sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 12

12- A hostilidade dos sonhos
Simon observou Clary enquanto ela se inclinava contra a geladeira, mordendo seu lábio como ela sempre
fazia quando estava chateada. Frequentemente ele se esquecia do quão pequena ela era, quão franzina e
frágil, mas em horas como essa – hora quando ele queria por seus braços em torno dela – ele se retraiu pelo
pensamento de que segurar ela muito forte poderia machucá-la, especialmente agora quando ele não sabia
sua própria força.
Jace, ele sabia, não se sentia assim. Simon tinha observado com uma doentia sensação em seu estômago,
incapaz de olhar para longe, quando Jace tinha tomado Clary nos braços dele e beijado ela com tanta força
que Simon tinha pensado que um ou os ambos pudessem se quebrar. Ele tinha abraçado ela como se ele
precisasse esmagá-la dentro dele, como se ele pudesse dobrar os dois em uma pessoa.
“Simon.” A voz dela trouxe ele de volta a terra. “Simon, você está me escutando?”
“O que? Sim, eu estou. É claro.” Ele se encostou na pia, tentando parecer como se ele estivesse prestando
atenção. A torneira estava pingando, o que momentaneamente distraiu ele novamente – cada gota prateada
de água parecia cintilar, em formato de lágrima e perfeita, um pouco antes dela cair. A visão do vampiro era
uma coisa estranha, ele pensou. Sua atenção mantinha-se presa nas coisas mais comuns - o brilho da água,
as rachaduras transparecendo em um pedaço de pavimento, o brilho do óleo em uma pista – como se ele
nunca tivesse visto elas antes.
“Simon!” Clary disse novamente, exasperada. Ele tinha notado que ela estava segurando alguma coisa rosa e
metálica para ele. O novo celular dela.” Eu disse que eu quero que você ligue para Jace.”
Aquele tapa trouxe ele de volta a atenção. “Eu ligar para ele? Ele me odeia.”
“Não, ele não,” ela disse, apesar dele poder dizer pelo olhar nos olhos dela que ela só meio que acreditava
nisso. “Alem do mais, eu não quero falar com ele. Por favor?”
“Ótimo.” Ele pegou o telefone da mão dela e o percorreu para o número de Jace.
“O que você quer que eu fale?”
“Só diga a ele o que aconteceu. Ele vai saber o que fazer.”
Jace pegou o telefone no terceiro toque, soando sem respiração.”Clary,” ele disse, assustando Simon até que
ele percebeu que é claro que o nome de Clary teria aparecido no telefone de Jace. “Clary, você está
bem?”Simon hesitou. Havia um tom na voz de Jace que ele nunca tinha ouvido antes, uma preocupação
ansiosa desprovida de sarcasmo ou defesa. Era o como ele fala com Clary quando eles estão sozinhos?
Simon olhou para ela, ela estava observando ele com largos olhos verdes, mordendo inconscientemente a
unha do indicador direito.
“Clary.” Jace novamente. “eu pensei que você estivesse me evitando...”
Um flash de irritação acertou Simon. Você é irmão dela, ele queria gritar na linha de telefone, e ponto final.

Você não pertence a ela. Você não tem o direito de soar assim tão...tão.”
Coração partido.
Aquela era a palavra. Apesar de ele nunca pensar em Jace tendo um coração para se partir.
“Você está certo,” ele disse finalmente, sua voz fria.”Ela ainda está. Aqui é o Simon”
Houve um tipo de longo silêncio que Simon se perguntou se Jace tinha largado o telefone.
“Alô?”
“Eu estou aqui.” A voz de Jace era seca e fria como as folhas no outono, toda vulnerabilidade sumiu. “Se
você está me ligando só para bater um papo, mundano, você deve estar mais solitário do que eu pensava.”
“Acredite-me, eu não te ligaria se eu tivesse uma escolha. Eu estou fazendo isso por causa da Clary.”
“Ela está bem?” A voz de Jace ainda era seca e fria mas com um beira naquilo agora, as folhas de outono
cobertas com um resplendor de gelo duro.”Se alguma coisa aconteceu com ela...”
“Nada aconteceu com ela.” Simon lutou para manter a raiva fora de sua voz. Tão breve quanto ele podia, ele
deu a Jace um resumo dos eventos da noite e a condição resultante de Maia. Jace esperou ate´que ele
terminasse, então expressou um conjunto de curtas instruções. Simon escutou em confusão e se encontrou a
si mesmo acenando, antes notando que é claro que Jace não podia ver ele. Ele começou a falar e percebeu
que ele estava escutando em silêncio; o outro garoto tinha desligado. Sem palavras, Simon fechou o
telefone e o deu para Clary. “Ele está vindo pra cá.”
Ela caiu contra a pia. “Agora?”
“Agora. Magnus e Alec vão estar com ele.”
“Magnus?” ela disse desorientadamente, e então, “Oh, é claro. Jace tem ficado com Magnus. Eu estava
pensando que ele estava no Instituto, mas é claro que ele não estaria lá. Eu...”
Um grito pungente vindo da sala de estar interrompeu ela. Seus olhos se alargaram. Simon sentiu o cabelo
de seu pescoço subirem como fios. “Está tudo bem,” ele disse, tão tranqüilizante ele podia. “Luke não
machucaria Maia.”
“Ele está machucando ela. Ele não tem escolha,” Clary disse. Ela estava balançando sua cabeça. “É como é
nestes dias. Nunca há nenhuma escolha.” Maia chorou novamente e Clary agarrou o canto do balcão como
se ela estivesse em dor. “Eu odeio isso!” ela botou pra fora. “Eu odeio tudo isso! Sempre estando assustada,
sempre estando caçada, sempre se perguntando quem vai ser o próximo a se machucar. Eu queria poder
voltar do jeito que as coisas costumavam ser!”
