onselhos.
Capítulo 37
“Jessica, o telefone é pra você” Papai disse, colocando a cabeça dentro do meu
quarto. “É o Jake”
“Eu nem mesmo o ouvi tocar” Eu admiti, sentando e pegando o telefone sem fio
da sua mão. Eu estava deitada na cama, olhando o teto, pensando, como sempre,
em vampiros infiéis e no fato do meu cérebro estar se desintegrando, ainda
desejando que minha vida apenas fosse normal de novo. “Hey Jake” eu disse
com menos entusiasmo do que sabia que devia ter falado. “E ai?”
Eu devia terminar com Jake. Eu sabia disso, e mesmo assim ainda não tinha
terminado. Por que? O que eu estou esperando?
“Hey Jess” Jake disse, “ Eu estava apenas ligando pra... bem eu só estava me
perguntando se ainda está de pé o baile. Eu não tenho te visto muito na escola...”
“É, eu acho que tenho estado meio ocupada” eu disse, “Eu estava pensando que a
gente podia se encontrar pra conversar, embora...”
Lá fora eu ouvi um grito alto, seguido de risos. Eu puxei a cortina e vi Lucius e
Faith bastante entretidos em uma guerra de neve. Enquanto eu olhava, Lucius
mergulhou em Faith e ela caiu em uma pilha de neve deixada por nosso limpaneve, tirando a neve de seu chapéu de lã rosa.
“Oh Lucius” ela gritou chutando ele, “Você é um idiota!”
Sim, Lucius... sim você é.
“Jess – você ainda tá ai?”
“Oh, desculpa Jake” eu disse fechando a cortina “Eu estou aqui”
“Eu tava te perguntando sobre o baile, por que eu ainda tenho que alugar um
smoking...
Lá fora, mais guinchos felizes.
Jake acrescentou, com um pouco de incerteza, “Eu realmente espero que você
ainda queira ir, Jess”
Que garoto legal, realmente legal.
Debaixo da minha janela, Faith gritou “Não me toque!” Mas pareceu que ela
queria exatamente o oposto.
Eu agarrei o telefone, me forçando a prestar atenção no Jake. Eu tinha certeza
que queria terminar com ele? Eu ia parar de viver só por que tinha sido
descartada por um arrogante aluno de intercambio que tentou me seduzir em seu
apartamento só pra admitir que tudo tinha sido um “erro”?
Não, eu não iria.
“É claro que eu quero ir Jake,” eu disse, forçando minha voz a parecer mais
animada do que eu me sentia “Estou ansiosa por isso”.
Alivio inundou sua voz. “Ótimo Jess. Então eu vou alugar meu terno amanhã, se
você estiver certa...”
Faith Crosse não vai parar nunca de ficar gritando no meu quintal?
“É claro que tenho certeza Jake”, adicionei quando estava indo desligar. “Vai ser
ótimo”
Deitei de volta na minha cama, puxando meu travesseiro no rosto, tampando os
ouvidos, tentando descobrir como fazer para meus ouvidos calarem o tanto de
diversão que meu antigo-noivo-de-pacto e Faith estavam tendo lá fora.
Enquanto eu estava lá, odiando os dois, meus dentes começaram a doer. Primeiro
era apenas uma dor chata e pequena, mas cada vez que ouvia o som de Faith e
Lucius na guerra de neve, a dor aumentava mais nítida, até que foi quase como se
meus dentes estivessem muito bem firmados em minha boca, lutando contra
minha gengiva, e eu queria agarrá-los e puxá-los , encontrar, de alguma maneira,
a chave que iria libertá-los de tornar o que ele s tão desesperadamente queriam
tornar-se.
Rolando pra fora da minha cama, eu me firmei na minha prateleira, procurando
por meu manual vampiro, corri o dedo pelo índice. Estava lá: “Capitulo 9,
Encontrando o Caminho para suas Presas!”
Eu virei para a pagina indicada.
“Garotas começarão a sua dor de dentes incisivos quando se aproximas dos
dezoito anos, embora algumas vampiras precoces podem começar a sentir
mudanças em torno dos dezesseis anos de idade! A sensação ocorre muitas vezes,
embora não exclusivamente, em períodos de grande tensão emocional, assim
como sua sede de sangue. Tente ser paciente e aceitar o desconforto dentário,
como parte de seu crescimento como vampiro, assim como você aprende a
aceitar as cólicas menstruais, como parte de seu crescimento feminino. Lembrese: quando você é mordida pela primeira vez, suas presas serão liberadas para
expandir e florescer, e você vai logo esquecer as pontadas temporárias que te
transformaram em um completo vampiro.”
