17 – Leste do Éden
“Como você fez isso? Clary exclamou enquanto o caminhonete apressava-se para zona residencial. Luke se
acotovelava sobre o volante.
“você quer dizer, como foi que eu cheguei ao telhado?” Jace estava inclinado atrás contra o banco, seus
olhos meio fechados. Havia faixas brancas presas em torno de seus pulso e manchas de sangue ressecado em
sua linha do cabelo.”Primeiro eu escalei do lado de fora da janela de Isabelle e subi a parede. Há um número
de gárgulas ornamentais que fazem um bom apoio. Também, eu queria notar para registro que minha moto
já não estava onde eu a deixei. Eu aposto que a inquiridora pegou ela para uma voltinha ao redor da
Hoboken* .
*N/T:Hoboken é o nome de um bairro
“Eu quis dizer,” Clary disse, “como você pulou do telhado da catedral e não morreu?”
“Eu não sei.” seu braço tocou o dela enquanto ele levantava suas mãos para esfregar seus olhos. “Como você
criou aquela runa?”
“Eu também não sei,” ela sussurrou. “A rainha de Seelie estava certa, não estava? Valentine, ele...ele fez
coisas com a gente.” Ela olhou para Luke, que estava fingindo estar absorvido em virar a esquerda. “Não é?”
“Esta não é a hora para se falar sobre isso,” Luke disse.”Jace, você tem um destino em particular em mente
ou você apenas quer se afastar para longe do Instituto?”
“Valentine levou Maia e Simon para o barco para fazer o Ritual. Ele irá fazer isso tão breve quanto
possível.” Jace puxou uma das faixas de seu pulso. “Tenho que ir até lá e pará-lo.”
“Não,” Luke disse afiadamente.
“Ok, nós temos que ir até lá e parar ele.”
“Jace, eu não vou ir àquele barco. É muito perigoso.”
“Você viu o que eu fiz,” Jace disse, a incredulidade levantando em sua voz, “ e você está preocupado
comigo?”
“Eu estou preocupado com você.”
“Não há tempo para isso. Depois que meu pai matar seus amigos, ele irá invocar um exército de demônios
que você não pode nem mesmo imaginar. Depois disso, ele será impossível de ser parado.”
“Então a Clave...”
“A inquiridora não irá fazer nada, “ Jace disse. “Ela fechou o acesso dos Lightwoods à Clave. Ela não irá
chamar por reforços, mesmo quando eu disse a ela o que Valentine planejava. Ela está obcecada com o
insano plano que ela tem.”
“Que plano?” Clary disse.
A voz de Jace era amarga“Ela queria me negociar a meu pai pelos Instrumentos Mortais. Eu disse a ela que
Valentine nunca iria por isso, mas ela não acreditou em mim.” Ele riu, um agudo staccato riso. “Isabelle e
Alec estão indo dizer a ela o que aconteceu a Simon e a Maia. Eu não estou tão otimista, apesar disso. Ela
não acredita em mim sobre Valentine e ela não vai ficar modificar seu precioso plano, só para salvar um par
de Downworlders.”
“De qualquer modo nós não podemos esperar para escutar algo deles,” Clary disse.”Nós temos que chegar
ao barco agora. Se você nos levar a ele...”
“Eu odeio interromper você, mas nós precisamos de um barco para chegar ao outro barco,” Luke disse. “ Eu
não estou certo de que Jace pode caminhar sobre a água.”
Naquele momento o celular de Clary zuniu. Era uma mensagem de texto de Isabelle. Clary franziu as
sobrancelhas. “É um endereço. Abaixo da área da praia.”
Jace olhou por cima do ombro dela. “É lá onde nós devemos ir para encontrar com Magnus.” Ele leu o
endereço para Luke. Que executou uma irritante curva em U e guiou para o sul. “Magnus vai nós levar
através da água,” Jace explicou. “O navio esta cercado por proteção armada. Tenho que chegar dentro dele
antes, porque meu pai queria que eu estivesse nele. Este tempo ele não terá. Nós iremos precisar de
Magnus para lidar com as proteções.”
“Eu não gosto disso.” Luke bateu seus dedos na direção. “eu acho que eu deveria ir e vocês dois devem ficar
com Magnus.”
Os olhos de Jace piscaram.” Não, tem que ser eu a ir.”
“Por que?” Clary perguntou.
“ Por que Valentine está usando um demônio do medo, “Jace explicou. “Isso é como ele foi capaz de matar
os Irmãos do Silêncio. Isso é como ele massacrou aquele bruxo, o lobisomem no beco do lado de fora do
Caçador da Lua, e provavelmente o que matou aquela criança fada no parque. E esta é a razão dos Irmãos
terem aqueles olhares em seus rostos. Aqueles aterrorizados olhares. Eles estavam literalmente assustados
até a morte.”
“Mas o sangue...”
“Ele drenou o sangue depois. E no beco ele foi interrompido por um dos licantropos. Esse é o porque ele não
ter tido tempo suficiente para pegar o sangue que precisava. E esse é o porquê dele ainda precisar de Maia.”
Jace varreu uma mão através de seu cabelo. “Ninguém pode lutar contra um demônio do medo. Ele entra em
sua cabeça e destrói sua mente.”
“Agramon,” Luke disse. Ele tinha estado silencioso, olhando pelo para-brisas. Seus rosto parecia cinza e
incomodado.
“Yeah, isso é o que Valentine o chamou.”
“Ele não é um demônio de medo. Ele é o demônio de medo. O Demônio do Medo. Como Valentine
conseguiu que Agramon cumprisse suas ordens? Mesmo um bruxo teria problemas em invocar um Grande
Demônio, e do lado de fora do pentagrama...” Luke sugou suas respiração. “ Essa é a forma que a criança
bruxa morreu, não é? Invocando Agramon?”
Jace acenou positivamente, e explicou rapidamente o truque que Valentine fez com Elias.” A Taça Mortal,
“ele terminou, “deixa ele controlar Agramon. Aparentemente ela dá a ele algum poder sobre os demônios.
Apesar disso, não como a espada faz.
“Agora eu estou menos inclinado a deixar você ir,” Luke disse. Isso é um Grande Demônio, Jace. Isso
levaria está cidade de Caçadores de Sombras para lidar com ele.”
“Eu sei que é um Grande Demônio. Mas sua arma é o medo, Se Clary colocar a runa destemor em mim, eu
posso acabar com ele. Ou pelo menos tentar.”