“Mas você não pode. Nenhum de nós pode,” Simon disse. “Pelo menos você ainda pode sair na luz do dia.”
Ela se virou para ele, seus lábios separados, seus olhos grandes e escuros.”Simon, eu não queria...”
“Eu sei que você não.” Ele se voltou para longe, sentindo como se tive alguma coisa presa em sua garganta.
“Eu estou indo ver o que eles estão fazendo.” Por um momento ele pensou que ela fosse seguir ele, mas ela
deixou a porta da cozinha fechada entre eles sem protestar.
Todas as luzes estavam acessas na sala de estar. Maia deitada os rosto cinza no sofá, o cobertor que ele
tinha trazido puxado sobre seu peito. Ela estava segurando uma bucha de tecido contra seu braço direito; o

tecido estava parcialmente ensopado com sangue. Os olhos dela fechados.
“Onde está Luke?” Simon disse, então recuou, se perguntando se seu tom era muito duro, muito exigente.
Ela parecia horrível, seus olhos afundados em buracos cinza, sua boca apertada com a dor.
Seus olhos flutuaram abertos e fixaram-se nele. “Simon,” ela respirou. “Luke foi lá fora para remover o
carro do gramado. Ele estava preocupado com os vizinhos.”
Simon olhou para a janela. Ele podia ver a varredura dos faróis passando pela casa enquanto Luke colocava
o carro na garagem. “Como você está?” ele perguntou. “Ele tirou aquelas coisas do seu braço?”
Ela acenou vagarosamente. “Eu estou só cansada,” ela sussurrou por seus lábios rachados. “E ... sede.”
“Eu vou pegar água.” Havia um jarro de água e uma pilha de copos na estante ao lado da mesa da sala de
estar. Simon derramou um copo cheio do líquido tépido e trouxe ele para Maia. As mãos dele estavam
tremendo ligeiramente e um pouco de água foi derramada enquanto ela pegava o copo dele. Ela estava
levantando sua cabeça, para dizer alguma coisa – Obrigada, provavelmente – quando seus dedos se
tocaram, ela estremeceu tão duramente que o copo saiu voando. Ele bateu no canto da mesa de café e
estilhaçou, esparramando a água através do piso de madeira polida.
“Maia. Você está bem?”
Ela se encolheu para longe dele, seus ombros pressionados contra a parte de trás do sofá, ela puxou seus
lábios libertando seus dentes. Seus olhos tinha ido para amarelo luminoso. Um baixo rosnar veio de sua
garganta, o som de um cachorro encurralado no canto.
“Maia?” Simon disse novamente, horrorizado.
“Vampiro,” ela rangeu.
Ele sentiu sua cabeça dura para trás, como se ela tivesse batido nele. “Maia...”
“Eu pensei que você fosse humano. Mas você é um monstro. Um parasita sanguessuga.”
“Eu sou um humano...quero dizer, eu era humano. Eu me transformei. Há poucos dias atrás.” Sua mente
estava nadando; ele se sentia tonto e doente. “Assim como você foi...”
“Nunca se compare a mim!” Ela tinha lutado para uma posição sentada, aqueles medonhos olhos amarelos
ainda nele, esquadrinhando ele com seu desgosto. “ Eu ainda sou humana, ainda viva...você é uma coisa
morta que se alimenta de sangue.”
“Sangue animal...”
“Só porque você não pode conseguir humano, ou os Caçadores de Sombras iriam queimar você vivo...”
“Maia,” ele disse, e seu nome em sua boca era meio furioso e meio um pedido, ele deu um passo na direção
dela, e a mão dela chicoteou, as unhas lançando-se fora como garras, subitamente impossivelmente longas.
Elas rasparam sua bochecha, enviando ele vacilante para trás, sua mão presa em seu rosto. Sangue corria de
sua bochecha, para sua boca. Ele provou o gosto de sal e seu estômago rugiu.
Maia estava encolhida no braço do sofá agora, seus joelhos dobrados, dedos arranhando deixando profundas
talhos na camurça cinza. Um baixo rugido verteu de sua garganta e suas orelhas estavam longas e planas
contra sua cabeça. Quando ela desnudou seus dentes, eles eram afiadamente denteados – não pontiagudos –

finos como os dele, mas fortes, caninos brancamente apontados. Ela tinha caído e o tecido ensangüentado
que ela tinha embrulhado seu braço e ele pode ver as perfurações onde os espinhos tinham estado, o
lampejo de sangue, transbordando, derramando...
Uma dor aguda em seu lábio inferior disse a ele que suas presas tinha deslizado de suas bainhas. Uma parte
dele queria lutar com ela, jogar ela abaixo a e perfurar sua pele com seus dentes, engolir seu sangue quente.
O resto dele sentia como se ele estivesse gritando. Ele deu um passo para trás e então outro, suas mãos
acima como se ele pudesse segurar ela para trás.
Ela se retesou para saltar, justo quando a porta da cozinha voou aberta e Clary explodiu dentro da sala. Ela
pulou para a mesa de café, aterrissando suavemente quanto um gato. Ela segurava algo em sua mão, alguma
coisa que luziu um brilho branco prata quando ela levantou seu braço . Simon viu que era uma adaga tão
elegantemente curvada quanto as asas de um pássaro; uma adaga que chicoteou passando o cabelo de Maia,
a milímetros de seu rosto, e afundou até o cabo na camurça cinza. Maia tentou se empurrar para longe e
arfou; a lâmina passou a manga dela e a pregou no sofá.
