EU NÃO GOSTO DE VER Victor Dashkov estar certo. Mas,
oh, ele sempre estava.
Com a proclamação de Lissa, a sala que estava
segurando a respiração, de repente explodiu. Eu me perguntei se alguma vez, na
história Moroi, já existiu uma sessão do Conselho pacifica, ou se por
coincidência eu só entro nas que são controversas. O que estava acontecendo
hoje me lembrou muito do dia em que o decreto sobre a idade dos dhampirs foi
aprovado. Gritaria, argumentos, pessoas fora de suas cadeiras... Guardiões que
normalmente cobriam as paredes e assistiam, estavam juntos com os outros, com
olhar de preocupação em seus rostos enquanto eles se preparam para qualquer
disputa que possa ir além de palavras.
Tão rápido quanto Lissa estava no centro de tudo, a
sala pareceu se esquecer dela. Ela se sentou de novo, e Christian achou a sua
mão novamente. Ela apertou a mão dele bem forte, tão forte que eu me perguntei
se ela tinha cortado a circulação dele. Ela olhou diretamente para frente,
ainda vacilando. A mente dela não estava focada em todo aquele caos, mas tudo
que seus olhos e ouvidos percebiam vinha para mim. Sério, a única atenção que
meus amigos receberam foi quando Daniella chegou e repreendeu Adrian por nomear
alguém de fora de sua família. Ele deu de ombros em seu modo costumeiro, e ela
bufou percebendo — como muitos de nós — que não tinha realmente uma razão em
tentar argumentar com Adrian.
Você pensaria que em uma sala onde todo mundo estava
brigando para impor vantagens para sua própria família, cada pessoa estaria
argumentando que a nomeação de Lissa era inválida. Esse não era o caso, no
entanto — particularmente por que nem todo mundo na sala era da realeza. Assim
como eu notei mais cedo, Moroi de todo o mundo vieram para testemunhar os
acontecimentos que iriam determinar o seu futuro. E um bom número deles estava
vendo essa garota Dragomir com interesse, essa princesa de uma linhagem que
estava morrendo e que alegava fazer milagres. Eles não foram vorazmente
entoando seu nome, mas muitos ficaram no meio dos argumentos, dizendo que ela
tinha todo o direito de representar sua família. Parte de mim também suspeitou
que alguns dos — suportes comuns — simplesmente gostavam da ideia de frustrar a
agenda real.
O jovem casal que tinha sido assediado por Lady Badica
não foram os únicos que foram diminuídos por seus — superiores. — Surpreendentemente, havia alguns membros da
realeza apoiando Lissa também. Eles podem ser leais a suas próprias famílias,
mas nem todos eram cúmplices sem coração e egoístas. Muitos tinham um senso de
certo e errado — e se Lissa tinha a lei do lado dela, então ela estava certa. E
muitos membros da realeza simplesmente gostavam e respeitavam ela. Ariana foi
uma pessoa que advogou para a nomeação de Lissa, alem de que a competição que
isso criou. Ariana sabia bem a lei e sem dúvida percebeu que a mesma brecha que
permitiu Lissa competir, também não deixaria acontecer quando a época de eleição
chegar. Ainda assim, Ariana manteve sua posição, o que me fez gostar dela ainda
mais. Quando a votação realmente chegar, eu espero que Ariana ganhe a coroa.
Ela é inteligente e justa — exatamente o que os Moroi precisam.
Claro que Ariana não era a única que conhecia a lei.
Outros perceberam a brecha e argumentaram a nomeação de um candidato que
ninguém podia votar por se inútil. Normalmente, eu concordaria com eles. E o
debate durou enquanto os meus amigos ficaram quietos sentados no olho do furacão.
No final, o assunto foi resolvido da forma que a maioria das decisões devem ser
tomadas: através do voto. Com Lissa ainda negando o seu lugar no Conselho,
deixou apenas onze membros para determinar o seu futuro. Seis deles aprovaram a
sua candidatura, fazendo isso oficial. Ela poderia concorrer. Eu suspeitei que
alguns daqueles que votaram a favor, não queria que ela realmente concorresse,
mas os respeito deles pela lei prevaleceu.
Muitos Moroi não ligavam para o que o Concelho dizia.
Eles deixaram claro que consideraram o assunto longe do fim, provando o que
Victor havia dito: isso iria fazer eles ficarem furiosos por um tempo, e iria
piorar se ela realmente passar nos testes e chegar à fase de votação. Por
agora, a multidão se dispersou, parecendo aliviada — não só por que eles queria
escapar da gritaria, mas também por que eles queriam espalhar as noticias sensacionais.