“Não!” Clary protestou. “ Não quero sua segurança dependente de minha estúpida runa. E se ela não
funcionar?”
“ Ela funcionou antes,” Jace disse enquanto eles viravam a ponte e seguiam de volta para o Brooklyn. Eles
estavam rolando na estreita Rua Van Brunt, entre altas fábricas de tijolos cujas janelas bloqueadas e portas
trancadas denunciavam nenhum indício do que situava lá dentro. À distância, a área da praia brilhava entre
os prédios.
“E se eu bagunçar isso dessa vez?”
Jace virou sua cabeça em direção a ela e, por um momento, os olhos deles se encontraram. Eles eram ouro
de uma distante luz do sol. “ Você não vai.” ele disse.
“Você tem certeza que é este o endereço?” Luke perguntou, induzindo a caminhonete em uma parada lenta.”
Magnus não está aqui.”
Clary olhou ao redor. Eles tinham parado em frente a uma grande fábrica, que parecia como se ela tivesse
sido destruída em um terrível incêndio. Os tijolos furados e paredes de argamassa ainda em pé, mas
suportes de metal sobressaiam delas, tortos e furados com queimaduras. A distância Clary podia ver o
distrito financeiro da baixa Manhattan e o corcova preta de Governors Island, mais a distância, para o mar.
“Ele virá,” ela disse. “ Se ele disse a Alec que ele estava vindo, ele fará isso.”
Eles saíram da caminhonete. Embora a fábrica estivesse em um rua alinhada com prédios similares, ela
estava quieta, mesmo para uma domingo. Não havia ninguém por ali e nenhum som de comércio –
caminhões voltando, homens gritando – o que Clary associava com distritos de depósito. Em vez disso havia
o silêncio, uma fria brisa vinda do rio, e o grito das aves marinhas. Clary puxou seu capuz, passou o zíper
em seu casaco, e estremeceu.
Luke bateu a porta da caminhonete fechada e abotoou seu casaco de flanela o fechando. Silenciosamente, ele
ofereceu a Clary um par de suas grossas luvas de lã. Ela deslizou elas e meneou seus dedos. Elas eram tão
grandes para ela, que era como usar patas. Ela olhou ao redor. “Espere...onde está Jace?”
Luke apontou. Jace estava ajoelhado na praia, um figura escura cujo cabelo brilhante era o único ponto de
cor contra o céu azul acizentado e o rio marrom.
“Você acha que ele precisa de privacidade?” Ela perguntou.
“Nesta situação, privacidade é uma luxo que nenhum de nós pode. Vamos lá.” Luke caminhou abaixo da
pista, e Clary seguiu ele. A fábrica por si mesma dava de costas para a linha da água, mas havia uma larga
praia de cascalhos próxima a ela. Ondas superficiais removiam as plantas – sufocadas nas rochas. Lenha
tinha sido colocada em um rude quadrado em torno de um buraco negro, onde o fogo tinha sido queimado.
Havia latas enferrujadas e garrafas espalhadas por todo lugar. Jace estava em pé na beira da água, sem sua
jaqueta. Enquanto Clary observava, ele atirou algo pequeno e branco em direção a água; ela bateu com um
espirro e desapareceu.
“O que você está fazendo?” ela disse.
“Jace virou o rosto para eles, o vento chicoteando seu cabelo loiro através de sua face. “Enviando uma
mensagem.”
Por cima do ombro dele Clary pensou ter visto um tentáculo brilhado – como um pedaço vivo de alga –
emergindo da água cinza do rio, um ponto de branco apanhado em sua atenção. Um momento depois ele
desapareceu e ela estava piscando.
“Uma mensagem para quem?”
Jace fez uma cara feia. “Ninguém,” Ele se afastou da água e caminhou através da praia recoberta de
pedrinhas onde ele tinha largado sua jaqueta. Havia três longas lâminas estendidas sobre ela. Enquanto ele
se virava, Clary viu o formato de discos de metal passados através de seu cinto.
Jace alisou seus dedos ao longo das lâminas – elas eram planas e cinza embranquecidas, esperando para
serem chamadas. “ Eu não tive uma chance de chegar ao armamento, portanto estas são as armas que nós
temos. Eu pensei que poderíamos também conseguir nos preparar tanto quanto nós pudéssemos antes de
Magnus chegar aqui. Ele levantou a primeira lâmina. “Abrariel.” A faca serafim brilhou e mudou de cor
enquanto ele chamava ela. Ele segurou ela para Luke.
“Eu estou bem,” Luke disse, e puxou seu casaco de lado para mostrar a kindjal impulsionada através de seu
cinto.
Jace entregou Abrariel para Clary, que pegou a arma silenciosamente. Ela estava quente em sua mão, como
se uma vida secreta vibrasse dentro dela.
“Camael,”
Jace disse para a próxima lâmina, fazendo ela tremer e brilhar. “Telantes,” ele disse para a terceira.
“Você usa o nome de Raziel?” Clary perguntou enquanto Jace deslizava as lâminas em seu cinto e recolhia
sua jaqueta de volta, ficando em seus pés.
“Nunca, “ Luke disse. “ Isso não pode ser feito.” Seu olhar escaneou a estrada atrás de Clary, procurando por
Magnus. Ele podia sentia a ansiedade dele, mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa mais, seus telefone
zumbiu. Ela colocou ele aberto e segurou ele sem palavras para Jace. Ele leu a mensagem de texto, suas
sobrancelhas levantaram.
“Parece que a Inquiridora deu a Valentine até o por do sol para decidir se ele quer a mim ou mais os
Instrumentos Mortais,” ele disse. “Ela e Maryse estiveram brigando por horas, portanto ela não notou ainda
que eu parti.”
Ele deu a Clary o telefone de volta. Seus dedos se tocaram e Clary empurrou sua mão para trás, apesar da
grossa lã da luva que cobria sua pele. Ela viu uma sombra passar nas feições dele, mas ele nada disse a ela.
Em vez disso, ele se virou para Luke e exigiu, com surpreendente brusquidão, “Realmente o filho da
inquiridora morreu? É por isso que ela é assim?”
Luke suspirou e impulsionou suas mãos dentro dos bolsos de seu casaco. “ Como você percebeu isso?”
“O modo que ela reage quando alguém diz o nome dele. É a única hora que eu já vi ela mostrar algum
sentimento humano.”
