quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 13

13 – A memória da brancura

“Minha mãe fez isso comigo?” Clary exigiu, mas sua surpresa indignação não soava
convincente, nem mesmo para as suas próprias orelhas. Olhando em volta, ela viu
pena nos olhos de Jace, e mesmo Alec que tinha adivinhado e parecia lamentar por
ela. "Por que?"
"Eu não sei." Magnus esticou suas longas e brancas mãos. "Não é o meu trabalho
fazer perguntas. Eu faço o que eu sou pago para fazer."
"Dentro dos limites do Pacto," Jace lembrou ele, sua voz suave como pêlo de gato.
Magnus inclinou sua cabeça. "Dentro dos limites do Pacto, é claro."
"Então o Pacto está em concordância com isso – esta violação mental?" Clary
perguntou amargamente. Quando ninguém respondeu, ela afundou na ponta da cama
de Magnus. "Foi só uma vez? Havia algo específico que ela queria que eu esquecesse?
Você sabe o que era?"
Magnus andou inquietamente até a janela. "Eu não acho que você entenda. A
primeira vez que te vi, você devia ter cerca de dois anos. Eu estava olhando dessa
janela," ele bateu no vidro, libertando uma ducha de poeira e restos de tinta, "e eu a
vi apressada pela rua, segurando algo embrulhado em um cobertor. Fiquei surpreso
quando ela parou na minha porta. Ela parecia tão normal, tão jovem."
A luz da lua tocou seu perfil falconizado com prata. “Ela desenrolou o cobertor quando
ela chegou a minha porta. Você estava lá dentro. Ela te sentou no chão e você
começou circulando por ali, pegando coisas, puxando o rabo do meu gato – você
gritou como um espírito quando o gato arranhou você, então eu perguntei a sua mãe
se você era parte espírito24.” Ela não riu. Ele pausou. Todos eles estavam olhando ele
intensamente agora, mesmo Alec. “Ela me disse que era uma Caçadora de Sombras.
Que não havia nenhum interesse nela mentir sobre isso; as Marcas do Pacto
apareciam, mesmo quando elas se desbotam com o tempo, como prateada cicatrizes
apagadas contra a pele. Elas piscaram quando ela se moveu.” Ele esfregou a
maquiagem de gliter ao redor de seus olhos. “Ela me disse que esperava que você
tivesse nascido com o olho cego para o Circulo – alguns Caçadores de Sombras tem
que ser ensinados a ver o Mundo das Sombras. Mas ela pegou você naquela tarde,
provocando uma fada presa em uma cerca. Ela sabia que você podia ver. Então ela
me perguntou se era possível ocultar você da Visão.”
Clary fez um pequeno barulho, uma dolorosa exalação de ar, mas Magnus continuou
sem remorso.
“Eu disse a ela que incapacitar aquela parte de sua mente poderia deixar você
danificada, possivelmente louca. Ela não chorou. Ela não era o tipo de mulher que
chora com facilidade, sua mãe. Ela me perguntou se não havia outro jeito,e eu falei
para ela que você poderia esquecer aquelas partes do Mundo das Sombras que você
podia ver, mesmo que você visse elas. A única ressalva era que ela teria que vir a
mim a cada dois anos, quando os resultados do feitiço começariam a desaparecer.”
24
   Onde se lê espírito é a palavra banshee que significa um espírito de mulher que chora antes da eminência da morte de
alguém.
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Cassandra Cale – The Mortal Instruments 01 – City of Bones
“E ela veio?” Clary perguntou.
Magnus acenou. “Eu vi você a cada dois anos desde a primeira vez... eu vi você
crescer. Você foi a única criança que eu vi crescer desse jeito, você sabe. Em meu
negócio não é geralmente bem vindo estar em torno de crianças humanas.”
“Então você reconheceu Clary quando nós entramos,” Jace disse. “Você deve ter
reconhecido.”
“Claro que reconheci.” Magnus soou exasperado. “E foi um choque, também. Mas o
que eu poderia fazer? Ela não me reconheceu. E era suposto que não me
reconhecesse. Só o fato dela estar aqui significava que o feitiço tinha começado a
desaparecer – e de fato, nós tínhamos um contrato para outra visita a um mês atrás.
Eu mesmo passei na sua casa quando eu voltei da Tanzânia, mas Jocelyn disse que
vocês duas tiveram uma briga e você saiu. Ela disse que ia ligar quando você
voltasse, mas” – em um elegante encolher de ombros – “mas ela nunca ligou.”
Um frio apagar da lembrança formigou a pele de Clary. Ela lembrava de estar em pé
no saguão próxima a Simon, esforçando para lembrar de algo que dançava a apenas
um canto de sua visão... Eu pensei ter visto o gato de Dorothea, mas era apenas um
truque de luz.
Mas Dorothea não tinha um gato. “Era você lá, naquele dia!” Clary disse: “Eu vi você
saindo do apartamento de Dorothea. Eu lembro dos seus olhos.”
Magnus pareceu como se ele pudesse ronronar. “Eu sou memorável, é verdade,” ele
exultou. Então ele balançou a cabeça. “Você não deveria se lembrar de mim,” ele
disse. “Eu lancei um glamour tão forte quanto uma parede, logo que vi você. Você
deveria estar indo direto para ele, primeiro de cara – pisquicamente falando. “
Se você topar com uma parede psíquica na cara –em primeiro lugar, você se livrará
das contusões psíquicas? Clary disse, “Se você tirar o feitiço de mim, eu serei capaz
de me lembrar de todas as coisas que eu esqueci? Todas as memórias que você
roubou?”
“Eu não posso tirar isso de você.” Magnus parecia desconfortável.
“O que?” Jace soou furioso. “Por que não? A Clave exige que você...”
Magnus olhou para ele friamente. “Eu não gosto de quando dizem o que devo fazer,
pequeno Caçador de Sombras.”
Clary podia ver o quanto Jace não gostava de ser referido como “pequeno”, mas
antes que ele pudesse lançar uma resposta, Alec falou. Sua voz estava suave,
pensativa. “Você não sabe como reverter isso?” ele perguntou. “O feitiço, eu quero
dizer.”
