quarta-feira, 25 de setembro de 2013

mord - mg - parte 3 - 41-42-43

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Lucien nao pensou Nem percebeu que estava se movendo. Não havia
nada a fazer depois que viu o que Meena tinha feito, exceto ir para a frente
com o tipo de velocidade que nem sabia possuir, tão rápido que não passou de
um borrão para quem estava olhando.
Tirou  Meena  do  caminho  para  que  seu  corpo,  em  recebesse  as  quatro
estacas no coração.
Ele ficou surpreso por não doer.
Pensou que era melhor que terminasse assim. Havia percebido assim que
Meena lhe mostrou o livro  —  aquele livro do qual se lembrava tão bem, dos
dias em que tinha sido feliz — e explicou tudo para ele.
Depois  disso,  o  passado  começara  a  fazer  sentido  de  um  jeito  que  não
fazia...  bem,  há  séculos.  E  quando  Meena  se  permitiu  levar  o  disparo,  ele
soube exatamente o que tinha que fazer.
Sacrificar  sua  vida  por  Meena  não  era  nada.  Seu  único  desejo  era  de
poderem  ter  tido  mais  momentos  juntos,  para  que  pudesse  pedir  desculpas
pelo mal que havia feito a ela.
Depois  disso,  ela  rolou  para  o  lado,  aparentemente  sem  ferimentos,  e
olhou para ele. De alguma forma, o cabelo dela tinha voltado ao tom castanho
de quando ele a conheceu. Estava comprido e voando na brisa leve.
Acima deles, o céu estava azul e cheio de nuvens brancas e fofas. Isso era
maravilhoso,  pois  não  podia  se  deitar  debaixo  de  um  céu  azul  havia
quinhentos anos. Ele respirou fundo. Essa era outra coisa que não fazia havia
séculos. A sensação era maravilhosa.
—  Lucien  —  disse ela com lágrimas nos olhos.  —  Sinto muito mesmo.
—  Não  sabia  por  que  ela  estava  pedindo  desculpas.  Era  ele  que  a  magoara
tantas vezes.
—  Eu sinto muito —  falou ele, e ergueu a mão para afastar alguns fios de
cabelo escuro que caíram sobre a bochecha dela.
—  Você era a única coisa que podia matá-lo  —  explicou Meena.  —  Mas
só morrendo. Isso não parece justo.
—  Foi justo sim. Ele foi o criador do mal do meu pai e a única coisa que
podia  exterminá-lo  era  o  bem.  Ele  sabia  disso...  e  você  também.  Tive  que
sacrificar minha vida para que a dele fosse destruída. Mas eu não queria que
você fosse ferida. Posso ter desejado isso em algum momento, mas não desejo
mais.  —  Lucien  olhou  para  ela.  Era  tão  linda.  Ele  não  sabia  como  podiam
estar conversando assim. Já deveria ter virado pó.
— Eu sei — disse ela. — Você fez a escolha certa, Lucien. Obrigada.
Ela baixou a cabeça para beijá-lo.
Pássaros estavam cantando. Foi perfeito.
Ele estava feliz.
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- Meena, nao - Alaric  não  entendeu  nada  que  estava  acontecendo.
Lucien  Antonesco  tinha  pedido  que  Alaric  atirasse  nele,  mas  se  recusara
porque havia um risco muito grande de Meena ser morta.
E então Meena tinha enlouquecido e tentado deliberadamente fazer com
que levasse o disparo.
Embora tenha tentado alcançar Mauricio a tempo de impedir, Alaric sabia
que não fazia sentido. Meena já estava morta. Como tentara dizer para Lucien
Antonesco,  ninguém,  ao  menos  ninguém  humano,  podia  sobreviver  a  um
disparo direto de quatro hastes afiadas  no peito, atiradas à queima-roupa por
uma besta automática.
Só  que...  Meena  sobreviveu.  Porque  Lucien  Antonesco  chegou  a  ela
primeiro.
E de alguma forma ele conseguira se posicionar entre as flechas e o corpo
de  Meena.  O  que  era  fisicamente  impossível,  considerando  a  rapidez  do
movimento das hastes e a distância da qual Mauricio havia disparado.
Vagamente, Alaric percebeu Henric gritando:
—Não!
Isso foi porque, depois que as flechas entraram no corpo de Antonesco,
houve uma luz branca intensa. Ela pareceu emanar dele, depois rapidamente
se  espalhou.  Pareceu  um  filme  que  Alaric  tinha  visto  de  bombas  nucleares
explodindo. A luz não parava de se espalhar.
