VOCÊ É TERRÍVELMENTE FELIZ.
Eu pisquei e encontrei o olhar de Sonya em mim. O CR-V
e o alongamento suave da I-75 zumbiam em torno de nós, o exterior revelava
pouco, exceto as árvores e planícies do centro-oeste. Sonya não parecia tão
assustada e louca como ela tinha sida na volta a escola e em sua casa.
Principalmente, ela ainda parecia dispersa e confusa, o que já era de se
esperar. Hesitei antes de responder, mas finalmente decidi que não havia mais
motivos para esperar.
— Lissa passou
em seu segundo teste para monarca —
— É claro que
ela passou — disse Victor. Ele estava olhando para a janela para longe de mim.
O tom de sua voz sugeriu que eu apenas o fiz perder seu tempo por dizer algo
que já era certo.
— Ela está bem?
— perguntou Dimitri — Ferida? —
Um dia isso teria causado ciúmes em mim. Agora era
apenas um sinal da preocupação por Lissa que dividíamos.
— Ela esta bem
— eu disse, imaginando se isso era inteiramente verdade. Mas depois do que ela
viu .. bem, aquilo teve que deixar cicatrizes de um tipo diferente. A porta dos
fundos havia sido uma surpresa também. Quando ela viu uma pequena multidão pela
primeira porta, achava que isso significava que apenas algumas pessoas foram
até tarde para ver os candidatos. Não. Todos que estavam esperavam o retorno
para ver os vencedores. Fiel a sua promessa, Lissa não ia deixar de cumpri-la.
Ela saiu de cabeça erguida sorrindo para os curiosos e fãs como se ela já
tivesse ganho a coroa.
Eu estava ficando com sono, mas o triunfo de Lissa me
fez ficar sorrindo por muito tempo. Havia algo cansativo sobre um trecho
interminável e desconhecido da rodovia. Victor tinha fechado os olhos e estava
encostado no vidro. Sydney, quando virei para verifica-la ou ela tinha decidido
tirar uma soneca ou estava apenas deitada. Eu bocejei, imaginando se seria um
risco dormir. Dimitri tinha me incentivado quando saímos da casa de Sonya,
sabendo que eu poderia utilizar mais do que o par de horas que Sydney havia me
dado.
Eu derrubei minha cabeça no encosto e fechei os olhos
caindo no sono instantaneamente. A escuridão do sono foi dando lugar a sensação
de um sonho de espírito e meu coração pulou de pânico e alegria. Depois de
viver no meio dos testes de Lissa, sonhos de espírito de repente se transformaram
em uma ideia sinistra. Ao mesmo tempo, essa poderia a chance de ver Adrian. E…
era.
Só que aparecemos em um lugar totalmente inesperado: o
jardim de Sonya. Olhei com espanto para o céu azul claro e as flores
brilhantes, vendo Adrian no processo. Ele vestia um suéter de caxemira verde-escuro
fazendo ele se misturar na paisagem. Para mim, ele estava muito mais bonito que
as outras maravilhas do jardim.
— Adrian —
Corri até ele, e ele me levantou facilmente, me
girando ao redor. Quando me colocou de volta ao chão ele estudou o jardim e
acenou com a cabeça em aprovação. — Eu deveria deixar você escolher o local
mais frequentemente. Você tem bom gosto. Naturalmente desde que você começou a
namorar comigo nós já sabíamos disso. —
— O que você
quer dizer com escolher o lugar? — eu perguntei cruzando minhas mãos atrás de
seu pescoço.
Ele deu de ombros. — Quando eu cheguei e senti que
você estava dormindo, eu convoquei o sonho mas não senti como pensar em um
lugar. Então deixei a escolha para o seu subconsciente. — Irritado ele arrancou
a caxemira. — Eu não estou vestido para a ocasião, no entanto. — O suéter foi
substituído por uma camiseta cinza clara com um desenho abstrato na frente.
— Melhor? —
— Muito —
Ele sorriu e beijou o topo da minha testa. — Eu senti
sua falta, pequena dhampir. Você pode espionar Lissa e nós o tempo todo e o
máximo que recebo são esses sonhos, e honestamente, eu não consigo descobrir
quando você está no cronograma. —
Percebi que com a minha espionagem sabia mais do que
estava acontecendo na Corte do que ele.
— Lissa teve
seu segundo teste — disse a ele. Yup, sua expressão confirmava isso. Ele não
tinha nenhum conhecimento sobre o teste, provavelmente porque ele havia
dormido.
— Quando? —
— Logo agora.
Foi um pouco difícil mas ela passou —
— Muito ao
prazer dela, sem dúvida. Então … isso nos ganha tempo para limpar seu nome e te
trazer de volta para casa. Eu não teria certeza se queria voltar para casa se
fosse você, no entanto. — Ele olhou em volta do jardim novamente. West Virgina
é muito melhor do que eu pensava.
Eu ri. — Aqui não é West Virginia, que não é tão ruim
por sinal. É de Sonya Karp- — Eu congelei, incapaz de acreditar no que eu quase
disse. Eu estava tão feliz em vê-lo, tão a vontade … eu ia estragar tudo. O rosto
de Adrian ficou muito, muito sério.