Magnus suspirou. “Anular um feitiço é muito mais difícil do que criá-lo em primeiro
lugar. A complexidade desse, o cuidado que eu coloquei tecendo ele – se eu fizesse
mesmo um pequeno erro em desembaraçar isso, sua mente poderia ser danificada
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para sempre. Além disso,” ele adicionou, “ele já começou a sumir. Os efeitos serão
varridos com o tempo por conta própria.”
Clary olhou para ele severamente. "Vou receber todas as minhas memórias de volta,
então? Sejam quais foram levadas para fora da minha cabeça?"
"Eu não sei. Elas podem voltar tudo de uma só vez ou em etapas. Ou talvez você
nunca se lembre do que você tenha esquecido, ao longo dos anos. O que a sua mãe
me pediu para fazer era único, em minha experiência. Eu não tenho nenhuma idéia
do que vai acontecer. "
"Mas eu não quero esperar." Clary fechou firmemente suas mãos em seu colo, seus
dedos apertados tão juntos que as pontas ficaram brancas. "Toda a minha vida eu
senti que havia algo errado comigo. Algo faltando ou danificado. Agora eu sei..."
"Eu não vou te prejudicar." Era a vez de Magnus interromper, seus lábios enrolaram
atrás raivosamente para mostrar nítidos dentes brancos. "Todo adolescente no
mundo se sente assim, sente quebrado ou fora de lugar, de alguma maneira
diferente, a realeza nascida por engano em uma família de camponeses. A diferença
no seu caso é que é verdade. Você é diferente. Talvez não melhor, mas diferente. E
não é nenhum piquenique ser diferente. Você quer saber o que é quando seus pais
são do bom povo religioso e você aparece e nasce com a marca do diabo?" Ele
apontou para os seus olhos, dedos estirados. "Quando seu pai recua a visão de você
e sua mãe se esconde a si mesma no celeiro, ficando louca por aquilo que ela tinha
feito? Quando eu tinha dez, meu pai tentou me afogar no riacho. Eu bati nele com
tudo o que eu tinha, incendiando ele, onde ele estava. Fui aos padres da igreja,
eventualmente, para o santuário. Eles me esconderam. Eles disseram que a piedade
era uma coisa amarga, mas é melhor do que o ódio. Quando eu descobri o que eu era
realmente, apenas um meio ser humano, eu me odiei. Qualquer coisa é melhor do
que aquilo."
Houve um silêncio quando Magnus terminou de falar. Para surpresa de Clary, foi Alec
quem quebrou ele. “Não foi culpa sua,” ele disse. “Você não pode fazer nada por ser
como você nasceu.”
A expressão de Magnus estava fechada. “Eu estou acima disso,” ele disse. “Eu acho
que queria dar meu ponto de vista. Diferente não é melhor, Clarissa. Sua mãe estava
tentando proteger você. Não jogue isso na sua cara.”
As mãos de Clary relaxaram seu aperto em cada uma. “Eu não me importo se sou
diferente,” ela disse. “Eu só queria saber quem eu realmente sou.”
Magnus jurou, numa língua que ela não conhecia. Soava como chamas estalando.
"Tudo bem. Escute. Não posso desfazer o que eu fiz, mas posso lhe dar algo mais.
Um pedaço do que teria sido seu caso você tivesse sido levantada como uma
verdadeira criança de Nephilim." Ele andou largamente através do quarto para a
estante de livros e arrastou para baixo um pesado volume encapado em um veludo
verde apodrecido. Ele se lançou através das páginas, derramando poeira e pedaços
de panos empretecidos. As páginas eram finas, quase um translúcido pergaminho
como casca de ovo, cada uma marcada com uma gritante runa preta. A sobrancelha
de Jace subiu.
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“Essa é uma cópia do Livro Cinza?” Magnus, febrilmente passando as páginas, não
disse nada.
“Hodge tem um,” Alec observou. “Ele mostrou para mim uma vez.”
“Ele não é cinza,” Clary sentiu compelida a apontar isso. “É verde.”
"Se houve semelhante coisa quanto expressão literal, você morreria na infância,"
disse Jace, limpando a poeira ao largo do umbral da janela e olhando como se
considerando se ela estava limpa o suficiente para se sentar. "Gray (cinza) é a
abreviatura para „Gramarye'. Que significa 'mágico, sabedoria escondida‟. Em que é
copiada cada runa que o Anjo Raziel escreveu no livro original do Pacto. Não há
muitos exemplares, pois cada um tem de ser especialmente feito. Alguns das Runas
são tão poderosas que elas queimam através das páginas regulares."
Alec parecia impressionado. "Eu não sabia disso tudo."
Jace saltou para o assento na janela e juntou suas pernas. “Nem todos nós dormimos
durante as lições de história.”
“Eu não...”
“Ah, sim você dorme, e além disso, baba em cima da mesa.”
“Calem a boca,” Magnus disse, mas ele disse bem suavemente. Ele enganchou seus
dedos entre duas páginas do livro e veio para cima de Clary, fixando-o com cuidado
em seu colo. “Agora, quando eu abrir o livro, eu quero que você estude a página.
Olhe para ela até que você sinta alguma coisa mudar dentro da sua mente.”
“Isso vai doer?” Clary perguntou nervosamente.
“Todo conhecimento machuca.” Ele replicou, e ficou parado, deixando o livro cair
aberto em seu colo. Clary olhou abaixo para a página branca com uma marca de runa
preta derramada sobre ela. Ela parecia alguma coisa como um espiral alado, até que
ela inclinou sua cabeça, e então pareceu como um grupo de curvas ao redor com uma
videira. Os mutáveis cantos do padrão fizeram cócegas em sua mente como penas
roçando contra a pele sensível. Ela sentiu o tiritante cintilar da reação, fazendo ela
querer fechar seus olhos, mas ela segurou eles abertos até eles picarem e
desfocarem. Ela estava prestes a piscar quando ela sentiu aquilo: um clique dentro de
sua cabeça, como uma chave girando em uma fechadura.