Luke expeliu uma respiração. Ele tinha empurrado seus óculos para cima e seus olhos estavam entortados
contra o duro vento do rio. “A inquiridora é da maneira que ela é por muitas razões. Stephen é apenas uma
delas.”
“É estranho,” Jace disse. “ Ela não parece como alguém que gosta de crianças.”
“Não com outras pessoas,” Luke disse; “Isso era diferente com ela mesma. Stephen era seu menino
dourado. De fato, ele era de todos...todos que conheciam ele. Ele era uma daquelas pessoas que eram boas
em tudo, incessantemente agradável sem ser aborrecido, bonito sem que ninguém odiasse ele. Bem, talvez
nós odiássemos ele um pouco.”
“Ele foi para a escola com você?” Clary disse. “E minha mãe....e Valentine? É como vocês conheciam ele?”
“Os Herondales estavam no dever de administrar o Instituto de Londres, e Stephen foi para a escola de lá.
Eu vi ele mais depois que nós todos nos graduamos, quanto ele voltou para Alicante. E, de fato, houve um
tempo quanto eu o vi muito frequentemente.” Os olhos de Luke eram distantes, o mesmo azul acizentado
como o rio. “ Depois ele estava casado.”
“Portanto, ele era do Circulo?” Clary perguntou.
“Não logo,” Luke disse. “Ele se juntou ao Circulo depois que eu ...bem, depois do que aconteceu comigo.
Valentine precisava de um segundo no comando e ele queria Stephen. Imogen, que era totalmente leal a
Clave, ficou histérica, ela implorou que Stephen reconsiderasse - mas ele rompeu com ela. Não falaria com
ela, ou com seu pai. Ele estava absolutamente cativo a Valentine. Ia a todos os lugares rastejando atrás dele
como uma sombra.” Luke se interrompeu.” A coisa é, Valentine não achava a esposa de Stephen adequada
para ele. Não para alguém que estava indo ser seu segundo no comando do Circulo. Ela tinha indesejáveis
conexões familiares.” A dor na voz de Luke surpreendeu Clary. Ele tinha se importado muito com essas
pessoas? “ Valentine forçou Stephen a se divorciar de Amatis e casar novamente – sua segunda esposa era
uma garota muito jovem, apenas dezoito anos de idade, chamada Céline. Ele, também, estava totalmente
debaixo da influência de Valentine, fazia qualquer coisa que ele dissesse para ela, não importava o quão
bizarro. Então Stephen foi morto em uma incursão do Circulo em um ninho de vampiros. Céline se suicidou
quando ela descobriu. Ela estava grávida de oito meses naquele tempo. E o pai de Stephen morreu também,
de desgosto. Foi assim que toda a família de Imogen, todos se foram. Eles não puderam sequer enterrar sua
nora e as cinzas de seu neto na Cidade dos Ossos, por que Céline era uma suicida. Ela foi enterrada em
uma encruzilhada fora de Alicante. Imogen sobreviveu, mas... ela se tornou em gelo. Quanto o inquiridor foi
morto na revolta, Imogen ofereceu seu trabalho. Ela retornou de Londres para Idris – mas nunca, até onde eu
ouvi, falou sobre Stephen novamente. Mas isso explica o porquê dela odiar Valentine tanto quanto ela
odeia.”
“Por que meu pai envenena tudo o que ele toca?” Jace disse amargamente.
“Por que seu pai, por todos os seus pecados, ainda tem um filho, e ela não. E por que ela culpa ele pela
morte de Stephen.”
“E ela está certa, “ Jace disse. “Isso foi culpa dele.”
“Não inteiramente,” Luke disse. “Ele ofereceu a Stephen uma escolha, e Stephen escolheu. Sejam quais
fossem suas falhas, Valentine nunca chantageou ou ameaçou ninguém a fazer parte do Circulo. Ele queria
somente seguidores dispostos. A responsabilidade pelas escolhas de Stephen descansavam sobre ele.”
“Livre arbítrio.” Clary disse.
“Não há nada de livre nisso,” Jace disse. “Valentine...”
“Ofereceu a você uma escolha, não é?” Luke disse, “Quando você foi vê-lo. Ele queria que você ficasse,
não? Ficar e se juntar a ele? “
“Sim.” Jace olhou através da água em direção a Governors Island. “Ele o fez.” Clary podia ver o rio refletido
nos olhos dele; eles pareciam de aço, como se a água cinza tivesse inundado todo o seu ouro.”
“E você disse não,” Luke disse.
Jace o encarou. “Eu quero que as pessoas parem de adivinhar isso. Isso está me fazendo sentir previsível.”
Luke se afastou como se para esconder um sorriso, e pausou. “Alguém está vindo.”
Alguém realmente estava vindo, alguém muito alto com cabelo preto que esvoaçava ao vento. “Magnus,”
Clary disse. “ Mas ele parece...diferente.”
Enquanto ele se aproximava, ela viu que seu cabelo, normalmente espetado e brilhoso como uma bola de
discoteca, pairava limpo atrás de suas orelhas como um folha de seda preta. As calças de arco íris tinham
sido substituídas por um elegante, e antiquado terno preto e um sobretudo preto com botões de prata
cintilantes. Seus olhos de gato brilhavam em âmbar e verde. “ Você parece surpreso em me ver,” ele disse.
Jace olhou para seu relógio. “Nós estávamos nos perguntando se você viria.”
“Eu disse que viria, então eu vim. Eu precisava de tempo para me preparar. Isso não é um truque de chapéu,
Caçador de Sombras. Isso vai levar mágica séria.” Ele se virou para Luke. “Como está o braço?”
“Ótimo. Muito obrigado.” Luke era sempre polido.
“Esta é a sua caminhonete estacionada na fábrica, não é?” Magnus apontou. “Ela é terrivelmente grosseira
para um vendedor de livros.”
“Oh, eu não sei,” Luke disse. “Tudo isso de carregar em torno de caixas pesadas de livros, escalar pilhas,
alfabetização severa....”
Magnus riu. “Você pode destrancar a caminhonete para mim? Eu quero dizer, eu poderia fazer isso por mim
mesmo” - ele estalou seus dedos - “mas isso parece rude.”
“Claro.” Luke deu de ombros e eles seguiram em direção a fábrica. Quando Clary fez como fosse seguir
eles, Jace pegou seu braço.
“Espere. Eu quero falar com você por um segundo.”
