sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 19

19 – Dies Irae*
*N/T: Dies Irae – latim – Dia da ira
“Você está errado,” Clary disse, mas a voz dela não segurava nenhuma convicção. “Você não sabe nada
sobre mim ou Jace...Você está apenas tentando...”
“O que? Eu estou tentando chegar até você, Clarissa. Para fazer você entender.” Não havia nenhum
sentimento na voz de Valentine que Clary pudesse detectar além do apagado divertimento.
“Você está rindo de nós. Você pensa que pode me usar para machucar Jace, assim poderá rir de nós. Você
não está nem mesmo mais com raiva,” ela adicionou.” Um pai de verdade estaria com raiva.”
“Eu sou um pai de verdade. O mesmo sangue que corre em minhas veias correm nas suas.”
“Você não é meu pai. Luke é,” disse Clary, quase secamente. “Nós temos estado acima disso.”
“Você só olha Luke como seu pai por causa do relacionamento dele com sua mãe...”
“Seu relacionamento?” Clary riu alto. “Luke e minha mãe eram amigos.”
Por um momento ela teve certeza que viu um olhar de surpresa passar pelo rosto dele. Mas. “É isso portanto,
“ foi tudo o que ele disse. “ Você realmente pensa que ele suportou tudo isso...Lucian, eu quero dizer...está
vida de silêncio, se escondendo e fugindo, está devoção pela proteção de um segredo mesmo que ele não
entendesse completamente, apenas por amizade? Você sabe muito pouco sobre as pessoas, Clary, para sua
idade, e menos sobre homens.”
“Você pode fazer todas as alusões sobre Luke que você quiser. Isso não fará nenhuma diferença. Você está
errado sobre ele, do modo que você está errado sobre Jace. Você dá a todos motivos horríveis para tudo o
que eles fazem, por que motivos horríveis é tudo o que você entende.
“É isso o que seria se ele amasse sua mãe? Horrível?” Valentine disse. “O que há de tão horrível sobre o

amor, Clarissa? Ou é isso o que você sente, no fundo, que seu precioso Lucian é nem verdadeiramente
humano, nem verdadeiramente capaz de sentimentos como nós entenderíamos eles...”
“Luke é tão humano quanto eu sou,” Clary atirou para ele.” Você é só um invejoso.”
“Ah, não,” Valentine disse.” Eu não sou nada disso.” Ele se moveu para mais perto dela, e ela andou em
frente para a Espada, bloqueando ela da visão dele. “Você pensa de mim deste modo por que você olha para
mim e para o que eu faço através de lentes de seu mundano entendimento do mundo. Humanos mundanos
criam distinções entre si mesmos, distinções que parecem ridículas para qualquer Caçador de Sombras.
Suas distinções são baseadas na raça, religião, identidade nacional, qualquer de uma dúzia de menores e
irrelevantes marcações. Para estes mundanos estas coisas parecem lógicas, de qualquer forma mundanos
não podem ver, entender, ou reconhecer os mundos dos demônios, eles sabem que há aqueles que andam
neste planeta que são outros. Aqueles que não pertencem, aqueles que significam apenas dano e destruição.
Desde que a ameaça do demônio é invisível para os mundanos, eles precisam atribuir a ameaça para outros
de sua própria espécie. Eles colocam o rosto de seus inimigos no rosto de seus vizinhos, e dessa forma são
gerações de sofrimento asseguradas. “Ele deu outro passo em direção a ela, e Clary instintivamente se
moveu para trás; ela estava pressionada contra a maleta agora. “Eu não sou assim,” ele continuou. “Eu posso
ver a verdade disso. Mundanos vêem como se através de um vidro, escurecido, mas Caçadores de Sombras –
nós vemos face a face. Nós sabemos a verdade do mal, e sabemos que enquanto ele caminhar entre nós, ele
não é um de nós. O que não pertence ao nosso mundo não deveria se enraizar aqui, para crescer como um
flor venenosa e extinguir toda a vida.”
Clary quis ir para espada e então para Valentine, mas as palavras dele chocaram ela. A voz dele era tão
suave, tão persuasiva, e isso não era como se ela pensasse que os demônios deveriam ser autorizados a
permanecer na Terra, para drenar ela à cinzas como eles drenavam seus outros mundos...Isso quase fazia
sentido.
“Luke não é um demônio,” ela disse.
“Me parece Clarissa,” Valentine disse, “ que você teve muito pouca experiência do que um demônio é, e o
que ele não é. Você conheceu uns poucos Downworlds que pareceram a você serem gentis o suficiente, e
isso é através da lente de sua bondade que você vê o mundo. Demônios, para vocês, são horríveis criaturas
que saltam das sombras para rasgar e atacar. E existem tais criaturas. Mas há também demônios de profunda
sutileza e descrição, demônios que caminham entre humanos irreconhecíveis e desimpedidos. Ainda tenho
visto que eles fazem coisas terríveis que os seus mais bestiais colegas parecem gentis em comparação. Havia
um demônio em Londres que uma vez eu conheci, que posava como um muito poderoso financiador. Ele
nunca estava sozinho, então era bem difícil para eu me aproximar o suficiente para matar ele, apesar de eu
saber o que ele era. Ele tinha seus servos para trazerem a ele animais e jovens crianças – qualquer coisa que
fosse pequena e indefesa...