A runa na página parecia saltar dentro em um acentuado foco, e ela pensou,
involuntariamente, Recordar. Se a runa era uma palavra, teria sido esta, mas não
havia ali mais sentido do que qualquer palavra que ela pudesse imaginar. Era uma
primeira memória de criança, da luz caindo através das barras do berço, lembrou o
cheiro da chuva e das ruas da cidade, a dor da perda não esquecida, a dor aguda da
humilhação relembrada, e dos cruéis esquecimentos dos velhos, quando a mais
antiga das memórias aparece com agonizante e clara precisão, e a aproximação de
incidentes são perdidos além das lembranças.
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Com um pequeno suspiro ela virou a próxima página, e a outra, deixando as imagens
e as sensações fluírem sobre ela. Tristeza. Pensamento. Força. Proteção. Graça – e
então ela lamentou em surpresa repreensão quando Magnus arrebatou o livro do seu
colo.
“Já chega,” ele disse, deslizando ele de volta a prateleira. Ele limpou a poeira de suas
mãos sobre suas calças coloridas, deixando estrias de cinza. “Se você ler todas as
Runas de uma só vez, você vai ter dor de cabeça.”
“Mas...”
“A maioria das crianças Caçadoras de Sombras crescem aprendendo uma runa ao
final de um tempo, a cada período de anos,” Jace disse. ”O Livro Cinza contém runas
que mesmo eu não conheço.”
“Imagine só isso,” Magnus disse.
Jace ignorou ele. “Magnus mostrou a você a runa do entendimento e da recordação.
Ela abrirá sua mente para ler e reconhecer o resto das Marcas.”
“Também pode servir como um gatilho para ativar as memórias latentes,” Magnus
disse. “Elas podem retornar a você mais rapidamente do que seria de outra forma.
Isso é o melhor que eu posso fazer.”
Clary olhou para o seu colo. “Eu ainda não me lembro nada sobre a Taça mortal.”
“Então isto é sobre isso?” Magnus soou realmente atônito. “Vocês estão atrás da Taça
do Anjo? Olhe, eu já olhei através de suas memórias. Lá não há nada nelas sobre os
Instrumentos Mortais.”
“Instrumentos Mortais?” Clary repetiu, confusa. “Eu pensei...”
“O Anjo deu três itens para o primeiro dos Caçadores de Sombras. Uma taça, uma
espada e um espelho. Os Irmãos do Silêncio têm a espada, a taça e o espelho
estavam em Idris, pelo menos até Valentine aparecer.”
“Ninguém sabe onde o espelho está,” Alec disse. “Ninguém sabe a anos.”
“É a Taça que nos preocupa,” Jace disse. “Valentine está procurando por ela.”
“E vocês querem chegar a ela antes que ele o faça?” Magnus perguntou, suas
sobrancelhas levantando acima.
“Você não tinha dito que não sabia quem era Valentine?” Clary apontou.
“Eu menti,” Magnus admitiu candidamente. ”Eu não sou bobo, você sabe. Eu não sou
obrigado a ser sincero. E só um idiota iria ficar entre Valentine e sua vingança.”
“É disso que você acha que ele está atrás? Vingança?” Jace disse.
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“Eu acho que sim. Ele sofreu uma séria derrota e ele dificilmente parecia... parece... o
tipo de homem que sofre uma derrota graciosamente.”
Alec olhou duramente para Magnus. “Você estava no Revolta?”
Os olhos de Magnus se prenderam aos de Alec. “Eu estava. Eu matei um número de
seu povo.”
“Membros do Circulo.” Jace disse rapidamente. “Não nossos...”
“Se você insiste em negar aquilo que é, ser horrível sobre o que você faz,” Magnus
disse, olhando ainda para Alec, “você nunca vai aprender com os seus erros.”
Alec, puxando a coberta com uma mão, enrubesceu em um vermelho infeliz. “Você
não parece surpreso ao ouvir falar que Valentine está vivo,” ele disse, evitando o
olhar de Magnus.
Magnus esticou suas mãos. “E você?”
Jace abriu sua boca, e então a fechou novamente. Ele parecia realmente confundido.
Eventualmente ele disse: “Então você não vai nos ajudar a achar a Taça Mortal?”
“Eu não iria, se eu pudesse,” Magnus disse, “o que, a propósito, eu não posso. Eu não
tenho idéia de onde ela está, e eu não quero saber. Apenas um tolo, como eu disse.”
Alec sentou ereto. “Mas sem a Taça, nós não podemos...”
“Fazer mais de vocês. Eu sei,” Magnus disse. “Talvez nem todo mundo considere
semelhante a catástrofe aquilo que você faz. Veja bem,” ele acrescentou, "se eu
tivesse que escolher entre a Clave e Valentine, eu iria escolher a Clave. Pelo menos
não estão realmente jurados de extinguir a minha espécie. Mas nada que a Clave fez
ganhou minha inabalável lealdade. Então não, eu vou sentar do lado de fora. Agora,
se nós terminamos aqui, eu gostaria de voltar para a minha festa antes que qualquer
um dos convidados comam um ao outro.”
Jace, que estava abrindo e fechando suas mãos, parecia estar prestes a dizer algo
furioso, mas Alec, ficando de pé, colocou uma mão sobre seu ombro. Clary não
poderia realmente dizer pela falta de clareza, mas parecia como se Alec estivesse
espremendo bastante apertado. "E isso é provável?" ele perguntou.
Magnus estava olhando para ele com algum divertimento. "Isso aconteceu antes."
Jace murmurou algo para Alec, que se foi. Desligando-se de si mesmo, ele veio para
perto de Clary. “Você está bem?” ele perguntou em uma voz baixa.
“Eu acho que sim. Eu não sinto nada diferente...” Magnus, de pé junto a porta, bateu
seus dedos impacientemente. “Mexam-se adolescentes. A única pessoa que pode ter
afagos em meu quarto é meu magnífico eu.”
“Afago?” repetiu Clary, nunca tendo ouvido essa palavra antes.