Clary observou enquanto Magnus e Luke seguiam para a caminhonete. Eles faziam um estranho par, o bruxo
alto em um longo casaco preto e o mais baixo, homem troncudo em jeans e flanela, mas eles eram ambos
Downworlders, ambos envolvidos no mesmo espaço entre mundanos e o mundo sobrenatural.
“Clary,” Jace disse. “Terra para Clary. Onde você está?”
Ela olhou de volta para ele. O sol estava destacado na água agora, atrás dele, deixando seu rosto em sombra
e tornando seu cabelo um halo de ouro. “Desculpe.”
“Está tudo bem.” Ele tocou o rosto dela, gentilmente, com as costas de suas mãos. “Você desaparece tão
completamente dentro de sua cabeça algumas vezes,” ele disse. “eu queria poder seguir você.”
Você pode, ela quis dizer. Você vive em minha cabeça o tempo todo. Ao invés disso, ela disse, “ O que você
queria me dizer?”
Ele largou sua mão. “Eu quero que você ponha a runa destemor em mim. Antes que Luke volte.”
“Porque antes dele voltar?”
'Por que ele vai dizer que é um idéia ruim, Mas esta é a única chance de vencer Agramon. Luke não teve...
um encontro com isso, ele não sabe como é. Mas eu sei.”
Ela examinou o rosto dele. “Como foi?”
Seus olhos eram ilegíveis. “Você vê o que você mais teme no mundo.”
“Eu nem mesmo sei o que é.”
“Acredite-me. Você não quer.” Ele olhou para baixo. “Você tem sua estela?”
“Sim, eu a tenho.” Ela puxou a luva de lã da mão direita e pescou sua estela. Sua mão estava tremendo um
pouco enquanto ela a puxava. “ Onde você quer a marca?”
“Quanto mais perto do coração, mais eficaz. “ele virou suas costas da mão dela e tirou sua jaqueta, largando
ela no chão. Ele puxou sua camiseta, deixando nua suas costas. “ Na omoplata seria bom.”
Clary colocou uma mão sobre o ombro dele para apoiar a si mesma. A pele dele era um pálido dourado do
que a pele de suas mãos e rosto, e suave onde ela não estava cicatrizada. Ela traçou a ponta de sua estela ao
longo da espátula de seu ombro e ela sentiu ele estremecer, seus músculos enrijecendo. “ Não pressione tão
forte...”
“Desculpe.” Ela diminuiu, deixando a runa fluir vindo de sua mente, através de seu braço, para sua estela. A
linha preta deixando para trás o que parecia como carbonizando, uma linha de cinzas. “Aí está. Você está
pronto.”
Ele se virou, descendo sua camisa de volta. “Obrigado.” O sol estava queimando atrás do horizonte agora,
inundando o céu com sangue e rosa, tornando a extremidade do rio em outro líquido, suavizando a feiúra do
lixo urbano em torno deles. “ E quanto a você?”
“E quanto a mim o quê?”
Ele deu um passo mais perto. “Empurre suas mangas. Eu vou marcar você.”
“Oh. Certo.” ela fez o que ele pediu, empurrando suas mangas, segurando seus braços nus para ele.
A picada da estela na pele dela era como um leve toque de uma ponta de agulha, aranhando sem perfurar.
Ela observou as linhas pretas aparecerem com um tipo de fascinação. A marca que ela ganhou em seu sonho
ainda era visível, desbotada apenas um pouco em torno de seus cantos.
“'E o Senhor, porém, lhe disse: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o
Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse'”
Clary virou-se, puxando suas mangas para baixo. Magnus em pé olhando eles, seu casaco preto parecendo
flutuar em torno dele no vento vindo do rio. Um pequeno sorriso brincando em sua boca.
“ Você pode citar a Bíblia?” Jace perguntou, flexionando para recuperar sua jaqueta.
“Eu nasci em um século profundamente religioso, meu menino,” Magnus disse. “Eu sempre achei que Caim
poderia ter tido a primeira marca registrada . Ela certamente protegeu ele.
“Mas dificilmente ele era um dos anjos,” Clary disse. “ Ele não matou seu irmão.”
“Nós não estamos planejando matar nosso pai?” Jace disse.
“Isso é diferente,” Clary disse, mas não teve a chance de elaborar como aquilo era diferente, por que naquele
momento, a caminhonete de Luke se puxava na praia, espalhando cascalhos de seus pneus. Luke se inclinou
para fora da janela.
“Ok, “ ele disse para Magnus.” Aqui vamos nós. Entrem.”
“Nós vamos dirigir para o barco?” Clary disse, perplexa.” Eu pensei...”
“Que barco?” Magnus gargalhou, enquanto ele se colocava a si mesmo na cabine ao lado de Luke. Ele
balançou um polegar atrás dele. “Vocês dois, entrem na parte de trás.”
Jace escalou dentro da traseira da caminhonete e se inclinou para ajudar Clary após ele. Enquanto ela se
sentava contra o pneu sobressalente, ela viu um pentagrama preto dentro de um circulo tinha sido pintado
sobre o piso de metal da caçamba da caminhonete. Os braços do pentagrama estavam decorados
selvagemente com símbolos cacheados. Elas não eram as runas com que ela estava familiarizada ... havia
alguma coisa sobre a aparência delas que era como tentasse entender uma pessoa falando uma língua que era
próxima, mas não muito inglês.
Luke se inclinou para fora da janela e olhou atrás para eles. “Você sabe eu não gosto disso,” ele disse, o
vento abafando sua voz. “Clary você vai ficar na caminhonete com Magnus. Jace e eu subiremos para o
navio. Você entendeu?”
Clary acenou e se aconchegou em um canto da caçamba. Jace sentou ao lado dela, juntando seus pés.” Isso
vai ser interessante.”
“O que...” Clary começou, mas a caminhonete arrancou novamente, os pneus vibrando contra o cascalho,
afundando suas palavras. Ela se moveu em direção a água rasa na beira do rio. Clary foi lançada contra as
costas da janela da cabine enquanto a caminhonete se movia em direção ao rio – Luke estava planejando
afundar todos eles? Ela girou ao redor e viu que a cabine estava cheia de estonteantes colunas azuis de luz,
contorcendo-se e girando. A caminhonete parecia bater sobre alguma coisa volumosa, como se fosse dirigida
sobre uma tora. Então eles estavam se movendo suavemente em frente, quase deslizando.
Clary se rebocou para seus joelhos e olhou por cima da lateral da caminhonete, já claramente segura do que
ela iria ver.
