DIMITRI E EU CONGELAMOS com o choque que aquele nome
nos atingiu. Sydney, olhando para nós nos deu um sorriso seco.
— Acho que você
sabe quem é? —
— É claro… — eu
exclamei — Ela foi minha professora. Ela enlouqueceu e se transformou em
Strigoi. —
Sydney assentiu —
— Eu sei —
Meus olhos se arregalaram ainda mais —
— Ela não … Ela
não é quem teve um caso com o pai de Lissa, né? — Oh meu Deus isso seria um dos
acontecimentos mais inesperados nessa montanha russa que foi minha vida. Eu nem
poderia mesmo começar a processar os efeitos disso.
— Não é
provável — disse ela — A conta foi
aberta vários anos antes dela ser acrescentada como beneficiária — Que é
direito dela quando fez dezoito anos — Então, se presumirmos que a conta foi
criada próxima ao nascimento do bebê, ela seria muito jovem. Sonya
provavelmente é um parente. —
Meu espanto anterior foi dando lugar à excitação. Eu
podia ver o mesmo acontecendo com Dimitri.
— Você deve ter
registros sobre a família dela — ele disse. — Ou se não, alguns Moroi
provavelmente tem. Quem é próximo a Sonya? Ela tem uma irmã? —
Sydney sacudiu a cabeça — Não, embora essa seria uma
escolha óbvia. Infelizmente ela tem outros parentes, toneladas deles. Ambos os
pais dela vinham de famílias enormes, então ela tem muitos primos. Mesmo
algumas de suas tias estão na idade certa. —
— Podemos
procurá-los, certo? — Eu perguntei. Um tremor de antecipação corria através de
mim. Eu honestamente não havia esperado toda essa informação. É verdade, era
pouco mas era algo.
Se Sonya Karp está relacionada com a amante de Eric,
tinha que ser algo que pudéssemos seguir.
— Há um monte deles — Sydney encolheu os ombros. Quer
dizer, sim, nós poderíamos. Iria demorar um bom tempo para encontrar a história
de vida de todos e mesmo assim — especialmente se isso estava tão bem
escondido. Nós teríamos dificuldades em descobrir se algum deles é a mulher que
estamos procurando. Ou mesmo se algum deles sabe quem ela é. —
A voz de Dimitri era baixa e pensativa quando ele
falou — Uma pessoa sabe quem Jane Doe é — Sydney e eu olhamos para ele com
expectativa. — Sonya Karp — ele respondeu.
Eu levantei minhas mãos. — Sim, mas não posso falar
com ela. Ela é uma causa perdida. Mikhail Tanner passou mais de um ano a
caça-la e não conseguiu encontra-la. Se ele não conseguiu nós não seremos
capazes. —
Dimitri se afastou de mim e olhou para fora da janela.
Seus olhos castanhos cheios de tristeza, seus pensamentos momentaneamente longe
de nós. Eu não compreendi muito bem o que estava acontecendo, mas esse momento
de paz na biblioteca, onde Dimitri sorriu e compartilhada no sonho de uma vida
normal, tinha desaparecido. E não apenas o momento. Que Dimitri havia desaparecido.
Ele estava de volta a seu modo feroz, carregando o peso do mundo sobre seus
ombros novamente.
Então, ele suspirou e olhou para mim. — Isso é porque
Mikhail não tem as conexões certas. —
— Mikhail era o
namorado dela — eu disse. — Ele tinha mais conexões do que ninguém. —
Dimitri não reconheceu o meu comentário. Em vez disso,
ele ficou pensativo de novo. Eu podia ver turbulência atrás de seus olhos, uma
nova guerra interna. Ao final houve uma decisão.
— Seu telefone
tem sinal aqui fora? — ele perguntou a ela.
Ela assentiu com a cabeça, procurando em sua bolsa e
lhe entregando o telefone. Ele segurou por um instante parecendo que lhe causou
agonia ao toca-lo.
No fim, com outro suspiro, ele levantou e se dirigiu
para a porta. Sydney e eu trocamos olhares de questionamento e então ambas o
seguimos. Ela ficou atrás de mim, tendo de atirar dinheiro sobre a mesa e pegar
seu laptop. Saí fora apenas quando Dimitri terminou de discar um número e
colocar o telefone no ouvido. Sydney se juntou a nós, e um momento depois, a
pessoa do outro lado da linha deve ter respondido.