Pare
Clary atirou suas mãos para longe de suas orelhas. “Já chega, chega!”
“Demônios se alimentam de morte, e dor e fúria,” Valentine disse.” Quando eu mato, é porque eu preciso.
Você cresceu em um paraíso falsamente belo, cercado de frágeis paredes de vidro, minha filha. Sua mãe
criou o mundo que ela precisava viver e ela trouxe você para dentro dele, mas ela nunca disse a você que ele
era uma ilusão. E todo o tempo os demônios esperaram com suas armas de sangue e terror para romper o
vidro e puxar você liberta da mentira.”
“Você esmagou as paredes,” Clary sussurrou. “Você me arrastou para dentro disso tudo. Ninguém além de
você.”

“E o vidro que corta você, a dor que você sente, o sangue? Você me culpa por isso também? Não fui quem
colocou você dentro da prisão.”
“Pare com isso. Só pare de falar.” A cabeça de Clary estava tinindo. Ela queria gritar para ele. Você
seqüestrou minha mãe, você fez isso, é sua culpa! Mas ela tinha começado a ver o que Luke quis dizer
quando disse que ele não podia argumentar com Valentine. De algum modo ele fez impossível para ela
discordar com ele, sem sentir como se ela estivesse defendendo os demônios que partiam crianças ao meio.
Ela se perguntou como Jace tinha suportado por todos esses anos, viver à sombra da exigente, e devastadora
personalidade. Ela começou a ver de onde a arrogância de Jace tinha vindo, sua arrogância e sua
cuidadosamente controladas emoções.
A ponta da maleta atrás dela estava pinicando a parte de trás de suas pernas. Ela podia sentir as costas de
seu pescoço espetando. “O que você quer de mim?” Ela perguntou a Valentine.
“O que te leva a pensar que eu quero alguma coisa de você?”
“Você não estaria falando comigo de outro modo. Você tem me esgotado a cabeça a estar à espera em torno
de...de seja lá qual o próximo passo depois disso.”
“O próximo passo,” Valentine disse, “é para seus amigos Caçadores de Sombras irem atrás de você e por
mim, para dizer a eles que se eles quiserem você de volta viva, eles terão que trocar a garota lobisomem
por você. Eu ainda preciso do sangue dela.”
'Eles nunca irão trocar Maia por mim!”
“É onde você está errada,” Valentine disse.” Eles sabem o valor de um downworlder em comparação ao de
uma criança Caçadora de Sombras. Eles irão fazer a troca. A Clave exige isso.
“A Clave? Você quer dizer...isso é parte da Lei?”
“Codificada para sua existência,” disse Valentine. “Agora você vê? Nós não somos tão diferentes assim, a
Clave e eu, ou Jonathan e eu, ou mesmo você e eu, Clarissa. Nós meramente temos uma pequena
discordância quanto aos métodos.” Ele sorriu, e andou à frente para mais perto do espaço entre eles.
Movendo-se mais rapidamente do que ela teria pensado que ela pudesse, Clary alcançou atrás dela e sacou a
Alma da Espada; Ela era tão pesada quanto ela tinha pensado que ela seria, tão pesada que ela quase
desequilibrou. Colocando uma mão para equilibrar a si mesma, ela a levantou, apontando a lâmina
diretamente para Valentine.
A queda de Jace terminou abruptamente quando ele acertou a dura superfície de metal com força suficiente
para chacoalhar seus dentes. Ele tossiu, provando o sangue em sua boca, e balanceou dolorosamente para
seus pés.
Ele estava em pé sobre uma vazia passarela de metal pintada num verde sombrio. O lado de dentro do navio
era oco, um enorme ecoante cômodo de metal com escuras paredes externas curvadas. Olhando acima, Jace
podia ver um pequeno trecho de céu estrelado através do buraco esfumaçado no casco muito acima.
As entranhas do navio era uma confusão de passarelas e escadas que parecia levar a lugar nenhum, girando
uma contra as outras como tripas de uma cobra gigante. Ela era um congelante frio. Jace podia ver sua
respiração bafejar em nuvens brancas quando ele exalava. Havia lá muita pouca luz. Ele semicerrou os
olhos para as sombras, então alcançou sue bolso para recuperar a pedra de runa de luz de bruxa.
Seu brilho branco iluminou a escuridão. A passarela era comprida, com um escada no final levando a um

nível mais baixo. Enquanto Jace se movia em direção a ela, algo brilhou a seus pés.
Ele se inclinou. Era uma estela. Ele não pôde se impedir de olhar em torno dele, como se na meia
espectativa de alguém se materializar fora das sombras; como que inferno tinha uma estela de Caçador de
Sombras chegado aqui embaixo? Ele a pegou cuidadosamente. Todas as estelas tinha uma espécie de aura
nelas, uma espiritualmente impressão das personalidades de seus donos. Esta enviou um tiro de
reconhecimento doloroso através dele. Clary
Uma súbita, suave risada quebrou o silêncio. Jace girou ao redor, enfiando a estela através de seu cinto. No
clarão da luz de bruxa, Jace podia ver uma figura escura no fim da passarela. O rosto estava escondido na
sombra.