Lissa continou falando pouco enquanto ela e nossos
amigos saiam. Passando pelos curiosos ela era o modelo de realeza e calma, como
se ela já tivesse sido declarada rainha. Mas quando ela finalmente escapou de
tudo aquilo e estava de volta no quanto dela com os outros, um olhando para o
outro, sentimentos congelados explodiram.
Junto com Adrian, Christian e Eddie, o resto dos
conspiradores se mostrou: Tasha, Abe e minha mãe. Todos eles estavam tão aturdidos
por essa reação vindo da doce Lissa que nenhum deles poderia responder agora.
Lissa tomou vantagem do silêncio deles.
— Você armou para mim! Você me colocou no meio de um
pesadelo político! Você acha que eu quero isso? Você realmente acha que eu
quero ser rainha? —
Abe se recuperou primeiro, naturalmente.
— Você não será rainha — ele disse, com a voz
estranhamente calma. — As pessoas discutindo sobre a outra parte da lei estão
certas: ninguém pode realmente votar em você. Você precisa de uma família para
isso. —
— Então qual é o ponto? — ela exclamou. Ela estava
furiosa. Ela tinha todo o direito de estar. Mas aquela indignação, aquela raiva...
isso foi alimentado por alguma coisa pior do que essa situação sozinha.
Espírito estava vindo para reclamar o seu preço e torná-la ainda mais chateada
do que ela estaria.
— O ponto — disse Tasha — é toda aquela loucura que
você viu na sala do Conselho. Para cada argumento, para cada vez que alguém
arrasta um dos livros de direito para fora novamente, temos mais tempo para
salvar Rose e descobrir quem matou Tatiana.
—
— Quem quer que
tenha feito isto, tem que ter algum interesse no trono — explicou Christian.
Ele colocou a mão no ombro de Lissa e ela se afastou. — Ou para eles mesmos ou
para alguém que eles conhecem. Quanto mais nós atrasarmos o plano deles, mais
tempo nós vamos ter para descobrir quem é. —
Lissa passou as mãos pelos seus longos cabelos em
frustração. Tentei puxar o rolo de fúria dela, pegá-lo para mim. Eu consegui um
pouco, o bastante para ela deixar as mãos caírem ao lado do corpo. Mas ela ainda
estava brava.
— Como que eu posso procurar pelo assassino se eu vou
estar lá fazendo todos aqueles testes estúpidos? — ela exigiu.
— Você não vai
estar procurando. — Abe disse. — Nós vamos. —
Os olhos dela se alargaram. — Isso nunca foi parte do
plano! Eu não vou pular nos aros reais enquanto a Rose precisa de mim. Eu quero
ajudá-la! —
Isso foi quase cômico. Quase. Nem Lissa nem eu podemos
— ficar quietas — quando nós pensamos que a outra precisa de nossa ajuda. Nós
queremos estar lá fora, ativamente fazendo o que podemos para consertar a
situação.
— Você está a
ajudando, — disse Christian, sua mão se contraiu, mas ele não tentou a tocar de
novo. — é de um jeito diferente daquele que você esperava, mas no final, vai
acabar ajudando-a. —
O mesmo argumento que todo mundo estava usando comigo.
Também a fez ficar tão nervosa quanto eu fiquei, e eu desesperadamente puxei a
onde de instabilidade de espirito que ficava passando por ela.
Lissa olhou em volta da sala, um olhar acusatório em
seu rosto.
— Quem no mundo pensou nessa ideia? — Mais silencio
incomodo encheu a sala.
— Foi a Rose, —
disse Adrian afinal.
Lissa se virou e o encarou.
— Ela não fez! Ela não faria isso comigo! —
— Ela fez, — ele
disse. — Eu falei com ela num sonho. Foi ideia dela, e... foi uma muito boa. — Eu
realmente não gostei de como isso pareceu ser uma surpresa para ele. — Além
disso, você meio que a colocou numa situação ruim também. Ela continua falando
em quanto a cidade que ela esta é uma droga. —
— Okay, — estalou
Lissa, ignorando a parte sobre minha situação. — Supondo que seja verdade, que
Rose passou essa ideia — brilhante — para você, então porque ninguém se
incomodou em contar para mim? Vocês não acham que um pequeno aviso iria ajudar?
— de novo, isso era exatamente como eu fiquei reclamando sobre o meu resgate
ter sido mantido sobre segredo para mim.
— Não
realmente, — disse Adrian. — Nós imaginamos que você agiria exatamente assim e
que planejaria uma recusa. Nós meio que imaginamos que se você fosse pega
desprevenida, você aceitaria. —
— Isso foi um
pouco arriscado, — ela disse.
