quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 9

9 - O Círculo e a Irmandade

Clary caminhou em direção para tocar o braço de Jace, dizer alguma coisa, qualquer
coisa – o que se diria a alguém que tinha acabado de ver os assassinos de seu pai?
Ela hesitando, percebeu que não importava; Jace afastou o toque dela como se
tivesse picado. “Nós temos que ir,” ele disse, saindo do escritório e indo para a sala
de estar. Clary e Simon se apressaram atrás dele. “Nós não sabemos quando Luke
pode voltar.”
Eles sairam pela porta de trás, Jace usando sua estela para trancar atrás deles, e
fizeram seu caminho para rua silenciosa. A lua acima como um medalhão pendurado
sobre a cidade, lançando reflexos perolados nas águas do East River. Um distante
zumbido de carros passando pela ponte Williamsburg enchia o úmido ar com um som
como de asas batendo. Simon disse, “Alguém quer me dizer para onde estamos
indo?”
“Para o trem L,” Jace disse calmamente.
“Vocês devem estar brincando comigo,” Simon disse, piscando. “Caçadores de
demônio tomam o metrô?”
“É mais rápido do que ir dirigindo.”
“Eu pensei que seria algo mais legal, como uma van com „Morte aos Demônios‟
pintado do lado de fora, ou...”
Jace nem sequer se incomodou em interromper. Clary olhou Jace com o canto dos
olhos. Às vezes, quando Jocelyn estava realmente com raiva por alguma coisa ou
estava em um de seus humores ruins, ela fazia o que Clary chamava de „a calma
assustadora‟. Era uma calma que fazia Clary pensar no enganoso reflexo duro de gelo
apenas antes que ele rachasse sob seu peso. Jace estava assustadoramente calmo.
Seu rosto era inexpressivo, mas algo queimava atrás de seus olhos dourados.
"Simon," disse ela. "Chega."
Simon lhe lançou um olhar como se para dizer, De que lado você está? mas Clary
ignorou ele. Ela ainda estava olhando Jace enquanto eles se viravam para a Avenida
Kent. As luzes da ponte atrás deles iluminava seu cabelo para um improvável halo.
Ela imaginou se era errado que ela estivesse feliz de algum jeito por os homens que
levaram sua mãe serem os mesmos homens que tinham matado o pai de Jace há
anos atrás. Por agora, pelo menos, ele teria que ajudá-la a encontrar Jocelyn, se ele
quisesse ou não. Por agora, pelo menos, ele não deixaria ela sozinha.
"Você mora aqui?" Simon parou, olhando para a velha catedral, com as suas janelas
quebradas e portas seladas com fita amarela da polícia. "Mas é uma igreja".
Jace alcançou o pescoço de sua camisa e puxou uma chave de bronze no final de uma
corrente. Parecia o tipo de chave para abrir um velho baú em um porão. Clary o olhou
curiosamente – ele não tinha trancado a porta atrás dele quando tinham deixado o