— Você disse
Sonya Karp? —
Várias opções foram jogadas para fora da minha cabeça.
Mentir era a mais fácil. Eu poderia dizer que era um lugar que fui há muito
tempo atrás, como se talvez ela tivesse nos levado para uma viagem de campo até
sua casa. Isso era bem fraco, mas. Além disso eu estava adivinhando que o olhar
em minha cara gritava culpada. Eu fui pega. Uma bela mentira não enganaria
Adrian.
— Sim — eu
disse finalmente.
— Rose. Sonya
Karp é um Strigoi —
— Não mais. —
Adrian suspirou. — Eu sabia que você ficar fora de
problemas era bom para ser verdade. O que aconteceu? —
— Huuu, Robert
Doru restaurou ela. —
— Robert. — os
lábios de Adrian se enrolaram com desdém. Os dois usuários de espírito não
haviam começado bem. — E só porque sinto que estamos marchando em pleno
território de loucos — o que significa muito, vindo de mim — Eu vou supor que
Victor Dashkov também está com você —
Eu balancei a cabeça, desejando que desesperadamente
que alguém me acorde e me afaste do interrogatório de Adrian. Droga como eu
poderia ter dado um escorregão desses?
Adrian me soltou e andou em pequenos círculos.
— Ok, então.
Você, Belikov, a Alquimista, Sonya Karp, Victor Dashkov e Robert Doru estão
saindo juntos em West Virginia.
— Não. — eu
disse.
— Não? —
— Nós não … hum
… estamos em West Virginia.
— Rose — Adrian
interrompeu seu ritmo e voltou até mim. — Onde diabos você está então? Seu
velho, Lissa, todos pensam que você está são e salva. —
— Eu estou — eu
disse arrogantemente — Só que não em West Virginia.
— Onde então? —
— Eu não posso
te dizer — Eu odiava dizer essas palavras para ele e ver o modo como elas
saiam.
— Parte por
segurança. Parte por eu... humm… não saber de verdade. —
Ele pegou minhas mãos. — Você não pode fazer isso.
Você não pode fugir por um louco capricho desta vez. Você não entendeu? Eles
vão te matar se te encontrarem. —
— Isso não é um
capricho louco. Estamos fazendo algo importante. Isso vai ajudar a todos nós. —
— Algo que você
não pode me dizer. — ele adivinhou.
— É melhor que
você não participe — eu disse apertando as mãos firmemente. — Melhor se você
não souber de todos os detalhes. —
— E nesse meio
tempo, eu posso descansar fácil sabendo que você tem um time de elite atrás de
você. —
— Adrian, por
favor! Por favor apenas confie em mim. Confie, pois, eu tenho uma boa razão. — eu
implorei.
Ele soltou as minhas mãos. — Eu acredito em você, acho
que você tem uma boa razão. Eu simplesmente não consigo imaginar um motivo que
justificasse você estar arriscando a sua própria vida. —
— É isso que eu
faço. — eu disse surpresa com a seriedade como isso soou. — Algumas coisas
valem a pena. —
Pedaços de estática cintilaram na minha visão, como um
sinal de TV que está ruim. O mundo começou a desvanecer. — O que está
acontecendo? — eu perguntei.
Ele fez uma careta. — Alguém ou algo está me
acordando. Provavelmente minha mãe me checando pela centésima vez. —
Eu estendi minha mão mas ele foi desaparecendo. — Adrian!
Por favor não diga a ninguém! Ninguém. —
Eu não sei se ele ouviu meus argumentos ou não, porque
o sonho desapareceu completamente. Eu acordei no carro. Minha reação imediata
foi jurar, mas eu não queria contar a coisa idiota que eu fiz. Olhando por cima
eu quase pulei do banco quando vi Sonya me observando atentamente.
— Você estava
tendo um sonho de espírito — ela disse.
— Como você
sabe? —
— Sua aura. —
Eu fiz uma careta. — Auras costumavam ser legal, mas
agora elas estão só começando a ficar chatas. —
Ela riu baixinho, a primeira vez que a ouvi isso desde
que ela foi restaurada. — Eles estão muito informativos se você souber como
lê-los. Você estava com Vasilisa? —
— Não. Meu
namorado. Ele é um usuário espírito também. —
Seus olhos se arregalaram de surpresa. — Aquele com
quem você estava? —
— Yeah. Por
quê? O que está errado? —
Ela franziu a testa, perplexa. Alguns momentos depois,
ela olhou para cima em direcção ao banco da frente, onde Dimitri e Robert se sentavam,
e depois estudou-me de uma forma investigadora que enviou calafrios pela minha
espinha.
— Nada, — disse
ela. — Nada de errado. —
Eu tive que zombar disso. — Vamos, com certeza parece…
—
— Ali! — Sonya
virou bruscamente de mim, se inclinou para frente, e apontou. — Tome essa
saída. —
Estávamos quase a passar essa saída, e Dimitri teve que fazer algum tipo de manobra
extravagante — tipo como a nossa fuga na Pensilvânia — para o fazer. O carro
sacudiu e balançou, e ouvi por detrás de mim um ganido de Sydney.