— Mas
funcionou, — foi a resposta dura de Tasha. — Nós sabíamos que você iria nos
ajudar. — Ela piscou. — E pelo que importa, eu acho que você daria uma ótima
Rainha. —
Lissa deu um olhar afiado para ela, e eu fiz mais um
esforço para tirar um pouco da escuridão. Eu me concentrei naqueles sentimentos
agitados, imaginando eles em mim em vez dela. Eu não tirei tudo mas administrei
o suficiente para tirar a luta dela. Raiva subitamente cresceu em mim, me
cegando momentaneamente, mas eu fui capaz de socar em um canto da minha mente.
Ela subitamente se sentiu exausta. Eu meio que me senti também.
— O primeiro
teste é amanha, — ela disse calmamente. — Se eu falhar, estou fora. O plano vai
por água abaixo. —
Christian fez uma outra tentativa de colocar os braços
ao redor dela, e desta vez, ela deixou. — Voce não vai. —
Lissa não disse mais nada, e eu pude sentir o alivio
no rosto de todo mundo. Ninguém acreditou nem por um segundo que ela gostou
disso, mas eles pareceram achar que ela não iria retirar sua nomeação, o que
era o máximo que eles podiam esperar.
Minha mãe e Eddie não tinham dito nada esse tempo
todo. Como era comum para os guardiões, eles ficaram em segundo plano, ficando
nas sombras enquanto os negócios dos Moroi eram conduzidos. Com a tempestade
inicial acabada, minha mãe tomou a dianteira. Ela acenou para Eddie. — Um de
nós vai tentar ficar com você o tempo todo. —
— Porque? — perguntou
Lissa, assustada.
— Porque nós
sabemos que há alguém lá fora que não se importa de matar para conseguir o que
quer, — disse Tasha. Ela acenou para minha mãe e Eddie. — Esses dois e Mikhail
são realmente os únicos guardiões que podemos confiar. —
— Você tem
certeza? — Abe deu a ela um olhar astuto. — Estou surpreso que você não colocou
seu guardião — amigo — especial a bordo. —
— Que amigo
especial? — ordenou Christian, instantaneamente pegando a insinuação. Tasha,
para minha surpresa geral, ficou vermelha.
— Só um cara que eu conheço. —
— Que segue
você com cara de cachorro molhado, — continuou Abe. — Qual é o nome dele? Evan?
—
— Ethan, — ela
corrigiu.
Minha mãe, parecendo exasperada com uma conversa tão
ridícula, prontamente deu um fim nisso — o que deu certo desde que Christian
parecia ter coisas a dizer.
— Deixe-a em paz, — ela avisou Abe. — Nós não temos
tempo para isso. Ethan é um cara legal, mas quanto menos pessoas souberem sobre
isso, melhor. Já que Mikhail tem um posto permanente, Eddie e eu faremos a
segurança. —
Eu concordei com tudo que ela tinha acabado de falar,
mas pareceu-me que para ter minha mãe dentro disso, alguém — provavelmente Abe —
a tinha enchido com toda aquela atividade ilícita que estava acontecendo
recentemente. Ou ele era mesmo muito convincente ou ela me ama muito. De má
vontade, eu suspeitava que os dois eram verdade. Quando os Moroi estavam na
Corte, seus guardiões não precisavam acompanhar eles a todo lugar, o que
significava que minha mãe ficaria meio que livre da sua tarefa com o Lord
Szelsky enquanto ele ficasse aqui. Eddie ainda não tinha uma designação, o que
também lhe dava flexibilidade.
Lissa começou a dizer algo quando uma sacudida na
minha própria realidade me jogou para fora da dela.
— Desculpe, — disse
Sydney. O aperto nos freios foi o que me trouxe de volta. — Aquela idiota me
botou para fora. —
Não era culpa da Sydney, mas eu me sentia irritada
sobre a interrupção e queria gritar com ela. Com um suspiro profundo, eu me
lembrei que isso era simplesmente efeito das reações do espírito e que eu não
podia permitir que isso me fizesse agir irracionalmente. Ela iria desaparecer,
como sempre, mas alguma parte de mim sabia que não poderia continuar a tomar as
trevas de Lissa sempre. Eu não poderia sempre ser capaz de controlá-lo.
Agora que eu estava de volta para mim mesma, eu olhei
pela janela, percebendo nossos novos arredores. Nos estávamos numa área urbana,
e enquanto o tráfego era dificilmente grande (vendo que ainda era o meio da
noite para os humanos), havia definitivamente mais carros na estrada do que
tínhamos visto em algum tempo.
— Onde nós
estamos? — eu perguntei.