Instituto antes, apenas deixou ela bater fechada. "Achamos que seria útil habitar em
terreno sagrado."
“Saquei isso mas, sem ofensa, este lugar é um lixo,” Simon disse, olhando
duvidosamente para a cerca dobrada de ferro que rodeava o antigo edifício, um lixo
empilhado ao lado dos degraus.
Clary deixou sua mente relaxar. Ele imaginou a si mesma tomando uma dos trapos
de terebentina de sua mãe e dando pancadinhas na vista em frente a ela, limpando o
caminho do glamour como se aquilo fosse tinta velha.
Ali estava: a verdadeira visão, brilhando através da falsa, como luz através do vidro
escuro. Ela viu os elevados pináculos da cátedra, o embrutecido brilho das janelas
chumbadas, a placa de bronze fixada em uma parede de pedra ao lado da porta, o
nome do Instituto gravado nela. Ela segurou a visão por um momento antes de
deixá-la ir quase com um suspiro.
“Isso é fascinante, Simon,” ela disse. “Realmente não é o que parece.”
Jace colocou a chave na fechadura, olhando sobre o ombro para Simon. “Não tenho
certeza se você é suficiente sensível para ter a honra do que estou fazendo por você.
Você será o primeiro mundano a ter entrado dentro do Instituto.”
“Provavelmente o cheiro mantém o resto deles a distância.”
“Ignore ele,” Clary disse a Jace, e acotovelou Simon de lado. “Ele sempre diz
exatamente o que está dentro de sua cabeça. Sem filtrar.”
“Filtros são para cigarros e café,” Simon murmurou sob sua respiração, quando eles
iam para dentro. “Duas coisas que eu poderia usar agora mesmo, aliás.”
Clary pensou ardentemente em café, enquanto eles faziam seu caminho acima até
um conjunto de pedra, cada uma entalhada com hieróglifo. Ela estava começando a
reconhecer alguns deles, eles provocavam sua vista e maneira que ela meio que
ouvia as palavras em uma língua estrangeira, por vezes provocando sua audição,
como se apenas se concentrando mais fortemente ela pudesse forçar alguns
significados fora delas.
Clary pensou ardentemente no café enquanto eles faziam seu caminho até um
conjunto de escadas de pedra, cada uma entalhada com um hieróglifo. Ela estava
começando a reconhecer alguns deles – eles provocavam sua vista de um jeito meio
que ouvir as palavras em uma língua estrangeira, as vezes provocando sua audição,
como se por apenas concentrando duramente ela pudesse forçar alguns significados
para eles.
Clary e os dois garotos atingiram o elevador e andaram em silêncio. Ela ainda estava
pensando sobre café, grandes canecas de café que estavam com metade de leite, do
jeito que sua mãe fazia para elas de manhã. As vezes Luke trazia para eles sacos de
rolos doces vindos da padaria Carruagem Dourada em Chinatown. Ao pensar em
Luke, o estômago de Clary apertou, seu apetite foi embora.

O elevador chegou em uma sibilante parada, e eles foram novamente para a entrada,
Clary se lembrou. Jace retirou sua jaqueta e a jogou sobre as costas de uma cadeira
próxima, e assobiou entre os dentes. Em poucos segundos Church apareceu,
furtivamente lento pelo chão, seus olhos amarelos reluzindo no ar poeirento.
“Church,” Jace disse, ajoelhando para tocar a cabeça do gato. “Onde está Alec,
Church? Onde está Hodge?”
Church arqueou suas costas e miou. Jace enrugou seu nariz, o que Clary teria achado
bonitinho em outras circunstâncias. “Eles estão na biblioteca?” Ele se levantou, e
Church se balançou, trotando um pequeno caminho pelo corredor, e olhou por sobre
seus ombros. Jace seguiu o gato como se isso fosse a coisa mais natural do mundo,
indicando com aceno de sua mão que Clary e Simon eram para seguir atrás dele.
“Eu não gosto de gatos,” Simon disse, seu ombro esbarrando no de Clary enquanto
eles manobravam no corredor estreito.
“Isso é pouco provável,” Jace disse, “conhecendo Church, ele gosta de você também.”
Eles passaram através de um dos corredores que eram revestidos por quartos. As
sobrancelhas de Simon se levantaram. “Quantas pessoas moram aqui, exatamente?”
“Isso é um Instituto,” Clary disse. “Um lugar onde Caçadores de Sombras podem ficar
quando eles estão na cidade. Como uma espécie de refúgio e a facilidade de
investigação.”
“Eu pensei que era uma igreja.”
“É dentro de uma igreja.”
“Porque isso não é confuso.” Ela podia ouvir os nervos debaixo do tom irreverente.
Em vez de silenciar ele, Clary se aproximou e tomou sua mão, segurando seus dedos
através dos dedos gelados dele. As mãos dele estavam frias, mas ele retornou a
pressão com um aperto grato.
“Eu sei que é estranho,” ela disse calmamente, “mas você só tem que ir junto com
ele. Confie em mim.”
Os olhos escuros de Simon estavam sérios. “Eu confio em você,” ele disse. “Eu não
confio nele.” Ele cortou seu olhar em direção a Jace, que estava andando alguns
passos a frente deles, aparentemente, falando com o gato. Política? Ópera? O preço
elevado do atum?
“Bem, tente,” ela disse. “Agora ele é a melhor chance que eu tenho de encontrar
minha mãe.”
Um pequeno estremecimento passou por Simon. “Este lugar não parece certo para
mim,” ele sussurrou.
Clary se lembrou de como ela se sentiu acordando aqui naquela manhã – como se
tudo fosse estranho e familiar ao mesmo tempo. Para Simon, claramente, não havia
nada de familiaridade, apenas o senso do estranho, o hostil, o adverso. “Você não

