sexta-feira, 28 de junho de 2013

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 Eu frequentemente sonhava que estava acordando com Dimitri, acordando de uma forma que era... maravilhosa. Doce. Não é porque estavamos às pressas tentando pegar no sono antes de lutar contra o nosso próximo inimigo. Não é porque estávamos nos recuperando do sexo que fizemos, um sexo carregado de bagagens e complicações inumeráveis. Eu só queria acordar junto, nos braços, e que esse seja um bom dia. Hoje foi aquele dia.
 — Há quanto tempo você está acordado? — Perguntei sonolenta. Minha cabeça estava sobre seu peito, e eu estava enrolada nele da melhor forma que pude. Minhas feridas estão cicatrizando rapidamente, mas eu ainda tinha de ser mimada. Nós encontramos algumas soluções criativas na noite passada. A luz do sol agora entrava através das janelas, enchendo o meu quarto com ouro. Ele estava me observando, daquela sua forma silênciosa, com aqueles olhos escuros que eram tão fáceis de se perder.
— A pouco de tempo, — ele admitiu, levantando seu olhar para a janela repleta de sol. — Eu acho que ainda estou com uma programação humana. Ou isso, ou o meu corpo só quer estar de pé quando o sol também estiver. Vê-lo ainda é surpreendente para mim. —
Eu segurei um bocejo. — Você deveria ter se levantado. —
 — Eu não queria incomodar você. —
Corri meus dedos sobre seu peito, suspirando de contentamento.
— Esta é a perfeição, — eu disse. — E todo dia vai ser assim? —
Dimitri descansou a mão no meu rosto e depois virou para baixo, levantando meu queixo.
— Não todos os dias, mas na maioria deles. — Nossos lábios se encontraram, o calor e a luz da sala empalideceram comparado com o que queimou dentro de mim.
— Eu estava errada, eu murmurei quando nós finalmente quebramos o longo beijo. — Esta é a perfeição. —
Ele sorriu, algo que ele estava fazendo muito ultimamente. Eu adorei. As coisas provavelmente mudariam assim que estivessemos de volta ao mundo. Mesmo que estivéssemos juntos agora, o lado Guardião de Dimitri estaria sempre lá, pronto e vigilante. Mas não agora. Não neste momento.
— Qual é o problema? — Ele me perguntou. No começo, percebi que ele começou a olhar sério. Tentei relaxar meu rosto. Do nada, as palavras de Adrian voltaram para mim, que a próxima vez que eu estivesse na cama com Dimitri, eu deveria pensar em outros que não estavam tão felizes.
— Você acha que arruino vidas? — Eu perguntei.
— O quê? Claro que não. — O sorriso mudou para choque. — De onde é que você tirou essa ideia? —
Eu encolhi os ombros.
— Há apenas um monte de pessoas cujas vidas ainda estão em uma espécie de confusão. Meus amigos quero dizer. —
 — Na verdade, — ele disse. — E deixe-me adivinhar. Você quer arrumar os problemas de todos. — Eu não respondi e Dimitri me beijou novamente. — Roza — disse ele, — É normal querer ajudar as pessoas que você ama. Mas você não pode consertar tudo. —
 — É o que eu faço, — eu falei, me sentindo um pouco petulante. — Eu protejo as pessoas. —
 — Eu sei, e isso é uma das razões que eu amo você. Mas, agora, você só tem que se preocupar sobre como proteger uma pessoa: Lissa. —
Deitei-me contra ele, percebendo que meus ferimentos foram realmente melhorando constantemente. O meu corpo seria capaz de fazer todos os tipos de coisas em breve.
— Suponho que isso significa que não podemos ficar na cama o dia todo? — Perguntei esperançosa.
— Acho que não, — disse ele, correndo levemente as pontas dos dedos ao longo da curva do meu quadril. Ele não parecia se cansar nunca de estudar o meu corpo.
— Eles vêm em primeiro lugar. — Eu trouxe a minha boca na direção dele. — Mas não por pouco tempo. —
 — Não, — ele concordou. Sua mão deslizou até a parte de trás do meu pescoço, pendurada no meu cabelo enquanto ele me aproximou dele. — Não por pouco tempo. —
Eu nunca tinha assistido a uma coroação real antes, e honestamente, eu esperava que nunca mais assistisse. Eu só queria que houvesse uma única votação para rainha em toda a minha vida. Misteriosamente, a coroação era uma espécie de oposto do funeral de Tatiana.
Qual era o velho ditado? A rainha está morta. Vida longa a rainha.
É costume o próximo monarca passar a primeira parte do dia de coroação na igreja, provavelmente para orar por orientação, força, e todas essas coisas espirituais. Eu não tinha certeza o que o costume fazia no caso dos monarcas ateus. Provavelmente eles fingiam.
Já Lissa, que era bastante devota, eu sabia que não era um problema e que ela provavelmente estava orando de verdade, ela vai fazer um bom trabalho como rainha. Após a vigília, Lissa e uma enorme procissão caminharam de volta através da Corte para o prédio do palácio, onde a coroação ocorreu.
Representantes de todas as famílias reais se juntaram a ela, junto com os músicos que tocavam músicas muito mais alegres do que tinham tocado para a procissão de Tatiana. Os Guardiões de Lissa, — ela tinha uma frota agora — andavam com ela. Eu estava entre eles, usando o meu melhor em preto e em branco, inclusive a gola vermelha me marcando como uma Guardiã Real. Aqui, pelo menos, havia uma diferença notável em relação ao funeral. Tatiana estava morta, seus Guardiões foram para o show. Lissa estava muito viva, e mesmo que ela ganhou a votação do Conselho, ela ainda tinha inimigos. Meus colegas e eu estávamos em estado de alerta. Não que você pensaria que precisavamos estar, não com a forma como os espectadores aplaudiram. Todos aqueles que tinham acampado durante os testes e eleição haviam ficado para esta fanfarra, e ainda tinham aparecido mais.
Eu não estava certa se já houve tantos Moroi em um só lugar. Depois da caminhada longa e sinuosa que Lissa fez para o prédio do palácio,eles esperaram em uma pequena antecâmara adjacente ao que servia como a sala do trono Moroi. A sala do trono quase nunca era utilizada para os negócios modernos, mas de vez em quando, — como uma nova rainha tomando posse, — os Moroi gostavam de retirar as antigas tradições. O quarto era pequeno e não caberiam todas as testemunhas que estavam do lado de fora. Ele não conseguia se quer suportar a procissão inteira. Mas, o Conselho e a mais alta patente de membros da realeza estavam lá, juntamente com alguns seletos convidados de Lissa.
Eu fiquei fora, ao lado, observando o glamour ostentado. Lissa ainda não fez sua entrada triunfal, então havia um zumbido baixo de conversa. A sala estava toda verde e ouro, foi dada uma remodelada profunda e rápida nos últimos dias, o costume diz que as cores da família que governa dominam a sala do trono. O próprio trono sobre o alto contra a parede mais distante, acessível por degraus. Esculpido de madeira que eu não podia identificar, eu sabia que o trono havia sido carregado por todo o mundo pelos monarcas Moroi por séculos. As pessoas estavam se alinhando em posições cuidadosamente atribuídas, se preparando para quando Lissa entrasse.
Eu estava observando um dos novos lustres, admirando o quão real as — velas — pareciam. Eu sabia que elas eram elétricas, mas os artesãos tinham feito um trabalho incrível. Tecnologia misturada com a glória do velho mundo, do jeito que os Moroi gostam. Um pequeno empurrão chamou minha atenção.
— Bem, bem, bem, — eu disse. — Se não são as pessoas responsáveis por soltar Rose Hathaway no mundo. Vocês têm um bocado a explicar. —
Meus pais diante de mim em suas roupas típicas e descontroladamente contrastantes. Minha mãe usava a mesma roupa de guardião que eu, uma camisa branca com calça preta e jaqueta. Abe foi... bem, Abe. Ele usava um conjunto preto de risca de giz, com uma camisa preta por baixo. Contrastando com a escuridão estava uma brilhante gravata amarelo-limão. Um lenço saía de um dos bolsos do paletó. Junto com seus brincos de ouro e correntes, ele também usava um chapéu preto, que era uma nova adição ao seu guarda-roupa estranho. Eu acho que ele queria ir com tudo para um evento como este, e pelo menos aquele não era um chapéu de pirata.
 — Não nos culpe, — disse minha mãe. — Nós não explodimos metade da Corte, não roubamos uma dúzia de carros, não entregamos um assassino no meio de uma multidão, ou fizemos nossa amiga adolescente ser coroada rainha. —
 — Na verdade, — disse Abe, — eu fiz explodir metade da Corte. —
Minha mãe ignorou-o, suavizando sua expressão quando ela me estudou com seus olhos de guardiã. — Sério mesmo... Como você está se sentindo? — Eu só os vi rapidamente desde que eu melhorei, apenas o suficiente para vermos se todos estávamos bem. — Você está fazendo muita coisa de de pé hoje. E eu já disse para o Hans não colocá-la na ativa por um tempo. — Foi uma das coisas mais maternais que eu já tinha ouvido ela dizer.