— Na periferia
de Lexington, — Sydney disse. Ela parou num posto de gasolina próximo, para
encher o tanque e para que pudéssemos colocar o endereço de Donovan no GPS. A
casa dele era mais ou menos umas cinco milhas de distância.
— Não é uma
parte muito boa da cidade, pelo que eu ouvi, — Dimitri disse. — Donovan tem um
estúdio de tatuagem que só abre de noite. Alguns outros Strigois trabalham com
ele. Eles pegam garotos bêbados e que festejam... o tipo de pessoas que pode
facilmente desaparecer. O tipo que os Strigoi amam. —
— parece que a
policia vai eventualmente notar que toda vez que alguém vai fazer uma tatuagem,
desaparece. — Eu apontei.
Dimitri deu uma risada forçada. — Bem, a coisa — engraçada
— é que eles não matam todo mundo que vai la. Eles na verdade até tatuam alguns
deles e os deixam ir. Eles contrabandeiam drogas la também.
Eu considerei ele curiosamente, assim que a Sydney se
enfiou de volta no carro. — Você certamente sabe bastante. —
— Eu fiz disso
meu trabalho, saber muito, e os Strigoi tem que manter um teto sobre suas
cabeças também. Eu na verdade me encontrei com Donovan uma vez, e peguei a
maior parte disso direto da fonte. Eu apenas não sabia onde exatamente ele
trabalhava até agora. —
— Okay, então,
nós temos informação sobre ele. O que fazemos com isso? —
— Atraímos ele
para fora. Mandamos um — cliente — com uma mensagem minha precisando encontrar
com ele. Eu não sou exatamente o tipo de pessoa que possa ser ignorada — bom,
que ele não poderia — deixa pra lá. Um vez ele fora, nós levamos ele para um
lugar que nós escolhermos. —
Eu assenti. — Eu posso fazer isso. —
— Não, — disse
Dimitri. — Você não pode. —
— Por que não?
— Eu perguntei, imaginando se ele achava que era perigoso demais para mim.
— Porque eles
vão saber que tu és uma damphir no preciso momento que te virem. Eles
provavelmente vão sentir primeiro teu cheiro. Nenhum Strigoi teve um damphir a
trabalhar para eles — só humanos. —
Houve um silêncio desconfortável no carro.
— Não! — Disse
Sidney. — Eu não vou fazer isso! —
Dimitri balançou a cabeça. — Eu também não gosto
disso, mas nós não temos muitas opções. Se ele pensar que você trabalha para
mim, ele não vai te machucar. —
— Sim? E o que
acontece se ele não acreditar em mim? — Ela exigiu.
— Eu não acho
que ele vá fazer isso. Ele provavelmente irá com você para procurar as coisas,
com a ideia de que se você está mentindo, então depois disso eles vão te matar.
—
Isso não parecia fazer com que ela se sentisse melhor.
Ela gemeu.
— Você não pode
mandá-la ir, — eu disse. — Saberão que ela é um alquimista. Um deles nunca
trabalhou com qualquer Strigoi. —
Surpreendentemente, Dimitri não havia considerado
isso. O silencio cresceu novamente sobre nós, e foi Sydney que inesperadamente
surgiu com uma solução.
— Quando eu
estava dentro do posto de gasolina, — ela disse lentamente, — eles tinham,
assim, um kit de maquilhagem. Nós provavelmente poderíamos cobrir a maior parte
da minha tatuagem com pó. —
E nós fizemos. O único frasco de base que estava á
venda não era exactamente da cor do seu tom de pele, mas nós solidificamos o
suficiente para obscurecer o lírio dourado em seu rosto. Escovar os cabelos
para frente ajudou um pouco. Satisfeitos nós tínhamos feito tudo o que
podíamos, nós partimos para Donovan.
É verdade que estava em uma parte degradada da cidade.
A poucas quadras da loja de tatuagens, que eu vi o que parecia ser uma
discoteca, mas caso contrário, o bairro parecia deserto. Eu não estava
enganada, porém. Este não era o lugar que eu quereria andar sozinha à noite.
Ali gritava — assalto. — Ou pior.
Nós verificamos a área até Dimitri encontrar o local,
ele sentia-se bem consigo. Era um beco, dois prédios de distância do salão. A cerca
com fios retorcidos ficava de um lado, enquanto um prédio de tijolos de baixa
ladeado do outro. Dimitri instruiu Sydney sobre como conduzir o Strigoi para
nós. Ela tomou tudo, balançando a cabeça junto, mas eu podia ver o medo nos
olhos dela.