tem que ficar comigo,” ela disse, embora ela tenha lutado com Jace no trem para ter
certeza de manter Simon com ela, ressaltando que depois de seus três dias vigiando
Luke, ele poderia conhecer bem algo que poderia ser útil para eles uma vez que eles
tinham a chance de saber em detalhes.
“Sim,” Simon disse, ”Eu vou.” E ele largou sua mão quando eles viraram para uma
porta e se encontraram dentro de uma cozinha. Era uma enorme cozinha e, ao
contrário do resto do Instituto, ela era toda moderna, com bancadas de aço e
prateleiras em vidro apoiando filas de louça. Próximo a um conjunto vermelho – de
uma fornalha de ferro, estava Isabelle, uma colher em torno de sua mão, seu cabelo
preto enrolado no alto de sua cabeça. Vapor estava subindo vindo de um panela, e
ingredientes espalhados em todos os lugares, tomate, alho e cebola picada, linhas
escuras – parecendo ervas, montes de queijo ralado, alguns amendoins sem casca,
um punhado de azeitonas e um peixe inteiro, seu olho arregalado vidrado olhando
para cima.
“Eu estou fazendo uma sopa,” Isabelle disse, balançando a colher para Jace. “Você
está com fome?” Ela olhou para trás dela então, seu olhar escureceu pegando em
Simon como também em Clary. ”Oh, meu Deus,” ela disse finalmente. “Você trouxe
outro mundano aqui? Hodge vai matar você.”
Simon limpou a garganta. “Eu sou Simon,” ele disse.
Isabelle ignorou ele. “JACE WAYLAND,” ela disse, “Explique-se.”
Jace estava olhando para o gato. “Eu disse a você para me levar até Alec! Para trás
Judas apunhalador.”
Church rolou em suas costas, ronronado contentemente.
“Não culpe Church,” Isabelle disse, “Não é culpa dele Hodge matar você.” Ela
mergulhou a colher de volta na panela. Clary se perguntou que gosto teria
exatamente amendoim, peixe, azeite e sopa de tomate.
“Eu tive que trazer ele,” Jace disse. “Isabelle, hoje eu vi os dois homens que mataram
o meu pai.”
Os ombros de Isabelle se esticaram, mas quando ela se virou ela parecia mais
chateada do que surpresa. “Eu suponho que ele não seja um deles?” ela perguntou,
Simon não disse nada sobre isso. Ele estava ocupado demais encarando Isabelle,
extasiado e de boca aberta. É claro, Clary notou uma forte punhalada de
aborrecimento. Isabelle era exatamente o tipo de Simon – alta, atraente e bonita.
Pensando sobre isso, talvez era o tipo de todo mundo. Clary parou de imaginar sobre
o amendoim-peixe-azeite-sopa de tomate e começou se perguntando o que
aconteceria se ela despejasse o conteúdo da panela em cima da cabeça de Isabelle.
“Claro que não,” Jace disse, “você acha que ele estaria vivo agora se fosse ele?”
Isabelle lançou um olhar diferente para Simon. “Acho que não,” ela disse, soltando
distraidamente um pedaço de peixe no chão. Church caiu sobre ele vorazmente.

