Eu poderia ter ficado de boca aberta se eu estivesse
lá. Tanto pelo choque de ver Sydney quanto por ser uma humana á vista na Cortel.
Humanos, na verdade, porque tinha dois outros com ela,
um homem e uma mulher. O homem era jovem, só um pouco mais velho do que Sydney,
com cabelos e olhos marrons escuro. A mulher era mais velha, com olhar duro e
experiente que eu associei á Alberta. A mulher tinha a pele escura, mas eu pude
ver a tatuagem dourada que ela e os outros alquimistas tinham. Todos
Alquimistas. E era óbvio que esses alquimistas não estavam felizes. A mulher
estava colocando em um bom show, mas seus olhos dardejantes deixaram claro que
ela preferia estar em algum outro lugar, qualquer outro lugar. Sydney e o cara
não ocultaram totalmente seu medo. Sydney podia ter se acostumado com Dimitri e
eu, mas ela e seus associados tinham entrado em um covil do mal na medida em
que foram provavelmente a causa.
Os Alquimistas não estavam sozinhos em seu
desconforto. Assim que eles tinham entrado, os guardiões não mais consideraram
Eddie como a ameaça da sala. Seus olhos estavam todos nos humanos,
investigando-os como se fossem Strigoi. Meus amigos pareciam mais curiosos do
que com medo. Lissa e eu vivemos entre humanos, mas Christian e Adrian tiveram
muito pouca exposição, mais que alimentadores. Ver os Alquimistas no nosso território acrescentou um elemento
extra de intriga.
Eu estava certamente admirada de ver Sydney lá tão
rápido. Ou será que foi realmente rápido? Horas tinham passado desde que
escapamos da casa de Jill. Não tempo suficiente para dirigir até a Corte, mas
com certeza suficiente para voar. Sydney não tinha mudado de roupa desde a
última vez em que eu a havia visto, e tinha sombras embaixo de seus olhos. Eu
tive a impressão de que ela estava ferrada desde o fim de sua captura. O
mistério era, por que trazer trazer os Alquimistas aqui para reunião sobre
Eddie ter matado o Moroi desconhecido? Havia duas questões completamente
diferentes em jogo.
Lissa estava pensando a mesma coisa. — Quem são esses
caras? — ela perguntou, apesar de ela ter uma boa ideia sobre quem era Sydney.
Ela ouviu descrição suficiente de mim. Sydney deu a Lissa mais uma olhada, e eu
suspeitei que ela tinha advinhado a identidade de Lissa também.
— Alquimistas.
— Hans disse grosseiramente — Vocês sabem o que isso significa? —
Lissa e meus amigos balançaram a cabeça — O que eles
têm que fazer com Eddie e o cara que me atacou? — ela perguntou.
— Talvez alguma
coisa, talvez nada — Hans encolheu os ombros — Mas eu sei que tem alguma coisa
estranha acontecendo, alguma coisa em que todos vocês estão envolvidos, e eu
preciso descobrir o que é. — Ela — Hans apontou para Sydney — estava com
Hathaway em Detroit, e eu ainda tenho problema em acreditar que nenhum de vocês
sabe nada sobre isso — .
Adrian cruzou os braços e se encostou na parede, a
perfeita figura da indiferença.
— Continue
acreditando nisso, mas eu não conheço nenhuma dessas pessoas. Os Alquimistas
não odeiam a gente? Por que eles estão aqui? — Adrian, ironicamente, era o
único dos meus amigos que sabia que eu não estive em West Virgínia, mas você
nunca diria por seu comportamento.
— Porque nós
temos uma assassina foragida para lidar e precisamos questionar seu cúmplice em
pessoa. — era a responsabilidade decidida de Hans.
Uma negação da minha culpa estava nos lábios de Lissa,
mas o outro Alquimista pulou primeiro. — Você não tem prova de que a Senhorita
Sage é cúmplice da sua criminosa. E eu ainda acho ridículo que você não vai nos
deixar fazer nosso próprio questionamento e deixar por isso mesmo. —
— Em outra
situação, poderíamos, Senhorita Stanton, — replicou Hans. Gelo estava se
formando entre dois deles. — Mas essa, como você pode imaginar, é um pouco mais
séria que outras. Nossa Rainha foi assassinada. —
Tensão se fez ainda mais entre os guardiões e os Alquimistas.
