu
frio. “Eu tenho uma escolha?”
“Nós sempre temos escolhas,” Jace disse, “se eu fosse você, eu estaria muito curioso
sobre Luke agora. Você tem as chaves da casa?”
Clary balançou sua cabeça. “Não, mas às vezes ele deixa a porta de trás aberta.” Ela
apontou para o beco estreito entre a fileira da casa de Luke e a próxima. Latas de lixo
de plástico estavam assentadas em fila ao lado de pilhas de jornais dobrados e um
balde de plástico com garrafas de soda vazias. Pelo menos Luke ainda era um
reciclador responsável.
“Tem certeza que ele não está em casa?” Jace perguntou.

Ela olhou para a vaga vazia. “Bem, seu caminhão se foi, sua loja está fechada, e
todas as luzes estão apagadas. Eu diria que provavelmente não está.”
"Então mostre o caminho."
O estreito corredor entre a fileira das casas terminava em uma alta grade de cerca.
Ela cercava o pequeno jardim de Luke, onde as únicas plantas florescendo pareciam
ser a erva daninha que surgiam através das pedras do pavimento, quebrando elas em
cacos empoeirados.
"Subir e mais," Jace disse, botando a ponta de sua bota dentro de uma lacuna na
cerca. Ele começou a subir. A cerca agitou-se tão alto que Clary olhou ao redor
nervosamente, mas não havia luzes acesas nas casas dos vizinhos. Jace chegou o
topo do muro e saltou para baixo do outro lado, a aterrissagem nos arbustos foi
acompanhada de um audível uivo.
Por um momento Clary pensou que ele tivesse aterrizado em um gato de rua. Ela
ouviu Jace gritar em surpresa quando ele caiu para trás. Uma sombra negra, muito
grande para ser um felino – explodiu fora do arbusto e se moveu pelo jardim,
mantendo-se baixa. Se pondo em seus pés, Jace se arremessou após ele, parecendo
assassino.
Clary começou a subir. Quando ela jogou sua perna por cima do topo da cerca, o
jeans de Isabelle pegou um fio torcido e rasgou-se na lateral. Ela caiu no chão, os
sapatos se arrastando na sujeira suave, ela ouviu Jace gritar em triunfo. “Peguei
ele!” Clary virou-se para ver Jace sentando no topo do debruçado intruso, cujos
braços estavam acima de sua cabeça. Jace pegou ele pelos seus pulsos. “Vamos lá,
vamos ver a sua cara...”
“Tira esse inferno de cima de mim, seu idiota pretensioso,” o intruso rosnou,
empurrando Jace. Ele se contorceu em meio a uma posição sentada, seus óculos
quebrados entortados.
Clary parou estarrecida em seu caminho. “Simon?”
“Oh, Deus,” Jace disse, soando resignado. “E eu aqui realmente esperando ter pego
alguma coisa interessante.”
“Mas o que você estava fazendo se escondendo nos arbustos de Luke?” Clary
perguntou, retirando as folhas do cabelo de Simon. Ele suportou seu auxilio com um
olhar sem graça. De algum jeito quando ela imaginou se encontrando com Simon,
quando tudo isso estivesse acabado, ele estaria com um humor melhor. “Essa parte
eu não entendi.”
“Tudo bem, já chega. Eu posso arrumar o meu próprio cabelo, Fray,” Simon disse, se
afastando do toque dela. Eles estavam sentados nos degraus da varanda de trás de
Luke. Jace tinha se apoiado no corrimão da varanda e estava fingindo ignorá-los,
enquanto ele usava a estela para limpar os cantos de suas unhas. Clary imaginou se
a Clave aprovaria.

“Quero dizer, Luke sabe que você está aqui?” ela perguntou.
“É claro que ele não sabe que eu estou a aqui,” Simon disse irritado. “Eu nunca lhe
perguntaria, mas eu tenho certeza que ele tem uma distintamente rigorosa política
sobre ocasionais adolescentes se ocultando em seus arbustos.”
“Você não é ocasional; ele conhece você.” Ela queria se aproximar e tocar seu rosto,
que ainda sangrava ligeiramente onde um galho tinha arranhado ele. “A coisa
principal é que você está bem.”
“Que eu estou bem?” Simon riu, um afiado, som infeliz, “Clary você tem idéia do que
eu passei nestes últimos dias? A última vez que eu vi você, você estava correndo
para fora do Java Jones como um morcego saindo do inferno, e então você apenas...
desapareceu. Você nunca atendia o seu celular – então o telefone da sua casa foi
desligado – então Luke me disse que você estava ficando com alguns parentes no
interior, quando eu sei que você não tem nenhum outro parente. Eu pensei que eu
havia feito algo que chateou você.