Só  que  essa  luz  não  pareceu  atingir  ninguém  humano...  só  demônios.
Quando  diminuiu,  não  sobrou  nada  de  quase  nenhum  deles,  exceto  por
pequenas pilhas de poeira.
Na verdade, foi sobre isso que Alaric, que já estava no ar quando reparou
que Antonesco também tinha se lançado na direção de Meena, caiu: na pilha
de poeira onde Antonesco deveria estar.
Mas não havia nada lá além de Meena, que estava chorando.
Alaric não conseguiu entender nada.
Principalmente  por  que,  no  momento  seguinte,  a  fonte  seca  que  nunca
produzira uma gota sequer de água, ao menos durante todos os meses em que
Alaric trabalhou em St.  Bernadette, de repente entrou em atividade, soltando
jatos de água pura e cristalina para todos os lados... quase como o milagre de
Lourdes.
Mas Alaric não questionou nenhum  desses eventos extraordinários. Em
vez disso, passou os braços ao redor de Meena  enquanto a água da fonte caía
sobre eles, levando as cinzas consigo, puxou-a contra si e começou a chorar
também.
Nem se importava se alguém repararia
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Queriam contratá-la novamente.
Estavam oferecendo o dobro do salário anterior e um bônus. Meena disse
que precisava de um tempo para pensar.
—  O que há para pensar?  —  perguntou Jon. Ele estava no sofá da sala,
comendo pizza. —  Podíamos morar em um lugar  maior. Com dois banheiros.
Com varanda. E vista.
— Você vai rachar o aluguel? — disse Meena.
—  Agora que não sou mais inadimplente, sim  —  respondeu Jon. A nova
Palatina,  com  equipe  renovada  —  Abraham  Holtzman  agora  era  diretor
associado, uma promoção que permitia a ele um poder administrativo que o
deixava  tonto  —,  tinha  ficado  extremamente  impressionada  com  a
SuperEstaca.  Iam  contratar  Jon  e  Adam  para  o  departamento  de  desenho
técnico  da  unidade  de  Manhattan.  Leisha  estava  começando  a  admitir  que
talvez  demônios  realmente  existissem.  A  família  estava  visitando  abrigos  de
animais em busca  de um cachorro do qual o bebê gostasse tanto quanto  de
Jack  Bauer  e  que  tivesse  o  mesmo  poder  extraordinário,  para  que  Leisha
pudesse ficar mais tranquila quanto à nova profissão do marido.
—  Poderíamos finalmente trabalhar juntos  —  confirmou Jon ria, com a
boca cheia. — Acho que seria demais.
— É — disse Meena, recostando-se na porta para o quarto. — Não Acho
que preciso de mais tempo.
—  Olhe. — Jon colocou o pedaço de pizza na caixa e olhou para ela com
seriedade.  —Você  ainda  está  apavorada.  Eu  entendo.  Também  estou
apavorado.  —  Ele  apontou  para  o  ombro,  que  estava  coberto  de  ataduras
brancas. — Nem querem dar pontos por medo de infecção. Felizmente, tenho
Yalena  agora  para  trocar  o  curativo  para  mim.  —  Ele  ficou  com  expressão
sonhadora no rosto. — Ela está vindo pra cá.
—  Certo  —  afirmou Meena, e pegou a coleira de Jack Bauer.  —  Preciso
dar uma volta. Falo com você depois.
— Está tudo bem — disse Jon, acalmando-a. — Desde que seja mesmo a
troca de curativo que você esteja evitando, e não, você sabe. Outra coisa.
Ela se abaixou para prender a guia de Jack Bauer na coleira... o que não
era uma tarefa fácil, pois o  cachorro estava saltitante, tão empolgado  com  a
caminhada que ela mal conseguia fazê-lo ficar parado.
— O que quer dizer com outra coisa? — perguntou ela.
—  Meena  —  disse  Jon,  e  fechou  a  caixa  da  pizza.  —  Está  tudo  bem.
Entendo  que  queira  evitar  o  assunto.  E  ninguém  vai  mandar  você  fazer
terapia, pois o próprio Dr. Fiske está de licença psicológica por ter sido usado
como  alimento  de  vampiros.  Mas  não  preciso  ser  terapeuta  para  dizer  para
você que está tudo bem. Ele se foi. Você pode seguir em frente. Você poderia
até, sei lá, ligar para Alaric. Nada de mau vai acontecer.
