quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos 23

23 – Valentine
“Posso ver que estou interrompendo algo,” Valentine disse, sua voz tão seca quanto
um deserto a tarde. “Filho, você se importaria de me dizer quem é essa? Uma das
crianças Lighwood, talvez?”
“Não,” Jace disse. Ele soava cansado e infeliz, mas sua mão não largava o pulso dela.
“Esta é Clary. Clarissa Fray. Ela é uma amiga minha. Ela...”
Os olhos escuros de Valentine varreram ela lentamente, do topo de sua desgrenhada
cabeça, até os dedos suados nos tênis. Eles rapidamente permaneceram na adaga
ainda presa na mão dela.
Um indefinido olhar passou por sua face – parte divertido, parte irritado. “Onde você
conseguiu esta adaga, jovenzinha?”
Clary respondeu friamente. “Jace a deu para mim.”
“É claro que ele deu,” Valentine disse. Seu tom era brando. “Eu posso vê-la?”
“Não!” Clary deu um passo para trás, como se ela pensasse que ele poderia jogá-la
nela, ela sentiu a adaga ser arrancada facilmente de seus dedos. Jace, segurando a
adaga, olhou para ela com uma expressão de desculpas. “Jace,” ela sibilou,
colocando cada pitada de traição que ela sentiu dentro de cada sílaba do nome dele.
Tudo o que ele disse foi, “Você ainda não entende, Clary.” Com um tipo de respeito
que fez ela sentir seu estômago adoecer, ele foi até Valentine e pôs nas mãos dele a
adaga. “Aqui está, pai.”
Valentine tomou a adaga em sua mão grande e com ossos longos, e a examinou.
“Esta é uma kindjal, uma adaga caucasiana. Esta em particular era utilizada para ser
uma em um par combinado. Aqui, veja a estrela dos Morgensterns, incrustada dentro
da lâmina.” Ele a virou para cima, mostrando aquilo para Jace. “Eu estou surpreso
por os Lightwoods não terem notado isso.”
“Eu nunca a mostrei para eles,” Jace disse. “Eles me deixaram ter minhas próprias
coisas privadas. Eles não bisbilhotavam.”
“É claro que não,” Valentine disse. Ele deu a kindjal de volta para Jace. “Eles
pensavam que você era filho de Michael Wayland.”
Jace, deslizando o cabo vermelho da adaga em sua cintura, olhou para cima. "Eu
também," ele disse suavemente, e naquele momento Clary viu que aquilo não era
uma piada. Que Jace não estava só brincando consigo mesmo. Ele realmente pensava
que Valentine era o pai que retornou para ele.
Um frio desespero foi se espalhando através da veias de Clary. Jace irritado, Jace
hostil, furioso, ela podia ter lidado com isso, mas este novo Jace, frágil e brilhando à
luz do seu próprio milagre, era um estranho para ela.
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Valentine olhou para ela acima da cabeça aloirada de Jace, seus olhos eram frios com
a diversão. "Talvez," ele disse, "seria uma boa idéia você se sentar agora, Clary?"
Ela cruzou seus braços teimosamente sobre seu peito. "Não."
"Como você quiser." Valentine puxou uma cadeira e se sentou na cabeceira da mesa.
Após um momento Jace sentou também, ao lado de meia garrafa cheia de vinho.
"Mas você vai ouvir algumas coisas que podem fazer você desejar tomar uma
cadeira."
"Eu vou deixar você saber," Clary disse a ele, "se isso acontecer."
"Muito bem." Valentine apoiou as costas, mãos atrás da cabeça. O pescoço da sua
camisa entreabriu um pouco, mostrando sua cicatriz na clavícula. Cicatrizes, como
seu filho, tal como todos os Nephilim. Uma vida de cicatrizes e matança, Hodge disse.
"Clary," ele disse de novo, como se saboreando o som do seu nome. "Versão curta de
Clarissa? Não é um nome que eu teria escolhido."
Havia um sinistro sorriso curvando seus lábios. Ele sabe que sou sua filha, Clary
pensou. De alguma maneira, ele sabe. Mas ele não está dizendo isso. Porque ele não
está dizendo isso?
Por causa de Jace, ela percebeu. Jace iria pensar – ela não podia imaginar o que ele
iria pensar. Valentine tinha visto eles se abraçando quando ele caminhou pela porta.
Ele deve saber que ele tem uma devastadora peça de informação em suas mãos. Em
algum lugar por trás daqueles insondáveis olhos negros, sua mente afiada estava
escolhendo rapidamente, tentando decidir qual a melhor forma de utilizar o que ele
sabia.
Ela expressou outro olhar suplicante sobre Jace, mas ele estava olhando para baixo,
para o cálice de vinho em sua mão esquerda, meio cheia do líquido vermelho
púrpura. Ela podia ver o rápido subir e descer do seu peito enquanto ele respirava,
ele estava mais chateado do que ele estava transparecendo.
"Eu realmente não me importo com o que você teria escolhido," Clary disse.
"Eu tenho certeza," Valentine respondeu, se inclinando a frente, "que você não se
importaria."
"Você não é o pai de Jace," ela disse. "Você está tentando nos enganar. Jace era filho
de Michael Wayland. Os Lightwoods sabem disso. Toda mundo sabe disso."
"O Lightwoods foram mal informados," Valentine disse. "Eles realmente acreditaram –
acreditam que Jace é o filho de seu amigo Michael. Como a Clave. Mesmo os Irmãos
do Silêncio não sabem quem ele realmente é. Embora em breve, eles saberão."
"Mas o anel de Wayland..."
"Ah, sim," Valentine disse, olhando a mão de Jace, onde o anel reluzia como escamas
de serpente . "O anel. Engraçado, não é, como um M usado para cima se assemelha a
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um W? Claro, se você tivesse se incomodado em pensar sobre isso, você
provavelmente teria achado um pouco estranho que o símbolo da família Wayland
fosse uma estrela cadente. Mas não de todo estranho que seria o símbolo dos
Morgensterns."
Clary o encarou. "Eu não tenho idéia do que você quer dizer."
"Eu esqueci como é lamentavelmente negligente a educação mundana," disse
Valentine. "Morgenstern significa „estrela da manhã‟. Como em Como caíste desde o
céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as
nações!"
Um pequeno arrepio passou por Clary. "Você quer dizer Satanás."
"Ou qualquer grande poder perdido," disse Valentine, "por se recusar a servir. Como
eu fui. Eu não iria servir um governo corrupto, e por isso que eu perdi a minha
família, minha terra, quase a minha vida..."
"A revolta foi sua culpa!" Clary rebateu. "Pessoas morreram nela! Caçadores de
Sombras como você!"
"Clary." Jace se inclinou em frente, quase batendo sobre o copo com seu cotovelo.
"Apenas escute ele, você vai? Não é como você pensava. Hodge mentiu para nós."
"Eu sei," disse Clary. "Ele nos traiu por Valentine. Ele era um peão de Valentine".
"Não," Jace disse. "Não, Hodge era um dos que queriam há muito tempo a Taça
Mortal. Ele foi a pessoa que enviou os Raveners atrás de sua mãe. Meu pai –
Valentine só descobriu sobre isso depois, e veio para detê-lo. Ele trouxe sua mãe aqui
para curá-la, não para machucá-la."
"E você acredita nessa porcaria?" Clary disse enojada. "Não é verdade. Hodge estava
trabalhando para Valentine. Eles estavam nisso juntos, pegando a Taça. Ele nos
conduziu, é verdade, mas ele era apenas um instrumento."
"Mas ele era um dos que precisavam da Taça Mortal," Jace disse. "Assim, ele poderia
retirar a maldição de cima dele e fugir antes que o meu pai dissesse a Clave sobre
tudo o que ele havia feito."