— Eu... Eu estou bem. Muito melhor. Eu poderia voltar à ativa agora mesmo. —
 — Você não vai fazer nada — ela disse, exatamente no tom que ela usava para dar ordens a um bando de guardiões.
 — Pare de mimá-la, Janine. —
 — Eu não estou mimando ela! Eu estou cuidando dela. Você é que a está estragando. —
Olhei para um e para outro com espanto. Eu não sabia se eu estava assistindo a uma luta ou as preliminares. Eu não estava animada com nenhuma dessas opções.
 — Ok, ok, acalmem-se. Eu sobrevivi, certo? Isso é o que conta. —
 — É, — disse Abe. De repente, ele parecia muito paternal, o que me pareceu mais estranho do que o comportamento de minha mãe. — E, apesar dos danos materiais e a sequência de leis quebradas deixadas na sua fuga, estou orgulhoso de você. — Suspeitei que secretamente, ele estava orgulhoso de mim por causa dessas coisas. Meu comentário cínico interior foi levado a um impasse quando minha mãe concordou.
 — Eu também estou muito orgulhosa. Seus métodos foram... não o ideal, mas você fez uma grande coisa. Grandes coisas, realmente. Encontrando tanto o assassino quanto Jill. — Eu notei o seu cuidado ao falar — assassino — Eu acho que ainda era difícil para todos nós, aceitar a verdade sobre a Tasha. — Muita coisa vai mudar por causa de Jill. —
Todos nós olhamos para o trono. Ekaterina estava de um lado, com o livro dos votos Reais. O outro lado era onde estavam os membros da família da Monarquia, mas apenas uma pessoa solitária estava lá. Jill. Alguém tinha feito um grande trabalho de beleza nela. Os cabelos cacheados haviam sido presos com estilo, e ela usava um vestido na altura do joelho com um decote ombro a ombro. O corte do vestido valorizava sua figura esguia e o cetim verde escuro combinava bem com a cor de sua pele. Ela estava de pé, postura correta, queixo erguido, mas havia uma ansiedade nela, que se agravava obviamente por ela estar tão em um lugar de destaque e sozinha.
Olhei novamente para Abe, que encontrou meus olhos de expectativa. Eu tinha um monte de perguntas para ele, e ele era um dos poucos que podia me dizer a verdade. A questão era: qual pergunta a fazer? Era como ter um gênio. Era como se eu tivesse um gênio. Só que eu tinha muitos desejos.
 — O que acontecerá com Jill? — perguntei por fim. — Será que ela vai simplesmente voltar para a escola? Eles irão treiná-la para ser uma princesa? — Lissa não poderia ser ao mesmo tempo princesa e rainha, então o seu antigo título iria para o próximo membro mais velho de sua família.
Abe não respondeu por um longo momento.
— Até que Lissa consiga mudar a lei — e esperamos, ela irá — Jill é tudo o que lhe permite manter seu trono. Se algo acontecer com Jill, Lissa não será mais rainha. Então, o que você faria? —
 — Eu iria mantê-la segura. —
 — Então você já tem sua resposta. —
 — Isso tem um sentido muito amplo, — eu disse. — Estar segura significa um monte de coisas. —
 — Ibrahim — avisou a minha mãe. — Já basta. Essa não é a hora ou lugar. —
Abe me olhou por mais um tempo e, em seguida, abriu um sorriso fácil. — Claro, claro. Esta é uma reunião de família. Uma celebração. E olhe: aqui está o nosso mais novo membro. —
Dimitri tinha se juntado a nós e se vestia de preto e branco como a minha mãe e eu. Ele ficou ao meu lado, obviamente sem me tocar.
— Sr. Mazur, — disse ele formalmente, acenando com a cabeça uma saudação para os dois. — Guardiã Hathaway. — Dimitri era sete anos mais velho que eu, mas nesse momento, de frente para os meus pais, parecia que ele tinha dezesseis anos e estava prestes a me buscar para um encontro.
 — Ah, Belikov — disse Abe, apertando a mão de Dimitri. — Eu estava esperando que nós nos encontrássemos. Eu realmente gostaria de conhecê-lo melhor. Talvez possamos reservar algum tempo para conversar, saber mais sobre vida, amor, etc. Você gosta de caçar? Você parece um homem de caça. Isso é o que devemos fazer em algum momento. Eu conheço um ótimo local na floresta. Longe, muito longe. Nós poderíamos fazer isto algum dia. Eu certamente tenho várias coisas a lhe perguntar e várias coisas que gostaria de lhe dizer também. —
Eu lancei um olhar de panico para minha mãe, em silêncio, pedindo-lhe para parar com aquilo. Abe passou um bom tempo conversando com Adrian quando nós saíamos, explicando em detalhes vívidos e terríveis exatamente como Abe esperava que sua filha fosse tratada. Eu não queria que Abe fosse sozinho com Dimitri para o deserto, especialmente se armas estivessem envolvidas.
 — Na verdade — minha mãe disse casualmente, — eu gostaria de ir junto. Eu também tenho uma série de perguntas, especialmente sobre quando vocês dois voltaram para St. Vladimir. —
 — Vocês não têm algum lugar para ir? — perguntei rapidamente. — Nós já vamos começar. —
Isso, pelo menos, era verdade. Quase todos estavam em formação, e a multidão foi acalmando.
— Claro —,disse Abe. Para meu espanto, deu um beijo na minha testa antes de sair. — Eu estou feliz que você está de volta. — E então, com uma piscada, ele disse para Dimitri: — Espero pelo nosso encontro. —
 — Corra —,eu disse quando eles foram embora. — Se você fugir agora, talvez eles não notem. Volte para a Sibéria. —
 — Na verdade, — disse Dimitri, — eu tenho certeza que Abe notaria. Não se preocupe, Roza. Eu não estou com medo. Eu aguento qualquer coisa se for para estar com você. Vale a pena. —
 — Você realmente é o homem mais corajoso que eu conheço — eu lhe disse.
Ele sorriu, seus olhos caindo em um pequeno tumulto na entrada do estacionamento. — Parece que ela está pronta, — ele murmurou.
 — Espero que eu também, — eu sussurrei de volta
De uma forma realmente grandiosa, um arauto chamou a atenção de todos. Houve um silêncio total. Você não conseguia ouvir nem eles respirando. O arauto se afastou da porta.
— Princesa Vasilisa Sabina Rhea Dragomir. —
Lissa entrou e, apesar de eu a tê-la visto a menos de meia hora atrás, eu ainda assim perdi o fôlego. Ela estava usando um vestido formal, mas, mais uma vez, sem mangas. Sem dúvida, que o costureiro tinha feito esse ajuste. Ela vestia uma saia longa de seda e camadas de chiffon que se moviam e tremulavam em torno de Lissa enquanto ela caminhava para a frente. A cor de jade era a mesma dos olhos dela, assim como a parte superior da vestimenta, com uma gola coberta de esmeraldas, que davam a ilusão de um colar. Mais esmeraldas cobriam o cinto do vestido, e pulseiras completavam o visual. Seu cabelo estava longo, brilhante, a perfeição da platina, parecia uma aura.
Christian caminhou ao seu lado, um forte contraste com seu cabelo preto e terno escuro. Os costumes foram significantemente modificados hoje, uma vez que normalmente Lissa teria um membro da família a escoltando, mas... bem, ela estava meio que fugindo disso. Até eu tive que admitir que ele estava incrível, e seu orgulho e amor por ela brilhavam em seu rosto, — não importando os sentimentos perturbados que se agitavam dentro dele por causa de Tasha. Lord Ozera, eu lembrei. Tive a sensação de que o título se tornaria cada vez mais importante agora. Ele levou Lissa à base do trono e, em seguida, integrou a delegação Ozera no meio da multidão.
Ekaterina fez um pequeno gesto para uma almofada de cetim grande no chão em frente da escadaria. — Ajoelhe-se. — Houve um breve hesitação da parte de Lissa, que eu acho que só eu notei. Mesmo sem o laço, eu estava tão em sintonia com seu humor e menor ações que eu conseguia notar essas coisas. Os olhos dela tinham ido para Jill. A expressão de Lissa mudou e foi tão estranho não saber os seus sentimentos. Eu poderia fazer alguns palpites. Incerteza. Confusão.
Novamente — a pausa foi apenas um longo momento. Lissa, ajoelhou-se graciosamente espalhando a saia em torno dela, como ela fazia. Ekaterina sempre pareceu tão frágil e enrugada naquela sala de teste, mas quando ela estava ali com o antigo livro de coroação Moroi, eu podia sentir um poder ainda dentro da ex-rainha.
O livro estava em romeno, mas Ekaterina traduzia facilmente enquanto lia em voz alta, começando com um discurso sobre o que se esperava de uma monarca e, em seguida, indo para os votos que Lissa tinha que jurar.