Eles estavam se movendo – não, dirigindo sobre a água escura, a base dos pneus da caminhonete apenas
tocando a superfície do rio, espalhando finas ondas para fora ao longe com o ocasional chuveiro de Magnus
– criado de faíscas azuis. Tudo estava subitamente muito quieto, exceto pelo fraco rugido do motor e do soar
das aves marinhas acima. Clary olhou através da caçamba para Jace, que estava sorrindo.”Agora isso vai
realmente impressionar Valentine.”
“Não sei,” Clary disse. “Outros grupos conseguem bat boomerangues e poderes de escalar paredes, nós
temos aquacaminhões.”
“Se você não gosta dele, Nephilim,” a voz de Magnus veio, fracamente, da cabine, “você é bem vinda para
ver se você consegue andar sobre a água.”
“Eu acho que nós devemos ir,” Isabelle disse, sua orelha pressionada na porta da biblioteca. Ela acenou para
Alec se aproximar. “Consegue ouvir alguma coisa?”
Alec se inclinou ao lado de sua irmã, cuidadosamente para não derrubar o telefone que ele estava segurando.
Magnus disse a ele que iria ligar se ele tivesse novidades ou se alguma coisa acontecesse. Até agora, ele não
tinha. “Não.”
“Exatamente. Elas pararam de gritar uma com a outra.” Os olhos escuros de Isabelle cintilaram. “Elas estão
esperando por Valentine agora.”
Alec se afastou da porta e caminhou uma parte do corredor até a janela mais próxima. O céu lá fora era da
cor de carvão semi afundado nas cinzas rubis. “É o pôr do sol.
Isabelle se aproximou da maçaneta. “Vamos lá.”
“Isabelle, espere...”
“Eu não quero que ela seja capaz de mentir para nós sobre o que Valentine disse,” Isabelle disse. “Ou o que
acontece. Além do mais eu quero ver ele. O pai de Jace. Você não?”
Alec se moveu de volta a porta da biblioteca. “Sim, mais isso não é uma boa idéia por que...”
Isabelle empurrou abaixo a maçaneta da porta da biblioteca. Ela se colocou aberta. Com um olhar meio
divertido sobre seu ombro para ele, ela mergulhou adentro; xingando debaixo de sua respiração, Alec seguiu
ela.
Sua mãe e a inquiridora estavam nos fins opostos da imensa mensa, como boxeadores encarando uma a
outra através de um ringue. As bochechas de Maryse estavam um vermelho brilhante, seu cabelo afastado
em torno de seu rosto. Isabelle lançou a Alec um olhar como se para dizer, talvez nós não devíamos ter
entrado aqui. Mamãe parece furiosa.
Por outro lado, se Maryse parecia nervosa, a inquiridora parecia positivamente louca. Ela se dirigiu em
torno enquanto a porta da biblioteca se abria, sua boca retorcida em um formato horrível. “O que vocês dois
estão fazendo aqui?” ela gritou.
“Imogen,” Maryse disse.
“Maryse!” A voz da inquiridora aumentou.” Eu já tive o suficiente de você e seus filhos delinqüentes...”
“Imogen...”Maryse disse novamente. Havia alguma coisa em sua voz – uma urgência – que fez a inquiridora
virar e olhar.
O ar sobre o globo de bronze estava tremulando como água. Uma forma começou a se unir nela, como uma
pintura negra sendo golpeada sobre uma tela branca, evoluindo para a figura de um homem com uma larga
espátula como ombros. A imagem estava ondulando demais para Alec poder ver mais que um homem que
era alto e de perto, com um surpreendente cabelo grisalho cortado.
“Valentine” A inquiridora pareceu ser pega fora da guarda, Alec pensou, apesar de claramente ela devesse
estar esperando por ele.
O ar no globo estava tremulando mais violentamente agora, Isabelle arfou enquanto um homem caminhava
para fora do ar ondulante, como se eles estivesse vindo através de camadas de água. O pai de Jace era um
homem formidável, mais de um metro e oitenta com um peito largo e rígido, braços grossos atados com
músculos definidos. Seu rosto era quase triangular formando um duro e apontado queixo. Ele poderia ser
considerado bonito, Alec pensou, mas ele era surpreendentemente diferente de Jace, faltando alguma coisa
da aparência da palidez dourada de seu filho. O cabo de uma espada era visível acima de seu ombro
esquerdo – a Espada Mortal. Não como se ele precisasse estar armado, já que ele não estava corporeamente
presente, então ele devia estar usando ela para aborrecer a inquiridora.
“Imogen,” Valentine disse, seus olhos escuros passeando pela inquiridora com um olhar de satisfeito
divertimento. Isto é Jace, completamente, este olhar. Alec pensou. “E Maryse, minha Maryse. Faz um longo
tempo.”
Maryse, engolindo duramente, disse com alguma dificuldade. “Eu não sou sua Maryse, Valentine.”
“E estas devem ser suas crianças,” Valentine continuou como se ela não tivesse falado. Seus olhos vieram
repousar em Isabelle e Alec. Um fraco tremor passou através de Alec, como se alguma coisa tivesse puxado
seu nervos. As palavras do pai de Jace eram perfeitamente comuns, até mesmo educadas, mas havia alguma
coisa no vazio e predatório olhar que fez Alec quer dar um passo em frente a sua irmã e bloquear ela da
visão de Valentine.” Eles se parecem com você.”
“Deixe minhas crianças fora disso, Valentine,” Maryse disse, claramente lutando para manter sua voz firme.
“Bem, isso dificilmente me parece justo,” Valentine disse, “considerando que você não deixou meu filho
fora disso.” Ele se virou para a inquiridora.” Eu recebi sua mensagem. Com certeza isso não é o melhor que
você pode fazer?”
Ela não se moveu; agora ela piscava lentamente, como um lagarto.”Eu espero que os termos de minha oferta
estejam perfeitamente claros.”
“Meu filho em troca dos Instrumentos Mortais. Era isso, certo? Caso contrário você irá matá-lo.”
“Matar ele?” Isabelle ecoou.”MÃE!”
“Isabelle,” Maryse disse firmemente.”Cale a boca.”
A inquiridora atirou para Isabelle e Alec um olhar venenoso entre as fendas de suas pálpebras. “Você tem os
termos corretos, Morgenstern.”
“Então, minha resposta é não.”
“Não?”
