15 – O dente da serpente
“Luke,” Clary começou, no momento que a porta tinha se fechado atrás dos Lightwoods. “O que eles estão
indo fazer...”
Luke tinha suas mãos pressionadas em ambos os lados de sua cabeça como se ele estivesse mantendo ela,
para não rachar ao meio.”Café, “ele declarou.”Eu preciso de café.”
“Eu te trouxe café.”
Ele largou suas mãos e suspirou.”Eu preciso de mais.”
Clary seguiu ele para a cozinha, onde ele se ajudou a si mesmo para ainda mais café antes de sentar à mesa
da cozinha e correr suas mãos distraidamente através de seu cabelo.” Isso é ruim,” ele disse. “Muito ruim.”
“Você acha?” Clary não podia se imaginar bebendo café agora. Seus nervos já pareciam como se eles
estivessem esticados tão finos quanto fios.”O que vai acontecer se eles levarem ele para Idris?”
“Julgamento perante a Clave. Eles provavelmente o encontrarão culpado. Então, o castigo. Ele é jovem,
portanto eles podem apenas tirar suas marcas, e não amaldiçoar ele.
“O que isso significa?”
Luke não encontrou os olhos dela.” Significa que eles irão retirar suas marcas, desmarcar ele como um
Caçador de Sombras, e expulsá-lo da Clave. Ele será um mundano.”
“Mas isso iria matá-lo. Realmente iria. Ele iria preferir morrer.”
“Você acha que eu não sei disso?” Luke tinha terminado seu café e olhava carrancudo a caneca antes de
colocá-la de volta abaixo. “ Mas isso não fará qualquer diferença para a Clave. Eles não podem por suas
mãos em Valentine, então eles irão punir seu filho em seu lugar.”
“E sobre mim? Eu sou filha dele.”
“Mas você não é do mundo deles. Jace é. Não que eu sugira que você se esconda por um tempo. Eu queria
que nós pudéssemos ir até a fazenda...”
“Nós não podemos simplesmente deixar Jace com eles!” Clary estava apavorada. “Eu não vou a lugar
nenhum,”
“É claro que não vai.” Luke acenou a ela em protesto. “Eu disse que queria que nós pudêssemos, não que eu
pensasse que devíamos. Há uma questão de que Imogen fará agora que ela sabe onde Valentine está, é claro.
Nós podemos nos encontrar no meio de uma guerra.”
“Eu não me importo se ela quer matar Valentine. Ela está disposta para Valentine. Eu só quero pegar Jace de
volta.”
“Isso pode não ser tão fácil.” Luke disse, “considerando que nesse caso, ele realmente fez o que ele foi
acusado de fazer.”
Clary ficou indignada. 'O que, você acha que ele matou os irmãos do silêncio? Você acha...”
“Não. Eu não acho que ele matou os Irmãos do Silêncio. Eu acho que ele fez exatamente o que Imogen viu
ele fazer: Ele foi ver seu pai.”
Lembrando de algo, Clary perguntou: “ O que você quis dizer quando disse que nós falhamos com ele, e não
o contrário? Você quer dizer que não culpa ele?”
“Eu culpo e não culpo.” Luke parecia cansado. “Foi uma coisa estúpida a se fazer. Valentine não é confiável.
Mas quando os Lightwoods viraram as costas para ele, o que eles esperavam que ele fizesse? Ele é ainda só
uma criança, ele ainda precisa dos pais. Se eles não receberam ele, ele iria procurar por alguém que
recebesse.”
“Eu pensei que talvez,” Clary disse, “talvez ele tivesse procurado você por isso.”
Luke pareceu inexprimivelmente triste. “Eu pensei assim também, Clary. Eu pensei assim também.
Muito fracamente, Maia podia ouvir o som de vozes vindo da cozinha. Eles tinham terminado com todo a
sua gritaria na sala de estar. Hora de sair. Ela dobrou o bilhete que ela tinha rascunhado apressadamente,
deixou ele em cima da cama de Luke, cruzou o quarto para a janela que ela tinha gastado os últimos vinte
minutos forçando para abrir. O ar frio se derramou através dela – era um daqueles primeiros dias de outono,
quando o céu parecia impossivelmente azul e distante e o ar era fracamente tingido com o cheiro de fumaça.
Ela escapou pelo peitoril e olhou abaixo. Teria sido um pulo preocupante para ela, se ela não tivesse sido
transformada; agora ela se poupou apenas para refletir por um momento pelo seu ombro machucado antes de
saltar. Ela aterrizou agachada no concreto rachado no quintal de Luke. Se endireitando, ela olhou de volta
para a casa, mas ninguém jogou a porta aberta ou chamou ela para voltar.
Ela lutou para afastar uma errante apunhalada de desapontamento. Não era como se eles prestassem muita
atenção nela na casa, ela pensou, arrastando-se nas grades da cerca alta que separava o jardim de Luke do
beco, então porque eles iriam notar que ela tinha saído? Ela estava claramente em segundo plano, como
sempre ela tinha estado. O único deles que tinha tratado ela como se ela tivesse alguma importância foi
Simon.
O pensamento em Simon fez ela se contrair enquanto ela se soltava do outro lado da cerca e corria o beco
para a Avenida Kent. Ela tinha dito a Clary que não se lembrava da noite passada, mas não era verdade. Ela
se lembrou do olhar no rosto dele quanto ela tinha recuado – como se ele estivesse impresso nas costas de
suas pálpebras. A coisa mais estranha era que naquele momento ele tinha ainda parecido humano para ela,
mais humano do que qualquer pessoa que ela tinha conhecido.
Ela cruzou a rua para evitar passar bem em frente a casa de Luke. A rua estava quase deserta, os moradores
do Brooklyn dormindo seu atrasado sono de uma manhã de domingo. Ela se guiou em direção ao metrô da
Avenida Bedford, sua mente ainda em Simon. Havia um lugar vazio no buraco de seu estômago. Ele era a
primeira pessoa que ela queria confiar, em anos, e ele fez a confiança nele impossível.