— Boris? — perguntou
Dimitri.
Isso era tudo que eu entendi porque o resto foi uma
sequência rápida de russo.
Uma sensação estranha se espalhou por cima de mim
enquanto ele falava. Eu estava confusa, perdida por causa da língua... mas
havia mais do que isso.
Eu me senti gelar. Meu pulso correu com medo. Aquela
voz ... eu conhecia aquela voz. Era a voz dele mas ao mesmo tempo não era. Era
a voz dos meus pesadelos, uma voz de frieza e crueldade.
Dimitri estava jogando como Strigoi.
Bem — jogando — era uma palavra gentil. Fingindo é um
modo melhor de descrever. Indiferente do que fosse, ele era perfeitamente
convincente.
Ao meu lado, Sydney franziu a testa, mas eu não acho
que ela estava experimentando o que eu estava. Ela nunca tinha o conhecido como
Strigoi. Ela não tinha essas memórias horríveis. Sua mudança de atitude tinha
de ser óbvio, eu olhei para o rosto dela, eu percebi que ela estava concentrado
em seguir a conversa. Eu tinha esquecido que ela sabia russo.
— O que é que ele está dizendo? — Sussurrei.
Sua cara amarrada se aprofundou, ou da conversa ou eu
a distraindo. — Ele... ele soa como estivesse falando com alguém que não tenha
falado há algum tempo. Dimitri está acusando essa pessoa de faltar quando ele
foi embora. — Ela ficou em silêncio, continuando a sua própria tradução mental.
Em um ponto, a voz de Dimitri levantou-se em raiva, Sidney e eu vacilamos. Eu
virei para ela interrogativamente. — Ele está louco por ter sua autoridade
questionada. Eu não posso dizer, mas agora... Parece que a outra pessoa está
rastejando. —
Eu queria saber todas as palavras, mas é difícil para
ela traduzir para mim e ouvir ao mesmo tempo. A voz de Dimitri voltou a níveis
normais, embora ainda preenchida com a terrível ameaça e entre a enxurrada de
palavras, ouvi Sonya Karp e Montana.
Ele está perguntando sobre a Sra. Kar...-Sonya?
Murmurei. Ela não tinha sido minha professora por um longo tempo. Eu poderia
muito bem chamá-la de Sonya agora.
Sim, disse Sidney, os olhos ainda em Dimitri. — Ele
está pedindo, dizendo a esta pessoa para encontrar alguém e ver se ele pode
encontrar Sonya. Esta pessoa... Fez uma pausa para ouvir novamente. Esta pessoa
que está perguntando sobre .. Parece que ele conhece muita gente na área que
ela foi vista pela última vez. —
Eu sabia que — pessoas — neste contexto significava — Strigoi
— . Dimitri subiu rapidamente no pódium deles, afirmando sua vontade e poder
sobre os outros. A maioria dos Strigois trabalha sozinho, raramente trabalham
em grupos, mas mesmo os solitários reconhecem um Strigoi mais dominante e
ameaçador.
Dimitri estava trabalhando seus contatos, assim como
ele tinha dito anteriormente. Se algum Strigoi tinha ouvido falar sobre sua
transformação e acredita-se que não teria sido capaz de passar a notícia
rapidamente, não com a desorganização deles.
Dimitri tinha que encontrar fontes que conheciam
outras fontes que poderiam saber a localização de Sonya. Dimitri cresceu alto e
com raiva novamente, a voz dele — se possível — mais sinistra. Eu de repente me
senti encurralada, e até Sydney olhou assustada agora. Ela engoliu em seco. — Ele
esta dizendo ao cara que se ele não encontrar informações até amanhã a noite,
Dimitri vai encontra-lo, corta-lo em pedaços e ... — Sydney nem se importou em terminar. Seus
olhos estavam arregalados. — Use sua imaginação. É completamente terrível. — Eu
decidi que era um prazer que eu não houvesse escutado toda a conversa em
Inglês.
Quando Dimitri terminou a ligação devolveu o telefone
para Sydney e a máscara de malícia derreteu de seu rosto. Mais uma vez ele era
meu Dimitri, o Dimitri dhampir.
