— Você deveria dormir. —
Sidney disse com uma voz suave, quase me fez a minha
alma pular para fora do meu corpo, provando que mesmo na mente de Lissa, eu
poderia ainda ficar em alerta. Eu voltei para a sala escura de Sonya. Á parte o
susto de Sydney, estava tudo tranquilo e em paz.
— Você se
parece com os mortos-vivos, — ela continuou. — E eu não digo que os de ânimo
bom. —
— Eu tenho que
ficar de vigia, — eu disse.
— Eu vou ficar
de vigia. Você dorme. —
— Você não está
treinada como eu, — apontei. — Você pode perder alguma coisa. —
— Ainda não
perderia um Strigoi batendo a porta, — ela respondeu. — Olha, eu sei que vocês
são valentes. Você não tem que me convencer disso. Mas eu tenho uma impressão
que as coisas vão ficar mais difíceis, e eu não quero que você desmaie em algum
momento crucial. Se você dormir agora, você pode substituir Dimitri mais tarde
para aliviá-lo.
Só a menção de Dimitri me fez ceder. Teríamos
necessidade de substituir um ao outro eventualmente. Assim, com relutância, eu
me arrastei para a cama de Sydney no chão, dando-lhe todos os tipos de
instruções que eu acho que a fez revirar os olhos. Adormeci quase que
instantaneamente e depois acordei rapidamente quando ouvi o som de uma porta se
fechando.
Eu imediatamente me sentei, esperando ver algum
Strigoi arrebentando a porta. Em vez disso, eu encontrei a luz solar se
arrastando através das janelas e Sydney me olhando com diversão. Na sala de
estar, Robert estava sentado no sofá, esfregando os olhos. Victor se foi. Eu me
virei para Sydney em alarme.
— Ele está no
banheiro, — ela disse, antecipando-se à minha pergunta.
Esse foi o som que ouvi. Eu respirei e me levantei,
surpresa de como algumas horas de sono tinha me excitado. Se eu tivesse me
alimentado, estaria pronta para qualquer coisa. Sonya não tinha nada, é claro,
mas me contentei com um copo de água na cozinha. Enquanto eu estava lá bebendo,
notei o que os irmãos Dashkov tinham feito em casa: casacos pendurados nos
ganchos, as chaves do carro no balcão. Eu silenciosamente agarrei as chaves e
chamei Sydney.
Ela veio, e eu entreguei-lhe as chaves, tentando não
deixá-las fazer barulho.
— Você ainda
conhece sobre carros? — Murmurei.
Em um aspecto fino, ela me disse que era uma questão
ridícula e ofensiva.
— Ok. Você pode
ir fazer uma corrida até o supermercado? Nós vamos precisar de alimento. E
talvez no seu caminho, você pode, hum, se certificar de que o carro deles tenha
algum problema no motor ou algo assim? Qualquer coisa que o mantenha aqui. Mas
não faça algo óbvio, como esvaziar os pneus.
Ela colocou as chaves no bolso. — Fácil. Tenho alguma
lista de alimentos? —
Eu pensei sobre isso. — Algo com açúcar. E café para
Dimitri.
— Café é um
detalhe, — ela disse.
Victor entrou na cozinha, a sua expressão tipicamente
desinteressada me fez pensar que não haviam me ouvido instruindo Sydney para
sabotar seu carro. — Sidney vai comprar alimentos, — eu disse, esperando
distraí-lo antes que ele observasse a falta de chaves. — Necessita de alguma
coisa? —
— Um
alimentador seria bom, mas tirando isso, Robert tem um gosto especial por
Cheerios. Tipo maçã com canela. — Sorriu a Sydney. — Eu nunca pensei que veria
o dia em que um Alquimista seria uma garota de recados. É encantador. —
Sydney abriu a boca, sem dúvida, para fazer algum
comentário mordaz, e eu balancei minha cabeça rapidamente.
— Basta ir, — eu
disse.
Ela foi, e Victor voltou logo para o lado de Robert.