"Eu sei que isso não é verdade!" Clary disse com fervor. "Eu estava lá!" Ela se virou
para Valentine. "Eu estava na sala quando você entrou para pegar a Taça. Você não
pôde me ver, mas eu estava lá. Eu vi você. Você pegou a Taça e retirou a maldição
de Hodge. Ele não poderia ter feito aquilo por si mesmo. Ele disse que sim."
"Eu retirei sua maldição," Valentine disse uniformemente, "mas fui movido pela pena.
Ele parecia tão patético."
"Você não sente pena. Você não sente nada."
"Já chega, Clary!" Era Jace. Ela olhou para ele. Suas bochechas estavam ruborizadas,
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como se ele tivesse bebido do vinho em seu cotovelo, os olhos muito brilhantes. "Não
fale com o meu pai desse jeito."
"Ele não é seu pai!"
Jace pareceu como se ela tivesse batido nele. "Por que você está tão determinada em
não acreditar em nós?"
"Porque ela te ama," disse Valentine.
Clary sentiu o sangue escorrer para fora do seu rosto. Ela olhou para ele, não
sabendo o que ele poderia dizer a seguir, mas temeu isso. Ela sentia como se ela
fosse em direção a orla de um precipício, um terrível empurrão para o nada e em
lugar nenhum. Vertigens agarravam seu estômago.
"O quê?" Jace pareceu surpreso.
Valentine estava olhando para Clary com divertimento, como se ele tivesse alfinetado
ela como uma borboleta em um quadro. "Ela teme que eu esteja tirando vantagem de
você," ele disse. "Que eu tenha feito uma lavagem cerebral em você. Não é assim, é
claro. Se você olhasse para suas próprias memórias, Clary, você saberia."
"Clary." Jace começou a ficar de pé, seus olhos sobre ela. Ela podia ver os círculos
debaixo deles, que ele estava sob tensão. "Eu..."
"Sente-se," Valentine disse. "Deixe que ela venha por si própria, Jonathan."
Jace abrandou instantaneamente, afundando de volta na cadeira. Através da tontura
da vertigem, Clary procurou entender. Jonathan? "Eu pensei que o seu nome fosse
Jace," ela disse. "Você mentiu sobre isso, também?"
"Não. Jace é um apelido."
Ela estava muito perto do precipício agora, tão perto que ela quase poderia olhar para
baixo. "De quê?"
Ele olhou para ela como se ele não pudesse entender por que ela estava fazendo
tanto por algo tão pequeno. "São minhas iniciais," ele disse. "J. C."
O precipício se abriu diante dela. Ela podia ver a longa queda em trevas. "Jonathan,"
ela disse ligeiramente. "Jonathan Christopher."
As sobrancelhas de Jace se levantaram juntas. "Como é que você...?"
Valentine o cortou. Sua voz era calmante. "Jace, eu tinha pensado em poupar você.
Pensei que a história de uma mãe que morreu iria magoá-lo menos do que a história
de uma mãe que abandonou você antes do seu primeiro aniversário."
Os delgados dedos de Jace se esticaram convulsivamente ao redor da haste do vidro.
Clary por um momento pensou que ela poderia quebrar. "Minha mãe está viva?"
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"Ela está," Valentine disse. "Viva, e dormindo em uma das salas abaixo neste
momento. Sim," ele disse, interrompendo Jace antes que ele pudesse falar, "JoceIyn
é a sua mãe, Jonathan. E Clary... Clary é sua irmã."
Jace jogou sua mão de volta. O cálice de vinho virou, derramando o espumante
líquido escarlate em toda a toalha branca.
"Jonathan," Valentine disse.
Jace estava em uma cor horrível, uma espécie de cor branca esverdeada. "Isso não é
verdade," ele disse. "Deve se um engano. Isso não pode ser verdade."
Valentine olhou firmemente para seu filho. "Um motivo de alegria," ele disse em uma
baixa, e contemplativa voz, “eu teria pensado. Ontem você era um órfão, Jonathan. E
agora tem um pai, uma mãe, uma irmã, que você nunca soube que você tinha."
"Não é possível," disse Jace novamente. "Clary não é a minha irmã. Se ela fosse..."
"Então o quê?" Valentine disse.
Jace não respondeu, mas o seu olhar doentio de horror nauseante foi suficiente para
Clary. Tropeçando um pouco, ela veio ao redor da mesa e se ajoelhou ao lado de sua
cadeira, para alcançar a mão dele. "Jace..."
Ele se jogou para longe dela, seus dedos batendo na toalha encharcada. "Não."
O ódio por Valentine queimava na garganta como lágrimas não derramadas. Ele se
encostou para trás, e por não dizer o que sabia, que ela era sua filha, fez dela sua
cúmplice em seu silêncio. E agora, depois de ter caído a verdade sobre eles com o
peso de uma triturante rocha, ele se assentava para ver os resultados com uma fria
consideração. Como Jace não podia ver quão odioso ele era?
"Me diga que isso não é verdade," Jace disse, olhando para a toalha.
Clary engoliu contra o ardor na garganta. "Eu não posso fazer isso."
Valentine soou como se ele estivesse sorrindo. "Então você admite agora que tenho
dito a verdade todo este tempo?"
"Não," ela disparou para trás, sem olhar para ele. "Você está dizendo mentiras com
um pouco de verdade misturada nelas, isso é tudo."
"Isto aumenta o cansaço," disse Valentine. "Se você quiser ouvir a verdade, Clarissa,
esta é a verdade. Você já ouviu as histórias da Revolta e por isso que você acha que
eu sou um vilão. Isso está correto?"
Clary não disse nada. Ela estava olhando para Jace, que parecia como se ele
estivesse prestes a vomitar. Valentine continuava com crueldade. "É simples,
realmente. A história que você ouviu era verdade em algumas de suas partes, mas
não em outras, mentiras misturadas como um pouco de verdade, como você disse. O
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fato é que Michael Wayland não é, e nunca foi o pai de Jace. Wayland foi morto
durante a Revolta. Eu assumi o nome de Michael e o lugar quando eu fugi da Cidade
de Vidro com o meu filho. Foi fácil; Wayland não tinha relações verdadeiras, e os seus
amigos mais íntimos, os Lightwoods, estavam no exílio. Ele próprio tinha estado em
desgraça por sua participação na Revolta, então eu vivi aquela vida desgraçada,
suficientemente calma, a sós com Jace na propriedade dos Waylands. Eu lia meus
livros. Educava o meu filho. E eu aguardava a minha hora." Ele tocava as filigranas
da ponta do copo pensativamente. Ele era canhoto, Clary viu. Como Jace.
"Dez anos depois, eu recebi uma carta. O escritor da carta indicava que ele sabia a
minha verdadeira identidade, e se eu não estivesse disposto a tomar certas medidas,
ele iria me revelar. Eu não sabia de quem era a carta, mas não importava. Eu não
estava preparado para dar ao escritor o que o que ele queria. Além disso, eu sabia
que a minha segurança estava comprometida, e que ao menos ele pensasse que eu
estava morto, além de seu alcance. Eu encenei a minha morte uma segunda vez, com
a ajuda de Blackwell e Pangorn, e para a própria segurança de Jace e a certeza que
meu filho seria enviado para cá, para a proteção do Lightwoods."
"Assim, você deixou Jace pensar que você estava morto? Você simplesmente deixou
ele pensar que você estava morto, todos estes anos? Isso é desprezível."
"Não," Jace disse novamente. Ele levantou as mãos para cobrir seu rosto. Ele falou
contra os seus próprios dedos, a voz abafada. "Não, Clary."
Valentine olhou para seu filho com um sorriso que Jace não podia ver. "Jonathan
tinha de pensar que eu estava morto, sim. Ele tinha de pensar que ele era o filho de
Michael Wayland, ou o Lightwoods não teriam protegido ele como o fizeram. Foi por
Michael que eles deviam uma dívida, não a mim. E era por este débito com Michael
que eles o amaram, não meu."
