Capítulo 4
"Você viu o jeito que o cara estrangeiro tava olhando pra você na aula de
literatura Inglesa?" Mindy choramingou quando nos encontramos depois da
escola.
"Ele é lindo, e está tão a fim de você! E ele é da realeza!"
Eu apertei seu pulso, tentando acalmá-la. "Min... antes que você compre um
presente para o casamento 'real', eu preciso te dizer uma coisa assustadora sobre
o chamado cara lindo."
Minha amiga cruzou os braços, cética. Eu podia dizer que Mindy já tinha criado
uma opinião sobre Lucius Vladescu, se baseando apenas em seus ombros largos e
maxilar forte. "O que você podia dizer sobre ele que é assustador? Acabamos de
conhecê-lo."
"Na verdade, eu o vi mais cedo essa manhã", eu disse. "Esse cara - Lucius -estava na parada de ônibus. Me encarando."
"É isso?" Mindy revirou os olhos. "Talvez ele pegue o ônibus."
"Ele não subiu."
"Talvez ele tenha perdido o ônibus." Ela ergueu os ombros. "Isso é estúpido, não
assustador."
Mindy não estava entendendo nem um pouco. "É mais estranho que isso", eu
insisti. "Eu... Eu pensei tê-lo ouvido dizer meu nome. Bem na hora que o ônibus
parou."
Mindy pareceu confusa.
"Meu nome antigo", eu esclareci.
Minha melhor amiga sugou o ar. "Okay. Isso pode ser meio estranho."
"Ninguém sabe esse nome. Ninguém."
De fato, eu nem tinha dividido boa parte do meu passado com Mindy. A história
da minha adoção era meu secreto muito bem guardado. Se ele escapasse... as
pessoas achariam que eu sou uma aberração. Eu me sentia uma aberração toda
vez que pensava na história. Minha mãe, uma antropóloga cutural, estava
estudando uma cultura underground bizarra na Romênia central. Ela esteve lá
com meu pai para observar seus rituais, na esperança de escrever um dos
inovadores artigos de jornal dela sobre culturas únicas. No entanto, as coisas
deram errado na Europa Ocidental. A cultura era um pouco estranha demais, um
pouco bizarra demais, e algumas pessoas de um vilarejo na Romênia se uniram,
na tentativa de colocar um fim no grupo inteiro. À força.
Pouco antes do bando atacar, meus pais me entregaram, ainda bebê, para os
pesquisadores Americanos visitantes, implorando que eles me levassem para os
Estados Unidos, onde eu estaria salva.
Eu odiava essa história. Odiava o fato de que meus pais eram pessoas ignorantes,
supersticiosas, que foram tolas para se unir a um culto. Eu nem queria saber quais
eram os rituais. Eu conhecia o tipo que a minha mãe estudava. Sacrifícios de
animais, adoração de árvores, virgens jogadas em vulcões... talvez meus pais
biológicos estivessem envolvidos com algum lance sexual fora do comum.
Talvez tenha sido por isso que eles foram assassinados.
Quem sabia? Quem queria saber?
Eu não pedi pelos detalhes, e meus pais adotivos nunca pressionaram com o
assunto. Eu só estava feliz por ser Jessica Packwood, Americana. Antanasia
Dragomir não existia, até onde eu sabia.
"Você tem certeza que ele sabia o seu nome?" Mindy perguntou.
"Não", eu admiti. "Mas eu achei ter escutado."
"Oh, Jess", Mindy suspirou. "Ninguém sabe esse nome. Você provavelmente
imaginou a coisa toda. Ou talvez ele tenha dito uma palavra que soasse parecida
com Antanasia."
Eu olhei de lado para Mindy. "Que palavra soa como Antanasia?"
"Eu não sei. Que tal 'como cê tá'?"
"É, tá legal." Mas isso meio que me fez sorrir. Caminhamos em direção à rua
para esperar que minha mãe viesse me pegar. Durante o almoço eu liguei pra ela
para dizer que não ia pegar o ônibus pra casa.
Mindy continuou com a tentativa. "Eu só estou dizendo que talvez você devesse
dar a Lucius uma chance."
"Por quê?"
"Porque... ele é tão alto", Mindy explicou, como se altura fosse sinônimo de bom
carater. "E eu mencionei Europeu?"
A van Volkwagen velha e enferrujada da minha mãe parou no meio-fio, e eu
acenei pra ela. "Sim. É tão melhor ser perseguida por um Europeu alto do que por
um Americano de estatura comum."
"Bem, pelo menos Lucius está prestando atenção em você." Mindy inalou.
"Ninguém nunca presta atenção em mim."
Chegamos na van e eu abri a porta. Antes que eu pudesse dizer oi, Mindy me
empurrou pra dentro e disparou "A Jess tem um namorado, Dra. Packwood."
Mamãe parecia confusa. "Isso é verdade, Jessica?"