Convencida de que os irmãos iriam para nenhum lugar em pleno dia, sem carro, eu
decidi que era hora de verificar Dimitri. Para minha surpresa, Sonya estava
acordada. Ela estava sentada com as pernas cruzadas na cama com ele, e os dois
falavam em voz baixa. Seu cabelo estava desgrenhado do sono e da luta, mas por
outro lado, ela não apresentava cortes ou contusões da batalha. Dimitri ficou o
mesmo depois de sua mudança, se salvando das terríveis queimaduras. O poder de
restauração dos Strigoi curava todas lesões. Entre as minhas pernas esfoladas e
a pseudo-concussão, eu meio que queria que alguém me transformasse em um
Strigoi.
Sonya se virou quando entrei. Uma sequência de emoções
passou por seu rosto. Medo. Espanto. Reconhecimento.
— Rose? — Havia
hesitação na palavra, como se ela me perguntasse se eu era uma alucinação.
Forcei um sorriso. — É bom ver você de novo. — Optei
por não acrescentar, agora que você não está tentando sugar a vida para fora de
mim.
Ela desviou os olhos para baixo para suas mãos,
estudando os dedos como se fosse mágico e maravilhoso.
Claro que, depois de ser monstro, talvez com suas
velhas mãos de volta era realmente maravilhoso. No dia depois de sua mudança,
Dimitri não parecia tão frágil, mas ele estava certamente em estado de choque.
Sua depressão tinha crescido também. Era ela? Ou ela queria virar Strigoi
novamente, como Victor sugeriu?
Eu não sabia o que dizer. Era tudo tão estranho e
embaraçoso. — Sydney foi comprar alimentos, eu disse a Dimitri sem jeito. — Ela
também ficou acordada para que eu pudesse dormir na noite passada. —
— Eu sei, — ele
disse com um pequeno sorriso. — Levantei-me uma vez para verificar você. —
Senti-me ruborizando, de algum modo envergonhada que
eu tinha sido flagrada na fraqueza. — Você pode descansar também, — eu disse a
ele. — Tome café da manhã, e depois eu vou manter um olho em tudo. Eu tenho
autoridade para dizer que o carro de Victor vai estar com problemas. Também que
Robert realmente gosta de Cheerios, por isso, se você quiser alguma coisa, você
estará sem sorte. Ele não se parece com o tipo que partilha. —
O sorriso de Dimitri cresceu. Sonya subitamente ergueu
a cabeça.
— Tem outro
usuário de espírito aqui, — ela disse, com voz desesperada. — Eu posso sentir
isso. Lembro-me dele. — Ela olhou para Dimitri e eu. — Isso não é seguro. Não
estamos seguros. Vocês não deveriam ficar perto de nós. —
— Está tudo bem,
— disse Dimitri, a voz tão, tão gentil. Esse tom era raro para ele, mas já
tinha o ouvido antes. Ele tinha usado comigo em alguns dos meus momentos mais
desesperados. — Não se preocupe. —
Sonya abanou a cabeça. — Não. Você não entende. Nós...
somos capazes de coisas terríveis. Para nós mesmos, e para os outros. Isso é o
porque de eu ter me transformado, para deter a loucura. E assim foi, exceto que...
isto foi pior. Neste caminho. As coisas que eu fiz... —
Lá estava ele, o mesmo remorso que Dimitri sentia.
Meio com medo ele ia começar a dizer que não havia redenção para ela também,
então eu disse: — Aquela não era você. Você foi controlada por outra coisa. —
Ela escondeu o rosto nas mãos. — Mas eu escolhi. Eu.
Eu fiz isso acontecer. —
— Isso foi o
espírito, — eu disse. — Sua dificuldade para lutar. Como você disse, ele pode
fazer você fazer coisas terríveis. Você pensava claramente. Lissa batalha com a
mesma coisa o tempo todo. —
— Vasilisa? — Sonya
levantou os olhos e olhou para o nada. Acho que ela estava vasculhando memórias.