É claro, se confiar nele é impossível, então por que você está em seu caminho para vê-lo agora mesmo?
veio o sussurrar nas costas de sua mente que sempre falava para ela na voz de Daniel. Cala a boca, ela disse
firmemente. Mesmo se nos não pudermos ser amigos, eu lhe devo uma desculpa pelo menos.
Alguém riu. O som ecoou na nas paredes altas da fábrica a sua esquerda. Seu coração se contraiu com um
súbito medo, Maia girou ao redor, mas a rua atrás dela estava vazia. Havia uma idosa caminhando com seus
cachorros ao longo da margem do rio, mas Maia duvidou que ela estivesse dentro da distância do som.
Ela acelerou seu passo. Ela podia andar mais que a maioria dos humanos, ela lembrou a si mesma, sem
mencionar fugir deles. Mesmo em seu presente estado, com seu braço doendo como se alguém que tivesse
batido uma marreta em seu ombro, era como se ela não tivesse nada a temer de um assaltante ou um
estuprador. Dois adolescentes armados com facas tinham tentado agarrá-la enquanto ela estava caminhando
através do Central Park, uma noite depois que ela tinha estado pela primeira vez vinda da cidade, e só um
bastão tinha mantido ela longe do assassinato deles dois.
Então porque ela estava tão em pânico?
Ela olhou atrás dela. A idosa tinha ido; Kent estava vazia, A velha e abandonada fábrica de açúcar Domino
surgia em frente a ela. Pega por uma súbita vontade de sair da rua, ela mergulhou no beco ao lado dela.
Ela encontrou a si mesma em um espaço estreito entre dois prédios, cheio de lixo, garrafas descartadas,
agitadas por ratos. Os telhados acima dela tocavam-se, bloqueando o sol e fazendo ela se sentir como se ela
estivesse presa em um túnel. As paredes eram de tijolos, assentadas com pequenas e sujas janelas, muitas
que tinham sido quebradas por vândalos. Através delas ela podia ver ao chão da fábrica abandonada e
fileiras e fileiras de caldeiras de metal, fornos e tonéis. O ar cheirava a açúcar queimado. Ela se inclinou
contra uma das paredes, tentando tranqüilizar o golpear em seu coração. Ela quase tinha tido sucesso em se
acalmar quando uma impossivelmente voz familiar falou para ela fora das sombras:
“Maia?”
Ela girou ao redor. Ele estava em pé na entrada do beco, seu cabelo iluminado por trás, brilhando como um
halo em torno de seu lindo rosto. Os olhos escuros ornados com os longos cílios contemplando ela
curiosamente. Ele estava usando jeans e, a despeito do frio no ar, uma camiseta de manga curta. Ele ainda
parecia ter quinze.
“Daniel,” ela sussurrou.
Ele se moveu em direção a ela, seus passos não fazendo som. “Já faz um longo tempo, irmãzinha.”
Ela queria correr, mas suas pernas pareciam com sacos de água. Ela pressionou a si mesma contra a parede
como se ela pudesse desaparecer dentro dela. “Mas...você está morto.”
“E você não chorou no meu funeral, não é, Maia? Sem lágrimas para seu irmãozão?”
“Você era um monstro,” ela sussurrou. “Você tentou me matar...”
“Não muito o suficiente.” Havia algo longo e afiado em sua mão agora, alguma coisa que cintilava como
fogo prata no turvar. Maias não estava certa do que aquilo era; sua visão estava borrada pelo terror. Ela
deslizou para o chão enquanto ele se movia em direção a ela, suas pernas não mais capazes de segurá-la.
Daniel se ajoelhou ao seu lado. Ela podia ver o que estava em sua mão agora: uma quebrada e irregular
borda de vidro vindo de uma das janelas quebradas. O terror cresceu e se quebrou sobre ela como uma onda,
mas não era medo da arma na mão de seu irmão que estava esmagando ela, era o vazio nos olhos dele. Ela
podia olhar dentro deles e através deles e ver apenas a escuridão. “Você se lembra, “ ele disse, “quando eu
disse a você que eu ia cortar sua língua antes que eu deixasse você tagarelar de mim para mamãe e papai?”
Paralisada pelo medo, ela podia apenas olhar para ele. Ela já podia sentir o vidro cortando dentro de sua
pele, o chocante gosto de sangue preenchendo sua boca, e ela desejou que ela estivesse morta, já morta,
qualquer coisa era melhor do que aquele horror e este medo...
“Já chega, Agramon.” Uma voz de homem interrompeu através da neblina em sua cabeça. Não a voz de
Daniel – ela era suave, culta, inegavelmente humana. Ela a lembrou de alguém – mas quem?
“Como desejar, lorde Valentine.”
Daniel exalou, um suave suspiro de desapontamento – e então seu rosto começou a desvanecer e desfazer.
No momento que ele se foi, e com ele o senso de paralisia, esmagando os ossos em terror que tinha
ameaçado sufocar a vida para fora dela. Ela sugou em uma desesperada respiração. “Bom. Ela está
respirando.” A voz do homem novamente, irritada agora. “Realmente, Agramon. Alguns segundos mais e ela
teria sido morta.”
Maia olhou acima. O homem – Valentine estava em pé sobre ela, muito alto, todo vestido de preto, mesmo
as luvas em suas mãos e a espessas e sólidas botas em seus pés. Ele utilizou a ponta da bota agora, para
forçar seu queixo acima. Sua voz quando ele falou era fria, superficial. “Quantos anos você tem?”
O rosto encarando abaixo para ela era estreito, os ossos acentuados, lavados em todas as cores, seus olhos
pretos e seu cabelo tão branco que ele parecia como uma fotografia em negativo. No lado esquerdo de sua
garganta, bem abaixo do colarinho de seu casaco, estava uma marca espiralada.
“Você é Valentine?” Ela sussurrou. “Mas eu pensei que você...”
A bota veio abaixo em sua mão, enviando uma punhalada de dor acertando seu braço. Ela gritou.
“Eu fiz uma pergunta a você,” ele disse. “Quantos anos você tem?”