— Um pequeno
aviso da próxima vez seria útil, — Dimitri observou.
Sonya não estava escutando. O olhar dela estava
totalmente fixado na estrada que nós tínhamos entrado. Chegamos a uma luz
vermelha, onde avistei um sinal animador: BEM VINDOS A ANN ARBOR, MICHIGAN. A
centelha de vida que eu tinha visto momentos atrás tinha ido embora. Sonya
tinha retornado o seu tenso, quase robótico ser. Apesar da negociação
inteligente de Sidney, Sonya ainda parecia desconfortável com esta viagem. Ela
ainda se sentia culpada e traidora.
— Estamos aqui?
— Perguntei ansiosamente. — E quanto tempo estamos na estrada? — eu tinha
dificilmente notado o caminho. Eu tinha ficado acordada a primeira parte dele,
mas o resto tinha sido um borrão de Lissa e Adrian.
— Seis horas, —
disse Dimitri.
— Vá para a
esquerda nessa segunda luz, — disse Sonya. — Agora, vire na esquina. —
Tensão crescia no carro. Todo mundo foi acordado
agora, e meu coração disparou quando nós fomos levados mais e mais em
subúrbios. Qual casa? Estávamos perto? Era uma destas? Era um movimento rápido,
mas parecia se estender para sempre. Nós todos soltamos um suspiro colectivo
quando Sonya de repente apontou.
— Ali. —
Dimitri moveu-se para a entrada da garagem, de uma
linda casa de tijolo com uma relva bonita e perfeitamente aparada.
— Você sabe se
seus parentes ainda vivem aqui? — Perguntei a Sonya.
Ela não disse nada, e eu percebi que estávamos de
volta a prometer território. Modo de bloqueio.
Tanto progresso. — Eu acho que há apenas uma maneira
de descobrir isso, — eu disse, desafivelando meu cinto de segurança. — Mesmo
plano? —
Mais cedo, Dimitri e eu tínhamos discutido quem iria e
quem ficaria para trás se Sonya nos levasse ao lugar certo. Deixando para trás
os irmãos foi sem-cerebro. A questão
era quem os protegeria, e decidimos que Dimitri ficaria enquanto Sidney e eu
íamos com Sonya conhecer seus parentes — que era, sem dúvida, uma visita
chocante.
— Mesmo plano,
— acordou Dimitri. — Você vai para a casa. Você parece menos ameaçadora. —
— Hey! —
Ele sorriu. — Eu disse parece. —
Mas seu raciocínio fazia sentido. Mesmo à vontade,
havia algo de poderoso e intimidante sobre Dimitri. Três mulheres irem até a
porta seria menos louco a essas pessoas — especialmente se os parentes de Sonya
tivessem mudado. Inferno, se por tudo que eu sabia, ela nos tinha levado
propositadamente à casa errada.
— Tenha
cuidado, — disse Dimitri quando saímos do carro.
— Você também,
— eu respondi. Isso me deu outro sorriso, um pouco mais quente e mais profundo.
Os sentimentos que despertaram em mim passaram longe,
quando Sonya, Sydney, e eu caminhamos até a calçada. Meu peito apertava-se. Era
isto. Ou não era? Estávamos prestes a chegar à conclusão de nossa jornada? Será
que tínhamos realmente encontrado a última Dragomir, contra todas as
probabilidades? Ou será que eu tinha de jogar desde o início?
Eu não era a única que estava nervosa. Eu podia sentir
Sydney e Sonya crepitar de tensão também. Chegamos ao degrau da frente. Eu
respirei fundo e toquei á campainha.
Alguns segundos depois, um homem atendeu e ele era
Moroi. Um sinal promissor.
Ele olhou para cada um dos nossos rostos, sem dúvida
imaginando o que um Moroi, uma damphir, e um ser humano estavam a fazer em sua
porta. Parecia o começo de uma piada de mau gosto.
— Posso ajudar?
— Perguntou ele.
De repente eu estava perdida. Nosso plano cobria as
grandes coisas: encontrar a amante e a criança de Eric. O que nós dissemos uma
vez que realmente nós chegar lá não era tão claro. Esperei que um dos meus
companheiros falasse agora, mas não havia necessidade. A cabeça do Moroi de
repente chicoteou ao meu lado enquanto ele assimilou.
— Sonya? — Ele
engasgou. — É você? —
Então, ouvi uma voz jovem atrás dele chamar.
— Hey, quem
está aqui? —
Alguém espremeu ao lado dele, alguém de altura e de
alguém magro que eu conhecia. Minha respiração ofegou enquanto eu olhava para
as ondas de luz de cabelo rebelde marrom e olhos verde claros, olhos que devia
ter-me dado uma dica há muito tempo. Eu não podia falar.
— Rose, — exclamou
Jill Mastrano. — O que você está fazendo aqui? —
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