Capítulo 29
"Eu estou totalmente derrotado." Mike Danneker bocejou, reunindo seus livros e
fechando a tela de seu laptop. "Eu não agüento mais matemática."
"Apenas alguns problemas mais", eu disse a ele, abrindo um dos meus textos
mais desafiador de cálculo. "Poderíamos fazer essas amostra de problemas... "
"De jeito nenhum", disse Mike. "E você deveria ir para casa, também, Jess. Você
vai queimar, estudando isso difícil. A a disputa é ainda a uma semana de
distância. "
"Que é exatamente por isso que precisamos de prática."
Mike ficou de pé, pegando o seu laptop. "Até mais, Jess. Descanse um pouco."
Ele andava pelos corredores a fora, deixando-me sozinha no fundo do coração da
biblioteca de Woodrow Wilson. Virei um página no meu caderno, tentando me
concentrar. Talvez eu estivesse cansada: A idéia de números parecia difícil. Eu
estava tendo dificuldade de manter minha mente nos problemas. Talvez porque
eu não conseguia parar de pensar em como eu recentemente estive no ginásio,
sedenta de sangue.
Enquanto eu olhava para o meu livro, minha mente, uma vez mais à deriva, longe
de limites, derivadas e integrais, ouvi vozes e passos no labirinto de pilhas.
"Nós devemos apenas comprar papéis fora da Internet".
Frank Dormand.
"De jeito nenhum. Três caras ficaram presos no ano passado, e dois deles
perderam suas bolsas de futebol. Perderam um todo ano da faculdade. "
Ethan Strausser.
"Então o que, nós devemos encontrar um monte de livros sobre a Liga das
Nações?" Dormand perguntou. "Como eu dou um merda? "
Ouvi volumes sendo puxado das prateleiras.
"Por que você não apenas pega Fath pra escrever para nós?" Dormand
acrescentou. "Ela é inteligente."
Meus ouvidos picado com o nome de Faith.
"Ela tem sido uma cadela total ultimamente", disse Ethan. "Eu não sei o que
diabos está errado com ela."
"Ela está saindo com Vladescu", disse Frank, cuspindo o nome de Lucius como
se fosse um mosquito que tinha voado em sua boca. "Ele está provavelmente se
esfregando nela, o bastardo."
Quanto é Lucius e Fath sair? Quantas vezes? E o que eles estão fazendo?
Possessividade e ciúmes rasgou através de mim novamente. Eu tentei lembrar:
Quando foi a última vez que Lúcio havia mencionado o pacto? Namoro?
Pareceu-me que eu não estava realmente certa. Como eu não posso ter certeza?
"Esse esquisito pensa que é dono da maldita escola, porque ele pode fazer alguns
arremessos do centro da quadra", Ethan reclamou.
"Há algo de errado com aquele cara", Dormand observou. "Ele não é normal."
Sentei-me congelado no meu lugar, na minha intenção de espionagem. Frank e
Ethan realmente não poderia saber nada sobre Lucius, mas incomoda-me pensar
que dois dos maiores idiotas da escola estavam começando a discutir o fato de
que Lucius era diferente. Eu não tinha certeza porque me incomodava, e dois
tontos estúpidos certamente não poderiam ser uma ameaça para a alguém tão
auto-possuído e fisicamente forte como Lucius, mas eu estava um pouco nervosa.
"Você está chateado porque ele te bateu na frente de todo mundo, batendo com a
cabeça espessa em um armário", Ethan observou.
"Yeah. E se ele tivesse apenas a cerca de te estrangular, você ainda estaria
chateado, também." Dormand pausou. "Eu estou lhe dizendo. Há algo de
diferente nele. Quando ele me agarrou ... Eu não sei ... me senti estranho. "
"O que, você esquentou por ele?" Ethan brincou. "Que diabos você quer dizer,
sentiu estranho?"
Eu esperava um idiota machista como Dormand ir furioso sobre o que Ethan
estava insinuando. Pela primeira vez, no entanto, Frank parecia quase pensativo.
"Cale a boca, cara", disse ele. "Você não sentiu."
Eu ouvi o som de livros sendo colocados de volta nas prateleiras. "Vamos dar o
fora de aqui", disse Ethan. "Eu vou conseguir alguém para escrever o papel ".
Quando saíram dali, ouvi Dormand acrescentar: "Vladescu - algum dia aquele
cara vai conseguir o que ele merece. Ele é não é certo. E um destes dias, vou
colocar meu dedo nele. . ".
A voz de Dormand sumiu, porque ele saiu da biblioteca.
Olhei para o espaço, tentando dizer-me que a vaga inquietação que eu sentia era
totalmente injustificada. Mas, por alguma razão, eu realmente não acreditei
naquilo. Frank Dormand era um tirano implacável, tão certo como Lucius era um
vampiro. Eu tinha sido o objeto de insultos de Frank durante o tempo que eu
podia lembrar. Eu sabia que ele poderia adotar um alvo, recusando-se a deixar
ir. . ..
E se Frank começar a olhar para a vida de Lúcio? Seu passado? O que ele é?
Dormand pode descobrir alguma coisa?
Não.
A idéia era quase boba. Frank Dormand não poderia mesmo encontrar um livro
sobre a Liga das Nações, em uma biblioteca de escola secundária. Ele nunca iria
descobrir que Lúcio era um vampiro. Nem em um milhão de anos.
E mesmo que ele descobrisse, qual é a pior coisa que poderia acontecer? Lebanon
County não era a Roménia. Era um civilizado lugar. As pessoas não formam
gangues e matam seus vizinhos com estacas, pelo amor de Deus. A idéia era
risível. Lúcio estaria ótimo.
Então, porque não me senti melhor quando eu fechei meus livros, desistindo de
matemática - batendo a tampa na lógica e razão - para a noite?
Capítulo 30
Caro Tio Vasile,
Dezembro em Lebanon County, Pennsylvania, iria completamente
“mudar a sua mente”*, pra usar uma expressão que eu escolhi como
minha favorita de todas que eu aprendi nessa minha longa estadia. É
uma coisa boa mudar de mente? Ou uma coisa ruim? Mesmo no
contexto, as vezes é difícil dizer – embora eu me divirta tentando
imaginar a imagem. Cabeças explodindo. Cérebros expostos na mesa,
acariciados pela brisa de ventiladores. Esse tipo de coisa.
*é uma expressão (“blow your mind”) e ficaria algo como explodir a
sua a sua cabeça, mas querendo parecer mudar de idéia mesmo ^^
Motivo das imagens imaginadas: Dezembro é comemorado
fervorosamente aqui nos Estados Unidos. Quase agressivamente.
Cada superfície concebível é coberta com fios de luzes brilhantes. Os
edifícios são sufocados sob a vegetação, e uma mania bastante comum
de colocar infláveis, imensos de acenantes bonecos de neve em frente
as casas. É uma completa histeria e as árvores de natal não são apenas
um mito, Vasile. As pessoas realmente compram, em abundância. Elas
estão à venda em toda parte. Imagine pagar pelo privilégio de arrastar
um pedaço sujo de floresta em sua sala de estar com a finalidade de
pendurar bolas de vidro e ficar olhando para ela.
Por que uma arvore? Se alguém precisasse pendurar bolas de vidro – o
que eu altamente desencorajo isso – por que não algo feito para isso?
Um rack?
Honestamente, eu passei muita energia defendendo vampiros contra
acusações de “irracionalidade”. Se eu soubesse sobre a onipresença da
temporariamente-em-casa arvore de natal, eu teria dito apenas: "Sim,
talvez eu seja irracional. Mas eu mantenho minhas árvores onde elas
pertencem. Fora de portas. Me diz, quem é o são aqui?
Mas basta de “feriado” (Ho Ho Ho mantenha minha cabeça até eu me
afogar e me livrar de outro round de “Jingle Bells”!)*. Eu escrevo para
contar que tenho muito pouco a dizer. Eu pareço estar curado, e eu já
domino a arte de dormir na aula de “estudos sócias”. (Manda a ver,
Senhorita Campbell! Tenho contornado sua tentativa nefasta para
tornar enfadonho o estudo da I Guerra Mundial um dos conflitos mais
dramáticos da Terra: gás mostarda! Trincheiras! A destruição de nada
menos de quatro impérios!)
*era pra ser tipo uma musiquinha, mas perdeu a piada com a
tradução. Mas pra quem quiser: (Ho-ho-hold my head under water
until I drown and am freed from yet
another round of "Jingle Bells"!)
Ah sim. Você deve estar interessado – ou não – em saber que eu
também fiz uma amiga. Uma bastante malévola garota, Vasile. Sintome bastante confiante de que o velho "elfo alegre", St. Nick colocou-a
firmemente em sua lista “suja” (uma referencia muito obscura pra
você, sem duvidas. Apenas confie em mim: Ela é sim uma criatura
fascinante.) O nome dela é Faith Cross* Embora tenha "cruz em seu
nome," ela é tão "incrédula" como se pode imaginar. Você sabe que eu
amo ironia.
Faith Cross quer dizer Fé Cruz.
Eu suponho que isso seja tudo por aqui.
Eu te desejaria um Feliz Natal, mas realmente, tenho certeza que a
única coisa que você gosta menos que isso é a minha condição de
solteiro.
Seu sobrinho,
Lucius.
P.S.: Tenha certeza de que, embora eu não tenha abordado, na minha
carta, recebi a sua estrondosa, ainda que tardia resposta à minha
sugestão de que nós liberamos Antanasia de suas responsabilidades
vampirescas. Nem eu deixo de compreender a sua ira na minha
afirmação de que eu “os irritei”. Na verdade, seu significado foi muito
claro quando você escreveu em sua resposta que você “faria eu sentir
falta do coice quando aplicasse o chicote”. Uma comparação eqüina tão
vivida. Todos os pontos estão sendo levados em cuidadosa
consideração. Mas eu vou cumprir a sua ordem agressiva de
continuar tentando persuadir Antanasia? É difícil de dizer da
Romênia, não é? A distancia muda a mente de qualquer um, não?
Capítulo 31
“Jéssica, é você?” Lucius perguntou. Eu ouvi a porta da garagem fechar, em
seguida de passos na neve.
“Hey” eu respondi da cozinha. “Você está aqui cedo”
“E você está aqui...”. Ele atirou o casaco na cadeira de couro. “Eu pensei que
tivéssemos permanentemente retomado nossas respectivas residências.”
“E nós fizemos.” Eu voltei a cozinha, mexendo uma panela fervente.Porcaria. Eu
esperava estar com o jantar mais adiantado quando ele voltasse da escola. “Por
que você já está em casa?”
“O treino de basquete foi remarcado por causa da neve. Nos Carpatos*
chamaríamos isso do equivalente a uma garoa. Um “pequeno inconveniente”.
Aqui isso parece ser motivo de pânico nas ruas. Saques e tumulto para o último
pacote de 'Wonder Bread' no supermercado, como se você não pudesse pedir uma
pizza quando estivesse quase morrendo de fome”. Lucius cheirou o ar. ”Sério, o
que você está fazendo aqui? E que cheiro é esse?”
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cárpatos
“Eu sabia que você estava cansado de comida vegetariana, então eu cozinhei um
coelho pra você”.Eu disse.”Eu vi eles no seu freezer quando estava aqui.”
Ele parou por um segundo. “Você fez o que?”
“Eu cozinhei um coelho”
“Na verdade, é uma lebre,” Lucius corrigiu, entrando na cozinha, ”e se você não
sabe o que é, como sabe como fazer um?”
“Eu achei esse livro de culinária na sua estante”.Estendi pra ele o livro
manchado. ”Vê?”
Lucius franziu, lendo. “Cozinhando a lá Romena. Em inglês! Eu tinha esquecido
que tinha trazido.” Ele olhou pra mim e sorriu ironicamente. ”Nosso cozinheiro
enviou isso aos seus pais, prevendo que eles iriam ajustar seus cardápios para
atender o meu gosto - certamente nunca esperava que eu me encontrar na casa de
vegetarianos que nunca se dignaram a atender até mesmo a paixão da realeza
Romenica por carne.”
“Bem, há carne em abundancia para jantar hoje”, Eu prometi, ”Eu estou fazendo
a sopa azeda de carneiro também.” Eu peguei o livro da mão dele, abri e apontei
meu dedo na pagina que eu tinha marcado.
Lucius examinou detalhadamente. “Como infernos você conseguiu achar
‘minced levistan’* em Lebanon County, Pennsylvania?
*é um tempero
“Eu chequei no Transylvaniancooking.com. Você pode substituir por por
terragon”.
“O azedo da sopa deve ser o cheiro,’ Lucius disse franzindo o nariz. “Isso ainda
vai demorar. E ai de você se seus pais descobrirem que você está cozinhando
carne.”
“Hey, eu estou tentando ser legal aqui!”
Lucius riu. “Sim, me provindo um ‘legal’ caso de triquinose*, Lebres são
transportadores notórias.” Ele levantou a tampa sobre a lebre, que estava sendo
cozinhada, e então olhou pra mim, com a sobrancelha arqueada. “Você limpou a
pequena criatura, não?”
*http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/000631.htm
“Tipo...lavar na pia?”
“Retirar as vísceras. Eu vejo algo flutuando lá dentro.”
“Existem vísceras?”
Lucius agarrou uma escumadeira e começou a agitar em torno da panela. “Eu
acredito que agora identificamosa fonte do odor”, ele anunciou pescando da
panela algo que parecia escorregadio. “Pequeno órgão nojento. Não é a parte
mais saborosa de nada. Nem gatos morrendo de fome iriam come o baço.”
“Eu acho que nós deveríamos pular a lebre.” Eu disse mal-humorada. O jantar
não estava saindo tão bom quanto eu havia imaginado.
“Na verdade, Jéssica, por mais que eu agradeça a oferta...”
Houve uma batida na porta.
“Com licença” Lucius disse indo atender.
“Hum, claro”, eu respondi, olhando a panela. Tinha outras coisas nojenta
começando a fazer bolhas em volta. Ecaa. Quem diria?
A porta abriu rangendo.
“Luc, hey!”
Sentindo algo como um chute no meu estomago, eu bati a tampa da panela. Eu
conhecia aquela voz falsa e barata.
Faith Crosser
O que ela está fazendo aqui?
“Você teve algum problema com a neve?” Lucius perguntou.
Senti o cheiro de pizza sobre o fedor do baço.
“Não, não é nada de mais”, Faith riu “Eu peguei emprestada a Hummer* do meu
pai. Se acontecesse algum acidente, não seria eu a morta.”
Que gesto humanitário. Eu me movi para a entrada da cozinha, encostada na
porta, braços cruzados, assistindo eles.
“Finalmente alguem de Lebanon County que entende como lidar com uma
precipitação gelada*”, Lucius disse aprovativamente. “Permita-me adicionar que
você está linda, como de costume, embora seja realmente evidente.”
*http://pt.wikipedia.org/wiki/Precipitação_(meteorologia)
Eca. Eu ia vomitar, e não era por causa dos órgãos de lebre.
“Oh Luc”. Faith balançou a caixa de pizza como se fosse uma garçonete,
libertando uma mão para apertar seu antebraço flertivamente. “Você sempre diz a
coisa certa”
“E você trouxe a coisa certa”, ele disse, tirando a pizza da mão dela. “Esta é uma
especiaria que eu honestamente apreciei aqui.”
“Estou certa de que cheira melhor do que quer que seja, que você está
cozinhando ai” Faith olhou ao redor procurando a fonte do odor, e me achando.
“Estou certa que sim”, concordei.
Lucius passou encostando em mim, carregando a pizza pra dentro da cozinha.
“Como eu estava prestes a dizes Jéssica, o jantar seria de alguma forma
inconveniente essa noite, pois eu convidei Faith pra estudar.”
“Estudar?” Me senti mais suja que o coelho guisado, mais azeda do que a sopa.
“Sim” Faith disse, “Lucius me convidou para ser sua parceira na aula de inglês.”
Parceira? Pra que? E se havia algo em dupla na aula, por que não fui eu a
convidada? Eu olhei para Lucius, sabendo que havia traição em meus olhos.
Querendo que ele visse isso. Mas ele estava me evitando.
“Sim, se lembra que eu me ofereci para fazer o relatório oral de ‘O Morro dos
Ventos Uivante?” ele perguntou. “bem, depois de se sentar através das
infinitamente estupidificantes e raramente edificante apresentações feitas pelos
nossos colegas, eu pensei que poderia ser interessante para transformar o
romance em uma pequena peça. Dar ênfase nas partes dramáticas”
“Eu vou fazer a Catherine” Faith disse.
“Eu acho que isso te faz Heathcliff” eu disse para Lucius, mal disfarçando a
infelicidade em minha voz.
“Precisamente.”
Desliguei o fogão. Talvez o mal cheiro saia daqui a um ano, ou algo assim.
“Acho que vou indo então. Eu não quero interromper.”
“Você podia ficar para a pizza” Lucius ofereceu, “Você não deve ter comido
ainda, ou pelo menos espero que não tenha provado a lebre. Não deve ter cozido
o bastante pra matar todos os parasitas...”
“Você está cozinhando cabelo*?” Faith interrompeu ” É assim que você o deixa
dessa forma, Jenn?
gente é mais um trocadilho (dos milhões que tem nesse livro ^^). Tipo, o Lucius
fala da lebre (hare), mas a Faith, entendo outra coisa, ou pelo menos finge que
entende. Ela entende ‘hair’, tem o mesmo som, mas é cabelo.
Eu olhei para Faith durante um bom tempo, desejando que eu fosse rápida o
bastante. Mas nada veio a minha cabeça. Nada. “Eu só vou voltar pra casa” eu
disse, tentando sair com um pouco de dignidade. Tentando sair sem chorar. Eu
tinha feito tudo errado. A coisa toda era um desastre.
Lucius deve ter visto meu desapontamento, a humilhação em meu rosto por que
ele disse, “Nos dê licença um instante, Faith”
“Claro Luc” ela disse se movendo para o outro lado do pequeno espaço. “Eu vou
apenas ali olhar as armas. Adoro decoração diabólica.”
Lucius pegou meu braço, me levando para a porta. “Jéssica” ele disse
suavemente, “me desculpe”.
“Pelo que?” eu quase não incomodei a baixar a minha voz. Lagrimas realmente
estavam jorrando no meu rosto. Lagrimas de ciúmes. Lagrimas de vergonha. Eu
era tão estúpida. Eu tentei cozinhar um coelho pra ele, e ele tinha uma garota
vindo visitar. Não apenas uma garota. Faith Crosser.
“Foi bondoso de você tentar... um bonito gesto...” Havia compaixão no olhar de
Lucius quando ele empurrou um cacho perdido para atrás da minha orelha. Como
se eu fosse uma criança machucada. “Mas talvez não seja uma boa idéia. Não
agora.
“Sim” eu concordei, tirando sua mão de meu rosto, “Isso foi um erro”
“Faith é uma amiga” ele explicou calmamente, “Eu descobri que preciso de um
amigo agora. Alguém que me entenda.”
Isso doeu. Quem poderia entender ele melhor? “Eu en-tendo você”.
“Não, não do mesmo jeito.” Ele olhou pra Faith, que agora tinha retirado uma
espada da parede e estava testando. “Eu não posso explicar isso agora”.
“Oh, você não precisa”
Sua voz endureceu um pouco, assim como seu aperto em meu braço “Jessica,
você tem Jake. Você escolheuJake. E você tem Melinda também. Eu tenho que
ser isolado?”
“Não, claro que não. Tanto faz”.Tirei meu braço da mão dele, abri a porta e corri
para fora do apartamento, não me preocupando em pegar meu casaco.
Enquanto eu descia as escadas, as lagrimas começaram a jorrar, e eu ouvi Lucius
saindo no portão. “Jessica, por favor...”
Mas eu o ignorei e continuei andando, ele não me chamou de novo. antes que eu
tivesse mesmo chegado aos fundos da minha casa, ouvi a porta do apartamento
fechar com um baque.
Capítulo 32
Eu sofro com os sonhos de vez em quando desde a infância, e isso tem me
abalado sempre, demorando-se na minha cabeça mesmo depois de acordada.
Gostaria de forçá-lo a sair do meu cérebro no momento em que sacudo para ficar
de prontidão, inevitavelmente em um suor frio, torcendo em meus lençóis. Eu
sempre absorvi coisas reais. A raiz quadrada de um positivo, o número real pode
ser determinado usando a Fórmula de Newton... Foi assim que eu lidei. Pelo
apego a realidade. Para o concreto.
.
Mas naquela noite, em meados de dezembro, o sonho, mais vivo do que nunca,
não seria expulso.
.
“Antanasia... Antanasia...”
.
Ela estava me chamando. No início como uma canção de ninar, um canto
reconfortante.
.
Estava escuro e gelado lá, na desconhecida, íngreme, e irregular montanha. O
negro, úmido, rochoso afloramentos que furavam os desvios eram dentes
irregulares. Como presas. A neve caia de alguma maneira mais forte, mais
profunda, de uma forma que parecia quase ameaçadora. Como se a tempestade
estivesse animada e saia para o sangue.
.
“Antanasia!”
.
Ela sempre me chamava três vezes, e o tempo do anseio sempre foi diferente.
Como um grito repentino.
.
O lamento de alguém caindo, de um dos penhascos da montanha...
.
Então silêncio.
.
Apenas o som do vento e da agitação da neve, girando em torno do penhasco,
que recuava mais e mais distante.
.
Meus olhos se abriram.
.
Deitei na cama por alguns minutos, pela primeira vez permitindo que o sonho
absorvesse minha mente. Para se estabelecer e se familiarizar.
.
Gradualmente, eu aceitei isso.
.
Então grunhindo dou um pontapé no cobertor, balançando os meus pés pra fora
para tocar o chão frio de madeira, e caminhando silenciosamente até meu
armário, puxando a gaveta, tentando contê-la do rangido. Sentindo cegamente
uma pilha de camisetas que eu já não usava, meus dedos localizando o que eu
procurava. O livro que Lucius me deu. Eu tirei e rastejei para a mesa, ligando a
lâmpada.
.
No círculo de luz, li o título agora familiar. Com os dedos surpreendentemente
estáveis, folheio através das páginas, procurando o envelope de cera ainda
dobrado perto da parte de atrás, aproximadamente quarenta páginas do pesado
marcador de prata de Lucius.
.
Quando eu encontrei o pacote fino, o levantei, cuidadosamente, parecia tão
delicado, ou talvez apenas precioso demais para segurá-lo. Alcançando para
dentro com dois dedos, tirei o conteúdo. A fotografia.