“Quantos anos eu tenho?” A dor em sua mão, misturada com o ácido fedor de lixo todo ao redor fez seu
estômago revirar. “Dane-se.”
Um barra de luz pareceu saltar entre seus dedos; ele partiu com ela abaixo e cruzando seu rosto tão
rapidamente que ela não teve tempo de se jogar para trás. Uma quente linha de dor queimou o caminho
através de sua bochecha; ela bateu uma mão em seu rosto e sentiu o sangue manchar seus dedos. “Agora,”
Valentine disse, na mesma precisa e culta voz. “Quantos anos você tem?”
“Quinze. Eu tenho quinze.” Ela sentiu, mas do que viu, seu sorriso.
“Perfeito.”
Uma vez de volta ao Instituto, a inquiridora liderou Jace para longe dos Lightwoods e acima da escadas para
a sala de treinamento. Pegando a visão de si mesmo nos compridos espelhos que corriam ao longo das
paredes, ele se enrijeceu em choque. Ele não tinha realmente olhado para si mesmo a dias, e a noite passada
tinha sido uma ruim. Seus olhos estavam rodeados por sombras negras, sua camisa cheirava a sangue seco e
lama imunda do East River. Ele parecia vazio e tenso.
“Admirando a si mesmo?” A voz da inquiridora interrompeu sua imaginação. “Você não parecerá tão bonito
quando a Clave terminar com você.”
“Você parece obcecada com minha aparência. “Jace se afastou do espelho com algum alívio. “Poderia ser
que tudo isso é porque você está atraída por mim?
“Não seja revoltante.” A inquiridora tinha tomado quatro longas tiras de metal da bolsa pendurada em sua
cintura. Lâminas de Anjo. “Você podia ser meu filho.”
'Stephen.” Jace se lembrou do que Luke tinha dito na casa. “É como ele se chama, certo?”
A inquiridora girou ao redor dele. As lâminas que ela agarrava estavam vibrando com sua raiva. “Não diga
nem mesmo o nome dele.”
Por um momento Jace se perguntou se ela poderia realmente tentar matar ele. Ele nada disse enquanto ela
colocava a si mesmo sob controle. Sem olhar para ele, ela mirou com uma das lâminas. “Fique em pé no
centro da sala, por favor.”
Jace obedeceu. Apesar de ele tentar não olhar para os espelhos, ele podia ver seu reflexo – e o da inquiridora
– no canto de seu olho, os espelhos refletiam de volta cada um deles até um infinito número de inquiridoras
paradas lá, ameaçando um infinito número de Jaces.
Ele olhou abaixo para suas mãos presas. Seus pulsos e ombros tinha ido da dor para uma dura, apunhalada
de dor, mas ele não estremeceu enquanto a inquiridora considerava uma das lâminas, chamando-a de
Jophiel, e mergulhava ela dentro das placas do piso de madeira polida aos pés dela. Ele esperou, mas nada
aconteceu.
“Boom?” ele disse eventualmente. “Havia alguma coisa que supostamente era para acontecer aí?”
“Cale a boca.” O tom da inquiridora era final. “E fique onde você está.”
Jace ficou, olhando com crescente curiosidade enquanto ela se movia ao seu outro lado, chamando a
segunda espada Harahel, e procedia para dirigir aquela dentro da placa no piso também.
Com a terceira lâmina – Sandalphon – ele notou o que ela estava fazendo. A primeira lâmina tinha sido
dirigida dentro do chão ao sul dele, a próxima para o leste e a seguinte para o norte. Ela estava marcando os
pontos de um compasso. Ele lutou para se lembrar do que isso poderia significar, e veio como um nada. Este
era claramente um ritual da Clave, além de qualquer coisa que lhe tenha sido ensinado. No momento em que
ela alcançou a última lâmina, Taharial, suas palmas estavam suando, atritando onde elas tinham esfregado
uma contra a outra.
A inquiridora se endireitou, parecendo satisfeita consigo mesma. “Isso.”
“Isso o quê? Jace exigiu, mas ela levantou uma mão.
“Não é bem assim, Jonathan. Há mais uma coisa.” Ela se moveu para a lâmina mais ao sul e se ajoelhou em
frente a ela. Com um rápido movimento ela produziu uma estela e marcou uma única runa preta no chão,
bem abaixo da faca. Enquanto ela se levantava a seus pés, um alto, afiado e doce carrilhão soou através da
sala, o som de um delicado sino sendo tocado. Luz foi derramada das quadro lâminas de anjo, tão cegantes
que Jace virou seu rosto afastando, meio de olhos fechados. Quando ele se virou de volta, um momento
depois, ele viu que ele estava em pé dentro de uma gaiola cujas paredes pareciam como se estivessem sido
traçadas por filamentos de luz. Elas não eram estáticas, mas se moviam, como folhas em um chuva
iluminada.
A inquiridora agora era uma figura embaçada atrás da parede animada. Quando Jace chamou por ela, mesmo
sua voz soou ondulante e oca, como se ele estivesse chamando ela através da água. “O que é isso? O que
você fez?”
Ela riu.
Jace deu um furioso passo a frente, e então outro; seu ombro tocou a parede animada, Como se ele tivesse
tocado uma cerca eletrificada, o choque que pulsou através dele era como um golpe, jogando ele a seus pés.
Ele caiu desajeitadamente no chão, incapaz de usar suas mãos para aparar sua queda.
A inquiridora riu novamente. “Se você tentar andar através da parede, você vai ter mais do que um choque.
A Clave chama esta particular punição de Configuração Malachi. Estas paredes não podem ser quebradas
desde que as lâminas serafim permaneçam onde elas estão. Eu não o faria,” ela adicionou, enquanto Jace, se
ajoelhando, fez um movimento em direção a lâmina mais próxima a ele. “toque as lâminas e você morre.”
“Mas você pode tocar elas,” ele disse, incapaz de manter o ódio fora de sua voz.
“Eu posso, mas eu não vou.”
“Mas e comida? Água?”
“Tudo a seu tempo, Jonathan.”