— Você tem que
olhar admirada, — disse ele. — Seres humanos que servem culto aos Strigoi — estão
ansiosos por agradar. Desde que eles não andem tanto em torno dos Strigoi, eles
não são tão assustadores ou terríveis. Colocar um pouco de medo, claro, mas não
tanto como você olha agora. —
Ela engoliu em seco. — Eu realmente não posso ajudar
nisto. —
Eu me senti mal por ela. Ela acreditava firmemente que
todos os vampiros eram maus, e nós estávamos mandando-a para um ninho da pior
espécie, colocando-a em grande risco. Eu também sabia que ela só vi tinha visto
um Strigoi vivo, e apesar das advertências de Dimitri, ver mais deles ela iria
se chocar completamente. Se ela congelasse na frente de Donovan, tudo podia
desmoronar. Num impulso, dei-lhe um abraço. Para minha surpresa, ela não
resistiu.
— Você pode
fazer isso, — eu disse. — Você é forte e eles estão com muito medo de Dimitri.
Ok? —
Após algumas respirações profundas, Sydney assentiu.
Nós demos-lhe mais algumas palavras encorajadoras, e então ela virou a esquina
do edifício, em direcção á rua, e desapareceu de nossa vista. Olhei para
Dimitri.
— Podemos tê-la
apenas mandado para a sua morte. —
Seu rosto estava sombrio.
— Eu sei, mas
não podemos fazer nada agora. É melhor se colocar na posição. —
Com sua ajuda, eu consegui subir para o telhado do
edifício baixo. Não havia nada de íntimo na maneira como ele içou-me, mas eu não
poderia evitar, ter o mesmo sentimento eléctrico a qualquer contacto dele
causava uma facilidade marcante com que nós trabalhávamos juntos. Uma vez que
eu estava posicionada de forma segura, Dimitri seguiu para o lado oposto do
edifício que Sydney tinha dado a volta. Ele espreitou ao virar da esquina, e
então não havia nada a fazer senão esperar.
Foi angustiante, e não apenas porque estávamos à beira
de uma luta. Fiquei pensando sobre Sydney, o que lhe pedimos para fazer. Meu
trabalho era proteger os inocentes do mal não os lançar para o meio dela. E se
o nosso plano falhou? Vários minutos se passaram, e eu finalmente ouvi passos e
vozes murmurou ao mesmo tempo, uma onda de náusea familiar passou por mim. Nós
puxaríamos o Strigoi para fora.
Três deles caminhavam em torno do canto do edifício,
Sydney na liderança. Eles chegaram a um impasse, e vi Donovan. Ele era o mais
alto, um ex-Moroi com cabelos escuros e uma barba que me lembrou a de Abe.
Dimitri tinha me dado a sua descrição para que (espero) eu o matasse. O capanga
de Donovan pairava por trás dele, todos eles de alerta e em guarda. Eu
estaquei, minha estaca firmemente agarrada na minha mão direita.
— Belikov? — Exigiu
Donovan com voz rouca. — Onde você está? —
— Eu estou
aqui, — veio a resposta de Dimitri — em uma voz fria e terrível de Strigoi. Ele
apareceu no canto oposto do arredor do edifício, mantendo-se nas sombras.
Donovan relaxou um pouco, reconhecendo Dimitri, mas
mesmo na escuridão, a verdadeira aparência de Dimitri se materializou. Donovan
ficou rígido — de repente vê a ameaça, mesmo que fosse uma que o confundia e o
desafiava do que sabia. No mesmo momento, uma das cabeças de seus caras girou.
— Dhampirs! — Exclamou.
Não foi as características de Dimitri que o avisou. Foi o nosso cheiro, e eu
respirei uma oração silenciosa de agradecimento que havia levado tanto tempo
para perceber.
Então, eu pulei fora do telhado. Não era uma distância
fácil de saltar, mas não iria me matar. Além disso, a minha queda foi amparada
por um Strigoi.
Caí em cima de um dos caras de Donovan, batendo-o no
chão. Eu apontei minha estaca em seu coração, mas seus reflexos foram rápidos.
Com o meu peso leve, eu era fácil de empurrar. Eu tinha esperado aquilo e
consegui manter o equilíbrio. Pelo canto do meu olho, eu vi Sydney correndo por
ali fora, por nossas instruções. Nós queríamos ela longe do fogo cruzado e lhe
disse para ir para o carro, preparando-se para partir, se as coisas corressem
mal.
Claro que, com Strigoi, as coisas eram sempre ruins.
Donovan e seu outro cara tinha ido para Dimitri, avaliando-o como maior ameaça.