"Talvez eles o amassem por sua própria conta," disse Clary.
"Uma louvável interpretação sentimental," Valentine disse, "mas improvável. Você
não conhece os Lightwoods como uma vez eu conheci." Ele não pareceu ver a
hesitação de Jace, ou se ele viu, ele a ignorou. "Isso quase não importou, no final,"
Valentine acrescentou. "O Lightwoods foram destinados para a proteção de Jace, e
não como uma família substituta, você vê. Ele tem uma família. Ele tem um pai."
Jace fez um ruído em sua garganta, e moveu suas mãos para longe de seu rosto.
"Minha mãe..."
"Fugiu após a revolta," Valentine disse. "Eu era um homem desgraçado. A Clave iria
me caçar quando eles soubessem que eu tinha sobrevivido. Ela não pôde suportar a
sua associação comigo, e fugiu." A dor na voz dele era palpável e fingida, Clary
pensou amargamente. A manipuladora fluência. "Eu não sabia que ela estava grávida
naquele tempo. De Clary." Ele sorriu um pouco, correndo o dedo lentamente para
baixo no copo de vinho. "Mas o sangue chama sangue, como se costuma dizer," ele
continuou. "O destino nos deu esta convergência. Nossa família, junta novamente.
Podemos utilizar o Portal," ele disse, virando seu olhar para Jace. "Ir para Idris. Voltar
para a mansão."
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Jace estremeceu um pouco, mas concordou, ainda fitando entorpecidamente as suas
mãos.
"Nós vamos estar juntos lá," disse Valentine. "Como devemos estar."
Isso parece fantástico, Clary pensou. Só você, com sua esposa em coma, seu filho em
estado de choque, e sua filha, que odeia a sua cara de pau. Sem mencionar que seus
dois filhos podem estar apaixonados um pelo outro. Sim, isso soa como uma perfeita
reunião familiar. Alto, ela apenas disse: "Eu não vou a qualquer lugar com você, e
nem a minha mãe."
"Ele está certo, Clary," Jace disse roucamente. Ele flexionou suas mãos, as pontas
dos dedos estavam coradas em vermelho. "É o único lugar para nós irmos. Nós
podemos reparar as coisas lá."
"Você não pode estar falando sério."
Um enorme barulhou veio de baixo, tão alto que ele soava como se uma parede do
hospital tivesse desmoronado dentro dele. Luke, Clary pensou, saltando em seus pés.
Jace, apesar de seu olhar de nauseado horror, respondeu automaticamente, meio se
levantando de sua cadeira, sua mão indo ao seu cinto. "Pai, eles estão..."
"Eles estão a caminho." Valentine se colocou em seus pés. Clary ouviu passos. Um
momento depois a porta da sala foi aberta, e Luke ficou na soleira dela.
Clary engoliu um choro. Ele estava coberto de sangue, seu jeans e camiseta escura e
coagulada, a metade inferior de seu rosto com aquilo. Suas mãos estavam vermelhas
até os pulsos, o sangue que manchava elas ainda estava molhado e escorrendo. Ela
não tinha idéia se algum daquele sangue era dele. Ela se ouviu gritar seu nome, em
seguida, ela estava correndo por todo o quarto para ele, e quase tropeçou sobre si
mesma na sua ânsia de agarrar o peito da camisa dele e segurar, do jeito que ela não
fazia desde que ela tinha oito anos de idade.
Por um instante sua mão grande apareceu e fechou na parte detrás da cabeça dela,
segurando ela contra ele em com uma mão, um meio abraço de urso. Então ele a
empurrou delicadamente. "Eu estou coberto de sangue," ele disse. "Não se preocupe,
não é meu."
"Então, de quem ele é?" Era a voz de Valentine, e Clary se virou, o braço de Luke
protetoramente em seus ombros. Valentine estava olhando ambos, seus olhos
estreitos e engenhosos. Jace tinha se levantado sob seus pés e deu à volta na mesa e
estava parado hesitantemente atrás de seu pai. Clary não conseguia se lembrar dele
fazendo algo hesitante antes.
"De Pangborn," Luke disse.
Valentine passou uma mão sobre o seu rosto, como se a notícia fosse dolorosa para
ele. "Estou vendo. Você rasgou a garganta dele com os seus dentes?"
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"Na verdade," Luke disse, "eu matei ele com isso." Com sua mão livre ele segurou
uma longa e fina adaga que ele tinha matado o Esquecido. À luz ela podia ver as
pedras azuis no cabo. "Você se lembra?"
Valentine olhou para aquilo, e Clary viu sua mandíbula apertar. "Eu lembro," ele
disse, e Clary se perguntou se ele, também estava se lembrando da conversa anterior
deles.
Esta é uma kindjal, uma adaga caucasiana. Esta em particular era utilizada para ser
uma, em um par combinado.
"Você deu ela a mim a dezessete anos atrás e me disse para por um fim a minha vida
com ela," Luke disse, a arma firmemente agarrada em sua mão. A lâmina era mais
longa do que a lâmina da kindjal com punho vermelho no cinto de Jace, ela ficava em
algum lugar entre uma adaga e uma espada, e a lâmina tinha a ponta afilada. "E eu
quase o fiz."
"Você espera que eu negue isso?" Havia dor na voz de Valentine, a memória de uma
velha dor. "Eu tentei salvá-lo de si mesmo, Lucian. Cometi um grave erro. Se apenas
eu tivesse tido a força para matá-lo eu mesmo, você poderia ter morrido como um
homem."
"Tal como você?" Luke perguntou, e nesse momento Clary viu algo nele, do Luke que
ela tinha sempre conhecido, que poderia dizer quando ela estava mentindo ou
fingindo, que chamava sua atenção quando ela estava sendo arrogante ou falsa. Na
amargura da sua voz ela ouviu o amor quando ele tinha tido uma vez por Valentine,
coalhado em um cansado ódio. "Um homem que acorrenta sua esposa inconsciente
em uma cama na esperança de torturar ela por informação quando ela acordar? Essa
é a sua coragem?"
Jace estava olhando para seu pai. Clary viu o ataque de raiva que momentaneamente
retorceu as feições de Valentine, então ela tinha ido embora, e seu rosto estava
suave. "Eu não torturei ela," ele disse. "Ela está presa para sua própria proteção."
"Contra o quê?" Luke exigiu, andando para mais longe dentro da sala. "A única coisa
perigosa para ela é você. A única coisa que sempre ameaçou ela foi você. Ela passou
sua vida fugindo, para ficar longe de você."
"Eu a amava," Valentine disse. "Eu nunca teria machucado ela. Foi você que virou ela
contra mim."
Luke riu. "Ela não precisou de mim para se virar contra você. Ela aprendeu a te odiar
por ela mesma."
"Isso é uma mentira!" Valentine rosnou com súbita selvageria, e puxou a sua espada
da bainha em sua cintura. A lâmina era plana e preto fosco, padronizada com um
desenho de estrelas prateadas. Ele nivelou a espada para o coração de Luke.
Jace deu um passo em direção a Valentine. "Pai..."
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"Jonathan, faça silêncio!" gritou Valentine, mas era tarde demais; Clary viu o choque,
no rosto de Luke quanto ele olhou para Jace.
"Jonathan?" ele sussurrou.
A boca de Jace torcia. "Não me chame assim," ele disse ferozmente, seus olhos
dourados em chamas. "Eu mesmo vou te matar se você me chamar assim."
Luke, ignorando a espada apontada para seu coração, não tirava seus olhos de Jace.
"Sua mãe ficaria orgulhosa," ele disse, tão silenciosamente que mesmo Clary, em pé
ao lado dele, tinha se esforçado para o ouvir.
"Eu não tenho uma mãe," Jace disse. Suas mãos estavam tremendo. "A mulher que
me deu à luz foi para longe de mim antes que eu aprendesse a me lembrar do rosto
dela. Eu não era nada para ela, então ela não é nada para mim."
"Sua mãe não é a única que foi para longe de você," Luke disse, o seu olhar se
deslocando lentamente para Valentine. "Eu nunca teria pensado que mesmo você,"
ele disse lentamente, "usaria a sua própria carne e sangue, como isca. Acho que eu
estava enganado."
"Já chega." O tom de Valentine era quase lânguido, mas havia ferocidade no mesmo,
uma fome de ameaça de violência. "Deixe minha filha ir, ou eu vou te matar onde
você está."
"Eu não sou sua filha," disse Clary ferozmente, mas Luke a empurrou para longe dele,
tão forte que ela quase caiu.
"Saia daqui," ele disse. "Vá para um lugar seguro."
"Eu não vou deixar você!"
"Clary, eu quero dizer isso. Saia daqui." Luke já estava levantando sua adaga. "Esta
não é a sua luta."
Clary tropeçou para longe dele, em direção à porta que levava a passagem. Talvez
ela pudesse chamar por ajuda, por Alaric...
Então Jace estava na frente dela, bloqueando seu caminho para a porta. Ela tinha se
esquecido do quão rápido ele se movia, macio como um gato, rápido como a água.
"Você está louca?" ele sibilou. "Eles quebraram a porta da frente. Este lugar vai estar
cheio de Esquecidos."
Ela se empurrou nele. "Me deixe sair."
Jace a segurou de volta com uma aperto como ferro. "E então eles poderem te rasgar
em pedaços? Sem chance."
Um forte choque de metais soou atrás dela. Clary se puxou para longe de Jace e viu
que Valentine tinha golpeado Luke, que tinha desviado do seu golpe por uma orelha –
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da espada. Suas espadas cairam à parte, e agora eles estavam se movendo ao longo
do chão, em um borrão de fintas e golpes.
"Oh, meu Deus," ela sussurrou. "Eles vão se matar um ao outro."
Os olhos de Jace estavam quase pretos. "Você não entende," ele disse. "Isto é como
faz..." Ele interrompeu e sugou um respiração enquanto Luke deslizava passando a
guarda de Valentine, pegando ele em um golpe através do ombro. O sangue fluiu
livremente, manchando o pano de sua camisa branca.
Valentine jogou sua cabeça para trás e riu. "Um verdadeiro talento," ele disse. "Eu
não pensei que você o tinha, Lucian."
Luke estava muito ereto, a faca bloqueando o seu rosto da visão de Clary. "Você
mesmo me ensinou este movimento."
"Mas isso foi há anos atrás," disse Valentine em uma voz como seda pura, "e desde
então, você dificilmente precisou usar uma espada, não é? Não quando você tem
garras e dentes à sua disposição."
"Tudo do melhor para arrancar o seu coração."
Valentine balançou a cabeça. "Você arrancou o meu coração anos atrás," ele disse, e
mesmo Clary não podia dizer se a tristeza em sua voz era verdadeira ou falsa.
"Quando você me traiu e me desertou." Luke o atingiu novamente, mas Valentine foi
rapidamente para trás através do chão. Para um homem grande, ele se movia com
leveza surpreendente. "Foi você que virou minha esposa contra sua própria espécie.
Você veio a ela quando ela estava mais fraca, com sua pena, sua indefesa
necessidade. Eu estava distante, e ela achou que você a amava. Ela era um tola."
Jace estava tenso como um fio ao lado de Clary. Ela podia sentir a sua tensão, como
as faíscas saindo por um cabo elétrico. "Essa é a sua mãe que Valentine está
falando," ela disse.
"Ela me abandonou," Jace disse. "Mamãe."
"Ela pensou que você estava morto. Você quer saber como eu sei disso? Porque ela
mantinha uma caixa em seu quarto. Tinha suas iniciais nela. J.C."
"Então, ela tinha uma caixa," Jace disse. "Muitas pessoas tem caixas. Guardam coisas
nelas. É uma moda crescente, eu ouvi."
"Tinha um cacho do seu cabelo nela. Cabelo de bebê. E uma fotografia, talvez duas.
Ela costumava pegar ela a cada ano e chorar sobre isso. Chorando terrivelmente com
o coração-partido..."
A mão de Jace se apertou do seu lado. "Pare com isso," ele disse entre os dentes.
"Parar o quê? De dizer a você a verdade? Ela pensou que você tinha morrido – ela
nunca teria deixado você se ela soubesse que você estava vivo. Ela pensou que o seu
pai estava morto..."
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"Eu vi ele morrer! Ou eu pensei que eu tinha visto. Eu apenas não... apenas ouvi
sobre isso e escolhi acreditar nisso!"
"Ela encontrou seus ossos queimados," Clary disse quietamente. "Nas ruínas de sua
casa. Juntamente com os ossos da mãe e do pai dela."
Finalmente Jace olhou para ela. Ela viu a descrença plana em seus olhos, e em torno
de seus olhos, o esforço em manter essa descrença. Ela podia ver, quase como se via
através de um glamour, a frágil construção de sua fé em seu pai que ele usou como
uma armadura transparente, o protegendo da verdade. Em algum lugar, ela pensou,
havia uma fissura naquela armadura, em algum lugar, se ela pudesse encontrar as
palavras certas, poderia ser aberta a brecha.
"Isso é ridículo," ele disse. "Eu não morri – não havia ossos."
"Havia."
"Então isso era um encantamento," ele disse bruscamente.
"Pergunte ao seu pai o que aconteceu com sua sogra e seu sogro," Clary disse. Ela
chegou a tocar a sua mão. "Pergunte a ele se isso era um glamour, também..."
"Cale a boca!" O controle de Jace quebrou e ele se virou sobre ela, lívido. Clary viu o
olhar de Luke na direção deles, assustado pelo barulho, e nesse momento de
distração Valentine mergulhou sob sua guarda e, com um único impulso a frente,
dirigiu a lâmina da sua espada no peito de Luke, logo abaixo de sua clavícula.
Os olhos de Luke alargaram-se como se em espanto, em vez de dor. Valentine puxou
sua mão para trás, e deslizou a lâmina de volta, manchada de vermelho até o cabo.
Com uma forte gargalhada Valentine o golpeou novamente, desta vez retirando a
arma da mão de Luke. Ela bateu no chão com um tinido oco e Valentine a chutou com
força, a enviando girando para debaixo da mesa, enquanto Luke caia.
Valentine levantou a espada preta sobre o corpo deitado de Luke, pronto para dar o
ataque assassino. Incrustada estrelas prateadas brilharam ao longo do comprimento
da lâmina e Clary pensou, congelada em um momento de horror, como poderia algo
tão mortal ser tão bonita?
Jace, como se sabendo o que Clary iria fazer, antes que ela o fizesse, girou sobre ela.
"Clary..."
O momento passou congelado. Clary se retorceu se afastando de Jace, esquivando do
alcance de suas mãos, e correu pelo chão de pedra para Luke. Ele estava no chão, se
apoiando com um braço; Clary se atirou sobre ele, enquanto a espada de Valentine
vinha descendo.
Ela viu os olhos de Valentine enquanto a espada despencava na direção dela, aquilo
pareceu como um interminável período de tempo, embora ela só poderia ter sido em
um piscar de segundo. Ela viu que ele poderia parar o golpe se ele quisesse. Viu que
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ele sabia que ela poderia ser acertada se ele não parasse. Viu que ele faria aquilo de
qualquer jeito.
Ela jogou as mãos para cima, apertando os olhos fechados...
Houve um som estridente. Ela ouviu Valentine gritar, e ela olhou acima e viu ele
segurando, sem a espada, a mão que estava sangrando. A kindjal de cabo vermelho
descansava a vários metros sobre o piso de pedra, ao lado da espada negra. Passado
o susto, ela viu Jace na porta, o braço dele ainda levatado, e percebeu que ele deve
ter jogado a adaga com força suficiente para atingir a espada preta para fora da mão
de seu pai.
Muito pálido, ele baixou lentamente o braço dele, seus olhos sobre Valentine largos e
suplicantes. "Pai, eu..."
Valentine olhava para sua mão sangrando, e por um momento, Clary viu um espasmo
de raiva cruzar seu rosto, como uma luz cintilante. Sua voz, quando falou, era leve.
"Este foi um excelente lançamento, Jace."
Jace hesitou. "Mas a sua mão. Achei..."
"Eu não teria machucado sua irmã," disse Valentine, movendo rapidamente para
recuperar tanto a espada e quanto a kindjal vermelha, que ele prendeu através de
seu cinto. "Eu teria parado o golpe. Mas a sua preocupação com a família é louvável."
Mentiroso. Mas Clary não teve tempo para xingar Valentine. Ela se virou para olhar
para Luke e sentiu uma forte pancada de náusea. Luke estava deitado sobre suas
costas, os olhos semi-fechados, sua respiração irregular. Sangue borbulhava do
buraco na sua camisa rasgada.
"Preciso de um curativo," Clary disse em um colapso de voz. “Panos... qualquer
coisa.”
"Não se mova, Jonathan," disse Valentine em uma voz cortante, e Jace congelou onde
estava, a mão já chegando no bolso. "Clarissa," seu pai disse, em uma voz tão
derretida quanto um astuto aço com manteiga, "este homem é um inimigo da nossa
família, um inimigo da Clave. Nós somos caçadores, e isso significa que, às vezes,
somos assassinos. Certamente você entende isso."
"Caçadores de demônios," Clary disse. "Demônios mortais. Não assassinos. Há uma
diferença."
"Ele é um demônio, Clarissa," Valentine disse, ainda na mesma voz suave. "Um
demônio com um rosto de homem. Sei como tais monstros podem ser enganadores.
Lembre-se, uma vez eu mesmo poupei ele."
"Monstro?" Clary ecoou. Ela pensou em Luke, Luke a empurrando no balanços quando
tinha cinco anos, mais alto, sempre mais alto; Luke em sua formatura do primeiro
grau, a câmera clicando ao longe como um orgulhoso pai; Luke escolhendo através
de cada caixa de livros quando chegava a sua loja, procurando por alguma coisa que
ela iria gostar e pondo de lado. Luke a levantando para puxar para baixo as maçãs
das árvores perto de sua fazenda. Luke, cujo lugar como seu pai, este homem estava
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tentando tirar. "Luke não é um monstro," ela disse em uma voz que combinava com a
de Valentine, aço com aço. "Ou um assassino. Você é."
"Clary!" Era Jace.
Clary ignorou ele. Seus olhos estavam fixos sobre os frios e negros do pai. "Você
matou os pais de sua esposa, e não em batalha, mas a sangue frio," ela disse. "E eu
aposto que você assassinou Michael Wayland e seu filho, também. Atirou seus ossos
com os meus avós, para que minha mãe pensasse que você e Jace estivessem
mortos. Colocando seu colar em torno do pescoço de Michael Wayland antes de o
queimar, assim todas as pessoas pensariam que os ossos eram de vocês. E depois de
tudo você fala sobre o sangue incontaminado da Clave – você não se importa sobre o
sangue deles ou com os inocentes que você matou, não é? Abate pessoas idosas e
crianças a sangue frio, isso é monstruoso."
Outro espasmo de raiva contorceu as feições de Valentine. "Chega!" Valentine rugiu,
levantando a espada preta estrelada novamente e Clary ouviu a verdade de que ele
estava em sua voz, a raiva que tinha impelido ele toda a sua vida. As intermináveis
borbulhante raiva. "Jonathan! Arraste sua irmã para fora do meu caminho, ou pelo
Anjo, eu vou acertar ela, para matar o monstro que ela está protegendo!"
Por um breve momento Jace hesitou. Então ele levantou a cabeça. "Certamente, pai,"
disse ele, e atravessou a sala até Clary. Antes que ela pudesse jogar suas mãos para
se desviar dele, ele a segurou duramente com seu braço. Ele a empurrou, arrastando
ela para longe de Luke.
"Jace," ela sussurrou, horrorizada.
"Não," ele disse. Seus dedos escavando dolorosamente em seus braços. Ele cheirava
a vinho, a metal e suor. "Não fale comigo."
"Mas."
"Eu disse, não fale." Ele a sacudiu, forte. Ela tropeçou, e recuperando seu apoio,
olhou para ver Valentine de pé, encarando fixamente o corpo caído de Luke. Ele
aproximou com firmeza a ponta da bota e chutou Luke, que fez um barulho asfixiado.
"Deixe ele em paz!" Clary gritou, tentando se empurrar para longe do alcance de
Jace. Era inútil, ele era muito forte.
"Pare," ele sibilou na sua orelha. "Você só vai tornar a situação pior para você. É
melhor se você não olhar."
"Como você faz?" ela sibilou de volta. "Fechar os olhos e fingir que nada está
acontecendo, não faz isso ser verdade, Jace. Você deveria saber melhor..."
"Clary, pare."
Seu tom quase surpreendeu ela. Ele soava desesperado.
Valentine estava gargalhando. "Se apenas eu tivesse pensado," ele disse, "em trazer
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comigo uma espada de prata verdadeira, eu poderia ter despachado você na
verdadeira forma de sua verdadeira espécie, Lucian."
Luke rugiu algo que Clary não pôde ouvir. Ela esperou que fosse rude. Ela tentou
girar se afastando de Jace. Seus pés escorregaram e ele segurou ela, puxando as
costas dela com uma agonizante força. Ele tinha os braços em torno dela, ela pensou,
mas não do jeito que ela tinha uma vez esperado, não como ela nunca tinha
imaginado.
"Pelo menos deixe eu me levantar," disse Luke. "Deixe-me morrer sob meus pés."
Valentine olhou para ele, ao longo do comprimento da espada, e encolheu os ombros.
"Você pode morrer deitado ou de joelhos," ele disse. "Mas só um homem merece
morrer de pé, e você não é um homem."
"NÃO!" Clary gritou enquanto, sem olhar para ela, Luke começou a se puxar
dolorosamente em uma posição ajoelhada.
"Porque você tem que fazer o que é pior para si mesma?" Jace exigiu em um baixo, e
tenso sussurrar. "Eu te disse para não olhar."
Ela estava arquejando com esforço e dor. "Porque você tem que mentir para você
mesmo?"
"Não estou mentindo!" Sua contenção sobre ela estava apertado selvagemente,
embora ela não tivesse tentado se puxar para longe. "Eu apenas quero o que é
melhor em minha vida, meu pai, minha família, eu não posso perder tudo de novo."
Luke estava ajoelhado ereto agora. Valentine havia levantado a espada manchada de
sangue. Os olhos de Luke estavam fechados, e ele estava murmurando alguma coisa:
palavras, uma oração, Clary não sabia. Ela se contorceu nos braços Jace, se
afastando ao redor para que ela pudesse olhar para cima em seu rosto. Seus lábios
estavam tensamente finos, o seu maxilar apertado, mas seus olhos...
A frágil armadura estava quebrando. Era necessário apenas um último empurrão
dela. Ela lutava pelas palavras.
"Você tem uma família," disse ela. "Família, são apenas aquelas pessoas que Amam
você. Como os Lightwoods amam você. Alec, Isabelle..." Sua voz se quebrou. "Luke é
minha família, e você vai me fazer vê-lo morrer como você pensou que você viu seu
pai morrer quando tinha dez anos? É isso que você quer, Jace? É este o tipo de
homem que deseja ser?”
“Como –”
Ela se interrompeu, subitamente aterrorizada que ela tivesse ido longe demais.
"Tal como o meu pai," disse ele. Sua voz era gelada, distante, plana como a lâmina
de uma faca.
Eu o perdi, ela pensou desesperadamente.
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"Se abaixe," ele disse, e a empurrou, forte. Ela tropeçou, caiu ao chão, rolando em
um joelho. Ajoelhada na vertical, ela viu Valentine levantar sua espada acima de sua
cabeça. O brilho do lustre acima de sua cabeça tocando ao longo da espada enviando
brilhantes pontos de luz agudos em seus olhos. "Luke!" gritou.
A lâmina bateu dentro do chão da casa. Luke não estava longe de lá. Jace, tinha se
movido mais rápido do que Clary teria pensado ser possível até mesmo para um
Caçador de Sombras, ele se jogou no seu caminho, enviando Luke se esparramando
de lado. Jace se pôs de pé encarando seu pai por acima do cabo trêmulo da espada,
com o rosto branco, mas seu olhar era firme.
"Eu acho que você deveria ir," Jace. disse
Valentine olhou incredulamente para seu filho. "O que você disse?"
Luke tinha puxado a si mesmo em uma posição sentada. Sangue fresco manchando
sua camisa. Ele olhou para Jace enquanto chegava uma mão gentil, quase
desinteressadamente, acariciando o cabo da espada, que tinha sido empurrada para o
chão. "Eu acho que você me ouviu, pai."
A voz de Valentine era como um chicote. "Jonathan Morgenstern."
Rápido como um relâmpago, Jace segurou o cabo da espada, retirando ela livre da
placa do piso, e a levantou. Ele a segurou, equilibrada e plana, a ponto de pairar a
poucos centímetros abaixo do queixo do pai.
"Este não é o meu nome," ele disse. "Meu nome é Jace Wayland."
O olhos de Valentine estavam fixados em Jace, ele quase não parecia a notar a
espada na garganta dele. "Wayland?" rosnou ele. "Você não tem o sangue de
Wayland! Michael Wayland era um estranho para você..."
"Então," Jace disse calmamente, "você é." Ele puxou a espada para a esquerda.
"Agora mova-se."
Valentine balançou sua cabeça. "Nunca. Eu não recebo ordens de uma criança."
A ponta da espada tocou a garganta de Valentine. Clary olhou em um fascinado
horror. "Eu sou uma criança muito bem treinada," Jace disse. "Você me instruiu na
precisa arte de matar. Eu só preciso mover dois dedos para cortar sua garganta, você
sabia disso?" Seus olhos eram acirrados. "Eu suponho que sim."
"Você é hábil o suficiente," disse Valentine. Seu tom era desprezível, mas, Clary
notou que, ele permanecia muito parado ainda. "Mas você não pode me matar. Você
sempre foi piedoso."
"Talvez ele não pudesse." Era Luke, em seus pés agora, pálido e sangrento, mas em
pé. "Mas eu posso. E eu não estou completamente certo de que ele poderia me
parar."
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Os olhos de Valentine febrilmente piscavam para Luke, e de volta para seu filho. Jace
não tinha virado quando Luke falou, mas se mantinha ainda como uma estátua, a
espada imóvel em sua mão. "Você ouviu o monstro me ameaçando, Jonathan,"
Valentine disse. "Você apoia isso?"
"Tem um ponto," Jace disse suavemente. "Não estou inteiramente certo que eu
poderia detê-lo se ele quisesse lhe fazer algum dano. Lobisomens cicatrizam tão
rápido."
O lábio de Valentine curvou. "Então," ele cuspiu, "como sua mãe, você prefere esta
criatura, esta coisa demônio semi-gerada do que seu próprio sangue, sua própria
família?"
Pela primeira vez, a espada na mão de Jace pareceu tremer. "Você me deixou quando
eu era uma criança," ele disse em uma cuidadosa voz. "Você me deixou pensar que
estava morto e me mandou embora para viver com estranhos. Você nunca me disse
que eu tinha uma mãe, uma irmã. Você me deixou sozinho." A palavra era um choro.
"Fiz isso por você, para mantê-lo seguro," protestou Valentine.
"Se você se importava com Jace, se você se preocupasse com o sangue, você não
teria matado seus avós. Vocês assassinou pessoas inocentes," Clary interrompeu,
furiosa.
"Inocente?" Valentine respondeu. "Ninguém é inocente em uma guerra! Eles estavam
ao lado de Jocelyn contra mim! Eles teriam deixado ela levar meu filho de mim!"
Luke deixar sair um assobio na respiração. "Você sabia que ela ia deixar você," ele
disse. "Você sabia que ela ia fugir, antes mesmo da revolta?"
"Claro que eu sabia!" Valentine rosnou. Seu frio controle tinha rachado e Clary podia
ver a derretida fúria fervilhando por baixo, endurecendo os tendões em seu pescoço,
cerrando suas mãos em punhos. "Eu fiz o que tinha que fazer, proteger a mim
mesmo, e no final eu lhes dei mais do que nunca mereceram: uma pira de funeral
concedida apenas para os maiores guerreiros da Clave!"
"Você queimou eles," Clary disse sem rodeios.
"Sim!" Valentine gritou. "Eu os queimei."
Jace fez um ruído estrangulado. "Meus avós..."
"Você nunca soube deles," Valentine disse. "Não finja uma dor que você não sente."
A ponta da espada estava tremendo mais rapidamente agora. Luke colocou uma mão
sobre o ombro Jace. "Firme," ele disse.
Jace não olhou para ela. Ele estava respirando como se ele tivesse estado correndo.
Clary podia ver o suor cintilando sobre a acentuada divisão de sua clavicula, jogando
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seu cabelo para suas temporas. As veias eram visíveis ao longo das costas de suas
mãos. Ele vai matá-lo, ela pensou. Ele vai matar Valentine.
Ela andou rapidamente a frente. "Jace, precisamos da Taça. Ou você sabe o que ele
irá fazer com ela."
Jace lambeu seus lábios secos. "A Taça, pai. Onde ela está?"
"Em Idris," Valentine disse calmamente. "Onde você nunca irá encontrá-la."
A mão de Jace estava tremendo. "Me diga..."
"Me dê a espada, Jonathan." Era Luke, sua voz calma, mesmo tipo.
Jace soou como se ele estivesse falando do fundo de um poço. "O quê?"
Clary deu um passo em frente. "Dê a espada a Luke. Deixe ele pegá-la Jace."
Ele agitou sua cabeça. "Eu não posso fazer isso."
Ela deu outro passo em frente, mais um, e ela desejou estar perto o suficiente para
tocá-lo. "Sim, você pode," ela disse suavemente. "Por favor."
Ele não olhou para ela. Seus olhos estavam fechados em seu pai. O momento se
prolongou, mais e mais, interminável. Finalmente ele acenou, curtamente, sem
baixar a mão dele. Mas ele deixou Luke se deslocar para se colocar ao lado dele, e
colocar a sua mão sobre a de Jace, no cabo da espada. "Você pode soltá-la agora,
Jonathan," Luke disse, e depois, vendo o rosto de Clary, se corrigiu. "Jace."
Jace pareceu não ter ouvido ele. Ele soltou o cabo e se afastou de seu pai. Um pouco
da cor de Jace tinha voltado, e ele estava agora com um tom mais como massa de
vidraceiro, seu lábio sangrando onde ele tinha mordido. Clary desejou tocar ele, por
seus braços em volta dele, sabendo que ele nunca iria deixá-la.
"Tenho uma sugestão,"
surpreendente.
Valentine
disse
para
Luke,
em
um
mesmo
tom
"Me deixe adivinhar," Luke disse. "É 'Não me mate‟, não é?"
Valentine riu, um som sem qualquer humor nele. "Eu dificilmente me rebaixaria
suplicando por minha vida," ele disse.
"Bom," disse Luke, cutucando o queixo do outro homem com sua lâmina. "Não vou te
matar a menos que você force a minha mão, Valentine. Eu me nego a assassiná-lo na
frente dos seus próprios filhos. O que eu quero é a Taça."
O barulho abaixo das escadas estava mais alto agora. Clary podia ouvir o que soava
como pegadas no corredor lá fora. "Luke..."
"Eu ouvi," ele reclamou.
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"A Taça está em Idris, eu te disse," disse Valentine, seus olhos se desviando além de
Luke.
Luke estava suando. "Se está em Idris, você usou o Portal para levá-la para lá. Eu
vou com você. Trazê-la de volta." Os olhos de Luke estavam inquietos. Havia mais
movimento no corredor lá fora agora, sons de gritos, de alguma coisa se quebrando.
"Clary, fique com o seu irmão. Depois que nós passarmos, vocês usem o Portal para
os levarem para um lugar seguro."
"Não vou sair daqui," Jace disse.
"Sim, você vai." Algo estrondou contra a porta. Luke levantou sua voz, "Valentine, o
Portal. Mexa-se."
"Ou o quê?" Os olhos de Valentine estavam fixados
consideração.
na porta com um olhar de
"Eu vou matar você, se você forçar a minha mão," Luke disse. "Na frente deles, ou
não. O portal, Valentine. Agora."
Valentine estendeu suas mãos largamente. "Se você quiser."
Ele andou ligeiramente para trás, justo quando a porta explodiu adentro, espalhando
as dobradiças em todo o piso. Luke mergulhou para fora do caminho evitando ser
esmagado pela queda da porta, girando quando ele fez isso, a espada ainda na sua
mão.
Um lobo permaneceu na entrada, uma montanha de rosnar, pêlos listrados, ombros
arqueados para frente, os lábios curvados para trás e acima rosnando entre os
dentes. Sangue escorria de inúmeros talhos em sua pele.
Jace estava praguejando suavemente, uma lâmina serafim já em sua mão. Clary
segurou o seu pulso. "Não, ele é um amigo."
Jace lhe atirou um olhar incrédulo, mas baixou seu braço.
"Alaric..." Luke gritou alguma coisa em seguida, em uma linguagem que Clary não
entendeu. Alaric rosnou novamente, se abaixando mais perto do chão, e por um
momento confuso ela pensou que ele ia atirar-se em Luke. Então ela viu a mão de
Valentine em seu cinto, o flash das jóias vermelhas, e percebeu que tinha esquecido
que ele ainda tinha a adaga de Jace.
Ela ouviu uma voz gritar o nome de Luke, apesar disso ela então percebeu que sua
garganta parecia colada com cola, e que era Jace quem tinha gritado.
Luke saltou na vertical ao redor, dolorosamente lento, pareceu, enquanto a faca na
mão esquerda de Valentine voava em direção dele como uma borboleta prata,
girando mais e mais no ar. Luke levantou sua lâmina e algo enorme e marrom
amarelado e cinza se empurrou entre ele e Valentine. Ela ouviu o ulular de Alaric,
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aumentando, de repente morrendo; ouviu o som como da lâmina atingindo. Ela arfou
e tentou correr em frente, mas Jace puxou ela de volta.
O lobo caído aos pés de Luke, o sangue manchando seus pêlos. Delicadamente, com
suas patas, Alaric agarrou o cabo da faca projetada em seu peito.
Valentine riu. "E esta é a forma como você reembolsa a lealdade inqüestionável que
você comprou tão barato, Lucian," disse ele. "Ao deixá-los morrer por você." Ele
estava indo para trás, seus olhos ainda sobre Luke.
Luke, de rosto pálido, olhou para ele, e então abaixo para Alaric; agitou sua cabeça
uma vez, e caiu de joelhos, inclinando sobre o lobisomem morto. Jace, ainda
segurando Clary pelos ombros, sibilou, "Fique aqui, está me ouvindo? Fique aqui," e
depois seguiu Valentine, que estava correndo, inexplicavelmente, em direção à
parede ao longe. O plano dele era se lançar afora pela janela? Clary poderia ver o seu
reflexo no grande espelho emoldurado em ouro, enquanto ele se aproximava, a
expressão em seu rosto, uma espécie de alívio sarcástico cheia com uma fúria
assassina.
"O inferno que eu vou," ela murmurou, seguindo Jace. Ela parou apenas para pegar a
kindjal com punho azul no chão debaixo da mesa, onde Valentine tinha chutado ela. A
arma na mão dela a fez se sentir confortável agora, tranqüilizando, enquanto ela
empurrava uma cadeira caída para fora de seu caminho e se aproximava do espelho.
Jace tinha retirado a lâmina serafim, a sua luz lançando uma forte iluminação acima,
escurecendo os círculos sob seus olhos, as cavidades das suas bochechas. Valentine
tinha se virado e ficou delineado em sua luz, suas costas contra o espelho. Na sua
superfície Clary também pode ver Luke atrás deles, que tinha posto sua espada para
baixo, e estava puxando o cabo vermelho da kindjal para fora do peito de Alaric,
suavemente e com cuidado. Ela se sentiu doente e agarrou a sua própria lâmina mais
firmemente. "Jace..." ela começou.
Ele não se virou para olhar para ela, embora, evidentemente que ele pudesse vê-la
no reflexo do espelho. "Clary, eu te disse para esperar."
"Ela é como a mãe dela," Valentine disse. Uma de suas mãos estava atrás dele, ele
estava se movendo ao longo da borda da pesada moldura dourada do espelho. "Não
gosta de fazer o que lhe dizem."
Jace não estava tremendo como ele tinha estado mais cedo, mas Clary podia sentir o
quão fino seu controle tinha sido esticado, como uma pele ao longo de um tambor.
"Eu vou com ele para Idris, Clary. Vou trazer a Taça de volta."
"Não, você não pode," Clary começou, e viu, no espelho, como seu rosto retorceu.
"Você tem uma idéia melhor?" Ele reclamou.
"Mas Luke..."
"Lucian," Valentine disse em uma voz como seda, "está se ocupando com um
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companheiro caído. Enquanto a Taça, e Idris, não estão longe. Através do espelho,
por assim dizer."
Os olhos de Jace se estreitaram. "O espelho é o Portal?"
Os lábios de Valentine afinaram e ele soltou sua mão, se deslocando atrás do espelho
como se a imagem nela girasse e mudasse como aquarelas se movendo em uma
pintura. Em vez da sala escura com a madeira e velas, Clary agora podia ver os
campos verdes, as grossas folhas esmeraldas das árvores, bem como uma vasta
campina varrer para baixo para uma grande casa de pedra à distância. Ela podia
ouvir o som vibrante de abelhas e o sussurro do vento nas folhas, e cheiro de
madressilvas transportadas pelo vento.
"Eu disse a você que não estava longe." Valentine colocou-se no que era agora um
dourado pórtico arqueado, o cabelo dele se movendo no mesmo vento que agitava as
folhas sobre as árvores distantes. "É como você se lembra dela, Jonathan? Tem algo
mudado?"
O coração de Clary apertou dentro de seu peito. Ela não tinha dúvida que aquilo era a
casa da infância de Jace, apresentada para tentá-lo como você poderia seduzir uma
criança com doces ou um brinquedo. Ela olhou em direção a Jace, mas ele não
pareceu ver ela de modo algum. Ele estava olhando para o Portal, e a visão além dos
campos verdes e da mansão. Ela viu o rosto dele suavizar, a saudosa curva de sua
boca, como se ele estivesse olhando para alguém que ele amava.
"Você ainda pode voltar para casa," disse seu pai. A luz da lâmina serafim que Jace
segurava jogou a sombra dele para trás que parecia se mover através do Portal,
escurecendo os brilhante campos, além da campina.
O sorriso desapareceu da boca de Jace. "Essa não é a minha casa," ele disse. "Esta é
a minha casa agora."
Um espasmo de fúria contorceu suas feições, Valentine olhou para seu filho. Ela
nunca iria esquecer aquele olhar – aquilo fez ela sentir um súbito e selvagem anseio
por sua mãe. Porque não importava o quão irritada sua mãe tinha ficado com ela,
Jocelyn nunca olhou para ela assim. Ela sempre tinha olhado para ela com amor.
Se ela pudesse sentir mais pena por Jace do que ela já sentia, ela então teria
sentindo.
"Muito bem," Valentine disse, e deu um rápido passo para trás através do Portal, para
que seus pés atingissem a terra de Idris. Seus lábios curvados em um sorriso. "Ah,"
ele disse, "casa."
Jace tropeçou à beira do Portal antes de parar, uma mão contra a moldura dourada.
Uma estranha hesitação parecia ter tomado conta dele, mesmo com Idris tremulando
diante de seus olhos como uma miragem no deserto. Isso só levaria um passo...
"Jace, não," disse Clary rapidamente. "Não vá atrás dele."
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"Mas a Taça," Jace disse. Ela não pôde dizer o que ele estava pensando, mas a lâmina
em sua mão estava se agitando violentamente enquanto sua mão tremia.
"Deixe a Clave pegá-la! Jace, por favor." Se você passar por esse portal, você pode
nunca mais voltar. Valentine vai matar você. Você não quer acreditar, mas ele irá.
"A sua irmã tem razão." Valentine estava de pé no meio de uma grama verde e flores
selvagens, as lâminas flutuando em torno de seus pés, e Clary percebeu que apesar
deles estarem a centimetros de distância um do outro, elas se situavam em
diferentes países. "Você realmente acha que pode vencer isto? Apesar de você ter
uma lâmina serafim e eu estar desarmado? Não apenas sou mais forte do que você,
mas duvido que você possa me matar. E você vai ter que me matar, Jonathan, antes
que eu dê a Taça para você."
Jace firmou seu aperto sobre a lâmina do anjo. "Eu posso..."
"Não, você não pode." Valentine chegou fora, através do Portal, e agarrou o pulso de
Jace com sua mão, o arrastando até a ponta da lâmina serafim tocar seu peito.
Quando a mão de Jace e seu pulso passaram através do Portal, eles pareceram
tremular, como se tivessem sido arremessados em água. "Faça isso, então,"
Valentine disse. "Impulsione a lâmina. Sete, talvez dez centímetros." Ele puxou a
lâmina a frente, a ponta do punhal cortando o tecido de sua camisa. Um círculo
vermelho como uma papoula floresceu um pouco acima de seu coração. Jace, com
um suspiro, puxou seu braço se libertando e cambaleou para trás.
"Como eu pensei," disse Valentine. "Muito piedoso." E com uma chocante surpresa ele
jogou seu punho em direção a Jace. Clary gritou, mas o golpe não o acertou: uma
vez que atingiu a superfície do Portal entre eles, com um som como mil coisas frágeis
se estilhaçando. Como teias de aranha fendendo o vidro-que-não-era-vidro, a última
coisa que Clary ouviu antes que o Portal se dissolvesse em um dilúvio de cacos
barulhentos, foi a risada irônica de Valentine.
Vidro agitou-se ao longo do chão como uma ducha de gelo, uma estranhamente bela
cascata de cacos prateados. Clary foi para trás, mas Jace manteve-se ainda imóvel
enquanto chovia vidro em torno dele, olhando para a moldura vazia do espelho.
Clary tinha esperado que ele xingasse, gritasse ou amaldiçoa-se seu pai, mas em vez
disso ele só esperou que cacos parassem de cair. Quando eles pararam, ele se
ajoelhou silenciosamente e cuidadosamente na bagunça de vidros quebrados, pegou
um dos pedaços maiores, virando ele para cima em suas mãos.
"Não." Clary se ajoelhou ao lado dele, colocando para baixo a faca que ela tinha
estado segurando. Sua presença já não a confortava. "Não havia nada que você
pudesse ter feito."
"Sim, havia." Ele ainda estava olhando abaixo para o vidro. Lascas quebradas
salpicavam o seu cabelo. "Eu podia ter matado ele." Ele virou o caco para ela. "Olhe,"
disse ele.
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Ela olhou. No pedaço de vidro que ela ainda podia ver, uma parte de Idris, um pouco
de céu azul, a sombra das folhas verdes. Ela exalou dolorosamente. "Jace..."
"Vocês estão bem?"
Clary olhou para cima. Era Luke, parado perto deles. Ele estava desarmado, os olhos
dele afundados em círculos azuis de exaustão. "Estamos bem," ela disse. Ela podia
ver uma figura machucada no chão atrás dele, semi-coberta com o longo casaco de
Valentine. Uma mão projetava-se por baixo da borda do tecido, ela estava curvada
com garras.
"Alaric...?"
"Está morto," Luke disse. Havia um abundante controle da dor em sua voz, embora
ela mal tivesse conhecido Alaric, Clary sabia que o esmagador peso da culpa iria ficar
com ele para sempre. E Esta é a forma como você reembolsa a inquestionável
lealdade que você comprou tão barato, Lucian. Deixando eles morrerem por você.
"Meu pai fugiu," disse Jace. "Com a Taça." Sua voz era monótona. "Nós demos ela
direto para ele. Eu falhei."
Luke deixou cair uma de suas mãos sobre a cabeça de Jace, limpando o vidro de seu
cabelo. Suas garras ainda estavam pra fora, seus dedos manchados de sangue, mas
Jace recebeu seu toque, como se ele não se importasse, e não disse nada. "Não é sua
culpa," Luke disse, olhando abaixo para Clary. Seus olhos azuis eram serenos. Eles
diziam: Seu irmão precisa de você, fique com ele.
Ela acenou, e Luke os deixou e foi para a janela. Ele a colocou aberta, enviando uma
corrente de ar através da sala que apagou as velas. Clary podia ouvir ele gritando,
chamando os lobos abaixo.
Ela se ajoelhou ao lado de Jace. "Está tudo bem," disse ela hesitantemente, embora
claramente não estava, e nunca poderia estar novamente, e ela colocou a mão sobre
seu ombro. O pano de sua camisa era áspero sob seus dedos, úmido com suor,
estranhamente reconfortante. "Nós temos a minha mãe de volta. Nós temos você.
Nós temos tudo o que importa."
"Ele tinha razão. É por isso que eu não podia me fazer passar pelo portal," Jace
sussurrou. "Eu não podia fazer isso. Eu não podia matá-lo."
"A única maneira que você teria falhado," ela disse, "é se você tivesse."
Ele não disse nada, apenas sussurrou algo debaixo de sua respiração. Ela não podia
ouvir bem as palavras, mas ela se aproximou e tirou um pedaço de vidro fora de sua
mão. Ele estava sangrando quando ele tinha segurado aquilo, por dois finos e
estreitos cortes. Ela colocou o caco abaixo e tomou sua mão, fechando os dedos
sobre a palma ferida. "Honestamente, Jace," ela disse, enquanto ela tocava
suavemente ele, "você não sabe que é melhor não brincar com vidro quebrado?"
Ele fez um som como um sorriso abafado antes que ele se aproximasse e a puxasse
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Cassandra Cale – The Mortal Instruments 01 – City of Bones
para seus braços. Ela estava consciente de Luke os olhando da janela, mas ela fechou
os olhos resolutamente e enterrou seu rosto contra o ombro de Jace. Ele cheirava a
sal e a sangue, e só quando sua boca chegou perto do seu ouvido que ela entendeu o
que ele estava dizendo, o que ele havia sussurrado antes, e era a mais simples
ladainha de sempre: seu nome, apenas seu nome.
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