Ele ficou em seus pés. Através da parede turva, ele viu ela se virar como se para ir.
“Mas as minhas mãos...” ele olhou abaixo para seus pulsos presos. O metal queimando comia sua pele como
ácido. Sangue espirrava o redor das algemas ardentes.
“Você deveria ter pensado nisso antes de ir ver Valentine.”
“Você não está exatamente me metendo medo da vingança do Conselho. Eles não podem ser piores do que
você.”
“Oh, você não estará indo ao Conselho,” a inquiridora disse. Havia uma quieta calma em seu tom que Jace
não gostou.
“O que você quer dizer, eu não vou ao Conselho? Eu pensei que você disse que você estava me levando para
Idris amanhã?“
“Não. Eu estou planejando devolver você a seu pai.”
O choque de suas palavras quase jogou ele de volta aos seus pés. “Meu pai?”
“Seu pai. Eu estou planejando trocar você pelos Instrumentos Mortais.”
Jace olhou para ela. “Você deve estar brincando.”
“De modo algum. É mais simples do que um julgamento. É claro, você será banido da Clave, “ela
adicionou,tardiamente, “mas eu presumo que você esperava por isso.”
Jace estava balançando sua cabeça. “Você pegou o cara errado. Eu espero que você perceba isso.”
Um olhar de aborrecimento cruzou seu rosto. “Eu pensei que nós dispensaríamos sua pretensão de
inocência, Jonathan.”
“Eu não quero dizer eu. Quero dizer meu pai.”
Pela primeira vez desde que ele tinha encontrado ela , ela pareceu confusa. “Eu não entendo o que você quer
dizer.”
“Meu pai não irá negociar os Instrumentos Mortais por mim.” As palavras eram amargas, mas o tom de Jace
não era. Elas eram a realidade. “Ele deixaria você me matar em frente a ele antes que ele entregue a você
quer a Espada ou a Taça.”
A inquiridora balançou sua cabeça. “Você não entende,” ela disse,e havia um intrigante traço de
ressentimento em sua voz. “Crianças nunca entendem. O amor de um pai por uma criança, não há nada
parecido com isso. Nenhum amor tão consumidor. Nenhum pai – nem mesmo Valentine – iria sacrificar seu
filho por um pedaço de metal, não importa o quão poderoso.”
“Você não conhece meu pai. Ele iria rir eu sua cara e oferecer a você dinheiro para enviar meu corpo de
volta a Idris.”
“Não seja absurdo...”
“Você está certa,” Jace disse. “Pensando melhor, ele provavelmente faria você mesma pagar a taxa de
remessa.”
“Vejo que você realmente é filho de seu pai. Você não quer que ele perca os instrumentos mortais – seria
uma perda de poder para você também. Você não quer viver sua vida como o filho desgraçado de um
criminoso, portanto você vai dizer qualquer coisa para influenciar minha decisão. Mas você não me engana.”
“Escute.” O coração de Jace estava saltando, mas ele tentou falar calmamente. Ela tinha que acreditar nele.
“Eu sei que você me odeia. Eu sei que você pensa que eu sou um mentiroso como meu pai. Mas eu estou
dizendo a você a verdade agora. Meu pai absolutamente acredita no que ele está fazendo. Você pensa que ele
é mau. Mas ele pensa que ele está certo. Ele acha que está fazendo o trabalho de Deus. Ele não vai desistir
disso por mim. Você estava me seguindo quando eu fui lá, você deve ter escutado o que ele disse...”
“Eu vi você falar com ele,” a inquiridora disse. “Eu nada ouvi.”
Jace praguejou sob sua respiração. “Olhe, eu vou jurar qualquer juramento que você deseje para provar que
eu não estou mentindo. Ele está usando a Espada e a Taça para invocar demônios e controlar eles. Quanto
mais você perde tempo comigo, mas ele pode construir seu exército. Até você perceber que ele não fará a
negociação, vocês não terão chance contra ele...”
A inquiridora virou-se para longe com um barulho de desgosto. “Estou cansada de suas mentiras.”
Jace segurou sua respiração em descrença enquanto ela dava as costas a ele e caminhava em direção a porta.
“Por favor!” ele gritou.
Ela parou na porta e virou seu olhar para ele. Jace só podia ver as sombras angulares de seu rosto, o queixo
apontado, e os escuros buracos em suas têmporas. Suas roupas cinzas varridas pela sombras, portanto ela
parecia como um crânio flutuando sem corpo. “Não pense,” ela disse, “que devolver você a seu pai é o que
quero fazer. Isso é o melhor do que Valentine Morgenstern merece.”
“O que ele merece?”
“Segurar o corpo morto de seu filho em seus braços. Para ver seu filho morto e saber que não há nada que
ele possa fazer, nenhum feitiço, nenhum encantamento, nenhuma barganha com o inferno que poderá trazer
ele de volta...” ela se interrompeu. “Ele deveria saber,” ela disse, em um sussurro, e se empurrou pela porta,
suas mãos tremendo contra a madeira. Ela foi fechada atrás dela com um clique, deixando Jace, seus pulsos
queimando, olhando após ela em confusão.
Clary desligou o telefone com uma careta. “Sem resposta.”
“Pra quem você estava tentando ligar?” Luke estava em seu quinto copo de café e Clary estava começando a
se preocupar com ele. Certamente havia algo do tipo como envenenamento por cafeína? Ele não parecia
estar na fronteira de um ataque ou nada daquilo, mas ela subrepticiamente desconectou o coador em seu
caminho de volta a mesa, só no caso. “Simon?”
“Não. Eu me sinto estranha em acordar ele durante o dia, apesar dele dizer que não lhe incomoda, desde que
ele não tenha que ver a luz do dia.” Então...
“Eu estava ligando para Isabelle. Eu quero saber que está acontecendo com Jace.”
“Ela não respondeu?”