Desânimo e desespero irradiavam dele, e ele deslizou
na parede da cafeteria olhando para o céu. Eu sabia o que ele estava fazendo.
Estava tentando se acalmar, tomar o controle das emoções que tinha em conflito
dentro dele. Ele apenas tinha feito algo que poderia nos dar pistas que
precisavamos... mas tinha tido um custo
terrível para si mesmo. Meus dedos tremeram. Eu queria colocar um braço
reconfortante envolta dele ou pelo menos em seu ombro para que soubesse que não
estava sozinho. Mas, eu me segurei, suspeitando que ele não fosse gostar disso.
Ao final, ele voltou a olhar para nós. Recuperou seu
controle — ao menos por fora.
— Eu enviei alguém para perguntar sobre ela — disse
ele cansado. — Pode não funcionar. Strigoi são dificilmente o tipo que mantém
um banco de dado. Mas eventualmente mantém os olhos uns nos outros, mesmo que
apenas para auto-preservação. Descobriremos em breve se houve algum sucesso. —
— Eu … wow,
obrigada — eu disse, atrapalhada com as palavras. Sabia que não precisava
agradecer mas senti que era necessário.
Ele balançou a cabeça — Nós devemos voltar aos
Guardiões… ao menos você acha que este é um lugar seguro para ficar? —
— Eu prefiro
ficar longe do radar da civilização — disse Sydney se deslocando ao caminhão — Além
disso quero as chaves do meu carro de volta. —
A viagem de volta senti o caminho dez vezes mais
longo. O humor de Dimitri preencheu a cabine, quase nos sufocando com seu
desespero. Mesmo a Sydney podia sentir isso. Ela deixou ele dirigir novamente,
e eu não conseguia decidir se isso era uma coisa boa ou ruim.
Será que a estrada iria distraí-lo de seu tormento
Strigoi? Ou poderia sua agonia distraí-lo da estrada e nos colocar em uma vala?
Felizmente fizemos um retorno são e salvos,
encontramos dois Guardiões no estacionamento, uma mulher Moroi e um cara
humano. Ambos pareciam ferozes. Eu ainda não conseguia dispersar a estranheza
de ambas as raças prontas para a batalha. Imaginei se esses dois formavam um
casal.
De volta ao acampamento, encontramos a chama da
fogueira e as pessoas sentadas em volta dela, alguns comendo e outros
simplesmente socializando.
Eu tinha aprendido no café da manhã que o fogo estava
sempre lá para aqueles que queriam se unir, mas que muitas famílias se
mantinham com a sua própria família também.
Nós voltamos para a casa dos Raymonds, mas só Sarah e
Joshua estavam lá. Ela estava limpando os pratos, e ele sentou-se sem descanso
em uma cadeira. Tão logo ele me viu na porta, e saltou com um sorriso radiante
novamente.
— Rose! Está de
volta. Estavamos ficando preocupados. Quer dizer, não que alguma coisa tinha
acontecido com você, e não com suas habilidades, mas que talvez você apenas nos
deixou. —
— Não sem o
nosso carro, — disse Sidney, colocando as chaves do caminhão em cima da mesa.
O CR-V já estava ali, e o alívio inundou seu rosto
enquanto ela agarrou as chaves.
Sarah nos ofereceu as sobras, que nós recusamos, pois,
comemos um lanche no posto de gasolina de Rubysvilles.
— Bem — ela disse, — se você não está indo comer, você
pode se juntar aos outros lá fora na fogueira. Jess McHale pode cantar esta
noite, se puderem fazê-la beber o suficiente, bêbada ou sóbria, essa mulher tem
a melhor voz que eu já ouvi. —
Eu reuni brevemente com os olhos Dimitri e Sidney. Eu
admito, fiquei um pouco curiosa para ver como esse grupo deserto festeja,
apesar de que luar e canções populares não eram realmente a minha primeira
escolha de entretenimento. Dimitri ainda usava aquele olhar assombrado do telefonema.
Eu tinha uma suspeita de que ele teria se contentado
em se isolar em nossa sala, mas quando Sydney disse que ia para a fogueira, sua
resposta veio automaticamente: — Eu vou também, — eu soube imediatamente que
ele estava fazendo. Seus dias como Strigoi o atormentavam. Conversar como
Strigoi o atormentava.