A inquiridora parecia como se ela tivesse tomado um passo em direção a um piso sólido e ele tivesse
desmoronado sobre os pés. “ Você não pode blefar comigo, Valentine. Vou fazer exatamente como eu
ameacei.”
“Oh, eu não duvido de você Imogen. Você tem sempre sido obstinada e sem escrúpulos. Eu reconheço essas
qualidades em você porque eu possuo elas em mim.
“Eu não sou como você. Eu sigo a Lei...”
“Mesmo quando ela instrui você a matar um menino ainda em sua adolescência só para punir seu pai? Isso
não é sobre a Lei, Imogen, é que você me odeia e me culpa pela morte de seu filho e esta é sua maneira de
me pagar. Ela não fará qualquer diferença. Eu não vou desistir dos Instrumentos Mortais, nem mesmo por
Jonathan.”
A inquiridora simplesmente olhou para ele. “Mas ele é seu filho,” ela disse. “Sua criança.”
“Crianças fazem suas próprias escolhas,” Valentine disse.” Esta é uma coisa que eu nunca entendi. Eu
ofereci a Jonathan segurança se ele ficasse comigo, ele menosprezou ela e retornou para vocês, e você irá
exatamente se vingar nele, como eu disse a ele que você o faria. Você é um nada, Imogen.” ele terminou.” se
não previsível.”
A Inquiridora não pareceu notar o insulto. “A Clave vai insistir em sua morte, se você não me entregar os
Instrumentos Mortais,” ela disse, com alguém pega em um pesadelo.” Eu não serei capaz de pará-los.”
“Estou ciente disso,” Valentine disse. “Mas não há nada que eu possa fazer. Eu ofereci a ele uma chance. Ela
não a pegou.”
“Bastardo! Isabelle gritou de repente, e fez como se fosse correr a frente; Alec agarrou seu braço e a arrastou
para trás, segurando ela lá. “Ele é um babaca,” ela sibilou e, em então levantando sua voz, gritou para
Valentine: “Você é um ...”
“Isabelle!”
Alec cobriu a boca de sua irmã com sua mão enquanto Valentine distribuía aos dois um único olhar
divertido.
“Você...ofereceu ele...” A inquiridora estava começando a lembrar a Alec um robô cujos circuitos estavam
em curto. “E ele desprezou você?” Ela balançou sua cabeça. “ Mas ele é seu espião...sua arma...”
“É isso o que você pensou?” ele disse, com uma aparentemente genuína surpresa. “Eu dificilmente estou
interessado em espionar os segredos da Clave. Eu estou apenas interessado em sua destruição, e para atingir
este fim eu tenho armas muito mais poderosas do que um garoto.”
“Mas...”
Acredite no que você parece,” Valentine disse com um encolher de ombros.”Você não é nada, Imogen
Herondale. A fantoche de um regime cujo o poder em breve será destruído, seu domínio acabado. Não há
nada que você possa me oferecer que eu possa possivelmente aceitar.”
“Valentine!”
A inquiridora se jogou a frente, como se ela pudesse pará-lo, agarrá-lo, mas suas mãos apenas passaram
através dele como se através de água. Com um olhar de supremo desgosto, ele caminhou de volta e sumiu.
O céu estava fustigado com as últimas línguas de um fogo amortecido, a água tinha se tornado ferro. Clary
puxou seu casaco mais apertadamente em torno de seu corpo e estremeceu.
“Você está com frio?” Jace tinha estado na parte de trás da caçamba, olhando abaixo a trilha que o carro
deixava para trás dele; duas linhas brancas de espuma cortando a água. Agora ele veio e deslizou ao lado
dela, suas costas contra a janela traseira da cabine. A janela por si era quase que inteiramente obscurecida
com fumaça azulada.
“Você não está?”
“Não.” Ele balançou sua cabeça e deslizou sua jaqueta, a entregando para ela. Ela a pôs por cima, se
deleitando na suavidade do couro. Ela era muito grande de uma maneira confortante. “Você vai ficar na
caminhonete como Luke disse a você, certo?”
“Eu tenho uma escolha?”
“Não no sentido literal, não.”
Ela retirou sua luva e alcançou a mão dele. Ele a tomou, agarrando ela fortemente. Ela olhou abaixo para
seus dedos entrelaçados, os dela tão pequenos, quadrados em suas pontas, os dele longos e finos. “Você vai
encontrar Simon para mim,” ela disse. “Eu sei que vai.”
“Clary.” Ela podia ver a água em torno deles ser espelhadas nos olhos dele. “Ele pode estar...quero dizer,
pode ser...”
“Não.” O tom dela não deixava margens de dúvida. “Ele vai estar bem. Ele tem que estar.”
Jace exalou. Suas íris onduladas com a água azul escura – como lágrimas, Clary pensou. Mas elas não eram
lágrimas, eram só reflexos. “Há algo que eu queria perguntar a você,” ele disse. “Eu estava com medo de
perguntar antes. Mas agora eu não tenho medo de nada.” Sua mão se moveu para o contorno da bochecha
dela, a palma quente dele contra a pele fria dela, e ela descobriu que o próprio medo dela havia ido embora,
como se ele passasse o poder da runa destemor para ela através do seu toque. O queixo dela se levantou,
seus lábios partindo-se em espectativa - a boca dele roçou a dela levemente, tão levemente sua sensação
como o roçar de uma pena, a memória de um beijo – e então ele se puxou para trás, seus olhos se alargando;
ela viu a parede preta neles, elevando-se a um borrão no incrédulo ouro: a sombra de um navio.
Jace soltou ela com uma exclamação e lutou para ficar em seus pés. Clary se levantou desajeitadamente, A
pesada jaqueta de Jace lançando ela fora de seu equilíbrio. Faíscas azuis estavam voando das janelas da
cabine, e em suas luzes ela podia ver que a lateral do navio era um enrugado metal preto, em que havia um
fina escada rastejando em um lado, e que tinha uma grade de ferro correndo ao redor do topo. O que parecia
como grandes e desajeitadamente formas de pássaros, estavam empoleiradas sobre as grades. Ondas de frio
pareciam rolar do barco como ar congelante de um iceberg. Quando Jace chamou ela, sua respiração veio em
brancas baforadas, suas palavras perdidas no súbito rugir do motor do grande navio.
Ela franziu as sobrancelhas para ele.”O que? O que você disse?”
Ele agarrou ela à força, deslizando uma mão debaixo do casaco dela, as pontas dos dedos dele arranhando a
pele nua dela. Ela gritou em surpresa. Ele sacou a lâmina serafim que ele havia dado a ela mais cedo, do
cinto dela e a pressionou em sua mão. “Eu disse”,,,e ele soltou ela...”para pegar Abrariel, por que eles estão
vindo.”
“Quem está vindo?”
“Os demônios,” ele apontou acima. Primeiro Clary não viu nada. Então ela notou os imensos pássaros
desajeitados que ela tinha visto antes. Eles estavam jogando-se da grade um a um, caindo como pedra na
lateral do barco – então nivelando e dirigindo-se direto para a caminhonete onde elas flutuaram acima das
ondas. Enquanto elas se aproximavam, ela viu que elas não eram pássaros de modo algum, mas coisas feias
voadoras como pterodátilos, com largas asas de couro e ossudas cabeças triangulares. Suas bocas eram
cheias de dentes serrilhados de tubarão, fileiras e fileiras deles, e suas garras brilhavam como canivetes.
Jace se arrastou para cima do teto da cabine, Telantes flamejando em sua mão.
Quando a primeira das coisas voadoras alcançou eles, ele lançou a lâmina. Ela acertou o demônio, cortando
a parte de cima de seu crânio do jeito que você pode cortar a ponta de um ovo. Com um alto e tempestuoso
chio, a coisa tombou dos lados, asas contraindo. Quando ela atingiu o oceano a água ferveu.
O segundo demônio acertou o capô da caminhonete, suas garras arranhando ao longo furiosamente no metal.
Ela jogou a si mesma contra o para-brisas, rachando o vidro. Clary gritou por Luke, mas outras delas
mergulhou bombardeando ela, lançando-se veloz do céu de aço como uma seta. Ela puxou a manga da
jaqueta de Jace para cima, arremessando seu braço para fora para mostrar a runa de defesa. O demônio
chiou, enquanto outro que tinha as asas planando para trás – mas ele já havia chegado muito perto, dentro
do alcance dela. Ela viu que ele não tinha olhos, apenas covas em cada lado de seu crânio, enquanto ela
jogava Abrariel dentro de seu peito. Ela arrebentou-se dividida, deixando uma baforada de fumaça preta para
trás.
“Muito bem,” Jace disse. Ele tinha pulado da cabine da caminhonete para despachar outra das chiantes
coisas voadoras . Ele tinha uma adaga agora, seu cabo manchado com sangue negro.
“O que são estas coisas?” Clary ofegou, balançando Abrariel em um largo arco que cortou atravessando o
peito de um demônio voador. Aquilo grasnou e golpeou ela com uma asa.. Mais de perto ela pôde ver que as
asas terminavam em uma lâmina – afiados sulcos de osso. Esta tinha pego a manga da jaqueta de Jace e a
rasgou de fora a fora.
“Minha jaqueta,” Jace disse em fúria, e apunhalou abaixo a coisa enquanto ela se levantava, penetrando as
costas dela. Ela gritou e desapareceu. “Eu amava essa jaqueta.”
Clary fitou ele, então girou em torno enquanto o rasgante guincho de metal assaltava suas orelhas. Dois dos
demônios voadores tinham suas garras no capô da cabine, rasgando ela de sua estrutura. O ar foi preenchido
com o guincho do metal rasgando. Luke estava fora do capô da caminhonete, derrubando as criaturas com
sua kindjal. Uma caiu do lado da caminhonete, desaparecendo antes que acertasse a água. A outra zuniu no
ar, o teto da cabine agarrado em suas garras, guinchando triunfantemente e voando de volta em direção ao
barco.
Por um momento o céu ficou claro. Clary correu e espreitou por baixo da cabine. Magnus tinha
desmoronado em seu assento, seu rosto cinza. Lá estava muito escuro para ela poder ver se ele estava ferido.
“Magnus!” ela gritou.”Você está machucado?”
“Não.” ele lutou para se sentar ereto, então caiu de volta contra o assento.” Eu só estou exausto. Os feitiços
de proteção no navio são fortes. Retirar eles, mantendo eles fora, é ...difícil.” Sua voz sumiu. “Mas se eu
não fizer isso, quem colocar o pé sobre este navio, exceto Valentine, vai morrer.”
“Talvez você devesse ir com a gente,” Luke disse.
“Eu não posso trabalhar nas proteções se eu estiver no navio. Eu tenho que fazer isso daqui. Este é o jeito
que ela funciona.” O riso de Magnus parecia doloroso. “Por outro lado, eu não sou bom em uma luta. Meus
talentos repousam em outro lugar.”
Clary, ainda inclinada para dentro da cabine, começou, “Mas e se nós precisa...”
“Clary!”
Luke gritou, mas era tarde demais. Nenhum deles tinha vista a criatura voadora agarrada imóvel na lateral da
caminhonete. Ela se lançou para o alto, levantando vôo lateralmente, garras agarrando profundamente as
costas da jaqueta de Clary, um borrão de asas sombrias e fedidos dentes irregulares. Com um gemido de
triunfo, ela decolou para o ar, Clary pendurada indefesa em suas garras.
“Clary”
Luke gritou novamente, e correu para o canto do capô da caminhonete e parou lá, olhando desesperadamente
acima a forma alada diminuindo com sua carga frouxamente pendurada.
“Ele não vai matar ela,” Jace disse, se juntando a ele no capô. “Ele está capturando ela para Valentine.”
Havia alguma coisa no tom dele que enviou um calafrio através do sangue de Luke. Ele se virou para
encarar o garoto próximo a ele.”Mas...”
Ele não terminou, Jace já tinha mergulhado da caminhonete, em um único movimento suave. Ele se lançou
abaixo na imunda água do rio e empreendeu seu caminho em direção ao barco, seus fortes chutes agitando a
água para uma espuma.
Luke voltou-se para Magnus, cujo rosto pálido estava apenas visível através do para-brisas rachado, uma
mancha branca contra a escuridão. Luke levantou uma mão, e pensou ter visto Magnus acenar em resposta.
Embainhando sua kindjal ao seu lado, ele mergulhou no rio após Jace.
Alec libertou Isabelle de seu aperto, meio esperando que ela começasse a gritar no momento que ele tirasse a
mão de sua boca. Ela não o fez. Ela se manteve ao lado dele e olhando, enquanto a inquiridora se mantinha
ligeiramente balançando, seu rosto um giz branco acinzentado,
“Imogen,” Maryse disse. Não havia sentimento em sua voz, nem mesmo nenhuma raiva.
A inquiridora pareceu não ter ouvido ela. Sua expressão não mudou enquanto ela afundava
desconjuntadamente na velha poltrona de Hodge. “Meu Deus,” ela disse, olhando embaixo para a mesa. “ O
que foi que eu fiz?”
Maryse olhou acima para Isabelle. “Chame seu pai.”
Isabelle, parecendo tão assustada quanto Alec tinha alguma vez visto ela, acenou e deslizou para fora da
sala.
Maryse atravessou a sala até a inquiridora e olhou abaixo para ela. “ O que você fez Imogen?” ela disse. “
Você deu a vitória a Valentine. Foi isso que você fez.”
“Não,” a Inquiridora exalou.
“Você sabia exatamente o que Valentine estava planejando quando você prendeu Jace lá em cima. Você
recusou permitir que a Clave viesse e se envolvesse porque eles iriam interferir em seus planos. Você queria
que Valentine sofresse como ele fez você sofrer; para mostrar a ele que você tinha o poder de matar seu filho
do modo como ele matou o seu. Você queria humilhar ele.”
“Sim...”
“Mas Valentine não será humilhado,” Maryse disse.” Eu poderia ter dito isso a você. Você jamais teria detido
ele. Ele apenas aparentou considerar sua oferta para tornar em absoluta certeza que nós não teríamos tempo
para chamar por reforços de Idris. E agora, é tarde demais.”
A inquiridora olhou acima selvagemente. Seus cabelo tinha se soltado de seu coque e pendurava-se em
frouxas tiras em torno de seu rosto. Estava mais humana do que Alec tinha visto ela parecer, mas ele não
teve nenhuma satisfação nisso. As palavras de sua mãe estremeceram ele: tarde demais. “Não Maryse,”ela
disse. “Nós ainda podemos...”
“Ainda o quê?”A voz de Maryse quebrou-se. “Chamar a Clave? Nós não temos dias, horas, que eles
levariam para chegar aqui. Se nós vamos enfrentar Valentine..e Deus sabe que não temos escolha...”
“Nós vamos ter que fazer isso agora,” uma voz profunda interrompeu. Atrás de Alec, olhando sombriamente,
estava Robert Lightwood.
Alec olhou para seu pai. Havia anos desde que ele viu ele em trajes de caça; o tempo dele tinha sido
preenchido com tarefas administrativas, com administração da Conclave e lidando com questões dos
Downworlder. Algo em ver seu pai em pesadas roupas escuras blindada, sua espada atada através de suas
costas, lembrou Alec em ser uma criança novamente, quanto seu pai tinha sido o maior, o mais forte e o
mais terrível homem que ele podia imaginar. E ele ainda era assustador. Ele não tinha visto seu pai desde
que ele ficou envergonhado em Luke. Ele tentou alcançar os olhos dele agora, mas Robert estava olhando
para Maryse. “A Conclave está pronta,” Robert disse.” Os barcos estão esperando no cais.
As mãos da inquiridora flutuaram em torno de seu rosto.” Isso não é bom,” ela disse.” Não há o suficiente de
nós...nós não podemos de forma alguma...”
Robert ignorou ela. Em vez disso, ele olhou para Maryse. “Nós devemos ir em breve,” ele disse, e em seu
tom havia o respeito que tinha faltado, quanto ele se dirigiu a inquiridora.
“Mas a Clave,” a inquiridora começou. “Eles devem ser informados.”
Maryse empurrou o telefone na mesa em direção a inquiridora, duramente. “Você conta a eles. Conte a eles o
que você fez. É o seu trabalho, depois de tudo.”
A inquiridora nada disse, apenas olhou para o telefone, um mão sobre sua boca.
Antes que Alec começasse a sentir pena por ela, a porta abriu novamente e Isabelle entrou, em seu
equipamento de Caçadora de Sombras, com seu longo chicote prata dourado em uma mão e uma lança de
madeira naginata na outra. Ela franziu o cenho para seu irmão.”Vá se aprontar,” ela disse.”Nós estaremos
indo navegar para o barco de Valentine imediatamente.”
Alec não pode impedir; o canto de sua boca torceu para cima. Isabelle era sempre tão determinada. “Isso é
para mim?” ele perguntou, indicando a naginata.
Isabelle sacudiu ela para longe dele.” Pegue a sua própria.!”
Alec caminhou em direção a porta, mas ele foi parado por uma mão em seu ombro. Ele olhou para cima em
surpresa.
Era seu pai. Ele estava olhando abaixo para Alec, e apesar de ele não estar sorrindo, havia um olhar de
orgulho em seu envelhecido e cansado rosto. ““Se você tiver necessidade de uma espada, Alexander, minha
guisarme está na entrada. Se você quiser utilizá-la.”
Alec engoliu e acenou, mas antes que ele pudesse agradecer a seu pai, Isabelle falou atrás dele:
“Aqui está, mãe.” ela disse. Alec se virou e viu sua irmã no processo de entrega da naginata para sua mãe,
que pegou ela e a girou com habilidade em suas mãos.
“Obrigada, Isabelle,” Maryse disse, e com um movimento tão rápido quanto o de sua filha, ela abaixou a
arma para que apontasse diretamente para o coração da inquiridora.
Imogen Herondale olhou acima para Maryse com vazios e dispersos olhos de uma estátua arruinada. “Você
vai me matar, Maryse?”
Maryse sibilou através de seus dentes, “ Nem de perto,” ela disse.” Nós precisamos de cada Caçador de
Sombras na cidade, agora mesmo, isso inclui você. Levante-se, Imogen, e apronte-se para a batalha. De
agora em diante, as ordens por aqui vão vir de mim.” ela sorriu amargamente.”E a primeira coisa que você
vai fazer é libertar meu filho da amaldiçoada Configuração Malachi.”
Ela pareceu agigantar enquanto ela falava, Alec pensou com orgulho, uma verdadeira guerreira Caçadora de
Sombras, cada linha dela ardendo com uma honrada fúria.
Ele odiou estragar o momento – mas eles estavam indo descobrir que Jace tinha partido por sua própria
conta mais cedo. Era melhor que alguém suavizasse o choque.
Ele limpou sua garganta. “Na verdade,'” ele disse, 'há algo que provavelmente vocês devem saber...”
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