Meus dentes seriam liberados por uma mordida de vampiro. É claro. Lucius tinha
me contado durante a nossa viagem de compras. As presas de uma mulher não
podem crescer até que ela seja mordida por um vampiro. Eu guardei meu guia.
A boa noticia era que eu tinha um vampiro correndo no meu quintal. A má era
que eu preferia por uma estaca em seu coração antes que ele tivesse alguma
chance de chegar perto de mim – sem contar o fato de que ele não parecia mais
dar a mínima pra mim. O que um vampiro “florescendo” faria?
Capítulo 38
“Você tem tanta sorte que pelo menos uma de nós lê Cosmo e Vogue”, Mindy me
repreendeu, se arrastando pelo meu quarto, sobrecarregada com pelo menos dez
caixas de sapato. A pilha era tão alta que ela não podia ver a sua volta. “Mindy e
sua coleção de sapatos para o resgate!”
.
Minha melhor amiga deixou cair às caixas no chão em uma pilha, e seus olhos
arregalaram-se quando ela me viu. “Santa merda, Jessica!”
.
“Isso está.... Bom?”
.
Mindy tropeçando, segurou meus braços nus, e girou em torno de mim, olhandome de cima a baixo. “Você parece... Você parece deslumbrante.”
.
“Tudo bem” eu a acalmei, retirando seus dedos um por um. “Vá com calma,
porque este vestido custou-me praticamente cada centavo que ganhei no
restaurante durante todo o verão.”
.
“Valeu cada centavo”, disse Mindy, balançando a cabeça. “Cada droga de
centavo.”
.
Olhei-me no espelho que ficava pendurado na parte de trás da minha porta do
quarto. “É lindo, não é?”
.
“Você é linda,” Mindy corrigiu. “O vestido apenas deixa o resto de nós saber.
Onde você o conseguiu? Porque isso não é um trabalho de poliéster do
shopping.”
.
“Eu voltei naquela loja esnobe onde consegui meu vestido de Halloween,” eu
disse. Desta vez, tinha me incumbido de lidar com Leigh Ann. Mas eu tinha
aprendido muito com Lucius. Quem iria saber, só em alguns meses, o quanto se
pode conseguir simplesmente elevando o queixo e falando com autoridade?
.
“Ele é, como, veludo real,” disse Mindy, esfregando o tecido com admiração na
voz.
.
“Sim, de alto nível – o corpete, como Lucius diria – o veludo, e a saía é de seda
japonesa feita manualmente.” Eu aliso minhas mãos sobre o vestido preto puro.
Era tão escuro e suave como o céu a noite de agosto, pouco antes de uma
tempestade. Sem alças, o vestido foi cortado reto e envolveu meu tamanho 10
como o melhor do mundo, luvas personalizadas. Não é muito apertado, mas
fechado o suficiente para mostrar cada curva e côncavo de minha forma. Olhando
no espelho, eu estava contente por não está muito magra. Este não era um vestido
feito para uma figura infantil.
.
“Eu tenho os sapatos perfeitos,” Mindy gritou, escavando entre suas caixas. Ela
segurou um par de saltos de tira, muito fraco para Mindy, mas justamente certo
para o vestido. “Esses ficarão incríveis.”
.
“Você tem certeza que está tudo bem se eu pegar eles emprestados...?”
.
“Sim,” Mindy disse, com o menor indício de arrependimento ou ciúme em sua
voz. “Não é como se eu fosse a qualquer lugar. Eles bem que poderiam ter algum
uso.”
.
Pegando os sapatos eu a abracei. “Obrigada, Min. Você é a melhor.”
.
“Oh, não fique toda cheia de energia,” ela disse. “Nós ainda temos que fazer o
seu cabelo, e são quase sete horas.”
.
“Você acha que poderia me ajudar, com, um coque?” Eu pedi. “Eu quero que seja
perfeito. Muito melhor do que no Halloween.”
.
“Eu não leio Cosmo, Vogue, e Celebrity Hairstyle? Mindy salientou, pegando a
minha escova de cabelo. “Você está em boas mãos, Jessica Packwood”
.