E talvez, não, certamente, ele queria esconder e
tentar bloquear tudo, mas ele era Dimitri. Dimitri protege aqueles que dele
necessitam, e mesmo ouvindo músicas na fogueira que não era exatamente por a
vida em risco, ainda era uma situação semi-perigososa para um civil como
Sydney.
Ele não podia permitir isso. Além disso, ele sabia que
Sidney se sente mais segura conosco nas proximidades.
Comecei a dizer que eu ia me juntar a eles, mas Joshua
falou antes que eu pudesse. — Você ainda quer ver minha caverna? Há um pouco de
luz do lado de fora. Você vai ter uma visão melhor dessa maneira do que se tivermos
que usar uma tocha. —
Eu tinha esquecido minha última conversa com Joshua e
comecei a recusar a oferta. Mas então, algo brilhou nos olhos de Dimitri, algo
desaprovador. Então. Ele não queria me ver saindo com um cara jovem, de boa
aparência. Foi preocupação legítima de Guardião? Seria ciúmes? Não, certamente
não o último. Nós tínhamos estipulado, muitas e muitas vezes, que Dimitri não
queria nenhuma ligação romântica comigo. Ele tinha até se levantado pelo Adrian
mais cedo. Seria algum tipo de coisa de ex-namorado? De volta a Rubysville, eu
tinha acreditado que Dimitri e eu poderíamos ser amigos, mas isso não
aconteceria se ele achava que podia controlar a mim e a minha vida amorosa. Eu
tinha conhecido meninas com ex’s assim. Eu não seria uma delas. Eu podia sair
com quem eu quisesse.
— Claro — eu
disse. A expressão de Dimitri escureceu. — Eu adoraria. —
Joshua e eu fomos embora, deixando os outros para
trás. Eu sabia que parte da minha decisão foi para provar minha independência.
Dimitri disse que nós éramos iguais, ele ainda não tinha feito uma enorme quantidade
de decisões neste plano de fuga sem mim. Foi bom para sentir como se eu tivesse
a vantagem de uma mudança e, além disso, eu gostava de Joshua e era uma espécie
de curiosidade de saber mais sobre como o seu povo vivia. Eu não acho que
Sydney queria que eu fosse embora, mas Dimitri iria cuidar dela.
Assim que Joshua e eu andamos, passamos por muitos
Guardiões fora e próximos. Tal como anteriormente, eu recebi uma boa quantidade
de olhares. Ao invés de nos levar para baixo da estrada onde seu pai morava,
Joshua me levou ao redor de uma pequena montanha. Ainda estava de bom tamanho,
mas depois de viver perto das Montanhas Rochosas, tudo nos Apalaches parecia
pequeno para mim. Eu acho que eu era uma esnobe de montanha.
Ainda assim, a montanha se estendia de muitas
maneiras, e fomos mais longe e mais longe do estabelecimento principal dos
Guardiões. A floresta se adensava, a luz cada vez mais escassa, e o sol
finalmente começou a sumir no horizonte.
— Eu sou tipo
da periferia — Joshua disse se desculpando. — Nós continuamos crescendo e
crescendo, e não há muito espaço no centro das cidades. — Pensei que cidade era
um termo otimista, mas não disse isso. Sim. Eu era definitivamente uma esnobe.
— Mas as cavernas continuavam, por isso ainda há espaço. —
— Elas são
naturais? — perguntei.
— Algumas são.
Outras são cavernas de mineração abandonadas. —
— É bem aqui — eu
disse. Eu gostei de todas as árvores de folha caduca. Eu poderia estar com
saudades de Montana, mas a folhas largas aqui davam um contraste elegante para
agulhas de pinheiro. — E hey, pelo menos você tem muita privacidade, certo? —
— Verdade — Ele
sorriu. — Achei que você iria pensar que era... Eu não sei. Muito rústico. Ou
selvagem. Você provavelmente pensa que nós todos somos. —
Sua observação me assustou. A maioria dos Guardiões
tinham sido tão ferozmente defensivos em seu modo de vida que eu não tinha
pensado que alguém pensaria mesmo que um estranho acharia isso, ou que qualquer
Guardião se importaria se nós fizessemos.