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“Magnífico?” repetiu Jace, que estava apenas sendo desagradável. Magnus rosnou. O
rosnar soou como um “Sai”.
Eles saíram, Magnus trilhando atrás deles enquanto ele pausava para fechar a porta
de seu quarto. O tenor da festa pareceu sutilmente diferente para Clary. Talvez era
apenas sua ligeiramente visão alterada: Tudo parecia mais claro, bordas cristalinas
acentuadamente definidas. Ela olhou um grupo de músicos tomarem o pequeno palco
no centro da sala. Eles usavam roupas fluidas em profundas cores de ouro, roxo e
verde e suas vozes eram acentuadamente altas e etéreas.
“Eu odeio bandas de fadas,” Magnus murmurou enquanto os músicos seguiam em
uma outra música espiritual, a melodia tão delicada e translúcida quanto pedras de
cristal. “Tudo o que eles tocam são baladas deprimentes.”
Jace, olhou ao redor da sala, rindo. “Onde está Isabelle?”
Uma torrente de culpa acertou Clary. Ela se esqueceu de Simon. Ela girou ao redor,
procurando os familiares ombros magros e a massa de cabelos escuros. "Eu não vejo
ele. Eles, quero dizer."
"Lá está ela." Alec avistou sua irmã e acenou acima dele, parecendo aliviado. "Aqui. E
cuidado com o phouka."
"Cuidado com o phouka?" Jace repetiu, olhando na direção de um magro homem com
pele castanha em um colete verde estampado que olhou Isabelle pensativamente
enquanto ela caminhava perto dele.
"Ele me deu um beliscão quando passei por ele mais cedo," Alec disse duramente.
"Em uma área grandemente pessoal."
“Eu odeio cortar você, mas se ele estava interessado em sua área grandemente
pessoal, ele provavelmente não estará interessado na da sua irmã.”
“Não necessariamente,” Magnus disse. “Povo das fadas não são específicos.”
Jace curvou seu lábio desdenhosamente na direção do bruxo. “Você ainda está aqui?”
Antes que Magnus pudesse responder, Isabelle estava em cima deles, parecendo com
o rosto rosado e manchado, cheirando fortemente a álcool. “Jace! Alec! Onde vocês
estavam? Eu estava procurando por todo...”
“Onde está Simon?” Clary interrompeu.
Isabelle cambaleou. ”Ele é um rato,” ela disse sombriamente.
“Ele fez alguma coisa com você?” Alec estava cheio de preocupação fraternal. “Ele
tocou em você? Se ele tentou alguma coisa...”
“Não, Alec,” Isabelle disse com irritação. “Não desse jeito. Ele é um rato.”
“Ela está bêbada,” Jace disse, começando a se virar para longe com desgosto.
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“Eu não estou,” Isabelle disse indignada. ”Bem, talvez um pouco, mas esse não é o
ponto. O ponto é, Simon bebeu um daqueles drinks azuis... eu disse para ele não
beber, mas ele não me escutou... e ele virou um rato.”
“Um rato?” Clary repetiu incredulamente. “Você não quer dizer...”
“Eu quero dizer um rato,” Isabelle disse. “Pequeno, Marron, Cauda escamosa.”
“A Clave não vai gostar disso,” Alec disse incerto. “Eu tenho certeza que mundanos
tornarem-se em ratos é contra a Lei.”
“Tecnicamente ela não virou ele em um rato,” Jace apontou. “A pior coisa que ela
poderia ser acusada seria por negligência.”
“Quem se importa com a estúpida Lei?” Clary gritou, segurando os pulsos de Isabelle.
“Meu melhor amigo é um rato!”
“Aiii!” Isabelle tentou puxar seus pulsos de volta. “Me deixe ir!”
“Não até que você me diga onde ele está.” Ela nunca precisou bater em ninguém
como agora ela queria acertar Isabelle naquele exato momento. “Eu não acredito que
você largou ele – provavelmente ele está aterrorizado...”
“Se ele não foi pisoteado,” Jace apontou inutilmente.
“Eu não deixei ele. Ele correu para debaixo do bar,” Isabelle protestou, apontando.
“Vamos lá! Você está amassando a minha pulseira.”
“Cadela,” Clary disse selvagemente, e lançando a mão de Isabelle de volta a ela –
parecendo surpresa, duramente. Ela não esperou por uma reação; ela foi correndo
em direção ao bar. Dobrando seus joelhos, ela perscrutou no espaço escuro embaixo
dele. No cheiro bolorento na escuridão, ela pensou ter detectado um par de
reluzentes olhos redondos.
“Simon?” Ela disse, sua voz chocada. “É você?”
Simon o rato, penetrou a frente ligeiramente, seus bigodes tremendo. Ela podia ver a
forma de suas pequenas orelhas arredondadas, planas contra sua cabeça, e o ponto
afinado de seu nariz. Ela lutou com o sentimento de repugnância – ela nunca gostou
de ratos, com seus quadrados dentes amarelados, todos prontos para morder. Ela
desejou que ele tivesse se tornado um hamster.
“Sou eu, Clary,” ela disse lentamente. “Você está bem?”
Jace e os outros chegaram atrás dela, Isabelle parecendo mais irritada agora do que
chorosa. "Ele está ai embaixo?" Jace perguntou curiosamente.
Clary, ainda em suas mãos e joelhos, concordou. "Shh. Vocês vão assustar ele." Ela
empurrou os dedos delicadamente sob a borda do balcão, e meneou eles. "Por favor
saia, Simon. Nós vamos pedir para Magnus reverter o feitiço. Vai ficar tudo bem."
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Ela ouviu um guincho, e o rato botou o nariz cor de rosa para fora de debaixo do
balcão. Com uma exclamação de alívio, Clary apanhou o rato em suas mãos. "Simon!
Você me entendeu!"
O rato, se aconchegou na concavidade das palmas das mãos, guinchando carrancudo.
Encantada, ela o abraçou em seu peito. "Oh, pobre querido," ela murmurou
sentimentalmente, quase como se ele fosse um animal de estimação. "Pobre Simon,
vai ficar tudo bem, eu prometo..."