Era minha vez de empurrar Mindy pra fora do caminho. Eu entrei e fechei a
porta, fechando minha amiga do outro lado. Mindy acenou, rindo, enquanto
minha mãe acelerava pra longe do meio-fio.
"Um namorado, Jessica?" Minha mãe perguntou novamente. "No primeiro dia de
aula?"
"Ele não é meu namorado", eu rosnei, travando meu cinto de segurança. "Ele é
um estudante de intercâmbio esquisitão que está me perseguindo."
"Jessica, tenho certeza que você está exagerando", mamãe disse. "Adolescentes
do sexo masculino frequentemente são estranho socialmente. Você
provavelmente está interpretando mal comportamentos inocentes."
Como todos os antropólogos culturais, mamãe acreditava que sabia de tudo sobre
interações sócio-humanas.
"Você não o viu no ponto de ônibus essa manhã", eu discuti. "Ele estava ali de pé
usando um sobretudo preto... E quando eu cortei o dedo ele lambeu o lábio..."
Quando eu disse isso minha mãe pisou no freio com tanta força que minha
cabeça quase foi parar no painel. Um carro atrás de nós buzinou raivoso.
"Mãe! O que foi isso?"
"Desculpa, Jessica", ela disse, parecendo meio pálida. Ela pisou no acelerador de
novo. "Foi só algo que você disse... sobre se cortar."
"Eu cortei o dedo e ele praticamente babou, como se fosse uma batata frita
coberta de ketchup", eu estremeci. "Foi tão nojento."
Mamãe ficou mais pálida ainda, e eu sabia que algo estava acontecendo.
"Quem... Quem é esse garoto?" Ela perguntou enquanto estacionava perto de um
sinal de pare perto da Universidade Grantley, onde ela ensinava. "Qual é o nome
dele?"
Eu podia dizer que ela estava tentando soar despreocupada, e isso a fez parecer
mais nervosa.
"O nome dele é..." Mas, no entanto, antes que eu pudesse dizer Lucius, eu o vi.
Sentado numa parede baixa que cercava o campus. E ele estava me observando.
De novo.
Suor começou a escorrer na minha testa. Mas dessa vez, eu fiquei fula da
vida. Agora já basta. "Ele está sentado bem ali", eu choraminguei, apontando
meu dedo na janela. "Ele está me encarando de novo!" Aquilo não era
"comportamento socialmente estranho." Era perseguição. "Eu quero que ele me
deixe em paz!"
Então minha mãe fez algo inesperado. Ela parou no meio-fio, bem do lado de
onde Lucius estava esperando, observando. "Qual é o nome dele, Jess?" Ela
perguntou novamente enquanto destravava o cinto de segurança.
Eu achei que minha mãe fosse confrontar ele, então agarrei seu braço. "Mãe, não.
Ele é desequilibrado, ou algo assim."
Mas minha mãe gentilmente tirou meus dedos do seu braço. "O nome dele, Jess."
"Lucius", eu respondi. "Lucius Vladescu."
"Oh, minha nossa", Mamãe murmurou, olhando diretamente por mim para o meu
perseguidor. "Eu acho que isso realmente era inevitável..." Ela tinha um olhar
esquisito, distante nos olhos.
"Mãe?" O que era inevitável?
"Espere aqui", ela disse, ainda sem olhar pra mim. "Não se mova." Ela soava tão
séria que eu nem protestei. Sem outra palavra, minha mãe saiu da van e
caminhou diretamente até o cara ameaçador que tinha me seguido o dia inteiro.
Ela estava louca? Ele tentaria fugir? Ficar louco e machucá-la? Mas não, ele
escorregou graciosamente para fora da parede e fez uma reverência - uma
reverência de verdade, com a cintura - para a minha mãe. Mas que...?
Eu baixei a janela, mas eles falavam tão suavemente que eu não consegui ouvir o
que estavam dizendo. A conversa durou pelo que pareceram ser anos. Então
minha mãe balançou a mão dele.
Lucius Vladescu se virou pra ir embora, e minha mãe voltou para a van e deu a
partida.
"Mas o que foi isso?" Eu perguntei, confusa.
Minha mãe me olhou diretamente nos olhos e disse, "Você, seu pai e eu
precisamos ter uma conversa. Essa noite."
"Sobre o que?" Eu quis saber, uma sensação incômoda na boca do meu
estômago. Uma sensação ruim. "Você conhece aquele cara?"
"Nós vamos explicar depois. Nós temos muito, muito pra te dizer. E precisamos
fazer isso antes que Lucius chegue para o jantar."
Minha mandíbula ainda estava no chão quando minha mãe deu um tapinha na
minha mão e voltou para o trânsito.
Capítulo 5
Meus pais nunca tiveram a chance para explicar o que tinha acontecido, de
qualquer forma. Quando nós chegamos em casa, meu pai estava no meio da sua
aula de tântrica yoga para viciados em sexo, super hippies das montanhas, do
lado de fora do estúdio atrás da casa, então mamãe me disse para eu ir em frente
na minha tarefa.