Eu hesitei, então estiquei a mão para a fotografia da minha mãe biológica, que eu
havia mudado para uma pequena moldura de prata que mantive na minha mesa.
“Você acha que poderia me fazer parecer um pouco como... Ela?”
.
Eu entreguei a foto a Mindy, e ela olhou com admiração para ela, queixo
realmente caído. “Jess... Está é.... Está tem que ser...” Ela olhou pra mim,
claramente surpresa. “Ela era uma princesa ou algo assim?”
.
“É uma longa história,” eu disse, pegando a foto de volta. Eu olhei para Mihaela
Dragomir. “Mas ela foi especial. Sim.”
.
“O que diabos você não está me contando aqui?” Mindy exigiu, curiosa e um
pouco desconfiada. “Alguma coisa está acontecendo.”
.
“É apenas uma lembrança que me foi dada”, expliquei vagamente, ajustando a
foto em minha mesa. “Algo que eu não podia encarar antes...”
.
“Jess, ela se parece exatamente como você. É quase assustador.”
.
Eu corei com satisfação. Ela não é Bonita... Poderosa... Da Realeza... Como
Você? “Obrigada, Mindy, mas podemos falar sobre isso mais tarde? Agora, estou
desesperada por ajuda com o meu cabelo.”
.
Ao falar do cabelo, Mindy voltou para o presente e pegou punhado grande de
meus cachos brilhantes. “Eu estou totalmente com ele, Jessica. Quando eu
terminar com você, cada garota do Woodrow Wilson vai desejar ser você.”
.
Cerca de quinze minutos e um frasco completo de fixador de cabelo depois,
Mindy segurava um espelho. Meus cachos foram artisticamente, mas
caoticamente, dispostos em minha cabeça, como uma gloriosa, brilhante coroa, e
ela tinha tomado um punhado grosso e torcido ao redor do coque, e não ao
contrário da coroa de prata na foto da minha mãe biológica. Mindy tinha feito
muito bem. “Eu nunca vou rir de Celebrity Hairstyles de novo.” eu prometi.
.
Lá embaixo a campainha tocou.
.
“Jess?” Mindy perguntou, dando-me uma última ajeitada.
.
“O quê?” eu ainda estava me admirando no espelho.
.
“Isso tudo é para o Jake... ou isso tem algo haver com o fato de que Lucius está
com a Faith? Eu sei que você sempre diz que não gosta dele. Mas às vezes ainda
é uma droga quando alguém que foi afim de você tem uma mudança de
coração...”
.
“Isso é tudo pra mim,” eu a interrompi, alinhando meus ombros. O vestido, o
cabelo, os sapatos... Eles são tudo sobre ter orgulho de mim mesma. Acreditando
que eu era bonita. Acreditando que eu valia à pena.
.
Esqueça Lucius e Faith Crosse. Eu pretendia ter uma presença.
.
“Bem, crítica é inoperante”, disse Mindy, dando-me um abraço cuidadoso, de
modo que não desarrume meu cabelo. “Você parece maravilhosa.”
.
Eu capturei o meu reflexo, uma última vez para descer e cumprimentar Jake.
Maravilhosa. Essa foi à palavra para a minha transformação. Eu teria
acrescentado, talvez, Real, também.
.
Apesar de estar mais do que um pouco triste, e mais que um pouco magoada, e
completamente confusa com o estado da minha vida, a jovem mulher no espelho
controlou um sorriso.
Capítulo 39
“Você está realmente bonita, Jess,” disse Jake, entregando-me um ponche.
.
“Você parece agradável também, Jake.” Agradável.
.
“É muito ruim você está tão sobrecarregada ultimamente,” ele acrescentou. “Eu
senti falta de sair com você.”
.
“Você sabe, último ano.” Deu de ombros, bebendo meu ponche.
.
“Eu ouvi,” Jake concordou. “Esta arrebentando totalmente o meu traseiro.”
.
Hesitei um pouco com a expressão grosseira. Parecia como uma coisa que um...
Um... Camponês diria.
.
“Quero dizer, se eu não conseguir uma bolsa de estudos de luta, eu vou ficar
preso na faculdade comunitária por dois anos,” ele continuou. “Isso que é uma
droga. Acho que suas aplicações já estão todas lá fora.”