— É apenas
diferente — eu disse diplomaticamente. — Muito diferente do que estou
acostumada. — Senti um lampejo de saudade de todas as pessoas e lugares que eu
estava separada agora. Lissa. Adrian. Nossos outros amigos. A Corte. St.
Vladmir. Eu espantei a sensação rapidamente. Eu não tinha tempo para me
lamentar e poderia, pelo menos, verificar Lissa mais tarde.
— Eu estive em
cidades humanas — continuou Joshua. — E em outros lugares que impuros vivem. Eu
posso ver porque você gosta deles — Ele virou um pouco acanhado. — Eu não me
importaria com energia elétrica. —
— Por que vocês
não usam? —
— Gostaríamos,
se pudéssemos. Estamos muito longe e ninguém realmente sabe que estamos aqui.
As pessoas dizem que é melhor para nos esconder. —
Não me ocorreu que eles simplesmente suportaram essas
condições porque foram obrigados a fim de esconder-se. Gostaria de saber
quantas das suas escolhas vieram de apegos às formas antigas... e quanto foi
influenciado pelos alquimistas.
— Aqui estamos
— disse Joshua, puxando-me de minhas reflexões.
Ele apontou para um buraco escuro no chão. A abertura
era grande o suficiente para um adulto entrar.
— Legal, — eu
disse. Eu havia notado anteriormente que algumas das cavernas foram criadas
mais para o alto das montanhas e tinham visto os seus residentes, escalar a
rocha com a mão ou usando escadas caseiras. Uma porta de acesso fácil parecia
luxuoso.
Joshua olhou surpreso com o meu louvor. — Sério? —
— Sério! —
Nós acabamos perdendo a luz do dia. Ele fez uma pausa
para acender uma tocha, e então eu o segui para dentro. Tivemos que abaixar um
pouco no início, mas quando fomos mais fundo na caverna, o teto lentamente
expandiu e abriu-se em um amplo espaço arredondado. O chão estava sujo, as
paredes de pedra áspera e irregular. Esta era uma caverna natural, mas eu
poderia escolher os esforços feitos para civilizá-la. O chão foi limpo e
nivelado, e eu vi algumas pedras e rochas em um canto que pareciam terem sido
recolhidas para deixar espaço livre. Um par de peças de mobilias jáhaviam sido
colocadas: uma cadeira de madeira estreitas e um colchão que parecia que mal
conseguia aguentar uma pessoa.
— Você
provavelmente pensa que é pequena — disse Joshua.
Era verdade, mas era realmente maior que o meu quarto
no dormitório em St. Vladimir. — Bem... sim, mas eu quero dizer, quantos anos
você tem? —
— Dezoito. —
— Igual a mim —
eu disse. Isso pareceu fazê-lo muito feliz. — Ter sua própria, caverna, aos dezoito parece ser muito
legal — Seria mais legal ainda com a eletricidade, Internet e encanamento, mas
não houve necessidade de trazer isso.
Seus olhos azuis brilhavam. Eu não poderia deixar de
notar um contraste bonito que eles fizeram contra sua pele bronzeada. Eu
rejeitei o pensamento imediatamente. Eu não estava aqui para um namorado. Mas,
aparentemente, eu era a única que acreditava nisso. Joshua de repente deu um
passo adiante.
— Você pode
ficar se quiser — disse ele. — O outro impuro nunca iria te encontrar aqui. Nós
poderíamos nos casar, e então, quando nós tivermos filhos, poderíamos construir
um loft, como meus pais e… — A palavra casar tinha me movido em direção à
entrada tão chocada e apavorada como eu seria por um ataque Strigoi. Exceto, eu
geralmente tinha o aviso antes desses acontecerem.
— Ei, ei, mais
devagar. — Não. Eu não havia visto uma proposta vindo. — Acabamos de nos
conhecer! —
Felizmente, ele não se aproximou. — Eu sei, mas às
vezes é assim que é. —
— O que, os
casamentos entre pessoas que mal se conhecem? — perguntei, incrédula.
— Claro que
sim. Acontece o tempo todo. E a sério, só neste curto espaço de tempo, eu já
sei eu gosto de você. Você é incrível. Você é bonita e, certamente, uma boa
lutadora. E a maneira como você se comporta... — Ele balançou a cabeça,
incrédulo. — Eu nunca vi nada parecido. —
Eu desejava que ele não fosse tão bonito e agradável.