“Não.” O estômago de Clary roncou. Ela foi a geladeira, removeu um iogurte de pêssego, e comeu ele
mecanicamente, sentindo gosto de nada. Ela estava a meio caminho da lixeira quando ela se lembrou de
algo. “Maia,” ela disse. “Nós devíamos checar e ver se ela está ok.” ela colocou seu iogurte abaixo. “ Eu
vou.”
“Não. Eu sou seu líder de bando. Ela confia em mim. Eu posso acalmar ela se ela estiver chateada,” Luke
disse. “Eu já volto.”
“Não diga isso,” Clary implorou. “Eu odeio quando as pessoas dizem isso.”
Ele sorriu tortamente para ela e mergulhou no corredor. Em poucos minutos ele estava de volta, parecendo
atônito. “Ela foi embora.”
“Quero dizer que ela escapou de casa. Ela deixou isso.” Ele jogou um pedaço de papel dobrado na mesa.
Clary pegou ele e leu as frases rabiscada com uma careta:
Desculpe por tudo. Partindo para fazer consertos. Obrigada por tudo o que você fez. Maia.
“Partindo para fazer consertos? O que isso quer dizer?”
Luke suspirou. “Eu estava esperando que você soubesse.”
“Você está preocupado?”
“Demônios Raum são perseguidores,” Luke disse. “Eles encontram pessoas e traz elas de volta para quem
for que invocou eles. Aquele demônio podia ainda estar procurando por ela.”
“Oh,” Clary disse em uma pequena voz. “Bem, meu palpite seria que ela quis dizer que ela foi ver Simon.”
Luke pareceu surpreso. “Ela sabe onde ele mora?”
“Eu não sei,” Clary admitiu. “Eles parecem ter um tipo de proximidade de algum modo. Ela poderia.” Ela
pescou em seu bolso por seu telefone. “Eu vou ligar para ele.”
“Eu pensei que ligar para ele fazia você se sentir estranha.”
“Não tão estranha quanto qualquer coisa que esteja acontecendo.” ela percorreu através de seu catálogo de
endereços pelo número de Simon. Ele tocou três vezes antes que ele atendesse, parecendo grogue.
“Alô?”
“Sou eu.” Ela se virou para longe de Luke enquanto ela falava, mais por hábito do que por qualquer desejo
de esconder sua conversa dele.
“Você sabe que eu sou noturno agora,” ele disse com um gemido. Ela podia ouvir ele rolando sobre a cama.
“Isso significa que eu durmo o dia todo.”
“Você está em casa?”
“Yeah, onde mais eu estaria?” Sua voz era afiada, o sono caindo. “O que é, Clary, qual o problema?”
“Maia fugiu. Ela deixou um bilhete dizendo que ela poderia estar indo a sua casa.”
Sidom soou confuso. “Bem, ela não veio. Ou se ela vier, ela não apareceu ainda.”
“Tem mais alguém em casa com você?”
“Não,minha mãe está no trabalho e Rebecca tem aulas. Porque, você realmente acha que Maia esta vindo
aparecer aqui?”
“Só nos ligue se ela for...”
Simon interrompeu ela. “Clary.” Seu tom era urgente. “Espere um segundo. Acho que tem alguém tentando
entrar em minha casa.”
O tempo passou dentro da prisão, e Jace observou a chocante chuva de prata caindo ao redor dele com uma
desapegada espécie de interesse. Seus dedos começaram a adormecer, o que ele suspeitava que era um mal
sinal, mas ele não podia ligar para si mesmo. Ele se perguntou se os Lightwoods sabiam que ele estava aqui,
ou se alguem entrando na sala de treinamento teria uma desagradável surpresa quando eles encontrassem ele
trancado naquilo. Mas não, a inquiridora não era negligente. Ela teria dito a eles que a sala estava fora dos
limites até que ela dispusesse do prisioneiro de qualquer maneira que ela desejasse. Ele supunha que ele
deveria estar com raiva, mesmo com medo, mas ele não podia trazer a si mesmo preocupação sobre aquilo
também. Nada mais parecia real: nem a Clave, nem o pacto, nem a Lei, nem mesmo seu pai.
Uma suave passada alertou ele para a presença de mais alguém na sala. Ele tinha estado deitado sobre suas
costas, encarando o teto; agora ele se sentou, seu olhar movendo-se em torno da sala. Ele podia ver uma
forma escura um pouco além da cintilante cortina de chuva. Ela devia ser a inquiridora, de volta para
ridicularizar ele um pouco mais. Ele abraçou a si mesmo - então viu, com um abalo, o cabelo preto e o rosto
familiar.
Talvez ainda havia algumas coisas que ele se importasse, depois de tudo. “Alec?”
“Sou eu. “Alec se ajoelhou do outro lado da tênue parede. Era como olhar para alguém através de água clara
ondulando com corrente; Jace podia ver Alec claramente agora, mas ocasionalmente suas feições pareciam
ondular e dissolver como em uma forte chuva tremulante e ondulante.
Aquilo era o suficiente para fazer você enjoar, Jace pensou.
“O que em nome do Anjo é essa coisa?” Alec se aproximou para tocar a parede.
“Não.” Jace se aproximou, então se trouxe de volta rapidamente antes que ele fizesse contato com a parede.
“Ela vai dar um choque em você, talvez te mate, se você tentar passar através dela.”
Alec puxou sua mão de volta com um baixo assobio. “A inquiridora conhece o negócio.”
“É claro que ela conhece. Eu sou um criminoso perigoso. Ou você não tinha ouvido?” Jace ouviu a acidez
em seu próprio tom, viu Alec hesitar, e ficou miseravelmente, momentaneamente, feliz.
“Ela não chamou você de criminoso, exatamente...”
“Não, eu sou apenas um garoto perversinho. Eu faço todos os tipos de coisas ruins, Eu chuto gatinhos. Eu
faço gestos obscenos para freiras.”
“Não brinque. Isso é uma coisa séria.” Os olhos de Alec estavam nebulosos. “O que no inferno você estava
pensando, indo ver Valentine? Quero dizer, sinceramente, o que estava passando pela sua cabeça?”
Uma série de observações espertinhas ocorreram a Jace, mas ele encontrou a si não querendo fazer
nenhuma delas. Ele estava muito cansado. “Eu estava pensando que ele é meu pai.”