Na verdade, apesar de suas divagações, agora eu não acreditava que ela não era
tão instável como foi antes de se tornar Strigoi. Tínhamos ouvido que a cura
poderia ajudar a controlar a loucura de espírito, e eu acho que com a
transformação Robert tinha atenuado um pouco da escuridão dentro dela por
agora.
— Sim, claro.
Vasilisa tem também. — Ela se virou para mim em pânico. — Você quis ajudá-la?
Você quis tirá-la de lá? —
— Eu tirei, — eu
disse, tentando imitar a gentileza de Dimitri. Lissa e eu fugimos de St.
Vladimir por um tempo, em parte por causa das advertências de Sonya. — Saímos
e, em seguida, voltamos e, uh, fomos capazes de parar o que estava no seu
encalço. — Eu não acho que era uma boa ideia para a Sonya sei que a coisa — ou
melhor, a pessoa — que estava caçando Lissa estava agora sentada lá fora na
sala. Dei um passo a frente. — E você pode ajudar Lissa também. Precisamos
saber se… —
— Não, — disse
Dimitri. Não era gentil o aviso no olhar que ele me deu. — Ainda não. —
— Mas… —
— Ainda não. —
— Eu atirei-lhe
um olhar em troca, mas não disse mais nada. Eu estava dando para Sonya seu
tempo de recuperação, mas nós não temos para sempre. O relógio ia passando, e
nós tínhamos que descobrir o que Sonya sabia. Eu me senti como Dimitri teria
sido capaz de nos dar essa informação imediatamente depois que ele tinha mudado
de volta. Claro, ele não tinha sido previamente instável, assim ele tinha tido
um tipo de espaço. Ainda. Nós não poderíamos folgar na casa em Kentucky para
sempre.
— Posso ver as
minhas flores? — Pediu Sonya. — Posso ir lá fora e ver as minhas flores? —
Dimitri e eu trocamos olhares. — É claro, — disse ele.
Todos nós fomos até a porta, quando eu tive que
perguntar. — Por que você fez crescer flores quando você era. . .?
Ela fez uma pausa. — Eu sempre fiz flores crescer. —
— Eu sei. Eu me
lembro. Elas eram lindas. As daqui são lindas demais. É por isso... Quero
dizer, você queria apenas um bonito jardim, mesmo como uma Strigoi? —
A pergunta era inesperada e parecia deixá-la em
devaneios. Eu estava prestes a desistir de uma resposta quando ela finalmente
disse: — Não. Eu nunca pensei muito em beleza. Elas foram... Eu não sei. Algo a
ver com a ideia de que eu sempre fiz flores crescerem. Eu tinha que ver se eu
ainda podia. Era como... um teste de minhas habilidades, eu acho. —
Eu entendi o olhar de Dimitri novamente. Então. Beleza
não havia sido parte de seu mundo. Era exatamente como eu disse a ele. Strigoi
eram notoriamente arrogantes, e parecia que as flores tinham sido simplesmente
um show de talento. Cultivá-las também tinha sido um hábito familiar para ela,
e lembrei-me como Dimitri tinha lido romances de faroeste enquanto era Strigoi.
Ser Strigoi pode custar a alguém o seu sentido de bondade e moralidade, mas
velhos comportamentos e hobbies permanecem.
Nós a levamos para a sala, interrompendo uma conversa
entre Victor e Robert. Sonya e Robert, ambos congelaram, medindo um ao outro.
Victor deu-nos um dos seus sorrisos.
— Sem delongas.
Já descobrimos o que precisamos? —
Dimitri lhe lançou um olhar semelhante ao que eu tinha
recebido quando perguntei sobre os interrogatórios. — Ainda não. —
Sonya arrastou o olhar de Robert e moveu-se
rapidamente em direção à porta do pátio, parando quando ela viu o nosso
malfeito concerto. — Vocês quebraram minha porta, — ela disse.
— Danos
colaterais, — eu disse. Na minha visão periférica, eu acho que Dimitri revirou
os olhos.