“Quem está aí?” Ele chamou.
Não houve nenhuma resposta, apenas a sensação de que alguém estava rindo dele. A mão de Jace foi
automaticamente para seu cinto, mas ele tinha derrubado a lâmina serafim quando ele caiu. Ele estava sem
armas.
Mas o que seu pai sempre tinha ensinado a ele? Usando corretamente, quase qualquer coisa poderia ser uma
arma. Ele se moveu lentamente em direção a figura, seus olhos pegando os vários detalhes em torno dele - o
suporte que ele podia segurar e se balançar, chutando com seus pés; um exposto pedaço de metal quebrado
que ele podia jogar contra um oponente, apunhalando a espinha dele. Todos esses pensamentos vieram
através de sua cabeça em uma fração de segundos, a única fração de segundo antes da figura no fim da
passarela se virar, seu cabelo branco brilhando na luz de bruxa,e Jace reconheceu ele.
Jace parou morto em suas pegadas. “Pai? É você?”
A primeira coisa que Alec estava consciente foi o frio congelante. A segunda era que ele não podia respirar.
Ele tentou sugar o ar e seu corpo espasmou. Ele sentou ereto, expelindo água suja do rio de seus pulmões em
uma amarga correnteza que fez ele engasgar e sufocar.
Finalmente ele pôde respirar, através de seus pulmões como se eles estivessem em fogo. Engasgando, ele
olhou ao redor. Ele estava sentado em uma plataforma de metal amassada – não, ele estava de volta a
caminhonete. Uma caminhonete pickup flutuando no meio do rio. Seus cabelos e roupas estavam jorrando
água fria. E Magnus Bane estava sentado oposto a ele, olhando firme ele com seus âmbares olhos de gato
que brilhavam no escuro.
Seus dentes começaram a bater. “O que....o que aconteceu?”
“Você tentou beber do East River.” Magnus disse, e Alec viu, como se fosse pela primeira vez, que as roupas
de Magnus estavam ensopadas, aderindo a seu corpo como uma escura segunda pele. “Eu arrastei você pra
fora.”
A cabeça de Alec estava triturando. Ele apalpou seu cinto por sua estela, mas ela tinha desaparecido. Ele
tentou pensar atrás – o navio, inundado com demônios; Isabelle caindo e Jace segurando ela; sangue, por
toda parte embaixo de seus pés, o demônio atacando....
“Isabelle! Ela estava descendo quando eu cai...”
“Ela está bem. Ela chegou a um barco. Eu a vi...”
Magnus se aproximou para tocar a cabeça de Alec. “Você, por outro lado, pode ter uma contusão.”

“Eu preciso voltar para a batalha.” Alec empurrou a mão dele para longe. “Você é um bruxo. Você pode, eu
não sei, me voar de volta ao barco ou algo assim? E cura minha concussão enquanto você está nisso?
Magnus, suas mãos ainda estendidas, afundou de volta contra o lado do fundo da caminhonete. Na luz das
estrelas os olhos deles eram lascas de verde e ouro, duras e planas como jóias.
“Desculpe,” Alec disse, notando como ele tinha soado, embora ele ainda sentisse que Magnus deveria ver
que chegar ao navio era a coisa mais importante. “ Eu sei que você não tem que nos ajudar... é um favor...”
“Pare. Eu não faço a você favores, Alec. Eu faço coisas por você por que..bem, por que você acha que eu
faço elas?”
Alguma coisa se elevou na garganta de Alec. Interrompendo sua resposta. Era sempre assim quando ele
estava com Magnus. Era como se houvesse uma bolha de dor ou pesar que vivia dentro do seu coração, e
quando ele queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, que parecia significante ou verdade, ela subia e
sufocava suas palavras. “Eu preciso voltar para o barco,” ele disse, finalmente.
Magnus soou muito cansado para até mesmo estar com raiva. “Eu queria ajudar você,” ele disse. “Mas não
posso. Esvaziar as barreiras de proteção do navio foi ruim o suficiente – ela é um forte, forte encantamento,
baseado em demônios – mas quando você caiu, eu tive que colocar um rápido feitiço na caminhonete para
que ela não afundasse quando eu perdi a consciência. E eu vou perder a consciência, Alec. É apenas uma
questão de tempo. Ele passou uma mão através de seus olhos. “Eu não queria que você se afogasse,” ele
disse. “O encantamento deve segurar o suficiente para você levar a caminhonete de volta para a terra.”
“Eu...não percebi.” Alec olhou para Magnus, que era de trezentos anos de idade mas tinha sempre parecido
sem idade, como se ele tivesse parado de envelhecer em torno da idade dos dezenove. Agora havia
acentuadas linhas cortando sua pele ao redor de seus olhos e boca. Seu cabelo pendurado longamente sobre
sua testa, e a depressão em seus ombros não era sua costumeira cuidadosa postura, mas a verdadeira
exaustão.
Alec colocou suas mãos para fora. Elas estavam pálidas na luz da lua, enrugadas pela água e pontilhada com
dúzias de cicatrizes prata. Magnus olhou abaixo para elas, e então de volta para Alec, a confusão
escurecendo seu olhar.
