sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 8

Parte Dois

OS PORTÕES DO INFERNO

ANTES DE MIM COISA ALGUMA FOI CRIADA
EXCETO COISAS ETERNAS, E ETERNA EU DURO.
DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!

8 – A Corte de Seelie

No sonho Clary era uma criança novamente, andando pela estreita faixa da praia perto da calçada em Coney
Island. O ar estava forte com o cheiro de cachorros quentes e amendoins torrados, e com os gritos de
crianças. O mar surgiu a distância, sua superfície azul acizentada viva com a luz do sol.

Ela podia ver a si mesma como se a uma distância, usando um pijama de criança acima do tamanho. As
bainhas do pijama de botões arrastando pela praia. A areia suja grudando entre os dedos dos pés, e seu
cabelo fixado fortemente contra a nuca de seu pescoço. Não havia nuvens e o céu estava azul e claro, mas
ela estremeceu enquanto ela caminhava ao longo do perímetro da água em direção a uma figura que ela
podia ver apenas turvamente à distância.

Enquanto ela se aproximou, a figura ficou subitamente clara, como se Clary tivesse focado as lentes de uma
câmera. Era sua mãe, ajoelhada nas ruínas de uma castelo de areia semi-construído. Elas usava o mesmo
vestido branco que Valentine colocou nela em Renwick. Em sua mão estava um galho retorcido, prateado
pela longa exposição ao sal e ao vento.

“Você veio para me ajudar? Sua mão disse, levantando sua cabeça. O cabelo de Jocelyn estava solto e ele
balançava livre ao vento, fazendo ela parecer mais jovem do que era. “ Há muito para fazer e tão pouco
tempo.”

Clary engoliu contra o caroço em sua garganta.

“Mãe...eu sinto sua falta, mãe.”

Jocelyn sorriu.
“Eu sinto sua falta também, querida. Mas eu não parti, você sabe. Eu estou apenas dormindo.”

“Então como é que eu acordo você?” Clary chorou, mas sua mãe estava olhando para o mar, seu rosto
preocupado. O céu tinha se tornado um crepúsculo cinza-ferro e as nuvens negras pareciam pedras pesadas.

“Venha aqui,” Jocelyn disse, e quando Clary foi até ela, ela disse. “ Firme o seu braço.”

Clary o fez. Jocelyn moveu o galho retorcido sobre sua pele. O toque picou como uma estela queimando, e
deixou a mesma linha grossa negra para trás. A runa que Jocelyn desenhou era de um formato que Clary
nunca tinha visto antes, mas ela a achou instintivamente tranqüilizante aos seus olhos.

“O que isso faz?”

“Ela deve protegê-la. “ A mãe de Clary a soltou.

“Contra o quê?”

Jocelyn não respondeu, apenas olhou em direção ao mar. Clary se virou e viu que o mar tinha retrocedido,
deixando pilhas de lixo repulsivo, montes de algas e jogados, peixes desesperados se debatendo. A água
tinha se reunido em uma grande onda, subindo como uma lateral de uma montanha, como uma avalanche
pronta para cair. O tumultos das crianças na calçada tinha se tornado em gritos. Enquanto Clary olhava em
horror, ela viu que o lado da onda estava transparente como uma membrana, e através dela, ela podia ver
coisas que pareciam se mover debaixo da superfície do mar, grandes coisas escuras sem forma se
empurrando contra a pele da água. Ela levantou suas mãos....”

E acordou, arfando, seu coração batia dolorosamente contra suas costelas. Ela estava em sua cama no quarto
reserva da casa de Luke, e a luz da tarde estava filtrada através das cortinas. Seus cabelo estava emplastrado
em sua nuca com o suor, e seu braço queimava e doía. Quando ela se sentou e ligou a luz da cabeceira, ela
viu sem surpresa a Marca preta que corria no comprimento de seu antebraço.

Quando ela foi para a cozinha, ela encontrou um café da manhã deixado por Luke para ela na forma de um
bolo de tâmaras em uma caixa de papelão salpicada de manteiga. Ele também tinha deixado um bilhete
preso na geladeira. Fui ao hospital.

Clary comeu o bolo a caminho de encontrar com Simon. Ele estava supostamente para estar na esquina da
Bedford na parada do Trem L com a cinco, mas ele não estava. Ela sentiu um ligeiro
puxão de ansiedade antes de ela se lembrar que havia uma loja de cds na esquina com a Seis. Claro o
suficiente, ele estava escolhendo através dos cds na seção de lançamentos. Ele usava um casaco cor de
ferrugem com uma manga rasgada e uma camiseta azul que ostentava o logotipo de um garoto usando um

fone de ouvidos dançando com uma galinha. Ele sorriu quando viu ela. “Eric acha que nós devemos mudar o
nome de nossa banda para Mojo Pie,” ele disse. No meio da saudação.

“O que é isto agora? Eu esqueci.”

“Champagne Enema,” ele disse, selecionando um cd You La Tengo.

“Troque isso,” Clary disse. “ À propósito. Eu sei o que sua camiseta quer dizer.”

“Não, você não sabe.” Ele foi a frente da loja para comprar o cd dele. “Você é uma boa garota.”

Lá fora o vento estava frio e refrescante. Clary puxou seu cachecol listrado ao redor de seu queixo. “Eu
fiquei preocupada quando eu não vi você na parada do L;”

Simon puxou sua toca de tricô para baixo, piscando como se a luz do sol machucasse seus olhos. “Desculpe.
Eu me lembrei que precisava desse CD, e eu pensei...”

“Tudo bem.” Ela acenou uma mão para ele. “Sou eu. Eu entro em pânico facilmente hoje em dia.”

“Bem, depois de tudo que você passou, ninguém pode culpar você.” Simon soou contrito. “ Eu ainda não
acredito no que aconteceu na Cidade do Silêncio. Eu não acredito que você esteve lá”

“Nem Luke pode. Ele ficou completamente fora de si.”

“Eu aposto.” Eles estavam caminhando através da McCarren Park, a grama debaixo de seus pés ficando
marrom invernal, o ar cheio de luz dourada. Cachorros correndo para longe de suas coleiras entre as árvores.
Todas as coisas mudam em minha vida, e o mundo permanece o mesmo, Clary pensou. “Você falou com
Jace desde o que aconteceu?' Simon perguntou, mantendo sua voz neutra.

“Não, mas eu chequei com Isabelle e Alec algumas vezes. Aparentemente ele está bem.”

“Ele pediu para ver você? É por isso que estamos indo?”

“Ele não tem que pedir.” Clary tentou manter a irritação fora da voz dela enquanto eles se viravam dentro da
rua de Magnus. Ela era alinhada com baixos prédios de fábricas que tinham sido convertidos a lofts e
estúdios por artísticos – e saudáveis – residentes. A maioria dos carros estacionados ao longo da beira da
calçada eram caros.

Quando eles se aproximaram do edifício de Magnus, Clary viu a figura esguia desprendendo-se de si mesmo
de onde ele tinha estado sentado na varanda. Alec. Eles estava usando um longo casaco preto feito de um
rígido material um pouco brilhante que os Caçadores de Sombras gostavam de utilizar em seu equipamento.
Suas mãos e garganta estavam marcadas com runas, e era evidente o fraco tremular no ar ao redor dele, que
estava encantado com invisibilidade.

“Eu não sabia que você estava trazendo o mundano.” Seus olhos azuis piscaram nervosamente em Simon.

“Isso é o que eu gosto sobre seu pessoal, “ Simon disse.” Vocês sempre me fazem sentir muito bem-vindo.”

“Ah, vamos lá, Alec,” Clary disse. “Qual é o problema? Não é como se Simon não tivesse estado lá antes.”

Alec lançou um suspiro teatral, deu de ombros, e liderou o caminho acima das escadas. Ele abriu a porta do
apartamento de Magnus utilizando uma fina chave prateada, que ele enfiou dentro do bolso no peito de sua
jaqueta no momento que ele terminou, como se ele desejasse manter suas companhias vendo isso.

A luz do dia o apartamento parecia do jeito que uma boate vazia poderia parecer durante as horas fechada:
escura, suja, e inesperadamente pequena. As paredes eram nuas, brilhos aqui e ali com pintura de glitter, e o
assoalho onde as fadas tinham dançado a uma semana atrás estava empenado e brilhoso com o tempo.

“Oi, oi.” Magnus se arrastou em direção a eles. Ele estava usando uma roupão de banho verde de seda aberto
por cima de uma camisa de malha prata e jeans pretos. Uma pedra vermelha piscando em sua orelha direita.
“Alec, meu querido. Clary. E garoto-rato.” Ele deslizou um encurvar em direção a Simon, que pareceu
chateado. “ A que devo o prazer?”

'Nós viemos para ver Jace,” Clary disse,” Ele está bem?”

“Eu não sei, “ Magnus disse. “Ele normalmente só fica deitado no chão sem se mover? “

“O que...” Alec começou, e Magnus caiu na risada.”Isso não tem graça.”

“Você é tão fácil de tirar do sério. E sim,seu amigo esta bem. Bem, exceto que ele se mantem colocando
todas as minhas coisas fora do caminho e tentando limpar. Agora eu não posso encontrar nada. Ele é
compulsivo.

“Jace gosta de suas coisas limpas,”Clary disse, pensando no quarto dele igual ao de um monge no Instituto.

“Bem, eu não.” Magnus estava olhando Alec com o canto de seu olho enquanto Alec começava a se afastar
em um meia distância, a cara fechada. “Jace está lá se você quiser vê-lo.” Ele apontou em direção a uma
porta no final da sala.

“Lá dentro.” apagado por ser um esconderijo de tamanho médio, surpreendentemente aconchegante, com
paredes manchadas, cortinas de veludo através das janelas e poltronas em tecido drapeado largadas como
corpulentos e coloridos icebergs em um mar de grosso carpete bege Um sofá rosa choque estava feito com
lençóis e um cobertor. Próximo a ele estava uma mala recheada de roupas. Nenhuma luz vinha das pesadas
cortinas; a única fonte de iluminação era a piscante tela da televisão, que cintilava brilhantemente a despeito
do fato que a televisão por si mesma não estar conectada na tomada.

“O que está passando? “ Magnus perguntou.

“O que não usar,”
veio uma familiar voz falando lentamente, emanada de uma figura esparramado em uma das poltronas. Ele
se sentou à frente e por um momento Clary pensou que Jace iria se levantar e saudar eles. Ao invés disso,
ele balançou sua cabeça para a tela. “ Calças caqui de cós alto? “Quem usaria isso?”Ele se virou e olhou
para Magnus. “ Quase ilimitado poder sobrenatural,” ele disse, “ e tudo o que você faz é utilizar ele para
assistir reprises. Que desperdício.”