E então Lucius chegou mais cedo para o jantar.
Eu estava no celeiro colocando o esterco para fora do estábulo quando, fora da
visão periférica, eu vi uma sombra cruzar a porta do celeiro, a abrindo.
-Quem está aí? – eu chamei nervosamente, ainda sobressaltada com os eventos
do dia.
Quando não houve resposta, eu tive uma sensação ruim do meu visitante que era
nosso convidado para o jantar. Mamãe o convidou, eu me lembro como, com
suficiente certeza, um europeu alto, estudante de intercâmbio, dando um tranco
na poeira que girava em círculos. Ele não pode ser perigoso.
Deixando de lado a aprovação da minha mãe, eu segurei firme a pá.*não é pá, é
akeles garfão q mexe o feno, sabe?mas eu não sei o nome real dakilo*
-O que você está fazendo aqui? – demandei enquanto ele se aproximava.
-Modos, modos – reclamou Lucius com seu acento estirado, levantando com seus
pés pequenas nuvens de poeira com cada longo passo. Ele se aproximou até ficar
a poucos passos de mim, e sua altura voltou a me impressionar. – Uma dama não
grita nos estábulos. – Ele continuou. – E que tipo de saudação é essa?
Estaria o garoto que me espiou o dia todo, me ensinando etiqueta?
-Eu perguntei por que você está aqui – eu repeti, agarrando a pá um pouco mais
forte.
-Para conhecê-la melhor, é claro – disse ele, ainda me avaliando, na verdade me
cercando, olhando minhas roupas. Girei, tentando não perdê-lo de vista, e o
peguei enrugando o nariz. – É claro que você também está ansiosa p/me conhecer
também.
Não, realmente... Eu não tinha idéia do que ele estava falando, mas sua inspeção
dos pés a cabeça da minha pessoa, não era legal.
-Por que está me olhando assim?
Ele parou de me cercar.
-Você está limpando o estábulo? Isso são fezes nos seus sapatos?
-Yeah – eu disse, confusa com seu tom. Por que ele se preocupava com o que
havia nos meus sapatos? - Limpo o estábulo todas as noites.
-Você? – ele parecia desconcertado – e consternado.
-Alguém tem que fazer – eu disse. Por que você acha que isso é assunto seu?
-Sim, bem, do lugar de onde eu venho, nós temos pessoas para fazer isso.
Pessoas contratadas – ele suspirou. – Você-uma dama da sua categoria-nunca
deveria fazer coisas de tão pouca importância. É uma ofensa.
Quando ele disse isso, meus dedos se apertaram de novo contra a pá – e não por
medo. Lucius Vladescu não era só intimidante. Era exasperante.
-Olha, eu já tive o suficiente de você me rondando e sua atitude – disse
bruscamente. – Quem você acha que é, de qualquer maneira? E por que você está
me seguindo?
A fúria e a incredulidade flamejaram nos olhos negros de Lucius.
-Sua mãe ainda não disse nada a você, não é? – ele sacudiu a cabeça. – Dr.
Packwood prometeu que contaria tudo a você. Seus pais não são muito bons em
cumprir promessas.
-Nós... nós, provavelmente, iríamos falar disso mais tarde – eu gaguejei, minha
indignação fraquejou um pouco ao ver a sua evidente ira. – Meu pai está
ensinando yoga...
-Yoga? – Lucius soltou uma risada áspera. – Contorcionar seu corpo em uma
série de posições ridículas é mais importante que informar sua filha sobre o
pacto? E que tipo de homem pratica um passatempo tão pacifista? Os homens
deveriam treinar na guerra, não desperdiçar seu tempo entoando “om” e
tagarelando coisas sobre a paz interior.
Esqueça a yoga e a tagarelice.
-Pacto? Que pacto?
Mas Lucius estava olhando para as vigas no teto do estábulo, passeando com as
mãos para trás das costas, murmurando para si mesmo.
-Isto não está indo bem. Nada está indo bem. Eu aconselhei os Anciões que você
deveria ter sido levada de volta a Romênia há anos, que você nunca seria uma
esposa adequada...
Whoa, espera aí.
-Esposa?
Lucius parou, girando seus calcanhares para me encarar.
-Estou cansado da sua ignorância – ele se aproximou de mim, se inclinando e
olhando fixamente nos meus olhos. – Já que seus pais se negaram a informá-la,
entregarei as notícias eu mesmo, e farei disso o mais simples que eu puder –
sinalou para seu próprio peito e anunciou, como se estivesse falando com uma
criança. – Eu sou um vampiro – apontou para meu peito. – Você é uma vampira.
E estamos destinados a nos casar, quando você tiver a idade. Foi decretado assim
desde o nosso nascimento.
Não pude processar nem a parte do “casar”, ou do “decretado”. Eu tinha me
perdido na palavra “vampiro”.
Louco. Lucius Vladescu é completamente louco. E eu estou só com ele, em um
estábulo vazio.