“Não me admira que ele nos trouxe aqui,” Jace disse com desgosto. ”Eu não acredito
que você está enchendo ele de peixe de novo. Ele está ficando distintamente
rechonchudo.”
“Ele não parece rechonchudo. Além disso, nenhum de vocês nunca come nada. Eu
peguei esta receita de uma Sprite no Mercado Chelsea. Ela dizia que era deliciosa...”
“Se você soubesse cozinhar, talvez eu comesse,” Jace murmurou.
Isabelle congelou, ela preparou a colher perigosamente. ”O que você disse?”
Jace foi ao canto em direção à geladeira. "Eu disse que estou indo buscar um lanche
para comer."
"Isso é o que eu pensei que você disse." Isabelle retornou a sua atenção para a sopa.
Simon continuou a cravar Isabelle. Clary, inexplicavelmente furiosa, baixou a sua
mochila no chão e seguiu Jace à geladeira.
"Eu não posso acreditar que você está comendo," ela assobiou.
"O que eu deveria estar fazendo então?" ele perguntou com uma enlouquecedora
calma. O interior da geladeira estava cheio de caixas de leite cuja expiração datava
de várias semanas atrás, e recipientes de plástico Tupperware rotulados com fita
adesiva escrita em tinta vermelha: Do Hodge. Não comer.
"Nossa, ele é como um companheiro
momentaneamente desviada.
de
quarto
louco,"
Clary
observou,
“O que, Hodge? Ele só gosta das coisas em ordem.” Jace pegou um dos recipientes
para fora da geladeira e o abriu. “Hmmm. Espaguete.”
“Não arruíne seu apetite,” Isabelle falou.
“Isso,” Jace disse, chutando a porta da geladeira e abrindo uma gaveta do armário.
”É exatamente o que eu pretendo fazer.” Ele olhou para Clary. “Quer?”
Ela balançou a cabeça dela.
“Claro que não,” ele disse de boca cheia, ”você comeu todos aqueles sanduíches.”
“Não eram tantos sanduíches.” Ela olhou para Simon, que parecia ter conseguindo
envolver Isabelle em uma conversa. “Nós podemos encontrar Hodge agora?”
“Você parece terrivelmente ansiosa para sair daqui.”
“Você não quer contar a ele o que nós vimos?” Ela balançou sua cabeça.
“Eu não decidi ainda.” Jace colocou o recipiente para baixo e pensou, completamente
lambido de molho de espaguete nos seus dedos. “Mas se você quer ir tão mal...”
“Eu vou.”

“Ótimo,” Ele pareceu muito calmo, ela pensou, não uma assustadora calma, tal como
havia sido antes, mas mais contida do que deveria ser. Ela se perguntou com que
freqüência ele deixava transparecer seu real jeito através da fachada que era tão
dura e brilhante, como um escudo de verniz em uma das caixas japonesas de sua
mãe.
"Aonde vocês vão?" Simon olhou para cima quando eles chegaram até a porta.
Pedaços pequenos de cabelo escuro caiam sobre seus olhos, ele parecia
estupidamente deslumbrado, Clary pensou insensivelmente, como se alguém tivesse
acertado ele na parte de trás da cabeça com um dois-por-quatro20.
“Achar Hodge,” ela disse, “eu preciso dizer para ele sobre o que aconteceu com
Luke.”
Isabelle olhou para cima, “você vai dizer a ele que você viu aquele homens Jace? Os
que...”
“Eu não sei.” Ele cortou ela. “Só mantenha isso para si mesma por agora.”
Ela deu de ombros. “Tudo bem. Vocês vão voltar? Vocês querem sopa?”
“Não,” Jace disse.
“Você acha que Hodge vai querer sopa?”
“Ninguém vai querer nenhuma sopa.”
“Eu quero sopa,” Simon disse.
“Não, você não quer,” Jace disse. “Você quer apenas dormir com Isabelle.”
Simon ficou pálido. “Isso não é verdade.”
“Que lisonjeiro,” Isabelle murmurou para a sopa, mas ela estava sorrindo presumida.
“Ah, sim quer,” Jace disse. “Vá em frente e lhe pergunte – então ela pode te virar as
costas e o resto de nós pode ter a sua própria vida enquanto você se putrefaz em
uma miserável humilhação.” Ele bateu seus dedos. “Se apresse, garoto mundano, nós
temos trabalho a fazer.”
Simon olhou para longe, enrubescendo com embaraço. Clary que a um momento
atrás tinha sentido um significativo prazer, sentiu uma precipitada raiva em direção a
Jace. “Deixe ele em paz,” ela rebateu. “Não há necessidade de ser sádico só porque
ele não é um de vocês.”
“Um de nós,” Jace disse, com um afiado olhar que saia de seus olhos. “Eu estou indo
procurar Hodge. Venha atrás ou não, é sua escolha.” A porta de cozinha se fechou,
batendo atrás dele, deixando Clary sozinha com Simon e Isabelle.
20
Golpe de luta.

