sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 2

2 – O Caçador da Lua

Maia nunca tinha confiado em garotos bonitos, o que era o porquê dela ter odiado Jace Wayland na primeira
vez que ela pousou os olhos nele.

Seu irmão gêmeo, Daniel, tinha nascido com a pele cor de mel de sua mãe e grandes olhos escuros, e ele
tinha se tornado o tipo de pessoa que acendia as asas das borboletas em fogo para olhar elas queimarem e
morrerem. Ele tinha atormentado ela também, primeiro em pequenas e mesquinhas maneiras, beliscando ela
onde não apareceriam os machucados, trocando o shampoo de sua embalagem por água sanitária. Ela tinha
ido a seus pais mas eles não acreditavam nela. Ninguém tinha, olhando para Daniel; eles eram confundidos
pela sua beleza com inocência e pureza. Quando ele quebrou seu braço na nona série, ela fugiu de casa mas
seus pais a trouxeram de volta. Na décima série, Daniel foi atropelado em uma rua por um motorista e foi
morto instantaneamente. Em pé ao lado de seus pais na sepultura, Maia tinha ficado envergonhada pela
sensação esmagadora de alívio. Deus, ela pensou, certamente a puniria por estar feliz que seu irmão
estivesse morto.

No próximo ano, Ele o fez. Ela conheceu Jordan. Cabelos longos escuros, quadris delgados usando jeans,
um garoto indie com camisas de bandas de rock e cílios como os de uma garota. Ela nunca pensou que ele se
interessaria por ela – o tipo dele geralmente preferia as garotas pálidas e pálidas com óculos alternativos –
mas ele pareceu gostar de sua forma curvilínea. Ele disse que ela era bonita, entre beijos. Os primeiros
meses foram como um sonho; os últimos meses como um pesadelo. Ele se tornou possessivo, controlador.
Quando ele estava com raiva dela, ele rosnava e batia as costas de sua mão em sua bochecha, deixando uma
marca como um blush muito forte. Quando ela tentou terminar com ele, ele empurrou ela, a jogando abaixo
em seu próprio jardim, antes que ela corresse para dentro e fechasse a porta.

Depois, ela deixou ele a ver beijando um outro garoto, só para indicar que depois daquilo estava acabado.
Ela sequer se lembrava mais do nome do garoto. O que ela lembrava era de caminhar para casa naquela
noite, a chuva cobrindo seus cabelos em finas gotinhas, lama encharcando as pernas de sua calça enquanto
ela tomava um atalho através do parque próximo a sua casa. Ela se lembrava da forma escura explodindo
vinda por trás dos balanços, o imenso corpo do lobo molhado golpeando ela para a lama, a dor selvagem
enquanto suas mandíbulas fechavam abaixo em sua garganta. Ela gritou e lutou, sentindo o gosto quente de
seu próprio sangue em sua boca, seu cérebro gritava: Isso é impossível. Impossível. Não havia lobos em
Nova Jersey, não em uma vizinhança urbana comum, não no século vinte um.

Seu choro trouxe as luzes nas casas mais próximas, uma após a outra, as janelas se iluminaram como
fósforos acesos. O lobo a deixou ir, sua mandíbula rastreada com fios de sangue e carne rasgada.

Vinte e quatro horas mais tarde, ela estava de volta ao seu quarto rosa, sua mãe pairando ansiosamente. Na
sala de emergência o médico tinha dito que a mordida parecia como a de um cachorro grande, mas Maia
sabia bem. Antes do lobo ter se virado e corrido para longe, ela pode ouvir uma quente voz familiar
sussurrada em seu ouvido, “Você é minha agora. Você sempre será minha.”

Ela nunca mais viu Jordan de novo – ele e seus pais arrumaram suas malas e se mudaram do apartamento, e
nenhum de seus amigos sabia para onde ele tinha ido, ou admitiam que eles soubesse. Ela tinha apenas

ficado meio surpresa que na próxima lua cheia quando as dores começaram: dores rompantes que rasgavam
acima e abaixo de suas pernas, forçando ela para o chão, encurvando sua espinha do modo como um mágico
poderia curvar uma colher. Quando seus dentes arrebentaram suas gengivas e chacoalharam no chão como
Chiclets derramados, ela desmaiou. Ou ela pensou que tinha. Ela acordou a quilômetros longe de sua casa,
nua e coberta de sangue, a cicatriz em seu braço pulsando como uma batida de coração. Aquela noite ela
saltou em um trem para Manhattan. Aquilo não foi uma decisão difícil. Era ruim o bastante sendo birracial
em uma vizinhança suburbana conservadora. Deus sabia o que eles fariam com um lobisomem.

Não tinha sido tão difícil encontrar um bando para ficar nele. Havia vários deles em Manhattan. Ela entrou
em um bando no centro da cidade, os que dormiam na antiga delegacia em Chinatown.

Líderes de bando são mutáveis. O primeiro havia sido Kito, então Veronique, então Gabriel, e agora Luke.
Ela não gostava de Gabriel de jeito nenhum, mas Luke era melhor. Ele tinha uma
aparência confiável,
e gentis olhos azuis e ele não era tão bonito, então ela não antipatizou com ele imediatamente. Ela estava
confortável o suficiente aqui com o bando, dormindo na velha delegacia, jogando cartas e comendo comida
chinesa nas noites quando a lua não estava cheia, caçando no parque quando ela estava, e no dia seguinte
experimentando a ressaca da mudança no Caçador da Lua, um dos melhores bares subterrâneos de
lobisomens. Havia a cerveja do depósito, e ninguém nunca carteirava você para ver se você tinha menos de
vinte um. Ser um licantropo te faz crescer rápido, tanto quanto brotavam seus cabelos e dentes uma vez por
mês, mas ela era boa em beber da Lua, não importasse quão velho você é em anos mundanos.