 — Você irá servir? Você irá proteger o seu povo? Você será justa? — Eram doze ao todo, e Lissa tinha que responder — Eu irei — três vezes para cada um: em Inglês, em russo e em romeno. Não ter o laço para confirmar os seus sentimentos ainda era tão estranho, mas eu podia ver no rosto dela que ela quis dizer cada palavra que ela disse. Quando essa parte acabou, Ekaterina chamou Jill à frente. Desde a última vez que eu a tinha visto, alguém lhe dera a coroa para segurar. Tinha sido ajustada para Lissa, uma obra-prima de ouro branco e amarelo entrelaçado com esmeraldas e diamantes. Ela complementou a sua roupa lindamente, e, notei com um espanto, a de Jill também.
Outra tradição era que o monarca era coroado por um membro da família, e era para isso que Jill tinha sido separada. Eu podia ver suas mãos tremerem enquanto ela colocava a maravilhosa coroa na cabeça de sua irmã, e seus olhares se encontraram por alguns instantes. Um flash de emoções perturbadoras passavam pelos olhos de Lissa mais uma vez, indo embora rapidamente assim que Jill deu um passo atrás e o resto da cerimônia teve precedência.
Ekaterina estendeu a mão para Lissa. — Levante-se, — disse ela. — Você nunca vai se ajoelhar para ninguém novamente. — Segurando as mãos de Lissa, Ekaterina virou de um jeito que ambas ficaram de frente para o resto de nós na sala. Com uma voz surpreendente para seu pequeno corpo, Ekaterina declarou, — Rainha Vasilisa Sabina Rhea Dragomir, primeira de sua família. —
Todos na sala, exceto Ekaterina, cairam de joelhos, de cabeça baixa. Apenas alguns segundos se passaram antes que Lissa dissesse:
 — Levantem-se. — Eu sabia que isso era deixado a critério dos monarcas. Alguns novos reis e rainhas gostavam de fazer os outros se ajoelharem por um longo tempo.
Em seguida foi a parte da papelada, que todos nós assistimos respeitosamente também. Basicamente, era Lissa assinando um papel que dizia que ela tinha sido feita rainha, enquanto Ekaterina e um casal de testemunhas assinavam um papel que dizia que eles tinham feito Lissa rainha. Três cópias foram feitas no papel ornado da tão amada realeza Moroi. Um deles foi timbrado branco liso, que iria para os alquimistas.
Quando a assinatura foi feita, Lissa tomou seu lugar no trono, e vê-la subir aquelas escadas foi de tirar o fôlego, uma imagem que iria ficar comigo para o resto da minha vida. A sala irrompeu em aplausos e palmas quando ela sentou no trono. Mesmo os guardiões, que normalmente ficavam tão mortalmente sérios, juntaram-se aos aplausos e comemorações. Lissa sorriu para todos, escondendo qualquer que fosse a ansiedade que sentia.
Ela procurou pelo salão, e seu sorriso ampliou quando ela viu Christian. Ela então me procurou. Seu sorriso para ele tinha sido afetuoso, o meu era com um pouco de humor. Eu sorri de volta, imaginando o que ela iria dizer para mim, se pudesse.
 — O que é tão engraçado? — Perguntou Dimitri, olhando para mim com ar divertido.
 — Eu estou apenas pensando no que Lissa diria se ainda tivéssemos o vínculo. —
Em uma contra-ordenação muito ruim do protocolo dos guardiões, ele pegou minha mão e me puxou na direção dele. — E? — perguntou ele, envolvendo-me em um abraço.
 — Eu acho que ela perguntaria: Onde nós fomos nos meter?
 — E qual é a resposta? — Seu calor era tudo ao meu redor, assim como era seu amor, e mais uma vez, eu senti a completude. Eu tinha a peça que faltava em meu mundo novamente de volta. A alma que complementava a minha. Minha alma gêmea. Meu igual. Não só isso, eu tive a minha vida de volta — minha própria vida. Eu gostaria de proteger Lissa, eu iria servir, mas eu era finalmente a minha própria dona.
 — Eu não sei, — eu disse, inclinando-me contra seu peito. — Mas eu acho que vai ser bom. —

av6 35



Eu desejei que Lissa — precisasse — de mim para ir tirar um exército de Strigoi. Eu teria me sentido mais à vontade com isso do que o que ela precisava fazer agora: encontrar-se com Jill para discutir a coroação. Lissa me queria lá para apoio, como uma espécie de intermediário. Eu não era capaz de andar muito bem ainda, por isso esperamos um dia. Lissa parecia feliz com a demora.
Jill estava esperando por nós em uma pequena sala que eu nunca esperava ver novamente: a sala, onde Tatiana me havia repreendido por andar com Adrian. Tinha sido uma experiência muito estranha, no momento, já que Adrian e eu não estávamos efectivamente envolvidos na época. Agora, depois de tudo o que tinha ocorrido entre ele e eu, apenas senti… estranho. Confuso. Eu ainda não sabia o que tinha acontecido com ele desde a prisão de Tasha. Andar ali, também me senti terrivelmente… sozinha.
Não, não sozinha. Desinformada. Vulnerável.
Jill estava sentada numa cadeira, com as mãos cruzadas sobre o colo. Ela olhava para a frente com um rosto ilegível. Ao meu lado, as características da própria Lissa eram igualmente brancas. Ela sentiu… bem, essa era a coisa. Eu não sei. Eu não sei. Quer dizer, eu poderia dizer que ela estava desconfortável, mas não houve pensamentos na minha cabeça a apontar-me para fora. Eu tinha detalhes. Novamente, eu me lembrei que o resto do mundo funcionava assim. Você funcionava sozinha. Você fazia o melhor para administrar situações estranhas, sem a visão mágica de uma outra pessoa.
Eu nunca me tinha apercebido como eu tinha admitido tomar muito o pensamento de apenas uma outra pessoa. A única coisa que eu tinha a certeza era que ambas, Lissa e Jill, estavam assustadas com a outra — mas não por mim. Foi por isso que eu estava aqui.
— Hey, Jill, — eu disse, sorrindo. — Como você está? — Ela bateu fora qualquer pensamento que estava a ocupá-la e saltou da cadeira. Eu pensei que aquilo era estranho, mas depois fez sentido. Lissa. Você se levanta quando a rainha entra num quarto.
— Tudo bem, — disse Lissa, tropeçando nas suas palavras um pouco. — Sente-se. —
Ela se sentou em frente de Jill. Na maior cadeira na sala — a cadeira que Tatiana sempre se sentava. Jill hesitou um instante, depois mudou o seu olhar de volta para mim. Devo ter algum incentivo, porque ela voltou para a sua cadeira. Eu me sentei numa ao lado da Lissa, encolhendo-me com uma pequena dor apertada no peito. Preocupação por mim, momentaneamente distrair Jill de Lissa.
— Como você está se sentindo? Você está bem? Deve mesmo estar fora da cama? — A brincadeira divagou naturalmente. Eu fiquei contente de ver isso novamente.
— Bem, — eu menti. — Como nova. —
— Eu estava preocupada. Quando eu vi o que aconteceu…Quer dizer, havia muito sangue e muita loucura e ninguém sabia se você ia sobreviver… — Jill franziu o cenho. — Eu não sei. Foi tudo muito assustador. Estou tão feliz por você estar bem. —
Eu sorri, na esperança de tranquilizá-la. O silêncio caiu em seguida. A sala ficou tensa. Em situações políticas, Lissa era o perito, sempre capaz de suavizar tudo com as palavras certas. Eu era a única que falava em situações desconfortáveis, dizendo as coisas que chocavam os outros. As coisas que ninguém queria ouvir. Esta situação parecia que exigia a sua diplomacia, mas eu sabia que sobrou para mim assumir o comando.
— Jill, — eu disse — nós queríamos saber se você estaria disposta a, bem, fazer parte na cerimónia de coroação. —
Os olhos de Jill agitaram-se brevemente para Lissa — ainda face-de-pedra -— e de volta para mim de seguida.
— O que significa exactamente — fazer parte — ? O que eu teria de fazer? —
— Nada difícil, — eu assegurei-lhe. — São apenas algumas formalidades que normalmente são feitos por membros da família. Coisas cerimoniais. Como você fez com a votação. — Eu não tinha presenciado isso, mas Jill tinha, aparentemente, apenas que ficar ao lado de Lissa para mostrar a força da família. Uma coisa tão pequena que girava em torno da lei. — Basicamente, é sobre estar em exibição e colocar uma boa cara. —
— Bem, — pensou Jill, — Eu tenho estado a fazer isso há mais de semana. —
— Eu tenho estado a fazer isso a minha vida toda, — disse Lissa. Jill olhou assustada. Mais uma vez, me senti perdida, sem o vínculo. O tom de Lissa não fazia um sentido claro. Foi um desafio para Jill — que a menina não havia enfrentado isto quase como Lissa? Ou era suposto ser simpática para a Jill por falta de experiência?
— Você vai… você vai se acostumar com isso, — eu disse. — Com o tempo. — Jill balançou a cabeça, com um pequeno sorriso e amargo no rosto.
— Eu não sei sobre isso.
— Nem eu. Eu não estava certa quanto ao tipo de situação do tratado ela iria cair. Minha mente percorreu rapidamente uma lista com mais sentido, que tipo de coisas que eu poderia dizer, mas Lissa finalmente assumiu.