Meu adversário, a julgar pelo seu sorriso com presas, não parecia considerar-me
como uma ameaça de todo. Lançou-se para mim, e me esquivei distanciando, mas
não antes de serpentear e lhe dar um chute no joelho. Meu pontapé não pareceu
prejudicá-lo, mas danificou o seu equilíbrio. Fiz outra grande aposta e foi
jogado fora novamente, batendo no chão duro. Minhas pernas descobertas roçaram
n o cimento bruto, rasgando a pele. Porque o meu jeans estava muito sujo e
rasgado, eu fui forçada a usar um par de shorts da mochila que Sydney tinha
trazido para mim. Eu ignorei a dor, atirando para trás com a velocidade que o
Strigoi não esperava. Minha estaca encontrou seu coração. O processo não foi
tão duro quanto eu teria gostado, mas foi o suficiente para coloca-lo fora, em
seguida, conduzi a estaca na maior e acabei com ele. Nem mesmo fiquei á espera
de vê-lo cair, eu retirei a minha estaca e me virei para os outros.
Eu não tinha hesitado nem uma vez nas batalhas que
travei, mas agora, eu paralisei pelo que estava vendo. O rosto de Dimitri. Era...
aterrorizante. Feroz. Ele tinha um olhar parecido quando tinha me defendido na
minha prisão — aquela expressão de Deus Guerreiro Foda que dizia que ele podia
fazer tudo sozinho. O jeito que ele parecia agora... bem, levou aquela
ferocidade para um outro nível. Isso era pessoal, eu percebi. Lutar contra esses
Strigoi não era somente sobre encontrar a Sonya e ajudar a Lissa. Era sobre
redenção, uma tentativa de apagar seu passado destruindo o mal diretamente em
seu caminho.
Eu me movi para me juntar a ele, assim que ele cravou
sua estaca no segundo cara. Havia poder naquele golpe, muito mais poder do que
Dimitri precisaria para jogar o Strigoi contra a parede e acertar o coração
dele. Isso era impossível, mas eu podia imaginar a estaca passando pelo corpo e
indo direto para a parede. Dimitri colocou mais atenção e esforço naquela luta
do que deveria. Ele deveria ter agido como eu e imediatamente ter se virado
para outra ameaça, uma vez que o Strigoi estivesse morto. Em vez disso, Dimitri
estava tão focado em sua vitima que ele nem notou Donovan tomando vantagem da
situação.
Felizmente para Dimitri, eu estava lá para ajuda-lo.
Eu joguei meu corpo em Donovan, tirando ele de perto
de Dimitri. Assi quem fiz isso, eu vi Dimitri tirar sua estaca e então jogar o
corpo do Strigoi contra a parede de novo. Enquanto isso, eu consegui a atenção
de Donovan e agora estava tendo dificuldades em o lubridiar sem o matar.
— Dimitri — eu
gritei. — Venha me ajudar. Preciso de você! —
Eu não podia ver o que Dimitri estava fazendo, mas
alguns segundos depois ele estava do meu lado. Com o que parecia ser um rugido,
ele correu para Donovan, com a estaca, e jogou o Strigoi no chão. Eu dei um
suspiro de alívio e me movi para ajuda-lo com a retenção. Então, eu vi Dimitri
alinhar sua estaca com o coração de Donovan.
— Não — eu me
joguei no chão, tentando tanto segurar Donovan quanto botar o braço de Dimitri
para longe. — Nós precisamos dele! Não o mate! —
Pelo olhar no rosto de Dimitri, não estava claro se
ele mesmo tinha me ouvido. Havia morte em seus olhos. Ele queria matar Donovan.
O desejo tinha subitamente tomado prioridade.
Ainda tentando segurar Donovan com um braço, eu dei um
soco na cara de Dimitri com minha outra — indo para o outro lado daquele que eu
tinha acertado na outra noite. Eu não acho que ele sentiu a dor no ápice da adrenalina,
mas o soco chamou sua atenção. — Não o mate! — eu repeti.
O comando chegou ao Dimitri. Nossa briga infelizmente,
deu a Donovan uma margem de manobra. Ele começou a se soltar de nós, mas então,
como um só, Dimitri e eu nos juntamos para segurar ele.
Isso me lembrou o tempo em que eu interrogava os Strigoi
na Rússia. Foi preciso todo um grupo de Damphirs para imobilizar uma Strigoi.
Mas Dimitri parecia ter uma força não-natural.
— Quando nós
estávamos interrogando, nós costumávamos… —
Minhas palavras foram interrompidas quando Dimitri
resolveu usar seu próprio método de interrogação. Ele pegou Donovan pelos
cotovelos e o sacudiu forte, fazendo o Strigoi bater a cabeça no cimento varias
vezes.