Seu relacionamento profissional não era um feliz, eu percebi. Também me
ocorreu, que mesmo se os superiores de Sydney pensassem que ela cometeu um
crime, eles nunca admitiriam ainda mais para o meu povo — o que significou que
a paranóia de Hans não era completamente infundada. Quando nenhum dos
Alquimistas respondeu, Hans leu isso como uma aprovação para começar a
interrogar Sydney.
— Você conhece
esses três? — Ele gesticulou para meus amigos e Sydney balançou a cabeça — Já
se comunicou com eles? —
— Não. —
Ele fez uma pausa, como se esperasse que ela fosse
mudar a resposta. Ela não o fez. — Então como você se envolveu com Hathaway? —
Ela o estudou atentamente, medo em seus olhos
castanhos. Eu não estava certa de que era por causa dele exatamente. Na
verdade, ela tinha muitas coisas para estar nervosa agora, como estar aqui
agora e a eventual punição que os Alquimistas podiam lhe aplicar. Depois, é
claro, tinha Abe. Tecnicamente, ele era a razão pela qual ela estava enredada
nessa bagunça. Tudo o que ela tinha que fazer era falar nele, dizer que ele a
tinha chantageado. Isso talvez a livrasse dessa — mas provocaria sua ira.
Sydney engoliu em seco e forçou um olhar desafiador.
— Eu encontrei
Rose na Sibéria. —
— Sim, sim. — disse
Hans — Mas como você terminou a ajudando a escapar daqui? —
— Eu não tive
nada a ver com a fuga dela desse lugar! — disse Sydney. Isso era uma
meia-verdade, eu supus — Ela me contatou alguns dias depois e me pediu para
ajudá-la a chegar até uma casa em Detroit. Ela afirmou que era inocente e que
isso a ajudaria a provar isso. —
— Os
Alquimistas sabiam até então que ela era uma fugitiva — Hans pontuou — Todos
tinham ordens de procurá-la. Você poderia ter entrado na dela —
— Quando eu
encontrei Rose pela primeira vez, ela não parecia ser do tipo que mataria — eu
quero dizer, exceto por matar Strigoi. O que não é assassinato de verdade — .
Sydney atirou em um desdém Alquimista. Isso foi um
toque legal. — Então, quando ela disse que era inocente e podia provar isso, eu
decidi ajudá-la. Eu dei a ela uma carona. —
— Nós acabamos
de perguntar isso a ela, — Stanton disse irritada — E nós já dissemos isso para
você. O que ela fez foi idiota — um ingênuo lapso de julgamento. Isso é algo
para nós cuidarmos, não você. Você se preocupa com seu demônio assassino. — Suas
palavras eram leves, como se eles fossem levar Sydney pra casa e castigar uma
criança birrenta. Eu duvidei que isso fosse ser tão simples.
— Quem eram as
pessoas com ela? — Hans perguntou, ignorando Stanton.
O desprezo de Sydney cresceu — Um era o cara... Dimitri
Belikov. O que vocês disseram que estava — curado — Eu não sei quem eram os outros. Dois caras e
uma mulher. Eles nunca se apresentaram. — Isso era uma mentira bem feita, seu
falso desgosto por Dimitri mascarando o seu conhecimento sobre o resto de
nossas associações.
Lissa inclinou-se ansiosamente, falando apenas antes
que Hans pudesse — O que era em Detroit? Como Rose estava indo limpar seu nome?
Especialmente com Jill? —
Hans não pareceu feliz com a interrupção, mas eu sabia
que ele tinha que estar curioso sobre Jill e Detroit também. Ele não disse
nada, talvez esperando que alguém fosse escorregar e revelar a peça chave do
conhecimento. Sydney, porém, continuou jogando distante e fria — Eu não faço
ideia. Aquela garota Jill não parece saber também. Rose apenas disse que
tínhamos que chegar até ela, então eu a ajudei. —
— Cegamente? — Hans
perguntou. — Você realmente espera que eu acredite que você apenas acreditou
nela desse jeito? —
— Ela era minha…
— Sidney apenas bateu os lábios no que eu suspeitei que era — amiga. — Ela mudou para seu modo profissional — Tinha
alguma coisa acreditável sobre ela, e eu achei que seria um desperdício de
recursos se os Alquimistas estivessem ajudando vocês a caçar o assassino
errado. Se eu decidisse que ela era culpada, eu poderia simplesmente
denunciá-la. E pensei... E pensei que se eu fosse a pessoa a resolver isso, eu
teria o crédito e a promoção. — Essa foi uma boa, boa mentira. Uma garota
ambiciosa tentando levantar sua carreira? Muito bom. Bem, não para todo mundo.