— Eu sei como isso é estranho, — disse ela. Sua determinação encontrou os olhos verdes de Jill — a única característica comum nas irmãs, eu percebi. Jill tinha traços de uma futura Emily. Lissa carregava uma mistura de traços de seus pais.
— Isso é estranho para mim também. Eu não sei o que fazer. —
 — O que você quer? — Jill perguntou calmamente. Eu ouvi a verdadeira questão. Jill queria saber se Lissa a queria. Lissa tinha sido devastada pela morte de seu irmão… mas um irmão ilegítimo surpresa, não era nenhum substituto para André. Tentei imaginar o que seria estar em qualquer lugar de garotas. Eu tentei e falhei.
— Eu não sei, — admitiu Lissa. — Eu não sei o que quero. —
Jill concordou com a cabeça, deixando cair seu olhar, mas não antes de eu vislumbrar a emoção tocar em seu rosto. Decepção — ainda, Lissa não havia dito totalmente uma resposta inesperada. Jill perguntou a próxima melhor coisa.
— Você quer… você quer que eu esteja nas cerimónias? —
A pergunta pairava no ar. Era uma boa. Foi a razão pela qual nós tínhamos vindo aqui, mas Lissa realmente queria isso? Estudando-a, eu ainda não tinha a certeza. Eu não sabia se ela estava apenas seguindo o protocolo, tentando fazer Jill a desempenhar um papel esperado entre a realeza. Neste caso, havia leis que diziam que Jill tinha de fazer nada. Ela simplesmente tinha que existir.
— Sim, — Lissa disse finalmente. Ouvi dizer a verdade em suas palavras, e algo dentro de mim iluminou. Lissa não queria Jill só para a parada da imagem. Uma parte de Lissa queria Jill em sua vida — mas, dirigir isso seria difícil. Ainda assim, foi um começo, e Jill pareceu reconhecer isso.
— Ok, — ela disse. — Apenas me diga o que eu preciso fazer. — Ocorreu-me que a juventude de Jill e o nervosismo eram enganosos. Houve faíscas de bravura e coragem dentro dela, faíscas que eu tinha certeza que iriam crescer. Ela realmente era uma Dragomir. Lissa parecia aliviada, mas eu acho que foi porque fez derramar um pequeno passo de progresso com a irmã. Não tinha nada a ver com a coroação.
— Alguém vai explicar tudo. Eu não estou realmente certa do que você faz, para ser honesta. Mas Rose está certa. Isto costuma ser difícil. —
Jill simplesmente assentiu.
— Obrigada, — disse Lissa. Ela se levantou e ambas, Jill e eu, levantamo-nos com ela.
— Eu…Eu realmente aprecio isso. — A estranheza voltou quando nós as três ficamos ali. Teria sido um bom momento para as irmãs se abraçarem, mas mesmo ambas pareciam satisfeitas com o progresso, nem estavam preparadas para isso. Quando Lissa olhou para Jill, ela ainda via seu pai com outra mulher. Quando Jill olhou para Lissa, ela viu sua vida completamente de cabeça para baixo -— a vida uma vez tímida e privada, agora exposta para o mundo para se embasbacar. Eu não podia mudar seu destino, mas abraçar eu poderia fazer. Desatenta dos meus pontos, eu coloquei meus braços em torno da jovem.
— Obrigada, — eu disse, repetindo Lissa. — Isto vai correr bem. Você verá. — Jill concordou com a cabeça mais uma vez, e sem mais para discutir, Lissa e eu, nos movemos para a porta. A voz de Jill nos trouxe a um impasse.
— Hey…o que acontecerá depois da coroação? A mim? A nós? — Olhei para Lissa. Outra boa pergunta. Lissa se virou para Jill, mas ainda sem fazer contacto visual directo.
— Bem….nós vamos nos conhecer uma á outra. As coisas irão ficar melhor. — O sorriso que apareceu no rosto de Jill era genuíno — pequeno, mas verdadeiro.
— Ok, — ela disse. Havia esperança em seu sorriso também. Esperança e alívio. — Eu vou gostar. —
Quanto a mim, eu tinha que esconder uma careta. Eu aparentemente podia funcionar sem o vínculo, porque eu poderia dizer, com absoluta confiança, que Lissa não estava exactamente a dizer toda a verdade.
O que ela não queria dizer a Jill?
Lissa queria que as coisas ficassem melhores, eu estava certa, mesmo se ela não estivesse certa como. Mas havia algo….algo pequeno que Lissa não queria revelar a qualquer um de nós, algo que me fez achar que Lissa não acreditava que as coisas realmente iriam melhorar.
Do nada, um eco estranho de Victor Dashkov tocou em minha mente sobre Jill. Se ela tem algum sentido, Vasilisa irá enviá-la para distante.
Eu não sei porque me lembrei, mas enviou um frio através de mim. As irmãs foram ambas reunindo sorrisos, e eu fiz às pressas, bem como, não querendo nem saber de minhas preocupações.
Lissa e eu saímos, depois disso, voltando para o meu quarto. Meu passeio pouco tinha sido mais cansativo do que eu esperava, e tanto quanto eu odiava admitir, eu não poderia esperar para me deitar novamente. Quando chegamos ao meu quarto, eu ainda não havia decidido se eu deveria perguntar a Lissa sobre Jill ou esperar para obter a opinião de Dimitri. A decisão foi tirada de mim quando nós encontramos um visitante inesperado á espera: Adrian. Ele sentou na minha cama, cabeça inclinada para trás como se estivesse completamente consumido pelo estudo do teto. Eu o conhecia bem. Ele tinha sabido no instante em que nos aproximamos — ou, pelo menos quando Lissa se aproximou. Paramos na porta, e ele finalmente se virou para nós. Ele parecia que não havia dormido há algum tempo. Sombras escuras penduravam sob seus olhos, e seu rosto bonito era temperado com linhas de fadiga. Se era a fadiga mental ou física, eu não poderia dizer. No entanto, seu sorriso preguiçoso foi o mesmo de sempre.
— Sua Majestade, — ele disse solenemente.
— Para — zombou Lissa. — Você deve saber bem. —
 — Eu nunca sei bem, — ele respondeu. — Você deve saber disso. —
Eu vi Lissa começar a sorrir, então ela olhou para mim e ficou séria, percebendo que este não era o tempo vamos-nos-divertir-com-Adrian.
— Bem, — ela disse, inquieta, não parecendo muito uma rainha. — Eu tenho algumas coisas para fazer. — Ela estava fugindo, eu percebi. Eu tinha ido com ela para um bate-papo com sua família, mas ela ia me abandonar agora. Ainda bem, no entanto. Esta conversa com Adrian tinha sido inevitável, e eu trouxe-a para mim mesma. Eu tinha que terminar isso por mim própria, assim como eu disse a Dimitri.
— Tenho certeza que tem, — eu disse. O rosto dela ficou hesitante, como se ela de repente estava reconsiderando. Sentia-se culpada. Ela estava preocupada comigo e queria ficar. Eu toquei levemente seu braço.
— Tudo bem, Liss. Vai ficar tudo bem. Vai. — Ela apertou minha mão em troca, os olhos dela me desejando boa sorte. Ela disse adeus a Adrian e saiu, fechando a porta atrás dela. Era só ele e eu agora. Ele ficou na minha cama, me olhando com cuidado. Ele ainda usava o sorriso que tinha dado a Lissa, como se isto não fosse grande coisa. Eu sabia outra forma e não fiz nenhuma tentativa de esconder meus sentimentos. Ficar parada me cansou, então eu me sentei em uma cadeira próxima, nervosa querendo saber o que dizer.
— Adrian… —
 — Vamos começar com isto, pequena damphir, — ele disse cordialmente. — Estava indo antes de você deixar a Corte? — Levei um momento para seguir o formato de conversa abrupta de Adrian. Ele estava perguntando se Dimitri e eu tínhamos ficado juntos antes da minha prisão. Eu balancei minha cabeça lentamente.
— Não. Eu estava com você. Só você. — Verdade, eu tinha tido uma confusão de emoções, mas as minhas intenções foram firmes.
— Bem. Já é alguma coisa, — disse ele. Alguns de seus prazeres estavam a começar a cair. Eu o senti, então, cada vez mais fraco: álcool e fumo. — Melhor algum reacender de faíscas no calor da batalha ou missão ou qualquer trapaça na minha frente. — Eu balancei minha cabeça mais urgente agora.
— Não, eu juro. Eu não — nada aconteceu depois… não antes —
— Eu hesitei sobre a forma como dizer as próximas palavras. — Mais tarde? —
Ele adivinhou. — O que faz tudo bem? —
 — Não! Claro que não. Eu… — Maldição. Eu estraguei tudo. Só porque eu não tinha traído Adrian na Corte não queria dizer que eu não o tinha traído mais tarde. Você pode fazer uma frase, contudo que você queria, mas vamos enfrentar isto: dormir com outro cara no quarto do hotel era muito bem trair se você tivesse um namorado. Não importava se o cara era o amor da sua vida ou não.