Alec pareceu como se ele estivesse mentalmente contando até dez para manter sua paciência. “Jace...”
“Se ele fosse seu pai? O que você faria?”
“Meu pai? Meu pai nunca faria estas coisas que Valentine...”
A cabeça de Jace sacudiu. “Seu pai fez aquelas coisas! Ele estava no Circulo tanto quanto meu pai! Sua mãe
também! Nossos pais era todos o mesmo. A única diferença é que os seus foram pegos e punidos e o meu
não!”
O rosto de Alec se apertou. Mas “A única diferença?” foi tudo o que ele disse.
Jace olhou abaixo suas mãos. As algemas ardentes não foram feitas para serem deixados por tanto tempo.
A pele debaixo delas estavam pontilhadas com esferas de sangue.
“Eu só quis dizer,” Alec disse, “ que eu não vejo como você podia querer ver ele, não depois do que ele fez
no todo, mas depois do que ele fez a você.”
Jace nada disse.
“Todos esses anos,” Alec disse. “ele deixou você pensar que ele estava morto. Talvez você não lembre como
era quando você tinha dez anos de idade, mas eu sim. Ninguém que amasse você poderia fazer..poderia fazer
algo como aquilo.”
Linhas finas de sangue estavam marcando seu caminho abaixo das mãos de Jace, como fios vermelhos
descosturados. “Valentine me disse, “ele disse quietamente, “que se eu apoiasse ele contra a Clave, se eu
fizesse isso, ele assegurou que ninguém que eu me importasse seria machucado. Nem você, ou Isabelle ou
Max. Nem Clary. Nem seus pais, Ele disse...“
“Que ninguém seria ferido?” Alec ecoou zombeteiramente. “Você quer dizer que ele mesmo não iria feri-los.
Legal.”
“Eu vi o que ele pode fazer, Alec. O tipo de força demoníaca que ele pode invocar. Se ele trouxer este
exército de demônios contra a Clave, haverá uma guerra. E as pessoas se machucam em guerras. Elas
morrem em guerras.” ele hesitou. “se você tivesse uma chance de salvar todos os que você ama...”
“Mas que tipo de chance é essa? O que a palavra de Valentine vale?”
“Se ele jurar pelo Anjo que ele vai fazer algo, ele vai fazer isso. Eu conheço ele.”
“Se você apoiar ele contra a Clave.”
Jace concordou.
“Ele deve ter ficado muito chateado quando você disse não.” Alec observou.
Jace olhou acima de seu pulsos sangrando e fitou. “O que?”
“Eu disse...”
“Eu sei o que você disse. O que te faz pensar que eu disse não?”
“Bem, você disse. Não disse?”
Muito lentamente, Jace acenou.
“Eu conheço você, “Alec disse, com suprema confiança, e se levantou.”Você disse a inquiridora sobre
Valentine e seus planos, não é? E ela não ligou?”
“Eu não diria que ela não ligou. Foi mais como se ela realmente não acreditasse em mim. Ela tem um plano
que ela pensa que irá cuidar de Valentine. O único problema é, seu plano é uma merda.”
Alec acenou. “Você pode me informar disso depois. Uma coisa de cada vez: Nós temos que descobrir como
te tirar daqui.”
“O quê?”
A descrença fez Jace se sentir um pouco tonto.” Eu pensei que você veio do lado do ir diretamente para a
cadeia, não ultrapasse, vá, não junte duzentos dólares. 'A Lei é a Lei, Isabelle.' O que foi tudo aquilo que
você estava recitando?”
Alec pareceu surpreso. “Você não pode ter pensado que eu quis dizer isso. Eu só queria que a inquiridora
confiasse em mim, então ela não estaria me observando o tempo todo como ela observa Izzy e Max. Ela
sabe que eles estão do seu lado.”
“E você? Você está ao meu lado? “ Jace podia ouvir a aspereza em sua própria pergunta e estava quase se
esmagando por quanto a resposta significava a ele.”
“Estou com você, “Alec disse, “sempre. Porque você ainda tem que perguntar? Eu posso respeitar a Lei, mas
o que a inquiridora está fazendo com você não tem nada haver com a Lei. Eu não sei exatamente o que está
acontecendo, mas o ódio que ela tem por você é pessoal. Não tem nada haver com a Clave.”
“Eu importuno ela.” Jace disse. “Eu não posso evitar. Fico a flor da pele com burocratas cruéis.
Alec balançou sua cabeça. “ Não é isso também. É um ódio antigo. Eu posso sentir isso.”
Jace estava prestes a responder quando o sino da catedral começou a tocar. Era perto do telhado, o som era
ecoantemente alto. Ele olhou acima – ele ainda meio que esperava ver Hugo voando entre a tiras de madeira
em seu lento, circulo perfeito. O corvo tinha sempre gostado de lá em cima entre as vigas e o teto arqueado
de pedra. Naquele tempo Jace tinha pensado que o pássaro gostava de escavar suas garras dentro da madeira
suave; agora ele notou que as vigas tinha emprestado a ele um excelente ponto de vantagem para espionar.
Uma idéia começou a tomar forma atrás da mente de Jace, escura e indefinida. Alto, ele apenas disse, “ Luke
disse alguma coisa sobre a Inquiridora ter um filho chamado Stephen. Ele disse que ela estava tentando
acertar as contas por ele. Eu perguntei a ela sobre ele e ela ficou fora de si. Eu acho que isso poderia ter algo
haver com o por que ele me odeia tanto.”
Os sinos tinham parado de tocar. Alec disse, “Talvez. Eu podia perguntar aos meus pais, mais eu duvido que
eles me digam.”
“Não, não pergunte a eles. Pergunte ao Luke.”
“Ir por todo o caminho de volta ao Brooklyn, você quer dizer? Olha, escapar daqui vai ser tudo, mais
impossível....”
“Use o telefone de Isabelle. Envie um texto para Clary. Diga a ela para perguntar ao Luke.”