Hans balançou a cabeça — Eu não acredito em nada de
você. —
O cara alquimista deu um passo a frente que fez cada
guardião se sentir tenso para pular nele. — Se ela diz que foi dessa maneira
que aconteceu, então foi dessa maneira que aconteceu. — Ele tinha a mesma fúria
e desconfiança que Stanton, mas aquela parecia ser maior. Um tipo de proteção
por Sydney que era tanto pessoal quanto profissional. Lissa foi nessa também.
— Fácil, Ian — disse
Stanton, ainda com os olhos em Hans. Sua compostura me lembrou mais e mais de
Alberta. Ela não podia estar confortável em uma sala cheia de guardiões, mas
não estava mostrando isso. — Não importa se você acredita nela ou não. O ponto
é que: Senhorita Sage respondeu suas perguntas. Nós terminamos. —
— Os pais da
Jill sabem de alguma coisa? — Lissa perguntou. Ela ainda estava chocada com
todos esses desenvolvimentos — sem mencionar preocupada sobre eu estar longe da
minha segura cidade na Montanha — mas esse misterioso tiro de limpar meu nome
era poderoso. Ela não podia deixar passar.
Sydney mudou para Lissa, e eu podia praticamente ler
os pensamentos dos Alquimistas. Ela sabia o quão próximas Lissa e eu éramos e
teria gostado de dar a Lissa algum conforto. Mas não havia maneira de Sydney
fazer isso com aquelas pessoas naquela sala. Ela apenas tinha que estar ciente
do fato de que eu mesma não tinha dito nada a Lissa sobre Jill.
— Não, — disse
Sydney — Nós apenas fomos lá, e Rose disse que Jill tinha que ir com ela. Os
Mastrano não sabem o porquê. E depois — e depois Rose a levou. Ou Jill foi com
ela. Eu não estou certa do que aconteceu. Tudo ficou um caos. —
Nem os Alquimistas nem os Guardiões duvidaram de eu
levando Jill, o que me fez pensar que foi uma história que eles pegaram — e
aceitaram dos pais de Jill e de Sydney. Isso apenas tinha o suficiente para ser
plausível — e explicar o desaparecimento de Jill. Isso não mencionou o segredo
Dragomir, que por sinal, era o que provavelmente Emily estava mais feliz em
deixar quieto por agora.
— Lá, — disse
Stanton — Isso é exatamente o que dissemos a você antes. Nós precisamos ir
agora — Ele foi em direção a porta, mas os guardiões bloquearam a passagem.
— Impossível, —
disse Hans — Isso é um assunto sério, e a Senhorita Sage é a única ligação que
nós temos para uma assassina — uma assassina de um membro da realeza. E um sequestro.
—
Stanton zombou, e eu me lembrei de Sydney uma vez
falando sobre o pensamento dos Alquimistas de que o sistema real Moroi era
bobagem. — Ela não parece ser de muito uso para você. Mas não se preocupe — nós
estaremos segurando ela. Contate-nos se tiver mais perguntas. —
— Inaceitável,
— disse Hans — Ela fica aqui. —
Ian, o outro alquimista, juntou o argumento, movendo-se
protetoramente para a frente de Sydney — Nós não vamos deixar um de nós aqui! —
. De novo, eu tive aquele sentimento engraçado sobre ele. Uma queda, era isso.
Ele tinha uma queda por ela e estava tratando isso como mais do que apenas
negócios. Stanton deu a ele um olhar que disse que ela iria lidar com esse
assunto. Ele ficou silencioso.
— Vocês todos
podem ficar aqui também — disse Hans — Não faz diferença para mim. Nós lhe
daremos quartos. —
— Isso é
inaceitável — De lá, ela e Hans foram para uma discussão furiosa. Eu não pensei
que isso fosse para os golpes, mas os outros guardiões se fecharam em ligeira
precaução.
Os olhos de Ian disparavam entre Stanton e Sydney, mas
ele não entrou na briga. Uma vez que, seu olhar passou pela mesa onde Hans se
inclinou e, de repente Ian fez um dobro ao tomar a fotografia. Isso foi apenas
uma breve pausa. Um aumento ligeiro dos olhos, mas Lissa pegou.