Clary puxou a lâmina de volta. Era uma de Luke. No momento que ela se lançou da cozinha e pegou um
olhar do que estava acontecendo na sala de estar, ela foi direto a sala de armas pessoal que ele mantinha em
seu escritório. Maia poderia estar enfraquecida e doente, mas ela parecia louca o suficiente para matar, e
Clary não tinha dúvidas da habilidades dela.
“Que diabos está acontecendo com você?” Como se vindo a distância, Clary ouviu a si mesma falando, e a
dureza em sua própria voz espantou ela. “Lobisomens, vampiros, ambos são Downworlders.”
“Lobisomens não machucam pessoas, ou uns aos outros. Vampiros são assassinos. Um matou o menino no
Caçador de Lua outro dia...”
“Aquilo não foi um vampiro.” Clary viu Maia empalidecer na certeza em sua voz. “ E se você parasse de
culpar cada um toda hora que acontecer uma coisa ruim no Downworld, talvez os Nephilim iriam começar a
levar vocês à sério e realmente fazer algo sobre isso.” Ela se virou para Simon. Os cruéis cortes em sua
bochecha já estavam se curando nas linhas vermelhas prateadas. “Você está bem?”
 “Sim.” A voz dele era pouco audível. Ela podia ver a dor em seus olhos, e por um momento ela lutou com a
urgência de chamar Maia de vários nomes que não podiam ser escritos. “Eu estou bem.”
Clary virou-se de volta para a garota lobisomem. “Você tem sorte de ele não ser tão preconceituoso quanto
você é, ou eu iria me queixar a Clave e fazer que todo o bando pagasse por seu comportamento.” Com um
forte puxão, ela arrancou a faca perdida, libertando a camiseta de Maia.
Maia se enfureceu. “Você não sacou. Vampiros são o que ele são por que eles estão infestados com energias
demoníacas...”
“Então são licantropos!” Clary disse. “Eu posso não saber muito, mas eu sei disso.”
“Mas esse é o problema. As energias de demônio nos muda, nos faz diferentes – você pode chamar disso de
uma doença ou o que você quiser, mas os demônios que criaram os vampiros e os demônios que criaram os
lobisomens vieram de espécies que estavam em luta uns com o outros. Eles odeiam um ao outro, logo está
em nosso sangue odiar um ao outro também. Nós não podemos evitar. Um lobisomem e um vampiro nunca
poderão ser amigos por causa disso.” Ela olhou para Simon. Seus olhos estavam brilhantes com a raiva e
algo mais. “Você vai começar a me odiar em breve o suficiente,” ela disse. “Você vai odiar Luke também.
Você não será capaz de evitar isso.”
“Odiar Luke?” Simon estava pálido, mas antes que Clary pudesse tranqüilizar ele, a porta da frente bateu

aberta. Ela olhou ao redor, esperando por Luke, mas não era Luke. Era Jace. Ele estava todo de preto, duas
lâminas serafim presas em seu cinto que circulava em seus estreitos quadris. Alec e Magnus estavam bem
atrás dele, Magnus em uma longa capa revolvente que parecia como se ela fosse decorada com pedaços de
vidro estilhaçado.
Os olhos dourados de Jace, com a precisão de um laser fixaram-se imediatamente em Clary. Se ela pensou
que ele poderia parecer defensivo, preocupado, ou até mesmo envergonhado depois de tudo o que tinha
acontecido, ela estava errada. “Tudo nele parecia furioso. “O que,” ele disse com um nítido e deliberado
aborrecimento. “você pensa que está fazendo?”
Clary olhou abaixo para si mesma. Ela ainda estava empoleirada na mesa de café, a faca na mão. Ela lutou
com o desejo de esconder a faca atrás dela. “ Tivemos um incidente. Eu cuidei disso.”
“Realmente.” A voz de Jace gotejava sarcasmo. “Você sabe como usar uma faca Clarissa? Sem perfurar um
buraco em si mesma ou em algum inocente expectador?”
“Eu não machuquei ninguém,” Clary disse entre os dentes.
“Ela esfaqueou o sofá,” Maia disse em uma voz fraca, seus olhos caindo fechados. Suas bochechas ainda
estavam coradas de vermelho com a febre e a raiva, mas o resto de seu rosto estava alarmantemente pálido.
Simon olhou para ela preocupado. “Eu acho que ela está ficando pior.”
Magnus limpou sua garganta. Como Simon não se movia, ele disse, “ Saia do caminho, mundano,” em um
tom de imenso aborrecimento. Ele flutuou sua capa para trás enquanto ele atravessava a sala para onde Maia
estava deitada no sofá.” Eu acho que você é minha paciente?” ele perguntou, olhando abaixo para ela através
de dos cílios encostrados de glitter.
Maia olhou acima para ele com os olhos desfocados.
“Eu sou Magnus Bane,” ele continuou em um tom tranqüilizador, esticando suas mãos aneladas. Faíscas
azuis começaram a dançar entre eles como bioluminescências dançando na água. “Eu sou o bruxo que vai
curar você. Eles não disseram que eu estava vindo?”
“Eu sei quem você é, mas...” Maia parecia confusa. “Você parece tão...tão...cintilante.”
Alec fez uma barulho que soou muito como uma risada sufocada por uma tosse enquanto as finas mãos de
Magnus criavam uma cortina azul brilhante de magia ao redor da garota lobisomem.
Jace não estava rindo.”Onde,” ele perguntou,”está Luke?”
“Ele está lá fora,” Simon disse.”Ele estava movendo o caminho do gramado.”