— Onde esta
Sonya Karp? — berrou Dimitri.
— Eu não… — começou
Donovan. Mas Dimitri não tinha paciência para as evasivas do Strigoi.
— Onde esta
ela? Eu sei que você a conhece! —
— Eu… —
Eu vi algo no rosto de Donovan que eu nunca tinha
visto num Strigoi antes: medo. Eu achei que fosse uma emoção que eles simplesmente
não possuíam. Ou, se possuíssem, fosse apenas em lutas um contra o outro.
Eles não iriam perder tempo com medo de miseráveis
damphirs.
Mas oh! Donovan estava com medo de Dimitri.
E para ser honesta, eu também.
Aqueles olhos vermelhos estavam arregalados — arregalados,
desesperados e aterrorizados.
Quando Donovan disse suas palavras, algo me disse que
eram verdadeiras. Ele estava muito chocado e despreparado para tudo isso.
— Paris, — ele
cuspiu. — Ela esta em Paris! —
— Cristo — eu
exclamei. — Nós não podemos viajar para Paris —
Donovan balançou sua cabeça — o tanto que conseguia
com Dimitri ainda sacudindo ele. —
— É uma pequena
cidade — a uma hora daqui. Tem um pequeno lago. Dificilmente alguém vai lá. Casa
azul. — direções muito vagas. Precisávamos de mais. —
— Você tem um fim.
—
Dimitri aparentemente não dividia minha necessidade
por mais informações. Antes que eu pudesse terminar de falar, sua estaca estava
fora — no coração de Donovan. O Strigoi deu um horrível grito, cheio de sangue
que diminuía enquanto a morte o levava. Estremeci. Quanto tempo até alguém que
ouviu tudo isso e chamar a policia? Dimitri arrancou sua estaca — então a
enfiou de novo. E de novo. Eu encarava com descrença e horror, paralisada por
alguns segundos. Então, eu agarrei o braço de Dimitri e comecei a chacoalha-lo,
apesar de eu achar que faria mais efeito chocalhando o prédio atrás de mim.
— Ele está
morto, Dimitri! Ele está morto! Pare com isso. Por favor. —
O rosto de Dimitri ainda estava com uma terrível expressão
— raiva, agora marcado com um pouco de desespero. Desespero que dizia para ele
que se ele pudesse aniquilar Donovan, talvez ele pudesse aniquilar tudo de ruim
na vida dele.
Eu não sabia o que fazer. Precisávamos dar o fora
daqui. Precisávamos que a Sydney desintegrasse os corpos. O tempo estava
passando, e continuava repetindo para mim mesma.
— Ele esta
morto! Solte isso. Por favor. Ele esta morto. —
Então, em algum lugar, de alguma forma, eu cheguei até
Dimitri. Seus movimentos diminuíram e finalmente pararam. A mão que segurava a
estaca caia lentamente de lado enquanto ele olhava para o que sobrava de
Donovan — o que não era bonito. A raiva no rosto do Dimitri deu lugar
completamente para a desesperança... então deu lugar ao desespero.
Eu puxei gentilmente seu braço. — Acabou. Você fez o
bastante. —
— Nunca é o
bastante, Roza. — Ele sussurrou. A dor em sua voz me matava. — Nunca vai ser o
bastante. —
— É por agora —
eu disse. Eu e o puxei para mim. Sem resistir, ele largou sua estaca e escondeu
seu rosto no meu ombro. Eu larguei minha estaca também e abracei ele, puxando
ele para mais perto. Ele envolveu seus braços ao meu redor em retorno,
procurando o contato com outro ser vivo, o contato que eu há muito tempo sabia
que ele precisava.
— Você é a
única. — Ele agarrou-se mais firmemente em mim. — A única que entende. A única
que viu como eu era. Eu nunca poderia explicar para ninguém... você é a única.
A única que eu posso dizer isso... —
Fechei os olhos por um instante, dominada por aquilo
que ele estava dizendo. Ele poderia ter jurado lealdade a Lissa, mas não
significava que ele revelasse tudo que estava e seu coração para ela. Por muito
tempo, ele e eu estávamos em perfeita sincronia, sempre entendendo um ao outro.
Esse era o caso, não importava se nós estivámos juntos, não importava se eu
estava com Adrian. Dimitri sempre mantivera o coração e os sentimentos
guardados até me encontrar. Eu pensei que ele tinha o bloqueado de volta, mas,
aparentemente, ele ainda confiava em mim o suficiente para revelar o que o estava
matando por dentro.
Abri os olhos e encontrei em sua escuridão, um olhar
sério.