— Desculpa, — eu disse. Foi a coisa mais simples e mais adequada que eu poderia dizer. — Desculpa. O que eu fiz foi errado. Eu não queria que isto acontecesse. Eu pensava… Eu realmente pensei que ele e eu estavamos acabados. Eu estava com você. Eu queria estar com você. E então, percebi que… —
 — Não, não, pára. — Adrian levantou a mão, a sua voz era firme agora, com sua fachada legal a continuar a desmoronar. — Eu realmente não quero ouvir sobre a grande revelação sobre como vocês foram sempre feitos para estarem juntos ou o que quer que fosse. — Eu permaneci em silêncio porque, bem, isso tipo tinha sido a minha revelação. Adrian passou a mão pelo cabelo.
— Realmente, a culpa é minha. Estava lá. Cem vezes lá. Quantas vezes eu vi isso? Eu sabia. Sempre acontecendo. Mais e mais, falando que você estava meio com ele… e mais e mais, eu acreditava que… não importava o que meus olhos me mostravam. Não importava o que meu coração me dizia. Minha. Falha. —
Era um divagar pouco desequilibrado — não esse tipo de nervos da Jill, mas o tipo instável, que me deixou preocupada sobre como ele estava chegando perto do limite da insanidade. Uma aresta para que eu poderia muito bem, o estar empurrando. Eu queria ir até ele, mas tive o bom senso de ficar sentada. — Adrian, eu… —
 — EU TE AMEI! — Ele gritou. Ele pulou da cadeira com tanta rapidez que eu nunca vi isso chegar. — Eu amei você, e você me destruiu. Você tomou meu coração e rasgou-o. Você pode também ter-me estacado! — A mudança de suas características também me pegaram de surpresa. Sua voz encheu o quarto. Tanta dor, tanta raiva. Tão, ao contrário do habitual de Adrian. Ele chegou perto de mim, e bateu com a mão sobre o peito.
— Eu. Amei. Você. E você me usou o tempo todo. —
 — Não, não. Não é verdade. — Eu não estava com medo de Adrian, mas face a estas emoções, encontrei-me encolhendo. — Eu não estava usando você. Eu te amei. Eu ainda amo, mas… — Ele me olhou com nojo.
— Rose, vamos lá. —
 — Quero dizer isso! Eu te amo. — Agora eu me levantei, dor ou não, tentando olhar nos olhos dele. — Eu sempre amei, mas não foram… eu não acho que nós funcionamos como um casal. —
 — Isso é uma linha de separação de merda, e você sabe disso. —
Ele tinha uma espécie de direito, mas eu lembrei-me de momentos com Dimitri… quão bem nós trabalhamos em sincronia, como ele sempre pareceu adivinhar exactamente o que eu sentia. Eu quis dizer o que disse: eu amei Adrian. Ele foi maravilhoso, apesar de todas as suas falhas. Porque, realmente, quem não tem falhas? Ele e eu nos divertimos juntos. Houve afecto, mas nós não combinávamos da mesma forma que Dimitri e eu estávamos. — Eu não… Eu não sou a tal para você, — eu disse fracamente.
— Porque você está com outro cara? —
 — Não, Adrian. Por causa… Eu não. Eu não sei. Eu não… — eu estava desajeitada, mal. Eu não sabia como explicar o que sentia, como você podia se preocupar com alguém e gostar de sair com ele, mas ainda não funcionar como um casal.
— Eu não balanço como você precisa. —
 — Que diabos isso significa? — Exclamou. Meu coração doeu por ele, e eu estava muito arrependida pelo que eu fiz… mas esta era a verdade de tudo.
— O facto de você ter perguntado isso diz tudo. Quando você encontrar aquela pessoa… você saberá. — Eu não acrescentei que, com a história que ele tinha, provavelmente teria uma série de falsos começos, antes de encontrar aquela pessoa. — E eu sei que isso soa como uma outra linha de separação de merda, mas eu realmente gostaria de ser sua amiga. —
Ele olhou para mim por vários pesados segundos e depois riu, embora não havia lá muito humor nele.
— Você sabe o que é óptimo? Tua seriedade. Olhe para seu rosto. — Ele fez um gesto, como se eu realmente pudesse me examinar. — Você realmente acha que isso é tão fácil, que eu possa sentar aqui e ver o seu final feliz. Que eu posso ver você conseguir tudo que você quer como você vive a sua vida encantada. —
 — Encantada! — A culpa e compaixão em conflito dentro de mim deu um chute pequeno de raiva. — Dificilmente. Você sabe o que eu tive de passar no ano passado? — Eu tinha visto Mason morrer, lutei no ataque de St.Vladimir, fui capturada por Strigoi na Rússia, e depois vivi a correr como uma assassina. Aquilo não soava como encantado.
— E ainda, você está aqui, triunfante depois de tudo isso. Você sobreviveu à morte e libertou-se do vínculo. Lissa é rainha. Você tem o cara e vive feliz para sempre. —
Virei as costas para ele e afastei-me.
— Adrian, o que você quer que eu diga? Eu posso sempre pedir desculpas, mas não há nada mais que eu possa fazer aqui. Eu nunca quis te machucar, eu não posso dizer que é suficiente. Mas o resto? Você realmente espera que eu esteja triste com tudo o resto a dar para o torto? Devo desejar ser ainda acusada de assassinato? —
 — Não, — ele disse. — Eu não quero que você sofra. Muito. Mas a próxima vez que você estiver na cama com Belikov, pare um instante e lembre-se que nem todos fizeram tão bem como você. — Eu me virei para encará-lo.
— Adrian, eu nunca… —
 — Não só eu, pequena dhampir, — ele acrescentou calmamente. — Deve haver um monte de danos colaterais ao longo do caminho, enquanto você lutou contra o mundo. Eu era uma vítima, obviamente. Mas e quanto a Jill? O que acontece com ela agora que você a abandonou aos lobos reais? E Eddie? Você já pensou sobre ele? E onde esta a sua Alquimista? — Cada palavra que ele atirou em mim foi uma seta, perfurando meu coração mais do que as balas tinham. O fato de ele ter referido Jill pelo seu nome em vez de Jailbait fez uma ferida extra. Eu já estava carregando muita culpa sobre ela, mas os outros… bem, eles eram um mistério. Eu tinha ouvido boatos sobre o Eddie, mas não havia visto ele desde o meu retorno. Ele foi claro da morte de James — mas matar um Moroi, quando outros ainda pensavam que ele poderia ter sido trazido vivo — carregava um pesado estigma. A anterior insubordinação de Eddie, graças a mim, também ele foi condenado, mesmo se tudo tivesse sido para o bem maior. Como Rainha, Lissa só podia fazer muito. Os guardiões serviam Moroi, mas era habitual para os Moroi recuar e deixar os guardiões lidar com seu próprio povo. Eddie não estava sendo demitido ou preso… mas que atribuição lhe dariam? Difícil dizer.
Sydney… ela era um mistério ainda maior. Onde está a sua Alquimista? Os acontecimentos que o nosso grupo teve além de mim, estavam além do meu mundo. Lembrei-me de seu rosto que eu tinha visto pela última vez, de volta ao hotel — forte, mas triste. Eu sabia que ela e os outros alquimistas tinham sido liberados desde então, mas a sua expressão tinha dito que ela não estava fora de perigo ainda. E Victor Dashkov? Onde ele se encaixa? Eu não tinha certeza. Mau ou não, ele ainda era alguém que tinha sofrido com o resultado das minhas acções, e os acontecimentos que rodearam a sua morte iriam ficar comigo para sempre. Danos colaterais. Eu tinha derrubado um monte de gente comigo, intencionalmente ou não. Mas, como as palavras de Adrian continuavam a afundar em mim, uma delas de repente me deu uma pausa.
— Vítima, — eu disse devagar. — Isso é a diferença entre você e eu. —
 — Huh? — Ele tinha-me vigiado de perto, enquanto eu estava considerando o destino dos meus amigos e foi pego de surpresa agora. — Do que você está falando? —
 — Você disse que era uma vítima. É por isso… é por isso que, em última análise, eu e você não combinamos. Apesar de tudo isso foi o que aconteceu, eu nunca pensei em mim dessa forma. Ser vítima significa que você está impotente. Você não pega em nenhuma acção. Sempre… sempre eu tive de fazer alguma coisa para lutar por mim… para os outros. Não importa o quê. — Eu nunca tinha visto tal ultraje na cara do Adrian.
— Isso é o que você pensa de mim? Que sou preguiçoso? Impotente? —
Não exactamente. Mas eu tinha a sensação de que depois desta conversa, ele iria fugir para o conforto dos seus cigarros e álcool, e talvez independentemente da companhia do sexo feminino que ele poderia encontrar.
— Não, — eu disse. — Eu acho que você é incrível. Eu acho que você é forte. Mas eu não acho que você não percebeu — ou não aprendeu a usar nada disso. — E, eu queria acrescentar, que eu não era a pessoa que poderia inspirar isso nele.
— Isso, — ele disse, se movendo em direcção à porta, — era a última coisa que eu esperava. Você destrói minha vida e depois me alimenta de inspiração filosófica. —
Eu me senti horrível, e foi um daqueles momentos em que eu não queria que minha boca apenas deixasse escapar a primeira coisa em minha mente. Eu tinha aprendido um monte de controle, mas não o bastante.