Jace e Alec trocaram um rápido olhar. “Engraçado,” Jace disse. Ele não soou divertido.”Eu não vi ele quanto
nós viemos pelas escadas.”
Um fino tentáculo de pânico desenrolou como uma folha dentro do peito de Clary. “Você viu a pickup dele?”
“Eu a vi,” Alec disse. “Ela estava na garagem. As luzes estavam apagadas.”
Com aquilo até mesmo Magnus, cuidando do Maia, olhou acima. Através da rede de encantamento que ele
tinha tecido ao redor de si mesmo e da garota lobisomem, suas feições pareciam borradas e indistintas,
como se ele estivem olhando para eles através de água. “Eu não gosto disso,” ele disse, sua voz soando oca e

distante.” Não depois de uma ataque de Drevak. Eles perambulam em bandos.”
A mão de Jace já tinha alcançado uma lâmina serafim. “Eu vou procurar por ele. Alec você fica aqui,
mantenha a casa segura.”
Clary pulou da mesa.”Eu vou com você.”
“Não, você não vai.” Ele se guiou para porta, sem olhar para trás dele para ver se ela estava seguindo.
Ela colocou uma explosão de velocidade e se jogou entre ele e a porta da frente.”Pare.”
Por um momento ela pensou que ele ia manter-se indo mesmo se ele andasse por cima dela, mas ele parou,
a apenas centímetros dela, tão perto que ela podia sentir sua respiração agitar seus cabelos quando ele falou.
“Eu vou te golpear se eu tiver que fazer isso, Clarissa.”
“Pare de me chamar assim.”
“Clary,” ele disse em uma voz baixa, e o som de seu nome em sua boca era tão intimo que um arrepio correu
por sua espinha O ouro em seus olhos tinha ficado duros, metálicos. Ela se perguntou por um momento se
ele poderia realmente lançar-se sobre ela, jogando ela abaixo, segurando seus pulsos. Lutar com ele seria
como sexo para outras pessoas. O pensamento dele tocando ela daquela forma trouxe o sangue para suas
bochechas em uma torrente quente.
Ela falou em torno da falta de fôlego presa em sua voz. “ Ele é meu tio, não seu...”
Um humor selvagem reluziu no rosto dele. “Nenhum tio seu é um tio meu, querida irmã,” ele disse, “ e ele
não tem nenhuma relação de sangue com nenhum de nós.”
“Jace...”
“Além disso, não tenho tempo para marcar você,” ele disse, os olhos de ouro vagarosamente varrendo ela, “
e tudo o que você tem é esta faca. Não vai ser muito útil se tivermos que lidar com demônios.”
Ela encravou a faca na parede ao lado da porta, apontando primeiro, e foi recompensada com um olhar
surpreso no rosto dele. “E daí? Você tem duas lâminas serafim; me dê uma.”
“Ah, pelo amor do ..” Era Simon, as mãos comprimidas em seus bolsos, olhos queimando como carvão
negro em seu rosto branco. “Eu irei.”
Clary disse, “Simon, não...”
“Pelo menos eu não estou perdendo meu tempo parado aqui flertando enquanto nós não sabemos o que
aconteceu ao Luke.” Ele gesticulou para ela se mover para o lado da porta.
Os lábios de Jace afinaram. “Todos nós iremos.” Para a surpresa de Clary ele puxou uma lâmina serafim de
seu cinto e a segurou para ela.” Pegue.”
“Qual é o seu nome?” ela perguntou, se afastando da porta.
“Nakir.”
Clary havia deixado seu casaco na cozinha, e o ar frio cobrindo o East River cortava ela através da fina
camisa, no momento que ela pisou na varanda escura. “Luke?” ela chamou.”Luke!”

A caminhonete estava estacionada na garagem, uma das portas penduradas aberta. A luz no telhado estava
acesa, derramando um fraco brilho. Jace franziu as sobrancelhas; “As chaves estão na ignição. O carro está
ligado.”
Simon fechou a porta da frente atrás deles.”Como você sabe disso.”
“Eu posso ouvir.” Jace olhou para Simon especulativamente. “E você poderia se tentasse, sanguessuga. “Ele
movimentou-se a passos largos pelas escadas, um sorriso fraco levando atrás dele pela vento.
“Eu pensei que você achasse 'mundano' melhor do que sanguessuga, “Simon murmurou.
Jace estava certo, a caminhonete estava ligada. Clary cheirou exaustivamente enquanto eles se
aproximavam, seu coração afundando. Luke nunca teria deixado a porta do carro aberta e as chaves na
ignição a menos que acontecesse alguma coisa.
Jace estava circulando a caminhonete, de cara amarrada. “Traga a luz de bruxa para mais perto.” ele se
ajoelhou na grama, correndo seus dedos levemente por ela. De um bolso interno ele trouxe um objeto que
Clary reconheceu: um pedaço de metal plano, todo gravado com delicadas runas. Um sensor. Jace correu ele
pela grama e ele forçou uma série de altos ruídos de cliques, como um contador Geiger ficando frenético.
“Definitiva ação demoníaca. Estou pegando fortes indícios.”
“Poderia ser a deixada para trás pelo demônio que atacou Maia? Simon perguntou.
“Os níveis são muito altos. Havia mais de um demônio aqui esta noite.” Jace levantou em seus pés, todo
negócios. “Talvez vocês dois devam voltar para dentro. Mande Alec aqui fora. Ele lidou com este tipo de
coisa antes.”