— Tudo bem, — eu
disse. — Tudo bem agora. Eu estou aqui. Eu sempre estarei aqui para você. —
— Eu sonho com
eles, você sabe. Todos os inocentes que eu matei. — Seus olhos se voltaram para
o corpo de Donovan. — Eu fico pensando... talvez se eu destruir Strigoi o
suficiente, os pesadelos vão embora. Só assim estarei certo de que não sou com
eles. —
Toquei seu queixo, virando seu rosto para perto do meu
e longe de Donovan.
— Não. Você tem
que destruir Strigoi porque eles são monstros. Porque isso é o que fazemos. Se
quiser que o pesadelo vá embora, você tem que viver. Esse é o único caminho.
Nós poderíamos ter morrido há pouco. Mas não morremos. Talvez morreremos
amanhã. Eu não sei. O que importa é que estamos vivos agora. —
Eu estava divagando neste momento. Eu nunca tinha
visto Dimitri tão cabisbaixo, não desde a sua volta. Ele alegou que virar
Strigoi tivesse matado todas suas emoções. E não o fez. Elas estavam lá, eu
percebi. Tudo o que ele tinha sido ainda estava dentro dele, só saindo em
momento de raiva e desespero como esse. Ou quando ele tinha me defendido dos
guardiões que iriam me prender. O velho Dimitri não estava desaparecido. Ele só
foi trancado, e eu não sei como deixá-lo sair. Isto não foi o que eu fiz. Ele
sempre foi o que tinha palavras de sabedoria e discernimento. Não eu. Ainda
assim, ele estava ouvindo agora. Eu tinha a sua atenção. O que eu poderia
dizer? Como eu poderia chegar até ele?
— Lembra-se do
que você disse antes? — perguntei. De volta a Rubysville? Viver é um detalhe.
Você tem que começar a apreciar os detalhes. Esta é a única maneira de derrotar
o que ser Strigoi fez com você. A única maneira de trazer de volta quem você
realmente é. Você mesmo disse: você fugiu comigo para poder de sentir o mundo
novamente. Sua beleza. —
Dimitri começou a voltar-se para Donovan novamente,
mas eu não ia deixa-lo.
— Não há nada
de bonito aqui. Apenas a morte. —
— Isso só é
verdade se você deixá-los se tornar realidade, — eu disse desesperadamente,
ainda sentindo a pressão do tempo. — Procure alguma coisa. Uma coisa que seja
bonita. Qualquer coisa. Tudo o que mostra que você não é um deles. —
Seus olhos estavam de volta em mim, estudando meu
rosto em silêncio. Pânico correu através de mim. Ele não estava trabalhando. Eu
não poderia fazer isso. Nós tínhamos que sair daqui, independentemente do
estado em que ele estava. Eu sabia que ele tinha que deixar, também. Se aprendi
alguma coisa, foi que os instintos de guerreiro do Dimitri ainda funcionavam.
Se eu dissesse que o perigo estava chegando, ele iria responder
instantaneamente, não importava o quão atormentado ele sentia. Eu não queria,
no entanto. Eu não queria que ele saísse em desespero. Eu queria que ele
deixasse aqui um passo mais para perto de ser o homem que eu sabia que ele
poderia ser. Eu queria que ele tivesse menos um pesadelo. Era além da minha
capacidade, no entanto. Eu não era terapeuta. Eu estava prestes a dizer-lhe que
tínhamos de sair por aí, prestes a fazer os seus reflexos de soldado
ascenderem, quando de repente ele falou. Sua voz era quase um sussurro.
— Seu cabelo. —
— O quê? — Por
um segundo, eu me perguntei se ele estava pegando fogo ou algo assim. Toquei
uma mecha. Não, nada de errado, exceto que ele estava uma bagunça. Eu o tinha
usado num coque na batalha para impedir o Strigoi o usasse como uma forma de
arma, assim como Angeline tinha feito. Muito do qual havia sido desfeito na
luta, no entanto.
— Seu cabelo, —
repetiu Dimitri. Seus olhos estavam arregalados, quase aterrorizado. — Seu
cabelo é lindo. —
Eu não pensava assim, e não em seu estado atual.
Naturalmente, considerando que estávamos em um beco escuro cheio de corpos, as
escolhas eram muito limitadas.
— Você vê? Você
não é um deles. Strigoi não vê a beleza. Não apenas a morte. Encontrou algo
bonito. Uma coisa que é bonita. —
Hesitante, nervoso, ele correu os dedos ao longo das
mechas que eu havia tocado anteriormente. — Mas isso é suficiente? —
— É sim, por agora
— Pressionei um beijo na testa e o ajudei a levantar. — É por agora. —
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