sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 14

14 – Destemido
Parte Três
Dia da fúria
Dia da fúria, aquele dia de incêndio,
Vidente e profetiza falam a respeito,
O mundo todo para cinzas tornar.
Abraham Coles
Quando Clary acordou, a luz estava jorrando através das janelas e havia uma dor aguda em sua bochecha
esquerda. Rolando acima, ela viu que tinha caído no sono sobre seu caderno de esboços e o canto dele tinha
estado escavando em seu rosto. Ela também tinha largado a caneta sobre o edredom, e havia uma mancha se
espalhando sobre o tecido. Com um gemido ela sentou-se, esfregando sua bochecha com tristeza , e foi em
busca de um banho.
O banheiro dava sinais de atividades da noite anterior; havia panos ensangüentados empurrados dentro da
lixeira e um cheiro de sangue seco na pia. Com um estremecimento Clary mergulhou no chuveiro com um
frasco de sabonete líquido de toranja*, determinada a esfregar para longe sua persistente sensação de
desconforto.
*N/T: Toranja/toronja ou grapefruit – é uma fruta cítrica híbrida
Depois, envolta em um dos robes de Luke e com uma toalha ao redor de seu cabelo úmido, ela empurrou a
porta para descobrir Magnus presente do outro lado, agarrando uma toalha em uma mão e seu cabelo
reluzente com a outra. Ele deve ter dormido sobre ela, ela pensou, porque um lado dos picos brilhosos
parecia denteado. “ Porque que as garotas levam tanto tempo no chuveiro? ” ele exigiu. “Garotas mortais,
Caçadoras de sombras, bruxas, vocês são todas iguais. Eu não vou ficar mais jovem esperando aqui fora.”
Clary andou de lado para deixar ele passar. “À propósito, quantos anos você tem?” ela perguntou
curiosamente.
Magnus piscou para ela. “Eu estava vivo quando o mar morto era apenas um lago que estava se sentindo
pobrezinho.”
Clary rolou seus olhos.
Magnus fez um movimento enxotando. “Agora mova seu delicado traseiro. Eu tenho que entrar; meu cabelo
está um desastre.”

“Não use todo o meu sabonete líquido, é caro,” Clary disse a ele, e guiou-se para a cozinha, onde ela
escavou em torno por filtros e conectou a máquina do Sr. Café. O familiar borbulhar do coador e o cheiro
de café amorteceram a sensação de inquietação. Enquanto houvesse café no mundo,quão ruins as coisas
poderiam ser?
Ela foi de volta ao quarto para se vestir. Dez minutos mais tarde, em jeans e um suéter listrado de azul e
verde, ele estava na sala de estar chacoalhando Luke para acordá-lo. Ele sentou com um bocejo, seu cabelo
bagunçado e seu rosto enrugado com o sono.
“Como você está se sentindo?” Clary perguntou, segurando para ele uma caneca rachada cheia do fumegante
café.
“Melhor agora.”Luke olhou abaixo o rasgão no tecido de sua camisa; os cantos do rasgo estavam
manchados com sangue. “Onde está Maia?”
“Ela está dormindo em seu quarto, lembra? Você disse que ela podia ficar com ele.” Clary se empoleirou no
braço do sofá.
Luke esfregou seus olhos embaçados.” Eu não me lembro da noite passada muito bem,” ele admitiu. “Me
lembro de sair do carro e não muito depois disso.”
“Havia mais demônios escondidos lá fora. Eles atacaram você. Jace e eu cuidamos deles.”
“Mais demônios Drevak?”
“Não.” Clary falou com relutância. “Jace chamou eles de demônios Raum.”
“Demônios Raum?” Luke se sentou ereto. “Isso é coisa séria. Demônios Drevak são perigosos, mais o
Raum...”
“Está tudo bem,” Clary disse a ele.”Nós nos livramos deles.”
“Você se livrou deles? Ou foi Jace? Clary, eu não quero você...”
“Não foi assim.” Ela balançou sua cabeça. “Foi como...”
“Magnus não estava por aqui? Por que ele não foi com você?” Luke interrompeu, claramente chateado.
“Eu estava curando você, este é o porquê,” Magnus disse, vindo para a sala de estar cheirando fortemente a
toranja. Seu cabelo estava envolvido em uma toalha e ele vestia um agasalho azul de cetim com listas prata
dos lados. “Onde está a gratidão?”
“Eu sou grato.” Luke parecia como se ele estivesse tanto com raiva e tentando não rir ao mesmo tempo. “É
só que se alguma coisa tivesse acontecido com Clary...”
“Você teria morrido se eu tivesse ido lá com eles,” Magnus disse, se jogando em uma cadeira.”E então Clary
teria ficado muito pior. Clary e Jace lidaram com os demônios muito bem por sua própria conta, não é?” Ele
se virou para Clary.
Ela se contorceu. “Veja bem, isso é só....”
“O que é só isso?” Era Maia, ainda nas roupas que ela tinha usado na noite passada, com uma enorme
camisa de flanela de Luke jogada sobre sua camiseta. Ela se moveu rigidamente pela sala e sentou