Tendo caras assustadores confessar a sua adoração era muito mais fácil de lidar
com aquele que você gostava. Lembrei-me de Sydney dizendo que eu era um produto
quente aqui. Escaldante era o mais certo a dizer.
— Joshua, eu
realmente gosto de você, mas... — acrescentei apressadamente, vendo esperança
enchendo seu rosto. — eu sou muito jovem para casar. —
Ele franziu a testa. — Você não disse que tinha
dezoito anos? —
Okay. Idade provavelmente não era um bom argumento por
aqui. Eu tinha visto como os jovens tinham filhos cedo na cidade natal de
Dimitri . Em um lugar como este, eles provavelmente tiveram casamentos de
crianças. Eu tentei ir por um outro ângulo.
— Eu nem sei se
quero casar. —
Isso não perturbou ele. Ele balançou a cabeça em
compreensão.
— Isso é inteligente. Nós poderíamos viver juntos em
primeiro lugar, ver se nos damos bem. — Sua expressão séria transformou-se num
sorriso. — Mas estou muito tranquilo. Eu vou deixar você ganhar todas as
discussões. —
Eu não poderia ajudar. Eu ri. — Bem, então, eu vou ter
que ganhar esse e dizer eu não estou pronta para... nada disso. Além disso, já
estou envolvida com alguém. —
— Dimitri? —
— Não. Outro
cara. Ele voltou para a corte impura. — Eu não podia acreditar que eu estava
dizendo isso.
Joshua fez uma careta. — Por isso que ele não está
aqui protegendo você? —
— Por que... isso
não é como ele é. E eu posso cuidar de mim. E nunca gostei da ideia de que eu
preciso de resgate. E olha, mesmo que ele não estivesse na jogada eu estou indo
embora logo de qualquer maneira. Nunca daria certo entre nós. —
— Eu entendo. —
Joshua olhou desapontado, mas parecia estar levando bem a rejeição. — Talvez
quando você estiver com tudo resolvido você volte. —
Eu comecei a dizer para que não espere por mim e que
ele deveria casar com outro alguém (apesar de quão ridículo era na sua idade),
mas depois percebi que foi um comentário inútil.
Nas fantasias de Joshua, ele provavelmente poderia se
casar com qualquer pessoa agora e, em seguida, me incluir no seu harém para
mais tarde, como Sarah e Paulette. Então, eu simplesmente disse:
— Talvez — Pocurando por uma mudança de assunto, eu
tentei encontrar alguma coisa para nos distrair. Meus olhos caíram sobre a mesa
e um padrão de folhas entalhadas nela. — Isso é muito legal. —
— Obrigado — disse
ele, caminhando. Para meu alívio, ele não voltou a procurar o tópico anterior.
Ele passou a mão carinhosamente sobre a madeira esculpida. O projeto parecia o deixar
trancado. — Eu mesmo fiz isto. —
— Sério? — perguntei
em verdadeira surpresa. — Isso... isso é incrível. —
— Se você gosta
dela... — Sua mão se moveu, e eu temia que havia um beijo ou abraço vindo. Em
vez disso, ele enfiou a mão no bolso da camisa e puxou uma pulseira finamente
esculpida em madeira. Foi um projeto simples, sinuoso, uma verdadeira maravilha
sendo estreita e delicada como era para ser uma só peça. A madeira havia sido
polida com brilho. — Aqui. — Ele me entregou a pulseira.
— É para mim? —
Corri meus dedos ao longo da borda lisa.
— Se você
quiser. — Eu fiz isso enquanto você estava fora hoje. — Assim você vai lembrar
de mim depois que for embora. —
Hesitei, sem saber se aceitar seria incentivá-lo. Não,
eu decidi. Eu fiz a minha opinião sobre o casamento entre adolescentes clara, e
mesmo assim, ele parecia tão nervoso, eu não poderia suportar a ideia de ferir
seus sentimentos. Enfiei a pulseira em meu pulso.