E foi quando eu fiz o que uma pessoa sana faria. Joguei a pá em direção a seu pé
e corri para casa rapidamente ignorando seu grito de dor.
Capítulo 6
-EU NÃO sou uma morta-viva – protestei.
Mas, é claro, ninguém prestou atenção. Meus pais estavam muito concentrados
no pé ferido de Lucius Vladescu.
-Lucius, se sente – disse minha mãe a ele, não muito contente com nenhum de
nós dois.
-Prefiro ficar de pé – respondeu Lucius.
Mamãe sinalou com firmeza o circulo de cadeiras que estavam ao redor da mesa
da cozinha.
-Se sente. Agora.
Nosso visitante ferido vacilou, como se fosse desobedecer, então, enquanto dizia
algo entre dentes, pegou uma cadeira. Mamãe tirou de uma vez a bota que tinha
uma marca bem visível de um dente da pá já expliquei no capitulo anterior pq
coloquei pá, enquanto meu pai andava pela cozinha, procurando a caixa de
primeiros socorros. Ele se meteu debaixo da geladeira enquanto esperava que o
chá de ervas se aprontasse.
-É só uma equimose – anunciou mamãe.
-Ah, bom. – Papai se arrastou, saindo debaixo da geladeira. – De qualquer forma
não encontrei a caixa de remédios. Mas ainda podemos tomar um chá.
O auto-proclamado sanguessuga impostor que tinha tomado minha cadeira da
mesa da cozinha me encarou.
-Você tem muita sorte que meu sapateiro só use os melhores tipos de couro. Isso
podia ter atravessado. E você não quer empalar um vampiro. Mas é assim que é a
sua forma de saudar seu futuro marido – ou qualquer outro convidado, de
qualquer forma? Com uma pá?
-Lucius – minha mãe interrompeu. – Você pegou Jessica de baixa guarda. Como
expliquei a você antes, o pai dela e eu queríamos falar com ela primeiro.
-Sim , bom, certamente vocês se atrasaram em sua proposição – uns dezessete
anos. Alguém tinha que fazer. – Lucius retirou seu pé dos braços da minha mãe e
se pôs de pé, coxeando ao redor da cozinha sobre sua única bota, como um rei
inquieto em seu castelo. Ele pegou o recipiente de camomila, cheirou o conteúdo,
e franziu a testa. – Vocês bebem isso?
-Você vai gostar – prometeu papai. Serviu quatro xícaras. – Tem um efeito
calmante, sobre tudo em momentos de tensão como este.
-Chega de chá. Me digam o que está acontecendo – pedi, me sentando e
reclamando na minha cadeira que Lucius estava. Nem sequer estava tão quente.
Quase como se ninguém tivesse estado sentado nela há um instante. – Alguém.
Por favor. Me coloquem a par disso.
-Cederei esse dever a seus pais, tal e como é o desejo deles – concedeu Lucius.
Ele levantou sua úmida xícara a aproximando dos seus lábios, deu um pequeno
gole, e estremeceu. – Deus, isto é asqueroso.
Ignorando Lucius, mamãe compartilhou um olhar com papai, como se
guardassem um segredo. – Ned... o que você acha?
Parecia que tinha entendido o que ela estava insinuando, porque papai assentiu e
disse:
-Vou pegar a manuscrito – então saiu da cozinha.
-Manuscrito? – Manuscritos. Pactos. Esposas. Por que todo mundo falava em
código?– Que manuscrito?
-Oh querida. – Mamãe sentou na cadeira junto a minha e pegou minhas mãos. –
É que seus pais biológicos foram assassinados em um conflito.
-Assassinados por camponeses – disse Lucius com o cenho franzido. – Um povo
supersticioso, influenciados pela multidão sem piedade. – Destampou a manteiga
orgânica de milho do papai, passou um dedo e a provou, e depois limpou o dedo
em sua calça, que eram pretas e abraçavam suas pernas como calças de montaria.
– Por favor, me diga que há algo saboroso nesta casa.
Mamãe girou para se dirigir a Lucius.
-Peço a você permaneça quieto durante alguns minutos enquanto conto a história.
Lucius se inclinou ligeiramente, seu brilhante cabelo negro-azulado brilhava sob
a luz da cozinha. – É claro, continue.
Mamãe centrou sua atenção em mim.
-Mas não lhe contamos toda a história, porque o tema parecia deixar você muito
alterada.
-Agora pode ser um bom momento – sugeri. – Não acho que eu possa me alterar
mais do que já isto.
Mamãe tomou um gole e já e suspirou.
-Sim, bom, a verdade é que seus pais foram destruídos por uma multidão furiosa
que tentava livrar a cidade dos vampiros.
-Vampiros? – Com certeza, ela estava brincando.
-Sim – confirmou. – Vampiros. Seus pais estavam entre os vampiros que eu
estava estudando na época.
Bem, vejamos, não raro escutar palavras como fada ou espíritos na terra ou
mesmo troll na minha casa. Quero dizer, a cultura popular e as lendas eram as
investigações que interessavam minha mãe, e meu pai era conhecido como o
apresentador “anjo da comunicação” em seu seminário de estudo sobre a yoga.
Mas é claro que meus estranhos pais não acreditavam nos monstros dos filmes de
Hollywood. Sinceramente não conseguia acreditar que meus pais biológicos se
transformavam em morcegos, ou se dissolviam à luz do sol, ou que suas presas
cresciam. Eles poderiam?
-Você me disse que esteve estudando algum tipo de culto – respondi. – Uma
subcultura que tinha alguns rituais incomuns... mas nunca me disse nada sobre
vampiros.
-Você sempre foi muito lógica, Jessica – disse minha mãe. – Você nunca gostou
das coisas que não possam ser explicadas pela matemática ou pela ciência. Seu
pai e eu temíamos que a verdade sobre seus pais biológicos a alterasse
profundamente. Então guardamos... algumas coisas.
-Está dizendo que meus pais pensavam realmente que eram vampiros? – disse em
uma espécie de grito.
Mamãe assentiu.
-Bom... Sim.
-Eles não só pensavam que eram vampiros – se queixou Lucius. Que tinha
recuperado sua bota e saltava sob um pé, tentando colocá-la. – Eles eram
vampiros.
Enquanto eu olhava boquiaberta e cheia de incredulidade para nosso convidado,
o pensamento mais repugnante do mundo cruzou a minha mente. Aqueles rituais
que minha mãe tinha aludido, que estavam relacionados com meus pais... – Eles
não-na realidade não bebiam sangue...
A expressão que inundou o rosto da minha mãe disse tudo, e pensei que estava a
ponto de desmaiar. Meus pais biológicos; desequilibrados,perturbados, bebedores
de sangue.
-Saboroso, saborosas coisas – comentou Lucius. – Você não teria, por acaso, algo
por aqui, no lugar deste chá.
Mamãe lhe deu um olhar.
Lucius franziu o cenho.
-Não. Suponho que não.
-Pessoas não bebem sangue – insisti, subindo o tom de voz. – E os vampiros não
existem!
Lucius cruzou os braços, franzindo o cenho.
-Com licença. Eu estou aqui.
-Lucius, por favor – disse mamãe em tom sério, mas tranqüilo, que usava com
estudantes difíceis de controlar. – Dê um tempo para Jess poder processar. Ela
tem uma inclinação analítica que a faz resistir ao paranormal.
-Sou resistente ao impossível – gritei. – Ao irreal.
Nesse ponto, papai voltou com um manuscrito mofado nas suas mãos.
-Historicamente, muitas pessoas resistem a idéia de mortos-vivos. – Observei
papai colocar cuidadosamente o documento sobre a mesa. – Os últimos da
década de 80 foram muito maus aos vampiros na Romênia. Haviam grandes
expurgos a cada poucos meses. Muitos vampiros agradáveis foram eliminados.
-Seus pais biológicos – que eram muito poderosos dentro de sua subcultura – se
deram conta de que provavelmente fossem marcados para a destruição e nos
encomendaram seus cuidados antes de que fossem assassinados, com a esperança
de que pudéssemos mantê-la a salvo nos Estados Unidos – acrescentou mamãe.
-As pessoas não bebem sangue – repeti. – Eles não bebem. Vocês não viram
meus pais agirem como vampiros, não é? – desafiei. – Nunca os viram crescendo
as presas e mordendo pescoços? Sei que não viram. Porque isso não é acontece.
-Não – mamãe admitiu, pegando de novo minhas mãos. – Eles não se permitiam
esse tipo de acesso.
-Porque isso não acontece – repeti.
-Não – interpôs Lucius. – Porque morder é algo muito privado, muito intenso.
Você não convida pessoas para assistir. Os vampiros são uma raça muito sensual,
mas não são uns exibicionistas. Somos discretos.
-Entretanto não temos razões para acreditar que alguém mentiu para nós sobre
beber sangue – acrescentou mamãe. – E não é nada que você deveria se
preocupar, Jess. É bastante normal para eles. Se tivesse crescido na Romênia,
nessa subcultura, também seria normal para você.
De um golpe, separei nossas mãos.
-Realmente não.
Com um profundo suspiro, Lucius resumiu a historia.
-Honestamente, eu não posso suportar mais esse vai e vem. A história é bastante
simples. Você, Antanasia, é a última de uma grande linhagem de poderosos
vampiros, Os Dragomirs. Da Realeza dos Vampiros.
Isso me fez rir, um guincho, um riso histérico.
-Da Realeza dos Vampiros. Claro.
-Sim. Realeza. E esta é a última parte da história, a que seus pais ainda parecem
relutantes a contar. – Lucius se inclinou sobre a mesa em frente aos meus braços
cruzados, me fazendo baixar os olhos. – Você é uma princesa vampira – a
herdeira da liderança dos Dragomir. Eu sou um príncipe vampire. O herdeiro de
um poderoso clã dos Vladescus. Mais poderoso, na minha opinião, mas esse não
é o ponto. Fomos prometidos um ao outro em uma cerimônia de compromisso
pouco depois dos nossos nascimentos.
Olhei para minha mãe procurando ajuda, mas tudo o que ela disse foi:
-A cerimônia foi muito linda, muito elaborada.
-Em uma enorme caverna nos Cárpatos – continuou papai. – Com velas por todas
as partes. – Olhou fixamente para minha mãe com carinho e admiração. –
Nenhum outro forasteiro tinha tido esse privilégio.
Eu olhei para eles.
-Estavam lá? Nessa cerimônia?
-Oh, nós conhecemos um monte de vampiros nessa viajem e vi tantos
interessantes eventos culturais – mamãe sorriu um pouco ao recordar isso. – Você
deveria ler o resumo da investigação no Diário da Cultura Popular da Europa
Oriental. É mais um trabalho histórico de uma pessoa com informações
privilegiadas, se você entende o que eu quero dizer.
-Me deixe terminar, por favor – resmungou Lucius.
-Tranqüilo – o repreendeu papai, suavemente. – Nesta pequena democracia todos
temos a oportunidade de falar.
Devido ao olhar de desdem com a que Lucius olhou meu pai, eu podia dizer que
ele não se importava muito com a democracia. O delirante aspirante a Drácula,
continuou.
-A cerimônia de noivado selou nosso destino, Antanasia. Nos casaremos logo
depois que tenha maior idade. Com a união de nossas linhagens, se consolidará a
força de nossos clãs e terá fim os anos de rivalidade e guerra. – Seus olhos negros
brilharam, seu olhar observava o nada. – Quando ascendermos ao poder será um
momento glorioso em nossa história. Cinco milhões de vampiros, sua familia e a
minha unidas, todos sob nosso reinado. – Meu suposto prometido voltou a
realidade, me olhou e respirou profundamente. – É claro que eu farei todo o
“trabalho pesado”, governando sabiamente.
-Vocês estão todos loucos – declarei, olhando de um para o outro. – Isso é uma
loucura.
Se aproximando de mim, Lucius se agachou para que ficássemos cara a cara.
Pela primeira vez, vi curiosidade, não desprezo ou brincadeira ou puro e bruto
poder, em seus olhos escuros.
-Realmente seria tão repugnante, Antanasia? Estar comigo?
Eu não tinha certeza do que ele queria dizer, mas pense que ele estava falando
de... nós dois juntos, não em algo político, mas sim de uma maneira romântica.
Eu não disse nada. Lucius Vladescu realmente achava que eu me apaixonaria por
ele, somente porque ele tinha um rosto lindo? Um corpo de matar? Eu não tinha
nada a ver que ele tivesse que usar a mais sexy e picante colônia que eu já tinha
cheirado...
-Mostre a ela o manuscrito – interrompeu papai, rompendo o momento.
-Sim, este é o momento – mamãe esteve de acordo.
Quase tinha esquecido do papel mofado, mas meu pai se sentou e o desenrolou
cuidadosamente sobre a mesa da cozinha. O frágil papel crepitava enquanto ele
alisava cuidadosamente com os dedos. As palavras “romano”, presumivelmente,
eram ininteligíveis para mim, mas parecia que era algum tipo de documento
legal, com muitas assinaturas na parte inferior. Afastei os olhos, me negando a
olhar mais de perto esse monte de besteiras.
-Eu traduzo – Lucius se ofereceu, se colocando de pé. – A menos que, é claro,
Antanasia tenha estudado romano?
-Será o próximo da minha lista de tarefas – disse, apertando os dentes. Poliglota
idiota.
-Seria sensato se você começasse a aprender, minha futura esposa – respondeu
Lucius, dando a volta ao redor de mim e se apoiando sobre meus ombros para ler.
Podia sentir seu hálito em minha bochecha. Era muito fresco e doce. Contra o
meu julgamento, também inalei sua incomum colônia o mais fundo que meus
pulmões conseguiram. Lucius estava tão perto , que meu cabelo escuro
encaracolado roçava em sua mandíbula, e ele distraidamente afastou as mechas
soltas, a parte de trás de seus dedos roçando minha bochecha. Seu toque me
sobressaltou. A sensação golpeou meu estômago.
Se Lucius tinha sentido o mesmo, não demonstrou e prestou muita atenção no
documento. A colônia tinha me enjoado? Estou imaginando coisas?
Mudei um pouco minha posição na cadeira, tentando não tocá-lo de novo,
enquanto nosso arrogante visitante passava o dedo abaixo da linha do manuscrito.
-Isto declara que Antanasia Dragomir, está prometido em casamento comigo,
Lucius Vladescu, logo depois que atinja a maioridade, com dezoito anos, e com
todas as testemunhas das partes estão de acordo com este pacto. Com o
casamento, nossos clãs se unirão e alcançarão a paz. – Ele se ergueu de novo. –
Como eu disse, na verdade, é bastante simples. E olhe a assinatura do seu pai
adotivo. E a da sua mãe.