O olhar dela percorreu o quarto.
—  É difícil de acreditar que ele se foi completamente. Jon seguiu o olhar
dela.
—  Tudo  bem.  Eu  admito  que  é  difícil  de  acreditar  que  ele  se  foi
completamente. Mas pense desta forma: você não perdeu um amante vampiro.
Ganhou um anjo da guarda.
—  Hum  —  disse Meena  —, obrigada. Isso é reconfortante. Mas nunca
ouvi  falar  de  um  anjo  da  guarda  que  deixa  um  quadro  de  meio  milhão  de
dólares roubado do Metropolitan na parede do quarto da namorada.
Jon deu de ombros.
—  É seu quadro  favorito.  Acho  que  foi o  jeito  de  Lucien  de  dizer  que
está bem. E de agradecer. E de dizer que você precisa voltar ao trabalho.
—Talvez  a  razão  de  eu  não  ter  dito  a  eles  se  vou  voltar  ou  não  ao
trabalho  seja  eu não  ter  certeza  se  quero voltar ao  trabalho  —  falou  Meena
com  os  olhos  brilhantes.  —  E  não  gosto  de  irmãos  mais  velhos  e  nem  de
supostos anjos da guarda me dizendo o que fazer. Talvez eu realmente queira
sair do ramo de caça aos vampiros. 
Jon deu de ombros.
— Alaric WuIf está dizendo a mesma coisa. Mas eu não acredito.
— É. Bem, ninguém pendurou você em um cano por 24 horas.
—  Tem  razão  —  disse  Jon.  —  Você  precisa  dar  uma  volta.  E  compre
leite quando estiver voltando. — Ele se recostou no sofá. — O nosso acabou.
Meena olhou para ele com irritação, pegou Jack e saiu.
Não é que se arrependesse, nem por um segundo, do que fizera. Ela teve
que fazer. Não houve alternativa.
Era  só  que,  toda  vez  que  fechava  os  olhos,  via  os  de  Lucien,  olhando
dentro dos dela naquele segundo antes de desaparecer.
Não havia reprovação nem amargura no olhar dele. Na verdade, naquele
momento, ela sentiu quase como se ele entendesse o que ela tinha feito.
Então  por  que  não  conseguia  decidir se  ia  voltar ou não  a  trabalhar na
Palatina?
Talvez por causa do quadro pendurado no quarto.
Não  podia  ter  ficado  mais  chocada  quando  voltou  para  casa  depois
daquele  longo  dia,  comas  cinzas  de  Lucien  ainda  no  cabelo,  e  encontrou  o
quadro.
E soube no mesmo momento como ele chegou até lá.
Sim,  Mary  Lou  e  Emil  podiam  ter  feito  aquilo.  Mas  ela  duvidava.  Eles
haviam desaparecido na mesma hora em que Lucien... mas não virando cinzas.
Ela os vira, encharcados pelos jatos de água de St. Bernadette, fugindo pela
rua.  Tinham  voltado  para  Cingapura,  ou  para  a  cidade  que  pretendiam  ter
como  novo  lar.  Ao  que  tudo  indicava,  não  havia  maldade  o  suficiente  nos
corações deles para que fossem destruídos junto com o resto dos demônios
no  pátio.  Ou  talvez  a  água  do  Minetta  tenha,  Lucien,  sido  livrada  do  mal  e
limpado os pecados deles, permitindo que sobrevivessem.
Mas  Meena  ainda  não  tinha  uma  sensação  de  encerramento  quanto  ao
incidente.  A  polícia  nunca  descobriu  o  real  motivo  por  trás  dos
desaparecimentos  de  todos  os  turistas,  e  um  incêndio  em  Pine  Barrens
destruiu  tanto  a  porta  do  inferno  quanto  qualquer  evidência  de  DNA  que
poderia ter ajudado a solucionar o mistério.
Talvez fosse esse o verdadeiro motivo de Meena não ter concordado em
voltar para o antigo emprego. Não parecia certo, por algum motivo. Abraham
e  Carolina  e  os  outros  estavam  ansiosos  para  voltar  a  trabalhar  nesse  novo
mundo...  um  mundo  onde  os  demônios  eram  mais  humanos,  como  o  Dr.