Ela deu um passo em direção de Ian e Sydney. Um dos
guardiões olhou para o movimento, considerando Lissa segura, e retornaram para
olhar Stanton. — Você conhece ele — Lissa murmurou, mantendo sua voz abaixo das
mensagens. De fato, estava baixo demais porque ela recebeu olhares em branco de
Sydney e Ian. Seus ouvidos não podiam escutar o que um Moroi ou dhampir teriam.
Lissa olhou inquieta em volta, não querendo atrair
atenção. Ela levantou um pouco o volume — Você o conhece. O cara na foto. —
Ian olhou para Lissa. Um pouco de admiração e
desconfiança em seu rosto. Ele, sem dúvida, deu essa mesma atitude arrogante para
os vampiros, mas as palavras dela o pegaram de guarda baixa. E, mesmo ela sendo
uma criatura demoníaca da noite, ela era uma muito bonita.
— Ian? — disse
Sidney suavemente — O que é isso? — Tinha uma nota de urgência em sua voz, uma
que inadvertidamente brincou com sua queda, eu acho.
Ele abriu a boca para falar, mas depois, a conversa entre os outros embrulhou.
Sydney novamente se tornou o centro das atenções. E Ian afastou-se de Lissa.
O compromisso que Stanton e Hans alcançaram era
exatamente isso — um compromisso. Nem ao menos estavam felizes com isso. Tinham
uma pequena cidade, menos de quarenta e cinco minutos de distância da Corte, e
os Alquimistas poderiam ficar lá — com severos guardiões á mão. Isso soou como
prisão domiciliar para mim, e a expressão de Stanton parecia concordar. Acho
que ela só consentiu porque era uma cidade humana.
Antes de deixar todos irem, Hans perguntou aos meus
amigos um último momento, seus olhos estudando cada rosto cuidadosamente.
— E nenhum de
vocês — nenhum de vocês conhece essa garota Alquimista ou teve algum contato
com ela? Ou sabem sobre seu envolvimento com Hathaway? —
De novo, Lissa e os outros negaram isso, e de novo,
Hans não teve escolha senão aceitar relutantemente as respostas. Todo mundo se
moveu para a porta, mas Hans não iria deixar Eddie ir. — Você não, Castile.
Você vai ficar aqui até outras questões serem resolvidas. —
Lissa engasgou — O que? Mas ele… —
— Não se
preocupe com isso — disse Eddie, com um pequeno sorriso — Tudo vai ficar bem,
apenas cuide-se. —
Lissa hesitou, apesar de Christian puxar seu braço
para que ela fosse. Apesar do fato de Eddie ter defendido a vida de Lissa, ele
ainda tinha matado um Moroi. Isso seria impossível de ser tomado de forma leve.
Os guardiões tinham que estar cem por cento convencidos de que ele não teve
escolha antes de liberar ele. Vendo a força, o olhar calmo em seu rosto, Lissa
soube que ele estava preparado para lidar com o que viesse.
— Obrigada — disse
ela passando por ele — Obrigado por me salvar. —
Sua resposta foi um ligeiro aceno, e Lissa entrou no
corredor, para se achar em mais caos.
— Onde estão
eles? — eu insisti em… Ah —
Meus amigos e os Alquimistas se dirigiam para a saída,
enquanto um grupo de guardiões os escoltava. Enquanto isso, alguém tinha
entrado no hall e agora estava sendo parado e questionado pelos guardiões. Era
Abe.
Ele juntou todas as peças do cenário bizarro em menos
de um piscar de olhos, seus olhos passando por Sydney e os Alquimistas como se
nunca os tivesse visto antes. Pelos olhos de Lissa, eu vi Sydney empalidecer,
mas ninguém mais percebeu. Abe sorriu para Lissa e se esgueirou para sair com
ela.
— Aqui está
você. Eles te querem para o último teste de monarca. —
— E eles
mandaram você? — perguntou Christian cético.
— Bem, eu me
voluntariei, — replicou Abe — Eu escutei que tinha alguma, er.. excitação.
Assassinato, humanos fanáticos religiosos, interrogatórios. Todas as coisas nas
quais estou interessado, vocês sabem. —
Lissa rolou os olhos mas não disse nada até que o grupo
tivesse emergido para o prédio. Os Alquimistas e sua não-bem-vinda escolta
foram para um lado enquanto Lissa e seus amigos foram para outro. Lissa
desejava olhar para Sydney e Ian — e eu também — mas sabia que era melhor
continuar seguindo em frente com Abe, particularmente, quando outros guardiões
estavam olhando mais do que apenas os Alquimistas.