“O que você poderia possivelmente ter feito?” Clary alcançou a sua mão, mas ele a
puxou de volta sem olhar para ela.
“Eu não sei,” ele disse. ”Alguma coisa.”
Jace, ainda ocupado com sua estela, riu baixo sob sua respiração.
“Você é o meu melhor amigo,” Clary disse. “Eu não estava brava com você.”
“Yeah, bem, você claramente também não poderia ser incomodada para me ligar e
me dizer que você estava dormindo com algum loiro tingido querendo ser gótico, que
você provavelmente conheceu no Pandemonium.” Simon apontou acidamente.
“Depois que eu passei os últimos três dias me perguntando se você estava morta.”
“Eu não estava dormindo,” Clary disse, agradecida pela escuridão enquanto o sangue
corria para o seu rosto.
“E o meu cabelo é naturalmente loiro,” Jace disse. “Só para o registro.”
“Então o que você estava fazendo nesses últimos três dias?” Simon disse, seus olhos
escuros com suspeita. “Você realmente tem uma tia avó que contraiu uma gripe
aviária e precisava ser cuidada até ficar saudável?”
“Luke realmente disse isso?”
“Não. Ele apenas disse que você tinha ido visitar um parente doente, e que seu
telefone provavelmente não funcionaria fora do país. Não que eu tenha acreditado
nele. Depois dele ter me enxotado da sua entrada, eu fui ao redor de sua casa e olhei
pela janela detrás. Olhando ele fazer uma mala de viagem verde como se ele
estivesse saindo para um fim de semana. Foi quando eu decidi ficar por aqui e manter
um olho nas coisas.”
“Porque? Por que ele estava fazendo uma mala?”

“Ele estava embalando um monte de armas,” Simon disse, esfregando o sangue do
rosto na manga de sua camiseta. “Facas, um par de adagas, até mesmo uma espada.
Engraçado isso, algumas das armas pareciam como se estivessem brilhando.” Ele
olhou de Clary para Jace, e de volta. Seu tom estava aguçado como uma das facas de
Luke. “Agora, você vai me dizer que eu estava imaginando isso?”
“Não,” disse Clary. "Não vou dizer isso." Ela olhou para Jace. A última luz do
entardecer arremessou faíscas douradas nos seus olhos. Ela disse, "eu vou dizer a ele
a verdade."
"Eu sei."
"Você vai tentar me impedir?"
Ele olhou para baixo na estela em sua mão. "O meu juramento ao Pacto me obriga,"
disse ele. "Nenhum desses juramentos obriga você."
Ela virou-se de volta a Simon, tomando um profundo fôlego. "Tudo bem," disse ela.
"Aqui está o que você tem que saber."
O sol tinha escorregado inteiramente passando no horizonte, e a varanda estava na
escuridão na hora em que Clary parou de falar. Simon tinha ouvido dela uma longa
explicação com a expressão quase impassível, piscando só um pouco quando ela
chegou à parte sobre o demônio Ravener. Quando ela terminou de falar, ela limpou
sua garganta seca, de repente morrendo por um copo de água. "Então," ela disse,
"alguma pergunta?"
Simon levantou a mão dele. "Oh, eu tenho perguntas. Várias."
Clary exalou cuidadosamente. “Ok, manda.”
Ele apontou para Jace. “Agora, ele é um... de novo do que você chama as pessoas
como ele?”
“Ele é um Caçador de Sombras,” Clary disse.
“Um caçador de demônios,” Jace esclareceu. “Eu mato demônios. Isso não é
realmente complicado.”
Simon olhou para Clary novamente. "Sério?" Seus olhos estavam apertados, como se
ele meio que esperasse que dissessem a ele que nada daquilo era verdade e que Jace
na verdade era um perigoso lunático fugitivo que ela tinha decidido ajudar por razões
humanitárias.
"Na real."
Havia uma intenção no olhar no rosto de Simon. "E há vampiros, também?
Lobisomens, bruxos, todas essas coisas?"
Clary mordeu seu lábio inferior. "Foi o que ouvi."

“E você mata eles também?” Simon perguntou, dirigindo a pergunta a Jace, que tinha
posto sua estela de volta no seu bolso e estava examinando suas impecáveis unhas
por defeitos.