“Além disso , a TiVo passa muito da mesma coisa,” ressaltou Simon.

“Meu jeito é mais barato.” Magnus bateu suas mãos juntas e o quarto subitamente foi inundado de luz, Jace
caiu na cadeira, levantou um braço para cobrir o seu rosto. “Você pode fazer isso sem mágica?”

“Na verdade,” Simon disse. “sim. Se você assistisse os infocomerciais, você saberia como.”

Clary sentiu que o clima no quarto estava se deteriorando. “Já chega,” ela disse. Ela olhou para Jace, que
tinha abaixado seu braço e estava piscando ressentidamente pela luz. “Nós precisamos conversar, “ ela disse.
“Todos nós. Sobre o que vamos fazer agora.”

“Eu estava indo assistir Project Runway,” Jace disse. “É o próximo.”

“Não você não vai,” Magnus disse. Ele bateu seu dedos e a TV desligou, liberando uma pequena nuvem de
fumaça quando a imagem morreu. “ Você precisa lidar com isso.”

“Subitamente você está interessado em resolver meus problemas?”

“Eu estou interessado em ter meu apartamento de volta. Eu estou cansado de você limpando o tempo todo.”
Magnus estalou seu dedos novamente, ameaçadoramente. “Levante-se.”

“Ou você será o próximo a virar fumaça,” Simon disse com satisfação.

“Ninguém precisa esclarecer meu estalar de dedos,” Magnus disse. “ A implicação está clara no estalar dele
mesmo.”

“Ótimo.” Jace se levantou fora da cadeira. Ele estava descalço e havia uma linha púrpura prateada na pele
em torno de seu pulso onde seu ferimento ainda estava se curando. Ele parecia cansado, mas não como se
ele ainda estivesse em dor. “Vocês querem uma mesa redonda de reunião, nós teremos uma mesa redonda de
reunião.”

“Eu amo mesas redondas,” Magnus disse brilhantemente. “Elas combinam muito mais do que as
quadradas.”

Na sala de jantar Magnus invocou uma enorme mesa circular cercada de cinco cadeiras altas de madeira.
“Isso é incrível, “Clary disse, deslizando em uma cadeira. Era surpreendentemente confortável. “Como você
pode criar alguma coisa do nada como isso?”

“Você não pode,” Magnus disse. “Tudo vem de algum lugar. Estas vieram de uma loja de reprodução de
antiguidades na Quinta Avenida, por exemplo. E estes” - subitamente cinco canecas de papel encerado
apareceram sobre a mesa, o vapor subindo suavemente dos buracos de suas tampas, “ vieram da Dean &
DeLuca na Broadway.”

“Isso parece com roubo, não é?” Simon puxou um copo em direção dele. Ele tirou a tampa. “ Ooh.
Mochaccino.” Ele olhou para Magnus. “ Você pagou por isso?”

“Claro,” Magnus disse, enquanto Jace e Alec sorriam. “Eu faço cédulas de dólares aparecerem magicamente
nas suas caixas registradoras.”

“Sério?”

“Não.” Magnus bateu a tampa para fora de seu café. “Mas você pode fingir que eu fiz isso se faz você se
sentir melhor. Então, o primeiro assunto é o que?”

Clary colocou suas mãos ao redor da sua própria caneca de café. Talvez ela seja roubada, mas ela era algo
quente e cheio de cafeína. Ela poderia parar na Dean & DeLuca e largar um dólar na ponta da jarra qualquer
hora. “Descobrir o que está acontecendo será um começo.” ela disse, soprando em sua espuma. “Jace, você
disse que o que aconteceu na Cidade do Silêncio foi culpa de Valentine?”

Jace olhou abaixo para seu café.”Sim.”

Alec pôs uma mão no braço de Jace. “O que aconteceu? Você viu ele?”

“Eu estava na cela,” Jace disse, a voz dele morta.”Eu ouvi os Irmãos do Silêncio gritando. Então Valentine

desceu as escadas com – com alguma coisa. Eu não sei o que era. Como fumaça, com olhos brilhantes. Um
demônio, mas não como algum que eu tenha visto antes. Ele veio até as barras e ele me disse...”

“Disse o quê? A mão de Alec deslizou do braço de Jace para seu ombro. Magnus limpou sua garganta. Alec
largou sua mão, o rosto vermelho, enquanto Simon sorriu para seu café não bebido.

“Maellartach,” Jace disse. “Ele queria a Alma da Espada e ele matou os Irmão do Silêncio para consegui-la.”

Magnus estava franzindo as sobrancelhas. “Alec, noite passada, quando os Irmãos do Silêncio chamaram
por sua ajuda, onde estava a Conclave? Porque não havia ninguém no Instituto?”

“Alec pareceu surpreso por ser perguntado. “Havia um Downworlder assassinato no Central Park na última
noite. Uma criança fada foi morta. O corpo estava drenado de sangue,”

“Eu aposto que a Inquiridora pensa que eu fiz isso também.” Jace disse. “Meu reinado de terror continua.”

Magnus se levantou e foi para a janela. Ele puxou a cortina de volta, deixando entrar apenas luz suficiente
para a envolver seus perfil de falcão. “Sangue,” ele disse, meio que para si mesmo. “Eu tive um sonho duas
noites atrás. Eu vi a cidade cheia de sangue, com torres feitas de osso, e sangue correndo pelas ruas como
água.”

Simon lançou os olhos dele sobre Jace.“Ficar em pé na janela murmurando sobre sangue é algo que ele faz o
tempo todo?”

“Não.” Jace disse, “ ás vezes ele se senta no sofá e faz isso.”

Alec lançou para ambos um olhar afiado.”Magnus, o que há de errado?”

“O sangue,” Magnus disse novamente. “Ele não pode ser uma coincidência.”Ele pareceu estar olhando
abaixo para a rua. O pôr do sol estava vindo rápido sobre a silhueta da cidade à distância: O céu estava
riscado com barras de alumínio e rosa dourado. “Houve vários assassinatos esta semana,” ele disse, “de
Downworlders. Um bruxo, morto na torre de seu apartamento abaixo da South Street Seaport. Seus pescoço
e pulsos foram cortados e o corpo drenado de sangue. E um lobisomem foi morto no Caçador da Lua há
poucos dias. Sua garganta foi cortada neste caso também.”

“Isso soa como vampiros,” Simon disse, subitamente muito pálido.

“Eu acho que não,” Jace disse. “Pelo menos, Raphael disse que isso não foi trabalho da Crianças da Noite.
Ele parecia inflexível sobre isso.”

“Yeah, por que ele é confiável.” murmurou Simon.

“Neste caso eu acho que ele estava falando a verdade,” Magnus disse, puxando a cortina fechada. Seus rosto
estava angular, ensombrecido. Enquanto ele vinha de volta a mesa, Clary viu que ele estava carregando um
pesado livro preso no pano verde. Ela não achou que ele tinha estado segurando isso a poucos instantes
atrás. “Havia uma forte presença demoníaca em ambos os locais. Acho que alguém foi responsável por todas
as três mortes. Não Raphael e sua tribo , mas Valentine.”

Os olhos de Clary foram para Jace. Sua boca era uma linha fina, mas “Por que você disse isso?” foi tudo o
que ele perguntou.

“A inquiridora acha que a fada assassinada foi uma distração,” ela disse rapidamente.” Assim ele poderia
roubar a Cidade do Silêncio sem se preocupar com a Conclave.”

“Há maneiras mais fáceis de se criar uma distração,” Jace disse, “E é desaconselhável antagonizar como o
Povo das fadas. Ele não teria assassinado um do clã das fadas se ele não tivesse um motivo.”

“Ele tinha um motivo,” Magnus disse. “Não era algo que ele queria vindo da criança fada, tal como algo que
ele precisasse do bruxo e do lobisomem que ele matou.”

“E o que é isso?” Alec perguntou.

“O sangue deles,” Magnus disse e abriu o livro verde. As finas páginas de pergaminho tinham palavras
escritas nelas que brilhavam como fogo. “Ah,” ele disse, “aqui.” Ele olhou para cima, tocando a página com
uma unha afiada. Alec se inclinou para frente. “Você não será capaz de lê-lo.” Magnus o alertou. “Está
escrito em uma linguagem de demônio, Purgatórica.

“Eu posso reconhecer o desenho, apesar de tudo. Esta é Maellartach. E vi isso antes em livros.” Alec
apontou para uma ilustração de uma espada prateada, familiar para Clary – ela era a que ela tinha notado que
estava faltando na parede da Cidade do Silêncio.

“O Ritual da Conversão Infernal,” Magnus disse. 'É isso o que Valentine está tentando fazer.”

“O que de quê?” Clary franziu as sobrancelhas;

“Cada objeto mágico tem uma aliança,” Magnus explicou. “A aliança da Alma da Espada é seráfica – como
aquelas lâminas de anjo que vocês Caçadores de Sombra utilizam, mas mais de mil vezes mais, porque o
poder dela foi traçado pelo próprio Anjo, não simplesmente pela invocação de um nome angelical. O que
Valentine quer é reverter a sua aliança – fazer dela um objeto demoníaco do que de poder angelical.

“De legal para o bem, para legal para o mal,” Simon disse, satisfeito.

“Ele está citando Dungeons e Dragons,” Clary disse. “Ignore ele.”

“Quanto a Espada do Anjo, a utilização de Maellartach por Valentine poderia ser limitada, “ Magnus disse.
Mas enquanto uma espada cujo poder demoníaco é igual ao poder angelical que ela uma vez possui – bem,
há muito que ela pode oferecer a ele. Poder sobre os demônios. Não só a proteção limitada que a taça pode
oferecer, mas poder para de invocar demônios para ele, para forçar eles a fazerem o que ele ordenar.

“Um exército de demônios?” Alec disse.

“”Esse cara é grande em exércitos.” observou Simon.

“Poder, mesmo para trazê-los para Idris, talvez.” Magnus finalizou.

“Eu não sei o que ele iria querer indo para lá,” Simon disse. “ Lá é onde todos os caçadores de demônio
estão, não é? Será que ele não quer apenas aniquilar os caras demônios?”

“Os demônios vem de outras dimensões,” Jace disse. “Nós não sabemos quantos deles existem. Seu número
pode ser infinito. A proteção mantém a maior parte deles afastada, mas se todos eles vieram através de uma
vez...”