Fiske  e  todos  aqueles  arcebispos  que  o  padre  Henric  tinha  enganado,  que
tinham  sido  tão  indiferentes  quanto  a  transformar  David  Delmonico  em
vampiro para pegar Lucien, destruindo as vidas de tantas pessoas.
Meena não sabia se poderia trabalhar para essas pessoas. Era como o livro
da mãe de Lucien, que ela havia tirado da lama e entregado a Abraham, para
que ele o protegesse. Quando seco, fora fácil de limpar.
Mas como Meena poderia olhar de novo para as páginas sem sentir que
tinham sido maculadas de alguma maneira? Era do mesmo jeito com o quadro
de Joana D’Arc, pendurado em seu quarto, e a Palatina. Ainda admirava e até
amava os dois.., mas nenhum deles tinha a mesma atração de antes.
Achava  que  não  devia  ter  ficado  surpresa  quando  se  viu  em  frente  ao
prédio de Alaric. Mal o vira desde o dia da explosão. Haviam dito a ela que ele
tinha ferido a mesma perna e estava precisando de tempo para se recuperar.
Fora isso, não sabia quase nada. Achava que Jon estava certo. Devia ter
ligado para Alaric. Ele tinha tentado salvar sua vida.
Mas ela, que sabia tantas coisas, não parecia saber o que dizer para ele.
De  pé  em  frente  ao  prédio  —  que  era,  é  claro,  um  dos  mais  caros  do
bairro;  Alaric  gostava  de  conforto  —,  ela  decidiu  que  não  importava.  No
mínimo,  poderia  perguntar  a  Alaric  por  que  ele  não  aceitara  voltar  para  a
Palatina ainda.
Mas  depois  que  Alaric  a  mandou  subir,  a  grande  porta  de  metal  do
apartamento se abriu  —  fora feita para deslizar como a porta de um vagão de
carga — e ela o viu, imediatamente começou a sentir dúvida.
Como  sempre,  ele  estava  incrivelmente  alto  e  musculoso.  Mas  como
estava usando um paletó esporte por cima da camiseta preta e do jeans, e o
cabelo  louro  parecia  um  tanto  desgrenhado  em  cima,  como  se  ele  tivesse
acabado  de  tomar  banho,  Meena  achou  que  ele  estava  a  caminho  de  algum
lugar.
O coração dela deu um salto no peito. Um encontro, ela pensou. vai  ter
um encontro. 
Vamos  manter  nossa  relação  estritamente  no  plano  profissional.  ELA
tinha dito isso primeiro. Agora, estava pagando por isso.
—  Ah  —  disse  ela.  —  Me  desculpe.  Eu  estava  aqui  perto.  Eu...  Ele
segurou a porta como se a visita tivesse sido esperada.
—  Você  chegou  bem  na  hora  —  afirmou  ele.  —  O  carro  para  o
aeroporto chega em uma hora.
—  Aeroporto? —  Ela entrou no loft com passos hesitantes. Jack Bauer a
seguir,  sacudindo  o  rabo  com  alegria  e  com  as  orelhas  levantadas.  —  Para
onde você vai?
—  Para Antigua  —  respondeu Alaric, e  fechou  a  porta.  —  Para minha
casa na praia. Já falei pra você sobre ela.
— Ah — disse Meena, com o coração despencando.
A casa na praia em Antígua. É claro. Menos de duas semanas haviam se
passado  desde  que  os  dois  descobriram  uma  trama  para  espalhar  o
vampirismo na Igreja Católica e Lucien Antonesco tinha morrido, e ele estava
a caminho de sua casa de praia em Antígua, de férias.
O que ela tinha esperado?
Alaric Wulf a havia beijado uma vez — embora estivesse delirando de dor
e não se lembrasse — e ela não achara a sensação nada desagradável.
Mas tinha um relacionamento íntimo com um vampiro que Alaric queria
matar.
Ela se deu conta de que não tinha mais esse problema.
Só  que  agora  Alaric  estava  indo  embora  para  Antígua.  Provavelmente,
com Genevieve Fox.
Bem, pelo menos ela possuía um anjo da guarda que pendurava quadros
do Metropolitan na parede dela. Mas ainda não parecia justo.
—  Se eu soubesse que você estava vindo  —  disse Alaric por trás da ilha
com tampo  de granito que separava a sala da cozinha  —, eu teria comprado
vinho. Mas acho que não tenho nada aqui. Só água.
— Ah, não tem problema.