“Pegue minhas mãos,” Alec disse.” E pegue minha força também. Seja lá o que você utilize para manter a si
mesmo prosseguindo.”
Magnus não se moveu. “Eu pensei que você tinha que voltar para o navio.”
“Eu tenho que lutar,” Alec disse.” Mas isso é o que você esta fazendo, não é? Você é parte da luta
 tanto quanto os Caçadores de Sombra no navio – e eu sei que você pode pegar alguma da minha força, Eu
ouvi dizer de bruxos fazendo isso – portanto eu estou me oferecendo,. Pegue. É seu.”
Valentine sorriu. Ele estava usando sua armadura negra, e luvas protetoras que brilhavam como carapaças de
insetos negros. “Meu filho.”
“Não me chame disso,” Jace disse, e então, sentindo um tremor começar em suas mãos, 'Onde está Clary?”
Valentine ainda estava sorrindo.”Ela me desafiou,” ele disse.” Eu tive que ensinar a ela uma lição.”
O que você fez a ela?”
“Nada.” Valentine chegou mais perto de Jace, perto o suficiente para tocar ele, se ele tivesse escolhido

estender sua mão. Ele não o fez. “Nada que ela não vá recuperar.”
Jace fechou sua mão em um punho para que seu pai não visse que ela estava tremendo.” Eu quero ver ela.”
“Mesmo?” Com tudo isso acontecendo?” Valentine olhou acima, como se ele pudesse ver através do casco
do navio para a carnificina no convés. “Eu teria pensado que você iria querer estar lutando com o resto de
seus amigos Caçadores de Sombras. Pena que seus esforços são para nada.”
“Você não sabe disso.”
“Eu sei disso. Para cada um deles, eu posso invocar mil demônios. Mesmo o melhor Nephilim não pode
manter-se contra estas desigualdades. Como no caso,” Valentine adicionou, “da pobre Imogen.”
“Como você...”
“Eu vejo tudo o que está acontecendo no meu navio.” Os olhos de Valentine estreitaram-se.” Você sabe que é
por sua culpa que ela morreu, não é?”
Jace sugou em uma respiração. Ele podia sentir seu coração martelando como se ele precisasse rasgar para
fora de seu peito.
“Se não fosse por você, nenhum deles teria vindo para o navio. Eles pensam que eles estavam resgatando
você, você sabe. Se isso tivesse sido sobre os dois downworlders, eles não teriam se incomodado.”
Jace quase tinha se esquecido.”Simon e Maia...”
“Ah, eles estão mortos. Ambos.” A voz de Valentine era casual, ate mesmo suave. “Quantos mais tem que
morrer, Jace, antes que você veja a verdade?”
A cabeça de Jace sentia-se como se ela estivesse cheia de redemoinhos de fumaça. Seu ombro queimava
com dor. “Nós tivemos esta conversa. Você está errado, pai. Você pode estar certo sobre os demônios, você
pode estar até mesmo certo sobre a Clave, mas este não é o modo...”
“Eu quis dizer,” Valentine disse, “quando você irá ver que você é apenas como eu.”
Apesar do frio, Jace começou a suar.” O que?”
“Você e eu, somos iguais,” Valentine disse.”Como você disse para mim antes, você faz o que eu fiz você
ser, e eu fiz de você como uma cópia de mim mesmo. Você tem a minha arrogância. Você tem a minha
coragem. E você tem aquela qualidade que causa aos outros darem suas vidas por você sem questionar.”
Alguma coisa martelou atrás da mente de Jace. Algo que ele deveria saber, e tinha se esquecido...seu ombro
queimou... “Eu não quero que as pessoas dêem suas vidas por mim,” ele gritou.
“Não. Você quer. Você gosta de saber que Alec e Isabelle morreriam por você. Que sua irmã morreria. A
inquiridora morreu por você, não morreu, Jonathan? E você ficou parado e deixou ela...”
“Não!”
“Você é como eu – isso não é surpreendente, é? Nós somos pai e filho, por que nós não seriamos iguais?”
“Não!”
Jace atirou sua mão e agarrou a distorcida estaca de metal. Ela veio em sua mão com um explosivo estalar,

ela quebrou na ponta denteada e maldosamente afiada. “Eu não sou como você!” ele gritou, e mergulhou a
estaca diretamente dentro do peito de seu pai.
A boca de Valentine se abriu. Ele balanceou para trás, o fim da estaca protuberando de seu peito. Por um
momento, Jace podia apenas olhar, pensando. Eu estava errado – isso é realmente ele – e então Valentine
pareceu em colapso em si mesmo, seu corpo se esfarelando para longe como areia. O ar estava cheio do
cheiro de queimado enquanto o corpo de Valentine virava cinzas e soprava-se para longe no ar frio.
Jace colocou uma mão em seu ombro. A pele onde a runa do destemor tinha queimado a si mesma parecia
quente ao toque. Uma grande sensação de fraqueza devastou ele.”Agramon,” ele sussurrou, e caiu para seus
joelhos na passarela.
Foi apenas uns poucos momentos que ele se ajoelhou no piso, enquanto seu pulso martelando diminuía, mas
para Jace parecia como eternidade. Quando ele finalmente se levantou, suas pernas estavam duras com o
frio. Suas pontas dos dedos estavam azuis. O ar ainda fedia a algo queimado, apesar de não haver sinal de
Agramon.
Ainda segurando o pedaço de estaca de metal, Jace seguiu para a escada no fim da passarela. O esforço de
descer com uma mão, limpou sua cabeça. Ele se largou do último degrau para se encontrar em uma segunda
passarela que corria ao longo de um vasto cômodo de metal. Havia dezenas de outras passarelas escadeando
as paredes e uma variedade de canos e máquinas. Sons de pancadas vinham de dentro dos tubos, e em cada
um, em um momento, os canos davam uma rajada do que parecia como vapor, apesar do ar manter-se
amargamente frio.
Realmente um lugar que você tem aqui para si mesmo, pai.
Jace pensou. O vazio interior industrial do navio não combinava com o Valentine que ele conhecia, que era
detalhista sobre o tipo de corte de cristal de suas garrafas feitas fora. Jace olhou ao redor. Era um labirinto
abaixo daqui; não havia jeito de saber que direção ele devia tomar. Ele se virou para subir a escada mais
próxima e notou uma mancha vermelha escura no piso de metal.
Sangue. Ele roçou o dedo de sua bota através dele. Ele ainda estava úmido, ligeiramente pegajoso. Sue
pulsou acelerou. Em parte abaixo da passarela ele viu outro ponto de vermelho, e então outro mais a
distância, como uma trilha de migalhas de pães em um conto de fadas.
Ele seguiu o sangue, suas botas ecoando altamente na passarela de metal. O padrão de sangue espalhado era
peculiar, não como se tivesse tido uma luta, mas mais como se alguém tivesse sido carregado, sangrando, ao
longo da passarela...
Ele alcançou uma porta. Ela era feita de metal preto, prateado aqui e ali com amassados e lascas. Lá estava
uma sangrenta impressão de mão ao redor da maçaneta. Agarrando a estaca denteada mais apertadamente,
Jace empurrou a porta abrindo.
Uma onda do mesmo ar frio o acertou e ele sugou em uma respiração. A sala estava vazia exceto pelo cano
de metal que corria ao longo de uma parede e o que parecia com uma pilha de sacos no canto. Uma pequena
luz veio através da janela alta em uma parede. Enquanto Jace andava cautelosamente em frente, a luz vinda
da janela caiu na pilha no canto e ele notou que aquilo não era uma pilha de lixo depois de tudo, mas um
corpo.
O coração de Jace começou a bater como uma porta destrancada em um vendaval.
O piso de metal estava pegajoso com o sangue. Suas botas puxavam para longe dela com um feio som de
sucção enquanto ele atravessava a sala e se abaixava ao lado da figura dobrada no canto. Um garoto, cabelo
escuro e vestido em jeans e uma camiseta azul ensopada de sangue.

Jace pegou o corpo pelo ombro e levantou. Ele veio acima, frouxo e desossado, olhos castanhos olhando
cegamente para cima. A respiração de Jace prendeu em sua garganta. Era Simon. Ele estava branco como
papel. Havia um feio talho na base de sua garganta, e ambos os pulsos tinham sido cortados, deixando
fendas, cantos irregulares das feridas.
Jace afundou em seus joelhos, ainda segurando os ombros de Simon. Ele pensou desesperadamente em
Clary, a dor dela quando ela descobrisse, o modo que ela tinha esmagado as mãos dele nas suas, tanta força
naqueles pequenos dedos. Encontre Simon. Eu sei que você vai.
E ele tinha. Mas era tarde demais.
Quando Jace tinha dez, seu pai tinha explicado a ele todos os modos de matar vampiros. Perfure eles. Corte
suas cabeças e coloque elas para queimar como as misteriosas lanternas de Jack*. Deixe o sol queimá-los
até as cinzas. Ou drene seu sangue. Eles precisam do sangue para viver, eles funcionam com isso, como
carros funcionam com gasolina. Olhando para a ferida irregular na garganta de Simon, não era difícil de ver
o que Valentine tinha feito.
*N/T:jack-o'lantern = lanternas de abóboras
Jace se aproximou para perto dos olhos esbugalhados de Simon. Se Clary tivesse de ver ele morto, melhor
que ela não visse ele assim. Ele moveu sua mão para baixo da gola da camisa de Simon, querendo dar um
puxão nela para cima, para cobrir o talho.
Simon se moveu. Suas sobrancelhas estremeceram e se abriram, seus olhos rolaram para trás nos brancos.
Ele golfou, um fraco som, lábios curvados para trás, mostrando as pontas das presas de vampiro. A
respiração agitou no corte em sua garganta.
Náusea subiu nas costas da garganta de Jace, sua mão apertando a gola de Simon. Ele não estava morto. Mas
Deus, a dor, ela deveria ser incrível. Ele não podia se curar, não podia regenerar, não sem...
Não sem sangue. Jace soltou a camisa de Simon e puxou sua manga direita para cima com seus dentes.
Usando a ponta irregular da estaca quebrada, ele cortou um profundo corte de comprido no seu pulso.