“Só quando eles estão sendo desobedientes.”
Por um momento Simon meramente ficou sentado e encarando seus pés. Clary se
perguntou se sobrecarregar ele com este tipo de informação tinha sido a coisa errada
a fazer. Ele tinha um forte traço prático do que qualquer outra pessoa que ela
conhecia, ele poderia odiar saber algo como isto, algo para o qual não havia qualquer
explicação lógica. Ela inclinou ansiosamente em frente, justo quando Simon levantou
a cabeça. "Isso é fantástico," ele disse.
Jace parecia tão estarrecido quanto Clary se sentiu.
"Fantástico?"
Simon concordou entusiasticamente o suficiente para fazer os cachos escuros
balançarem em sua testa. "Totalmente. É como Dungeons e Dragons, mas real."
Jace estava olhando para Simon como se ele fosse alguma espécie bizarra de inseto.
“Como o quê?”
“É um jogo,” Clary explicou. Ela se sentiu vagamente embaraçada. “Pessoas que
simulam ser magos e elfos e que matam monstros e outras coisas.”
Jace pareceu estupefato.
Simon sorriu. “Você nunca ouviu falar de Dungeons e Dragons?”
“Eu já ouvi sobre calabouços17,” Jace disse. “Também sobre dragões. Embora a
maioria deles esteja instinta.”
Simon pareceu desapontado. “Você nunca matou um dragão?”
“Ele também provavelmente nunca conheceu uma mulher-elfa de 1 metro e 82, em
um biquini de pele.” Clary disse irritada. “Saí fora, Simon.”
“Elfos de verdade tem 20 centimetros de altura,” Jace apontou. “E também eles
mordem.”
“Mas vampiros são quentes, certo?” Simon disse. “Eu quero dizer, alguma das
vampiras são gatas, não são?”
Clary se preocupou por um momento que Jace pudesse dar um bote, atravessando a
varanda e estrangulasse Simon pela falta de senso. Ao invés disso ele considerou a
questão. “Algumas delas, talvez.”
17
Dungeons e Dragons.

“Fantástico,” Simon repetiu. Clary decidiu que ela preferia quando eles estavam
lutando.
Jace deslizou do corrimão da varanda. “Então, nós vamos vasculhar dentro da casa
ou não?”
Simon se mexeu sobre seus pés. “Eu estou no jogo. O que estamos procurando?”
“Nós?” Jace disse, com uma sinistra delicadeza. “Eu não me lembro de ter convidado
você.”
“Jace,” Clary disse com raiva.
O canto direito da boca dele se curvou para cima. “Só brincando.” Ele andou para o
lado para deixar o caminho livre para ela até a porta. “Vamos?”
Clary tateou pela maçaneta no escuro. Ela se abriu, em resposta ligando a luz da
varanda, que iluminou a entrada, A porta que levava para dentro da livraria estava
fechada; Clary forçou a maçaneta. “Está fechada.”
“Permita-me, mundanos,” Jace disse, retirando ela suavemente para o lado. Ele
pegou sua estela do seu bolso e a pôs na porta. Simon olhava com algum
ressentimento. Não por causa das vampiras gatas, Clary suspeitou, era por ele nunca
ter feito algo como Jace.
“Ele é um saco, não é?” Simon disse. “Como você consegue ficar com ele?”
“Ele salvou minha vida.”
Simon olhou para ele rapidamente. “Como...”
Com um clique a porta se moveu aberta. “Aqui vamos nós,” Jace disse, deslizando
sua estela de volta ao seu bolso. Clary viu a marca na porta – acima de sua cabeça –
sumindo enquanto eles passavam através dela. A porta de trás abria-se para um
pequeno quarto de depósito, as paredes nuas descascando a tinta. Caixas de papelão
estavam amontoadas por toda parte, seus conteúdos identificados com marcas
rabiscadas: “Ficção”, “Poesia”, “Locais de Interesse”, “Romance”.
“O apartamento dele é por ali,” Clary foi a frente em direção a porta que ela tinha
indicado, na extremidade da sala.
Jace pegou o braço dela. “Espere.”
Ela olhou para ele nervosamente. “Tem alguma coisa errada?”
“Eu não sei.” Ele estava no estreito entre duas pilhas de caixas, e sibilou. "Clary, você
precisa vir até aqui e ver isso."
Ela olhou ao redor. A iluminação fraca no depósito, a única iluminação vinha da luz da
varanda brilhando através da janela. "Está tão escuro..."