Eu não pude resistir a dar uma olhada quando ele disse isso, e é claro, os rabiscos
da assinatura da minha mãe e do meu pai estavam no documento em meio a
dúzias de nomes romanos desconhecidos. Traidores. Empurrei para longe o
manuscrito, cruzei os braços e olhei para meus pais.
-Como puderam me prometer... como se eu fosse... uma vaca?
-Não prometemos, Jessica – tentou me acalmar minha mãe. – Nesse momento
você não era nossa filha. Estávamos ali só para presenciar um singular ritual
como parte da investigação. Isso foi semanas antes da purga, semanas antes de
nós a adotarmos. Ninguém tinha idéia do futuro que tinha sido preparado.
-Além do mais, ninguém promete vacas – zombou Lucius. – Quem prometeria
gado? Você é uma princesa vampira. Seu destino não depende disso.
Princesa... Ele acha mesmo que sou uma princesa vampira. A estanha, quase
agradável, a sensação que tinha sentido quando ele tinha roçado minha bochecha
tinha sido esquecida quando a realidade me golpeou de novo. Lucius Vladescu
era um lunático.
-Se eu fosse uma vampira, eu iria querer morder alguem. E estaria sedenta de
sangue – disse, em uma desesperada última tentativa de colocar razão em uma
discussão que tinha caído no absurdo.
-Você alcançará sua verdadeira natureza – prometeu Lucius. – Está a ponto de
atingir a idade certa. E quando eu morder você pela primeira vez, então será uma
vampira. Trouxe um livro – um guia para ser mais exato – que explicará tudo...
Me levantei da cadeira tão rápido que caí no chão.
-Ele não vai me morder – interrompi, apontando um dedo instável para Lucius. –
E eu não vou para a Romênia e não vou me casar com ele! Não me importa que
tipo de “cerimônia de noivado” tenham feito!
-Você tem que honrar o pacto – grunhiu Lucius. – Não é uma sugestão.
-Não seja ditatorial conosco, Lucius – urgiu papai, empurrando para trás a
cadeira e acariciando sua barba. – Já disse a você. Esta é uma democracia, e
agora todos nós vamos respirar profundamente. Como disse Gandhi, devemos ser
a mudança que queremos ver.
Lucius claramente nunca tinha lidado com um mestre da resistência passiva, já
que estava encolhido, desprevenido pela firmeza de meu pai, que estava
sossegado e avaliando a situação.
-O que isso significa? – perguntou finalmente.
-Que hoje ninguém tomará nenhuma decisão – traduziu mamãe. – É tarde, e
estamos todos cansados e um pouco aborrecidos. Além do mais, Lucius, Jessica
não está disposta a considerar a possibilidade de casamento. Pelo amor de Deus,
ela nem sequer beijou um garoto ainda.
Lucius sorriu com satisfação, levantando uma sobrancelha.
-Sério? Nenhum pretendente? Que escandaloso. Eu pensei que suas habilidades
com a pá eram atraentes para certos solteiros nesse país de granjas.
Eu queria morrer. Agora mesmo. Eu quis correr para a gaveta de facas, agarrar a
maior que eu pudesse encontrar, e afundá-lo em meu coração. Que contassem a
alguém que eu nunca tinha beijado – era quase pior que ser uma princesa
vampira. Vampiros era uma ridícula fantasia, mas minha total falta de experiência
– era real.
Mamãe! Isto é muito embaraçoso! Tinha que contar isso?
-Bom, Jessica, é a verdade. Eu não quero que Lucius pense que você é algum
tipo de mulher jovem com experiência, preparada para o casamento.
-Eu não vou me aproveitar dela – prometeu Lucius com seriedade. – E, é claro,
não posso força-la a se casar comigo. Estamos em um novo século. Infelizmente.
Entretanto, temo que me vejo obrigado a cortejá-la até que Antanasia se dê conta
de que seu lugar é ao meu lado. E ela perceberá.
-Eu não perceberei.
Lucius passou totalmente do que disse.
-A união de nossos clãs foi encomendada por membros mais velhos, mais
poderosos: os Anciões das famílias Vladescu e Dragomir. E os anciãos sempre
conseguem o que propõe.
Mamãe se levantou.
-Será decisão da Jessica, Lucius.
-É claro – mas o condescendente meio sorriso no rosto de Lucius dizia outra
coisa. – Bom, onde eu vou ficar?
-Ficar? – meu pai perguntou, confuso.
-Sim. Dormir – explicou Lucius. – Tive uma longa viagem, tive que agüentar
meu primeiro sufocante dia na chamada escola pública daqui, e estou cansado.
-Não vai voltar a escola – me opôs, presa ao pânico. Eu tinha esquecido da
escola. – Simplesmente não pode!