O loft de Alaric era bonito, com pé direito alto e janelas com vista para o
rio,  eletrodomésticos  de  cromo  reluzente,  piso  de  madeira  polida  e  mobília
moderna europeia, cara mas não com aparência desconfortável, que parecia ter
saído direto de uma butique de hotel de luxo.
De pé no meio da sala de estar, Meena ficou horrorizada ao ver que Jack
Bauer  parecia  se  sentir  em  casa,  pulando  em  cima  de  uma  das  poltronas
grandes daquelas que se usa em home theater.
— Jack — chamou ela —, desça.
—  Está  tudo  bem  —  disse  Alaric  com  gentileza.  —  As  poltronas  são
confortáveis.  —  Ele entregou um copo de água gelada para Meena.  —  Onde
está sua mala?
Meena sacudiu a cabeça, confusa.
— Que mala?
—  Não ligo se só quer levar com você para Antigua o que trouxe consigo
— disse ele, olhando para o cardigã, o vestido preto e as rasteirinhas. — Mas a
maioria das mulheres leva mais do que uma bolsa e um cachorro quando viaja.
—  Ah.  —  Ela  afundou  no  sofá  de  camurça  azul.  Não  achava  que  as
pernas pudessem aguentar. — Então sou eu que vou para Antígua com você?
—  Quem mais? Pensei que tivéssemos falado a respeito. Quando lhe dei
isso. — Ele apontou para o colar que ela estava usando.
—  Alaric  —  disse  Meena.  Ela  queria  rir.  Exceto  pela  parte  que  queria
chorar. — Jamais falamos sobre eu ir para Antigua com você.
Ele se sentou no sofá ao lado dela.
—  Bem, então por que está aqui? E não tente agir como se não soubesse
que vou para Antígua em uma hora.
— Eu não sabia — insistiu Meena. — Como eu poderia saber?
— Porque você é paranormal — respondeu ele. — Quantas vezes preciso
dizer? Você sabe tudo.
Ela olhou para ele sem acreditar.
—  Eu  não  sei  tudo  —  disse  ela.  Seus  olhos  estavam  se  enchendo  de
lágrimas.  —  Se  eu  soubesse, teria  entrado  nessa  confusão?  Não  sei  por que
você supõe que vou largar tudo e voar para Antigua com você. Nem sei o que
estou fazendo aqui. Não sei por que não nos falamos nessas duas semanas. E
a  pior  parte  é  que,  se  eu  for para  Antígua  com  você, não  sei  se  vou  querer
voltar. Tenho quase certeza de que vou querer ficar lá com você pra sempre.
— Ela estava chorando tanto que mal conseguia vê-lo. 
— E o fato de que acabei de dizer isso em voz alta é mais assustador para
mim do que os vampiros. Cometi um erro terrível ao vir aqui. Adeus.
Ela  ficou  de  pé  e  teria  saído  correndo  do  apartamento  se  conseguisse
enxergar o caminho em meio  às lágrimas e se ele não tivesse esticado a mão
para puxá-la para o sofá, para os braços dele.
Alaric não a beijou como fizera naquela noite na catedral de St. George.
Não foi nada parecido. Foi um tipo diferente de beijo, um beijo exigente, um
beijo que  parecia desnudar a alma dele para ela e, ao mesmo tempo, tomar a
dela para si.
Ela  podia  sentir  o  forte  calor  que  subia  do  corpo  dele,  os  batimentos
intensos  do  coração  contra  o  dela  e  a  respiração  dele,  que  se  tornou  tão
ofegante quanto a de Meena depois de um tempo.
Eram  coisas  que  não  sentia  ao  ser  beijada  havia  muito,  muito  tempo.
Coisas excitantes. Principalmente quando ele abaixou a cabeça para beijá-la de
novo, desta  vez no pescoço. Foi quando ela sentiu que seu coração poderia
explodir de alegria.
—  Você  sabe  —  sussurrou  ele.  —  Você  sempre  soube  a  resposta  para
todas essas coisas. Quero que fique comigo para sempre. Você sabe que amo
você. E é por isso que vai para Antígua comigo. Foi por isso que veio aqui.
Você sabe todas essas coisas. Admita.
Ela olhou dentro dos olhos azuis dele, exatamente de verão e do mar do
Caribe.
E sorriu. Porque se deu conta de que ele estava certo. Ela sabia. Sempre
soube, até antes dos lábios dele voltarem a tocar nos dela, só para garantir que
ela soubesse muito bem antes de irem para o aeroporto.
Fim

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