Isabelle derramou a sopa dentro de uma tigela e a empurrou através do balcão em
direção a Simon, sem olhar para ele. Ela ainda estava sorrindo, Clary pensou,
podendo sentir isso. A sopa era de um verde escuro, espalhados na superfície coisas
marrons flutuando.
“Eu estou indo com Jace,” Clary disse. “Simon...?”
“Uoucarqui,” ele murmurou, olhando para seus pés.
“O quê?”
“Eu vou ficar aqui.” Simon estacionou a si mesmo em um banquinho. “Estou com
fome.”
“Tudo bem.” Clary sentiu a garganta apertada, como se ela tivesse engolido algo ou
muito quente ou muito frio. Ela andou para fora da cozinha, Church furtivo a seus
pés como uma sombra de nuvem cinza.
No corredor Jace estava girando uma das espadas serafim entre seus dedos. Ele a
guardou quando ele a viu. “Amável da sua parte deixar os pombinhos.”
Clary amarrou a cara para ele. “Porque você sempre tem que ser um estúpido?”
“Um estúpido?” Jace olhou para ela como se ele fosse rir.
“O que você disse a Simon...”
“Eu estava tentando poupar ele da dor. Isabelle vai cortar o coração dele e andar por
cima com botas de salto alto. É isso o que ela faz com garotos como aquele.”
“Foi isso o que ela fez com você?” Clary disse, mas Jace só balançou a cabeça antes
de se virar para Church.
“Hodge,” ele disse. “E é realmente Hodge dessa vez. Leve-nos a qualquer outro lugar
e eu vou usá-lo em uma raquete de tênis.”
O Persa bufou e retirou-se abaixo no salão a frente deles. Clary, rastejando um pouco
atrás de Jace, podia ver o stress e o cansaço na linha dos ombros de Jace. Ela se
perguntou se a tensão realmente nunca o deixou. “Jace.”
Ele olhou para ela. “O que?”
“Me desculpe. Por ser ríspida com você.”
Ele sorriu. “Que vez?”
“Você me corta também, você sabe.”
“Eu sei,” ele disse, surpreendendo ela. “É que há algo em você que é tão...”
“Irritante?”

“Inquietante.”
Ela queria perguntar a ele se ele queria dizer aquilo de um bom ou um mau jeito, mas
ela não o fez. Ela estava também com medo de ele fazer uma piada da resposta. Ela
quis saber de uma outra coisa. “Isabelle sempre faz o jantar para vocês?” Ela
perguntou.
“Não, graças a Deus. Na maioria das vezes os Lightwoods estão aqui e Maryse – que
é a mãe de Isabelle – ela cozinha para nós. Ela é uma maravilhosa cozinheira.” Ele
parecia sonhador, do jeito que Simon estava olhando para Isabelle acima da sopa.
“Então, como ela nunca ensinou Isabelle?” Eles estavam passando pela sala de
música agora, onde ela tinha encontrado Jace tocando o piano de manhã. Sombras se
encontravam densamente em seus cantos.
"Porque", disse Jace lentamente," é apenas recentemente que as mulheres têm sido
Caçadoras de Sombras junto com os homens. Quero dizer, sempre houve mulheres
na Clave – dominando as Runas, criando armas, ensinando a arte de matar, mas só
poucas eram guerreiras, aquelas com habilidades excepcionais. Elas tinham de lutar
para serem treinadas. Maryse fez parte da primeira geração de mulheres da Clave
que foram treinadas para este propósito, e eu acho que ela nunca ensinou Isabelle
como cozinhar, porque ela estava com medo que, se ela fizesse isso, Isabelle iria
relegar a cozinha permanentemente.”
“Ela teria feito isso?” Clary perguntou curiosamente. Ela pensou em Isabelle no
Pandemonium, o quão confiante ela tinha sido e como seguramente ela tinha usado
seu chicote que respingava sangue.
Jace riu suavemente. “Não Isabelle. Ela é uma das melhores Caçadoras de Sombras
que eu já vi.”
“Melhor do que Alec?”
Church, riscando silencioso diante deles através da escuridão, veio com um súbito
travar e miou. Ele estava curvado ao pé de uma escada espiral metálica que torcia
até uma nebulosa meia-luz acima. "Então ele está na estufa," Jace disse. Levou a
Clary um momento antes que ela percebe-se que ele estava falando com o gato.
"Nenhuma surpresa aqui."
"A estufa?" Clary disse.
Jace se colocou no primeiro degrau. "Hodge gosta de ir lá. Ele cultiva plantas
medicinais, coisas que podemos usar. A maioria delas só crescem em Idris. Acho que
isso o faz lembrar de casa."
Clary seguiu ele. Seus sapatos ecoavam nos degraus de metal; os de Jace não. “Ele é
melhor do que Isabelle?” Ela perguntou novamente. “Alec, eu quero dizer.”
Ele pausou e olhou para baixo para ela, se inclinando nos degraus de baixo como se
ele estivesse se preparando para cair. Ela se lembrou de seu sonho: anjos, caindo e