.
“Eu tenho que ir para Grantley,” eu disse. “Você sabe, onde minha mãe ensina.
Eu vou de graça.”
.
“Legal. De graça.”
.
Eu bebi meu ponche novamente, desejando que Jake e eu tivéssemos mais em
comum. Talvez tivesse sido um erro vir com ele. Talvez eu devesse ter ficado em
casa...
.
“Whoa.” Jake arregala os olhos, e aponta por cima do meu ombro. “Olhe lá.”
.
“O quê?” me virei, e meu coração deu saltou por um segundo. Lucius chegou
com a mão de Faith enrolada em seu braço. Ela estava brilhante em um vestido
prata, com alças finas que deslizou para baixo dos ombros e luvas que
serpenteavam até os cotovelos, os cabelos louros presos dentro de uma tiara de
brilhantes, como uma espécie de princesa do gelo. Uma rainha da Neve
cruelmente brilhante.
.
E Lucius... Lucius era sua escura contraparte perfeitamente em um smoking
adequado. Mesmo do outro lado do ginásio era fácil ver que seu terno não era de
nenhum aluguel como o de Jake. O smoking de Lucius era perfeitamente
desenhado para o seu corpo, esbelto, as calças cortadas perfeitamente para dobrar
na parte superior do calçado impecavelmente lustrado, como seus modos.
.
Olhei de relance para Jake. Seu terno era apropriado. Preto conservador. Nada
ofensivo ou embaraçoso. Mas esticado sobre os ombros salientes, e sua gravata
borboleta era apenas um pouco torta.
.
Era completamente injusto comparar os dois, quero dizer, Jake não podia pagar
um terno personalizado, mesmo assim fiz comparação. Meu parceiro de pacto de
sangue nunca pareceu tão bem. E Faith cintilava com exagero, gotas de gelo
derramando em seu braço. Ela inclinou-se para perto, puxando Lucius para baixo,
sussurrando em sua orelha. Ele riu, cintilando os dentes brancos tão puros quanto
sua nítida camisa.
.
“Ethan não vai gostar disso,” Jake murmurou, sorrindo.
.
Olhando de relance ao redor do ginásio escuro, eu facilmente localizei Ethan
Strausser, com seu gorducho estúpido parceiro Frank Dormand ao seu lado.
Ethan estava fulminando Lucius e Faith, na verdade, seu peito estava inchado de
raiva. Ele apertou seu copo de papel, espirrou ponche em sua camisa, o que só
fez irritá-lo mais. Passou a mão na mancha, e eu podia ver os lábios formando
uma correnteza de maldições.
.
“Ah, sim, ele está chateado”, Jake observou. “É melhor Luc tomar cuidado no
estacionamento. Eu ouvi que Ethan quer aniquilá-lo. Vai vaporizar a bunda dele
por ter ido atrás da Faith.”
.
Eu olhei de volta para Lucius. Ele estava levando Faith para a pista de dança, e
ela deixou-se cair nos braços dele, suas mãos enluvadas rastejando até o peito
dele, circulando o pescoço. Ele colocou a mãos nas costas dela, apoiando-se na
curva de sua espinha.
.
Eu tinha visto o suficiente. “Vamos,” eu disse, agarrando a mão de Jake. “Vamos
dançar.”
.
“Claro, se você não está com medo que eu pise em seus sapatos”, brincou Jake.
“Eu não sou muito bom.”
.
“Tudo bem Jake,” eu assegurei a ele, de repente sentindo um ponto sensível no
coração para o cara que me levou através do ginásio, minha mão apertava os seus
dedos grossos, calejados do trabalho. Claro Jake não podia dançar, ele não
possuía seu próprio terno, ou sabia como pagar um elogio suave. Ele era um
garoto da fazenda, não da Realeza Romena. Eu deslizei em seus braços, e nós
fizemos círculos lentos sob as luzes cintilantes.
.
“Isso é agradável,” Jake disse, me segurando mais perto.
.
“Sim,” eu concordei, tentando me concentrar no sentimento de ternura. Ele é
agradável, Jess. Tente sentir alguma coisa. Tente apenas gostar de estar com um
rapaz simpático e normal... Tente esquecer Lucius e vampiros e pactos...
.
Jake apoiou sua testa contra a minha. Estávamos quase na mesma altura. “Jess...”
ele me puxou para mais perto. “Faz algum tempo desde que eu beijei você.”