Sangue brotou da superfície da pele. Ele largou a estaca; ela bateu no piso de metal com um tinido. Ele
podia sentir o cheiro de seu próprio sangue no ar, acentuado e cobreado.
Ele olhou abaixo para Simon, que não tinha se movido. O sangue estava correndo pelo braço de Jace agora,
seu pulso ardendo. Ele o segurou acima do rosto de Simon, deixando o sangue gotejar pelos seus dedos,
derramando sobre a boca de Simon. Não houve reação. Simon não estava se movendo. Jace moveu-se mais
perto; ele estava ajoelhado sobre Simon agora, sua respiração fazendo brancas baforadas no ar gelado. Ele se
inclinou abaixo, pressionando seu pulso sangrando contra a boca de Simon. “Beba meu sangue, idiota,” ele
sussurrou. “Beba.”
Por um momento nada aconteceu. Então os olhos de Simon flutuaram abertos. Jace sentiu uma afiada picada
em seu pulso, um tipo de puxão, uma dura pressão – e a mão direita de Simon voou e agarrou o braço de
Jace logo abaixo do cotovelo. As costas de Simon arquearam do chão, a pressão no pulso de Jace
aumentando enquanto as presas de Simon afundavam profundo. Dor atirou acima do braço de Jace. “Ok,”
Jace disse. “Ok, chega.” Os olhos de Simon se abriram. Os brancos tinham desaparecido, as íris castanho
escuras se focaram em Jace. Havia cor em suas bochechas, um agitado rubor como febre. Os lábios dele
estavam levemente partidos, as presas brancas manchadas com sangue. “Simon?” Jace disse.
Simon se levantou. Ele se moveu com inacreditável velocidade, acertando Jace de lado e rolando para o topo
dele. A cabeça de Jace bateu no piso de metal, suas orelhas tinindo enquanto os dentes de Simon se
afundavam em seu pescoço. Ele tentou girar para longe, mas os braços do outro garoto eram como barras de

ferro, prendendo ele no chão, dedos escavando os seus ombros.
Mas Simon não estava machucando ele – não realmente – a dor que tinha começado aguda desapareceu
com um tipo de queimar entorpecido, agradável do jeito que a queimadura da estela era às vezes agradável.
Uma pesada sensação de paz infiltrou-se através das veias de Jace e ele sentiu seus músculos relaxarem; as
mãos que tinham tentado empurrar Simon para longe um momento atrás, agora pressionavam ele para mais
perto. Ele podia sentir a batida de seu próprio coração, sentir ele diminuindo, seus batimento desaparecendo
em um suave eco. Uma tremula escuridão penetrou nos cantos de sua visão, bela e estranha. Jace fechou
seus olhos...
Dor se lançou através de seu pescoço. Ele engasgou e seus olhos voaram abertos; Simon estava sentado
acima dele, olhando abaixo com olhos largos, sua mão cobrindo sua própria boca. As feridas de Simon
tinham desaparecido, apesar do sangue fresco manchando a frente de sua camisa.
Jace podia sentir a dor de seus ombros contundidos novamente, o corte através de seus pulsos, sua garganta
perfurada. Ele já não podia ouvir seu coração batendo, mas ele sabia que ele estava golpeando dentro de seu
peito.
Simon tirou sua mão para fora de sua boca. Suas presas tinham desaparecido. “Eu poderia ter matado você,”
ele disse. Havia um tipo de agradabilidade em sua voz.
“Eu teria deixado,” Jace disse.
Simon começou a se abaixar nele, então fez um barulho na parte de trás de sua garganta. Ele rolou Jace e
acertou o chão com seus joelhos, abraçando seus cotovelos. Jace podia ver o tracejado escuro nas veias de
Simon através da pele pálida em sua garganta, ramificando em azul e linhas roxas. Veias cheias de sangue.
 Meu sangue.
Jace se sentou. Ele tateou por sua estela. Arrastando ela através de seu braço que sentia como arrastando
um cano de chumbo através de um campo de futebol. Sua cabeça palpitou. Quando ele terminou a iratze, ele
inclinou sua cabeça para trás contra a parede atrás dele, respirando duramente, a dor deixando ele enquanto a
runa de cura tirava os efeitos. Meu sangue nas veias dele.
“Eu lamento,” Simon disse. “Eu lamento muito.”
A runa de cura estava causando seus efeitos. A cabeça de Jace começou a clarear e o batimento em seu peito
diminuiu. Ele ficou em seus pés, cuidadosamente, esperando por uma onda de tontura, mas ele sentia apenas
uma pequena fraqueza e cansaço. Simon ainda estava em seus joelhos, olhando abaixo para suas mãos. Jace
alcançou abaixo e agarrou as costas da camisa dele, puxando ele para seus pés. “Não se desculpe,” ele disse,
soltando Simon. “Apenas se apresse. Valentine tem Clary e nós não temos muito tempo.”
No segundo que os dedos dela se fecharam em torno do cabo de Maellartach, um abrasador golpe de frio
atirou acima do braço de Clary. Valentine observou com uma expressão de leve interesse
enquanto ela arfava com dor, seus dedos ficando dormentes. Ela agarrou desesperadamente a Espada, mas
ela escorregou do seu aperto e bateu no chão aos seus pés.