Infinito,
Clary pensou. Ela se lembrou do Grande Demônio, Abbadon, e tentou imaginar centenas mais dele. Ou
milhares. Sua pele sentiu fria exposta.

“Eu não saquei,” Alec disse. “O que o ritual tem que fazer com os Downworlders mortos?”

“Para realizar o Ritual de Conversão, você precisa ferver a Espada até que ela esteja vermelha, e então
esfriá-la quatro vezes, cada vez em sangue de uma criança Downworld, Uma vez no sangue de uma criança
de Lilith, uma vez no sangue de uma criança da lua, uma vez no sangue de uma criança da noite, e uma vez
no sangue de uma criança das fadas, “Magnus explicou.

“Oh, meu Deus,” Clary disse. “Então ele não terminou de matar? Há ainda mais uma criança?”

“Mais duas. Ele não teve sucesso com a criança lobisomem. Ele foi interrompido antes que pudesse ter todo
o sangue que ele precisava.” Magnus fechou o livro, pó bafejando de suas páginas “Seja lá qual seja o
objetivo final de Valentine, ele já está a mais do que meio caminho para reverter a Espada. Ele é
provavelmente capaz de ganhar algum poder dela agora. Ele já pode ser capaz de invocar demônios...”

“Mas você não acha que se ele estivesse fazendo isso, não haveria relatos de distúrbio, excesso de atividade
demoníaca,” Jace disse”Mas a Inquiridora disse que o contrário é verdade – que tudo tem estado tranqüilo.”

“E assim que poderia ser, “ Magnus disse, “se Valentine estiver chamando todos os demônios para ele. Não
me admira que está calmo.”

O grupo olhou um para o outro. Antes que alguém pudesse pensar em dizer uma simples coisa, uma barulho
brusco atravessou a sala, fazendo Clary pular. Café quente derramou sobre seu pulso e ela arfou com a dor
súbita.

“É minha mãe,” Alec disse, checando seu telefone. “Eu vou estar de volta,” Ele foi para a janela, a cabeça
abaixada, a voz muito baixa para se ouvir.

“Me deixe ver,” Simon disse, pegando a mão de Clary. Havia uma feia mancha vermelha no seu pulso onde
o líquido quente tinha escaldado ela.”

“Está tudo bem,” ela disse. “Não é grande coisa.”

Simon levantou sua mão e beijou o machucado.” Está tudo em agora.”

Clary fez um barulho assustado. Ele nunca tinha feito nada como aquilo antes. Então, novamente, aquilo era
o tipo de coisa que namorados faziam, não era? Puxando seu pulso de volta, ela olhou através da mesa e viu
Jace encarando eles, seus olhos dourados em chamas. “ Você é uma Caçadora de Sombras.” ele disse. “Você
sabe como lidar com ferimentos.” Ele deslizou sua estela através da mesa em direção a ela. “Use ela.”

“Não,” Clary disse, e empurrou a estela de volta através da mesa para ele.

Jace bateu sua mão embaixo na estela. “Clary...”

“Ela disse que não precisa disso,”Simon disse.”Ha – ha.”

“Ha – ha? Essa é a sua resposta?”

Alec, fechando seu telefone, aproximou da mesa com um olhar confuso. “O que está acontecendo?”

“Parece que estamos presos em um episódio de Uma Vida para Desperdiçar,” Magnus observou. “É tudo
muito chato.”

Alec deu um peteleco em um fio de cabelo fora de seus olhos.”Eu disse a minha mãe sobre a Conversão

Infernal.”

“Me deixe adivinhar,” Jace disse. “Ela não acreditou em você. Aliás, ela botou a culpa toda em mim.”

Alec amarrou a cara. “Não exatamente. Ela disse que irá levar isso até a Conclave, mas ela não quer a
opinião da Inquiridora agora mesmo. Eu tenho a sensação que a Inquiridora quer tirar minha mãe do
caminho e assumir o controle. Ela parecia com raiva. O telefone em sua mão tocou novamente. Ele levantou
um dedo. “Desculpe. É Isabelle, Um segundo.” Ele desviou-se para a janela, o telefone na mão.

Jace olhou acima para Magnus. “Eu acho que você está certo sobre o lobisomem no Caçador da Lua. O cara
que encontrou o corpo dele disse que mais alguém estava no beco com ele. Alguém que fugiu.”

Magnus acenou. “Isso soa para mim como se Valentine tivesse sido interrompido no meio do que seja lá o
que ele estivesse fazendo para conseguir o sangue que ele precisava. Ele vai provavelmente tentar
novamente com uma diferente criança licantropa.”

“Eu devo avisar ao Luke,” Clary disse, meio se levantando de sua cadeira.

“Espere.” Alec estava de volta, o telefone na mão, uma peculiar expressão em seu rosto.

“O que Isabelle quer?” Jace perguntou.

Alec hesitou.” Isabelle disse que a Rainha do Corte de Seelie solicitou uma audiência com a gente.”

“Claro,” Magnus disse. “E Madonna me quer como um dançarino em sua próxima turnê mundial.”

Alec pareceu confuso.”Quem é Madonna?”

“Quem é a Rainha da Corte de Seelie?”Clary perguntou.

“Ela é a Rainha das Fadas,” Magnus disse. “Bem , a da região, de qualquer maneira.”

Jace pôs sua cabeça em sua mão.”Diga a Isabelle que não.”

“Mas ela acha que é uma boa idéia,”Alec protestou.

“Então diga a ela não duas vezes .”

Alec amarrou a cara. “O que é que isso quer dizer?”

“Ah, só que algumas idéias de Isabelle são totalmente batidas e algumas são um total desastre. Lembra da
idéia que ela teve sobre utilizar os túneis abandonados do metro para ir ao redor por baixo da cidade? Fale
sobre os ratos gigantes...”

“Não vamos,” Simon disse. “Na verdade, eu prefiro não falar de ratos de modo algum.”

“Isso é diferente,” Alec disse. “Ela quer que a gente vá para a Corte de Seelie.”

“Você está certo, isso é diferente,” Jace disse. “Esta é a pior idéia dela.”

“Ela conhece um cavaleiro na Corte,” Alec disse. “Ele disse a ela que a Rainha de Seelie esta interessada em
se reunir com a gente. Isabelle ouviu por acaso minha conversa com nossa mãe – e ela pensou se nós
poderíamos explicar nossa teoria sobre Valentine e a Alma da Espada para a Rainha, a Corte de Seelie

estando ao nosso lado, talvez aliasse a nós contra Valentine.”

“É seguro ir lá?” Clary perguntou.

“É claro que não é seguro,” Jace disse, como se ela tivesse perguntado a ele a mais estúpida das perguntas
que ele ouviu.

Ela atirou um olhar sobre ele. “Eu não sei nada sobre a Corte de Seelie. Vampiros e lobisomens eu entendo.
Existem filmes suficientes sobre eles. Mas fadas são coisas um pouquinho infantis. Eu me vesti como uma
fada para o Halloween quando eu tinha oito. Minha mãe me fez um chapéu no formato de um ranúnculo
(flor). “

“Eu lembro disso.” Simon tinha se inclinado de volta em sua cadeira, os braços cruzados sobre seu peito.
“Eu era um transformer. Na verdade, eu era uma Decepticon.”

“Nós podemos voltar ao assunto?” Magnus perguntou.

“Legal,” Alec disse. “Isabelle acha - e eu concordo – que não é uma má idéia ignorar o Povo das Fadas; Se
eles querem conversar, que mal pode fazer? Além disso, se a Corte de Seelie estiver do nosso lado, a Clave
teria que ouvir o que nós temos a dizer.”

Jace riu sem nenhum humor.” O Povo das Fadas não ajudam humanos ”

“Caçadores de Sombras não são humanos,” Clary disse. “Não realmente.”

“Nós não somos muito melhores para eles,” Jace disse.

“Eles não podem ser piores que os vampiros,” Simon murmurou. “E você fez tudo certo com eles.”

Jace olhou para Simon como se ele fosse alguma coisa que ele encontrou crescendo debaixo da pia. “Está
tudo certo com eles? Pelo que eu suponho que você quer dizer que nós sobrevivemos?”

“Bem...”

“Fadas,” Jace continuou, como se Simon não tivesse falado, “são os descendentes dos demônios e dos anjos,
com a beleza dos anjos e a crueldade dos anjos. Um vampiro pode atacar, se você entrar em seu domínio,
mas as fadas podem fazer você dançar até morrer com suas pernas no chão em tocos, enganar você em um
nado a meia noite e arrastá-lo gritando debaixo dágua até que os seus pulmões se encham de água, preencher
seus olhos com poeira de fadas até que você arranque eles de suas órbitas..”

“Jace!” Clary rebateu, cortando ele no meio da falação.”Cale a boca. Jesus. Já chega.”

“Olha, é mais fácil ser mais esperto do que um lobisomem ou um vampiro,” Jace disse. “Eles são mais
inteligentes do que qualquer outra pessoa. Mas fadas vivem a centenas de anos e eles são astutos como
serpentes. Eles não podem mentir, mas eles amam participar de um criativo dizer-a verdade. Eles vão
descobrir o que você mais gosta no mundo e dar isso a você – com uma farpa na calda da dádiva que vai
fazer você se lamentar de ter desejado isso em primeiro lugar.” Ele suspirou. “Eles realmente não ajudam as
pessoas. Mais sobre danos mascarados do que ajuda.”

“E você acha que nós não somos espertos o suficiente para saber a diferença?” Simon perguntou.

“Eu não acho que você é esperto o suficiente para não se tornar um rato por acidente.”

Simon olhou para ele.”Não vejo o que importa o que você acha que nós devemos fazer,” ele disse.
“Considerando que você não pode ir com a gente em primeiro lugar. Você não pode ir a lugar nenhum.”

Jace se levantou, jogando sua cadeira para trás violentamente. “Vocês não vão levar Clary para a Corte de
Seelie sem mim e isso é o ponto final!”

Clary olhou para ele com a boca aberta. Ele estava ruborizado com a raiva, os dentes apertados, as veias
atadas ao seu pescoço . Ele estava também evitando olhar para ela.

“Eu posso cuidar de Clary,” Alec disse – e lá estava uma ferida em sua voz – se , porque Jace tinha dúvidas
das habilidades dele ou por causa de alguma outra coisa, Clary não tinha certeza.

“Alec,” Jace disse, seus olhos fechados em seu amigo. “Não. Você não pode.”

Alec engoliu. “Nós estamos indo,” ele disse. Ele falou as palavras como um pedido de desculpas. “ Jace um
pedido da Corte de Seelie – seria estupidez ignorá-lo. Além disso, provavelmente Isabelle já disse a eles que
estávamos chegando.

“Não existe nenhuma chance de eu deixar você fazer isso, Alec,” Jace disse em uma voz perigosa. Eu vou
lutar com você se eu precisar.”

“Enquanto isso soa tentador,” Magnus disse, lançando suas longas mangas de seda para trás, “há uma outra
maneira.”

“Que outra maneira? Esta é uma diretriz da Clave. Eu não posso escapar disso.”

“Mas eu posso.” Magnus sorriu. “Nunca duvide da minha habilidade escapatória, Caçador de Sombras, por
elas serem épicas e memoráveis no seu alcance. Eu especificamente encantei o contrato com a Inquiridora
para que eu pudesse deixar você ir por um curto período de tempo se eu quiser, enquanto outro dos Nephilim
estivesse disposto a tomar o seu lugar.

“Onde nós vamos encontrar outro...Oh,” Alec disse docemente. “Você quer dizer eu.”

As sobrancelhas de Jace se levantaram.” Ah, agora você não vai querer ir a Corte de Seelie?”

Alec enrubesceu. “Eu acho que isso é mais importante para você ir do que mim. Você é filho de Valentine,
eu tenho certeza de que a Rainha realmente quer ver você. Além disso você é charmoso”

Jace olhou para ele.

“Talvez não no momento,” Alec emendou. “Mas você é frequentemente charmoso. E as fadas são muito
suscetíveis ao charme.”

Além disso, se você ficar aqui, eu tenho toda a primeira temporada de A Ilha de Gilligan em Dvd,” Magnus
disse.

“Ninguém recusaria isso,” Jace disse. Ele ainda não olhava para Clary.

“Isabelle pode encontrar vocês no parque de Turtle Pond,” Alec disse. “Ela conhece a entrada secreta para a
Corte. Ela vai estar esperando.”

“E uma última coisa,” Magnus disse, apontando o dedo com anel para Jace. “Tente não se matar no Corte de
Seelie. Se você morrer, eu vou ter um monte de explicações a dar.

Com aquilo, Jake se iluminou com um sorriso. Era um sorriso inquietante, menos um lampejo de diversão
do que um cintilar de uma espada desembainhada. “Você sabe,” ele disse, “eu tenho a impressão que isso
pode vir a ser o caso se eu conseguir matar a mim mesmo ou não.”

Espessos tentáculos de musgos e plantas cercavam a margem de Turtle Pond como uma fronteira de renda
verde. A superfície da água era calma, ondulada aqui e ali em um rastro de patos levados pela corrente, ou
cavidades de prateadas pancadas leves das caudas dos peixes.

Havia lá um pequeno gazebo de madeira construído sobre a água, Isabelle estava sentada nele, olhando
através da lagoa. Ela parecia como uma princesa de um conto de fadas, esperando no topo de sua torre por
alguém que viesse e resgatasse ela.

Não que o comportamento tradicional de princesa fosse similar ao de Isabelle, de modo algum. Isabelle com
seu chicote, botas e facas que cortavam qualquer um que tentasse encurralar ela em uma torre em pedaços,
construir uma ponte de restos e andar cuidadosamente para a liberdade, o cabelo dela parecendo fabuloso o
tempo todo. Aquilo fazia de Isabelle uma pessoa difícil de se gostar, mas Clary estava tentando.

“Izzy,” Jace disse, enquanto se aproximava da lagoa, ela saltou e girou a o redor; Seu sorriso era
deslumbrante.

“Jace!” Ela voou para ele e o abraçou. Do jeito que supostamente as irmãs agiam; não todo rígida, estranha e
peculiar, mas feliz e adorável. Observando Jace abraçar Isabelle, ela tentou aprender as feições dela em uma
expressão feliz e adorável.

“Você está bem?” Simon perguntou, com alguma preocupação. “Seus olhos estão vesgos.”

“Eu estou bem.”Clary abandonou a tentativa.

“Você tem certeza? Você está parecendo...contorcida.”

“Alguma coisa que eu comi.”

Isabelle se moveu para frente, Jace a um passo atrás dela. Ela estava usando um vestido preto longo com
botas e um casaco longo com a frente mais curta de um suave verde de veludo, da cor de musgo. “ Eu não
acredito que você fez isso!” ela exclamou. “Como você conseguiu que Magnus deixasse Jace sair.”

“Troquei ele por Alec,” Clary disse.

Isabelle pareceu levemente alarmada. “Não permanentemente?”

“Não” Jace disse. “Apenas por algumas horas. A menos que eu não volte,” ele acrescentou pensativamente;
“Nesse caso ele ficará com Alec. Pense nisso com um aluguel com uma opção de compra.”

Isabelle pareceu em dúvida. “Mamãe e papai não ficarão satisfeitos se eles descobrirem isso.”

'Que você libertou um possível criminoso em troca de seu irmão para um bruxo que parece com um Sonic, o
ouriço gay e se veste como o apanhador de crianças do Calhambeque Maluco? *NT: Sonic – aquele ouriço
do videogame ** O Calhambeque Maluco - Chitty Chitty Bang Bang é um filme de 1968 e em 2002 um
musical. Não tem nenhuma conotação pedófila aqui. O apanhador de crianças era o vilão do filme.

Jace olhou para ele pensativamente;”Há alguma razão especial para você estar aqui? Eu não tenho certeza
sobre nós levarmos você para a Corte de Seelie. Eles odeiam mundanos.”

Simon rolou seus olhos para cima. “Isso de novo não.”

“Não o que de novo?” Clary disse.

“Toda vez que eu chateio ele, ele recua dentro do seu Mundanos Não São Permitidos na casa da árvore.”
Simon apontou para Jace. “Me deixe lembrar a você, que a última vez que vocês me deixaram para trás, eu
salvei todas as suas vidas.”

“Claro,” Jace disse. “Uma vez...”

“A corte das fadas é perigosa,” Isabelle interrompeu. “Nem mesmo sua habilidade com o arco irá ajudá-lo.
Não é esse tipo de perigo.”

“Eu posso cuidar de mim mesmo,” Simon disse. Um forte vento veio. Ele levou as folhas através do
cascalhos aos pés deles e fez Simon tremer. Ele colocou suas mãos nos bolsos forrados de lã de sua jaqueta.

“Você não tem que vir.” Clary disse.

“Ele olhou para ela, um constante olhar medindo. Ela se lembrou dele em Luke, chamando ela de minha
namorada sem dúvida ou indecisão; Seja lá o que se pudesse dizer de Simon, ele sabia o que queria.”Sim.”
ele disse. “Eu vou.”

Jace fez um barulho sobre sua respiração. “Então eu acho que estamos prontos,” ele disse. “Não espere
nenhuma consideração em especial, mundano.”

“Olhe para o lado positivo,” Simon disse. “Se eles precisarem de um sacrifício humano, vocês podem me
oferecer. Eu não tenho certeza se o resto de vocês é qualificado de qualquer forma.”

Jace se iluminou.“É sempre legal quando alguém se voluntaria para ser o primeiro a ir contra a parede.”

“Vamos lá,” Isabelle disse. “A porta está prestes a se abrir.”

Clary olhou ao redor. O sol tinha completamente sumido e a lua estava acima, uma cunha* de creme branco
arremessando seu reflexo sobre o lago. Não estava toda cheia, mas um sombra em um canto, dando a ela
uma aparência de um olho meio aberto. O vento da noite agitava os galhos das árvores como ossos secos.
*N/T:Cunha = wedge – tem haver com o formato de uma ferramenta

“Para onde nós vamos?” Clary perguntou. “Onde é a porta?”

O sorriso de Isabelle era com uma sussurro secreto. “Me siga.”

Ela se moveu para um canto da água, suas botas deixando uma profunda impressão no barro molhado. Clary
seguiu. Feliz por ela estar usando jeans e não uma saia enquanto Isabelle subia seu casaco e vestido acima de
seus joelhos, deixando suas brancas pernas magras acima das botas. Sua pele estava coberta com marcas
como lambidas de um fogo negro.

Simon, atrás dela, xingou quando ele escorregou na lama; Jace se moveu automaticamente para firmá-lo
quando todos se viraram. Simon empurrou o braço dele para trás. “ Eu não preciso de sua ajuda.”

“Pare com isso.” Isabelle bateu um pé com bota na água rasa na beira do lago. “Vocês dois. Na verdade,
vocês três. Se não ficarmos juntos na Corte de Seelie seremos mortos.”

“Mas eu não...” Clary começou.

“Talvez você não, mas o jeito como você deixa os dois agirem...” Isabelle indicou os garotos com um acenar
desdenhoso de sua mão.

“Eu não posso dizer a eles o que devem fazer!”

“Por que não?” a outra garota exigiu. “Honestamente, Clary. Se você não começar a utilizar um pouco da
sua natural superioridade feminina, eu não sei o que eu vou fazer com você.” Ela se virou em direção ao
lago, então virou de novo. “E antes que eu me esqueça,” acrescentou severa, “ pelo amor do Anjo, não como
ou beba nada enquanto estivermos no subterrâneo, nenhum de vocês. Ok?”

“Subterrâneo?” Simon disse preocupadamente. “Ninguém me disse nada sobre subterrâneo.”

Isabelle jogou suas mãos e chapinhou na lagoa. Seu casaco de veludo verde girando ao redor dela como um
enorme lírio acolchoado. “Vamos lá. Nós só temos até a lua se mover.”

A lua o quê? Balançando sua cabeça, Clary caminhou pela lagoa. A água estava rasa e clara, no brilho da luz
das estrelas, ela podia ver as formas escuras de pequeninos peixes se deslocando, passando seus tornozelos.
Ela cerrou seus dentes enquanto ela se arrastava mais distante para dentro da lagoa. O frio era intenso.

Atrás dela, Jace se movia para dentro da água com uma contida graça que dificilmente ondulava a
superfície. Simon, por trás dele, estava chapinhando e xingando. Isabelle, tendo chegado no centro da lagoa,
parou lá, acima das suas costelas na água. Ela segurou uma mão em direção a Clary. “Pare.”

Clary parou. Na frente dela, apenas o reflexo da lua piscando em cima da água como um enorme prato
prateado de jantar. Alguma parte dela sabia que aquilo não funcionava assim; a lua supostamente se movia
para longe de você quando você se aproximava, sempre retrocedendo. Mas aqui era, pairando apenas na
superfície a água como se ela estivesse ancorada no lugar.

“Jace, você vai primeiro,” Isabelle disse, e acenou para ele. “Vamos.”

Ele deslizou passando por Clary, cheirando a couro molhado e limpeza. Ela viu ele sorrir enquanto ele se
virava, e então caminhou de costas dentro do reflexo da lua – e desapareceu.

“Ok,” Simon disse infeliz. “Ok, isso foi estranho.”

Clary olhou atrás para ele. Ele só estava na profundidade da coxa na água, mas ele estava tremendo, suas
mãos segurando seus cotovelos. Ela sorriu para ele e deu um passo de costas, sentindo um choque frio
gelado quando ela se movia dentro do tremulante reflexo prata. Ela vacilou por um momento como se ela
tivesse perdido o equilíbrio no degrau mais alto de uma escada – e então caiu para trás na escuridão
enquanto a lua engolia ela.

Ela bateu em monte de terra, tropeçou, e sentiu um mão em seu braço, apoiando ela. Era Jace.”Devagar
agora,” ele disse, e soltou ela.

Ela estava encharcada, filetes de água fria correndo abaixo na parte de trás de sua blusa, seu cabelo úmido
agarrado em seu rosto. Sua roupa encharcada parecia como se ela pesasse uma tonelada.

Eles estavam em um corredor sujo escavado, iluminado por musgo fracamente brilhante. Um emaranhado de
videiras formavam uma cortina no fim do corredor ao longe, tentáculos peludos pendurados como cobras
vindos desde o teto. Raízes de árvores, Clary percebeu. Eles estavam no subsolo. E estava frio aqui
embaixo, frio o suficiente para fazer sua respiração fumaçar em uma névoa gelada quando ela exalava.

“Frio?” Jace estava encharcado também, a luz de seu cabelo quase sem cor onde estava preso em sua
bochecha e testa. A água corria de seus jeans e jaqueta molhados, e fazia a camiseta branca que ele usava
transparente; Ele podia ver as linhas escuras de suas Marcas permanentes através dela e a cicatriz apagada
em seu ombro.

Ela olhou para longe rapidamente. Água aderindo a seus cílios obscureciam sua visão como lágrimas. “Eu
estou bem.”

“Você não parece bem.” Ele se aproximou, e ela pode sentir o calor dele mesmo através das roupas
molhadas dele e dela, descongelando a pele dela gelada.

Uma forma escura surgiu, apenas no canto do olho dela, e acertou o chão com um baque. Era Simon,
também encharcado. Ele rolou em seus joelhos e olhou ao redor freneticamente. “ Meus óculos...”

“Estou com eles.” Clary tinha usado para recuperar os óculos de Simon para ele durante os jogos de futebol.
Eles sempre pareciam cair justo aos pés dele, onde eles eram inevitavelmente pisados. “Aqui está.”

Ele deslizou eles, raspando a sujeira para fora das lentes.”Obrigado.”

Clary podia sentir Jace olhando para eles, sentindo seu olhar como um peso sobre seus ombros. Ela se
perguntou se Simon podia também. Ele se levantou com uma carranca, justo quando Isabelle caia dos céus,
descendo graciosamente em seus pés. Água correu do seu longo, escorrido cabelo e pesando em seu pesado
casaco de veludo, mas ela mal pareceu perceber. “Oooh, isso foi divertido.”

“É isso,” Jace disse. “Eu vou te dar um dicionário no Natal deste ano.”

“Por que?” Isabelle disse.

“Então você pode olhar 'diversão'. Eu não tenho certeza se você sabe o que significa.”

Isabelle puxou a longa e pesada massa de seu cabelo molhado para trás e os espremeu com se eles tivessem
molhados de lavagem. “Você esta chovendo na minha parada.”

“Isso já é um lindo desfile molhado, se você não notou.” Jace olhou ao redor. “Agora o quê? Que caminho
nós vamos?”

“Nenhum caminho,” Isabelle disse. “Não esperamos aqui, e eles vem e nos buscam.”

Clary não estava impressionada com esta sugestão. “Como é que eles vão saber que estamos aqui? Existe
uma campainha que nós possamos tocar ou algo assim?”

“A Corte sabe de tudo o que acontece em suas terras. Nossa presença não irá passar despercebida.”

Simon olhou para ela com suspeita. “E como é que você sabe tanto sobre fadas e a Corte de Seelie, afinal?”

Isabelle, para a surpresa de todos, corou. Um momento depois a cortina de videiras eram puxadas de lado e
um elfo caminhou através dela, balançando para trás seu longo cabelo. Clary tinha visto algumas das fadas
antes na festa de Magnus e tinha sido surpreendida com sua belezas frias e um certo sobrenatural selvagem
que eles possuíam mesmo quando eles dançavam e bebiam. Este elfo não era exceção: Seu cabelo caia em
um lençol azul escuro ao redor de um frio, afilado e lindo rosto; seus olhos eram verdes como as videiras ou
o musgo, e lá havia uma forma de uma folha, quer de nascença ou tatuagem, através de uma de suas
bochechas. Ele usava uma armadura de um marrom prateado como a casca de árvores no inverno, e quando

ele se moveu, a armadura piscou em uma profusão de cores: preto turfa, verde musgo, cinza freixo, azul
celeste.

Isabelle deu um grito e pulou em seus braços. “Meliorn!”

“Ah,” Simon disse, calmamente e sem nenhum divertimento, “então isso é como ela sabe.”

O elfo – Meliorn - olhou abaixo para ela seriamente; “ Isso não é hora para carinhos, “ ele disse; “ A rainha
da Corte de Seelie solicitou uma audiência com os três Nephilim. Vocês vem?”

Clary colocou uma mão protetora sobre o ombro de Simon. “E sobre o nosso amigo.”

Meliorn pareceu impassível. “Humanos mundanos não são permitidos na Corte.”

“Alguém deveria ter mencionado isso mais cedo,” Simon disse, para ninguém em particular. “ Eu acho que
eu apenas tenho que esperar até que as videiras comecem a crescerem em mim?

Meliorn considerou. “ Isso pode oferecer uma significativa diversão.”

“Simon não é um mundano comum. Ele pode ser de confiança,” Jace disse, surpreendendo todos eles, e
Simon mais do que o resto. Clary podia dizer que Simon ficou surpreso porque ele olhava para Jace sem
oferecer uma única observação engraçadinha. “ Ele lutou muitas batalhas com a gente.”

“Pelo que você quer dizer uma batalha,” Simon murmurou. “Duas se você contar que uma eu era um rato.”

“Não vamos entrar na Corte de Seelie sem Simon,” Clary disse, a mão ainda sobre o ombro de Simon. “Sua
Rainha requereu esta audiência com a gente, lembra-se? Não foi nossa idéia vir até aqui.”

Houve um lampejo de diversão nos olhos verdes de Meliorn. “Como quiser,” ele disse. “Não deixe dizer
que a Corte de Seelie não respeita o desejo de seus convidados.” ele girou um perfeitamente calcanhar
calçado e começou a levá-los abaixo pelo corredor sem parar para ver se eles o estavam seguindo. Isabelle
se apressou para andar ao lado dele, deixando Jace, Clary e Simon seguir os dois em silêncio.

“Vocês estão autorizados a sair com fadas? Clary perguntou finalmente; “ A sua...os Lightwoods serão
legais com Isabelle e qual o nome dele...”

“Meliorn,” pôs Simon.

“...Meliorn saírem?”

“Eu não tenho certeza se eles estão saindo Jace disse, ponderando as últimas duas palavas com uma pesada
ironia. “ Eu acho que eles na maior parte estão ficando. Ou neste caso, por baixo.”

“Você soa como se desaprovasse.” Simon empurrou uma raiz de árvore para o lado. Eles tinham descido,
vindo de um corredor emparedado de terra para um revestido com pedras lisas, apenas as ocasionais raízes
contorcidas entre as pedras acima. O chão era um tipo de coisas duras polidas, não mármore mas uma pedra
enviesada e coberta com linhas de um material brilhante como jóias em pó.

“Eu não exatamente desaprovo,” Jace disse. “As fadas são conhecidas por flertar com mortais de vez em
quando, mas eles sempre terminam os largando, normalmente o pior para estragar.

As palavras dele enviaram um tremor abaixo da espinha de Clary, Naquele momento Isabelle riu, e Clary
podia ver agora o porque de Jace ter baixado sua voz, porque as paredes de pedra enviaram a voz de Isabelle

de volta a eles amplificada e ecoando, então a risada de Isabelle saltava nas paredes.

“Você é tão engraçado!” Ela tropeçou quando o salto de sua bota se prendia entre duas pedras, e Meliorn a
pegava e endireitava ela sem mudar a expressão.

“Eu não entendo como vocês humanos podem andar em sapatos que são altos.

“Este é meu lema,” Isabelle disse, com um sorriso abafado. “Nada menos que sete centímetros.”

Meliorn olhou para ela atônito.

“Eu estou falando sobre meus saltos,, ela disse “É um trocadilho. Sabe? Um brincadeira sobre...”

“Vamos,” o elfo cavaleiro disse. “A Rainha deve estar ficando impaciente.” Ele liderou o corredor sem dar a
Isabelle uma segunda olhada.

“Eu esqueci, “ Isabelle murmurou para o resto deles que alcançaram ela; “Fadas não tem nenhum senso de
humor.”

“Ah, Eu não diria isso,” Jace disse. “Tem um pequeno nightclub no centro chamado Asas Quentes Não,” ele
adicionou, “que eu já estive lá.”

Simon olhou para Jace, abriu sua boca como se ele tencionasse lhe fazer uma pergunta, então pareceu pensar
melhor nisso. Ele fechou sua boca um estalo apenas quando o corredor se abria em uma larga sala cujo chão
estava comprimido com sujeira e cujas paredes eram alinhadas com altos pilares de pedra retorcidas, todas
acima com videiras e flores brilhantes explodindo em cores. Finos panos eram pendurados entre os pilares,
tingidos em azul suave que era quase o exato tom do céu. A sala estava cheia de luz, embora Clary não
visse nenhuma tocha, e o efeito geral era um salão em cintilante brilho solar do que um subterrâneo sujo e
de pedra.

A primeira impressão de Clary era de que ela estava do lado de fora; sua segunda era que a sala estava cheia
de gente. Havia uma estranha música suave tocando, ferida com doces e ácidas notas, um tipo de
ressonância equivalente a mel misturado com suco de limão, e havia um circulo de fadas dançando a música,
seus pés mal pareciam roçar o chão. Seus cabelos – azul, preto, castanho e ruivo,dourado metal e um branco
gelo – flutuavam como banners.

Ela podia ver o porquê deles serem chamados de Belo Povo, por eles serem de fato belos com suas adoráveis
faces pálidas, suas asas de lilás, ouro e azul – como ela pôde acreditar em Jace, que eles poderiam machucar
ela? A música que tinha sido estridente aos seus ouvidos a primeira vez agora soava apenas doce. Ela sentiu
uma vontade de jogar seu próprio cabelo e mover seus próprios pés que meramente tocavam a terra. Ela deu
um passo à frente...

E foi sacudida por uma mão em seu braço. Jace estava olhando para ela, seus olhos dourados brilhavam
como os de um gato. “Se você dançar com eles, “ ele disse em uma voz baixa. “Você vai dançar até você
morrer.”

Clary piscou para ele. Ela sentiu como se ela tivesse sido arrancada de um sonho, grogue e meio acordada.
Sua voz gaguejou quando ela falou . “O queee?”

Jace fez um barulho impaciente. Ele tinha sua estela em sua mão; ela não tinha visto ele tirá-la. Ele agarrou
seu pulso e escreveu uma rápida e ardida Marca em sua pele no interior de seu braço. “Agora, olhe.”

Ela olhou novamente e congelou. Os rostos que pareciam tão lindos para ela ainda eram adoráveis, ainda

que por trás deles ocultasse alguma coisa traiçoeira, quase selvagem. A garota com as asas rosa e azul
chamativas, e Clary viu que os dedos dela eram feitos de galhos, enxertado com folhas, Seus olhos eram
inteiramente pretos, sem iris ou pupilas. O garoto dançando próximo a ela tinha uma pele verde venenosa e
chifres encurvados torcendo em suas têmporas. Quando ele se virou na dança, seu casaco ficou aberto e
Clary pode ver por baixo dele, seu peito era uma vazia gaiola de costelas. Fitas estavam entretecidas através
de seus ossos nus da costela, possivelmente para fazer ele parecer mais festivo. O estômago de Clary travou.

“Vamos lá.” Jace empurrou ela e ela tropeçou em frente. Quando ela recuperou o equilíbrio, ela olhou
ansiosamente ao redor por Simon. Ele estava à frente e ela viu que Isabelle tinha um firme aperto sobre ele.
Desta vez, ela não se importou. Ela duvidou do que Simon teria feito se atravessasse a sala por sua própria
conta.

Contornando o círculo de dançarinos, eles fizeram o caminho para o final da sala e através de uma cortina
dividida de seda azul. Era um alívio ficar fora da sala e em outro corredor, este encravada em um brilhante
material marrom como o lado de fora de uma noz. Isabelle soltou Simon e ele parou de caminhar
imediatamente; quando Clary captou ele, ela viu que era o porquê de Isabelle ter amarrado seu lenço nos
olhos dele. Ele estava remexendo o nó quando Clary alcançou ele. “Me deixe ver isso.” ela disse, e ele ficou
quieto enquanto ela desamarrava ele e entregava o cachecol de volta a Isabelle com um aceno em
agradecimento.

Simon empurrou seu cabelo para trás; ele estava úmido onde o cachecol tinha segurado ele. “ Aquilo era
música,” ele observou. “Um pouco de country, um pouquinho mais de rock and roll.”

Meliorn, que tinha parado para esperar por eles, franziu as sobrancelhas. “Você se importa com isso?”

“Eu me importo um pouquinho demais,” Clary disse. “O que era para isso ser, algum tipo de teste? Ou uma
piada?”

Ele deu de ombros. “Eu estou habituado a mortais que facilmente são seduzidos pelo nossos encantos de
fada; o que não acontece com os Nephilim. Pensei que você tivesse proteções.”

“Ela tem,” Jace disse, encontrando o olhar verde jade de Meliorn com o seu próprio.

Meliorn só deu de ombros e começou a andar novamente. Simon manteve o passo ao lado de Clary por
alguns momentos sem falar, antes dele dizer.” Então, o que eu perdi? Garotas dançando nuas?”

Clary pensou no elfo despedaçado – as costelas abertas e estremeceu. “Nada que agradasse.”

“Há maneiras de um humano tomar parte em diversões de fada . “Se eles derem a você um símbolo – como
uma folha ou uma flor – para segurá-la, e você a mantiver através da noite, você estará bem de manhã. Ou se
você sair com uma fada por uma companhia....” ela atirou um olhar para Meliorn , mas ele inha alcançado
um conjunto de telas coberta com folhas em uma parede e parado lá.

“Este é o aposento da Rainha,” ele disse. “Ela veio da Corte do norte para ver sobre a criança morta. Se
houver uma guerra, ela pretende ser a que vai declará-la.”

Fechada, Clary pode ver que a tela era feita de videiras densamente tecidas, brotadas com gotas de âmbar.
Ele puxou as videiras separando e conduziu eles dentro da câmara pelo outro lado.

Jace mergulhou através primeiro, seguido por Clary. Ela se endireitou, olhando ao redor curiosamente.

A sala em si era simples, as paredes feitas de terra penduradas com tecido pálido. Fogos fátuos brilhavam em
frascos de vidro. Uma linda mulher reclinada em um sofá baixo cercada por o que deveria ser seus cortesãos

– um variado sortimento de fadas, com pequeninas fadinhas que pareciam como lindas garotas humanas com
cabelos longos...se você descontasse os olhos pretos sem pupilas.

“Minha rainha,” Meliorn disse, se inclinando. “Eu trouxe o Nephilim para você.”

A rainha sentou ereta. Seu longo cabelo escarlate que parecia flutuar em torno dela como folhas no outono
numa brisa. Seus olhos eram azuis claros como vidro, o seu olhar afiado como uma navalha. Três deles são
Nephilim,” ela disse; “ O outro é um mundano.”

Meliorn pareceu se encolher, mas a Rainha tinha sequer olhado para ele. Seu olhar estava sobre os
Caçadores de Sombras. Clary podia sentir o peso dele, como um toque. Apesar de sua delicadeza, não havia
nada de frágil na Rainha. Ela era tão brilhante e dura à vista como uma estrela se queimando.

“Nossas desculpas, minha rainha.” Jace caminhou à frente, colocando a si mesmo entre a Rainha e seus
companheiros. Sua voz tinha mudado de tom – havia algo no jeito que ele falava agora, algo cuidadoso e
delicado. “O mundano é nossa responsabilidade. Nós devemos proteção a ele. Por isso mantemos ele
conosco.”

A Rainha inclinou sua cabeça para o lado, como um pássaro interessado. Toda a sua atenção estava sobre
Jace agora. “Uma dívida de sangue?” ela murmurou . “Para com um humano?”

“Ele salvou minha vida,” Jace disse. Clary sentiu Simon enrijecer ao ser lado em surpresa. Ela teve vontade
que ele não mostrasse isso. Fadas não podia mentir, Jace tinha dito, e Jace não estava mentindo tão pouco,
Simon tinha salvado a vida dele. Só que este não era o porquê deles terem trazido ele. Clary começou a
apreciar o que Jace tinha querido dizer por um criativo dizer a verdade. “Por favor, minha senhora. Nós
tínhamos a esperança que você fosse entender. Nós já tínhamos ouvido falar que você era tão gentil quanto
bonita, e neste caso – bem, “ Jace disse, “ sua bondade deve ser extrema de fato.”

A rainha sorriu forçado e se inclinou a frente, o cabelo reluzente caindo para sombrear seu rosto. “Você é tão
charmoso quanto o seu pai, Jonathan Morgenstern, “ ela disse, e gesticulou para as almofadas espalhadas ao
redor do chão. “Venha, sente-se ao meu lado. Coma alguma coisa. Beba. O resto de vocês. Falar é melhor
com os lábios molhados.”

Por um momento Jace pareceu impressionado. Ele hesitou. Meliorn se inclinou para ele e falou suavemente.
“Seria insensato recusar a generosidade da Rainha na Corte de Seelie.

Os olhos de Isabelle piscaram em direção a ele. Então ela deu de ombros“ Não vai machucar apenas nos
sentarmos.”

Meliorn liderou eles para uma pilha de almofadas de seda próximas ao divã da Rainha. Clary se sentou
cuidadosamente, meio que esperando por algum tipo de raiz grande e afiada para a ferir por trás. Isso parecia
o tipo de coisa que a Rainha iria achar divertido. Mas nada aconteceu. As almofadas eram muito
confortáveis; ela se assentou com os outros ao redor dela.

Uma fada com pele azulada veio em direção deles carregando uma bandeja com quatro taças nela. Cada um
deles tomou uma taça de líquido com tom de ouro. Havia pétalas rosa flutuando no topo.

Simon colocou sua taça abaixo, ao lado dele.

“Você não quer nada?” A fada perguntou.

“A última bebida de fada não caiu bem em mim,” Ele murmurou.

Clary mal ouviu ele. A bebida tinha um inebriante cheiro intoxicante, rico e mais delicioso do que rosas. Ela
pegou uma pétala para fora do líquido e a esmagou entre seu polegar e indicador, liberando mais do
perfume.

Jace acotovelou seu braço. “ Não beba nada disso,” ele disse debaixo de sua respiração.

“Mas...”

“Apenas, não o faça.”

Ela colocou o copo abaixo, como Simon tinha feito. Seu dedo e polegar ficaram tingidos de rosa.

“Agora,” a Rainha disse. “ Meliorn me disse que vocês afirmam saber quem matou nossa criança no parque
na noite passada. Embora eu diga a vocês agora que parece um mistério para mim. Uma criança fada,
drenada de sangue? E se vocês me desse o nome de um simples vampiro? Mas todos os vampiros estão em
falta aqui, por quebrarem a Lei, e devem sem punidos de acordo. Apesar do que possa parecer, nós não
somos um povo tão anormal.”

“Ah, por favor,” Isabelle disse; “ Isso não foi vampiros.”

Jace atirou um olhar para ela. “ O que Isabelle quer dizer é que estamos quase certos que o assassino é
alguém. Nós achamos que ele pode estar tentando jogar suspeita sobre os vampiros para se proteger.”

“Vocês tem alguma prova disso?”

O tom de Jace era calmo, mas o ombro que tocava Clary estava rígido com a tensão. “ Na noite passada os
Irmãos do Silêncio foram abatidos também, e nenhum deles foi drenado de sangue.”

“E o que isso tem haver com a nossa criança, como? Nephilim mortos são uma tragédia para os Nephilins e
não para mim.”

Clary sentiu uma fisgada afiada em sua mão esquerda. Olhando abaixo, ela viu a pequena forma de um
duende se lançando para longe, entre os travesseiros; Uma gota de sangue cresceu em seu dedo.
Ela pôs o dedo em sua boca com um estremecimento. Os duendes eram bonitinhos, mas eles tinham uma
mordida maldosa.

“A Alma da Espada foi roubada também,” Jace disse. “Você conhece a Maellartach?”

“A espada que faz os Caçadores de Sombras dizerem a verdade,” disse a Rainha, com uma diversão
obscura.” Nós visionários não temos necessidade desse tipo de objeto.”

“Ela foi tomada por Valentine Morgenstern,” Jace disse. “Ele matou os Irmãos do Silêncio para consegui-la,
e nós achamos que ele matou a fada também. Ele precisa do sangue de uma criança fada para efetuar uma
transformação na Espada. Para fazer dela um instrumento que ele possa usar.”

“E ele não vai parar,” Isabelle adicionou. “Ele precisa de mais sangue depois disso.”

As altas sobrancelhas da Rainha se elevaram arqueadas ficando mais altas. “Mas sangue do Povo.”

“Não,” Jace disse, atirando um olhar para Isabelle que ela não pôde interpretar. “Mais sangue Downworlder.
Ele precisa do sangue de um lobisomem, e um vampiro...”

Os olhos da Rainha brilharam com a luz refletida; “ Isso dificilmente parecer ser da nossa preocupação.”

“Ele matou um de vocês.” Isabelle disse. “Vocês não querem vingança?”

O olhar da Rainha se moveu rapidamente como as asas de uma mariposa. “ Não imediatamente,” ela disse. “
Nós somos um povo paciente, por que nós temos todo o tempo do mundo. Valentine Morgenstern é um
velho inimigo nosso – mas nós temos inimigos ainda mais antigos. Nós nos contentamos em esperar e
observar.”

“Ele está invocando demônios para ele,” Jace disse. “Criando um exército...”

“Demônios,” a Rainha disse levemente, enquanto os cortesões dela conversavam atrás dela. “Demônios são
seu dever, não são, Caçador de Sombras? Este não é o porquê de vocês terem autoridade sobre todos nós?
Por que vocês são os que caçam demônios? “

“Eu não estou aqui para dar ordens a vocês em nome da Clave. Nós viemos quando você perguntou por nós,
porque pensávamos que se você soubesse a verdade, você iria nos ajudar.”

“É isso o que você pensou?” A Rainha se sentou a frente de sua cadeira, seu longo cabelo ondulando e vivo.
“Lembre-se, Caçador de Sombras, existe aqueles de nós que se irritam com as regras da Clave. Talvez nós
estejamos cansados de lutar suas guerras por vocês.”

“Mas isto não é só a nossa guerra,” Jace disse. “Valentine odeia os Downworlders mais do que ele odeia os
demônios. Se ele nos derrotar, ele irá atrás de vocês depois.”

Os entediados olhos da Rainha estavam nele.

“E quando ele vier,” Jace disse. “lembre-se que foi um Caçador de Sombras que alertou você sobre o que
estava vindo.”

Houve um silêncio. Mesmo a Corte havia caído em silêncio, esperando por sua Rainha. Por fim, a Rainha se
inclinou de volta as suas almofadas e tomou um gole de um cálice de prata. “ Me alertando sobre o seu
próprio pai,” ela disse. “ Eu pensei que vocês mortais eram capazes de afeição filial, pelo menos, e ainda
assim você parece não sentir lealdade em relação a Valentine, seu pai.”

Jace não disse nada. Ele pareceu, para variar, perdido com as palavras.

Docemente, a Rainha continuou, “Ou talvez esta hostilidade de vocês é fingimento. O amor faz mentirosos
os de sua espécie.”

“Mas nós não amamos nosso pai,” Clary disse, enquanto Jace permanecia assustadoramente silencioso. “Nós
odiamos ele.”

“Odeia?” A Rainha pareceu quase chateada.

“Você sabe como são os laços de família, minha senhora,” Jace disse, recuperando sua voz. “Eles apertam
tanto quanto uma videira. E, às vezes, como as videiras elas agarram firmemente o suficiente para matar.”
Os cílios da Rainha flutuaram.

“Você trairia o seu próprio pai em prol da Clave?”

“Ainda assim, senhora.”

Ela riu, um som tão brilhante e frio quanto pedras de gelo. “Quem poderia pensar,” ela disse “que o pequeno

experimento de Valentine se voltaria contra ele.”

Clary olhou para Jace, mas ela podia ver pela expressão em seu rosto que ele não tinha idéia do que a Rainha
queria dizer. Foi Isabelle quem falou. “Experimento?”

A Rainha sequer olhou para ela. Seu olhar, um luminoso azul estava fixado em Jace. “ O Povo das Fadas são
pessoas de segredos,” ela disse. 'Nosso próprio e o dos outros.” Pergunte ao seu pai, quando você o ver da
próxima vez, que sangue corre em suas veias, Jonathan.”

“ Eu não tinha planejada perguntar a ele nada da próxima vez que eu o visse,” Jace disse. “ Mas se você
deseja, minha senhora, eu irei.”

Os lábios da Rainha curvaram-se em um sorriso. “Eu acho que você é um mentiroso. Mas um encantador.
Charmoso o suficiente para eu jurar a você isso: Faça a seu pai esta pergunta, e eu prometo a você a ajuda
que está em meu poder, você deve lutar contra Valentine.”

Jace sorriu. “Sua generosidade é tão notável quanto a sua amabilidade, senhora.” Clary fez um barulho de
engasgo, mas a Rainha pareceu satisfeita. “E eu acho que terminamos aqui agora,” Jace adicionou, se
levantando das almofadas. Ele colocou sua bebida intocada ao lado da de Isabelle. Isabelle já estava
conversando com Meliorn no canto, na porta de videira. Ele pareceu ligeiramente acuado.

“Um momento.” A Rainha se levantou.” Um de vocês precisa ficar.”

Jace parou a meio caminho para a porta, e virou seu rosto para ela, “O que você quer dizer?”

Ela esticou uma mão para indicar Clary. “Uma vez que uma comida ou bebida passe em lábios mortais, o
mortal é nosso. Você sabe disso, Caçador de Sombras.”

Clary ficou pasma. “Mas eu não bebi nada disso!” Ela se virou para Jace.”Ela está mentindo.”

“Fadas não mentem,” ele disse, confusão e uma crescente ansiedade lutando uma com a outra através de seu
rosto. Ele se virou para a Rainha. “Eu temo que você está enganada, senhora.”

“Olhe os dedos dela e me diga que ela não os lambeu”

Simon e Isabelle estava se olhando agora. Clary olhou abaixo para sua mão.”de sangue,” ela disse. “Um de
seus duendes mordeu meu dedo – ele estava sangrando...” Ela se lembrou do gosto doce de seu sangue,
misturado com o suco em seu dedo. Em pânico, ela se moveu em direção a porta de videira, e parou como se
sentisse que mãos invisíveis impulsionassem ela de volta a sala. Ela se virou para Jace, chocada. “é
verdade.”

O rosto de Jace enrubesceu; “Eu acho que eu deveria ter esperado um truque como esse,” ele disse para a
Rainha, seu prévio galanteio se foi. “Por que você está fazendo isso? O que você quer de nós?”

A voz da Rainha era suave como os pêlos de uma aranha. “Talvez eu esteja só curiosa,” ela disse. “Não é
freqüente que eu tenha jovens Caçadores de Sombras tão próximo do meu alcance. Tal como nós, a
linhagem de seus ancestrais são celestiais; o que me intriga.”

“Mas ao contrário de vocês,” Jace disse, “não há nada do inferno em nós.”

“Você é mortal, você envelhece, você morre,” a Rainha disse desprezando. “Se isso não for o inferno, eu
suplico, me diga o que é?”

“Se você apenas quer estudar um Caçador de Sombras, eu não vou ser muito útil para você,” Clary
interrompeu ela. Sua mão doía onde o duende tinha mordido ela, e ela lutou com o desejo de gritar ou
explodir em lágrimas. “Eu não sei nada sobre caçar sombras. Eu quase não tenho nenhum treinamento. Eu
sou a pessoa errada para se escolher” para chatear ela adicionou silenciosamente.

Pela primeira vez a Rainha olhou diretamente para ela. Clary queria se encolher. “Na verdade, Clarissa
Morgenstern, você é precisamente a pessoa certa.” seus olhos dela brilharam enquanto ela conseguia o
desconforto de Clary. “ Graças as mudanças que seu pai trabalhou em você, você não é como os outros
Caçadores de Sombras. Seus dons são diferentes.”

“Meus dons?” Clary estava perplexa.

“Seu é o dom das palavras que não podem ser ditas,” a Rainha disse a ela, “ e seu irmão tem o dom do
próprio Anjo. Seu pai se assegurou disso, quando seu irmão era uma criança e antes de você nascer.”

“Meu pai nunca me deu nada,” Clary disse. “ Ele nem mesmo me deu um nome.”

Jace parecia tão estupefato quanto Clary se sentia. “Embora o Povo das Fadas não minta,” ele disse, “eles
podem ser enganados. Eu acho que você foi vítima de um truque ou brincadeira, minha senhora. Não há
nada de especial em mim ou minha irmã.”

“Com que habilidade você minimiza o seu charme,” a Rainha disse com uma risada.” Embora você deva
saber que você não é um tipo comum de rapaz, Jonathan...” Ela olhou de Clary para Jace e para Isabelle –
Isabelle fechou sua boca, que tinha estado aberta, com um estalo - e de volta a Jace novamente. “Será
possível que você não sabe?”

“ Eu sei que não vou deixar minha irmã aqui na Corte,” Jace disse, “ e desde que nada possa ser aprendido
nem de mim nem dela mesma, talvez você pudesse fazer a nós o favor de libertá-la?” Agora que você teve
sua diversão? Seus olhos diziam, apesar de sua voz estar educada e fina como água.

O sorriso da Rainha era largo e terrível. “E se eu disser que ela pode ser libertada por um beijo?”

“Você quer que Jace beije você?” Clary disse, confusa.

A Rainha estourou na gargalhada, e imediatamente, os cortesões copiaram sua risada. O riso era uma bizarra
e inumana mistura de vaias, guinchos e gargalhadas, como um alto grito de animais em dor.

“Apesar do seu encanto,” a Rainha disse, “ este beijo não vai libertar a garota.”

Os quatro olharam entre si, assustados. “Eu poderia beijar Meliorn,” sugeriu Isabelle.