.
“Sim, faz algum tempo,” eu concordei, não sei o que mais eu poderia dizer.
Basta tentar, Jess...
.
Jake encostou o nariz mais perto. Seus lábios estavam prestes a encontrar os
meus, quando ele foi afastado pra longe. “Ei, o que...?”
.
“Posso interromper?”
.
Lucius apareceu entre nós, sorrindo, mas não de uma maneira feliz.
.
Lucius envolveu o braço em volta da minha cintura. “Luc, estávamos, tipo,
dançando aqui."
.
“E eu estou interrompendo. Isso é como trabalho de dança de onde eu venho”
.
“Nós não estávamos... tanto faz de onde você veio.” Jake disse.
.
“Lucius!” eu sibilei entre os dentes cerrados, olhando para ele. Não. Ele não tinha
o direito.
.
Lucius colocou a mão no ombro de Jake. “Minhas desculpas, se eu entendi mal
seus costumes. Mas, por favor, conceda-me. Não vou retê-la de você por muito
tempo.
.
Jake olhou para mim, incerto.
.
“Só nos dê um segundo, Jake,” eu disse, olhando afiado para Lucius. “Eu vou
lidar com isso.”
.
Jake lançou um olhar obscuro para Lucius também. “Apenas uma dança.” Então
ele se afastou no meio da multidão, claramente insatisfeito.
.
“O que você quer?” exigi. “Nós estávamos apenas...”
.
“Sim, eu vi que você estavam ‘apenas.’”
.
“Isso não é da sua conta.”
.
A música acabou, e eu cruzei meus braços sobre o peito, com se estivesse me
protegendo dele. Porque mesmo quando eu odiava Lucius, me sentia vulnerável a
ele. “A música acabou, Lucius. Volte para Faith.”
.
“Haverá uma nova canção,” ele disse. “É assim que esses eventos funcionam,
sim?”
.
E é claro, outra canção começou.
.
“Devemos?” Lucius perguntou, deslizando o braço em volta da minha cintura,
me puxando para ele.
.
“Você não vai parar até que consiga do seu jeito, não é?”
.
“Não.”
.
“Só uma canção, então,” eu reclamei, permitindo-me ser puxada para seus
braços, odiando a vibração traidora em meu estômago.
.
“Você dança, Jessica?” ele perguntou, sorrindo pra mim. “Valsa? Quadrille*?”
.
“Você sabe que não.”
.
“Ah, mas com sua graça, deveria. Eu poderia ter...” Lucius pareceu ser pego se
surpresa, e a voz sumiu. “Por agora, como isso.” ele instruiu, guiando a minha
mão esquerda em seu ombro e pegando minha mão direita na sua, me segurando
perto de seu peito. Sua palma parecendo fria contra minha costa pequena. Essa
frieza familiar. Parte de quem ele era. Não, Jess... Não compre isso... Ele está
com Faith... Você é só um potencial ‘erro’.
.
“Basta seguir meu comando”, informou Lucius. “Eu vou guiá-la. Apenas confie
em mim.”
.
Sim. Confiar em você... Contudo me permito ser conduzida, me corpo ecoando o
dele.
.
“Sim, Jessica”, disse Lucius, olhando para mim com admiração em seus olhos.
“Você é natural, como eu esperava.”
.
Assim que ele disse isso, eu tropecei nele, pisando naqueles sapatos impecáveis.
.
“Desculpe,” eu me desculpei quando ele me segurou, me puxando ainda mais
perto.
.
*(A Quadrille (quadrilha) é uma dança de salão de baile popular a partir do início
do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. A quadrilha é dançada com quatro
casais geralmente dispostos em um quadrado).
.
“Está tudo bem,” Lucius disse. Eu percebi que estávamos devagar, quase
imperceptíveis, mas o suficiente para nos colocar fora de sincronia com a música,
nos movendo em nosso próprio ritmo mais silencioso. “Todo mundo tropeça de
vez em quando,” ele acrescentou. “como você bem sabe.” Ele guiou minha mão
para seu rosto, colocando meus dedos no lugar que eu tinha esbofeteado. “Ainda
arde quando me barbeio. Mas foi merecido.”
.
“Se você está tentando se desculpar...”
.