-É claro que eu vou a escola – respondeu Lucius.
-Como você se matriculou? – perguntei minha mãe.
-Estou aqui no que chamam de “visto de estudante” – explicoi Lucius. – Os
Anciãos acharam que seria difícil explicar minha presença a longo prazo de outra
maneira. Os vampiros não gostam de levantar suspeitas, como pode imaginar.
Nós gostamos de nos harmonizar.
Harmonizar? Usando veludo no verão? No condado de Lebanon, Pensilvania?
No conservador coração do condado das granjas, onde as pessoas robustas de
descendência germânica ainda acham orelhas furadas é coisa de radicais e,
possivelmente, portais do inferno?
-É realmente um estudante estrangeiro de intercâmbio? – perguntou papai
franzindo o cenho.
-Sim. Seu estudante estrangeiro de intercâmbio, para ser exato – explicou Lucius.
Mamãe levantou uma mão em advertência.
-Nunca estivemos de acordo com isso.
-Sim – acrescentou papai. – Não tínhamos que assinar algo? Não há uma
papelada?
Lucius riu.
-Ah, a papelada. Um pequeno detalhe resolvido na Romênia. Ninguém com
senso comum recusa um pedido do clã Vladescu. É só uma má forma. E as
conseqüências de recusar um favor... bom, vamos dizer que as pessoas têm que
oferecer seus pescoços.
-Lucius, deveria ter nos consultado primeiro – se opôs mamãe,
Os ombros de Lucius baixaram, mas só ligeiramente.
-Sim. Bom, talvez tenhamos passado do limite. Entretanto, você devem admitir,
que sua honra obriga a me dar boas-vindas. Vocês sabiam que este dia – e eu –
chegaria.
Papai limpou sua garganta e olhou para mamãe.
-Prometemos aos Dragomirs há anos que quando chegasse o momento--Oh, Ned, eu sei! Você tem que considerar os sentimentos de Jessica...
-Fizeram um juramento a minha família – recordou Lucius de novo. – Além do
mais, não tenho outro lugar para ir. Não voltareia pousada de campo no centro,
onde dormi ontem a noite. Pelo amor de Deus, o quarto tinha uma temática de
porco. Papel de parede de porco e miniaturas de porco por todas as partes. E um
Vladescu não dorme com os porcos.
Mamãe suspirou, colocando as mãos sobre meus ombros de forma
tranqüilizadora.
-Suponho que dessa forma, Lucius pode ficar no apartamento de hóspedes sob a
garagem, enquanto resolvemos isso. Ok, Jessie? Será algo temporário, tenho
certeza.
-Hey, está fazenda é sua – murmurei, sabendo que tinha sido derrotada. Meus
pais sempre deixavam para os vadios. Gatos repugnantes, cachorros ativos... se
fosse um sem-teto, podia viver em nossa fazenda, mesmo se este ameaçasse
morder.
E assim é que um adolescente que dizia ser um vampiro veio a morar na nossa
garagem no início do meu último e único ano escolar. E não qualquer vampiro.
Meu arrogante e dominante prometido vampiro. A última pessoa no inferno – ou
do inferno – com a que queria compartilhar um passeio na escola, para não falar
de estar obrigada a passar toda a eternidade.
Fiquei sem conseguir dormir metade da noite pensando em minha arruinada vida.
Meus pais biológicos; um culto de membros que juravam que bebiam sangue, -algo que eu não faria nunca, nem sequer pensaria. Não havia nada que eu pudesse
fazer a respeito agora, a não ser mantê-lo fora da minha mente. Sua história podia
– e permaneceria – escondida no passado.
Mas o futuro... tudo o que eu sempre quis er uma oportunidade para sair com
Jake Zinn, um garoto normal, e em seu lugar chegou um namorado caprichoso,
diretamente na minha garagem. Como se todos na escola não achassem que
minha família não era o suficiente estranha, com a yoga do meu pai e sua
improdutiva, orgânica, e anti-carne fazendo, e minha mãe que era a cabeça da
família, e estudava o imaginário mumbo jumbo.é como os americanos chamam
coisas inacreditáveis Agora... agora seria uma pária. Uma garota da escola
secundária que estava prometida a um ghoul.
E que ghoul.
Na cama, não podia deixar de lembrar do cheiro da colônia de Lucius, enquanto
se inclinava perto de mim. O poder que tinha derrotado quando caminhava pela
aula de literatura inglesa. O toque de seus dedos contra minha bochecha. Sua
afirmação de que um dia, afundaria seus dentes em mim.
Deus, que psicopata.
Me afastando dos lençóis, me sentei e afastei a cortina, olhando para janela da
garagem. Ainda havia uma luz no segundo andar. Lucius estava acordado. O que
ele estaria fazendo?
Respirando com força, me deixei cair sobre a almofada e com os lençóis, cobri
energicamente meu pescoço – meu delicado, vulnerável, e ainda não beijado
pescoço – meio desejando e meio temendo o amanhã.
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