“Nem isso. Nem ninguém da minha Corte.” Meliorn se moveu para longe de Isabelle, que olhou para seus
companheiros e levantou suas mãos.”Eu não vou beijar nenhum de vocês,” ela disse firmemente. “Então isso
é apenas oficial.”

“Isso dificilmente parece necessário,” Simon disse. “Se um beijo é tudo...”

Ele se moveu em direção a Clary, que estava congelada em surpresa. Quando ele a pegou em seus ombros,
ela teve que lutar contra a vontade de empurrá-lo para longe. Não que ela não tivesse beijado Simon antes,
mas isto tinha sido uma situação peculiar que ela estava inteiramente confortável o fazendo. E agora, aquilo
era a resposta lógica, não era? Sem conseguir ser capaz de se ajudar, ela jogou um rápido olhar sobre seu
ombro para Jace e viu sua carranca.

“Não,” disse a Rainha, em uma voz como cristal tilintando. “ Isso não é o que eu quero também.”

Isabelle rolou seus olhos. “ Oh, pelo amor do Anjo. Olha, se não há outro jeito de eu sair dessa, eu vou beijar
Simon. Eu fiz isso antes, não foi assim tão mal.”

“Obrigado,” Simon disse. “ Isso é muito lisonjeiro.”

“Infelizmente,” a rainha da Corte de Seelie disse. Sua expressão era tão afiada com um tipo de cruel deleite,
e Clary se perguntava que se não fosse um beijo que ela queria tanto, quanto simplesmente olhar para eles
todos se contorcer em desconforto. “ Eu temo que não quero isso também.”

“Bem, eu não vou beijar o mundano,” Jace disse.”Eu prefiro ficar aqui embaixo e apodrecer.”

“Pra sempre?” Simon disse. “ Para sempre é um horroroso longo tempo.”

Jace levantou as sobrancelhas. “Eu sabia,” ele disse. “ Você quer me beijar, não é?

Simon levantou suas mãos em exasperação. “É claro que não. Mas se...”

“Eu acho que é verdade o que eles dizem,” observou Jace. “ Não há homossexuais nas trincheiras,”

“É ateus, idiota,” Simon disse furiosamente. “Não há ateus nas trincheiras.”

“Embora tudo isso seja muito divertido,” a Rainha disse friamente, se inclinando a frente,” o beijo que irá
libertar a garota é o beijo que ela mais deseja.” O deleite cruel em seu rosto e voz tinha afiado, e suas
palavras pareciam apunhalar os ouvidos de Clary como agulhas. “Apenas isso e nada mais.”

Simon parecia como se ela o tivesse golpeado. Clary queria alcançá-lo, mas ela ficou congelada no lugar,
muito horrorizada para se mover.

“Por que você está fazendo isso?” Jace exigiu.

“Eu particularmente pensei que estivesse lhe oferecendo uma dádiva.”

Jace corou, mas não disse nada. Ele evitou olhar para Clary.

Simon disse, “Isso é ridículo. Eles são irmão e irmã.”

A Rainha encolheu o ombro, um delicado puxão de seu ombro. “Desejo não é sempre diminuído pela
aversão. Nem pode ser concedido, como um favor, para os mais merecedores dele. E como as minhas
palavras estão ligadas a minha mágica, então você pode saber a verdade. Se ela não desejar o seu beijo, ela
não será livre.

Simon disse alguma coisa raivosamente, mas Clary não escutou ele: Suas orelhas estavam zumbindo, como
seu um enxame de abelhas furiosas estivesse emboscadas dentro de sua cabeça. Simon movimentou-se ao
redor, parecendo furioso, e disse, “ Você não tem que fazer isso, Clary, isso é um truque...”

“Não um truque,” Jace disse. “Um teste.”

“Bem, eu não sei sobre você, Simon,” Isabelle disse, sua voz aguçada. “Mas eu gostaria de tirar Clary
daqui.”

“Como você gostaria de beijar o Alec,” Simon disse, “só porque a Rainha da Corte de Seelie te pedisse?”

“Claro que sim.” Isabelle pareceu irritada.” Se a opção fosse ficar presa na Corte de Seelie para sempre?
Quem se importa, afinal? É só um beijo.”

“Isso mesmo.” Era Jace. Clary viu ele, pelo canto de sua visão turva, enquanto ele se movia em direção a ela
e colocava uma mão em seu ombro, virando ela para olhá-lo. “É apenas um beijo,” ele disse, embora seu
tom estivesse áspero, suas mãos estava, inexplicavelmente gentis. Ela deixou ele virá-la, e olhou acima para
ele. Seus olhos estavam muito escuros, talvez por cauda da luz fraca na Corte, talvez por causa de algo mais.
Ela podia ver ela refletida em cada uma de suas pupilas dilatadas, uma pequena imagem de si mesma dentro
dos olhos dele. Ele disse, “Você pode fechar seus olhos e pensar na Inglaterra, se você quiser.”

“Eu nunca estive na Inglaterra,” ela disse, mas fechou suas pálpebras. Ela podia sentir a umidade pesada nas
roupas dela, fria e picante contra sua pele, e o farto ar doce da caverna, ainda mais frio, e o peso das mãos de
Jace em seus ombros, as únicas coisas que eram quentes. E então ele beijou ela.

Ela sentiu a fricção de seus lábios, primeiramente leves, e ela mesma automaticamente abaixo da pressão.
Quase contra sua vontade ela sentiu a si mesma fluída e maleável, se esticando acima para entrelaçar seus
braços ao redor do pescoço dele do modo como um girassol gira em direção à luz. Os braços dele
escorregaram ao redor dela. Suas mãos tocando seus cabelos, e o beijo deixou de ser gentil e se tornou
ardente, tudo em um simples momento como um pavio queimando até uma labareda. Clary ouviu um som
como um suspiro correndo através da Corte, todos ao redor deles, uma onda de ruídos, mas não significava
nada, ele estava perdido na corrida de seu sangue através das veias, a vertiginosa sensação de leveza em seu
corpo.

Jace moveu suas mãos de seu cabelo, deslizando abaixo de sua coluna; ela sentiu a dura pressão das palmas
dele contra os ossos de seu ombro - e então ele se puxou para longe, gentilmente desentrelaçando a si
mesmo, tirando as mãos dela para longe de seu pescoço e dando um passo atrás. Por um momento Clary
pensou que ela fosse cair, ela sentiu como se alguma coisa essencial tivesse sido arrancado dela, um braço
ou uma perna, ela olhou para Jace em um espanto atônito - o que ele sentiu, ele não sentiu nada? Ela não
pensou que ela pudesse aquilo se ele não sentisse nada.

Ele olhou de volta para ela, e quando ela viu o olhar em seu rosto, ela viu os olhos dele em Renwick,
quando ele tinha visto que o Portal que separava ele de sua casa se quebrar em mil pedaços irrecuperáveis.
Ele segurou o olhar dela por uma fração de segundos, então olhou para longe, os músculos de sua garganta
trabalhando. Suas mãos estavam fechadas em punhos ao seu lado. “ Foi bom o suficiente?” ele perguntou,
virando seu rosto para a Rainha e os cortesãos atrás dela. “Isso entreteve vocês?”

A Rainha tinha uma mão em sua boca, meio cobrindo um sorriso. “Estamos bastante entretidos,” ela disse. “
Mas não, eu acho, tanto quanto vocês dois.”

“Eu só posso presumir, “ Jace disse, “que as emoções mortais divertam você porque você não tem
nenhuma.”

O sorriso escorregou de sua boca com isso.

“Calma, Jace,” Isabelle disse. Ela se virou para Clary.” Você pode sair agora? Você está livre?”

Clary foi para a porta e não era surpresa se encontrar sem resistência barrando seu caminho. Ela
permaneceu com sua mão entre as videiras e se virou para Simon. Ele estava olhando para ela como se ele
nunca a tivesse visto antes.

“Nós temos que ir,” ela disse. “Antes que seja tarde.”

“Já é muito tarde,” ele disse.

Meliorn os conduziu pela Corte de Seelie e os colocou de volta ao parque, todos sem falar uma única
palavra. Clary pensou que ele parecia rígido e desaprovador. Ele se afastou depois que eles chapinharam
para fora da lagoa, sem sequer dar um adeus para Isabelle, e desapareceu de volta dentro do reflexo
ondulante da lua.

Isabelle observou ele ir com uma cara feia. “Ele é tão desanimado.

“Jace fez um som como uma risada sufocada e levantou o colarinho de seu casaco molhado. Eles todos
estavam tremendo. A noite fria cheirava a sujeira e plantas e modernidade humana – Clary quase pensou
que ela podia sentir o cheiro de ferro no ar. O toque da cidade ao redor do parque lançava com força luzes:
azul gelo, verde frio, vermelho quente e a lagoa agitava-se calmamente contra a sujeira nas margens. O
reflexo da lua tinha se movido para longe da borda da lagoa e tremia ali como se estivesse com medo deles.

“É melhor nós voltarmos.” Isabelle puxou seu ainda molhado casado próximo ao redor de seus
ombros.”Antes que a gente congele até a morte.”

“Vai levar uma eternidade para voltar ao Brooklyn,” Clary disse. “Talvez nós devêssemos tomar um táxi.”

“Ou nós podíamos apenas ir para o Instituto,” Sugeriu Isabelle. No olhar de Jace, ela disse rapidamente, “
Ninguém está lá de qualquer jeito – eles todos estão na Cidade do Osso, procurando por pistas. Isso só vai
levar um segundo para parar e pegar suas roupas, trocar por algo mais seco. Além do mais, o Instituto ainda
é sua casa, Jace.”

“Tudo bem,” Jace disse, para a evidente surpresa de Isabelle. “Há algo que eu preciso de meu quarto, de
qualquer modo.”

Clary hesitou. “Eu não sei. Eu poderia pegar um táxi de volta com Simon.” Talvez se eles gastassem um
pouco de tempo sozinhos juntos, ela pudesse explicar para ele o que tinha acontecido lá em baixo na Corte
de Seelie, e que aquilo não era o que ele pensava.

Jace que tinha estado examinando seu relógio dos danos da água. Agora ele olhou para ela, as sobrancelhas
levantadas. “Isso pode ser um pouco difícil,” ele disse, “visto que ele já foi.”

“Ele o que?” Clary girou ao redor e olhou. Simon tinha ido; os três deles estavam sozinhos na lagoa. Ela
correu um pouco o caminho até uma encosta e gritou o nome dele. À distância, ela podia apenas vê-lo,
caminhando propositadamente para longe, ao longo do caminho de concreto que guiava para fora do parque
e para dentro da avenida. Ela gritou por ele novamente, mas ele não se virou.

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