queimando. “Melhor?” ele disse. “Caçando demônios? Não, não realmente. Ele nunca
matou um demônio.”
“Sério?”
“Eu não sei porque não. Talvez por que ele sempre está protegendo Izzy e eu.” Eles
haviam chegado ao topo das escadas. Um conjunto de portas duplas saudavam eles,
esculpidos com padrões de folhas e vinhas. Jace empurrou elas com os ombros
abrindo.
O cheiro acertou Clary no momento que ela passou através das portas: um verde,
acentuado cheiro, o cheiro de vida e coisas crescendo, de terra e de raízes que
cresceram na sujeira. Ela tinha esperado algo muito menor, algo do tamanho da
pequena estufa por detrás de St. Xavier, onde os estudantes AP de biologia clonavam
vagens de ervilha, ou seja lá o que era que eles faziam. Este era um enorme recinto
murado de vidro, revestido com árvores frondosas cujos ramos as folhas sopravam ar
fresco, cheirando a verde. Havia arbustos pendurados com brilhante bagas, vermelha,
roxa e preta, e pequenas árvores com estranhas formas de frutos que ela nunca tinha
visto antes.
Clary exalou. “Aqui cheira como...” Primavera, ela pensou primeiro, antes do calor
que vinha e esmagava as folhas em polpa e murchava pétalas caídas de flores.
“Casa,” Jace disse, “para mim.” Ele empurrou para o lado uma folhagem e mergulhou
passando ela. Clary o seguiu.
A estufa tinha sulcos ao que parecia, para o não treinado olho de Clary, nenhum
padrão em particular, mas por toda parte que ela olhava havia um tumulto de cores:
azul, roxo, flores derramando para baixo e ao lado, uma cobertura de verde brilhante,
como uma vinha rasteira que transbordavam como jóias – gomos de tons laranja.
Elas surgiam em um limpo espaço onde uma baixa bancada de granito descansava
contra o tronco de uma árvore inclinando com folhas verdes prateadas. Água luzia
fracamente saltando em uma piscina de pedra. Hodge estava sentando em um banco,
seu pássaro preto empoleirado em seu ombro. Ele tinha olhado pensativamente para
baixo na água, mas olhou em direção ao céu com a nossa aproximação. Clary seguiu
seu olhar e viu o brilhante telhado de vidro da estufa acima deles, como a superfície
de um lago invertido.
“Você parece como se estivesse esperando por alguma coisa,” Jace observou,
quebrando uma folha de um galho próximo e a torcendo entre os seus dedos. Para
alguém que parecia contido, ele tinha um monte de hábitos nervosos. Talvez ele
apenas gostasse de estar constantemente se movimentando.
“Eu estava perdido em pensamentos.” Hodge se levantou do banco, esticando seu
braço para Hugo. O sorriso sumiu de seu rosto quando ele olhou para eles. “O que
aconteceu? Você parece como se...”
“Nós fomos atacados,” Jace disse curtamente. “Esquecido.”
“Guerreiros Esquecidos? Aqui?”