Não precisando de qualquer orientação nossa, Sonya
abriu a porta e saiu. Com um suspiro, ela parou e olhou para cima.
O céu estava em um azul perfeito, sem nuvens, o sol se
tinha cruzado o horizonte agora, iluminando tudo como ouro. Eu fui lá fora
também, sentindo mais o calor do que luz na minha pele. A frieza da noite demorou
para ir, mas poderia prever um dia quente de sol.
Todo mundo saiu também, mas Sonya estava alheio a
isso. Ela levantou as mãos para cima, como se talvez ela pudesse agarrar o sol
e envolvê-lo em seus braços.
— Lindo, — eu reiterei.
Por alguma razão, me senti feliz e triste.
Ela deu a volta ao quintal dela, examinando todas as
plantas e flores. Ela tocou nas pétalas e inalou a sua fragrância.
— Tão
diferente… — Repetia ela para si mesma. — Tão diferentes ao sol… — Alguma
especial chamou sua atenção. — Estas não abrem à noite! Você vê isso? Você vê
as cores? Você pode cheirar isso? —
As perguntas pareciam não ser para ninguém em
particular. Nós assistíamos, todos nós meio hipnotizados. Por fim, ela se
estabeleceu na cadeira do pátio, olhando ao redor feliz, perdida em sobrecarga
sensorial — com a beleza que tinha sido negado a ela como um Strigoi. Quando se
tornou óbvio que ela não sairia por um tempo, virei-me para Dimitri e repeti o
conselho de Sydney sobre ele tirar um tempo para descansar, enquanto nós
esperaríamos Sonya se recuperar. Para minha surpresa, ele concordou.
— Isso é inteligente.
Depois que Sonya for capaz de falar, precisamos de nos mover. — Sorriu. — Sidney
se transformou em um mestre de batalha. —
— Ei, ela não
está no comando aqui, — eu provoquei. — Ela é apenas um soldado. —
— Certo. — Levemente
ele roçou os dedos na minha bochecha. — Desculpe, Capitão. —
— General, — eu
corrigi, recuperando meu fôlego do toque breve.
Ele deu um tipo de adeus a Sonya antes de desaparecer
dentro de casa. Ela concordou, mas eu não sei se ela realmente ouviu. Victor e
Robert trouxeram duas cadeiras de madeira da cozinha e colocaram-nas á sombra.
Eu escolhi um lugar no chão. Ninguém falou. Não era a coisa mais estranha que
eu já tinha experimentado, mas era certamente estranho.
Sydney voltou mais tarde com mantimentos, e eu abandonei
brevemente o grupo para verificar com ela. As chaves de Victor estavam deitados
ao contrário, que eu tomei como um bom sinal. Sydney descarregou uma variedade
de alimentos e me entregou uma caixa com uma dúzia de donuts.
— Espero que
isso seja suficiente para você, — ela observou.
Eu fiz uma careta para sua presunção, mas tomei as
rosquinhas de qualquer maneira.
— Vem para fora
quando você acabar, — eu disse a ela. — É como um barbecue dos condenados.
Excepto… não há nenhuma grelha. —
Ela parecia confusa, mas quando ela se juntou a nós
mais tarde, ela pareceu entender o que eu tinha dito. Robert trouxe uma tigela
de Cheerios, mas nem Sydney nem Victor comiam. Eu dei um donut a Sonya, a
primeira coisa que tirou a atenção do seu quintal. Ela o segurou nas mãos, e
girou-o mais e mais.
— Eu não sei se
posso. Eu não sei se posso comê-lo. —
— Claro que
você pode. — Recordei como Dimitri também havia considerado incerta a ingestão
de alimentos. — É de chocolate-acetinado. Boa coisa. —
Ela deu uma espécie de pequena mordida. Ela mastigou
um bilhão de vezes e finalmente engoliu. Ela fechou os olhos por um instante e
suspirou.