“Jace...” Clary estava toda furiosa novamente. Ela interrompeu quando uma coisa capturou seu olho. Era
um cintilar de movimento, do outro lado da rua, abaixo do banco de cimento no East River. Havia alguma
coisa no movimento – um ângulo como um gesto pegando a luz, alguma coisa muito rápida, muito alongada
para ser humana...
Clary levantou seu braço, apontando.”Olha! Na água!”
Jace seguiu seu olhar e sugou sua respiração. Então ele estava correndo, e eles estavam correndo após ele,
sobre o asfalto da Kent Street e dentro da grama baixa que cercava a margem da água. A luz de bruxa
balançava na mão de Clary enquanto ela corria, iluminando os pontos da margem do rio com uma casual
iluminação: um pedaço de ervas lá, um sobressaído concreto quebrado que quase a fez tropeçar, um monte
de lixo e vidro quebrado – e então, enquanto eles chegavam a uma visão clara do marulho da água, a
dobrada figura de um homem.
Era Luke – Clary viu instantaneamente, embora as duas escuras formas corcundas e encurvadas sobre ele
bloqueavam seu rosto da visão dela. Eles estava em suas costas, tão perto da água que ela perguntou por um
momento de pânico se as criaturas com corcundas estava segurando ele debaixo, tentando afogar ele. Então
eles o puxaram de volta, sibilando através de bocas sem lábios perfeitamente circulares, e ela viu que a
cabeça dele estava descansando na margem do rio. Seu rosto estava fraco e cinza.
“Demônios Raum,” Jace sussurrou.
Os olhos de Simon estava esbugalhados. “Esses são as mesmas coisas que atacaram Maia...?
“Não. Estes são muito pior.” Jace gesticulou para Simon e Clary ficarem atrás dele. “Vocês dois, para trás.”

Ele levantou uma lâmina serafim.”Israfiel! Ele gritou, e lá estava uma súbita explosão quente de luz como se
chamejando. Jace saltou em frente, varrendo sua arma o mais próximo dos demônios. Na luz da lâmina
serafim, a aparência do demônio era desagradavelmente visível: branco morto, pele escamosa, um buraco
negro para a boca, saliente, olhos como de sapo, seus braços que terminavam em tentáculos onde as mãos
deveriam ter sido. Ele fustigou agora com aqueles tentáculos,chicoteando eles em direção a Jace com
incrível velocidade.
Mas Jace foi mais rápido. Houve um tipo de ruído do horrível corte, enquanto Israfiel cortava através do
punho do demônio e os tentáculos anexos voavam pelo ar. A ponta do tentáculo veio descansar aos pés de
Clary, ainda se contorcendo. Ele era cinza esbranquiçado, as extremidades com ventosas vermelho sangue.
Dentro das ventosas estava um grupo de pequeninos, dentes afiados de agulhas.
Simon fez um ruído de vômito. Clary estava inclinada a concordar. Ela chutou o espasmódico pedaço de
tentáculo, mandando ele rolando pela grama suja. Quando ela olhou para cima, ela viu que Jace tinha
golpeado o demônio ferido e eles estavam caindo juntos através das pedras da beira do rio. O brilho da
lâmina serafim de Jace enviou elegantes arcos de luz fragmentada pela água quando ele torceu e se virou
para evitar os tentáculos remanescentes da criatura – sem mencionar o sangue negro espalhando dos punhos
decepados. Clary hesitou – ela deveria ir até Luke ou correr e ajudar Jace? - e naquele momento de hesitação
ela ouviu Simon gritar, “Clary, cuidado!” e se virou para ver o segundo demônio se arremessando direto para
ela.
Não havia tempo de alcançar a espada serafim em seu cinto, nenhum tempo para se lembrar de gritar seu
nome. Ela jogou suas mãos e o demônio acertou ela, jogando-a de costas. Ela foi abaixo com um grito,
batendo seu ombro dolorosamente contra o chão irregular. Tentáculos lisos rasparam contra sua pele. Um
envolveu seu braço, apertando dolorosamente; o outro chicoteou a frente, envolvendo sua garganta.
Ela agarrou freneticamente seu pescoço, tentando puxar o tentáculo, o flexível membro à distancia de sua
traquéia. Os seus pulmões já estavam doendo. Ela chutou e retorceu...
E subitamente a pressão se foi; a coisa estava longe dela. Ela sugou uma respiração sibilante e rolou em seus
joelhos. O demônio estava meio encolhido, encarando ela com olhos negros sem pupilas. Preparando-se de
novo para atacar? Ela agarrou a lâmina, e cuspiu:”Nakir,” e um lance de luz atirou vindo de seus dedos. Ela
nunca tinha segurado uma faca de anjo antes. O cabo dela tremia e vibrava em sua mão; ela a sentiu viva.
“NAKIR!” ela gritou, vacilando em seus pés, a espada estendida e apontada para o demônio Raum.
Para sua surpresa, o demônio agitou-se para trás, os tentáculos ondulando, quase como se ele estivesse –
mas isso não era possível – com medo dela. Ela viu Simon, correndo em direção a ela, com um comprimento
do que parecia um tubo de aço em sua mão; atrás dele, Jace estava ficando em seus joelhos. Ela não podia
ver o demônio que ele tinha lutado. Talvez ele tenha matado. Enquanto que o segundo demônio Raum, sua
boca estava aberta e ele estava fazendo um barulho angustiado, um ruído assobiante, como uma monstruosa
coruja. Abruptamente, ele se virou, com o tentáculos acenando, lançando-se em direção a margem e saltou
dentro do rio. Um jorro de água empretecida espalhou-se acima, e então o demônio tinha ido, desaparecendo
embaixo da superfície do rio sem nem mesmo uma revelação de gotículas de bolhas para marcar o seu lugar.