delicadamente em uma cadeira. “É café que eu cheiro?” ela perguntou esperançosamente, enrugando seu
nariz.
Honestamente, Clary pensou, era dificilmente justo para uma lobisomem ser curvilínea e bonita; ela deve ser
grande e peluda, possivelmente com cabelo saindo de suas orelhas. E isso, Clary adicionou silenciosamente,
é exatamente o porquê eu não tenho nenhuma amiga e passo todo meu tempo com Simon. Ela se levantou.
“Você quer um pouco?”
“Claro.” Maia concordou. “Leite e açúcar!” ela falou enquanto Clary deixava a sala, mas na hora em que ela
estava de volta da cozinha, uma caneca fumegante em sua mão, a garota lobisomem estava fazendo careta.
“Eu realmente não me lembro o que aconteceu na noite passada,” ela disse, “mas havia alguma coisa em
Simon, algo que me chateou...”
“Bem, você tentou matá-lo,” Clary disse, sentando de volta no braço do sofá. “Talvez seja isso.”
Maia empalideceu, olhando para baixo em seu café.” Eu tinha esquecido. Ele é um vampiro agora.” Ela
olhou para Clary.”Eu não queria machucar ele. Eu só estava...”
“Sim?” Clary levantou suas sobrancelhas. “Só o que?”
O rosto de Maia foi a um lento vermelho escuro. Ela assentou seu café sobre a mesa ao lado dela.
“Você pode querer se deitar” Magnus advertiu. “Acho que ajuda quando a sensação esmagadora da horrível
compreensão cai em si.”
Os olhos de Maia se encheram, de repente, de lágrimas. Clary olhou em direção a Magnus em horror, ele
pareceu igualmente chocado, ela notou – e então para Luke. “ Faça alguma coisa,” ela sibilou a ele debaixo
de sua respiração. Magnus podia ser uma bruxo que poderia curar lesões mortais com um flash de luz azul,
mas Luke era sem dúvida a melhor escolha entre os dois para lidar com o choro de garotas adolescentes.
Luke começou a chutar seu cobertor em preparação para se levantar, mas antes que ele pudesse ficar em seus
pés, a porta da frente bateu aberta e Jace entrou, seguido por Alec, que estava carregando uma caixa branca.
Magnus apressadamente puxou a toalha de sua cabeça e deixou ela cair atrás da cadeira. Sem o gel e o glitter
seu cabelo era escuro e liso, na altura de seus ombros.
Os olhos de Clary foram imediatamente para Jace, como eles sempre faziam; ela não podia evitar, mas pelo
menos ninguém pareceu perceber. Jace parecia inseguro, nervoso e tenso, mas também exausto, seus olhos
rodeados com cinza. Seus olhos deslizaram sobre ela sem expressão e repousaram em Maia, que ainda
estava chorando silenciosamente e não parecia ter ouvido eles chegarem. “Todo mundo de bom humor, estou
vendo,” ele observou.” Mantendo a moral?”
Maia esfregou seus olhos.”Merda,” ela murmurou.”Eu odeio chorar na frente de Caçadores de Sombras.”
“Então vá chorar em outra sala,” Jace disse, sua voz desprovida de calor.”Nós certamente não precisamos de
você choramingando aqui enquanto nós conversamos, não é?
“Jace,” Luke começou alertando, mas Maia já tinha ficado em pé e caminhado para fora da sala para a porta
da cozinha.
Clary virou-se para Jace.”Falando? Nós não estávamos falando.”
“Mas nós vamos,” Jace disse, sentando pesadamente no banco do piano e esticando suas longas pernas.
“Magnus quer gritar comigo, não é, Magnus?”

“Sim,” Magnus disse, afastando seus olhos para longe de Alec o suficiente para fazer uma careta. “Onde
pelos infernos você estava? Eu pensei que estava claro a você que era para ficar em casa.”
“Eu pensei que ele não tivesse escolha,” Clary disse.”Pensei que ele tinha que ficar onde você está. Você
sabe, por causa da mágica.”
“Normalmente, sim,” Magnus disse zangado, “mas ontem à noite, depois de tudo o que eu fiz, a minha
mágica ficou esgotada.”
“Esgotada?”
“Sim.” Magnus parecia com mais raiva do que nunca. “Mesmo para o Alto Bruxo do Brooklyn não existem
recursos inesgotáveis. Eu sou apenas humano. Bem,” ele se corrigiu, “meio humano, de qualquer modo.”
“Mas você deve saber que seu recursos estão esgotados,” Luke disse, não sendo grosseiro, “não é?”
“Sim, eu fiz o pequeno bastardo jurar que ia ficar em casa.” Magnus olhou para Jace.” Agora eu sei que os
seus tão gabados juramentos de Caçador de Sombra são importantes.”
“Você precisa me fazer jurar apropriadamente,” Jace disse, sem se intimidar. “Apenas um juramento sobre o
Anjo tem algum significado.”
“É verdade,” Alec disse. Foi a primeira coisa que ele disse desde que eles entraram em casa.
“É claro que é verdade.” Jace pegou a caneca de café intocada de Maia e tomou um gole. Ele fez uma careta.
“Açúcar.”
“À propósito, onde você esteve a noite toda?” Magnus perguntou, sua voz azeda.”Com Alec?”
“Eu não podia dormir, então eu sai para uma caminhada,” Jace disse. “quando eu voltei eu tropecei nesse
triste bastardo vagueando pela varanda.” Ele apontou para Alec.
Magnus animou-se. “Você esteve lá a noite toda?” Ele perguntou a Alec.
“Não,” Alec disse.” Eu fui para casa e então voltei. Eu estou vestindo roupas diferentes, não estou? Olhe.”
Todo mundo olhou. Alec estava usando um suéter escuro e jeans, que eram exatamente o que ele tinha usado
no dia anterior. Clary decidiu dar a ele o benefício da dúvida.” O que tem na caixa?” ela perguntou.
“Oh. Ah.” Alec olhou para a caixa como se ele tivesse esquecido ela.”Donuts, na verdade.” Ele abriu a caixa
e colocou ela abaixo na mesa de café. “Alguém quer um?”
Todos, como se viu, queria um donuts. Jace quis dois. Depois de engolir o creme de Boston que Clary trouxe
para ele, Luke pareceu moderadamente revitalizado; ele chutou o cobertor o resto do caminho e sentou
contra as costas do sofá. “Há uma coisa que eu não entendi,” ele disse.
“Só uma coisa? Você está a frente do resto de nós,”Jace disse.
“Dois de vocês saíram atrás de mim quanto eu não voltei para casa,” Luke disse, olhando de Clary para Jace.
“Três de nós.” Clary disse. “Simon veio com a gente.”

Luke pareceu triste. “Ótimo. Três de vocês. Havia dois demônios, mas Clary disse que não matou nenhum
deles. Então o que aconteceu?”
“Eu teria matado o meu, mas ele fugiu,” Jace disse. “Por outro lado...”
“Mas por que eles fariam isso?” Alec perguntou.”Dois deles, três de vocês – talvez eles estivessem em
menor número?”
“Sem ofensa a qualquer dos envolvidos, mas o único que parece ser formidável é Jace,” Magnus disse.
“Uma Caçadora de Sombras destreinada e um vampiro assustado...”
“Acho que poderia ter sido eu,” Clary disse. “Eu acho que talvez eu tenha o assustado.”
Magnus piscou. “Eu não quis dizer...”
“Eu não quero dizer que eu assustei ele porque eu sou assustadora.” Clary disse. “Eu acho que foi isso.” Ela
levantou sua mão, virando ela para que eles pudessem ver a marca no interior do seu braço.
Houve então um súbito silêncio. Jace olhou para ela firmemente, e então para longe; Alec piscou, e Luke
parecia atônito. “Eu nunca vi esta marca antes.” ele disse finalmente. “Alguém mais?”
“Não.” Magnus disse. “Mas eu não gosto dela.”
“Eu não tenho certeza do que ela é, ou o que ela significa,” Clary disse, baixando seu braço. “Mas ela não
veio do Livro Cinza.”
“Todas as runas vem do Livro Cinza.” A voz de Jace era firme.
“Não está.” Clary disse. “Eu a vi em um sonho.”
“Em um sonho?” Jace pareceu tão furioso como se ela estivesse pessoalmente insultando ele.”Do que você
está brincando, Clary?”
“Eu não estou brincando de nada. Você se lembra quanto nós estivemos na corte de Seelie...”
Jace pareceu como se ela tivesse batido nele. Clary continuou, rapidamente, antes que ele pudesse dizer
alguma coisa.
“...e a Rainha de Seelie nos disse que eramos experiências? Que Valentine tinha feito – tinha feito coisas
conosco, para nos fazer diferentes, especiais? Ela me disse que meu era o dom das palavras que não podem
ser faladas, e o seu era o dom do próprio Anjo?”
“Isso foi besteiras de fadas.”
“Fadas não mentem, Jace. Palavras que não podem ser faladas – ela quis dizer runas. Cada uma tem um
significado diferente, mas elas precisam ser desenhadas, não ditas alto.” Ela continuou, ignorando seu olhar
de dúvida. “Lembra quando você me perguntou como eu tinha tirado você da cela na Cidade do Silêncio?
Eu disse a você que tinha apenas usado uma runa de Abertura...”
“O que foi que você fez?” Alec pareceu surpreso.” Eu cheguei lá logo depois do que você fez e ela estava
como se alguém tivesse rasgado a porta fora das suas dobradiças.”
“E minha runa não apenas destrancou a porta,” Clary disse.”Ela destrancou tudo dentro da cela também. Ela

quebrou as algemas de Jace.” Ela tomou fôlego.” Acho que a Rainha quis dizer que eu posso desenhar runas
que são mais poderosas do que as runas comuns. E talvez até mesmo criar novas.”
Jace balançou sua cabeça. “Ninguém pode criar novas runas...”
“Talvez ela possa, Jace.”Alec pareceu pensativo. “É verdade, nenhum de nós mesmos vimos esta marca no
braço dela antes.”
“Alec está certo,” Luke disse. “Clary, por que você não vai e pega seu caderno de esboços.”
Ela olhou para ele com alguma surpresa. Seus olhos cinza azulados estavam cansados, uma pouco fundos,
mas prendiam a mesma constância que eles tinham prendido quando ela tinha seis anos e ele prometeu a ela
que se ela subisse o labirinto* no playground do Prospect Park, ele sempre estaria em pé embaixo para pegá-
la se ela caísse. E ele sempre tinha estado.
* N/T: Labirinto ou gaiola – é um brinquedos feito de barras para se escalar
“Ok,” ela disse. “Eu já volto.”
Para se chegar ao quarto de reserva, Clary tinha que atravessar a cozinha, onde ela encontrou Maia sentada
em um banqueta puxado do balcão, parecendo triste. “Clary,”ela disse, pulando do banquinho. “Eu posso
falar com você por um segundo?”
“Eu estou indo ao meu quarto pegar uma coisa...”
“Olha, me desculpe sobre o que aconteceu com Simon. Eu estava delirando.”
“Oh, sim? O que aconteceu com o todo aquele negócio dos lobisomens estar destinados a odiar os
vampiros?”
Maia assoviou em uma respiração exasperada. “Nós somos mas...eu acho que eu não tenho que apressar o
processo.”
“Não explique isso para mim; explique isso para Simon.”
Maia enrubesceu novamente, suas bochechas ficando vermelhas escuras.”Eu duvido que ele vai querer falar
comigo.”
“Ele vai. Ele é ótimo em perdoar.”
Maia olhou para ela com mais atenção. “Não que eu queira bisbilhotar, mas vocês dois estão saindo?”
Clary sentiu a si mesma começar a enrubescer e agradeceu por suas sardas por providenciarem alguma
cobertura. “Por que você quer saber?”
Maia deu de ombros. “A primeira vez que eu encontrei ele, ele se referiu a você como sendo sua melhor
amiga, mas na segunda vez ele chamou você de sua namorada. Eu me perguntei se isso era uma coisa de vai
e volta.”
“Mais ou menos. Nós éramos amigos primeiro. É uma longa história.”
“Sei.” O rubor de Maia havia desaparecido e seu afetado sorriso de garota estava de volta em seu rosto.
“Bem, você tem sorte, só isso. Mesmo que ele seja um vampiro agora. Você deve ser muito boa lidando com
todas essas coisas estranhas, sendo uma Caçadora de Sombras, então eu aposto que isso não amedronta

você.”
“Isso me amedronta.” Clary disse, mais acidamente do que ela pretendia. “Eu não sou o Jace.”
O sorriso forçado se ampliou. “Ninguém é. E eu tenho a sensação que ele sabe disso.”
“O que você quer dizer?”
“Oh, você sabe. Jace me lembra um antigo namorado. Jace olha para você como se vocês já tivessem feito
sexo, que foi ótimo e que agora vocês são apenas amigos – apesar de você querer mais. Deixam as garotas
malucas. Você sabe o que eu quero dizer?”
Sim,
Clary pensou. “Não,” ela disse.
“Eu acho que não, sendo sua irmã. Você vai ter que me acreditar nisso.”
“Eu tenho que ir.” Clary estava quase na porta da cozinha quando algo lhe ocorreu e ela se virou. “O que
aconteceu com ele?”
Maia piscou. “O que aconteceu com quem?”
“O antigo namorado. O que Jace lembra ele.”
“Oh,” Maia disse. “Ele foi quem me transformou em um lobisomem.”
“Tudo bem, saquei,” Clary disse, e voltando para a sala de estar com seu caderno de esboços em uma mão e
uma caixa de lápis da Primacolor em outra. Ela empurrou uma cadeira da pequena e usada mesa na sala de
jantar – Luke sempre comia na cozinha ou no seu escritório, e a mesa estava coberta de papel e contas
antigas – e sentou, o caderno em frente a ela. Ela se sentia como se estivesse fazendo um teste na escola de
artes. Desenhe esta maça. “O que você quer que eu faça?”
“O que você acha?” Jace estava ainda sentado no banco do piano, seus ombros caídos a frente; ele parecia
como se não tivesse dormido a noite toda. Alec estava inclinado contra o piano, atrás dele, provavelmente
porque estava tão longe de Magnus quanto ele podia.
“Jace, já chega.” Luke estava sentado ereto mas parecia como se aquilo fosse algo com algum esforço.”Você
disse que poderia desenhar novas runas, Clary?”
“Eu disse que eu achava que sim.”
“Bom, eu gostaria que você tentasse.”
“Agora?”
Luke sorriu ligeiramente.”A não ser que você tenha alguma coisa em mente?”
Clary folheou o caderno para uma página em branco e olhou abaixo ela. Nunca tinha uma folha de papel
parecido tão vazia para ela antes. Ela podia sentir o silêncio na sala, todo mundo olhando ela: Magnus com
sua antiga e temperada curiosidade; Alec muito preocupado com seus próprios problemas para se importar
muito com os dela; Luke esperançoso; e Jace com um frio e assustador vazio. Ela se lembrou dele dizendo
que ele desejava que ele pudesse odiar ela e se perguntou se algum dia ele teria sucesso.

Ela jogou seu lápis abaixo. “Eu não posso fazer isso com um comando como esse. Não sem uma idéia.”
“Que tipo de idéia?” Luke disse.
“Eu quero dizer, eu nem mesmo sei que runas já existem. Eu preciso saber um significado, uma palavra,
antes que eu possa desenhar a runa para ela.”
“Isso é difícil o suficiente para nós nos lembrarmos de cada runa...,” Alec começou, mas Jace, para surpresa
de Clary, interrompeu ele.”
“Que tal isso,” ele disse quietamente, “Destemido”
“Destemido?” ela ecoou.
“Há runas para bravura,” Jace disse.” Mas não há nada para tirar o medo. Mas se você, como diz, puder criar
novas runas...” Ele olhou ao redor, e viu as expressões de surpresa de Alec e Luke. “Olha, eu só me lembrei
que não existe uma, só isso. E parece inofensivo o suficiente.”
Clary olhou para Luke, que deu de ombros. “Tudo bem,” ele disse.
Clary pegou um lápis cinza escuro da caixa e colocou sua ponta no papel. Ela pensou nas formas, linhas,
curvaturas, ela pensou nas marcas no Livro Cinza, antigas e perfeitas, materializadas de uma linguagem
muito indefectível para serem ditas. Uma suave voz falou dentro de sua cabeça: Quem é você, para pensar
que pode falar a linguagem do céu?
O lápis se moveu. Ela estava quase certa que ela não tinha movido ele, mas ele deslizou através do papel,
descrevendo uma única linha. Ela sentiu seu coração pular. Ela pensou em sua mão, sentada sonhadoramente
perante sua tela, criando ela mesma a visão do mundo em tinta e pintura à óleo. Ela pensou, Quem eu sou?
Eu sou a filha de Jocelyn Fray. O lápis se moveu novamente, e dessa vez sua respiração prendeu; ela se
encontrou sussurrando a palavra: “Destemido. Destemido.” O lápis enlaçou, e agora ela estava guiando ele
ao invés de sendo guiada por ele. Quando ela terminou, ela colocou o lápis abaixo e olhou por um
momento, admiradamente, o resultado.
A finalizada runa destemido era uma matriz de linhas fortemente serpenteadas: uma runa como negrito e
aerodinâmica como uma águia. Ela rasgou a folha e segurou ela, então os outros poderiam vê-la. “Aqui,” ela
disse, e foi recompensada pelo chocante olhar no rosto de Luke - então ele não tinha acreditado nela – e o
ínfimo alargar dos olhos de Jace.
“Legal,” Alec disse.
Jace ficou em seus pés e cruzou a sala, pegando a folha de sua mão. “Mas ela funciona?”
Clary se perguntou se ele tencionou a pergunta ou se ele estava só sendo desagradável. “O que você quer
dizer:”
“Quero dizer, como nós sabemos que ela funciona? Agora ela é só um desenho – você não pode tirar o medo
de um pedaço de papel, não tem nenhum para começar. Nós temos que tentar ela em um de nós, antes de nós
podermos ter certeza de que é uma runa de verdade.”
“Não tenho certeza se essa é uma boa idéia,” Luke disse.
“É uma idéia fabulosa.” Jace largou o papel de volta a mesa, e começou a deslizar sua jaqueta.” Eu tenho
uma estela que podemos usar. Quem quer fazer em mim?”

“Uma lamentável escolha de palavras,” murmurou Magnus.
Luke se levantou, “Não,” ele disse. “Jace, você já se comporta como se nunca tivesse ouvido a palavra
'medo'. Não vejo como vamos ser capazes de dizer a diferença, se elas funcionarem em você.”
Alec abafou o que soou como uma risada. Jace simplesmente sorriu um apertado, sorriso não amigável.
“Eu ouvi a palavra 'medo',” ele disse. “Eu simplesmente escolhi acreditar que ela não se aplica a mim.”
“Exatamente o problema,” Luke disse.
“Bem, por que não tentamos em você, então?” Clary disse, mas Luke balançou sua cabeça.
“Você não pode marcar Downworlders, Clary, não com algum efeito de verdade. A doença do demônio que
causa a licantropia impede que as marcas tenham efeito.”
“Então...”
“Tente em mim,” Alec disse inesperadamente. “Eu podia ter algum destemor.” ele deslizou seu casaco,
jogando ele sobre o banco do piano, e cruzou a sala para estar na frente de Jace. “Aqui. Marque meu braço.”
Jace olhou para Clary. “A menos você acha que você deve fazê-la.”
Ela balançou sua cabeça. “Não. Você é provavelmente melhor aplicando marcas do que eu.”
Jace deu de ombros. “Enrole sua manga, Alec.”
Obedientemente, Alec enrolou sua manga. Já havia marcas permanentes no interior de seu braço, um
elegante espiral de linhas significando que dava a ele um perfeito equilíbrio. Todos eles se inclinaram a
frente, até mesmo Magnus, enquanto Jace cuidadosamente traçava os contornos da runa Destemido no braço
de Alec, logo abaixo da runa existente. Alec piscou enquanto a estela traçava seu caminho ardente através
de sua pele. Quando Jace tinha terminado, ele deslizou sua estela de volta a seu bolso e parou por um
momento, admirando seu trabalho manual. “Bem, pelo menos ela parece bonita,” ele anunciou. “Quer ela
funcione ou não...”
Alec tocou sua nova marca com as pontas de seus dedos, então olhou acima para encontrar cada um da sala
encarando ele.
“Então?” Clary disse.
“Então o que?” Ale desenrolou sua manga, cobrindo a marca.
“Então, como você se sente? Alguma diferença?”
Alec pareceu considerar. “Realmente não.”
Jace jogou suas mãos para cima.” Então, ela não funciona.”
“Não necessariamente,” Luke disse.”Pode ser simplesmente que nada está acontecendo para ativar ela.
Talvez não há nada aqui que Alec tenha medo.”
Magnus olhou para Alec e levantou suas sobrancelhas. “Boo,” ele disse.

Jace estava rindo.”Vamos lá, com certeza você tem uma fobia ou duas. O que assusta você?”
Alec pensou por um momento. “Aranhas,” ele disse.
Clary se virou para Luke“ Você tem alguma aranha em algum lugar?”
Luke pareceu exasperado.” Por que eu teria uma aranha? Eu pareço com alguém que coleciona elas?”
“Sem ofensa,” Jace disse, “mas você é o tipo.”
“Sabe de uma coisa” - o tom de Alec estava azedo - “talvez esta foi uma experiência estúpida.”
“E sobre o escuro?” Clary sugeriu” Nós podíamos trancar você no porão.”
“Eu sou um caçador de demônios,” Alec disse, com paciência exagerada.”Obviamente, eu não tenho medo
de escuro.”
“Bem, você poderia ter.”
“Mas eu não tenho.”
Clary foi poupada de responder pelo zumbido da campainha. Ela olhou para Luke, levantando suas
sobrancelhas. “Simon?”
“Não pode ser. É dia.”
“Oh, certo.” Ela tinha se esquecido de novo. “Você quer que eu atenda?”
“Não. Ele se levantou com um curto gemido de dor.”Eu estou bem, É provavelmente alguém se perguntando
o porquê da livraria estar fechada.”
Ele atravessou a sala e jogou a porta aberta, Seus ombros ficaram rígidos em surpresa; Clary ouviu o latido
de uma familiar, estridente e zangada voz feminina, e um momento depois Isabelle e Maryse Lightwood se
empurravam passando Luke e caminhavam pela sala, seguidas de uma cinza e ameaçadora figura da
Inquiridora. Atrás delas estava uma alto e corpulento homem, cabelo escuro e pele de oliva, com uma
espessa barba negra. Embora tivesse sido tirada a muitos anos, Clary reconheceu ele da antiga foto que
Hodge tinha mostrado para ela: Este era Robert Lightwood, o pai de Alec e Isabelle.
A cabeça de Magnus se levantou com um estalo. Jace empalideceu acentuadamente, mas não mostrou
qualquer emoção. E Alec - Alec olhou para sua irmã, para sua mãe, para seu pai e então olhou para Magnus,
seus claros, olhos azul brilhantes escurecidos com uma dura resolução. Ele deu um passo a frente, colocando
a si mesmo entre seus pais e todos os outros na sala.
Maryse, vendo seu filho mais velho no meio da sala de estar de Luke, teve uma reação atrasada. “Alec, o
que na terra você está fazendo aqui? Eu pensei que eu deixei claro que...”
“Mãe.” A voz de Alec enquanto interrompia sua mãe era firme, implacável, e não indelicada. “Pai, há algo
que eu quero dizer a vocês.” Ele sorriu para eles.”Estou vendo alguém.”
Robert Lightwood olhou para seu filho com exasperação. “Alec,” ele disse.”Está dificilmente é a hora.”
“Sim, é. Isso é importante. Veja bem, Eu não estou apenas vendo alguém.”As palavras pareciam jorrar de
Alec em uma torrente, enquanto seus pais olhavam em confusão. Isabelle e Magnus estavam olhando para

ele com expressões proximamente de idêntico espanto. “Eu estou vendo um Downworlder. Na verdade, eu
estou vendo um br...”
Os dedos de Magnus se moveram, rápidos como um flash de luz, na direção de Alec. Houve um ligeiro
tremular de ar ao redor de Alec – seus olhos rolaram – e ele caiu no chão, derrubado como uma árvore.
“Alec!” Maryse lançou sua mão à boca. Isabelle, que tinha estado mais próxima de seu irmão, se jogou no
chão ao lado dele. Mas Alec já tinha começado a se mexer, suas pálpebras flutuando abertas.
“ O qu – o que – por que eu eu estou no chão?”
“Essa é uma boa pergunta.” Isabelle apoiando seu irmão. “O que foi isso?”
“O que foi o que?” Alec sentou-se, segurando sua cabeça. Um olhar de alarme cruzou seu rosto. “Espere –
eu disse alguma coisa? Antes que desmaiasse, eu quero dizer.”
Jace aspirou. “Você sabe como nós estávamos nos perguntando se aquela coisa que Clary fez funcionava ou
não?” Ele perguntou. “Ela funciona muito bem.”
Alec pareceu extremamente horrorizado. “ O que eu disse?”
“Você disse que estava vendo alguém,” seu pai disse a ele.”Apesar de não ter ficado claro como o porquê
que era importante.”
“Não é, “ Alec disse. “Quero dizer, eu não estou vendo ninguém. E isso não é importante. Ou não seria se eu
estivesse vendo alguém, o que eu não estou.”
Magnus olhou para ele como se ele fosse um idiota. “Alec tem estado delirante,” ele disse. “Efeito colateral
de alguma toxina de demônio. Mais infelizmente, ele estará bem em breve.”
“Toxinas de demônio? A voz de Maryse tinha se tornado estridente. “Ninguém reportou um ataque e de
demônio para o Instituto. O que está acontecendo aqui, Lucian? Esta é sua casa, não é? Você sabe
perfeitamente bem que se houver um ataque de demônio você tem que supostamente comunicar ele...”
“Luke foi atacado também,” Clary disse. “Ele estava inconsciente.”
“Que conveniente. Todo mundo estava inconsciente ou aparentemente delirando,” disse a Inquiridora. Sua
voz como faca cortava através da sala. Silenciando todos. “Downworlder, você sabe perfeitamente bem que
Jonathan Morgenstern deveria não estar em sua casa. Ele deveria estar preso ao cuidados do bruxo.”
“Eu tenho um nome, sabe,” Magnus disse. “Não,” ele adicionou, parecendo pensar duas vezes sobre
interromper a Inquiridora, “ não que isso importe realmente. Na verdade, esqueça tudo sobre isso.”
“Eu sei o seu nome, Magnus Bane,” disse a Inquiridora. “você falhou no seu dever uma vez; você não vai ter
outra chance.”
“Falhei em meu dever?” Magnus disse franzindo as sobrancelhas. “Só por que eu trouxe o garoto aqui? Não
há nada no contrato em que eu assinei que diz que eu não podia trazer ele comigo sobre os meus próprios
cuidados.”
“Essa não foi sua falha,” a inquiridora disse. “Deixar ele ver seu pai noite passada, essa foi sua falha.”
Houve um atordoado silêncio. Alec lutou para fora do chão, seus olhos procurando os de Jace – mas Jace

não estava olhando para ele. Seu rosto era uma máscara.
“Isto é ridículo,” Luke disse. Clary raramente tinha visto ele parecer tão zangado. “Jace nem mesmo sabe
onde Valentine está. Pare de perseguir ele.”
“Perseguir é o que eu faço, Downworlder,” disse a inquiridora. “ É meu trabalho.” Ela se virou para Jace.
“Diga-me a verdade, agora, garoto,” ela disse, “e tudo será muito mais fácil.”
Jace levantou seu queixo. “Eu não tenho que lhe dizer nada.”
“Se você é inocente, por que não esquivar a si mesmo? Diga-nos onde você realmente esteve noite passada.
Diga-nos sobre o agradável pequeno barco de Valentine.”
Clary olhou para ele. Eu sai para uma caminhada, ele tinha dito. Mas isso não significava nada. Talvez ele
realmente tenha saído para uma caminhada. Mas seu coração, seu estômago, pareciam doentes. Você sabe
qual o pior sentimento que você pode ter?Simon havia dito. Não confiar na pessoa que você ama mais do
que qualquer coisa no mundo
Quando Jace não falou, Robert Lightwood disse, em sua voz profunda de baixo: “Imogen? Você está
dizendo que Valentine está – estava...”
“Em um barco no meio do East River,” disse a inquiridora.”Está correto.”
“Que é o porquê de eu não ter encontrado ele,” Magnus disse, meio para si mesmo. “Toda aquela água, ela
interrompe o meu feitiço.”
“O que Valentine está fazendo no meio do rio?” Luke disse, perplexo.
“Pergunte a Jonathan,” disse a inquiridora. “ele pegou uma motocicleta emprestada do líder do clã da cidade
dos vampiros e ele voou para o barco. Não é verdade, Jonathan?”
Jace nada disse. Sua face era ilegível. A inquiridora porém, parecia faminta, como se ela estivesse se
alimentando do suspense na sala.
“Alcance o bolso de sua jaqueta,” ela disse. “Tire o objeto que você tem carregado desde a última vez que
deixou o Instituto.”
Lentamente, Jace fez o que ela pediu. Enquanto ele retirava sua mão de seu bolso, Clary reconheceu o
tremulante objeto azul acizentado que ele segurou. Um pedaço do espelho do Portal.
“Dê ele para mim.” A inquiridora arrebatou ele para fora das suas mãos. Ele piscou; o canto do vidro tinha
cortado ele, e o sangue espalhou ao longo de sua palma. Maryse fez um suave barulho, mas não se moveu.
“Eu sabia que você tinha retornado ao Instituto por isso,” a Inquiridora disse, positivamente se alegrando
agora. “Eu sabia que seu sentimentalismo não permitiria que você o deixasse para trás.”
“O que é isso?” Robert Lightwood soou confuso.
“Um pedaço de um portal na forma de um espelho,” disse a Inquiridora. “Quando o portal foi destruído, a
imagem do último destino ficou preservada.” Ela virou o pedaço de vidro sob seus longos dedos em forma
de aranha. “Neste caso, a casa de campo dos Wayland.”
Os olhos de Jace seguiram o movimento do espelho. No pedaço dele, Clary podia ver o que parecia ser um
pedaço preso do céu azul. Ela se perguntou se chovia, mesmo em Idris.

Com um súbito e violento movimento, ao contrário de seu tom calmo, a Inquiridora atirou o pedaço do
espelho no chão. Ele quebrou instantaneamente em cacos porosos. Clary ouviu Jace sugar sua respiração,
mas ele não se moveu.
A Inquiridora puxou o par de luvas cinzas e se ajoelhou entre os pedaços de espelho, peneirando eles através
de seus dedos, até que ela encontrou o que ela estava procurando – uma única folha de papel fino. Ela
levantou, segurando ele para que todos na sala pudessem ver a espessa runa escrita em tinta preta. “Eu
marquei este papel com uma runa de localização e deslizei ela entre o pedaço do espelho e o reforço. Então
eu o recoloquei no quarto do garoto. Não se sinta mal por não ter notado ele,” ela disse a Jace. “Cabeças
mais velhas e sábias do que a sua têm sido enganadas pela Clave.
“Vocês esteve me espionando,” Jace disse, e agora sua voz estava colorida com a raiva. “É isso que a Clave
faz, invadir a privacidade de seus companheiros Caçadores de Sombras para...”
“Tenha cuidado com o que você diz para mim. Você não é o único que quebrou a Lei.” A Inquiridora
deslizou seu olhar frio pela sala. “Ao libertar-se da Cidade do Silêncio, em se libertar do controle do bruxo,
seus amigos fizeram o mesmo.”
“Jace não é nosso amigo,” Isabelle disse. “Ele é nosso irmão.”
“Eu teria cuidado com o que você diz, Isabelle Lightwood,” disse a inquiridora; “você poderia ser
considerada cúmplice.”
“Cúmplice? ' Para a surpresa de todos, foi Robert Lightwood quem tinha falado. “A garota estava apenas
tentando manter você longe de destruir nossa família. Pelo amor de Deus, Imogen, todos eles são apenas
crianças...”
“Crianças?” A inquiridora virou seu olhar gelado para Robert. “Assim como vocês eram crianças quando o
Círculo conspirou a destruição da Clave? Como o meu filho era uma criança quando ele...”ela pegou a si
mesma em uma espécie de arfada, como se ganhando o controle de si mesma por força.
“Portanto, depois de tudo, isso é sobre Stephen,” Luke disse, com uma espécie de pena em sua voz.
“Imogen...”
A face da inquiridora se contorceu. “Isto não é sobre Stephen! Isto é sobre a Lei!”
Os dedos finos de Maryse enrolavam-se enquanto suas mãos trabalhavam uma com a outra. “E Jace,” ela
disse “O que vai acontecer com ele?”
“Ele irá retornar a Idris comigo amanhã,” a inquiridora disse. “Você perdeu o direito de saber qualquer coisa
além disso.”
“Como é que você pode levá-lo para aquele lugar?” Clary demandou. “Quando ele vai voltar?”
“Clary, não.” Jace disse. As palavras eram um pedido, mas ela lutou com elas.
“Jace não é o problema aqui! Valentine é o problema!”
“Deixe ele em paz, Clary!”Jace gritou. “Pelo seu próprio bem, deixe ele em paz!”
Clary não conseguiu evitar, ela se afastou para longe dele – ele nunca tinha gritado com ela como aquilo,
nem mesmo quando ela o arrastou para o quarto de sua mãe no hospital. Ela viu o olhar no rosto dele

enquanto ele registrava seu afastamento e desejou que ela pudesse ter ele de volta de alguma maneira.
Antes que ela pudesse dizer alguma coisa mais, a mão de Luke desceu pelo seu ombro. Ele falou soando tão
grave quanto ele tinha na noite em que ele contou a ela a história de sua vida. “Se o garoto foi para seu pai,”
ele disse, “conhecendo o tipo de pai que Valentine foi, é porque nós falhamos com ele, não por que ele
falhou conosco.”
“Guarde seu sofisma, Lucian,” disse a inquiridora. “Você está tão mole quanto um mundano.”
“Ela está certa.” Alec estava sentado no canto do sofá e sua mandíbula apertada. “Jace mentiu para nós. Não
há desculpa para isso.”
O queixo de Jace caiu. Ele tinha certeza da lealdade de Alec, pelo menos, e Clary não podia culpar ele.
Mesmo Isabelle estava olhando para seu irmão em horror. “Alec, como você pode dizer isso?”
“A Lei é a Lei, Izzy,” Alec disse, não olhando para sua irmã. “Não há um modo de contornar isso.”
Com isso, Isabelle deu um pequeno arfado grito de raiva e espanto, e girou para a porta da frente, deixando
ela aberta atrás dela. Maryse fez uma movimento como se fosse seguir ela, mas Robert segurou sua esposa
de volta, dizendo alguma coisa em voz baixa.
Magnus ficou em seus pés. “Eu acredito que esta é minha deixa para sair,” ele disse. Clary notou que ele
estava evitando olhar para Alec. “Eu diria que foi muito bom conhecer todos vocês, mas, de fato, não foi.
Tem sido bastante desagradável, e francamente, da próxima vez que eu ver um só de vocês será bem
distante.”
Alec olhou para o chão enquanto Magnus caminhava pela sala de estar e através da porta da frente. Dessa
vez ela fechou atrás dele com um baque.
“Dois fora,” Jace disse, com um assustador divertimento. “Quem é o próximo?”
“Isso é o suficiente para você,” disse a inquiridora. “Me dê suas mãos.”
Jace segurou suas mãos fora enquanto a Inquiridora produzia uma estela de algum bolso escondido e
procedia para traçar uma marca ao redor da circunferência dos pulsos dele. Quando ela tirou suas mãos para
longe, os pulsos de Jace estavam cruzados, um acima do outro, presos juntos com o que parecia como um
circulo de chamas queimando.
Clary gritou. “ O que você está fazendo? Você vai machucar ele...”
“Estou bem, irmãzinha.” Jace falou calmamente o suficiente, mas ela notou que ele não parecia poder olhar
para ela. “As chamas não me queimam a não ser que eu tente libertar minhas mãos.”
“E quanto a você, “ a Inquiridora adicionou, e virou para Clary, para sua grande surpresa. Até agora a
Inquiridora mal parecia ter notado que ela estava viva. “Você tem sorte o suficiente por ser criada por
Jocelyn e ter escapado de seu pai corrupto. Mesmo assim, eu vou manter um olho em você.”
A contenção de Luke apertou no ombro de Clary. “Isso é uma ameaça?”
“A Clave não faz ameaças, Lucian Graymark. A Clave faz promessas e as cumpre.” A Inquiridora soou
quase divertida. Ela era a única na sala que podia estar descrita desse modo; todos mundo parecia
bombardeado em choque, exceto para Jace. Seus dentes estava à mostra em um rosnar que Clary duvidou
que ele estava mesmo ciente. Ele parecia como um leão em uma armadilha.

“Vamos, Jonathan,” a inquiridora disse. “Ande na minha frente. Se você fizer um simples movimento para
fugir, eu vou colocar esta espada entre seus ombros.”
Jace teve que se esforçar para virar a maçaneta da frente com suas mãos atadas. Clary apertou seus dentes
para manter-se longe de gritar, e então a porta estava aberta e Jace tinha ido e aí a Inquiridora. Os
Lightwoods seguiram em uma fila, Alec ainda olhando para o chão. A porta se fechou atrás deles e Clary e
Luke estavam sozinhos na sala de estar, o silêncio dividido com a descrença.

Nenhum comentário:

Postar um comentário