Uma luz incendiou, banhando o quarto em um brilhante cintilar. Simon virou sua
cabeça de lado, piscando. "Ouch."
Jace riu. Ele estava em pé em cima de uma caixa selada, sua mão levantada. Alguma
coisa cintilava em sua palma, a luz escapava através dos seus dedos fechados. "Luz
de bruxa," ele disse.
Simon murmurou algo sob sua respiração. Clary já estava escalando por meio das
caixas, indo até Jace. Ele estava em pé atrás de uma pilha oscilante de livros de
mistérios, a luz de bruxa lançando uma misteriosa luz no rosto dele. "Olhe isso," ele
disse, indicando um espaço mais alto em cima da parede. Inicialmente ela pensou
que ele estava apontando para o que parecia ser um par de castiçais ornamentais.
Enquanto os olhos dela se ajustavam, ela notou o que eram, na realidade, alças de
metal presas por correntes curtas, as quais suas extremidades estavam afundadas na
parede. "Aquilo são..."
“Algemas,” Simon disse, escolhendo seu caminho através das caixas. “Isso é, ah...”
“Não diga „pervertido‟.” Clary lhe atirou um olhar de advertência. “É do Luke que
estamos falando.”
Jace se aproximou para correr sua mão por dentro de uma das alças de metal.
Quando ele abaixou-a, seus dedos estavam empoeirados com pó vermelho e marrom.
“Sangue. E olhe.” Ele apontou para parede direita onde as correntes estavam presas;
o gesso parecia se salientar para fora. “Alguém tentou arrancar essas coisas da
parede. E tentou bastante, dá pra se ver isso.”
O coração de Clary começou a bater forte dentro de seu peito. “Você acha que Luke
está bem?”
Jace abaixou a luz de bruxa. “Acho que seria melhor nós descobrirmos.”
A porta do apartamento de Luke estava destrancada. Ela levava a sala de estar de
Luke. Apesar das centenas de livros na própria loja, lá havia mais outras centenas no
apartamento. Prateleiras de livros cresciam até o teto, os volumes sobre eles
dobravam acima do outro, uma fileira bloqueando a outra. A maioria era poesia e
ficção, com abundância de fantasia e mistério intercalados. Clary se lembrou de
navegar no conjunto das Crônicas de Prydain aqui, enrolada no assento da janela de
Luke enquanto o sol se punha sobre o East River.
“Eu acho que ele ainda está por aqui,” Simon chamou em pé na entrada da pequena
cozinha. “O coador de café está ligado e tem café aqui. Ainda quente.”
Clary olhou ao redor da porta da cozinha. Pratos estavam empilhados na pia. As
jaquetas de Luke foram penduradas ordenadamente em ganchos dentro do armário.
Ela andou pelo corredor e abriu a porta do seu pequeno quarto. Parecia o mesmo
como sempre, a cama com um cobertor cinza e travesseiros desfeitos, o topo da
escrivaninha coberta frouxamente. Ela se afastou. Alguma parte dela tinha certeza
absoluta que quando eles entrassem, eles encontrariam o lugar feito em pedaços, e
Luke amarrado, ferido ou pior. Agora, ela não sabia o que pensar.

Entorpecida ela cruzou a sala até o pequeno quarto de hóspedes que ela tinha ficado
com tanta freqüência quando sua mãe estava fora da cidade em negócios. Eles
ficavam até tarde assistindo velhos filmes de terror na TV, em cintilante preto e
branco. Ela sempre mantinha uma mochila cheia com coisas extras aqui então ela não
tinha que ficar levando suas coisas de volta para casa.
Ajoelhada, Clary puxou aquilo debaixo da cama pela sua correia verde oliva. Estava
coberta com broches, a maioria dos quais Simon deu a ela. Jogadores faziam isso
melhor, garota otaku, ainda não rei18. No interior tinha algumas roupas dobradas,
alguns pares de calcinhas, uma escova de cabelo, e um xampu. Obrigada Deus, ela
pensou, e chutou a porta do quarto fechando. Ela rapidamente se trocou, tirando as
roupas grandes demais de Isabelle agora cheia de grama e suor, e pondo um par de
suas próprias calças com cordão, macias como papel desgastado, e um top azul com
um desenho de caracteres chineses em sua frente. Ela jogou as roupas de Isabelle
em sua mochila, fechando a ponta da corda, e deixou o quarto, a carga se movendo
familiarmente entre as omoplatas de seu ombro. Ela encontrou Jace no escritório
alinhado de livros de Luke, examinando uma mala verde que descansava aberta em
cima da mesa. Aquilo estava, como Simon tinha dito, cheia de armas, facas
embainhadas, um chicote enrolado, e algo que parecia como uma navalha afiada em
forma de disco.