“Guerreiro,” Jace disse. “Nós vimos apenas um.”
“Mas Dorothea disse que havia mais," Clary acrescentou.
"Dorothea?" Hodge segurou uma mão para cima. "Isto poderia ser mais fácil se vocês
colocassem os eventos em ordem."
"Certo." Jace deu a Clary uma olhada advertência, cortando ela antes que ela
pudesse começar a falar. Em seguida, ele se lançou em um recital dos eventos da
tarde, deixando de fora apenas um pormenor, que os homens no apartamento de
Luke tinham sido os mesmos homens que mataram seu pai há sete anos atrás. "O
amigo da mãe de Clary, ou seja lá o que ele é, realmente, vai além do nome Luke
Garroway," Jace finalmente acabou. "Mas enquanto nós estávamos na casa dele, os
dois homens que alegaram terem sido emissários de Valentine referiram-se a ele
como Lucian Graymark."
"E os seus nomes eram..."
"Pangborn," disse Jace. "E Blackwell."
Hodge tinha ficado muito pálido. Contra sua pele cinza da longa cicatriz em sua
bochecha se destacou um fio vermelho torcido. “Era isso que eu temia,” ele disse,
meio para si mesmo. “O Circulo está surgindo de novo.”
Clary olhou para Jace por esclarecimento, mas ele parecia tão perplexo como ela
estava. "O Círculo?" ele disse.
Hodge estava balançando a cabeça dele como se tentasse limpar as teias de aranha
de seu cérebro. "Venham comigo," ele disse. "É hora de eu lhes mostrar uma coisa."
As lâmpadas à gás estavam acesas na biblioteca, e as superfícies polidas de carvalho
dos móveis pareciam estar latentes como sombrias jóias. Riscadas com sombras, as
severas faces dos anjos segurando a enorme mesa pareciam com dor mais ainda.
Clary sentou sobre o sofá vermelho, pernas cruzadas, Jace se inclinou
impacientemente contra o braço do sofá ao lado dela. "Hodge, se você precisar de
ajuda procurando..."
"De forma alguma." Hodge surgiu por trás da mesa, limpando a poeira dos joelhos de
suas calças. "Eu a encontrei."
Ele estava carregando um grande livro encadernado em couro marrom. Ele passava
as páginas nele com um ansioso dedo, piscando como uma coruja atrás de seu óculos
e murmurando: "Onde... onde ... ah, aqui está!" Ele limpou a garganta antes de ele
ler em voz alta: "Venho por tornar obediência incondicional ao Círculo e os seus
princípios... Vou estar pronto para arriscar a minha vida, a qualquer momento, pelo
Círculo, a fim de preservar a pureza da linhagem de sangue de Idris, e para o mundo
mortal por cuja segurança, nós somos cobrados."
Jace fez uma cara. "De onde era isso?"

"Era o juramento de lealdade ao Círculo de Raziel, vinte anos atrás," Hodge disse,
soando estranhamente cansado.
"Parece assustador," disse Clary. "Como uma organização fascista ou algo assim."
Hodge colocou o livro para baixo. Ele parecia tão triste e grave como a estatuetas dos
anjos sob a mesa. "Eles eram um grupo," ele disse lentamente, "de Caçadores de
Sombras, liderados por Valentine, dedicado a limpeza de todos os Downworlders e
devolver o mundo a um estado „puro‟. Seu plano era esperar que os Downworlders
chegassem em Idris para assinar o Acordos. Deveriam ser assinados novamente a
cada quinze anos, para manter a sua magia potente," ele acrescentou, para auxiliar
Clary. "Então, eles planejaram a matança de todos eles, desarmados e indefesos.
Esse ato terrível, eles pensaram, iria desencadear uma guerra entre os humanos e os
Downworlders – um deles tencionava vencer."
"Essa foi a Revolta," Jace disse, finalmente, reconhecendo a história de Hodge que já
era familiar para ele. "Eu não sabia que Valentine e seus seguidores tinham um
nome."
"O nome não é falado com frequência atualmente", Hodge disse. "A sua existência
continua a ser um embaraço para a Clave. A maioria dos documentos pertinente a
eles foi destruído."
"Então porque você tem uma cópia do tal juramento?" Jace perguntou.
Hodge hesitou, apenas por um momento, mas Clary viu, e sentiu um pequeno e
inexplicável tremor que corria por sua espinha. “Porque,” ele disse finalmente, ”Eu
ajudei a escrevê-lo.”
Jace olhou para isso. "Você estava no Círculo."
"Eu estava. Muitos de nós." Hodge estava olhando para a frente. "A mãe de Clary
também."
Clary pulou para trás, como se ele tivesse batido nela. "O quê?"
"Eu disse..."
"Eu sei o que você disse! Minha mãe nunca teria pertencido a algo como isso. Algum
tipo de... algum tipo de grupo odioso."
"Ele não era..." Jace começou, mas Hodge cortou ele.
"Eu duvido," ele disse lentamente, como se as palavras pesassem nele, "que ela
tivesse muita escolha."
Clary olhou. "Do que você está falando? Por que ela não teve uma escolha?"
"Porque," disse Hodge, “ela era a mulher de Valentine".

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