Ela mal viu Valentine se mover. Um momento depois ele estava em pé em frente a ela com a Espada em seu
aperto. A mão de Clary estava ferroando. Ela olhou abaixo e viu que uma vermelha, crista queimando estava
crescendo ao longo de sua palma.
“Você realmente pensou,” Valentine disse, uma matiz de desgosto colorindo sua voz “que eu ia deixá-la
perto de uma arma que eu pensasse que você pudesse usar?” Ele balançou sua cabeça. “Você não entendeu
uma palavra que eu disse, não é?” Parece que das minhas duas crianças, só uma parece ser capaz de

compreender a verdade.”
Clary fechou sua mão machucada em um punho, quase saudando a dor. “Se você quis dizer Jace, ele odeia
você também.”
Valentine balançou a Espada para cima, trazendo a ponta para o nível da clavícula de Clary. “Isso já chega,”
ele disse, “chega de você.”
A ponta da espada era afiada; quando ela respirou, ela perfurou a garganta dela, e um gotejar de sangue
traçou seu caminho abaixo no seu peito. O toque da espada parecia entornar frio através das veias dela,
enviando ferventes partículas de gelo através de seus braços e pernas, adormecendo suas mãos.
“Arruinada por sua educação,” Valentine disse. “Sua mãe foi sempre uma mulher obstinada. Essa era uma
das coisas que eu amava nela no início. Eu pensei que ela iria manter seus ideais.”
Era estranho, Clary pensou com um objetivo tipo de horror, que quanto ela tinha visto seu pai antes no
Rewicks, seu considerável carisma pessoal tinha sido em exibição para o benefício de Jace. Agora ele não
estava incomodado, e sem a superfície patinada de charme, ele parecia...vazio. Como uma estátua oca, olhos
cortados para mostrar apenas escuridão por dentro.
“Diga-me Clarissa – sua mãe falou sobre mim?”
“Ela me disse que meu pai estava morto.” Não diga nada mais, ela alertou a sim mesma, mas ela estava certa
que ele podia ler o resto das palavras em seus olhos. E eu queria que ela tivesse dito a verdade.
“E ela nunca disse que você era diferente? Especial?”
Clary engoliu, e a ponta da espada cortou um pouco mais fundo. Mais sangue escorreu abaixo em seu
peito.”Ela nunca me disse que eu era uma Caçadora de Sombras.”
“Você sabe porque,” Valentine disse, olhando abaixo do comprimento da espada para ela, “sua mãe me
deixou?”
Lágrimas queimavam por trás da garganta de Clary. Ela fez um barulho sufocado. “Você quer dizer que era
apenas uma razão?”
“Ela me disse,” ele continuou , como se Clary não tivesse falado, “que eu tinha tornado seu primeiro filho
em um monstro. Ela me deixou antes que eu pudesse fazer o mesmo com o segundo. Você. Mas ela estava
muito atrasada.”
O frio em sua garganta, nos seus membros, era tão intensos que ela estava além dos tremores. Era com se a
espada estivesse transformando ela em gelo.”Ela nunca diria isso,” Clary sussurrou. “Jace não é um
monstro. Nem eu sou.”
“Eu não estava falando sobre...”
O alçapão acima de suas cabeças bateu aberto e duas figuras ensombrecidas caíram vindas do buraco,
pousando bem atrás de Valentine. O primeiro, Clary viu com um brilhante choque de alívio, era Jace, caindo
através do ar como uma seta atirada de um arco, certo de seu alvo. Ele bateu no chão com uma assegurada
leveza. Ele estava agarrando uma estaca de aço manchada de sangue em uma mão, sua extremidade
quebrada em uma horrível ponta.
A segunda figura pousou ao lado de Jace com a mesma leveza, se não a mesma graça. Clary viu o contorno

de um garoto magro com cabelo escuro e pensou, Alec. Foi apenas quando ele se endireitou e ela reconheceu
o rosto familiar que ela notou quem ele era.
Ela esqueceu a espada, o frio, a dor em sua garganta, esqueceu de tudo. “Simon!”
Simon olhou através da sala para ela. Seus olhos se encontraram por apenas um momento e Clary esperou
que ele pudesse ler em seu rosto seu cheio e devastador alívio. As lágrimas que tinham estado ameaçando
vieram, e se derramaram no seu rosto. Ela não se moveu para limpar elas para longe.
Valentine virou sua cabeça e olhou atrás dele, e sua boca cedeu em uma primeira expressão de honesta
surpresa que Clary nunca tinha visto em seu rosto. Ele girou para enfrentar Jace e Simon.
No momento que a ponta da espada deixou a garganta de Clary, o gelo escorreu dela, tirando delas todas as
forças com isso. Ela mergulhou para seus joelhos, tremendo incontrolavelmente. Quando ela levantou suas
mãos para limpar as lágrimas para longe de seu rosto, ela viu que as pontas de seus dedos estavam brancos
com o início de congelamento.
Jace olhou para ela em horror, então para seu pai. “O que você fez com ela?'
“Nada,” Valentine disse, recobrando o controle de si mesmo. “Ainda.”
Para surpresa de Clary, Jace empalideceu, como se as palavras de seu pai tivessem chocado ele.