“Estou tentando te cumprimentar,” ele disse. “É raro um indivíduo conseguir me
atacar e sair andando ileso.”
.
A música era mais longa, e nos movíamos juntos, ainda um pouco fora do ritmo,
mas meu coração estava batendo rápido em seu próprio ritmo, por muito tempo
nós nos abraçamos. Deus, eu não queria sentir isso dessa maneira. Eu queria
odiar Lucius com fervor ainda maior por ele ter se intrometido em meu encontro,
interrompendo a minha tentativa de uma noite agradável. Eu tentei manter a Faith
na mente. Faith, Faith, Faith. Jake, Jake, Jake, Erro, Erro, Erro.
.
Lucius colocou seus dedos embaixo do meu queixo, inclinando minha cabeça
para que ele pudesse ver meus olhos novamente. “Eu não tinha o direito de abrir
caminho desse jeito... mais eu acho que velhos hábitos são difíceis de morrer.”
.
Por alguma razão, quando ele disse isso, eu queria chorar. Eu queria que a música
terminasse agora, ou talvez continuasse pra sempre. E eu queria chorar.
.
“Você está tão linda esta noite,” ele continuou. “Quando eu te vi nesse vestido...
Deus, Jessica. Eu pensei que você já era maravilhosa antes – e ainda assim você
se superou esta noite.” Seus dedos tocavam as costas do meu vestido, sentindo o
rico tecido. “Veludo preto e seda caem perfeitamente em você. Você é como um
noturno*vivo de Chopin. Uma delicada, porém excitante harmonia ainda sendo
apreciada a noite...”
.
“Não, Lucius...”
.
“Eu simplesmente não podia permitir que aquele garoto...”
.
“Você está com Faith,” lembrei a ele, um pouco abruptamente. “Não comigo.”
.
Uma dor passageira brilhou em seus olhos, quase como se eu tivesse lhe dado um
tapa outra vez. “Sim, claro. Claro você está certa. Não vou interferir novamente,
Antanasia. Eu prometo.”
.
Meus dedos apertaram seus ombros com o som do meu antigo nome. O nome
que eu notei que ele tinha parado de usar. “Você me chamou pelo meu nome.
Meu antigo nome.”
.
Lucius apertou minha mão, pressionando seu polegar contra a palma da minha
mão. “Antigos hábitos. Antigos nomes. Antigas almas.”
.
“É isso que nós somos?” Eu procurei seus olhos escuros. Tínhamos uma
ligação... Montanhas escuras, pactos de sangue... Ele não podia negar...
.
Mas ele negou. “Estes são novos tempos.”
.
Ainda assim, Lucius soltou a minha mão para me abraçar de forma mais
completa, me aproximando ainda mais, até que quase senti como se fosse uma
parte dele, quase não dançando mais, apenas estando juntos no meio do salão.
*(Um noturno é geralmente uma composição musical que evoca, ou é inspirada
pela noite. Foi cultivado durante o século XIX principalmente como uma peça de
caráter para piano solo, e sua origem é relacionada com o compositor irlandês
John Field. Entretanto, sua representação mais conhecida se encontra nos 21
noturnos de Frédéric Chopin.)
.
“Como você me atormenta,” ele finalmente sussurrou, dobrando-se perto da
minha orelha. “Como você testa minha resolução.”
.
E antes que eu pudesse perguntar o que ele quis dizer – eu, atormentando
alguém? – ele descansou sua testa contra a minha, como Jake tinha acabado de
fazer. Só que Lucius não se moveu em direção a minha boca. Ele simplesmente
contornou seus lábios suavemente em minha bochecha, descendo ao longo da
minha mandíbula... Até o meu pescoço.
.
Uma sensação ferozmente maravilhosa e aterradora estremeceu através de mim, e
a no segundo em que seus lábios cruzaram minha jugular todo o ginásio
desapareceu. Nós estávamos sozinhos, eu juro, em uma sala de pedras com luz de
velas, nossos pés descalços sobre um espesso tapete persa, uma lareira acesa atrás
de mim. Eu estive lá, eu sabia disso.
.
Lucius abriu um pouco a boca, e eu senti o menor toque de seus dentes acariciar
minha pele, apenas acima do ponto onde meu sangue pulsava mais forte.
.
Suas presas...
.
Eu não me importava se era irracional. Eu não me importava se era impossível.
Eu só queria senti-los. Eu precisava deles, como eu nunca precisei de alguma
coisa na minha vida. Em minha própria boca, meus dentes começaram a doer.
Que deliciosa, deliciosa agonia de algo que se esforça tão duramente para nascer.
.
“Lucius... Por favor...” Coloquei a cabeça para trás, expondo meu pescoço para
ele, ansiando por envolver minhas mãos em seu pescoço, enfiando meus dedos
em seu longo, cabelo escuro, e puxando suas presas profundamente em minhas
veias. O desejo era tão intenso que doía, também. Dor e prazer misturados da
forma mais inconcebivelmente maravilhosa possível...
.
“Oh, Antanasia,” ele sussurrou, a voz rouca em meu ouvido, movendo-se contra
mim, testando minha carne com aqueles incisivos navalha-afiada...
.
Agora... Agora... Por favor, faça isso agora...
.
“Desculpe-me! Olá!”
.
A imagem abalada. Meus olhos se abriram, e eu estava de volta no ginásio do
Woodrow Wilson, embaixo de bandeiras vermelhas e verdes, bombardeada por
luzes muito brilhantes. Nós nos separamos bruscamente, e Lucius juntou suas
mãos pelos cabelos negros, lambendo os lábios, suas presas se foram. Ele parecia
genuinamente abalado.
.
“Você se esqueceu completamente de mim, bobinho?” Faith Crosse estava em pé
ao nosso lado, com as mãos nos quadris, balançando a cabeça. “Se eu não
conhecesse melhor, poderia jurar que você estava um pouco perto demais da sua
colega de casa aqui.” Seu tom era leve, mas ela apontou um dedo para mim, e
havia uma raiva e descrença em seus olhos. Sua expressão disse, muito
claramente, “Não existe nenhum jeito de você me abandonar por aquilo.”
.
“Lucius e eu estávamos dançando,” eu disse, mantendo a voz, imediatamente
recuperando o controle de mim mesmo. Eu não entraria em pânico. Não seria
perturbada. E eu não agiria com se ela fosse superior a mim, ou merecia Lucius
mais. Dei as costas para Faith. “Tenho que encontrar Jake,” disse a Lucius.
.
“Espere”, Lucius insistiu, me alcançando. Mas Faith interveio, segurando sua
mão.
.
“Eu tenho certeza que Jenn quer voltar para seu acompanhante. E estou segura
que você também.”
.
“Jess...”
.
A cena estava fermentando. Outros casais estavam começando a encarar.
.
“Obrigada pela dança”. Eu sorri, recuando. “Ele é todo seu, Faith.”
.
“Oh, eu sei disso,” ela disse, com seu sorriso tão reluzentemente gelado quanto o
seu vestido. Ela se enroscou nos braços de Lucius. Mas ele estava olhando pra
mim. Acho que havia piedade em seus olhos. Ou um pedido de desculpas. Talvez
ele realmente apenas não pudesse se ajudar. Talvez ele fosse como qualquer
garoto adolescente. Qualquer garganta poderia ser beliscada. Mais uma vez, eu
quase fui – um erro – exatamente como naquele dia em seu apartamento. Por que
eu era tão impotente em ver através dele? Que influência ele tem sobre mim para
que eu caia por ele de novo e de novo e de novo?
.
Deus, ele quase mordeu meu pescoço...
.
Eu encontrei seus olhos por um bom tempo ao longo da pista de dança, então eu
lentamente virei às costas para Lucius Vladescu e caminhei de cabeça erguida e
ombros para trás, através da multidão. As pessoas se afastando, abrindo caminho
pra mim. Recusei-me a olhar para trás. Mas eu esperava que ele estivesse me
olhando. Me observando e percebendo que ele tinha cometido um erro terrível,
me abandonando por Faith Crosse.
.
Pena de mim? Eu não penso assim. Tenho pena de você, Lucius.
.
Jake, claro, estava longe de ser encontrado. Não fiquei surpresa. Eu humilhei
completamente nós dois. Qualquer um que tivesse prestado atenção deve ter
percebido que Lucius e eu estávamos muito próximos. Provavelmente tivemos
apenas sorte de ninguém ter visto suas presas.
.
Acabei chamando minha mãe para uma carona e fiquei sentada em silêncio
durante todo o percurso até em casa, odiando vampiros. Intrometidos,
devastadores, hormônios enfurecidos, vampiros mordedores de garganta.
Capítulo 40
VASILE ---É isso que você planejou durante todo tempo?
Mas é claro que é.
Eu era tão estúpido de não ver o esquema em sua totalidade. Ou - eu
devo ser honesto comigo mesmo - talvez eu sabia a verdade. Eu só
queria o poder tão nocivamente, também...
Esta noite, porém, a medida que eu coloquei meus dentes contra a
garganta de Antanasia, a todo o futuro tornou-se tão claro para mim.
O cheiro de seu sangue era como um soro da verdade injetado em
minhas veias, um espelho quebrado em meu próprio ego infernal.
Você sabia desde o princípio que uma garota americana que não
levantou como um vampiro seria facilmente destruída se ela assumir o
trono. A carta que escrevi avisando que Jessica não estava pronta, que
ela estaria vulnerável a ataques de fêmeas com fome de poder... aquelas
não foram revelações para você. Você sempre valorizou a fraqueza dela.
Você contava com isso. Oh, Deus, Vasile, nós contamos com isso?
Eu teria casado com ela, completando assim o pacto, a trazido para o
nosso mundo, na Romênia, onde ela teria estado quase totalmente
indefesa, e depois abandonado ela ao seu destino sombrio. Quando?
Quanto tempo teria levado? Um ano? Menos? Mas até lá, os clãs
teriam sido legitimamente unidos, e todo o poder em nossas mãos. Em
suas mãos.
Você teria forçado o destino, Vasile? Você teria levado ela ao chão você
mesmo? Secretamente, é claro, pelas mãos enluvadas de um de seus
lacaios... ou você teria tentado forçar minha mão?
Com Antanasia escondida no nosso castelo, quem melhor para 'cuidar
de sua' 'infeliz' destruição que o homem que compartilhava sua
cama?
Esse foi o impulso cruel, Vasile? Para me fazer sentir assim - e, em
seguida, arranca-la? Essa era para ser a sua maior tentativa de me
endurecer? Mesmo para você, que parece muito perverso. Muito vil.
Ou talvez, mesmo depois de todos estes anos, eu subestimo você - o
que é sempre um erro perigoso.
E se eu não tivesse feito como você me mandou - se eu não tivesse
destruído ela - você teria me matado, também, sobre fundamentos da
insubordinação? Eliminado o herdeiro inconveniente? Quem entre os
anciões Vladescu - e eu suponho que todos conhecem e aplaudem as
suas intenções relativas a Jessica - que teria responsabilizado você?
Maldição. O poder que você teria exercido depois: o controle absoluto
sobre os dois maiores clãs de vampiros, sem sucessor beliscando os
calcanhares.
Você sabia o tempo todo que eu viria a me sentir tão profundamente
por ela?
Não é adequadamente cruel, Vasile, que agora para tê-la, não devo têla?
Nos declare ambos livre, Vasile. Liberte Antanasia de mim, e me
liberte, também, mesmo que apenas por um curto período de tempo.
Apenas alguns meses. Isso é tudo que eu peço. Só me deixe ficar. Eu
não quero pensar sobre os pactos e poder e tudo o que eu, como você,
sou capaz de...
Porque a parte mais repugnante é, eu admiro a sua estratégia
invejosamente. Me dá um prazer destorcido ver o plano em sua
totalidade. Saber que em seu lugar, sem dúvida, eu teria feito a mesma
coisa: sacrificado uma inconseqüente adolescente americana sem
pensar duas vezes, no interesse do domínio sobre tantas malditas
legiões de vampiros. Quase posso sentir o poder em minhas mãos.
Mas claro, eu sou quem eu sou: o produto da sua mão.
Assim, eu permaneço, como sempre,
Seu,
Sempre, de forma irrevogável, e irremediavelmente,
Lucius
P.S. Antanasia pode ter surpreendido a todos nós, Vasile. Ela
realmente pode ter. Ela pode ter descido com um inferno de uma briga.
Mas eu não vou ser o instrumento de sua destruição inevitável.
P.P.S. No caso de você não ter deduzido o significado de tudo o que eu
escrevi acima, deixe-me ser absolutamente claro: eu escolho desafiar o
pacto.
Escolha, Vasile... não é uma coisa maravilhosa? Não admira os
americanos valorizá-la assim.
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