“Isso é um chakram,” Jace disse, olhando para Clary quando ela entrou na sala. “Uma
arma hindu. Você gira ela ao redor do seu dedo indicador antes de soltá-la. Elas são
raras e difíceis de usar. É estranho que Luke possua uma. Elas costumavam ser uma
arma da escolha de Hodge, nos velhos tempos. Ou assim ele me disse.”
“Luke coleciona coisas. Objetos de arte. Você sabe,” Clary disse, indicando um balcão
atrás da mesa, que estava alinhado com ícones de bronze indianos e russos. Sua
favorita era uma estatueta de uma deusa indiana da destruição, Kali, brandindo uma
espada e uma cabeça cortada, enquanto ela dançava com sua cabeça atirada para
trás e os olhos semi-cerrados. Do lado da mesa estava uma antiga tela chinesa,
cinzelada em um brilhoso pau-rosa19.
“Coisas lindas”. Jace moveu o chakram para o lado delicadamente. Um punhado de
roupas soltas no fundo da mala, como se estivesse postas de última hora. “À
propósito, eu acho que isso é seu.”
Ele pegou um objeto retangular escondido entre as roupas: uma fotografia
emoldurada em madeira com um longo e vertical rachado atravessando o vidro. Os
rostos sorridentes de Clary, Luke e de sua mãe. “Isso é meu,” Clary disse, pegando-o
de sua mão.
“Está rachado,” Jace observou.
“Eu sei. Eu fiz isso. Eu joguei ela. Quando eu a atirei no demônio Ravener.” Ela olhou
para ele, vendo uma evidente compreensão no rosto dele.
"Isso significa que Luke deve ter voltado ao apartamento desde o ataque. Talvez até
hoje."
18
19
Otakus - pessoas que curtem anime, manga. O restante é confuso.
Pau Rosa – um tipo de madeira.

"Ele deve ter sido a última pessoa a entrar através do Portal," Jace disse. "É por isso
que ele nos levou até aqui. Você não estava pensando em nada, por isso ele nos
enviou para o último lugar que tinha ido."
"Legal da parte de Dorothea nos dizer que ele estava lá," Clary disse.
"Ele provavelmente pagou para ela ficar calada. Ou isso, ou ela confia nele mais do
que ela confia em nós. O que significa que ele pode não ser..."
"Gente!" Era Simon, precipitando-se no escritório em pânico. "Alguém está
chegando."
Clary soltou a foto. “É Luke?”
Simon olhou de volta para o muro, então concordou. “É. Mas ele não está sozinho –
há dois homens com ele.”
“Homens?” Jace cruzou a sala em poucas passadas, olhando através da porta, e
cuspiu uma maldição debaixo de sua respiração. “Bruxos.”
Balançando sua cabeça, Jace se afastou para longe da porta. “Há algum outro
caminho para fora daqui? Uma porta dos fundos?”
Clary balançou sua cabeça. O som de passos no corredor era audível agora, dando
pontadas de medo em seu peito.
Jace olhou ao redor desesperadamente. Os olhos deles descansaram na tela. “Vão
para trás daquilo,” ele disse, apontando. “Agora.”
Clary largou a foto fraturada sobre a mesa e escorregou para trás da tela, puxando
Simon depois dela. Jace ficou atrás deles, sua estela em sua mão. Ele mal tinha
escondido a si mesmo quando Clary ouviu a porta oscilando aberta, o som de pessoas
andando dentro do escritório de Luke, e então vozes. Três homens falando. Ela
olhava nervosamente para Simon, que estava muito pálido e então para Jace, que
tinha levantado a estela em sua mão e estava movendo a ponta levemente, em uma
espécie de forma quadrada, em toda a parte de trás da tela. Enquanto Clary olhava,
o quadrado ia ficando claro, como um painel de vidro. Ela ouviu Simon sugar sua
respiração, um pequeno som, meramente audível – e Jace batendo sua cabeça na de
ambos, movimentou com os lábios as palavras: “Eles não podem nos ver através
dela, mas nós podemos ver eles.”
Mordendo seu lábio, Clary se deslocou para a outra extremidade do quadrado e olhou
através dele, consciente da respiração de Simon em seu pescoço. Ela podia ver além
da sala perfeitamente: as prateleiras, a mesa com a mala atirada sobre ela – e Luke,
parecendo áspero e ligeiramente humilhado, seus óculos no topo de sua cabeça, de
pé perto da porta. Era assustador ela nunca soube que ele pudesse enxergar sem
eles, a janela que Jace fez era como um vidro na sala de investigação de uma
delegacia: estritamente só de um lado.

Luke se virou, olhando para trás através da entrada. “Sim, fiquem à vontade para
olharem ao redor,” ele disse, seu tom fortemente pesado com sarcasmo. “Legal da
parte de vocês mostrarem algum interesse.”
Um baixo sorriso veio do canto do escritório. Com uma impaciente pincelada do
punho, Jace tocou o quadro de sua „janela‟, e a abriu alargando, mostrando mais da
sala. Haviam dois homens com Luke, ambos em longos mantos avermelhados, seus
capuzes empurrados para trás. Um era magro, com um elegante bigode cinza e uma
barba pontuda. Quando ele sorriu, ele mostrou ofuscantes dentes brancos. O outro
era robusto, atarracado como um lutador, com cabelos avermelhados cortados. Sua
pele era um roxo escuro e parecia brilhante acima de suas bochechas, como se ele as
tivesse esticado muito.
“Aqueles são bruxos?” Clary sussurou suavemente.
Jace não respondeu. Ele ficou todo rígido como uma barra de ferro. Ele está com
medo que eu corra e tente pegar Luke, Clary pensou. Ela desejou poder assegurar a
ele que ela não faria isso.
Havia alguma coisa sobre aqueles dois homens, em seus espessos mantos da cor de
sangue arterial, que era assustador.
“Considere isso uma amigável companhia, Graymark,” disse o homem com o bigode
cinza. Seu sorriso mostrou dentes tão afiados que eles pareciam pontiagudos como se
eles tivessem sido mostrados de um canibal.
“Não há nada de amigável sobre você, Pangborn.” Luke disse se sentando na ponta
da mesa, angulando seu corpo então ele bloqueou a vista dos homens em sua mala e
seu conteúdo. Agora ele estava mais perto, Clary podia ver seu rosto e suas mãos
que estavam muito machucadas, seus dedos arranhados e sangrentos. Um longo
corte em seu pescoço desaparecendo abaixo de seu colarinho. O que diabos tinha
acontecido com ele?
“Blackwell, não toque nisso, é valioso,” Luke disse rispidamente.
O grande homem ruivo, que tinha pegado a estátua de Kali em cima da estante
correu seus dedos fortes nela, considerando. “Legal,” ele disse.
”Ah,” disse Pangborn, pegando a estátua de seu companheiro. “Ela, que foi criada
para lutar com um demônio que não podia ser morto por nenhum deus ou homem.
‟Oh, Kali, minha mãe cheia de felicidade! Feiticeira da onipotente Shiva, em tua
alegria delirante tu dançastes, batendo tuas mãos juntas. Tua arte de mover tudo o
que se move, e nós somos apenas teus impotentes brinquedos‟.”
“Muito bem,” disse Luke. “Eu não sabia que você era um estudante de mitos
indianos.”
“Todos os mitos são verdadeiros,” Pangborn disse, e Clary sentiu um calafrio subir na
sua espinha. “Ou você esqueceu até isso?”

“Eu não esqueci nada,” Luke disse. Embora ele parecesse relaxado, Clary podia ver a
tensão nas linhas de seus ombros e boca. “Suponho que Valentine enviou vocês?”
“Ele mandou,” Pangborn disse. “Ele pensou que você tivesse mudado de idéia.”
“Não há nada para mudar minha opinião sobre isso. Eu já disse a vocês que eu não
sei de nada. À propósito, belos mantos.”
“Obrigado,” disse Blackwell com um sorriso astuto. “Tiramos eles de um par de
bruxos mortos.”
“Esses são os mantos oficiais do Acordo, não são?” Luke perguntou. “Eles vêm da
revolta?”
Pangborn sorriu suavemente. “Espólios de batalha.”
“Vocês não tem medo que alguém possa confundir vocês pela coisa verdadeira?”
“Não,” disse Blackwell, “desde que eles não se aproximem.”
Pangborn acariciou a borda do seu manto. “Você se lembra da revolta, Lucian?” ele
disse suavemente. “Aquele foi um grande e terrível dia. Você se lembra que nós
treinamos juntos para a batalha?”
O rosto de Luke retorceu. “O passado é o passado. Não sei o que dizer a vocês
senhores. Eu não posso ajudá-los agora. Eu não sei de nada.”
“‟Nada‟, é um tipo de palavra usual, tão não específica,” disse Pangborn, soando
melancolicamente, “Certamente alguém que possui uma grande quantidade de livros
deve saber alguma coisa.”
“Se você quiser saber onde achar um lugar para descansar na primavera, eu poderia
te direcionar para o correto título de referência. Mas se você quer saber sobre a Taça
Mortal que desapareceu para...”
“Desaparecida pode não ser a palavra correta,” Pangborn murmurou. “Escondida, é
melhor. Escondida por Jocelyn.”
“O que pode ser,” Luke disse, “então, ela ainda não disse onde está?”
“Ela ainda não recobrou a consciência,” Pangborn disse, entalhando o ar com os
longos dedos da mão. “Valentine está desapontado. Ele estava ansioso pela sua
reunião.”
“Eu tenho certeza que ela não retribuiu o sentimento,” Luke murmurou.
Pangborn gargalhou. “Com ciúme, Graymark? Talvez você já não se sinta sobre ela
do jeito que você costumava sentir.”
Um tremor começou nos dedos de Clary, tão pronunciado que ela teve que unir suas
mãos para impedi-las de tremerem. Jocelyn? Eles estavam falando sobre sua mãe?

“Eu nunca senti nada sobre ela, particularmente,” Luke disse. “Dois Caçadores de
Sombras, exilados pelos de sua própria espécie, você pode ver a razão de nós termos
estado juntos. Mas eu não vou tentar interferir com os planos de Valentine para ela,
se é isso que está preocupando ele.”
“Eu não diria que ele está preocupado,” Pangborn disse. “Mais curioso. Nós todos nos
perguntamos se vocês ainda estavam vivos. Ainda reconhecidamente humanos.”
Luke arqueou suas sobrancelhas. “E?”
“Vocês parecem bem o suficiente,” Pangborn disse mesquinhamente. Ele colocou a
estatueta de Kali para baixo na prateleira. “Havia uma criança, não havia? Uma
garota.”
Luke pareceu surpreendido. “O que?”
“Não se faça de bobo,” disse Blackweel rosnando com sua voz. “Sabemos que a
cadela tinha uma filha. Eles encontraram fotos dela no apartamento, um quarto...”
“Eu pensei que vocês estavam perguntando sobre filhos meus,” Luke interrompeu
suavemente. “Sim, Jocelyn tinha uma filha. Clarissa. Eu pressumo que ela fugiu.
Valentine mandou vocês para achá-la?”
“Não nós,” Pangborn disse. “Mas ele está procurando.”
“Nós podíamos procurar neste lugar,” Blackwell adicionou.
“Eu não aconselharia vocês a isso,” Luke disse, e deslizou para fora da mesa. Havia
uma certa ameaça fria em seu olhar enquanto ele olhava para os dois homens,
embora sua expressão não tivesse mudado. “O que os fazem pensar que ela ainda
está viva? Eu pensei que Valentine enviou Raveners para explorar o lugar. Venenos
de Ravener são o suficiente, e a maioria das pessoas desintegram-se em cinzas, sem
deixar nenhum rastro para trás.”
“Houve um Ravener morto,” Pangborn disse. “Isso fez Valentine ter suspeitas.”
“Tudo faz Velentine ter suspeitas,” Luke disse. “Talvez Jocelyn o tenha matado. Ela
era realmente capaz.”
Blackwell grunhiu. “Talvez.”
Luke deu de ombros. “Olhe, eu não tenho a idéia de onde a garota está, mas se isso
vale alguma coisa, eu apostaria que ela está morta. Ela teria voltado agora, por outro
lado. De qualquer maneira, ela não era um perigo. Ela tem quinze anos, ela nunca
ouviu falar de Valentine, e ela não acredita em demônios.”
Pangborn sorriu. “Uma criança afortunada.”
“Não mais,” Luke disse.

Blackwell levantou suas sobrancelhas. “Você soou com raiva Lucian.”
“Eu não estou com raiva, estou exasperado. Eu não estou planejando interferir com
os planos de Valentine, vocês entendem isso? Eu não sou um tolo.”
“Realmente?” Blackwell disse. “É bom ver que você desenvolveu um saudável
respeito pela sua própria pele através dos anos, Lucian. Você não era sempre tão
pragmático.”
“Você sabe,” Pangborn disse, seu tom sociável, “que nós trocaremos ela, Jocelyn,
pela taça? Seguramente entregue, direto em sua porta. Essa é uma promessa do
próprio Valentine.”
“Eu sei,” Luke disse. “Eu não estou interessado. Não sei onde sua preciosa taça está,
e eu não quero me envolver em suas políticas. Eu odeio Valentine,” ele adicionou,
“mas eu respeito ele. Eu sei que ele vai matar qualquer um que estiver em seu
caminho. Eu tenciono estar fora do seu caminho quando isso acontecer. Ele é um
monstro, uma máquina assassina.”
“Olha quem está falando,” rosnou Blackwell.
“Acho que esses são seus preparativos para se remover do caminho de Valentine?”
Pangborn disse, apontando o longo dedo para a mala semi-oculta sobre a mesa.
“Saindo da cidade, Lucian?”
Luke concordou lentamente. “Indo para fora do país. Pretendo ficar por lá por
enquanto.”
“Nós podíamos parar você,” Blackwell disse. “Fazer você ficar.”
Luke sorriu. Ele transformou o seu rosto. De repente ele não era nem de longe o tipo
de homem acadêmico que empurrava Clary nos balanços do parque e a ensinou a
andar em um velocípede. Subitamente havia algo feroz por trás de seus olhos, algo
odioso e frio. “Vocês poderiam tentar.”
Fangborn olhou para Blackwell, que balançou sua cabeça uma vez, lentamente.
Pangborn se virou para Luke. “Você vai nos informar se você experimentar qualquer
repentina restauração da memória?”
Luke ainda estava sorrindo. “Vocês serão os primeiros da minha lista de chamada.”
Pangborn concordou brevemente. “Eu suponho que tenhamos que ir. Que o Anjo o
guarde, Lucian.”
“O Anjo não guarda aqueles como eu,” Luke disse. Ele apanhou a mala da mesa,
fechando ela acima. “De saída, senhores?”
Levantando seus capuzes para cobrir seus rostos novamente, os dois homens
deixaram o quarto, seguido em um momento posterior por Luke. Ele pausou um
momento à porta, seus olhos giraram em torno como se ele se perguntasse se havia
esquecido algo. Então ele a fechou com cuidado atrás dele.

Clary permaneceu onde ela estava, congelada, ouvindo a porta da frente bater
fechada e os distantes tilintarem de correntes e a chaves enquanto Luke firmava o
cadeado. Ela continuou vendo o olhar na cara de Luke, mais e mais, quando ele disse
que não estava interessado no que aconteceu com sua mãe.
Ela sentiu uma mão sobre seu ombro. "Clary?" Era Simon, sua voz hesitante, quase
gentil. "Você está bem?"
Ela balançou a cabeça, mudamente. Ela se sentia bem longe de estar ok. Na verdade,
ela sentia como se ela nunca mais fosse ficar bem novamente.
"É claro que ela não está." Era Jace, sua voz acentuada e fria como cacos de gelo. Ele
segurou a tela e a moveu para o lado acentuadamente. “Pelo menos sabemos que
eles enviaram um demônio atrás de sua mãe. Aqueles homens pensam que ela tem a
Taça Mortal.”
Clary sentiu seu lábios finos em uma linha reta. “Isso é totalmente ridículo e
impossível.”
“Talvez,” Jace disse, inclinando-se contra a mesa de Luke. Ele fixou seus olhos tão
opacos quanto vidro esfumaçado. “Você já viu esses homens antes?”
“Não.” Ela balançou a cabeça dela. “Nunca.”
“Lucian pareceu os conhecer. Para ser amigável com eles.”
“Eu não diria amigável,” Simon disse. “Eu diria que eles estavam suprimindo sua
hostilidade.”
“Eles não iriam matá-lo imediatamente,” Jace disse. “Eles acham que ele sabe mais
do que ele está dizendo.”
“Talvez,” Clary disse, “Ou talvez eles apenas estejam relutantes em matar outro
Caçador de Sombras.”
Jace riu, um duro, e quase vicioso barulho que levantou os cabelos dos braços de
Clary. “Eu duvido disso.”
Ela olhou para ele rígida. “O que faz você pensar com tanta certeza? Você conhece
eles?”
O sorriso se foi de sua voz inteiramente quando ele respondeu. “Se eu conheço eles?”
ele repetiu. “Você pode dizer isso. Eles são os mesmos homens que mataram meu
pai.”



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