“Ok.” Alec interrompeu. “Você quer eu que diga alguma coisa mais para ela de você? Para Clary, quero
dizer, não Isabelle.”
“Não,” Jace disse. “Eu não tenho nada a dizer a ela.”
“Simon!” Agarrando com força o telefone, Clary girou em direção a Luke. “Ele disse que alguém está
tentando entrar em sua casa.”
“Diga a ele para sair de lá.”
“Eu não posso sair daqui,” Simon disse firmemente. “Não, a não se que eu queira pegar fogo.”
“Luz do dia,” ela disse para Luke, mas ela viu que ele já tinha percebido o problema e estava procurando por
alguma coisa em seus bolsos. Chaves de carro. Ele as segurou.
“Diga a Simon que nós estamos indo. Diga a ele para se trancar em um quarto até que nós cheguemos lá.”
“Você ouviu isso? Se tranque em um quarto.”
“Eu ouvi.” A voz de Simon soava tensa. Clary podia ouvir um suave som arrastando, e então um pesado
baque.
“Simon!”
“Eu estou bem. Eu estou só empilhando coisas contra a porta.”
“Que tipo de coisas?” ela estava na varanda agora, estremecendo em seu fino suéter. Luke, atrás dela, estava
fechando a casa.
“Uma mesa,” Simon disse com alguma satisfação. “E minha cama.”
“Sua cama?” Clary subiu na caminhonete ao lado de Luke, lutando com uma mão com o seu cinto de
segurança enquanto Luke descascava pela rodovia e como foguete pela Kent. Ele o alcançou por cima e
afivelou ele para ela. “Como você levantou sua cama?”
“Você esqueceu. Super força de vampiro.”
“Pergunte o que ele está ouvindo,” Luke disse. Eles estavam velozmente na rua, o que teria sido bom se a
área da margem do rio tivesse sido melhor mantida. Clary arfava cada vez que ele acertava uma poça.
“O que você está ouvindo?” ela perguntou, segurando sua respiração.
“Eu escutei a porta da frente quebrar. Eu acho que alguém deve ter chutado ela. Então Yossarian * veio
correndo para dentro de meu quarto e se escondeu debaixo da cama. Isso é como eu sei que havia
definitivamente alguém em casa.”
*N/T: Yossarian no livro é o gato da casa de Simon. é também o nome do capitão de um grupo de pilotos no
filme Catch 22 (1970)
“E agora?”
“Agora eu não escuto nada.”
“Isso é bom, certo?” Clary se virou para Luke. “Ele disse que ele não ouve nada agora. Talvez eles tenham
ido embora.”
“Talvez.” Luke soou duvidoso. Eles estavam na rodovia expressa agora, correndo em direção ao bairro de
Simon. “Mantenha ele no telefone de qualquer modo.”
“O que você está fazendo agora, Simon?”
“Nada. Eu empurrei tudo em meu quarto contra a porta. Agora eu estou tentando buscar Yossarian por trás
da ventilação de aquecimento.”
“Deixe ele onde ele está.”
“Isso tudo vai ser muito difícil de explicar para minha mãe,” Simon disse, e o telefone ficou mudo. Houve
um clique e então nada, chamada desconectada apareceu no display digital.
“Não. Não!” Clary acertou o botão de rediscagem, seus dedos tremendo.
“Simon atendeu imediatamente. “Desculpe. Yossarian me arranhou e eu derrubei o telefone.”
Sua garganta queimou com o alívio. “Tudo bem, desde que você ainda esteja bem e...”
Um ruído como uma onda quebrando através do telefone,obliterou a voz de Simon. Ela arrancou o telefone
para longe de seu ouvido. No display ainda se lia chamada conectada.
Ela gritou ao telefone. 'Simon, você pode me ouvir?”
O barulho de quebrado parou. Lá havia o som de alguma coisa despedaçando, e um alto e misterioso uivo –
Yossarian? Então o som de alguma coisa pesada acertando o chão.
“Simon?” ela sussurrou.
Houve um clique e então uma lentamente e divertida voz falou em seu ouvido. “Clarissa,” ela disse. “Eu
deveria saber que você está no outro lado da linha.”
Ela apertou seu olhos fechados, seu estômago caindo para baixo dela como se ela estivesse em uma
montanha russa e que tinha feito apenas a primeira queda. “Valentine.”
“Você quer dizer 'Pai'” ele disse, soando genuinamente aborrecido. “Eu deploro este hábito moderno de
chamar os pais pelo primeiro nome.”
“O que eu realmente quero é chamar você de um monte de coisas que não dá pra escrever do que o seu
nome,” ela rebateu. “Onde está Simon?”
“Você quer dizer o garoto vampiro? Questionável companhia para uma garota Caçadora de Sombras de uma
boa família, você não acha? A partir de agora eu vou estar esperando ter uma palavra na sua escolha de
amigos.”
“O que você fez a Simon?”
“Nada,” Valentine disse, divertido.”Ainda.”
E ele desligou.
Naquela hora Alec veio de volta a sala de treinamento, Jace estava deitado no chão, visualizando filas de
garotas dançando em um esforço de ignorar a dor em seus pulsos. E não estava funcionando.
“O que você está fazendo?”Alec disse, ajoelhando tão perto da tremulante parede da prisão quanto ele podia
conseguir. Jace tentou lembrar a si mesmo que quando Alec perguntou sobre este tipo de questão, ele
realmente queria dizer aquilo, e que ela era algo que ele tinha se achado gostando do que aborrecido. Ele
falhou.
“Eu pensei em me deitar sobre o chão e me contorcer em dor por enquanto,”ele gemeu. “Isso me relaxa.”
“Isso relaxa? Oh – você esta sendo sarcástico. Isso é um bom sinal, provavelmente,” Alec disse. “Se você
puder se sentar, você pode querer. Eu vou tentar deslizar uma coisa através da parede.”
Jace se sentou tão rapidamente que sua cabeça girou. “Alec, não...”