Jace alcançou ela ao lado, justo quanto ele desapareceu. Ele estava inclinado e ofegante, cheirando a sangue
negro do demônio. “O que... aconteceu?” ele exigiu entre o ofegar da respiração.
“Eu não sei,” Clary admitiu. “Ele veio até mim – eu tentei lutar com ele mas ele era muito rápido – e então
ele apenas foi embora. Como se ele visse alguma coisa que o assustasse.”
“Você está bem?” Era Simon, escorregando em uma parada em frente a ela, não ofegando, ele não respira
mais, ela lembrou a sim mesma – mas ansioso, agarrando um grosso e longo cano em sua mão.

“Onde você conseguiu isso?” Jace perguntou.
“Eu arranquei isso ao lado de uma cabine de telefone.” Simon olhou como se a recordação surpreende-se
ele. “Eu acho que você pode fazer qualquer coisa quando a adrenalina está alta.”
“Ou você tem uma maldita força dos diabos,” Jace disse.
“Ah, calem a boca, vocês dois,” rebateu Clary, vendo um martirizado olhar vindo de Simon e um olhar
atravessado vindo de Jace. Ela se empurrou passando os dois, em direção a margem do rio. “Ou vocês se
esqueceram de Luke?”
Luke ainda estava inconsciente, mas respirando. Ele estava tão pálido quanto Maia tinha estado, a manga
dele estava rasgada através do ombro. Quando Clary afastou o tecido enrijecido de sangue de sua pele,
trabalhando com mais delicadeza quanto ela podia, ela viu que em todo seu ombro estava um grupo de
feridas circulares vermelhas onde um tentáculo havia apertado ele. Cada uma estava esvaindo uma mistura
de sangue e fluido enegrecido. Ela sugou em sua respiração. “Nós temos que levá-lo para dentro.”
Magnus estava esperando por eles na frente da varanda quando Simon e Jace carregavam Luke,
desmoronado entre eles, acima das escadas. Tendo terminado com Maia, Magnus tinha posto ela na cama no
quarto de Luke, então eles levaram Luke para o sofá onde ela tinha estado deitada e deixado Magnus ir
trabalhar nele.
“Ele vai ficar bom? Clary exigiu, pairando em torno do sofá enquanto Magnus invocava um fogo azul que
brilhava entre suas mãos.
“Ele vai ficar bem. O veneno do Raum é um pouco mais complexo do que um aguilhão do Drevak, mas
nada que eu não possa lidar.” Magnus se moveu para longe dela. “Pelo menos não se você se afastar e me
deixar trabalhar.”
Relutantemente ela se afundou na poltrona. Jace e Alec estavam na janela , as cabeças próximas juntas. Jace
estava gesticulando com suas mãos. Ela apostava que ele estava explicando para Alec o que tinha acontecido
com os demônios. Simon parecia desconfortável, estava inclinado contra a parede ao lada da porta da
cozinha. Ele parecia perdido em pensamentos. Não querendo olhar para o rosto frouxo cinza de Luke e os
olhos fundos, Clary deixou seu olhar descansar em Simon, avaliando as formas em que ele parecia ambos
familiar e muito alienígena. Sem os óculos, seus olhos pareciam duas vezes maiores, e muito negros, mais
preto do que castanho. Sua pele era pálida e lisa como mármore branco, tracejada com veias escuras nas
têmporas e os acentuadamente ângulos dos ossos da face. Mesmo seu cabelo parecia mais escuro, em forte
contraste com o branco de sua pele. Ela se lembrou, parecendo a multidão no hotel de Raphael, se
perguntando o porquê deles não parecerem ser nem feio ou não atrativos vampiros. Talvez houvesse alguma
regra sobre não fazer vampiros fisicamente não atraentes, ela tinha pensado então, mas agora ela se
perguntou se o vampirismo em si não era transformador, suavizando a pele manchada, adicionando cor e
brilhos aos olhos e cabelos. Talvez ele era uma revolucionária vantagem para as espécies. Boa aparência só
podia ajudar os vampiros a atrair as suas presas.
Ela notou que Simon estava encarando ela de volta, seus olhos escuros largos. Tirando de seu devaneio, ela
se virou para ver Magnus ficando nos pés dele. A luz azul tinha desaparecido. Os olhos de Luke estavam
ainda fechados mas a feia tonalidade cinzenta de sua pele tinha ido embora, sua respiração estava profunda e
regular.
“Ele está bem!” Clary exclamou, e Alec, Jace e Simon se apressaram para dar uma olhada. Simon deslizou
sua mão para a de Clary, e ela envolveu seus dedos ao redor dos dele, feliz por reassegurar.
“Então, ele vai viver?” Simon disse, enquanto Magnus se afundava na braços da poltrona mais próxima. Ele

parecia esgotado, tenso e azulado. “Você tem certeza?”
“Sim, tenho certeza,” Magnus disse. “Eu sou o Alto bruxo do Brooklyn; eu sei o que estou fazendo.” Seus
olhos se moveram para Jace, que tinha dito algo para Alec em um voz muito baixa para que o resto deles
ouvisse. “O que me lembra,” Magnus continuou, soando ríspido – e Clary nunca tinha ouvido ele soar
ríspido antes - “que eu não estou exatamente certo do que eu acho que estou fazendo, me chamando toda vez
que um de vocês tem uma unha encravada que necessita de um corte. Como Alto bruxo, meu tempo é
precioso. Existem bastantes bruxos sem valor que ficariam felizes em fazer um trabalho para vocês numa
taxa muito reduzida.
Clary piscou para ele em surpresa.” Você está nos cobrando? Mas Luke é um amigo!”