Assim que o grupo de Lissa estava longe o bastante das
autoridades, o sorriso amigável de Abe desapareceu, e ele se virou para meus
amigos.
— Que inferno
aconteceu? Eu escutei todo tipo de histórias loucas. Alguém disse que você
estava morta. —
— Quase — disse
Lissa, ela contou a ele sobre o ataque, expressando seu medo por Eddie.
— Ele vai ficar
bem — Abe disse despreocupadamente — Eles não tem nada para segurá-lo. O pior
que ele vai ter é uma marca em seu recorde. —
Lissa ficou alividada com a fácil garantia de Abe, mas
ainda sentia culpa. Graças a mim, o recorde de Eddie estava estragado. Sua
esterlina reputação estava declinando em uma base diária.
— Aquela era
Sydney Sage — disse Lissa — Eu pensei que eles estavam em West Virginia. Por
que ela não está com Rose? —
— Isso — disse
Abe sombrio — é uma pergunta excelente. —
— Porque eles
estavam aparentemente sequestrando Jill Mastrano em Detroit — disse Christian —
O que é estranho. Mas não a coisa mais maluca que posse imaginar Rose fazendo —
Eu apreciei seu apoio.
Abe recapitulou esse novo desenvolvimento também, pelo
menos o quanto meus amigos sabiam sobre isso — que era apenas uma fração da
história toda.
Abe percebeu imediatamente que tinha sido deixado de
lado, e era óbvio pela sua expressão de raiva que ele não gostava de ser
deixado no escuro. Bem-vindo ao clube, pai, eu pensei com pequena satisfação.
Eu ainda não tinha esquecido de como ninguém tinha me colocado a par sobre o
plano de fuga. Minha presunção foi de curta duração, porque eu estava
preocupada sobre o que poderia acontecer com Sydney, agora que Abe estava com
ela.
— Aquela garota
estava mentindo para mim, — ele rosnou — Todos os dias, todos aqueles
relatórios sobre como era calmo e chato em West Virginia. Eu me pergunto se
foram mesmo para aquela cidade. Eu tenho que ir falar com ela. —
— Boa sorte — disse
Adrian enquanto pegava um cigarro e acendia. Aparentemente, na minha ausência,
o contrato de namoro que ele de brincadeira fez que dizia que ia — parar — seus
vícios não se aplicava. — Eu não acho que seus comparsas ou os guardiões vão
deixar você se aproximar dela. —
— Oh, eu vou
chegar nela, — disse Abe — Ela tem um monte de respostas. Se ela escondeu
daqueles idiotas, bom para ela. Mas ela vai me contar. —
Um pensamento súbito se acendeu na mente de Lissa. — Você
tem que falar com o Ian. Aquele cara com os Alquimistas. Ele conhece o homem na
foto — aa… eu quero dizer, o cara que Eddie matou. —
— Você tem
certeza? — perguntou Abe.
— Sim — disse
Adrian surpreendendo todos — Ian definitivamente teve uma reação. E ele também
tem uma queda por aquela garota Sydney. —
— Eu vi isso
também — disse Lissa
— Ela parecia
meio tensa — Adrian fez uma careta — Mas talvez seu tipo seja aquele. —
— Essa queda
pode realmente ser útil — Abe meditou — Vocês mulheres não sabem o poder que
exercem. Vocês viram aquele guardião com quem sua tia está saindo? Ethan Moore?
—
— Sim. — gemeu
Christian — Não me lembre. —
— Tasha é bem
quente — notou Adrian.
— Isso não é
legal — disse Christian.
— Não fique tão
ofendido — disse Abe — Ethan é um guarda do palácio. Ele estava lá na noite do
assassinato — o que pode ser muito útil para nós se ela puder mantê-lo
interessado. —
Christian balançou a cabeça — Aqueles guardas já
testemunharam. Isso não faz diferença. Ethan disse o que sabia —
— Eu não estou
certo — disse Abe — Tem sempre coisas que ocorrem no registro oficial, e eu
estou certo de que os guardas foram informados com ordens estritas sobre o que
podem revelar e o que não podem revelar. Sua tia talvez seja charmosa o
suficiente para descobrir algumas coisas pra nós. — Abe suspirou, ainda
parecendo muito chateado com com o súbito desapontamento sobre seus planos. — Se
apenas Sydney tivesse sido charmosa o suficiente para sair ela mesma de seu
interrogatório de forma que eu pudesse interrogá-la. Agora eu tenho que entrar
no meio dos Alquimistas e Guardiões para chegar até ela e descobrir onde está
Rose. Oh, e você agora tem que ir para o seu teste, princesa. —
— Eu pensei que
fosse apenas uma frase que você usou para me encontrar. — Lissa disse.