"Eu não lamento muito por ele," Jace disse. "Esse provavelmente é o mais próximo
que ele jamais chegou da segunda base."
“Cala a boca!” Clary olhou para Jace furiosamente, mas ela afrouxou seu aperto sobre
o rato. Seus bigodes estavam tremendo, quer por raiva ou agitação ou simples terror,
ela não podia dizer. “Me leve ao Magnus,” ela disse rispidamente. “Nós temos que
transformá-lo de volta.”
“Não vamos ser precipitados.” Jace estava realmente sorrindo, o bastardo. Ele se
aproximou em direção a Simon como se ele fosse um animalzinho de estimação para
ele. “Ele é bonitinho desse jeito. Olha esse seu narizinho rosa.”
Simon descobriu seus longos dentes amarelos para Jace e fez um movimento de
dentada. Jace puxou sua mão de volta. “Izzy, vá buscar nosso magnífico anfitrião.”
“Por que eu?” Isabelle pareceu petulante.
“Por que é sua culpa o mundano ser um rato, idiota,” ele disse, e Clary ficou perplexa
como raramente nenhum deles, exceto Isabelle, dizer alguma vez o real nome de
Simon. “E nós não podemos deixar ele aqui.”
“Você ficaria feliz em deixá-lo se não fosse por ela,” Isabelle disse, administrando
para injetar em cada sílaba da palavra com veneno suficiente para envenenar um
elefante. Ela andou com arrogância, sua saia sacudindo em torno de seu quadril.
"Eu não posso acreditar que ela deixou você beber aquele drink azul," Clary disse a
Simon, o rato. "Agora você viu o que você consegue sendo tão superficial."
Simon guinchou irritado. Clary ouviu alguém rir e olhou por acima para ver Magnus
se inclinando sobre ela. Isabelle parada atrás dele, sua expressão furiosa. “Rattus
norvegicus,” Magnus disse, olhando para Simon. “Um rato comum marrom, nada de
exótico.”
“Eu não me importo com que tipo de rato ele é,” Clary disse rabugenta. “Eu quero
ele de volta.”
Magnus coçou sua cabeça pensativamente, derramando gliter. “Não precisa,” ele
disse.
“Foi isso que eu disse,” Jace pareceu satisfeito.
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“NÃO PRECISA?” Clary gritou, tão alto que Simon escondeu sua cabeça debaixos de
seu polegar. “COMO VOCÊ PODE DIZER QUE NÃO PRECISA?”
“Por que ele se transformará de volta em si mesmo em umas poucas horas,” Magnus
disse. “O efeito do coquetel é temporário. Não preciso trabalhar em um feitiço de
transformação; isso vai apenas traumatizar ele. Muita mágica é difícil nos mundanos,
seus sistemas não estão acostumados a isso.”
“Dúvido que seu sistema está acostumado a ser um rato, também.” Clary salientou.
“Você é um bruxo, você não pode simplesmente reverter o feitiço?”
Magnus considerou. “Não,” ele disse.
“Você quer dizer que não quer.”
“Não de graça querida, e você não pode me pagar.”
“Eu não posso levar para casa um rato pelo metrô também,” Clary disse
melancolicamente. “Eu posso derrubar ele, ou um da polícia MTA (Mail Transfer
Agent) pode me prender por transportar animais nocivos no sistema de trânsito.”
Simon esganiçou seu aborrecimento. “Não que você seja uma peste, é claro.”
Uma garota que estava chamando pela porta, estava agora unida a seis ou sete
outros. O som de vozes iradas subiu acima do zumbido da festa e da pressão da
música. Magnus rolou seus olhos. “Desculpem-me,” ele disse, voltando para dentro
da multidão, que se fechou atrás dele instantaneamente.
Isabelle, oscilando em suas sandálias, expulsou um suspiro tempestuoso. “Tanto por
sua ajuda.”
“Você sabe,” Alec disse, “você pode sempre colocar o rato em sua mochila.”
Clary olhou duramente para ele, mas não pode achar nada de errado com a idéia.
Não era como se ela tivesse um bolso e pudesse envolver ele dentro. As roupas de
Isabelle não tinham bolsos; elas eram muito apertadas. Clary estava espantada delas
pertencerem a Isabelle.
Recolhendo sua mochila, ela encontrou um lugar escondido para um pequeno rato
marrom que era Simon, aninhado entre seu suéter enrolado e seu caderno de
esboços. Ele se enrolou em cima da carteira, parecendo cheio de acusação. “Me
desculpe,” ela disse miseravelmente.
“Não se incomode,” Jace disse, “por que os mundanos sempre insistem em assumir a
responsabilidade de coisas que não são sua culpa é um mistério para mim. Você não
forçou aquele coquetel abaixo de sua garganta idiota.”
“Se não fosse por mim, ele não teria vindo aqui de jeito nenhum,” Clary disse em
uma voz pequena.
“Não se lisonjeie. Ele veio por causa de Isabelle.”
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Enraivecida Clary sacudiu o topo de sua sacola fechando e se levantou. “Vamos sair
daqui. Eu estou cansada desse lugar.”
O apertado nó de pessoas gritando pela porta eram mais vampiros, facilmente
reconhecíveis pela palidez da pele e da negridão morta de seus cabelos. Devem ser
pintados, Clary pensou, eles não podiam ser todos naturalmente de cabelos escuros,
e além disso, alguns deles tinham sobrancelhas loiras. Eles estavam se queixando de
suas motos vandalizadas e com o fato de alguns dos seus amigos estarem faltando e
desaparecidos. "Eles provavelmente estão bêbados e desmaiados em algum lugar,"
Magnus disse, acenando longos dedos brancos de uma forma entediada. "Você sabe
que muitos tendem a se transformar em morcegos e montes de poeira, quando vocês
vão um pouco demais com os Bloody Marys."
“Eles misturam sua vodka com sangue de verdade,” Jace disse no ouvido do Clary.