Magnus pegou um fino cigarro azul do bolso de sua camisa. “ Não um amigo meu,” ele disse. “Eu encontrei
ele em poucas ocasiões onde sua mãe trouxe ele, apenas quando seu feitiço de memória era atualizado.” ele
passou uma mão na ponta do cigarro e ele acendeu em uma multicolorida chama. “Você acha que eu estou
ajudando você pela bondade em meu coração? Ou eu sou só o único bruxo que aconteceu de você
conhecer?”
Jace tinha escutado este pequeno discurso com uma latente fúria faiscando seus olhos âmbares para ouro.
“Não,” ele disse agora, “Mas você é o único bruxo que nós conhecemos que está saindo com um amigo
nosso.”
Por um momento todos encararam ele – Alec em completo horror, Magnus em espantosa fúria, e Clary e
Simon em surpresa. Foi Alec quem falou primeiro, sua voz tremendo: “Por que você diria algo parecido com
isso?”
Jace pareceu confuso: “Algo como o quê?”
“Que eu estou namorando...que nós estamos...isso não é verdade,” Alec disse, sua voz aumentando e caindo
várias oitavas enquanto ele lutava para controlar ela.
Jace olhou para ele firmemente. “Eu não disse que você estava namorando ele,” ele disse, “mas engraçado
que você sabia exatamente o que eu quis dizer, não é?”
“Nós não estamos namorando,” Alec disse novamente.
“Ah?” Magnus disse. “Então você é apenas amigável com todo mundo, é isso?”
“Magnus.”
Alec olhou implorativamente para o bruxo. Magnus, no entanto, parecia estar farto. Ele cruzou os braços
sobre seu peito e se inclinou de volta em silêncio, observando a cena ante ele com olhos estreitos.
Alec se virou para Jace. “Você não...” ele começou.”Eu quero dizer, você não poderia pensar....”
Jace estava balançando sua cabeça em perplexidade.”O que eu não saquei é você todo este tempo
escondendo seu relacionamento com Magnus de mim,quando isso é como se eu fosse pensar se você me
contasse sobre isso.”
Se ele quis que suas palavras fossem tranqüilizadoras, estava claro que ela não estavam. Alec foi para uma
cor pálida cinza, e não disse nada. Jace se virou para Magnus. “Me ajude a convencê-lo,” ele disse,”que eu
realmente não me importo.”
“Oh,” Magnus disse calmamente:”Eu acho que ele acredita em você sobre isso.”

“Então eu não...” Perplexidade estava clara no rosto de Jace, e por um momento Clary viu a expressão de
Magnus e sabia que ele estava fortemente tentado a responder. Movida por uma precipitada pena por Alec,
ela puxou sua mão fora da de Simon e disse,
“Jace, já chega. Deixe ele em paz.”
“Deixar o quê em paz?” Luke perguntou. Clary girou ao redor para encontrar ele sentado no sofá, piscando
com um pouco de dor mas parecendo, por outro lado, suficientemente saudável.
“Luke!” Ela se lançou para o lado do sofá, considerando abraçar ele, e viu que pelo modo que ele estava
segurando seu ombro, e decidiu contra isso. “Você se lembra do que aconteceu?”
“Não realmente.” Luke passou uma mão em seu rosto.”A última coisa que eu me lembro era sair da
caminhonete. Alguma coisa acertou meu ombro e me lançou de lado. Eu lembro da mais incrível dor – De
qualquer modo eu devo ter desmaiado depois disso. A próxima coisa que eu sabia era de estar escutando
cinco pessoas gritando. O que foi isso, afinal?”
“Nada,” em coro Clary, Simon, Alec, Magnus e Jace em surpreendente e provavelmente nunca- ser-
repetido-em uníssono.
Apesar de sua óbvia exaustão, as sobrancelhas de Luke atiraram-se para cima. Mas “tô vendo”, foi tudo o
que ele disse.
Desde que Maia estava ainda dormindo no quarto de Luke, ele anunciou que estaria muito bem no sofá.
Clary tentou dar a ele a cama no quarto dela, mas ele se recusou a aceitá-la. Desistindo, ela guiou-se no
corredor estreito para conseguir lençóis e cobertores no armário de roupa de cama. Ela estava arrastando
uma manta para baixo de uma prateleira alta quando ela sentiu alguém atrás dela. Clary girou, derrubando o
cobertor que ela tinha estado segurando em uma suave pilha a seus pés.
Era Jace. “Desculpe ter te assustado.”
“Tudo bem.” Ela curvou-se para recuperar o cobertor.
“Na verdade. Não estou arrependido,” ele disse.”Esta é a maior emoção que eu tenho visto vindo de você a
dias.”
“Eu não tenho visto você a dias.”
“E de quem é a culpa? Eu liguei para você. E você não atendeu o telefone. E não é como se eu pudesse
simplesmente vir ver você. Eu tenho estado em prisão, no caso de você ter esquecido.”
“Não exatamente uma prisão.” Ela tentou soar leve enquanto ela se endireitava. “ Você tem Magnus para
manter sua companhia. E a ilha de Gilligan.”
Jace sugeriu que o elenco da ilha de Gilligan poderia fazer alguma coisa anatomicamente improvável com
eles mesmos.
Clary suspirou. “Não era para você supostamente estar indo com Magnus?”
“Sua boca se torceu e ela viu alguma coisa fraturar por trás de seus olhos, uma explosão de dor.”Não vê a
hora de se livrar de mim?”