— Não, eles
querem você — Ele deu a ela as direções do teste. Isso era no prédio onde ela
teve o segundo teste. — Todos vocês vão juntos e depois arranjem um guardião
para acompanhar vocês de volta. Não deixem a sala até que Janine ou Tad tenham
chegado. — Tad era um dos capangas de Abe — Sem mais ataques surpresa. —
Lissa quis argumentar que certamente não ia se colocar
sob prisão domiciliar, mas decidiu que era melhor apenas deixar Abe ir por agora.
Ele se apressou, ainda irradiando agitação, e os caras se voltaram para o local
do teste.
— Cara, ele
está puto — disse Adrian
— Você culpa
ele? — Perguntou Christian — Ele só perdeu sua filiação no clube mandante do
mal. Seu plano brilhante foi pelos ares e agora a filha dele está desaparecida
quando ele pensou que ela estava em algum lugar seguro. —
Adrian ficou claramente em silêncio.
— Eu espero que
ela esteja bem — suspirou Lissa, um nó formando-se em seu estômago — E o que
nesse mundo Jill tem a ver alguma coisa disso? —
Ninguém tinha uma resposta para isso. Quando eles
chegaram ao local do teste, Lissa encontrou uma situação quase idêntica á anterior.
Muitos espectadores enchendo o hall. Guardiões bloqueando a porta. Mais do que
nunca as pessoas estavam gritando o nome dela enquanto ela se aproximava,
alguns eram Moroi — comuns — e outros que eram Moroi da realeza cujos
candidatos estavam fora da corrida. Um número de candidatos não haviam passado
no teste de medo, então suas famílias estavam mudando de lado na torcida.
Novamente, Lissa foi levada sozinha para a sala. Seu
coração começou a bater mais forte quando viu a mesma mulher velha. Que terríveis
imagens viriam? Lissa não podia ver o cálice, mas não havia garantia de
segurança. Não tinha uma cadeira extra, de forma que Lissa simplesmente ficou
em frente a mulher velha.
— Olá — Lissa
disse respeitosamente — É bom te ver de novo. —
A mulher sorriu, mostrando aqueles dentes faltando — Eu
duvido disso, mas você diz de forma muito convincente. Você tem política no
sangue. —
— Obrigado... —
disse Lissa, incerta se estava sendo elogiada ou não. — O que você gostaria que
eu fizesse para o teste? —
— Apenas
escute, isso é tudo. Esse é um fácil. —
Um brilho nos olhos da mulher fez Lissa pensar que não
seria fácil.
— Tudo o que
você tem que fazer é responder uma pergunta para mim. Responda corretamente, e
poderá ir para a votação. E isso não será divertido. — A mulher pareceu estar
dizendo aquelas palavras mais para si mesma do que para Lissa.
— Certo, — disse
Lissa — Eu estou pronta. —
A mulher olhou Lissa de cima a baixo e pareceu gostar
do que viu. — Aqui está. O que uma rainha deve possuir para governar
corretamente seu povo? —
A mente de Lissa ficou em branco por um momento, mas
depois um amontoado de palavras surgiu na sua cabeça. Integridade? Sabedoria?
Sanidade?
— Não, não. Não
responda, — disse a mulher olhando Lissa cuidadosamente — Não ainda, você tem
até amanhã, nessa mesma hora, para pensar sobre isso. Volte com a resposta
certa, e você terá passado no teste. E... — Ela piscou — Não é nem preciso
dizer que você não contará sobre isso a ninguém. —
Lissa balançou a cabeça, esfregando o pequeno local
tatuado em seu braço. Ela não teria ajuda de ninguém com a resposta. Lissa saiu
da sala repassando a pergunta de novo e de novo em sua mente. Tinha tantas
respostas para uma pergunta como aquela, ela pensou. Alguma delas poderiam —
Um movimento na minha realidade me tirou de imediato
da cabeça de Lissa. Eu meio que esperava Sonya explodindo em nossa barraca, mas
não, não era isso que tinha me chamado a atenção. Isso era um movimento muito
menor... e uma coisa infinitamente mais poderosa.
Dimitri estava nos meus braços.
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