Nesses dias dificilmente ela pensava na família, mas quando o garoto loiro em um casaco longo preto
caminhou em direção ao bar, Maia se enrijeceu totalmente. Ele não se parecia com Daniel, não exatamente –
Daniel tinha o cabelo escuro e enrolado perto da nuca e a pele cor de mel, e este garoto era todo branco e
ouro. Mas eles tinham o mesmo corpo esguio, o mesmo jeito de caminhar, como uma pantera a procura de
uma presa, e a mesma total confiança de sua própria atração. Sua mão apertou convulsivamente ao redor da
haste da taça e ela lembrou a si mesma: Ele está morto. Daniel está morto.

Uma precipitação de murmúrios varreu através do bar nos calcanhares da chegada do garoto, como uma
onda espalhando na popa de um barco. O garoto agiu como se ele não tivesse notado nada, puxando uma
cadeira do bar para si mesmo com o pé na bota e sentando nela, colocando seus cotovelos no balcão. Maia
ouviu ele pedir uma dose de cerveja preta no silêncio que se seguiu aos murmúrios. Ele tomou a metade da
bebida com um perfeito movimento de seu pulso. O licor era da mesma cor dourada escura dos cabelos
dele. Quando ele levantou a mão para colocar o copo de volta ao balcão, Maia viu as abundantes marcas
pretas em seus pulsos e nas costas de suas mãos.

Bat, o cara sentado ao lado dela -e ela tinha saído com ele uma vez, mas eles eram só amigos agora –
murmurou algo debaixo de sua respiração que soava como “Nephilim”.

Então era isso.

O garoto não era um lobisomem. Ele era um Caçador de Sombras, um membro do misterioso mundo da
secreta força policial. Eles defendiam a Lei, apoiados pelo Pacto, e você não podia se tornar um deles: Você
tinha que nascer nisso. Sangue fazia deles o que eles eram. Havia um monte de boatos sobre eles, a maioria
não lisonjeiros: Eles eram arrogantes, orgulhosos, cruéis; eles humilhavam e desprezavam os
Downworlders. Havia poucas coisas que um Licantropo gostava menos do que um Caçador de Sombras –
exceto, talvez um vampiro.

As pessoas também diziam que os Caçadores de Sombras matavam demônios. Maia se lembrou quando ela
tinha ouvido pela primeira vez que demônios existiam e o que eles podiam fazer. Aquilo deu a ela uma dor
de cabeça. Vampiros e lobisomens eram apenas pessoas com uma doença, aquilo ela podia entender, mas
esperar que ela acreditasse em tudo sobre céu e merda de inferno, demônios e anjos, e ainda ninguém podia
dizer a ela com certeza se havia um Deus ou não, ou para onde você ia depois que você morresse? Isso não

era justo. Ela acreditava em demônios agora – ela tinha visto o suficiente sobre o que eles faziam e ela não
era capaz de negar isso – mas ela desejava que ela não tivesse.

“Eu saquei,” o garoto disse, inclinando seus cotovelos sobre o balcão, “que vocês não servem Balas de
Prata aqui. “Pega muito mal? Seus olhos cintilaram, estreitos e brilhantes como a lua no quarto crescente.

O barman, Freaky Pete, apenas olhou para o garoto e balançou sua cabeça em desgosto. Se o garoto não
fosse um Caçador de Sombras, Maia apostou, Pete teria atirado o garoto lá fora do Lua, mas em vez disso
ele apenas andou até o fim do balcão e se ocupou em polir os copos.

“Na verdade” Bat disse, que era incapaz de fica de fora de qualquer coisa, “nós não servimos isso poque é
realmente um cocô de cerveja.”

O garoto virou seu estreito, e brilhante olhar para Bat, e sorriu deliciado. A maioria das pessoas não sorriam
agradavelmente quando Bat parecia a elas engraçado: Bat tinha 1.98m, com uma espessa cicatriz que
desfigurava metade do seu rosto onde pó de prata tinha queimado sua pele. Bat não era um dos overnighters,
o bando que vivia na delegacia, dormindo em velhas celas. Ele tinha seu próprio apartamento, e até um
emprego. Ele tinha sido um ótimo namorado até que ele dispensou Maia por uma ruiva que se chamava Eve
e vivia em Yonkers e que tinha um negócio de quiromancia na sua garagem.

“E o que é que você está bebendo? O garoto perguntou, se inclinando tão próximo a Bat que aquilo era
quase um insulto. “Um pouco de pêlo de cachorro que morde....bem, todo mundo?

“Você realmente acha que é engraçadinho.” Nessa hora, o resto do bando se inclinou para ouvir, prontos
para se afastar se Bat decidisse da porrada neste obnóxio moleque no meio da semana. “Não é?”

“Bat,” Maia disse. Ela se peguntou se ela era a única membro do bando no bar que duvidava da habilidade
de Bat em acertar o garoto. E não era poque ela duvidava de Bat. Era alguma coisa nos olhos do garoto.
“Não.”

Bat ignorou ela. “Não é?”

“Quem sou eu para negar o óbvio?” Os olhos do garoto deslizaram sobre Maia como se ela fosse invisível e
voltaram para Bat. “ Eu acho que você não me diria o que aconteceu com sua cara? Isso parece como...” E
agora ele se inclinou à frente e disse algo para Bat tão baixo que Maia não escutou. A próxima coisa que ela
sabia, foi Bat movendo um golpe no garoto que deveria te despedaçado a mandibula dele, mas o garoto não
estava mais lá. Ele estava parado em pé a um metro e meio, rindo, enquanto o punho de Bat que tinha
abandonado seu copo e era enviado através do balcão para acertar a parede oposta em uma chuva de vidro
estilhaçado.

Freaky Pete estava do outro lado do balcão, seu grande punho segurando a blusa de Bat, antes que Maia
pudesse piscar um olho. “ Já chega,” ele disse. “Bat, por que você não dá uma caminhada e fica frio?”

Bat se virou no aperto de Pete. “Dar uma caminhada? Você ouviu...?