A pressão de sua respiração fez Clary tremer. “Sim, eu saquei isso, obrigada.”
“Nós não podemos ir por aí pegando cada pilha de poeira do lugar em caso de ela se
transformar em Gregor pela manhã.” A garota disse com uma irritada boca e pintada
acima das sobrancelhas.
“Gregor vai ficar bem. Eu raramente faço limpeza,” Magnus acalmou. “Eu vou ficar
feliz em enviar qualquer dos extraviados de volta ao hotel amanhã – em um carro de
janelas escuras, é claro.”
“Mas e sobre nossas motos?” disse um garoto magro de raízes loiras que mostravam
o péssimo trabalho da tintura. Um brinco dourado em forma de uma estaca estava
em sua orelha esquerda. “Vai levar horas para eu consertá-las.”
“Você tem até o amanhecer,” Magnus disse, o temperamento visivelmente se
desgastando. “Eu sugiro que você comece.” Ele levantou sua voz. “Tudo bem, é isso!
A festa acabou! Todos pra fora!” Ele balançou seus braços, derramando gliter.
Com um simples e alto arranhado a banda parou de tocar. Um zumbido mais alto de
queixa cresceu entre os freqüentadores da festa, mas eles se moveram
obedientemente em direção a entrada. Nenhum deles parou para agradecer a Magnus
pela festa.
“Vamos.” Jace empurrou Clary em direção a saída. A multidão era densa. Ela segurou
sua mochila na frente dela, as mãos protetoramente em volta dela. Alguém bateu em
seu ombro, forte, e ela gritou e se moveu para o lado, afastando-se de Jace. Uma
mão tocou sua mochila. Ela olhou para cima e viu o vampiro com a estaca na orelha
sorrindo para ela. “Hei, coisinha linda,” ele disse. “O que tem na sacola?”
"Água benta," Jace disse, reaparecendo ao seu lado como se ele tivesse sido evocado
como um gênio. Um gênio loiro sarcástico com uma má atitude.
"Oooh, um Caçador de Sombras," disse o vampiro. "Assustador." Com um piscar, ele
se misturou de volta na multidão.
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"Os vampiros são tão prima donnas." Magnus suspirou da entrada. "Honestamente,
eu não sei por que eu tenho essas festas."
“Por causa do seu gato,” Clary lembrou ele.
Magnus se empertigou. “É verdade. Presidente Miau merece cada esforço meu.” Ele
olhou para ela e se comprimiu junto dos Caçadores de Sombras, bem atrás dela.
“Vocês já vão sair?”
Jace concordou. “Não queremos demorar em nossa hospitalidade.”
“Que hospitalidade?” Magnus perguntou. “Eu diria que foi um prazer conhecer vocês,
mas não foi. Não que vocês todos sejam bastante encantadores, e quanto a você...”
Ele deixou cair um piscar cheio de brilho para Alec, que pareceu atônito. “Me liga?”
Alec enrubesceu e gaguejou e provavelmente teria fica ali a noite toda se Jace não
tivesse segurado seu cotovelo e rebocado ele em direção a porta, Isabelle em seus
calcanhares. Clary estava prestes a segui-los quando ela sentiu um leve toque em
seu braço, era Magnus. “Tenho uma mensagem para você,” ele disse. “Vem de sua
mãe.”
Clary estava tão surpresa que ela quase deixou cair a mochila. "Da minha mãe? Você
quer dizer, ela pediu para você me dizer alguma coisa?"
"Não exatamente," Magnus disse. Seus olhos felinos, por sua única fenda vertical na
pupila como fissuras em uma parede verde-dourada, estavam sérios dessa vez. "Mas
eu a conhecia de uma forma que você não conheceu. Ela fez o que fez para mantê-la
fora de um mundo que ela odiava. De toda sua existência, o funcionamento, os
esconderijos – as mentiras, como ela chamava eles – para mantê-la segura. Não
desperdice o sacrifício dela arriscando sua vida. Ela não iria querer isso."
"Ela não iria querer que eu salvasse ela?"
"Não se significasse você colocar a si mesma em perigo."
“Mas eu sou a única pessoa que se importa com o que acontecer com ela...”
“Não,” Magnus disse. “Você não é.”
Clary piscou. “Eu não entendo. Existe... Magnus, se você sabe alguma coisa...”
Ele cortou ela com brutal precisão. “E uma última coisa.” Seus olhos lançaram-se em
direção a porta, através da qual Jace, Alec, e Isabelle tinham desaparecido. “Tenha
em mente que, quando sua mãe fugiu do Mundo das Sombras, não era dos monstros
que ela estava escondendo. Nem dos bruxos, dos homens lobo, do povo das fadas,
nem mesmo dos próprios demônios. Era deles. Era dos Caçadores de Sombras.”
Eles estavam esperando por ela do lado de fora do estabelecimento. Jace, mãos nos
bolsos, estava inclinado contra a escada gradeada, observando enquanto os vampiros
espalhavam-se em torno de suas motocicletas quebradas, amaldiçoando e
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blasfemando. Ele tinha um ligeiro sorriso em seu rosto. Alec e Isabelle estavam um
pouco afastados. Isabelle estava limpando os seus olhos, e Clary sentiu uma onda de
fúria irracional – Isabelle mal conhecia Simon. Esta não era a sua desgraça. Clary era
a única que tinha o direito de se importar, não a garota Caçadora de Sombras.
Jace se desprendeu das grades quando Clary apareceu. Ele andou ao lado dela, sem
falar. Ele parecia perdido em pensamentos. Isabelle e Alec, apressando-se adiante,
soavam como se estivessem discutindo um com o outro. Clary apressou um pouco
mais o passo, levantando seu pescoço para ouvir eles melhor.
"Não é sua culpa", Alec estava dizendo. Ele soou cansado, como se ele tivesse
passado através deste tipo de coisa com sua irmã antes. Clary quis saber quantos
namorados que ela tinha transformado em ratos por acidente. "Mas isso deveria te
ensinar a não ir a tantas festas de Downworld," ele acrescentou. "Elas são sempre
mais problemas do que elas valem a pena".