.
Minha respiração travada olhando para uma mulher em um vestido de seda
vermelho, posicionada formalmente, sua postura de realeza, mas
confortavelmente reta, seus ombros para trás, os cabelos negros encaracolados
empilhados em cima de sua cabeça, envoltos em uma coroa de prata. Seu nariz
era um pouco rude, sua boca uma sombra muito ampla para ser
convencionalmente bonita. Um esboço de sorriso jogado nos cantos dos lábios,
como se alguém tivesse dito uma piada que ela queria sorri, mesmo ela sendo
avisada para ser rígida. Para parecer como rainha.
.
Uma pequena, escura jóia parecia flutuar onde seu peito encontra-se com sua
garganta, a corrente também delicada é percebida na imagem.
.
Minha mãe.
.
Olhei mais de perto. Seus olhos... Seus olhos são definitivamente os meus.
.
Assim como seu nariz. Sua confusa boca.
.
Eu reconheci todos os planos do rosto de Mihaela Dragomir, como se eu tivesse a
visto mais cedo naquele dia... Talvez porque eu tivesse visto, no espelho.
.
E ainda assim a mulher na foto era diferente de mim. Ela tinha uma qualidade
especial que era melhor do que a beleza tradicional. Ela tinha... Uma presença.
.
As palavras de Lucius de semanas atrás voltaram pra mim.“Mulheres
americanas. Por que é que todas querem ser quase invisíveis? Por que não tem
uma presença física no mundo?”
.
Mesmo em uma fotografia antiga, minha mãe tinha isso. Presença. Mihaela
Dragomir era cativante. O tipo de mulher que gostava de chamar todos os olhares
para ela quando entrava em uma sala.
.
Eu virei a foto para ver se estava datada, mas nada foi escrito lá, então olhei para
ela novamente. Estudando seu rosto por muitos minutos, ouvindo a voz do sonho
em minha cabeça. Apreciando minha mãe biológica a longa-silenciosa canção de
ninar e me forçando a suportar o grito de sua perda. Outra vez e outra vez e outra
vez. Será que ela gritou ao perder sua própria vida? Por nossa eterna separação
uma da outra?
.
Quando senti o peso do nosso mútuo passado começando a me carregar pra baixo
fortemente, eu coloquei a foto de volta no envelope. E ela ficou resistente, como
se houvesse algo mais lá dentro, bloqueando. Eu cuidadosamente coloquei a foto
na minha mesa, virei o envelope, e sacudi suavemente. Um pedacinho de papel
quase translúcido flutuou em minha palma.
.
Eu reconheci a mesma escrita que tinha visto na lousa rabiscada na classe da Sr.
Wilhelm em setembro:Vladescu. A mesma escrita estava dentro do meu manual
de vampiro.
.
Ela não é bonita, Antanasia?
Ela não é poderosa?
Ela não é da realeza?
Ela não é exatamente como você?
.
Era quase como um poema. Uma composição poética lírica. Pra mim.
.
Eu li outra vez, apesar de ter memorizado da primeira vez, quando a nota de
Lucius deslizou de volta para o envelope, seguido da foto, e recolocado dentro do
guia, que o coloquei em minha mesa. Então eu virei na minha cadeira,
capturando meu reflexo no espelho de corpo inteiro que pendia na parede atrás da
porta do quarto. Na luz suave, eu poderia ter sido Mihaela Dragomir, meu pijama
de flanela um vestido de noite de seda...
.
Um impulso, eu empilhei meu cabelo em minha cabeça e endireitei meus
ombros.
.
Ela não é bonita, Antanasia?
Ela não é poderosa?
Ela não é da realeza?
Ela não é exatamente como você?
.
Liberando meu cabelo, desliguei a luz e voltei pra cama, não sabendo se queria
me alegrar ou chorar ou ambos.
.
Ela não é você?
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