Mas Alec já tinha se movido para empurrar algo em direção a ele com ambas as mãos, como se ele estivesse
rolando uma bola para uma criança. Uma esfera vermelha quebrou através da cortina tremulante e rolou para
Jace. Batendo gentilmente contra seu joelho.
“Uma maça.” Ele pegou ela com certa dificuldade. “Que apropriado.”
“Eu achei que você poderia estar com fome.”
“Eu estou.” Jace tirou um pedaço da maça, o suco correu abaixo de suas mãos e fritou nas chamas azuis que
algemavam seus pulsos. “Você enviou o texto a Clary.”
“Não. Isabelle não me deixou entrar em seu quarto. Ele só jogou coisas contra a porta e gritou. Ele disse que
se eu entrasse ela pularia pela janela. Ela quer fazer isso também.”
“Provavelmente.”
“Estou com a sensação,” Alec disse, e sorriu, “que ela não vai me perdoar por traí-lo, enquanto ela
preocupar com isso.”
“Boa garota, “ Jace disse com apreciação.
“Eu não traí você, idiota.”
“É o pensamento que conta.”
se
“Bom, porque eu trouxe para você algo mais, também. Eu não sei se isso vai funcionar, mas vale a pena
tentar.” Ele deslizou algo pequeno e metálico através da parede. Era um disco prateado do tamanho de uma
moeda. Jace colocou a maça de lado e pegou o disco curiosamente. “O que é isso?”
“Eu peguei isso da mesa na biblioteca. Eu tinha visto meus pais usarem isso antes tirarem as restrições. Eu
acho que ela é uma runa de destrancar. Vale a pena tentar...”
“Obrigado.” Jace esfregou seus pulsos. Cada uma envolvida com uma linha de aquecida de pele sangrando.
Ele começou a ser capaz de sentir as pontas de seus dedos novamente. “Isso não é um arquivo escondido em
bolo de aniversário, mas isso vai manter minhas mãos de caírem.”
Alec olhou para ele. As ondulantes linhas da cortina de chuva fazia seu rosto parecer alongado, preocupado
– ou talvez ele estivesse preocupado. “Você sabe, algo me ocorreu quanto eu estava falando com Isabelle
mais cedo. Eu disse a ela que ela não poderia pular da janela – e não para tentar ou para se matar.
Jace acenou. “Soa um fraternal e grande conselho.”
“Mas eu comecei a me perguntar se isso era verdade em seu caso – quero dizer, eu tenho visto você fazer
coisas que são praticamente vôos. Eu vi você cair três vezes e aterrizar como um gato, pular do terreno de
um telhado...”
“Ouvir minhas conquistas recitadas é certamente gratificante, mas eu não estou certo de qual é o seu ponto,
Alec.”
“Meu ponto é que existem quatro paredes nesta prisão, não cinco.”
Jace fitou ele. “Então Hodge não estava mentindo quando disse que nós iríamos realmente utilizar
geometria em nossas vidas diárias. Você tem razão. Há quatro paredes nesta prisão. Agora se a inquiridora
tivesse partido com duas, eu poderia...”
“JACE,” Alec disse, perdendo a paciência. “Eu quero dizer, que não há topo na cela. Nada entre você e o
teto.”
Jace suspendeu sua cabeça para trás. As vigas parecia oscilar vertiginosamente altas sobre ele, perdidas na
sombra. “Você está louco.”
Jace olhou para Alec – para seu aberto, rosto honesto e seus constantes olhos azuis. Ele é maluco, Jace
pensou. Aquilo era verdade, no calor da luta, ele tinha feito algumas coisas maravilhosas, mas eles todos
tinham. Sangue de Caçador de Sombras, anos de treinamento...mas ele não podia pular nove metros acima,
direto no ar.
Como você sabe que não pode, disse uma voz suave em sua cabeça, se você nunca tentou isso?
A voz de Clary. Ele pensou nela e suas runas, na Cidade do Silêncio e as algemas estourando fora de seus
pulsos como se eles tivessem rachado debaixo de uma enorme pressão. Ele e Clary compartilhavam do
mesmo sangue. Se Clary podia fazer coisas que não deveriam ser possíveis...
Ele ficou em seus pés, quase relutantemente, e olhou ao redor, tomando um lento oscilar do quarto. Ele
podia ainda ver o chão – os longos espelhos e a multidão de armas penduradas nas paredes, as lâminas
cintilando meramente, através da cortina de fogo prata que cercava ele. Ele se curvou e recuperou a maçã
meio mordida do piso, olhou para ela por um momento considerando – então ergueu seu braço para trás e
atirou ela tão forte quanto ele podia. A maçã navegou através do ar, acertando a tremulante parede prata, e
queimou e explodiu em uma coroa de chama azul derretida.
Jace ouviu Alec ofegar. Então a Inquiridora não tinha exagerado. Se ele batesse em uma das paredes da
prisão muito duramente, ele morreria.
Alec estava em seus pés, subitamente hesitando.”Jace, eu não sei...”
“Cala a boca, Alec. E não me olhe. Isso não está ajudando.”
Seja lá o que Alec disse em resposta, Jace não ouviu. Ele estava fazendo um lento girar no local, seus olhos
focados nas vigas. As runas davam a ele um excelente longo ponto de visão, as vigas vinham melhor em
foco: Ele podia ver as suas arestas lascadas, seus espirais e amarras, as manchas preta pela idade. Mas elas
eram sólidas. Elas tinha segurado o telhado do Instituto por centenas de anos. Elas podia segurar um garoto
adolescente. Ele flexionou seus dedos, tomando profundas, lentas e controladas respirações, como seu pai
tinha ensinado a ele. Em seus olhos da mente ele podia ver a si mesmo pulando, pairando, capturando a viga
com facilidade e balançando a si mesmo acima, nela. Ele era luz, ele disse para si mesmo, luz como uma
flecha, levantando vôo facilmente em seu caminho através do ar, rápida e impossível de ser parada. Isso
seria fácil, ele disse para si. Fácil.
“Eu sou a flecha de Valentine,” Jace sussurrou. “Quer ele saiba ou não.”
E ele saltou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário