sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas EPÍLOGO

Epílogo
“Clary!”
A mãe de Simon emitiu na cara dela ao sinal da garota parada na sua porta de entrada.” Eu não tenho visto
você há anos. Eu estava começando a me preocupar que você e Simon tinham tido uma briga.”
“Ah, não,” Clary disse. “Eu só não estava passando bem, só isso.” Mesmo quando ela ganhou as runas de
cura, aparentemente você não fica invulnerável. Ela tinha ficado surpresa em acordar na manhã seguinte a
batalha para encontrar uma pulsante dor de cabeça e uma febre, ela pensou ser um resfriado – e quem não
estaria, depois de congelar em roupas molhadas em mar aberto por horas a noite? - mas Magnus disse que
ela tinha mais como se exaurido criando a runa que tinha destruído o navio de Valentine.

A mãe de Simon cacarejou simpaticamente. “O mesmo vírus que Simon teve semana passada, eu aposto. Ele
mal podia sair da cama.”
“Porém, ele está melhor agora, certo?” Clary disse. Ela sabia que era verdade, mas ela não se importava de
ouvir isso de novo.
“Ele está bem. Ele está lá fora no jardim atrás, eu acho. Basta ir através do portão.” Ela sorriu.”Ele vai ficar
feliz em ver você.”
A fileira de casas de tijolos vermelhos na rua de Simon eram divididas por lindas cercas brancas de ferro
forjado, cada uma tinha um portão que dava para um pequeno caminho de jardim na parte de trás da casa.
O céu estava azul e o ar frio, apesar do céu ensolarado. Clary podia provar o sabor forte da futura neve no ar.
Ela se apressou em fechar o portão atrás de si e foi à procura de Simon. Ele estava na parte detrás do jardim,
como prometido, deitado em uma espreguiçadeira de plástico com um revistinha aberta em seu colo. Ele
empurrou ela de lado quando ele viu Clary, sentou-se, e sorriu. “Hey, baby.”
“Baby?”
Ela se empoleirou ao lado dele na cadeira. “Você está brincando, certo?”
“Eu estava tentando com isso. Não?”
“Não.” ela disse firmemente, e se inclinou para beijar ele na boca. Quando ela se puxou de volta, os dedos
dele demoraram-se no cabelo dela, mas os olhos dele estavam pensativos.
“ Eu estou feliz que você chegou,” ele disse.
“Eu também. Eu teria vindo mais cedo, mas...”
“Você estava doente. Eu sei.” Ela tinha passado a semana passando mensagem para ele do sofá de Luke,
onde ela tinha repousado envolvida em um cobertor, assistindo reexibições de CSI. Era confortável gastar
tempo em um mundo onde cada quebra-cabeça era uma detectável resposta científica.
“Eu estou melhor agora.” Ela olhou ao redor e estremeceu, puxando seu cardigã branco mais próximo a seu
corpo.” O que você está fazendo deitado do lado de fora ao redor desse tempo, afinal? Você não está
congelando?”
Simon balançou sua cabeça. “ Eu realmente não sinto mais frio ou calor. Além do que” – sua boca se curvou
em um sorriso - “Eu quero gastar tanto tempo ao sol quanto eu puder. Eu ainda fico com sono durante o dia,
mas eu estou lutando com isso.”
Ela tocou a parte de trás da sua mão na bochecha dele. Seu rosto estava quente pelo sol, mas por outro lado,
a pele estava fria. “Mas tudo o mais continua....continua o mesmo?”
“Você quer dizer eu ser ainda um vampiro? Yeah. É o que parece. Ainda quero beber sangue, ainda sem
batimento cardíaco. Eu tenho evitado o médico, mas desde que vampiros não ficam doentes...” Ele deu de
ombros.
“E você falou com Raphael? Ele ainda não tem idéia do porquê você pode sair ao sol?”
“Não. Ele parece bastante chateado com isso também.” Simon piscou para ela sonolentamente, como se
fossem duas da manhã invés da tarde. “Eu penso que chateia suas idéias sobre o modo como as coisas
deveriam ser. Além do que ele vai ter uma difícil tarefa me pegando para percorrer a noite quando eu estou

determinado a percorrer o dia em seu lugar.
“Você acha que ele ficaria aterrorizado.”
“Vampiros não gostam de mudar. Eles são muito tradicionais.” Ele sorriu para ela, e ela pensou, ele sempre
vai parecer assim. Quando eu tiver cinqüenta ou sessenta, ele ainda parecerá ter dezesseis. Esse não foi um
pensamento feliz. “De qualquer forma, isso será bom para minha carreira musical. Se aquela coisa da Anne
Rice é qualquer coisa para se seguir, vampiros tornam grandes estrelas do rock.”
“Eu não estou certa de que a informação é confiável.”
Ele se inclinou atrás contra a cadeira.” O que é? Além de você, é claro.”
“Confiável?
É isso o que você pensa de mim?” Ela exigiu em uma falsa indignação. “Isso não é muito romântico.”
Uma sombra atravessou o rosto dele. “Clary...”
“O que? O que é isso?” Ela alcançou a mão dele e a segurou. “Você está usando sua voz de más notícias.”
Ele olhou para longe dela. “Eu não sei se elas são más notícias ou não.”
“Tudo é uma coisa ou outra,” Clary disse.”Só me diga que está tudo bem.”
“Eu estou bem,” ele disse.” Mas...eu não acho que nós deveríamos nos ver mais.”
Clary quase caiu da espreguiçadeira.” Você não quer que sejamos mais amigos?”
“Clary...”
“É por causa dos demônios? Por cauda de você ter virado um vampiro? “ Sua voz estava ficando mais e
mais alta. “Eu sei que tudo esta sendo uma loucura, mas eu posso manter você fora disso tudo. Eu posso...”
Simon piscou. “ Você está começando a soar como um golfinho*, você sabia disso? Pare.”
*N/T:Dolphin; golfinho ou garotas papeando juntas...ficou confuso.
Clary parou.
“Eu ainda quero que sejamos amigos” ele disse. “É sobre a outra coisa que eu não estou certo.”
“Outra coisa?”
Ele começou a enrubescer. Ela não sabia que vampiros podia ruborizar. Parecia surpreendente contra sua
pele pálida. “A coisa namorada-namorado.”
Ela ficou em silêncio por um longo momento, procurando pelas palavras. Finalmente ela disse: “Pelo menos
você não disse 'a coisa de beijar'.” Eu estava com medo que você estivesse indo o chamar disso.”
Ele olhou abaixo para suas mãos, onde elas descansavam entrelaçadas no plástico da espreguiçadeira. Os
dedos dela pareciam pequenos contra os dele, mas pela primeira vez, a pele dela era um tom mais escuro.
Ele acariciou seu polegar distraidamente sobre as juntas dela e disse.” Eu não teria chamado assim.”
“Eu pensei que era isso o que você queria,” ela disse.” Eu pensei que você disse que...”

Ele olhou acima para ela através de seus cílios escuros.”Que eu te amava? Eu te amo. Mas não é toda a
história.”
“Isso é por causa de Maia?” Seus dentes tinham começado a bater, só parcialmente pelo frio.”Por que você
gosta dela?”
Simon hesitou. “Não. Quero dizer, sim, eu gosto dela, mas não do jeito que você quer dizer. É só que quando
estou ao redor dela – eu sei que é como ter alguém que gosta de mim desse jeito. E isso não é como é com
você.”
“Mas você não ama ela...”
“Talvez eu possa um dia.”
“Talvez eu pudesse amar você um dia.”
“Se você alguma vez o fizer,” ele disse, “venha e me deixe saber. Você sabe onde me encontrar.”
Seus dentes começaram a bater duramente. “Eu não posso perder você Simon. Eu não posso.”
“Você nunca vai. Eu não estou deixando você. Mas eu prefiro ter o que nós temos, que é real e verdadeiro e
importante, do que ter você fingindo algo. Quando eu estou com você, eu quero saber que eu estou com a
verdadeira você, a verdadeira Clary.”
Ela inclinou sua cabeça contra ele, fechando seus olhos. Ele ainda parecia com Simon, apesar de tudo, ainda
cheirava como ele, como sabão de lavar roupas.”Talvez eu não saiba quem essa é.”
“Mas eu sei.”
A novíssima caminhonete de Luke estava estacionada no meio-fio quando Clary deixou a casa de Simon,
rapidamente fechando o portão atrás dela.
“Você me deixou. Você não tinha que me pegar também,” ela disse, colocando-se dentro da cabine ao lado
dele. Confiando Luke que substituir sua velha e destruída caminhonete com uma nova, era exatamente como
isso.
“Me desculpe o pânico paternal, “Luke disse, entregando a ela um copo de papel com café. Ela tomou um
gole – sem leite e montes de açúcar, do jeito que ela gostava. “ Eu tendo a ficar um pouco nervoso quando
você não esta em minha imediata linha de visão estes dias.”
“Ah,é?” Clary segurou o café apertadamente para manter ele de derramar enquanto eles batiam no buraco
na estrada. “Quanto tempo você acha que estará continuando dessa maneira?”
Luke pareceu considerar.” Não muito. Cinco, talvez seis anos.”
“Luke!”
“Eu planejo deixar você começar a namorar quando você tiver trinta, se isso ajudar.”
“Na verdade, isso não soa tão mal. Eu posso não estar pronta até que eu tenha trinta.”
Luke olhou para ela de canto” Você e Simon...”

Ela balançou a mão que não estava segurando o copo de café.” Não pergunte.”
“Estou vendo.” Ele provavelmente via.” Você quer que eu te deixe em casa?”
“Você está indo para o hospital, certo?” Ela podia dizer vindo das tensões nervosas por baixo de suas
piadas.” Eu vou com você.”
Eles estavam na ponte agora, e Clary olhou lá fora sobre o rio, mantendo seu café pensativamente. Ela nunca
se cansava dessa vista, um estreito rio de água entre o canal de paredes de Manhattan e Brooklyn. Eles
cintilavam no sol como folha de alumínio. Ela se perguntou o porquê dela nunca ter tentado desenhá-lo. Ela
se lembrou de perguntar a sua mãe uma vez por que ela nunca tinha usado ela como um modelo, nunca
desenhou sua própria filha. “ Desenhar algo é tentar capturar aquilo eternamente.” Jocelyn tinha dito,
sentada no chão com um pincel pingando azul cadmium em seus jeans.” Se você realmente ama algo, você
nunca tentará manter ele do modo que ele é para sempre. Você tem que deixar ele ir e ser livre para mudar.”
Mas eu odeio mudanças.
Ela tomou um fôlego.”Luke,” ela disse.” Valentine disse algo para mim quando eu estava no navio, algo
sobre....”
“Nada de bom começa com as palavras 'Valentine disse,'” murmurou Luke.
“Talvez não. Mas isso era sobre você e minha mãe. Ele disse que você era apaixonado por ela.”
Silêncio. Eles estavam parados no tráfico na ponte. Ela podia ouvir o som do barulho da linha Q passando..”
Você acha que é verdade?” Luke disse finalmente.
“Bem,” Clary podia sentir a tensão no ar e tentou escolher suas palavras cuidadosamente. “Eu não sei. Quero
dizer, ele disse isso antes e eu só rejeitei isso por paranóia e ódio. Mas desta vez eu comecei a pensar, e
bem...isso é tipo estranho que você sempre esteve ao redor, você ter sido como um pai para mim, nós
praticamente moramos na fazenda no verão, e ainda nem você ou minha mãe namoraram com mais
ninguém. Então eu pensei que talvez...”
“Você pensou que talvez o que?”
“Que talvez vocês estivessem juntos todo este tempo e você só não quis me dizer. Talvez você pensou que
eu era muito jovem para entender. Talvez você estivesse com medo de eu começar a perguntar sobre meu
pai. Mas eu não sou muito jovem para entender. Você pode me dizer. Eu acho que é isso o que eu estou
dizendo. Você pode me contar qualquer coisa.”
“Talvez não tudo.” Houve outro silêncio enquanto a caminhonete avançava em direção ao tráfico rastejante.
Luke deu uma olhada para o sol, os dedos batendo no volante. Finalmente, ele disse, “ Você está certa. Eu
estou apaixonado por sua mãe.”
“Isso é ótimo,” Clary disse, tentando soar apoiante, apesar de quão nojenta era a idéia de acontecer de ser as
pessoas da idade de sua mãe e Luke estarem apaixonados.
“Mas,” ele disse, terminando, “ela não sabe disso.”
“Ela não sabe disso?” Clary fez um largo gesto abrangente com o braço dela. Felizmente, o copo de café
estava vazio.” Como ela não pode saber? Você não contou a ela?”
“De fato,” Luke disse, batendo seu pé abaixo no acelerador para que a caminhonete recua-se a frente, “não.”

“Por que não?”
Luke suspirou e esfregou seu queixo cansadamente,”Por que,” ele disse.”Nunca parecia como o momento
certo.”
“Essa é um péssima desculpa, e você sabe disso.”
Luke fez um barulho meio entre uma risada e um rosnar de aborrecimento. “Talvez, mas é a verdade.
Quando eu primeiro percebi como eu me sentia sobre Jocelyn, eu era da mesma idade que você é. Dezesseis.
E nós todos conhecíamos Valentine. Eu não estava em nenhuma competição com ele. Eu estava mesmo um
pouco feliz com o fato de que se não ia ser eu quem ela queria, era para ser alguém que realmente merecesse
ela.” Sua voz endureceu.”Quando eu percebi o quanto errado eu estava sobre isso, era tarde demais. Quando
nós fugimos juntos de Idris, e ela estava grávida de você, eu me ofereci para casar com ela, para tomar conta
dela. Eu disse que não me importava quem era o pai do bebê, eu o educaria como o meu próprio. Ela pensou
que eu estava sendo caridoso. Eu não podia convencer ela de que eu estava sendo tão egoísta quanto eu sabia
ser. Ela me disse que ela não queria ser um fardo para mim, Depois dela me deixar em Paris, eu voltei para
Idris mas eu estava sempre inquieto, nunca feliz. Havia sempre aquela parte de mim perdida, a parte que era
Jocelyn. Eu sonhava que ela estava em algum lugar precisando de minha ajuda, que ela estava me
chamando e eu não podia ouvir ela. Finalmente eu fui procurar por ela.
“Eu lembro que ela estava feliz,” Clary disse em uma pequena voz.” Quando você encontrou ela.”
“Ela estava e não estava. Ela estava feliz em me ver, mas ao mesmo tempo eu simbolizava para ela aquele
mundo todo que ela tinha fugido, e ela queria nenhuma parte daquilo. Ela concordou em me deixar ficar
quando eu prometi desistir de todos os laços do bando, da Clave, de Idris, de tudo isso. Eu me oferecia para
mudar com vocês duas, mas Jocelyn pensou que minhas transformações seriam muito difíceis de esconder
de você, e eu tive que concordar. Eu comprei a livraria, tomei um novo nome, e fingi que Lucian Graymark
estava morto. E para todas as intensões e finalidades, ele tem estado.”
“Você realmente fez um tanto pela minha mãe. Você desistiu de uma vida inteira.”
“Eu teria feito mais,” Luke disse realmente.” Mas ela estava tão inflexível sobre não querer ter nada haver
com a Clave ou Downworld, e seja lá o que eu poderia fingir, eu sou ainda um licantropo. Eu sou um bilhete
vivente de tudo isso. E ela estava tão certa que ela queria que você nunca conhecesse nada daquilo. Você
sabe, eu nunca concordei com as idas para Magnus, para alterar suas memórias ou sua visão, mas isso era o
que ela queria e eu deixei ela o fazer porque se eu tentasse impedir ela, ela teria me mandado embora. E não
havia jeito – nenhum jeito – que ela teria me deixado casar com ela, ser seu pai e não dizer a você a verdade
sobre mim mesmo. E que teria trazido abaixo tudo, todas aquelas paredes frágeis que ela tentou tão
duramente construir entre ela mesma e o Mundo Invisível. Eu não poderia fazer isso com ela. Então eu
fiquei calado.”
“Você quer dizer que nunca disse a ela como você se sentia?”
“Sua mãe não era estúpida,Clary,” Luke disse. Ele soava calmo, mas havia uma certa firmeza em sua voz.
“Ela devia saber. Eu me ofereci para casar com ela.
“Fossem quais os tipos de recusas que poderiam ter sido, eu sei de uma coisa: Ela sabia como eu me sinto e
ela não sentia do mesmo jeito.”
Clary estava em silêncio.
“Está tudo bem, Luke disse, tentando suavizar.” Eu aceitei isso há muito tempo.”

Os nervos de Clary estavam cantando com uma súbita tensão que ela não achava que era vinda da cafeína.
Ela empurrou para trás pensamentos sobre sua própria vida. “Você se ofereceu para casar com ela, mas você
não disse que era porquê você a amava? Isso não soa como isso.”
Luke estava em silêncio.
“Eu acho que você deveria ter dito a ela a verdade. Eu acho que você está errado sobre a forma como ela se
sente.”
“Eu não estou, Clary.” A voz de Luke era firme: Já chega agora.
“Eu me lembro de uma vez que eu perguntei a ela por que ela não tinha namoros,” Clary, ignorando o tom
de alerta dele.” Ela disse que era porque ela já tinha dado o seu coração. Eu pensei que ela queria dizer o
meu pai, mas agora...agora eu não estou tão certa.”
Luke pareceu realmente atônito. “Ela disse isso?” Ele se segurou, e adicionou,” Provavelmente ela quis dizer
Valentine, você sabe.”
“Eu não acho.” Ela atirou a ele um olhar pelo canto de seu olho.” Além disso, você não odeia isso? Não
dizer nunca como você realmente se sente?”
Desta vez o silêncio durou até que eles estivessem fora da ponte e seguindo a Rua Orchard, alinhada com
lojas e restaurantes cujos símbolos eram bonitos caracteres chineses curvados em ouro e vermelho. “Sim, eu
odeio isso,” Luke disse. “Na época, eu pensei que ter você e sua mãe era melhor do que nada. Mas se você
não pode dizer a verdade para as pessoas que você mais se importa, eventualmente você pára de ser capaz de
dizer a verdade para si mesmo.”
Houve um som como o de um correr de água nos ouvidos de Clary. Olhando para baixo, ela viu ela tinha
esmagado o copo de papel que ela estava segurando em uma irreconhecível bola.
“Me leve para o Instituto,” ela disse. “Por favor.”
Luke olhou para ela em surpresa.” Eu pensei que você queria vir para o hospital.”
“Eu vou encontrar você lá quanto eu tiver terminado,” ela disse. “Há uma coisa que eu tenho que fazer
primeiro.”
O andar mais baixo do Instituto estava cheio da luz do sol e pálida partículas de poeira. Clary correu o
estreito corredor de bancos, jogando-se no elevador, e apunhalando o botão. “Vamos lá, vamos lá,” ela
murmurou.”Vamos...”
As portas douradas rangeram abertas. Jace estava em pé dentro do elevador. Seus olhos se alargaram quando
ele viu ela.
“...lá,” Clary terminou, e largou seu braço. “Ah. Oi.”
Ele olhou para ela. “Clary?”
“Você cortou seu cabelo,” ela disse sem penar, Era verdade – os longos fios metálicos não estavam mais
caindo em seu rosto, mas estavam nitidamente e uniformemente cortados. Ele fazia ele parecer mais
civilizado, e mesmo um pouco mais velho. Ele estava vestido caprichosamente também, em um suéter azul
escuro e jeans. Algo prata brilhou em sua garganta, bem abaixo da gola do suéter.

Ele levantou uma mão.”Ah, Certo. Maryse cortou ele.” A porta do elevador começou a deslizar fechada; ele
a segurou de volta. “Você precisa subir para o Instituto?”
Ela balançou sua cabeça. “ Eu só queria falar com você.”
“Ah” Ele pareceu um pouco surpreso com aquilo, mas andou para fora do elevador, deixando a porta bater
fechada atrás dele.” Eu estava apenas indo ao Taki pegar alguma comida. Ninguém se sente realmente como
cozinheiro...”
“Eu entendo,” Clary disse, então desejou que ela não tivesse. Não era como se o desejo dos Lightwoods
fosse cozinhar ou não cozinhar que tinha nada a se fazer com ela.
“Nós podemos conversar lá,” Jace disse. Ele se precipitou em direção a porta, então pausou e olhou para
atrás para ela. Em pé entre dois castiçais queimando, eles iluminavam lançando um pálido ouro revestindo
seu cabelo e pele, ele parecia como uma pintura de um anjo. O coração dela contraiu. “ Você vem ou não?”
ele rebateu, não soando angélico pelo menos.
“Ah, certo. Estou indo.” Ela se apressou para alcançar ele.
Enquanto eles caminhavam para o Taki, Clary tentou manter a conversa longe de tópicos relacionados a ela,
Jace, ou ela e Jace. Em vez disso, ela perguntou a ele como Isabelle, Max, e Alec estavam indo.
Jace hesitou. Eles estava cruzando a Primeira e uma gelada brisa estava soprando na Avenida. O céu era de
um azul sem nuvens, um perfeito dia de outono em Nova York.
“Me desculpe,” Clary recuou em sua própria imbecilidade. “Eles devem estar bastante tristes. Todas aquelas
pessoas que eles conheciam estão mortas.
“Isso é diferente para os Caçadores de Sombras,” Jace disse.” Nós somos guerreiros. Nós esperamos a
morte de um modo que vocês...”
Clary não pode reprimir um suspiro.” 'Vocês mundanos não.'É isso que você está indo dizer, não é?”
“Estava,” ele admitiu.”Às vezes é difícil até para mim saber o que você realmente é.”
Eles tinham parado em frente ao Taki, com seu telhado decaído e suas janelas escurecidas. O ifrit que
guardava a porta da frente encarou abaixo ele com suspeitos olhos vermelhos.
“Eu sou Clary,” ela disse.
Jace olhou abaixo para ela. O vento sobrava seu cabelo através do rosto dela. Ele se aproximou e empurrou
ele para trás, quase distraidamente. “Eu sei.”
No interior, eles encontraram uma cabine de canto e deslizaram para ela. O restaurante estava quase vazio:
Kaelie, a fada garçonete, espreguiçando contra a bancada, preguiçosamente flutuando suas asas azul
embranquecidas. Ela e Jace tinham saído uma vez. Um par de lobisomens ocupavam outra cabine. Eles
estavam comendo canelas de cabrito cruas e discutindo sobre quem venceria em uma luta: Dumbledore dos
livros de Harry Potter ou Magnus Bane.
“Dumbledore teria totalmente vencido,” disse o primeiro.”ele tinha o radical Maldição da Morte.”
O segundo licantropo fez uma consideração mordaz. “Mas Dumbledore não é real.”

“Eu não acho que Magnus Bane é real também,” zombou o primeiro.”Alguma vez você encontrou ele?”
“Isso é tão estranho,” Clary disse, escapando abaixo em seu assento.” Você está escutando eles?”
“Não. É rude escutar.”Jace estava estudando o menu, o que dava a Clary a oportunidade de secretamente
estudar ele. Eu nunca olho para você, ela teria dito a ele. E era verdade também, ou pelo menos ela nunca
tinha olhado ele do jeito que ela queria, com um olho de artista. Ela sempre se perdia, distraída por um
detalhe: a curva de seu maxilar, o ângulo de seus cílios, a forma de sua boca.
“Você está me encarando,” ele disse, sem olhar acima do menu. “Por que você está me encarando? Tem
alguma coisa errada?”
A chegada de Kaeli a mesa deles salvou Clary de ter que responder. Sua caneta, Clary notou, era um
prateado galhinho de vidoeiro. Ela observou Clary curiosamente dos olhos todo azul. “Você sabe o que você
quer?”
Despreparada, Clary pediu alguns item fora do menu. Jace pediu por um prato de batatas fritas doces e um
número de pratos para serem embalados para levar para os Lightwoods. Kaelie partiu, deixando para trás
um esmaecido cheiro de flores.
“Diga a Alec e a Isabelle que eu lamento sobre tudo o que aconteceu,” Clary disse quando Kaelie estava fora
do alcance dos ouvidos. “E diga ao Max eu eu vou levar ele qualquer hora para o Forbidden Planet.”
“Só os mundanos dizem que lamentam quando o que eles querem dizer é ' eu compartilho sua dor,'” Jace
observou. “Mas nada disso foi sua culpa, Clary.” Os olhos deles estavam de repente brilhantes com o ódio.
“Foi Valentine.”
“Acho que não tem havido...”
“Nenhum sinal dele? Não. Eu aposto que ele está se escondendo em algum lugar até que ele possa terminar
o que ele começou com a Espada. Depois disso...” Jace deu de ombros.
“Depois disso, o que?”
“Eu não sei. Ele é um lunático. É difícil adivinhar o que um lunático vai fazer em seguida.” Mas ele evitou
os olhos dela, e Clary sabia que ele estava pensando: Guerra. Era isso o que Valentine queria. Guerra com os
Caçadores de Sombras. E ele a conseguiria também. Era só uma questão de onde ele iria atacar primeiro.”
De qualquer modo, eu duvido que isso seja o que você veio falar comigo, não é?”
“Não.” Agora que o momento tinha chegado, Clary estava tendo uma difícil hora de encontrar as palavras.
Ela captou um vislumbre do seu reflexo no lado prateado do porta-guardanapos. Cardigã branco, rosto
branco, excitado rubor em suas bochechas. Ela parecia como se ela tivesse uma febre. Ela sentia um pouco
como isso também.” Eu estava querendo falar com você nos últimos dias....”
“Você podia ter me enganado.” Sua voz estava inaturalmente aguda. “Toda vez que eu ligava para você,
Luke dizia que você estava doente. Eu achei que você estava me evitando. De novo.”
“Eu não estava.” Pareceu a ela que havia uma vasta quantia de espaço vazio entre eles, embora a cabine não
fosse tão grande e eles não estivessem sentados separados. “Eu queria falar com você. Eu estive pensando
em você o tempo todo.”
Ele fez um ruído de surpresa, e segurou sua mão através da mesa. Ela tomou ela, um onda de alívio

quebrando sobre ela.”Eu estive pensando em você também.”
O aperto dele era quente no dela, confortante, e ela se lembrou como ela tinha abraçado ele no Renwick
quando ele tinha se balançado para trás e para frente, segurando o caco sangrento do Portal em suas mãos
que era tudo o que foi deixado de sua antiga vida. “Eu realmente estava doente,” ela disse.”Eu juro. Eu
quase morri lá no navio, você sabe.”
Ele deixou a mão dela ir, mas ele estava olhando para ela, quase como se ele quisesse memorizar seu rosto.”
Eu sei,” ele disse.”Toda vez que você quase morre, eu quase morro.”
As palavras dele fizeram o coração dela chacoalhar em seu peito como ela tivesse engolido um bocado de
cafeína.”Jace. Eu vim para te dizer que...”
“Espere. Me deixe falar primeiro.” Ele segurou suas mãos acima como se para impedir as próximas palavras
dela. “Antes que você diga alguma coisa, eu queria me desculpar com você.”
“Se desculpar? Pelo quê?”
“Por não escutar você.” Ele varreu seu cabelo para trás com ambas as mãos e ela notou uma pequena
cicatriz, um pequenina linha prata, de um lado de sua garganta. Ela não tinha estado lá antes. “Você se
manteve me dizendo que eu não poderia ter o que eu queria de você, e eu me mantive te forçando e
forçando, e não escutando você de qualquer modo. Eu só queria você e eu não me importava o que ninguém
tinha a dizer sobre isso. Nem mesmo você.”
Sua boca ficou subitamente a seca, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Kaelie estava de volta,
com as fritas de Jace e um número de pratos para Clary. Clary olhou abaixo para o que ela tinha pedido. Um
milk shake verde, o que parecia com um bife de hambúrguer crú, e um prato de grilos cobertos de
chocolate*. Não que isso importasse; seu estômago estava com nós demais para até mesmo pensar em
comer. “Jace,” ela disse, tão logo a garçonete tinha saído. “Você não fez nada errado. Você...”
*N/T: chocolate-dipped cricket: existe de verdade esse prato.
“Não. Deixe eu terminar.” Ele estava olhando abaixo para suas fritas como se elas segurassem os segredos
do universo. “Clary, eu tenho que dizer isso agora ou....ou não vou dizer.” Suas palavas tropeçaram em uma
corrida.”Eu pensei que tinha perdido minha família. E eu não quero dizer Valentine. Eu queria dizer os
Lightwoods. Eu pensei que eles tinham acabado comigo. Eu pensei que não havia nada restado em meu
mundo, mas você. Eu...eu estava louco com a perda e eu joguei isso em você, e eu lamento. Você estava
certa.”
“Não. Eu fui estúpida. Eu fui cruel com você...”
“Você estava certa em ser.” Ele levantou seus olhos para olhar ela e ela estava subitamente e estranhamente
se lembrando de ter quatro anos de idade na praia, chorando quando o vento veio e soprou para longe o
castelo que ela tinha feito. Sua mãe tinha dito a ela que ela poderia fazer outro se ela quisesse, mas isso não
tinha parado seu choro porque ela tinha pensado no que era permanente e no que não era, depois de tudo,
mas apenas fez entender que a areia desapareceu com o toque do vento ou da água. “O que você disse era
verdade. Nós não vivemos ou amamos em um
vácuo. Há pessoas ao redor de nós que se importam com a gente, que podem ser machucadas, talvez
destruídas, se deixamos nós mesmos de sentir o que nós deveríamos querer sentir. Ser este egoísta, isso
significaria ser como Valentine.”
Ele falou o nome do pai dele com tal determinação que Clary sentiu aquilo como uma porta batendo em sua
cara.

“Eu só irei ser seu irmão de agora em diante,” ele disse, olhando para ela com uma esperançosa expectativa
de que ela ficaria satisfeita, o que fez ela querer gritar que ele estava esmagando seu coração em pedaços e
que ele tinha que parar. “ Isso é o que você queria, não é?”
Levou a ela um longo tempo para responder, e quando ela o fez, sua própria voz soava como um eco, vindo
de um lugar muito distante.”Sim,” ela disse, e ela ouviu um precipitar de ondas em seus ouvidos, e seus
olhos picaram como se por areia ou um salpicar de sal. “Isso é o que eu queria.”
Clary caminhou entorpecida os largos degraus que davam para as grandes portas de vidro do Beth Israel. De
certa forma, ela estava feliz que ela estivesse ali e não em qualquer outro lugar. Que ela precisava mais do
que qualquer coisa se jogar dentro dos braços de sua mãe e chorar, mesmo se ela nunca pudesse explicar
para sua mãe sobre o que ela estava chorando. Já que ela não podia fazer isso, sentada próxima a cama de
sua mãe e chorar parecia como a próxima melhor opção.
Ela tinha segurado isso muito bem no Taki, mesmo abraçando Jace em um adeus quando ela saiu. Ela não
tinha começado a chorar até que ela tivesse chegado ao metrô, e então ela se encontrou a si mesma chorando
sobre tudo o que ela não tinha chorado ainda, Jace e Simon e Luke e sua mãe e mesmo Valentine. Ela tinha
chorado alto o suficiente para que o homem sentado em frente a ela tenha oferecido um lenço de papel, e ela
tinha gritado, O que você acha que está olhando, idiota? para ele, por que era isso o que você fazia em Nova
York, Depois disso ela se sentiu um pouco melhor.
Quando ela se aproximou do topo das escadas, ela notou que havia lá uma mulher de pé. Ela estava usando
um longo e escuro casaco sobre um vestido, não do tipo de coisa que você geralmente vê nas ruas de
Manhattan. O casaco era feito de um material escuro aveludado e tinha um largo capuz, que estava pra cima,
escondendo o rosto dela. Olhando ao redor, Clary viu que ninguém mais nos degraus do hospital ou em pé
nas porta parecia notar a aparição. Um glamour, então.
Ela alcançou o degrau do topo e parou, olhando acima para a mulher. Ela ainda não podia ver seu rosto. Ela
disse,” Olha, se você está aqui para me ver, só me diga o que você quer. Eu realmente não estou com humor
para todo esse glamour e coisas secretas agora mesmo.”
Ela notou que as pessoas em torno dela paravam para encarar a garota maluca que estava falando com
ninguém. Ela lutou com o desejo de meter para fora sua língua para eles.
“Tudo bem.” A voz era gentil, estranhamente familiar. A mulher estendeu acima e puxou para trás seu capuz.
Cabelo prata se derramou sobre os ombros dela em uma corrente. Era a mulher que Clary tinha visto
olhando para ela no patio do cemitério de mármore, a mesma mulher que tinha salvado eles da faca de Malik
no Instituto. De perto, Clary podia ver que ela tinha o tipo de rosto que tinha todos os ângulos, muito
acentuado para ser bonito, apesar dos olhos dela serem um intenso e adorável castanho. “Meu nome é
Madeleine. Madeleine Bellefleur.”
“E...?” Clary disse.”O que você quer de mim?”
A mulher – Madeleine – hesitou. “Eu conheci sua mãe, Jocelyn,” ela disse. “ Nós éramos amigas em Idris.”
“Você não pode ver ela,” Clary disse. “Nenhum visitantes, só família até que ela fique melhor.”
“Mas ela não vai ficar melhor.”
Clary sentiu como se ela tivesse batido em seu rosto. “O quê?”
“Me desculpe,” Madeleine disse. “Eu não queria chatear você. Eu só sei o que há de errado com Jocelyn , e

não há nada num hospital mundano que possa fazer por ela agora. O que aconteceu com ela...ela fez isso
com ela mesma, Clarissa.”
“Não. Você não entende. Valentine...”
“Ela fez isso antes que Valentine pegasse ela. Então, ele não poderia pegar qualquer informação dela. Ela
planejou isso desse modo. Era um segredo, um segredo que ela compartilhou com apenas uma outra pessoa,
e ela disse a apenas a outra pessoa como o feitiço poderia ser revertido. Essa pessoa era eu.”
“Você quer dizer...”
“Sim,” Madeleine disse. “ Eu quero dizer que eu posso mostrar a você como acordar sua mãe.”

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