— Que doçura. —
Lentamente, ela continuou dando mais mordidas minúsculas. Levou uma eternidade
para ela chegar á metade do Donut, e naquele ponto, ela finalmente parou. Eu
tinha engolido três donuts até lá, e minha impaciência para realizar alguma
coisa foi crescendo. Parte dela era a minha irritabilidade de espírito, e outra
parte dele foi apenas a minha inquietação contínua para ajudar Lissa.
— Sonya, — eu
disse agradavelmente, com plena consciência de como Dimitri ia ficar puto
comigo por ter desafiado as suas instruções. — Queríamos falar contigo sobre
algo. —
— Hm-hmm, — disse
ela, olhando para as abelhas pairando em torno de algumas madressilvas.
— Existe um
parente seu… alguém que, hum, teve um bebé há algum tempo…? —
— Claro, — ela
disse. Uma das abelhas voou da madressilva para uma rosa, e ela nunca desviou o
olhar. — Muitos. —
— Articule
Rosemarie, — comentou Victor. — Deduza mais. —
Eu mordi meu lábio, sabendo que uma explosão iria
perturbar Sonya. E provavelmente Robert também.
— Este seria um
bebé segredo, — eu disse a ela. — E você foi a beneficiária de cuidar duma
conta bancária do bebé… uma conta paga por Eric Dragomir. —
Sonya lançou a cabeça contra mim, e não havia nenhuma
distracção sonhadora em seus olhos azuis agora. Alguns segundos se passaram
antes de ela falar. Sua voz era fria e dura, não a voz de um Strigoi, mas
definitivamente um back- off.
— Não. Eu não
sei nada sobre isso. —
— Ela está
mentindo, — disse Robert.
— Eu não
preciso de poderes para descobrir isso, — zombou Sydney.
Ignorei os dois.
— Sonya, nós
sabemos que você sabe, e é realmente importante, encontramos o bebé… ah,
criança. Pessoa. —
Nós tínhamos feito suposições sobre a idade, mas não
estávamos 100 por cento certos.
— Você disse
que estava preocupada com Lissa anteriormente. Isso irá ajudá-la. Ela precisa
saber. Ela precisa saber que tem outro membro da família. —
Sonya voltou sua atenção para as abelhas, mas eu sabia
que ela já não estava a observá-las.
— Eu não sei
nada. — Havia um tremor em sua voz, e algo me dizia que talvez eu não devia ter
puxado isso afinal. Eu não poderia dizer se ela estava com medo ou em iminência
de raiva.
— Então por que
você estava na conta? — Isto veio de Victor.
— Eu não sei
nada, — ela repetiu. A voz dela poderia ter feito formar gelo nas árvores. — Nada.
—
— Pare de
mentir, — bateu Victor. — Você sabe algo, e você vai nos dizer. —
— Ei! — eu
exclamei. — Fique quieto. Você não tem direito de interrogação aqui. —
— Você não
parecia estar fazendo um trabalho muito bom. —
— Só cale a
boca, ok? — Olhei para Sonya, e substitui meu brilho com um sorriso.
— Por favor, — eu
implorei. — Lissa está em apuros. Isso irá ajudá-la. Eu pensei que você disse
antes que queria ajudá-la? —
— Eu prometi… —
Sonya disse. Sua voz era tão baixo, eu mal podia ouvi-la.
— Prometeu o
quê? — perguntei. Paciência, paciência. Tinha que manter a calma. Eu não poderia
arriscar um colapso.
Ela apertou os olhos fechados e passou as mãos pelos
cabelos com violência, quase como uma criança prestes a fazer uma birra. — Não
contar. Prometi não contar a ninguém… —
Eu tinha vontade de agarrar nela e sacudi-la.
Paciência, paciência. Eu repeti para mim. Não a chateie.
— Nós não
estaríamos a pedir para quebrar a promessa se não fosse importante. Talvez… talvez
você possa entrar em contacto com essa pessoa… — A quem ela tinha prometido? A
amante de Eric?
— E vê se não
tem problema você nos contar? —
— Ah pelo amor
de Deus, — disse Victor irritado. — Isso é ridículo e não vamos nenhum a lugar.