“Eu ouvi.” A voz de Pete era baixa. “Ele é um Caçador de Sombras. Lá fora, filhote.”

Bat xingou e se afastou do Barman. Ele caminhou em direção à saída, seus ombros rígido com a fúria. A
porta bateu fechada atrás dele.

O garoto tinha parado de sorrir e estava olhando para Freaky Pete com um tipo de ressentimento sombrio,
como se o barman tivesse levado para longe um brinquedo que ele pretendia brincar. “Isso não era

necessário,” ele disse. “Eu cuido de mim mesmo.”

Pete olhou firme o Caçador de Sombras. “É o meu bar, eu estou preocupado com ele,” ele disse
finalmente.”Você pode querer resolver seus problemas em outro lugar, Caçador de Sombras, se você não que
nenhum problema.

“Eu não disse que eu queria problemas.” O garoto sentou de volta em sua cadeira.”Além do mais eu não
terminei o meu drink.”

Maia olhou atrás dele, onde a parede do bar estava ensopada com álcool. “Para mim, parece que você
terminou.

Por um segundo o garoto apenas pareceu estupefato; então uma curiosa faísca de divertimento iluminou seus
olhos dourados. Ele parecia tanto com Daniel naquele momento que Maia quis se afastar.

Pede deslizou para ele outro copo do líquido âmbar através do balcão antes que o garoto pudesse responder a
ela. “Aqui está.”, ele disse. Seus olhos foram levados para Maia. Ela pensou ter visto algum alerta neles.

“Pete...” ela começou. Ela não chegou a terminar. A porta do bar voou aberta. Bat estava em pé na entrada.
Levou um momento para Maia perceber que a frente de sua camisa e suas mangas estavam ensopadas com
sangue.

Ela deslizou de sua cadeira e correu para ele. “Bat! Você está machucado?”

Seu rosto estava cinza, sua prateada cicatriz acentuada em sua bochecha como um pedaço de fio
trançado.“Um ataque,” ele disse.” Há um corpo no beco. Uma criança morta. Sangue...por todo lugar.” Ele
balançou sua cabeça, olhando abaixo para si mesmo.”Não é meu sangue. Eu estou bem.”

“Um corpo? Mas quem...”

A resposta de Bat foi abafada pela bagunça. Cadeiras eram abandonadas enquanto o bando corria para a
porta. Pete saiu detrás do caixa e foi direto entre a multidão. Apenas o garoto Caçador de Sombras
permaneceu onde ele estava, a cabeça curvada sobre sua bebida.

Através dos buracos no meio do pessoal ao redor da porta, Maia captou um vislumbre da calçada cinza do
beco, salpicada de sangue. Ela ainda estava molhada e escorrendo entre os as rachaduras no pavimento como
tentáculos vermelhos de uma planta “ “A garganta dele foi cortada? Pete estava dizendo a Bat, cuja cor tinha
voltado.”Como...”

“Havia alguém no beco. Alguém ajoelhado sobre ele,” Bat disse. Sua voz estava apertada. “Não como um
pessoa...como uma sombra. Eles correram quando me viram. Ele ainda estava vivo. Um pouco. Eu me
curvei até ele, mas...” Bat estremeceu. Foi um movimento casual, mas as cordas em seu pescoço estavam tão
rígidas como raízes grossas envolvendo um tronco de árvore. 'Ele morreu sem dizer nada.”

“Vampiros”, disse uma fêmea licantropo robusta – seu nome era Amabel, Maia pensou – a que estava
parada na porta. “As Crianças da Noite. Não pode ter sido outra coisa.”

Bat olhou para ela, então se virou e caminhou pelo salão em direção ao balcão. Ele agarrou o Caçador de
Sombras pelas costas de sua jaqueta – ou ele quase o alcançou como se ele fosse fazer isso, mas o garoto já
estava em pé, virando-se fluidamente. “Qual é o seu problema, lobisomem?”

A mão de Bat ainda estava estendida. “Você é surdo, Nephilim?” ele grunhiu. “Tem um garoto morto no
beco. Um de vocês.”

'Você quer dizer um licantropo ou algum outro tipo de Downworlder?” O garoto arqueou suas sobrancelhas
douradas . “Vocês todos se parecem para mim.”

Houve um baixo rosnar – vindo de Freaky Pete, Maia notou com alguma surpresa. Ele tinha voltado para o
balcão e estava cercado pelo resto do bando, seus olhos fixados no Caçador de Sombras. “Ele era apenas um
novato. Seu nome era Joseph.”

O nome não lembrou ninguém para Maia, mas ela viu o aperto rígido no queixo de Pete e sentiu um revirar
em seu estômago. O bando estava em pé de guerra agora e se o Caçador de Sombras tivesse algum juízo, ele
teria recuado rapidinho. Entretanto, ele não o fez, Ele apenas ficou de pé ali, olhando para eles com aqueles
olhos dourados e aquele sorriso divertido em seu rosto. “Um garoto licantropo?” ele disse.

“Ele era um do bando,” Pete disse, “Ele tinha só quinze.”

“E o que exatamente você esperam que eu faça a respeito disso? Disse o garoto.

Pete olhou para ele incredulamente. “Você é um Nephilim,” ele disse. “A Clave nos deve proteção nestas
circunstâncias.”

O garoto olhou em torno do balcão, lentamente e com um tipo de olhar de insolência que espalhou um rubor
no rosto de Pete.

“Eu não vejo nada que você tenha que proteger aqui,”disse o garoto. “Exceto uma decoração ruim e um
possível problema com o mofo. Mas você pode geralmente limpar isso com água sanitária.”

“Tem um corpo morto lá fora na porta da frente desse bar,” disse Bat, pronunciando cuidadosamente. “Você
não acha...”

“Eu acho que é um pouco tarde demais para ele precisar de proteção,” o garoto disse, “se ele está morto.”

Pete ainda o encarava. Suas orelhas tinham levantado apontadas, e quando ele falou, sua voz estava “Você
precisa ter cuidado. Você precisa ter muito cuidado.”

O garoto olhou para ele com os olhos opacos. “Eu preciso?”

“Então você não vai fazer nada? Bat disse. “É isso?”

“Eu vou terminar minha bebida,” disse o garoto, olhou para seu copo meio vazio, ainda no balcão. “se você
me deixar.”

“Então esta é a atitude da Clave, um semana depois dos Acordos?” Pete disse com desgosto. “A morte de
Downworlders não é nada para você?”

O garoto sorriu, e a espinha de Maia se arrepiou . Ele parecia exatamente como Daniel, justo quando
Daniel tinha acabado de ter pego e arrancado as asas de uma joaninha. “Como os Downworlders,” ele
disse,” espera que a Clave limpe a bagunça de vocês. Como se pudéssemos ser incomodados, só porque
algum novato idiota decidiu salpicar uma pintura de si mesmo por todo o seu beco...

E ele usou uma palavra, uma palavra para nós que eles nunca usavam para si mesmos, um suja e inadequada
palavra que implicava em uma imprópria relação entre lobos e mulheres humanas.

Antes que qualquer um pudesse se mover, Bat se lançou para o Caçador de Sombras...mas o garoto tinha

sumido. Bat falhou e girou ao redor, olhando. O bando arfou profundamente.

A boca de Maia escancarou. O garoto Caçador de Sombras estava sobre o balcão, pés plantados separados.
Ele realmente parecia como um anjo vingador se preparando para enviar sua justiça divina vinda do alto,
como os Caçadores de Sombras pretendem fazer. Então ele estendeu uma mão e curvou seus dedos em
direção a si mesmo, rapidamente, um gesto familiar para ela vindo de brincadeiras como pique-pega – e o
bando correu para ele.

Bat e Amabel pularam por cima do balcão, o garoto deu a volta, tão rapidamente que seu reflexo no espelho
atrás do balcão pareceu apenas um borrão. Maia viu ele chutar, e então os dois foram jogados ao chão em
uma rajada de vidros estilhaçados. Ele podia ouvir o garoto rindo, mesmo enquanto alguém vinha para
cima e pulava nele, ele mergulhou no meio da multidão com uma fácil disposição e, em seguida, ela não
pode vê-lo em lugar algum, apenas um tumulto de braços e pernas se agitando. Ainda assim ela pensou que
podia ouvi-lo rindo, mesmo quando o metal relampejou - uma ponta de uma faca – e ela ouviu a si mesma
sugando a respiração.

“Já chega.”

Era a voz de Luke, quieta, constante como a batida do coração. Era estranho como você sempre sabia que
era a voz do líder do bando. Maia se virou e viu ele parado a entrada do bar, uma mão contra a parede. Ele
parecia não apenas cansado, mas arrasado, como se alguma coisa estivesse rasgando ele por dentro; ainda
assim sua voz era calma enquanto ele dizia de novo, “ Já chega. Deixe o garoto em paz.”

O bando se dissolveu se afastando para longe do Caçador de Sombras, deixando apenas Bat ainda de pé ali,
desafiando, uma mão ainda segurando a parte de trás da camisa do Caçador de Sombras, a outra segurando
uma faca curta. O garoto estava sangrando – mas dificilmente parecia com alguém que precisava de ajuda;
ele estava sorrindo um riso tão perigoso – como os vidros quebrados que descansavam no chão. “Ele não é
um garoto,” Bat disse, “Ele é um Caçador de Sombras.”

“Eles são bem-vindos o suficiente aqui,” Luke disse, seu tom neutro.” Eles são os nossos aliados.”

“Ele disse que não importava”, Bat disse com raiva. “ Por Joseph...”

“Eu sei,” Luke disse quietamente. Seus olhos moveram-se para o garoto loiro.” Você veio aqui só para
arrumar um briga, Jace Wayland?”

O garoto – Jace – sorriu, esticando a divisão de seu lábio tanto que um fino fio de sangue correu abaixo de
seu queixo. “Luke.”

Bat, parou ao ouvir o primeiro nome do líder do bando vindo da boca do Caçador de Sombras, largando a
parte de trás da camisa de Jace. “Eu não sabia...”

“Não há nada para saber,” Luke disse, o cansaço em seus olhos entorpecendo dentro de sua voz.

Freaky Pete falou, sua voz ressonando grave. “Ele disse que a Clave não liga para a morte de um simples
licantropo, mesmo uma criança. E isso uma semana depois dos Acordos, Luke.”

“Jace não fala pela Clave,” Luke disse, “e não há nada que ele possa fazer mesmo se ele quisesse. Estou
certo?”

Ele olhou para Jace, que estava muito pálido. “Como você...”

“Eu sei o que aconteceu,” Luke disse. “Com Maryse.”

“Jace ficou tenso, e por um momento Maia viu através o Daniel – como diversão selvagem para o que
estava abaixo, e era sombrio e agonizante e lembrou ela mais dos seus próprios olhos no espelho do que seu
irmão. “Quem disse a você? Clary?”

“Clary, não.” Maia nunca tinha ouvido Luke falar aquele nome antes, mas ele disse ele com um tom que
implicava que esta era alguém especial para ele, e para o garoto Caçador de Sombras também.”Eu sou o
líder do bando, Jace. Eu ouço coisas. Agora venha. Vamos ao escritório de Pete para conversar.”

Jace hesitou por um momento antes de dar os ombros. “Tudo bem,” ele disse “mas você me deve pelo
uísque que eu não bebi.”

“Aquele era o meu último palpite,”Clary disse com um suspiro frustrado, mergulhando abaixo nos degraus
externos do Metropolitan Museu de Arte, olhando desconsolada a Quinta Avenida.

“Esse foi um bom,” Simon sentou ao lado dela, estendendo as pernas longas em frente a ele. “ Quero dizer,
ele é um cara que gosta de armas e de matar, então porque não a maior coleção de armas de toda a cidade?
E, à propósito, eu estou sempre à disposição para uma visita a Armas e Armaduras. Me dá idéias para a
minha campanha.

Ela olhou para ele com surpresa. “Você ainda está jogando com Eric, Kirk e Matt?”

“Claro. Porque eu não estaria?”

“Eu pensei que os jogos perderiam alguma atração desde que você...” Desde que a nossa vida real começou
a reproduzir uma de suas campanhas. Completa com mocinhos, vilões, mágica realmente asquerosa, e
importantes objetos encantados que você tinha que achar se você quisesse vencer o jogo.

Exceto que em um jogo os mocinhos sempre venciam, derrotava os vilões e voltavam para casa com o
tesouro. Considerando que na vida real, eles perderam o tesouro, e as vezes, Clary não tinha certeza, na
verdade, de quem eram os mocinhos e os vilões.

Ela olhou para Simon e sentiu uma onda de tristeza. Se ele desistisse de jogar, seria sua culpa, assim como
tudo o que tinha acontecido na semana passada ter sido sua culpa. Ela lembrou do seu rosto branco na pia
aquela manhã, pouco antes dele ter beijado ela.

“Simon...” ela começou.

“Agora mesmo eu sou um clérigo meio troll que busca vingança sobre os Mineradores que mataram sua
família.” ele disse alegremente. “É incrível.”

Ela riu justo quando seu telefone tocou. Ela cavou dentro de seu bolso e o abriu; era Luke. “Nós não
encontramos ele,” ela disse, antes que ele pudesse dizer alô.

“Não. Mas eu encontrei.”

Ela sentou ereta. “Você está brincando. Ele está aí? Eu posso falar com ele?” Ela captou um vislumbre de
Simon olhando para ela severamente e então baixou a voz. “Ele está bem?”

“A maior parte.”

“O que você que dizer com a maior parte?”

“Ele puxou uma briga com um bando de lobisomens. Ele teve alguns cortes e contusões.”

Clary semicerrou os olhos. Porque, ah, porque, Jace tinha puxado briga com um bando de lobisomens? O
que tinha possuído ele? Então de novo, foi Jace.

Ele escolhia puxar uma briga com uma carreta se a compulsão o tomasse.

“Eu acho que você deveria vir aqui,” Luke disse.”Alguém tem que colocar juízo nele e eu não estou tendo
muita sorte.”

“Onde você está?” Clary perguntou.

Ele disse a ela. Um bar chamado Caçadores da Lua na rua Hester. Ela se peguntou se aquilo era encantado.
Fechando seu telefone, ela se virou para Simon que estava encarando ela com as sobrancelhas levantadas.

“ O pródigo retornou?”

“ Mais ou menos,” ela se mexeu em seus pés e alongou suas pernas cansadas, mentalmente calculando
quanto tempo levaria para chegar a eles em um trem para Chinatown e se valer da importância guardada,
que Luke tinha dado a ela para um táxi. Provavelmente não, ela decidiu - se eles ficassem presos no tráfico
isso levaria mais tempo do que indo de metrô.

“...ir com você?” Simon terminou, em pé. Ele estava no degrau abaixo do dela, o que deixava eles quase da
mesma altura. “O que você acha?”

Ela abriu sua boca, então a fechou de novo rapidamente. “Éé...”

Ele soou resignado. “Você não ouviu uma palavra do que eu disse nos últimos dois minutos, ouviu?”

“Não,” ela admitiu. “Eu estava pensando em Jace. Aquilo pareceu como se ele estivesse mau. Desculpe.”

Seus olhos castanhos escureceram. “Eu levar você correndo para curar as feridas dele?”

“Luke me pediu para ir,” ela disse. “Eu estava esperando que você viesse comigo.”

Simon chutou o degrau abaixo com seu pé calçado..”Eu vou, mas...porquê? Luke não pode levar Jace para o
Instituto sem sua ajuda?

“Provavelmente. Mas ele acha que Jace estará disposto a falar comigo sobre o que aconteceu antes.”

“Eu pensei que talvez nós pudéssemos fazer alguma coisa hoje a noites,”Simon disse. “Algo divertido. Ver
um filme. Ir jantar no centro.”

Ela olhou para ele. À distância, ela podia ouvir a água caindo dentro de uma fonte do museu. Ela pensou na
cozinha da casa dele, suas mãos úmidas em seu cabelo, mas aquilo tudo parecia muito distante, mesmo
pensando que ela podia ver a cena – do jeito que você pode relembrar um acontecimento em uma fotografia,
sem realmente se relembrar do acontecimento em si por mais tempo.

“Ele é meu irmão,” ela disse, “Eu tenho que ir.”

Simon pareceu como se estivesse muito cansado até mesmo para suspirar.”Então eu vou com você.”

A escritório interno do Caçador de lua era embaixo de uma estreito corredor cheio de serragem. Aqui e ali a

serragem era marcada por pegadas e manchadas com um líquido escuro que não se parecia com cerveja. O
lugar todo cheirava a fumo e sordidez, e um pouquinho – Clary tinha que admitir isso, embora ela não teria
dito isso a Luke – cachorro molhado.

“Ele não está de muito bom humor,” Luke disse, parando em frente a porta fechada. “ Eu tranquei ele no
escritório de Freaky Pete, depois que ele quase matou metade do meu bando com suas mãos. Ele não falou
comigo, então” - Luke deu de ombros - “eu pensei em você.” Ele olhou para as confusas caras de Clary e
Simon. “O que?”

“Eu não posso acreditar que ele veio aqui,” Clary disse.

“Eu não acredito que você conhece alguém chamado Freaky Pete,” Simon disse.

“Eu conheço um monte de pessoas.” Luke disse, ' “ Não que Freaky Pete seja estritamente pessoa, mas eu
dificilmente posso falar disso. Ele moveu a porta do escritório aberta. Dentro era uma simples sala, sem
janelas, as paredes com flâmulas de esportes penduradas. Havia papel espalhado na mesa baixa pesada com
um pequeno móvel para tv, e atrás daquilo estava Jace.

No momento em que a porta se abriu, Jace agarrou um lápis amarelo deitado sobre a mesa e o jogou. Ele
flutuou pelo ar e atingiu a parede ao lado da cabeça de Luke, onde se prendeu,vibrando. Os olhos de Luke
se esbugalharam.

Jace sorriu ligeiramente.”Desculpe, eu não percebi que era você.”

Clary sentiu seu coração contrair. Ela não tinha visto Jace por estes dias, e ele de alguma forma parecia
diferente – não apenas o rosto ensangüentado e as contusões, que eram claramente novas, mas a pele em seu
rosto parecia esticada, os ossos mais proeminentes.

Luke indicou Simon e Clary com um aceno de sua mão. “Eu trouxe algumas pessoas para ver você.”

Os olhos de Jace se moveram para eles. Eles estavam como em branco como se alguem tivesse pintado por
cima. “Infelizmente”, ele disse,”Eu tinha só um lápis.”

“Jace...”Luke começou.

“Eu não quero ele aqui.”Jace moveu seu queixo em direção a Simon.

“Isso não é justo.” Clary estava indignada. Ele tinha esquecido que aquele Simon foi quem salvou a vida de
Alec, possivelmente toda as suas vidas?”

“Fora, mundano,”Jace disse, apontando para a porta.

Simon acenou uma mão. “Tudo bem. Eu vou esperar no corredor.”Ele saiu, deixando de bater a porta
fechada atrás dele, embora Clary pudesse dizer que era o que ele queria.

Ela se virou para Jace. “ Você tem que ser tão...,” ela começou, mas parou quando viu seu rosto. Ele parecia
desgastado, estranhamente vulnerável.

“Desagradável?” ele terminou para ela. “Só nos dias quando minha mãe adotiva me atira fora de casa com
instruções para nunca mais obscurecer sua porta novamente. Normalmente, eu sou notavelmente bondoso.
Experimente-me em qualquer dia que não termina em a.
*N/T: uma piada aqui, ele diz qualquer dia que não termine com y. Em inglês não há nenhum dia da semana
que não termine com y. Tive que adaptar + ou -

Luke fez uma carranca. “Maryse e Robert Lightwood não são minhas pessoas preferidas, mas eu não
acredito que Maryse faria isso.”

Jace olhou surpreso. “Você os conhece? Os Lightwoods?”

“Eles estavam no Círculo comigo,” Luke disse. “Fiquei surpreso quando ouvi que eles lideravam o
Instituto aqui. Parece que eles fizeram algum tipo de acordo com a Clave, depois da Revolta, para assegurar
algum tipo de tratamento indulgente para eles mesmos, enquanto Hodge – bem, nós sabemos o que
aconteceu com ele.” Ele ficou em silêncio por um momento. “ Maryse disse o porquê dela esta exilando
você, por assim dizer.?”

'Ela não acredita que eu pensava que era filho de Michael Wayland.. Ela me acusou de estar nisso com
Valentine por todo esse tempo – dizendo que eu o ajudei a fugir com a Taça Mortal.”

“Então porque você ainda ficaria aqui?”Clary perguntou. “Porque você não fugiu com ele?”

“Ela não disse, mas eu suspeito que ela pensa que eu fiquei para ser um espião. Uma víbora em seus
corações. Não que ela usasse a palavra “corações”, mas o pensamento estava lá.”

“Um espião para Valentine?” Luke pareceu consternado.

“Ela pensou que Valentine assumiria que por causa de sua afeto a mim, ela e Robert iriam acreditar em
qualquer coisa que eu dissesse. Então Maryse decidiu que a solução daquilo era não ter nenhuma afeição por
mim.”

“Afeto não funciona desse jeito.” Luke balançou sua cabeça.”Você não pode desligá-lo, como uma torneira.
Especialmente se você é um pai.”

“Eles não são realmente meus pais.”

“Há mais parentesco do que sangue. Eles foram seus pais por sete anos de todas as maneiras que importam.
Maryse apenas está machucada.”

“Machucada?” Jace pareceu incrédulo. “Ela está ferida?”

“Ela amava Valentine, lembre-se,” Luke disse. “Como todos nós amávamos. Ele a machucou bastante. Ela
não quer que seu filho faça o mesmo. Ela se preocupa se você mentiu para eles. Aquela pessoa que ela
pensava que era todos estes anos, era um ardil, um truque. Você tem que tranqüilizar ela. ”

A expressão de Jace era uma mistura perfeita de teimosia e espanto. “Maryse é uma adulta! Ela não precisa
que eu tranqüilize ela.”

“Ah, vamos lá Jace,”Clary disse. “Você não pode esperar por um comportamento perfeito de todos. Adultos
também vacilam. Volte para o Instituto e fale com ela racionalmente. Seja um homem.

“Eu não quero ser um homem,”Jace disse. “Eu quero ser um adolescente fugitivo frustrado que não pode
confrontar com seus próprios demônios internos e em vez de botá-los pra fora verbalmente sobre as
pessoas.”

“Bem,” Luke disse, “você está fazendo um trabalho fantástico.”

“Jace”, Clary disse precipitadamente, antes que eles pudessem começar uma briga mais séria,”você tem que
voltar para o Instituto. Pense em Alec e Izzy, pense no que isso irá fazer com eles.”

“Maryse vai fazer alguma coisa para acalmar eles. Talvez ela vá dizer que eu fugi.”

“Isso não vai funcionar,” Clary disse. “Isabelle parecia fora de si ao telefone.”

“Isabelle sempre parece fora de si,” Jace disse, mas ele pareceu satisfeito. Ele se inclinou atrás na cadeira.
As contusões ao longo de sua mandíbula e do osso molar se destacavam como escuras e disformes marcas
contra sua pele. “Eu não vou voltar para um lugar onde não sou digno de confiança. Eu não tenho mais 10
anos. Eu posso cuidar de mim mesmo.”