“Não.” Ela abraçou o cobertor contra si mesma e olhou abaixo para mãos dele, incapaz de encontrar seus
olhos. Seus delgados dedos eram cicatrizados e belos, com um faixa branca desmaiada na pele pálida ainda
visível onde ele tinha usado o anel dos Morgenstern em seu dedo indicador direito. O anseio de tocar ele era
tão ruim que ela queria deixar os cobertores e gritar. “Quero dizer, não, não é isso. Eu não odeio você, Jace.”
“Eu não te odeio também.”
Ela olhou para ele aliviada.”Estou feliz por ouvir isso...”
“Eu gostaria de odiar você,” ele disse. Sua voz era suave, sua boca curvada em um despreocupado meio
sorriso, seus olhos doentes com tristeza.”Eu quero odiar você. Eu tento odiar você . Seria muito mais fácil se
eu odiasse você. Algumas vezes eu acho que te odeio e então quando eu vejo você, eu...”
Suas mãos tinham aumentado a dormência com seu aperto no cobertor.”E o que?”
“O que você acha?” Jace balançou sua cabeça; “Porque eu deveria dizer tudo sobre como eu me sinto
quando você nunca me diz nada?É como bater minha cabeça contra uma parede, exceto, pelo menos se eu
estivesse batendo minha cabeça contra uma parede eu seria capaz de me fazer parar.”
Os lábios de Clary estavam tremendo tão violentamente que ela achou difícil falar.”Você acha que é fácil
para mim?” Ela exigiu.”Você acha que...”
“Clary?” Era Simon, vindo pelo corredor com essa nova graça sem som dele, assustando ela tão feio que ela
derrubou o cobertor de novo. Ela se virou de lado, mas não tão rápido o suficiente para esconder a sua
expressão dele, ou disfarçar o brilho em seus olhos.”Estou vendo,” ele disse, após uma longa pausa.”Me
desculpe por interromper.” Ele desapareceu de volta na sala de estar. Deixando Clary olhar após ele através
de uma ondulante lente de lágrimas
“Maldição,” Ela se virou para Jace. “O que é isso em você?” ela disse, com mais selvageria do que ela
pretendia. “Por que você tem que arruinar tudo?” Ela jogou o cobertor para ele apressadamente e se lançou
para a sala atrás de Simon.
Ele já estava na porta da frente. Ela pegou ele na varanda, deixando a porta bater fechada atrás dela. “Simon!
Para onde você está indo?”
Ele se virou quase relutantemente.”Casa, Está tarde...eu não quero ficar preso aqui com o sol surgindo.”
Uma vez que o sol não ia surgir por horas, aquilo atingiu Clary como uma desculpa fraca. “Você sabe que é
bem vindo para ficar e dormir aqui durante o dia se você quiser evitar sua mãe. Você pode dormir em meu
quarto...”
“Eu não acho que é uma boa idéia.”
“Por que não? Eu não entendo porque você está indo.”
Ele sorriu para ela. Era um sorriso triste com alguma coisa por baixo. “Você sabe qual é o pior sentimento
que eu posso imaginar?”
Ela piscou para ele. “Não.”
“Não confiar na pessoa que você ama mais do que qualquer coisa neste mundo.”
Ela pôs a mão dela em sua manga. Ele não a moveu para longe, mas ele não respondeu ao toque dela.” Você

quer dizer...”
“Sim,” ele disse, sabendo o que ela estava para perguntar.”Eu quero dizer você.”
“Mas você pode confiar em mim.
“Eu costumava pensar que eu podia,” ele disse. “Mas tenho a sensação que você prefere desejar alguém que
você nunca possivelmente possa estar do que tentar com alguém que você pode.
Não havia interesse em fingir. “Apenas me dê m tempo,” ela disse.”Eu apenas preciso de tempo para me
recuperar – para me recuperar de tudo isso.”
“Você não vai me dizer que eu estou errado, vai?” ele disse. Seus olhos pareciam muito largos e escuros na
fraca luz da varanda.” Não desta vez.”
“Não dessa vez. Sinto muito”
“Não sinta.” ele se virou para longe dela e de sua mão estendida, guiando-se pelos degraus da varanda.”Pelo
menos é a verdade.”
Por seja lá o que valha.
Ela enfiou suas mãos dentro de seus bolsos, observando ele enquanto ele caminhava para longe até que ele
foi engolido pela escuridão.
Ela viu que Magnus e Jace não tinha partido afinal de tudo; Magnus queria passar mais algumas horas na
casa para ter certeza de que Maia e Luke estavam recuperados como o esperado. Depois de alguns minutos
de embaraçosa conversa com um Magnus aborrecido enquanto Jace, sentado no banco do piano de Luke e
habilidosamente estudando alguma folha de música, ignorou ela. Clary decidiu ir para cama cedo.
Mas o sono não veio. Ela podia ouvir o suave piano tocado por Jace através das paredes, mas aquilo não era
o que estava mantendo ela acordada. Ela estava pensando em Simon, saindo para uma casa que já não sentia
como um lar para ele, o desespero na voz de Jace enquanto ele dizia eu queria odiar ela, e de Magnus, não
dizendo a Jace a verdade: que Alec não queria que Jace soubesse de seu relacionamento porque ele ainda
estava apaixonado por ele. Ela pensou na satisfação que teria trazido para Magnus dizer as palavras em voz
alta, para reconhecer que a verdade era, e o fato que ele não tinha dito a eles – deixar Alec continuar
mentindo e fingindo – por que isso era o que Alec queria, e Magnus se importava com Alec o suficiente para
dar aquilo a ele. Talvez esta era a verdade que a Rainha de Seelie tinha dito, depois de tudo: Amor faz de
você um mentiroso.

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