Isabelle fungou ruidosamente. “Se alguma coisa tivesse acontecido com ele, eu... eu
não sei o que eu teria feito.”
“Provavelmente qualquer coisa que você já fez antes,” Alec disse em uma voz
entediada. “Não é como você conhecesse ele tão bem.”
“Isso não significa que eu não...”
“O que? Ama ele?” Alec zombou, aumentando sua voz. “Você precisa conhecer
alguém para amar ele.”
“Mas isso não é tudo.” Isabelle pareceu quase triste. “Você não teve nenhuma
diversão na festa, Alec?”
"Não."
"Eu achei que você iria gostar de Magnus. Ele é legal, não é?"
"Legal?" Alec olhou para ela como se ela estivesse louca. "Gatos são legais. Bruxos
são..." Ele hesitou. "Não," ele terminou, sem jeito.
"Eu achei que você concordasse." Os olhos maquiados de Isabelle brilharam tão
brilhantes quanto lágrimas quando ela olhou para seu irmão. "Fazer amigos."
"Eu tenho amigos," Alec disse, e olhou acima do seu ombro, quase como se ele não
pudesse ajudar ela, para Jace.
Mas Jace, sua cabeça dourada abaixada, perdido em pensamentos, não notou.
Em um impulso Clary chegou a abrir a mochila e olhar para ela e franziu a
sobrancelha. A mochila estava aberta. Ela rememorou a festa – ela tinha levantado a
sacola, puxado o zíper fechado. Ela tinha certeza disso. Ela sacudiu a mochila aberta,
o seu coração batendo.
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Ela lembrou da vez que teve sua carteira roubada no metrô. Ela se lembrou que
abrindo sua bolsa, não tinha nada lá, sua boca seca em surpresa – Eu deixei ela cair?
Eu perdi ela? E percebendo: Ela se foi. Isto foi como aquilo, apenas um milhão de
vezes pior. A boca seca como osso, Clary apalpou através da sacola, empurrando de
lado as roupas e o caderno de esboços, suas unhas juntando os grãozinhos. Nada.
Ela parou de andar. Jace estava pairando à frente dela, parecendo impaciente, Alec e
Isabelle já estavam a um bloco a frente. "O que há de errado?" Jace perguntou, e ela
poderia dizer que ele estava prestes a acrescentar algo sarcástico. Ele deve ter visto
o olhar na cara dela, porque ele não disse. "Clary?"
“Ele se foi,” ela sussurrou “Simon... ele estava em minha mochila.”
"Será que ele saiu?"
Aquilo não era uma questão não razoável, mas Clary, exausta e afetada pelo pânico,
reagiu exageradamente. "Claro que não iria sair!" ela gritou. "O quê, você acha que
ele iria querer ser esmagado debaixo do carro de alguém, morto por um gato..."
“Clary...”
“Cala a boca!” ela gritou, sacudindo a mochila para ele. “Você é o único que disse não
se incomodar em torná-lo de volta...”
Destramente ele apanhou a sacola quando ela balançou-a. Tirando ela de sua mão,
ele examinou. “O zíper foi rasgado,” ele disse. “Do lado de fora. Alguém rasgou essa
sacola para abrir.”
Balançando sua cabeça entorpecidamente, Clary podia só sussurrar, "Eu não..."
"Eu sei." Sua voz era suave. Ele fechou suas mãos em torno de sua boca. "Alec!
Isabelle! Vão em frente! Nós te alcançamos."
As duas figuras, já muito à frente, pausaram. Alec hesitou, mas sua irmã pegou o seu
braço e o empurrou firmemente em direção a entrada do metrô. Algo pressionou
Clary contra suas costas: Era a mão de Jace, girando em torno dela suavemente. Ela
deixou ele a conduzir para frente, ao longo das rachaduras na calçada, até que eles
estavam lá na entrada do edifício de Magnus. O cheiro de álcool insípido e doce, um
sinistro cheiro que Clary tinha associado aos Downworlders enchiam o pequeno
espaço. Levando sua mão longe da dela de volta, Jace pressionou a campainha acima
do nome de Magnus.
"Jace," disse ela.
Ele olhou abaixo para ela. “O que?”
Ela procurou as palavras. “Você acha que ele está bem?”
“Simon?” Ele então hesitou, e ela lembrou das palavras de Isabelle: “Não lhe faça
uma pergunta a menos que você possa agüentar ouvir a resposta.” Ao invés de
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responder alguma coisa, ele pressionou a campainha novamente, mais forte dessa
vez.
Dessa vez Magnus respondeu, em sua voz se expandindo através da pequena
entrada, “QUEM OUSA PERTURBAR MEU DESCANSO?”
Jace pareceu quase nervoso. “Jace Wayland. Se lembra? Eu sou da Clave.”
“Ah, sim.” Magnus pareceu recuperar-se. “Você é aquele de olhos azuis?”
“Ele quer dizer o Alec,” Clary disse utilmente.
“Não, os meus olhos são geralmente descritos como dourados,” Jace disse pelo
interfone. “E luminosos.”
“Ah, você é aquele.” Magnus soou desapontado. Se Clary não estivesse tão chateada,
ela poderia ter rido. “Eu suponho que você queira entrar.”
O bruxo apareceu em sua porta usando um quimono de seda pintado com dragões,
um turbante dourado, e uma expressão abertamente de aborrecimento.
"Eu estava dormindo," ele disse grandiosamente.
Jace olhou como se ele estivesse prestes a dizer algo rude, possivelmente sobre o
turbante, então Clary interrompeu ele. "Desculpe incomodá-lo..."
Algo pequeno e branco surgiu em torno dos tornozelos do bruxo. Ele tinha listras em
zigue-zague em cinza e tufosas orelhas rosa que fazia ele parecer mais com um
grande rato do que com um pequeno gato.
"Presidente Miau?" Clary adivinhou.
Magnus concordou. "Ele voltou."
Jace observou o pequeno gatinho com algum desprezo. "Não é um gato," ele
observou. "É do tamanho de um hamster."