Luke o olhou como se não tivesse certeza sobre isso. “Para onde você vai?” Como você vai viver?”

Os olhos de Jace brilharam.” Eu tenho dezessete. Praticamente um adulto. Qualquer adulto Caçador de
sombras tem o direito de...”

“Qualquer adulto. Mas você não é um. Você não pode receber um salário da Clave porque você é muito
jovem, e o fato de que os Lightwoods são obrigados pela Lei a cuidarem de você. Se eles não o fizerem,
alguém será nomeado ou..”

“Ou o quê?” Jace saltou da cadeira.” Eu irei para um orfanato em Idris? Ser despejado em alguma família
que eu nunca conheci? Eu posso conseguir um emprego no mundo mundano por um ano, viver como um
deles...”

“ Não você não pode,” Clary disse. “Eu tenho que convir , Jace, eu fui um deles. Você é jovem demais para
qualquer emprego que você queira e, além disso, as habilidades que você tem -bem, a maioria dos
assassinos profissionais são mais velhos que você. E eles são criminosos.”

“Eu não sou um assassino.”

“Se você vivesse no mundo mundano,” Luke disse. “isso era tudo o que você seria.”

Jace enrijeceu, sua boca apertando, e Clary sabia que as palavras de Luke tinha acertado ele onde
machucava,. “Você não entendeu,” ele disse, um súbito desespero em sua voz. “Eu não posso voltar. Maryse
quer que eu diga que eu odeio Valentine. E eu não posso fazer isso.”

Jace levantou seu queixo, sua mandíbula apertada, seus olhos em Luke como se ele meio que esperasse que
o homem mais velho respondesse com escárnio ou mesmo horror. Depois de tudo, Luke teria mais razões de
odiar Valentine do que qualquer outra pessoa no mundo.

“Eu sei.” Luke disse.”Eu amei ele uma vez também.”

Jace exalou, quase um som de alívio, e Clary pensou de repente. Este é o porquê ele veio aqui, para este
lugar. Não apenas para começar uma briga, mas para encontrar Luke. Porque Luke iria entender. Não que
tudo o que Jace fazia era insano e suicida, ela lembrou a si mesma. Isso apenas parecida daquele jeito.

“Você não deveria exigir de si odiar a seu pai, “Luke disse. “Nem mesmo para tranqüilizar Maryse. Ela
devia compreender.”

Clary olhou fixamente para Jace, tentando ler sua face. Era como ler um livro em língua estrangeira que ela
tinha estudado muito brevemente. “Ela realmente disse que iria querer você de volta?” Clary perguntou. “Ou
você apenas presumiu que foi isso que ela quis dizer, de modo que você saiu?

“Ela disse que seria provavelmente melhor se eu encontrasse alguma outro lugar para ficar por enquanto,”
Jace disse. “Ela não disse onde.”

“Você vai dar uma chance a ela?” Luke disse.”Olha Jace. Você é totalmente bem vindo para ficar comigo o
quanto você precisar. Eu quero que você saiba disso.”

O estômago de Clary revirou. A idéia de Jace na mesma casa em que ela vivia, sempre próximo, encheu ela
com uma mistura de exultação e horror.

“Obrigado,” Jace disse. Suas voz era calma, mas seus olhos tinham ido instantaneamente, sem resposta,
para Clary, e ela podia ver neles a mesma mistura de emoções que ela sentia. Luke
ela pensou. As vezes eu queria que você não fosse tão generoso. Ou tão cego.

“Mas,” Luke continuou, “Eu acho que você deveria pelo menos voltar ao Instituto por tempo suficiente para
falar com Maryse e descobrir o que realmente está acontecendo. Parece como se houvesse mais do que isso
o que ela está lhe dizendo. Mas, talvez, do que você esteja disposto a ouvi.”

Jace afastou o olhar de Clary. “Tudo bem.” Sua voz era rouca. “Mas com uma condição. Eu não quero ir
sozinho.”

“Eu vou com você.” Clary disse rapidamente.

“Eu sei.” A voz de Jace era baixa. “E eu quero que você vá. Mas eu quero que Luke venha também.”

Luke pareceu assustado. “Jace, eu tenho vivido aqui por quinze anos e nunca fui ao Instituto. Nem uma vez.
Duvido que Maryse vai apreciar eu...”

“Por favor,” Jace disse, e embora sua voz fosse estável e ele falasse quietamente, Clary podia sentir, como
uma coisa palpável, o orgulho que ele tinha lutado para dizer cada palavra.

“Tudo bem.” Luke acenou, o sinal que o líder do bando utilizava para fazer o que ele tinha que fazer. “Então
eu vou com você.”

Simon se inclinou contra a parede no corredor do lado de fora do escritório de Pete e tentou não sentir pena
de si mesmo.

O dia tinha começado bem. Bastante bem, a propósito. Primeiro, tinha sido tão ruim o episódio com o filme
de Drácula na televisão fazendo ele se sentir doente e fraco, trazendo todas as emoções, os anseios, ele os
tentou afastar e esquecer isso. Então, de alguma maneira a doença tinha acertado a ponta de seus nervos e
ele se encontrou beijando Clary da forma que ele queria a tantos anos. As pessoas diziam que as coisas
nunca saiam da forma como você imaginava que seria. As pessoas estavam erradas.

E ela tinha beijado ele de volta....

Mas agora ela estava lá com Jace, e Simon tinha um golpeante, sentimento girando em seu estômago, como
se ele engolisse uma tigela cheia de vermes. Ele não tinha sido sempre daquele jeito sobre Clary. Ele nunca
pressionou ela, nunca empurrou seus sentimentos sobre ela. Ele sempre teve a certeza que um dia ela ria
acordar de seus sonhos de príncipes animados e heróis de kung fu e perceberia o que era óbvio em ambos:
Eles pertenciam um ao outro. E se ela não parecesse que estivesse interessada em Simon, pelo menos ela
não parecia interessada em ninguém mais.