— É claro que
eu vou lembrar. Obrigada. —
Do olhar feliz em seu rosto, levando a pulseira feita
para minha recusa anterior. Ele me mostrou mais alguns detalhes em torno da
caverna e depois seguiu a minha sugestão para se juntar aos outros perto do
fogo. Podíamos ouvir a música ecoar por entre as árvores muito antes de nós
voltarmos, e mesmo quando não era meu estilo, havia algo acolhedor e simpático
sobre esta maneira de viver em comunidade. Eu nunca fui a um acampamento de
verão, mas eu imaginei que isso era parecido.
Sydney e Dimitri sentaram perto do grupo. Estavam em
silêncio e atentos, mas todo resto cantou, bateu palmas, e conversou. Mais uma
vez, fiquei impressionada com a facilidade com que dhampirs, humanos e
Moroipoderiam estar envolvidos uns com os outros. Casais mistos estavam por
toda parte, um humano e um Moroi estavam abertamente dando uns amassos. Todas vezes
quando ele a beijou no pescoço, ele tinha também mordido e tomado um pouco de
sangue. Eu tive que desviar o olhar.
Voltei para os meus amigos. Sydney reparou em mim e
pareceu aliviada. A expressão de Dimitri estava ilegível. Como sempre, os olhos
dos outros seguiram o meu movimento, e para minha surpresa, vi a inveja nas
caras de alguns dos rapazes. Eu esperava que eles não estivessem achando que
Joshua e eu haviamos ficado nus na caverna. Essa não era a fama que eu queria
deixar para trás.
— Eu tenho que
falar com a Sydney — eu disse a ele sobre o ruído. Decidi ser melhor manter
distância antes que qualquer rumor começasse, e sinceramente, Sydney parecia
que me queria ao seu lado. Joshua balançou a cabeça, e me afastei. Eu dei dois
passos, quando de repente veio um punho direito ao meu rosto.
Eu não tinha defesas e tão pouco presença de espírito
para virar minha cabeça e pegar o golpe no meu rosto para não acabar com um
nariz quebrado. Após a surpresa inicial, toda a minha formação se acumulou e eu
rapidamente contornei para fora da linha de ataque e coloquei meu corpo em uma
posição de combate. A música e o canto pararam, e eu virei para encarar meu
agressor.
Angeline.
Ela estava em uma forma semelhante à minha, punhos
cerrados e os olhos completamente fixados em mim.
— Ok — ela disse. — É hora de descobrir o quão durona
você realmente é. —
Na verdade era hora de alguém digamos assim, um
parente vir, arrastá-la e puni-la por socar um convidado. Surpreendentemente,
ninguém se moveu ou tentou impedi-la. Não, não era bem verdade. Uma pessoa
levantou. Dimitri tinha pulado para a ação no instante em que me viu em perigo.
Eu esperava que ele viesse empurrar Angeline para longe, mas um grupo de
Guardiões apressadamente foram para seu lado, dizendo-lhe algo que eu não
poderia ouvir. Eles não tentaram contê-lo fisicamente, mas o que eles disseram,
fez ele ficar onde estava. Eu teria exigido saber o que eles falaram para ele,
mas Angeline estava chegando em mim novamente. Parecia que eu estava sozinha.
Angeline era pequena, mesmo para uma Dhampir, mas todo
o seu corpo estava cheio de força. Ela estava muito rápida também, embora não
rápida o suficiente para conseguir me acertar pela segunda vez. Eu
cuidadosamente a evitei e mantive minha distância, não querendo ir para a
ofensiva com esta menina. Ela provavelmente poderia fazer um belo dano em uma
luta, mas havia um erro, não, mais como uma ponta áspera para ela. Ela era
avarenta, alguém que participou de um monte de brigas, mas sem nenhum
treinamento formal.
— Você está
louca? — Exclamei, saindo do caminho de outro assalto. — Pare com isso. Eu não
quero te machucar. —
— Claro — ela
disse. — Isso é o que você quer que todos pensem, certo? Se você não tem
realmente que lutar, então todos vão continuar acreditando que essas marcas são
reais. —
— Eles são
reais! — A insinuação de que falsifiquei minhas tatuagens despertou meu
temperamento, mas eu me recusei a ficar atraída por essa briga ridícula.
— Prove — disse
ela, vindo em minha direção de novo. — Prove que você é quem diz que é. —
Era como uma dança, me mantendo longe dela. Eu poderia
ter feito isso durante toda a noite, e alguns gritos da multidão exigiam que eu
lidasse com isso.
— Eu não tenho
que provar nada — eu disse a ela.
— Mentira. — Sua
respiração era pesada agora. Ela estava trabalhando muito mais duro do que eu.
— Tudo o que você e os impuros fazem é uma mentira. —
— Não é verdade
— eu disse. Por que Dimitri deixava isso continuar? Com o canto do meu olho, eu
o havia visto, e para me ajudar, ele estava sorrindo.
Enquanto isso, Angeline ainda continuava seu discurso,
enquanto ela tentava me bater. — É tudo mentira. Você é tão fraca.
Especialmente a sua realeza! — Eles
são o pior de tudo —
— Você não os
conhece. Você não sabe nada sobre eles. —
Ela podia ser capaz de manter uma conversa, mas eu
podia vê-la cada vez mais frustrada. Se não fosse o fato de que eu tinha
certeza de que ela me bateu nas costas, eu teria tomado uma abordagem nobre e
simplesmente ido embora.
— Eu sei o
suficiente — disse ela. — Eu sei que eles são egoístas e mimados e não fazem
nada por si mesmos. Eles não se preocupam com ninguém. Eles estão todos iguais.
—
Na verdade, eu concordava com Angeline sobre alguns
membros da realeza, mas não gostei da generalização. — Não fale sobre coisas
que não entende, eu estalei. — Eles não são todos assim. —
— Eles são — segundo
ela, com prazer de me ver com raiva. — Eu gostaria que eles estivessem todos
mortos. —
Foi quase o suficiente para me empurrar para o modo de
combate, mas o comentário formou nuvens sobre meus pensamentos o suficiente
para que eu a deixasse passar a minha guarda, só um pouco. Eu nunca teria
deixado isso acontecer com um Strigoi, mas eu subestimei essa garota selvagem.
Sua perna serpenteou fora apenas o suficiente para bater o meu joelho, e foi
como jogar gasolina em uma fagulha. Tudo explodiu.
Com esse golpe eu tropecei ligeiramente, e ela aplicou
sua vantagem. Meus instintos de batalha assumiram, e eu não tinha escolha senão
atacar antes que ela pudesse me bater. As pessoas começaram a aplaudir, agora
que a luta estava realmente acontecendo. Eu estava no ataque, tentando
subjugá-la, ou seja, o contato físico era eminente. Eu ainda era melhor do que
ela, sem dúvida, mas na tentativa de chegar a ela, eu me coloquei em seu
alcance.
Ela tentou alguns golpes em mim, nada grave, antes que
eu fosse capaz de jogar ela no chão. Eu esperava que fosse o fim, mas ela se
jogou contra mim antes que eu pudesse impedi-la totalmente. Nós rolamos, e ela
tentou tomar a posição dominante. Eu não podia permitir isso e consegui dar um
soco no lado do seu rosto, que foi muito mais difícil do que o anterior.
Eu pensei que seria o fim da luta. Meu golpe a tirou
de cima de mim, e eu comecei a me levantar, mas depois aquela 'vagaba' agarrou
meu cabelo e me empurrou para baixo de novo. Eu me torci para fora de suas
mãos, embora eu tinha certeza de que ela levou algum cabelo meu com ela, e
desta vez consegui dominar completamente suas pernas, jogando todo meu peso e
força sobre ela, pressionando. Eu sabia que tinha que ser doloroso mas não me
importei realmente.
Ela começou a briga. Além disso, esse conflito tinha
ido além da defesa. Puxar o cabelo de alguém era jogar sujo.
Angeline fez mais algumas tentativas de fugir, mas
quando se tornou claro que ela não poderia, aqueles que nos rodearam começaram
a assobiar e aplaudir. Alguns momentos depois, aquele olhar escuro e furioso
desapareceu. O rosto de Angelina foi substituído por calma. Olhei para ela com
cautela, não a ponto de baixar a minha guarda.
— Ótimo, disse ela. Eu acho que tudo bem. Vá em
frente. —
— Hã? O que
esta tudo bem? — Eu exigia.
— Não tem
problema se você se casar com meu irmão. —
Nenhum comentário:
Postar um comentário