— Estou apenas dizendo a verdade. Você é melhor do que este… melhor do que seja o que for que você está indo fazer agora. — Adrian colocou a mão na maçaneta da porta e me deu um olhar triste.
— Rose, eu sou um viciado sem ética de trabalho, que provavelmente vai passar a insano. Eu não sou como você. Eu não sou um super-herói. —
 — Ainda não, — disse eu. Ele zombou, balançou a cabeça, e abriu a porta. Pouco antes de sair, ele se virou e me olhou. — O contrato está nulo e sem efeito, já agora. — Eu me senti como se eu tivesse levado um tapa na cara. E num desses raros momentos, Rose Hathaway foi rendida sem palavras. Eu não tinha um gracejo espirituoso, sem explicações elaboradas, e nenhum zen profundo. Adrian partiu, e eu me perguntava se eu o veria novamente

av6 34



EU NÃO ACORDEI NO mundo dos mortos.
Eu nem acordei em um hospital ou algum outro centro médico, que acreditem, eu fiz muitas vezes. Não, eu acordei no luxo, em um quarto grande com móveis dourados. Céu? Provavelmente não com o meu comportamento. Minha cama com dossel tinha um cobertor de veludo vermelho e dourado grosso o suficiente para ser um colchão.
Velas tremeluziam sobre uma pequena mesa contra a parede mais distante e encheram a sala com o aroma de jasmim. Eu não tinha ideia de onde eu estava ou como eu tinha chego aqui, mas como as minhas memórias passadas de dor e escuridão foram saindo da minha mente, eu decidi que o fato de que eu estava realmente respirando já era bom o suficiente.
— Bela Adormecida acordou. —
Aquela voz... aquela voz maravilhosa, como mel com o seu sotaque macio. Me envolveu, e com ele veio a verdade impossível e seu impacto: eu estava viva. Eu estava viva. E Dimitri estava aqui. Eu não podia vê-lo, mas senti um sorriso vindo aos meus lábios.
— Você é meu enfermeiro? — Ouvi ele levantar de uma cadeira e caminhar mais. Vendo-o ficar em pé perto de mim me lembrei de quão alto ele realmente era. Ele olhou para mim com um sorriso que era dele, um daqueles completos e raros sorrisos. Ele tinha se limpado desde a última vez que o vi, seu cabelo marrom amarrado ordenadamente para trás do pescoço, embora ele não tenha feito a barba por uns dias. Eu tentei sentar, mas ele me empurrou de volta.
— Não, não, você precisa de se deitar. — A dor em meu peito me disse que ele estava certo. Minha mente poderia estar acordada, mas o resto de mim estava esgotado. Eu não tinha ideia de quanto tempo tinha passado, mas algo me disse que meu corpo estava lutando uma batalha, não com um Strigoi ou com outra coisa, mas com ele mesmo. Uma batalha para permanecer vivo.
— Então vêm mais perto — eu disse a ele. — Eu quero ver você. — Ele considerou por um momento e então tirou os sapatos. Voltando ao meu lado, que me fez estremecer, eu consegui me mexer mais um pouco para trazer o quarto próximo da borda da cama. Ele enrolado ao meu lado. Nossos rostos repousavam sobre o mesmo travesseiro, apenas um par de centímetros distante enquanto olhavamos um para o outro.
— Assim é melhor? — Perguntou ele.
— Muito. —
Com seus dedos longos e graciosos, ele estendeu a mão e tirou o cabelo do meu rosto antes de traçar a borda da minha bochecha.
 — Como você está? —
 — Com fome. —
Ele riu baixinho e cautelosamente deslizou sua mão para descansar nas minhas costas, em uma espécie de semi-abraço. — É claro que você está. Eu acho que eles só conseguiram te dar sopa. Bem, isso e fluidos IV mais cedo. E você provavelmente esta afastada de açúcar. Eu me encolhi. Eu não gosto de agulhas ou tubos e fiquei feliz eu não tinha sido acordada para vê-las. — Agulhas de tatuagem eram uma questão diferente. —
 — Quanto tempo eu estive fora? —
 — Alguns dias. —
 — Alguns dias… — Eu tremi, e ele puxou o cobertor até eu, pensando que estava com frio.
— Eu não deveria estar viva, — eu sussurrei. Tiros como esse... eles estavam muito rápido, muito perto do meu coração. Ou no meu coração? Eu coloquei minha mão em meu peito. Eu não sabia exatamente onde eu havia sido atingida. Tudo doía. — Oh Senhor. Lissa me curou, não foi? O espírito tomaria tudo dela. Ela não deveria ter feito isso. Ela não poderia se dar ao luxo. — Exceto... por que eu ainda sinto dor? Se ela me curou, ela teria ido até o fim.
— Não, ela não curou você. —
— Não? — Eu fiz uma careta, incapaz de processar isso. — De que outra forma eu teria sobrevivido? —
Uma resposta surpreendente veio à minha mente.
— Então... Adrian? Ele nunca... depois como eu o tratei... não. Ele não poderia ter... —
— O que, você acha que ele ia te deixar morrer? —
Eu não respondi. As balas podem ter ido longe, mas pensar em Adrian faz meu coração — figurativamente — doer. — Não importa como ele se sente... — Dimitri hesitou. Esse era um tema delicado, afinal de contas. — Bem, ele não teria te deixado morrer. Ele queria curar você. Mas ele não o fez também —
Eu me senti mal por pensar tão pouco de Adrian. Dimitri estava certo. Adrian nunca teria me abandonado por maldade, mas eu fui rapidamente ficando sem opções. — Então, quem? Sonya? —
 — Ninguém —,ele disse simplesmente. — Bem, você, eu suponho. —
— Eu... o quê? —
— As pessoas podem se curar sem magia agora e depois, Rose. — Havia diversão em sua voz, embora seu rosto estava sério. — E as suas feridas... eles eram sérias. Ninguém pensou que você fosse sobreviver. Você entrou em cirurgia, e então todos nós esperamos. —
 — Mas por quê... — Eu me senti muito arrogante fazendo a próxima pergunta. — Porque Adrian ou Lissa não me curaram? —
 — Oh, eles queriam, acredite em mim. Mas, depois, em meio ao caos... a corte foi selada. Ambos foram levados e colocados sob proteção pesada antes que pudessem agir. Ninguém iria deixá-los perto de você, não quando eles ainda achavam que você poderia ser uma assassina. Em primeiro lugar eles tinham que ter certeza sobre Tasha, apesar de que as suas ações foram bastante convincentes. —
Levei um momento para começar acreditar na ideia que a medicina moderna e minha própria resistência do corpo haviam me curado. Eu cresci usando muito o espírito. Isso não parecia possível. Quando tentei envolver minha mente em torno do conceito, o resto da expressão de Dimitri me atingiu. — E Tasha... continua viva? —
Seu rosto ficou ainda sério.
— Sim. Eles pegaram ela logo depois que ela atirou em você, antes de mais alguém se machucar. Ela está detida, e muito mais evidêcias estão aparecendo —
— Acusar ela foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz —,eu disse. — Lutar com Strigoi é mais fácil do que isso. —
— Eu sei. Foi difícil para eu ver, difícil para acreditar. — Havia um olhar distante em seus olhos, me lembrando que Dimitri havia conhecido ela mais do que ele tinha me conhecido. — Mas ela fez suas escolhas, e todas as acusações que lhe fizeram foram retiradas. Você é uma mulher livre agora. Mais do que isso. Uma heroina. Abe está se gabando de tudo que fez. — Isso trouxe de volta o meu sorriso.
— É claro que ele está. Eu provavelmente vou receber uma conta dele em breve. — Me senti tonta com alegria e espanto. Uma mulher livre.
Dimitri sorriu, e eu desejei ficar assim para sempre, somente nós dois, doce e sem defesas. Bem — talvez não exatamente assim. Podia ser sem a dor e as bandagens que eu sentia em meu peito. Ele e eu tínhamos tão poucos momentos juntos, momentos que nós podíamos realmente relaxar e admitir estarmos apaixonados abertamente. As coisas só começaram a se acertar entre nós no final... e foi quase tarde demais. Ainda podia ser.
 — Então e agora? — eu perguntei.
 — Não tenho certeza — ele encostou sua bochecha em minha testa. — Eu estou apenas tão feliz... tão feliz que você esteja viva. Eu tenho estado tão perto de perder você tantas vezes. Quando eu te vi no chão, e lá havia tanto tumulto e confusão… eu me senti desamparado. Eu percebi que você estava certa. Nós desperdiçamos nossas vidas com culpa e aversão por nós mesmos. Quando você me olhou lá no final... eu vi. Que você realmente me ama. —
 — Você duvidava? — eu quis dizer de brincadeira, mas elas saíram como se me sentisse ofendida. Talvez eu estivesse, um pouco. Eu disse que o amava muitas vezes.
 — Não, eu digo, eu percebi que você não só me amava. Eu compreendi que você tinha me perdoado. —
 — Não havia nada a perdoar, não realmente. — Eu tinha dito isso para ele também.
 — Eu sempre acreditei que havia. — Ele foi para trás e olhou para mim de novo. — E era isso que estava me impedindo. Não importa o que você disse, eu não conseguia acreditar... não conseguia acreditar que você tivesse perdoado todas as coisas que fiz a você na Sibéria e depois que a Lissa me trouxe de volta. Eu pensei que você estivesse se iludindo. —
 — Bom. Não seria a primeira vez que eu faria isso. Mas não, desta vez eu não estava. —
 — Eu sei, a com essa revelação... naquela fração de segundo que eu percebi que você tinha me perdoado e que eu realmente tinha seu amor, eu finalmente fui capaz de me perdoar também. Todos aqueles encargos, aqueles laços com o passado... eles sumiram. Foi como... —
 — Estar livre? Voando? —
 — Sim. Exceto... isso veio tarde demais. Parece loucura, mas enquanto eu estava olhando para você, tendo todos esses pensamentos juntos na minha cabeça, foi como... como se eu pudesse ver a mão da morte vindo por você. E não havia nada que eu pudesse fazer. Eu estava impotente. Não podia ajudar. —
 — Você ajudou, — eu disse para ele. — As últimas pessoas que eu vi antes de apagar foram você e Lissa. — Bem, tirando os rostos esqueléticos, mas mencionar isso teria matado o momento romântico. — Eu não sei como eu sobrevivi ao tiro, como eu sobrepus as probabilidades... mas tenho quase certeza que seu amor — dos dois — me deram força para lutar. Eu precisava voltar para vocês. Só Deus sabe em quantos problemas você se meteriam sem mim. —
Dimitri não tinha resposta e em vez disso me respondeu trazendo sua boca para a minha. Nos beijamos, devagar no começo, e a doçura do momento sobrepôs qualquer dor que eu sentia. A intensidade do beijo tinha acabado de aumentar quando ele saiu fora.
 — Hey, por que isso? — Perguntei.
 — Você ainda esta se recuperando, — ele repreendeu. — Você pode achar que está normal, mas não está. —
 — Isso é normal para mim. E você sabe, eu achei que com todas essas coisas de liberdade e auto-descobrimento e expressão do nosso amor nós podíamos finalmente parar com a sabedoria master Zen e porcaria de conselhos práticos. —
Isso me proporcionou um sorriso.
— Roza, isso não vai acontecer. É pegar ou largar. —
Eu dei um beijo em seus lábios. — Se isso significa ficar com você, eu pego. — Eu queria o beijar de novo e provar quem realmente tinha o maior auto-controle, mas essa coisa maldita trouxe a realidade á tona.
 — Dimitri... sério, o que acontece conosco? —
 — Vida, — ele disse facilmente. — Ela continua. Nós vamos em frente. Somos guardiões. Nós protegemos e talvez mudamos nosso mundo. —
 — Sem pressão, — eu comentei. — Mas qual é a parte do-nós-e-guardiões? Tinha praticamente certeza de que estávamos fora do caminho dessa carreira. —
 — Mmm. — Ele colocou as mãos em meu rosto, como se fosse me beijar de novo. Eu esperava que sim. — Junto com nossos perdões, não recebemos nosso estatus de Guardião de volta. —
 — Até você? Eles acreditam que você não é um Strigoi? — Exclamei.
Ele acenou.
 — Hum hum. Mesmo que eu tenha limpado meu nome, meu futuro ideal é aquele que nós conseguimos um trabalho perto um do outro. —
Dimitri veio para mais perto de mim, seus olhos brilhando com um segredo. — Fica ainda melhor: você é a Guardiã de Lissa. —
 — O que? — quase cai para trás. — Isso é impossível. Eles nunca... —
 — Eles fizeram. Ela terá outros, então eles provavelmente acharam que deixar você com outros iria te deixar na linha, — ele brincou.
 — Você não... — Um caroço se formou no meu estomago, um lembrete de um problema que tem nos atormentado há um tempo. — Você não é um dos guardiões dela, é? — isso tem sido uma preocupação constante, um conflito de interesses. Eu queria ele perto de mim. Sempre. Mas como poderíamos cuidar de Lissa e colocar a segurança dela primeiro se estivéssemos preocupados um com o outro? O passado estava voltando para nos atormentar.
 — Não, eu tive uma outra designação. —
 — Oh, — por alguma razão, isso me deixou um pouco triste também, mesmo eu sabendo que era a escolha mais esperta.
 — Eu sou o Guardião de Christian. —
Desta vez eu realmente me sentei, ordens do doutor ou não. Os pontos puxaram no meu peito, mas eu ignorei o forte desconforto. — Mas isso... isso é praticamente a mesma coisa! —
Dimitri sentou também parecendo estar gostando do meu choque, o que é realmente cruel, vendo como eu quase morri e tudo mais.
— Um pouco. Mas não estarão juntos a todo momento, especialmente com ela indo para Lehigh. Ele não vai... mas eles continuarão se vendo. E quando eles se verem, nós também nos veremos. É uma boa mistura. Além disso... — ele ficou sério de novo. — E acho que você provou para todo mundo que você está disposta a colocar a vida dela em primeiro. —
Eu balancei minha cabeça.
— Yeah, mas ninguém estava atirando em você. Só nela. — Eu disse isso despreocupadamente: mas me fez pensar: o que eu faria se os dois estivessem em encrenca? Confie nele, uma voz em minha cabeça me disse. Confie que ele tomará conta dele mesmo. Ele fará o mesmo por você. Eu olhei Dimitri, recordando de uma sombra lá no Salão de Baile. — Você me seguiu quando eu pulei na frente da Lissa, não seguiu? Por quem você estava indo? Eu ou ela? —
Ele me estudou por vários longos segundos. Ele podia ter mentido. Ele poderia ter dado a resposta fácil que seria que ele pretendia tirar nós duas do caminho — como se isso fosse possível, o que eu não achava. Mas Dimitri não mentiu. — Eu não sei, Roza. Eu não sei. —
Eu suspirei. — Isso não vai ser fácil. —
— Nunca é, — disse ele, puxando-me em seus braços. Debrucei-me contra seu peito e fechei os olhos. Não, não seria fácil, mas iria valer a pena. Enquanto estivessimos juntos, ele valeria a pena. Nos sentamo, por um longo tempo, até que uma batida discreta na porta semi-aberta nos separou.
Lissa estava na porta.
— Desculpe, — disse ela, com o rosto brilhando de alegria quando me viu. — Deveria ter colocado uma meia na porta. Não percebi que as coisas estavam ficando quentes e pesadas. —
— Não se engane, — eu disse levemente, apertando a mão de Dimitri. — As coisas estão sempre quentes com ele por perto. — Dimitri olhou escandalizado. Ele nunca se deteve quando estávamos juntos na cama, mas sua natureza privada não iria deixá-lo dar uma sugestão sobre esses assuntos para os outros. Foi mau, mas eu ri e beijei sua bochecha. — Ah, isso vai ser divertido, — eu disse. — Agora que todos sabem. —
— Sim, — ele disse. — Eu consegui um olhar muito divertido de seu pai no outro dia. — Ele deu uma rapida olhada para Lissa, e entendeu, em seguida, levantou-se. Inclinando-se para baixo, ele beijou o topo da minha cabeça. — Eu deveria ir e deixar vocês duas conversando. —
— Você voltará logo? — perguntei quando ele se encaminhou para a porta. Ele parou e sorriu para mim, e aqueles olhos escuros responderam às minhas perguntas e muito mais.
— Claro que sim. —
Lissa tomou seu lugar, sentado na beira da cama. Ela me abraçou cuidadosamente, sem dúvida, preocupada com a minha lesão. Em seguida, ela me repreendeu por estar sentada, mas eu não me importei. A felicidade me percorreu. Eu estava tão feliz que ela estava bem, tão aliviada, e… E eu não tinha ideia de como ela se sentia. O vínculo havia desaparecido. E não como durante a fuga da cadeia, quando ela colocou uma parede. Simplesmente não havia nada ali, entre nós. Eu estava comigo mesma, completamente e totalmente sozinha, como eu estive há anos atrás. Meus olhos se arregalaram, e ela riu.
— Gostaria de saber quando você percebeu, — disse ela.
— Como... Como isso é possível? —
Eu estava congelada e paralisada. O vínculo. O vínculo havia desaparecido. Eu senti como se meu braço houvesse sido amputado.
— E como você sabe? —
Ela franziu o cenho. — Parte disso é instinto... Mas, Adrian viu. Que as nossas auras não estão mais conectadas. —
— Mas como? Como isso pôde acontecer? — Eu soava louca e desesperada. O vínculo não poderia ter ido embora. Não poderia.
— Eu não estou totalmente certa, — ela admitiu, sua carranca se aprofundando. — Eu conversei muito sobre isso com Sonya e, hum, Adrian. Achamos que quando eu trouxe você de volta pela primeira vez, era apenas espírito que a afastava da terra dos mortos e que a manteve presa a mim. Desta vez... você quase morreu de novo. Ou talvez você morreu por um momento. Só que, você e seu corpo lutaram o caminho de volta. Foi você quem saiu, sem nenhuma ajuda do espírito. E uma vez que isso aconteceu... —
Ela encolheu os ombros. — Como eu disse, são apenas especulações. Mas Sonya pensa que uma vez que você voltou com sua própria força, que você não precisou de qualquer ajuda para ser puxada de volta da morte. Você fez isso do seu próprio jeito. E quando você se libertou do espírito, você se libertou de mim. Você não precisou mais de uma ligação para mantê-la com os vivos. — Isso era uma loucura. Impossível.
— Mas se... Se você está dizendo que eu escapei da terra dos mortos, Eu não sou, como imortal, nem nada, sou? —
Lissa riu de novo.
— Não, estamos certos disso. Sonya explicou, dizendo que qualquer coisa viva pode morrer, e enquanto você tiver uma aura, você está viva. Strigoi são imortais, mas não vivos, por isso eles não têm auras e… —
O mundo girou. — Vou levar em conta seu conselho. Eu acho que talvez eu precise me deitar. —
— Isso é provavelmente uma boa ideia. — Eu gentilmente me ajeitei na cama. Desesperadamente precisando de distração do que eu tinha aprendido, porque ainda era muito surreal, ainda era impossível processar — Olhei ao meu redor. O quarto exuberante era maior do que eu pensava anteriormente. E continuava crescendo, se ramificando em outras salas. Era uma suíte. Talvez um apartamento. Eu poderia apenas dispor de uma sala com mobiliário de couro e um apartamento com Tv de tela plana.
— Onde é que estamos? —
— No abrigo do palácio, — respondeu ela.
 — No palácio? Como viemos parar aqui? —
— Como você acha? — perguntou ela secamente.
— Eu... — Eu não conseguia falar por um momento. Eu não precisava de nenhuma ligação para perceber o que tinha acontecido. Outra impossibilidade havia ocorrido enquanto eu estive fora. — Merda. Eles fizeram a eleição, não é? Eles te elegeram a rainha, uma vez que Jill estava lá para substituir sua família. —
Ela balançou a cabeça e quase riu.
— Minha reação foi um pouco mais forte do que merda, Rose. Você tem alguma ideia do que você fez? — Ela olhou ansiosa, estressada e totalmente sobrecarregada. Eu queria ser séria e reconfortante por causa dela... mas eu podia sentir um pateta sorriso se espalhando sobre o meu rosto. Ela gemeu.
— Você está feliz. —
— Liss, você foi feita para isso! É melhor do que qualquer dos outros candidatos. —
— Rose! — Ela chorou. — Concorrer para ser a rainha era suposto ser uma diversão. Eu tenho apenas dezoito anos. —
— Como tinha Alexandra. — Lissa balançou a cabeça em desespero.
— Estou tão farta de ouvir falar dela! Ela viveu há séculos atrás, você sabe. Acho que as pessoas morriam quando eles tinham trinta naquela época. Então, ela era praticamente de meia-idade. — Eu peguei a mão dela.
— Você vai ser grande. Não importa quantos anos você tenha. E não é que você tenha que convocar as sessões e analisar todos os livros de direito em seu próprio país, você sabe. Quero dizer, eu não estou certa se você vai fazer nada disso, mas há outras pessoas inteligentes. Ariana Szelsky não fez o último teste, mas você sabe que ela vai ajudar se você pedir para ela. Ela é ainda do Conselho, e há outros que você pode confiar. Nós só temos que encontrá-los. Eu acredito em você. —
Lissa suspirou e olhou para baixo, seu cabelo pendurado em frente como uma cortina.
— Eu sei. E parte de mim está animada, em como isso vai restaurar a honra da minha familia. Eu acho que isso é o que está me salvando de um colapso total. Eu não queria ser rainha, mas se tenho que ser... então eu vou fazer isso direito. Sinto-me como... como se eu tivesse o mundo na ponta dos dedos, como se pudesse fazer isso muito bem. Mas estou com tanto medo de bagunçar tudo. —
Ela olhou bruscamente.
— E eu não estou desistindo do resto da minha vida também. Acho que vou ser a primeira rainha na faculdade. —
— Legal, — eu disse. — Você pode IM com o Conselho do campus. Talvez você possa mandar as pessoas fazerem seu dever de casa. — Ela aparentemente não achou que a piada era tão engraçada como eu achei.
— Voltando à minha família. Rose... quanto tempo você sabia sobre Jill? — Maldição. Eu sabia que esta parte da conversa acabaria por vir. Desviei os meus olhos.
— Não é assim tanto tempo. Nós não queriamos estressar você até saber se era real, — eu acrescentei apressadamente.
— Eu não posso acreditar... — Sacudiu a cabeça. — Eu só não posso acreditar. —
Eu tive que ir pelo seu tom, não pelo vínculo. Era tão estranho, como perder um dos meus sentidos fundamentais. Vista. Audição. — Você está chateado? —
— É claro que eu estou! Como você pode estar surpreendida? —
— Achei que você ficaria feliz... —
— Feliz por saber que meu pai traiu a minha mãe? Feliz por ter uma irmã que eu mal conheço? Eu tentei falar com ela, mas... — Lissa suspirou novamente. — Foi tão estranho. Quase mais estranho do que de repente ser rainha. Eu não sei o que fazer. Eu não sei o que pensar do meu pai. E eu com certeza não sei o que fazer com ela. —
 — Ame ambos, — eu disse suavemente. — Eles são a sua família. Jill é ótima, você sabe. Tente conhecê-la. Se anime. —
— Eu não sei se posso. Eu acho que você é mais uma irmã para mim do que ela jamais vai ser. — Lissa olhou para o nada. — E de todas as pessoas... Eu estava convencida por tanto tempo que algo estava acontecendo entre ela e Christian. —
— Bem, de todas as preocupações em seu mundo, isso é que você pode deixar de se preocupar porque não é verdade. — Mas, dentro de seu comentário tinha algo escuro e triste.
— Como está Christian? —
Ela se virou para mim, os olhos cheios de dor. — Ele está tendo um tempo ruim. Eu também estou. Ele a visita. Tasha. Ele odeia o que ela fez, mas... mesmo assim, ela é ainda a sua família. Dói, mas ele tenta esconder isso. Você sabe como ele é. —
— Yeah. — Christian passou boa parte de sua vida mascarando sentimentos obscuros com ironia e sarcasmo. Ele era um profissional em enganar os outros sobre como ele realmente se sentia.
— Eu sei que ficará melhor com o tempo... Eu só espero que eu possa estar lá para ele e isso baste. Muita coisa está acontecendo. Faculdade, ser rainha... e sempre, sempre, há espírito lá, me pressionando para baixo. Me sufocando. —
Alarme passou por mim. E pânico. Pânico sobre algo muito pior do que não saber o que Lissa estava sentindo ou onde ela estava. Espírito. Eu tinha medo de espírito e o fato de que eu não poderia lutar por ela. — A escuridão... Eu não consigo absorver mais. O que vamos fazer? — Um sorriso torcido cruzou seus lábios.
— Quer dizer, o que vou fazer. Isso é problema meu agora, Rose. Como sempre deveria ter sido. —
— Mas, não... você não pode. St. Vladimir…. —
— Não comigo. E você pode me proteger de algumas coisas, mas não de todas. —
Eu balancei minha cabeça. — Não, não. Eu não posso deixar você sozinha encarar espírito. —
 — Eu não estou exatamente sozinha. Eu conversei com Sonya. Ela é realmente boa em feitiços de cura e pensa que há uma maneira de me manter em equilíbrio. —
 — Oksana disse a mesma coisa, — lembrei-me, sentindo-se pouco sossegada.
— E... há sempre os antidepressivos. Eu não gosto deles, mas eu sou a rainha agora. Eu tenho responsabilidades. Vou fazer o que for preciso. A rainha desiste de tudo, certo? —
 — Eu acho. — Eu não poderia deixar de sentir medo. Inútil. — Eu estou tão preocupada com você, e eu não sei como ajudá-la mais. —
 — Eu lhe disse: você não precisa. Eu vou proteger minha mente. Seu emprego é proteger meu corpo, certo? E Dimitri estará por perto também. Tudo vai ficar bem. —
A conversa com o Dimitri voltou para mim. Com quem você irá? Comigo ou com ela? Eu dei-lhe o melhor sorriso que pude.
— Yeah. Tudo ficará bem. — Sua mão apertou a minha. — Estou tão feliz por você está de volta, Rose. Você sempre será parte de mim, não importa como. E honestamente... Estou feliz que você não pode mais ver a minha vida sexual. —
 — Isso faz nós duas feliz. — Eu ri. Nenhum vínculo. Nenhum acessório mágico. Isso ia ser tão estranho, mas realmente... eu precisaria dele? Na vida real, as pessoas formam laços de outra natureza. Laços de amor e lealdade. Poderíamos passar por isso. — Eu sempre estarei lá por você, você sabe. Qualquer coisa que você precisar. —
 — Eu sei, — ela disse. — E, na verdade... Eu preciso de você para alguma coisa agora... —
 — Diga o que, — eu disse. E ela disse.