Até Jace. Ele se lembrou quando estava sentado no degraus da varanda da casa de Luke, observando Clary

enquanto ela explicava para ele quem Jace era, o que ele fazia, enquanto Jace examinava suas unhas e
parecendo superior. Simon mal tinha escutado ela. Ele tinha estado muito ocupado notando como ela olhava
para o garoto loiro com as estranhas tatuagens e sua angular e linda face. Muito bonita, Simon tinha
pensado, mas Clary claramente não tinha pensado assim: Ela olhava para ele como se ele fosse um dos seus
heróis animados vindo à vida. Ele nunca tinha visto ela olhar ninguém daquele jeito antes, e tinha sempre
pensado que se ela o fizesse, isso seria para ele. Mas não foi, e aquilo doeu mais do que ele tinha imaginado
que pudesse doer.

Descobrir que Jace era o irmão de Clary foi como estar marchando em frente a um pelotão de fuzilamento e
então ser dado uma prorrogação no último minuto. De repente o mundo parecia cheio de possibilidades
novamente.

Agora ele não tinha certeza.

“Ei, você.” Alguém estava vindo pelo corredor, um alguém não muito alto que estava escolhendo seu
caminho entre o sangue salpicado. “Você está esperando para ver Luke? Ele está ai dentro?”

“Não exatamente.” Simon se afastou da porta. “Quero dize, mais ou menos. Ele está aí com uma amiga
minha.”

A pessoa, que tinha acabado de alcançá-lo, parou e o olhou. Simon podia ver quer era uma garota, cerca de
dezesseis anos, com uma suave pele marrom. Seu cabelo castanho dourado era trançado próximo a cabeça
dela em dezenas de pequenas tranças, e seu rosto era quase que exatamente do formato de um coração. Ela
tinha um corpo compacto e curvilíneo, quadris grandes alargados por uma cintura fina. “Aquele cara do bar?
O Caçador de Sombras?”

Simon encolheu os ombros.

“Bem, eu odeio te dizer isso,” ela disse, “mas seu amigo é um imbecil.”

“Ele não é meu amigo,” Simon disse. “ E eu não posso concordar mais com você, na verdade.”

“Mas eu pensei que você disse...”

“Eu estou esperando pela irmã dele,”Simon disse. “Ela é minha melhor amiga.”

“E ela está lá com ele agora mesmo?”A garota indicou seu dedo em direção a porta. Ela usava anéis em
cada um de seus dedos, parecendo primitivos as bandas pareciam marteladas em bronze e ouro. Os jeans
dela eram usados, mas limpos e quando ela virou sua cabeça, ele viu uma cicatriz que corria ao longo de seu
pescoço, um pouco acima do colarinho da sua camiseta. “Bem,” ela disse com ressentimento, “Eu sei um
pouco sobre irmãos idiotas. Eu aposto que não é culpa dela.”

“Não é,” Simon disse. “Mas ela talvez seja a única pessoa que ele pode ouvir.”

“Ele não me convence que seja o tipo que escuta,” disse a garota, e pegando o seu olhar de esguelha com um
olhar dela mesma. Diversão flutuou sobre seu rosto. “Você está olhando a minha cicatriz. É onde eu fui
mordida“

“Mordida? Você quer dizer que você é uma...”

“Um lobisomem,” a garota disse. “Como todo mundo aqui. Exceto você, e o idiota. E a imã do idiota.”

“ Mas você não são foi sempre um lobisomem. Quero dizer, você não nasceu um.”

“A maioria de nós não,” a garota disse. “Isso é o que nos faz diferente do seu colega Caçador de Sombras.”

“O que?”

Ela sorriu rapidamente. “Nós fomos humanos uma vez.”

Simon não disse nada para isso. Após um momento a garota estendeu sua mão. “Eu sou Maia.”

“Simon.” Ele apertou a mão dela. Ela estava seca e macia. Ela olhou acima para ele através de seus cílios
castanhos dourados, a cor da manteiga derretida. “Como você sabe que Jace é um idiota?” ele disse.” Ou
talvez eu deva dizer, como você descobriu?”

Ela retirou sua mão. “Ele quebrou o bar. Esmurrou meu amigo Bat, E até deixou alguns do bando
inconscientes.

“Eles estão bem?” Simon estava alarmado. Jace não parecia perturbado, mas conhecendo ele, Simon não
tinha dúvida que ele poderia matar várias pessoas em uma única manhã e ir lá fora mais tarde para o café da
manhã.”Eles podem ir a um médico?”

“Um bruxo,” disse a garota. “Nós, da nossa espécie, não temos muito a fazer com os médicos mundanos.”

“Downworlders”

Suas sobrancelhas se elevaram. “Alguém ensinou a você todo o linguajar, não é?

Simon ficou irritado. “Como você sabe que eu não sou deles? Ou de vocês? Um Caçador de Sombras ou um
Downworlder, ou...”

Ela balançou sua cabeça até suas tranças se agitarem. “É só o brilho vindo de você,” ela disse, um pouco
amargamente.”sua humanidade,”

A intensidade em sua voz fez quase ele estremecer. “Eu poderia bater na porta,” ele sugeriu, sentindo
subitamente deslocado. !Se você quiser falar com Luke.”

Ela encolheu os ombros. “Basta lhe dizer que Magnus está aqui, checando a cena no beco.” Ele deve ter
parecido assustado, porque ela disse, “Magnus Bane. Ele é um bruxo.”

Eu sei, Simon quis dizer, mas não o fez. Toda a conversa havia sido estranha o suficiente por agora. “Ok”.

Maia se virou com se para se afastar, mas parou na metade do caminho no fundo do corredor, uma mão
sobre a batente da porta. “Você acha que ela será capaz de falar algo sensato para ele?” ela perguntou. “Sua
irmã?”

“Se ele ouve alguém, esse seria ela.”

“Isso é doce,” Maia disse. “Que ele ame sua irmã desse jeito.”

“Yeah,” Simon disse. “É precioso.”

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