“Eu vou gentilmente esquecer que você disse isso,” Magnus disse, usando o pé para
cutucar Presidente Miau para trás dele. “Agora, exatamente o que você veio fazer
aqui?”
Clary segurou sua sacola rasgada. ”É Simon. Ele está sumido.”
“Ah,” disse Magnus, delicadamente, “sumido o quê, exatamente?”
“Sumido,” Jace repetiu, “ele se foi, é notável a falta de sua presença, desapareceu.”
“Talvez ele tenha se escondido debaixo de alguma coisa,” Magnus sugeriu. “Pode não
ser fácil se acostumar a ser um rato, principalmente para alguém tão estúpido, em
primeiro lugar."
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"Simon não é estúpido," protestou Clary com raiva.
"É verdade," Jace concordou. "Ele parece estúpido. Realmente sua inteligência é
bastante média." Seu tom era leve, mas seus ombros estavam tensos quando ele se
virou para Magnus. "Quando estávamos saindo, um de seus convidados esbarrou em
Clary. Acho que ele rasgou abrindo sua bolsa e pegou o rato. Simon, quero dizer."
Magnus olhou para ele. “E?”
"E eu preciso descobrir quem foi," Jace disse progressivamente. "E eu adivinho que
você sabe. Você é o Alto Bruxo do Brooklyn. Eu estou imaginando que não há muito
coisa que aconteça em seu próprio apartamento que você não saiba."
Magnus inspecionou uma unha brilhante. "Você não está errado."
"Por favor, nos diga," Clary disse. Jace apertou a mão em seu pulso. Ela sabia que ele
queria que ela ficasse calma, mas era impossível. "Por favor."
Magnus desceu a mão com um suspiro. "Tudo bem. Eu vi um dos garotos vampiros
de moto vindo do covil na cidade, sair com um rato marrom em suas mãos.
Sinceramente, eu pensei que era um dos seus. Crianças da Noite às vezes se
transformam em ratos ou morcegos quando estão bêbados."
As mãos de Clary estavam tremendo. “Mas agora você acha que era Simon?”
“É só um palpite, mas parece provável.”
“Há mais uma coisa.” Jace falou calmo o suficiente, mas ele não estava alerta agora,
da forma como ele tinha estado antes no apartamento quando eles encontraram o
Esquecido. “Onde é o covil deles?”
“Deles o que?”
“O covil dos vampiros. Esse é o lugar para onde eles foram, não é?”
“Eu imagino que sim.” Magnus pareceu como se ele preferisse estar em outro lugar.
“Você precisa me dizer onde é isso.”
Magnus sacudiu sua cabeça com turbante. "Não estou certo sobre o lado ruim das
Crianças da Noite para um mundano, eu nunca vou saber."
"Espera." Clary interrompeu. "O que eles querem com Simon? Eu pensei que não
estavam autorizados a machucar as pessoas...”
"Meu palpite?" disse Magnus, não cruelmente. "Eles pressumiram que ele era um rato
domesticado e pensaram que seria divertido matar um animal de estimação dos
Caçadores de Sombras. Eles não gostam muito que vocês, seja lá o que o Acordo
pode dizer – e não há nada no Pacto de não matar animais."
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"Eles vão matar ele?" Clary disse, o fitando.
"Não necessariamente", Magnus disse rapidamente. "Eles podem pensar que ele é um
dos seus."
"Neste caso, o que vai acontecer com ele?" Clary disse.
"Bem, quando ele se tornar de volta em um humano, eles ainda vão matá-lo. Mas
você pode ter algumas horas a mais".
"Então você tem que nos ajudar," Clary disse ao bruxo. "Caso contrário, Simon irá
morrer."
Magnus olhou para ela de cima a baixo com um tipo de compaixão clínica.
“Todos eles morrem querida,” ele disse. ”Você precisa se acostumar a isso.”
Ele começou a fechar a porta. Jace colocou seu pé, firmando ela aberta. Magnus
suspirou. “O que é agora?”
“Você ainda não nos disse onde é o covil,” Jace disse.
“E eu não estou indo dizer. Eu te disse...”
Era Clary quem cortou ele, colocando a si mesma em frente a Jace. “Você bagunçou
com meu cérebro,” ela disse. “Tirou minhas memórias. Você não pode fazer só isso
por mim?
Magnus rolou seus olhos brilhantes de gato. Em algum lugar a distância, Presidente
Miau estava chorando. Lentamente o bruxo baixou sua cabeça e a atingiu uma vez,
não muito suavemente, contra a parede. “O velho Hotel Dumont,“ ele disse. ”Na
parte de cima da cidade.”
“Eu sei onde é.” Jace parecia satisfeito.
"Precisamos chegar logo. Você tem um Portal?" Clary exigiu, abordando Magnus.
"Não." Ele pareceu irritado. "Os portais são bastante difíceis de se construir e
representam um pequeno risco para os seus proprietários. Coisas horrorosas podem
vir através deles, se eles não são guardados corretamente. Os únicos que eu
conheço, em Nova York são o de Dorothea, em um de Renwick, mas ambos são
muito longe para valer o incômodo de se tentar chegar lá, mesmo se você tiver
certeza que seus proprietários deixariam vocês usá-lo, o que provavelmente não
iriam. Sacaram essa? Agora, vão embora." Magnus encarou mordazmente o pé de
Jace, continuando a bloquear a porta. Jace não se moveu.
"Mais uma coisa," Jace disse. "Existe um lugar sagrado por aqui?"
"Boa idéia. Se vocês estão indo para um covil de vampiros por si mesmos, é bom
fazer orações em primeiro lugar."
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"Precisamos de armas," disse Jace sintetizou. "Mais do que as que temos com a
gente."
Magnus apontou. "Tem uma igreja católica, na rua Diamond. Essa serve?"
Jace concordou, voltando-se atrás. "Essa é..."
A porta bateu em suas caras. Clary, respirando como se ela estivesse correndo, olhou
aquilo até que Jace tomou seu braço e lhe dirigiu os passos para baixo e para a noite.
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