— Ele olhou para o irmão. — Robert? —
Robert não haviam feito muito até hoje, mas ao comando
de Victor, Robert se inclinou para frente.
— Sonya? —
Ainda assim, obviamente perturbada, ela se virou para
olhar para ele… e seu rosto ficou imóvel.
— Diga-nos o
que precisamos saber, — disse Robert. Sua voz era uma espécie de suavidade e
embaladora, com um toque levemente sinistro.
— Diga quem e
onde esta criança está. Diga-nos quem é a mãe. —
Desta vez, eu saltei para os meus pés. Robert estava
usando compulsão sobre ela para obter as respostas. Os olhos de Sonya estavam
fixados nele, mas seu corpo começou a tremer. Seus lábios se separaram, mas
nenhum som saiu. Um emaranhado de pensamentos rodopiavam em minha mente.
Compulsão nos levaria ao que precisávamos saber, mas algo me dizia, não era
certo. —
Sonya me impediu de mais reflexão. Ela atirou-se quase
tão rápida como eu. Ela ainda estava olhando para Robert, mas já não da forma
paralisada e hipnotizada. Ela tinha quebrado a compulsão, e agora… agora ela
estava fudida. Os recursos que haviam sido assustados e frágeis, anteriormente,
estavam cheios de fúria. Eu não tinha sentido mágico, mas depois de estar com
Lissa, eu conhecia espírito furioso quando o via.
Sonya era uma bomba prestes a explodir.
— Como você se
atreve… — Sibilou ela. — Como você se atreve a tentar obrigar-me? —
Plantas e vinhas perto de Robert de repente ganharam vida,
crescendo a alturas impossíveis. Eles chegaram para fora, enrolando-se em torno
das pernas da cadeira dele, e puxou. A cadeira tombou, Robert junto com ela.
Victor moveu-se para ajudar seu irmão, mas Robert já estava a tomar a matéria
com suas próprias mãos. Recuperando-se notavelmente rápido, ele estreitou os
olhos a Sonya, e ela saiu voando para trás, batendo contra o muro de madeira.
Usuários de Ar poderiam fazer este truque algumas vezes, mas não era Ar que a
estava empurrando. Esta foi telécinese, habilidade de Espírito. Ele
aparentemente possuía-os fora dos sonhos também. Adorável.
Eu tinha visto usuários de espírito em batalha antes,
quando Avery Lazar e Lissa tinham lutado um a um. Que não havia sido bonito,
particularmente desde que era mais fenómenos psíquicos exteriores que tinham
ocorrido. Avery tinha realmente escavado a mente de Lissa — e a minha. Eu não
sabia as habilidades de Robert ou Sonya num conjunto completo, mas isto não
acabaria bem.
— Dimitri! — Gritei,
saltando na direcção de Sonya. Eu não sei exactamente o que eu ia fazer, mas
abordar ela parecia um bom plano.
Pelo que eu tinha observado, muito do espírito
envolvido tinha contacto visual com o alvo. E com certeza, quando eu consegui
coloca-la para o chão, ela lutou com desleixo, mas a maioria foi para manter
seu olhar sobre Robert. Ele gritou de súbito alarme, olhando para seu próprio
corpo com terror. Sonya estava plantando visões em sua cabeça. Sua expressão
endureceu. Ele tinha que saber que era uma ilusão, e poucos momentos depois,
ele olhou para cima, tendo quebrado o seu feitiço como ela tinha quebrado sua
compulsão anteriormente.
Dimitri veio correndo para a porta naquele momento,
assim como Robert usou sua mente para lançar uma das cadeiras na direcção de
Sonya. Claro, eu estava em cima dela, a cadeira me bateu nas costas. Dimitri
apanhou muito rapidamente o que estava acontecendo e correu para Robert, tentar
a mesma táctica que eu. Victor, pensando possivelmente seu irmão estava em
perigo físico, tentou distanciar Dimitri, o que era inútil. Mais vinhas
começaram a chegar a Robert, e eu percebi que aprisionar Sonya não era tão
útil.
— Leva-o para
dentro! — Gritei para Dimitri. — Pegue-o para longe dela! —
Dimitri já tinha adivinhado e começou a arrastar
Robert para a porta. Mesmo com interferência de Victor, a força de Dimitri foi
suficiente para por Robert fora de lá e de volta para casa. Assim que seu alvo
se foi, toda a energia parecia sumir de Sonya. Ela não fez mais esforços para
lutar contra mim e desabou no chão. Fiquei aliviada, depois de ter temido que
ela se vira-se a mim uma vez que Robert tinha ido embora. Timidamente, ainda em
guarda, eu ajudei Sonya a sentar-se. Ela encostou-se a mim fraca, como uma
boneca de pano, e chorou em meu ombro.
Outro colapso.
Depois disso, era uma questão de controle de danos. A
fim de manter os usuários espírito distante, Dimitri tinha levado Robert para o
quarto e deixou Victor com ele. Robert parecia tão desgastado como Sonya e
Dimitri considerou os irmãos seguros o suficiente para os deixar sozinhos.
Sonya se lançou no sofá, e depois de tanto eu e Dimitri tentar acalmá-la, nos
afastamos enquanto Sidney pegou na mão da mulher Moroi.
Faço uma breve recapitulada do que tinha acontecido. O
rosto de Dimitri foi ficando mais e mais incrédulo quanto eu.
— Eu disse-te
que não era o momento! — Exclamou. — O que você estava pensando? Ela está muito
fraca! —
— Você chama
isso de fraca? E hey, eu estava indo muito bem! Não foi até Victor e Robert se
envolverem que as coisas foram para o inferno. —
Dimitri deu um passo em direcção a mim, a raiva
irradiava fora dele. — Eles nunca deveriam ter se envolvido. Isto é você,
agindo irracional, novamente, pulando loucamente sem pensar nas consequências.
—
Ultraje passou por mim em troca.
— Ei, eu estava
tentando fazer progressos nesta área. Se ser racional é estar sentado ao redor
e fazendo terapia, então eu estou feliz por saltar sobre a borda. Eu não tenho
medo de entrar em jogo. —
— Você não tem
ideia do que você está dizendo, — ele rosnou. Nós estávamos mais perto agora,
dificilmente havia qualquer espaço deixado entre nós, como estamos enredados em
nossa batalha de vontades. — Isto pode ter-nos feito retroceder. —
— Este rumo
leva-nos para a frente. Descobrimos que ela sabe sobre Eric Dragomir. O
problema é que ela prometeu não contar a ninguém sobre o bebé. —
— Sim, eu
prometi, — saltou Sonya. Dimitri e eu nos viramos como um só, percebendo que
nossa discussão era totalmente visível e audível para Sonya e Sydney.
— Eu prometi. —
Sua voz era muito pequena e fraca, articulado com a gente.
Sydney apertou a mão dela.
— Nós sabemos.
Não tem problema. Não tem problema cumprir as promessas. Eu entendo. —
Sonya olhou para ela com gratidão. — Obrigado.
Obrigado. —
— Mas, — disse
Sydney com cuidado. — Ouvi dizer que você se preocupa com Lissa Dragomir. —
— Eu não posso,
— interrompeu Sonya, ficando com medo novamente.
— Eu sei, eu
sei. Mas e se houvesse uma maneira de ajudá-la sem quebrar a sua promessa? —
Sonya olhou para Sydney. Dimitri olhou para mim
interrogativamente. Dei de ombros e olhei para Sydney também. Se alguém tivesse
perguntado quem poderia ter a melhor intervenção com uma mulher louca, que
tinha sido anteriormente um monstro morto-vivo, Sydney Sage teria sido a minha
última hipótese.
Sonya franziu a testa, toda a atenção em Sydney.
— O… O que você
quer dizer? —
— Bem… o que
você prometeu exactamente? Não dizer a ninguém que Eric Dragomir tinha uma
amante e um bebé? —
Sonya assentiu.
— E para não
dizer quem eram? —
Sonya assentiu com a cabeça novamente.
Sydney deu a Sonya o mais caloroso, sorriso amigável
que eu jamais tinha visto na Alquimista.
— Você promete
não contar a ninguém onde estão? — Sonya assentiu, e o sorriso de Sidney
vacilou um pouco. Então, seus olhos se iluminaram.
— Você prometeu
não levar alguém para onde eles estão? —
Sonya hesitou, sem dúvida, transformando cada palavra
em sua mente. Lentamente, ela balançou a cabeça.
— Não. —
— Então…você
poderia nos levar a eles. Mas não nos dizer onde elas realmente estão. Você não
estaria quebrando a promessa de nenhuma maneira. —
Isto foi a mais complicada, ridícula pedaço de lógica
que eu tinha ouvido até ali. Foi a coisa que eu teria que por no alto.
— Talvez… — Sonya
disse, ainda incerta.
— Você não ia
quebrar a promessa, — repetia Sydney. — E realmente iria ajudar a Lissa. —
Eu dei um passo à frente. — Ajudaria Mikhail também. —
A boca de Sonya caiu aberta com a menção de seu
ex-amante. — Mikhail? Você o conhece? —
— Ele é meu
amigo. Ele é amigo de Lissa também. — Eu quase disse que se encontrássemos o
Dragomir em falta, nós poderíamos então levar Sonya a Mikhail.
Lembrando dos sentimentos de indignidade de Dimitri,
eu decidi evitar a táctica agora. Eu não sei como Sonya reagiria a uma reunião
com seu amado.
— E ele quer
ajudar a Lissa. Mas ele não pode. Nenhum de nós pode. Nós não temos informação
suficiente. —
— Mikhail… — Sonya
olhou para suas mãos novamente, pequenas lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Você não vai
quebrar sua promessa. — Sydney foi tão convincente que ela poderia ter sido uma
usuária de espírito. — Apenas nos levar. É o que Mikhail e Lissa desejam. É a
coisa certa a fazer .—
Eu não sei que argumento convenceu mais Sonya. Poderia
ter sido a parte sobre o Mikhail. Ou poderia ter sido a ideia de fazer a coisa
certa. Talvez, como Dimitri, Sonya queria a redenção para seus crimes Strigoi e
viu isso como uma oportunidade. Olhando para cima, ela engoliu e encontrou os
meus olhos.
— Eu vou
leva-los lá. — Ela sussurrou.
— Estamos indo
em outra viagem, — declarou Sydney. — Preparem-se. —
Dimitri e eu ainda estávamos de pé um ao lado do
outro, a raiva entre nós começava a ser difundida. Sydney olhou orgulhosa e continuou
a tentar o seu melhor para acalmar Sonya.
Dimitri olhou para mim com um pequeno sorriso que
mudou um pouco quando ele pareceu ter consciência de quão perto estávamos. Eu
não poderia dizer com certeza, no entanto. Seu rosto estava um pouco distante.
Quanto a mim, eu estava muito consciente da nossa proximidade e senti-me
embriagada pelo seu corpo e perfume. Maldição. Por que lutar com ele sempre
aumenta a minha atracção por ele? Seu sorriso voltou quando ele inclinou a
cabeça em direcção a Sydney.
— Você estava
errada. Ela realmente é o novo general na cidade. —
Eu sorri de volta, esperando que ele não estivesse
consciente da minha reacção de nossos corpos tão perto.
— Talvez. Mas,
não tem problema. Você ainda pode ser coronel. —
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Oh? Será que
você vai se rebaixar a si mesma? Coronéis são logo abaixo do general. O que é
que faz de você? —
Enfiei a mão no bolso e as chaves do CR-V piscaram
triunfante, eu tinha roubado quando tínhamos voltado para dentro.
— O motorista.
— Eu disse.
Nenhum comentário:
Postar um comentário