“Eu sou o único que deve estar se perguntando como você fez, Jonathan,” Valentine disse, e ele falou para
Jace, seus olhos estavam em Simon. “Por que é que ele ainda está vivo? Mortos vivos* podem se regenerar,
mas não com tão pouco sangue neles.”
*N/T = Revenant ou mortos vivos, ou ainda mais apropriado dizer zumbis. Mortos vivos dá idéia de
vampiros também.
“Você quer dizer eu?” Simon demandou. Clary olhou. Simon soava diferente. Ele não soava como um
garoto espertinho para um adulto; ele soava como alguém que parecia sentir que podia enfrentar Valentine
Morgenstern em pé de igualdade. Como alguém que merecesse enfrentar ele em pé de igualdade.” Oh, está
certo, você me deixou para morrer. Bem, morto.”
“Cale a boca.” Jace atirou um olhar para Simon; seus olhos estavam muito escuros.”Me deixe responder
isso.” Ele virou para seu pai.”Eu deixei Simon beber de meu sangue,” ele disse, “logo ele não morreria.”
O rosto já sério de Valentine se fixou em duras linhas, como se seus ossos estivessem se empurrado através
da pele. 'Você liberalmente deixou um vampiro beber seu sangue?”
Jace pareceu hesitar por um momento – ele olhou sobre Simon, que estava olhando fixamente para Valentine
com um olhar de intenso ódio. Então ele disse, cuidosamente, “Sim.”
“Você não tem idéia do que você fez, Jonathan,” Valentine disse, em uma voz terrível. “Não tem idéia.”
“Eu salvei uma vida,” Jace disse. “Uma que você tentou tirar. Eu sei disso bem.”
“Não uma vida humana,” Valentine disse.”Você ressuscitou um monstro que vai apenas matar para se
alimentar novamente. A espécie dele estão sempre famintas...”
“Eu estou com fome agora,” Simon disse, um sorriso revelando que seus dentes de presa tinham deslisado
de suas bainhas. Eles brilharam brancos e pontudos contra seu lábio inferior. “Eu não vou me importar com
um pouco mais de sangue. É claro que seu sangue irá provavelmente me sufocar, seu venenoso pedaço de...”

Valentine riu. “Eu gostaria de ver você tentar, morto vivo,” ele disse.”Quando a Alma da Espada cortar você,
você irá queimar enquanto você morre.”
Clary viu os olhos de Jace irem para a espada, e então para ela. Havia uma não falada pergunta neles.
Rapidamente, ela disse, “A espada não se transformou. Não é bem assim. Ele não conseguiu o sangue de
Maia, então ele não terminou a cerimônia...”
Valentine se virou em direção a ela, Espada na mão, e ela viu ele rir. A espada parecia agitar em seu aperto, e
então alguma coisa acertou ela ...era como ser acertada por cima por uma onda, atirando abaixo e então
levantando contra sua vontade e atirando através do ar. Ela rolou contra o piso, incapaz de parar a si mesma,
até que ela atingiu a antepara* com força contundente. Ela amassou a base dela, arfando com ofegar e dor.
*N/T:bulkhead ou antepara: Divisão na coberta do navio.
Simon começou a correr em direção a ela. Valentine balançou a Alma da Espada e uma placa de fino,
chamejante fogo se levantou, enviando ele tropeçando para trás com seu agitado calor.
Clary lutou para se levantar em seus cotovelos. Sua boca estava cheia de sangue. O mundo oscilava em
torno dela, e ela se perguntou quão duro ela tinha batido sua cabeça e se ela estava desmaiando. Ela desejou
manter-se consciente.
O fogo tinha diminuído, mas Simon ainda estava encurvado no chão, parecendo confuso. Valentine olhou
brevemente para ele, e então para Jace.”Se você matar o morto vivo agora,” ele disse,” Você pode desfazer o
que você fez.”
“Não,” Jace sussurrou.
“Apenas pegue a arma que você está segurando em sua mão e dirija ela para o coração dele.” A voz de
Valentine era suave.” Um simples movimento. Nada que você não fez antes.”
Jace encontrou o olhar de seu pai com um igual olhar. “Eu vi Agramon,” ele disse.”Ele tinha seu rosto.”
“Você viu Agramon?” A Alma da Espada brilhou enquanto ele se moveu em direção a seu filho. “E você
sobreviveu?”
“Eu matei ele.”
“Você matou o Demônio do Medo. Mas você não pode matar um simples vampiro, nem mesmo sob minha
ordem?”
Jace continuou a olhar Valentine sem expressão.”Ele é um vampiro, é verdade,” ele disse. “Mas seu nome é
Simon.”
Valentine parou em frente a Jace, a Alma da Espada em sua mão, queimando com uma pungente luz negra.
Clary se perguntou por um aterrorizante momento se Valentine pretendia apunhalar Jace onde ele estava, e
se Jace pretendia deixar ele.” Eu entendi,então,” Valentine disse,” que você mudou de idéia? O que você me
disse quando você veio a mim antes, que era sua palavra final, ou você se arrepende de ter me
desobedecido?”
Jace balançou sua cabeça lentamente. Uma mão ainda agarrada a estaca quebrada, mas sua outra mão – sua
direita – estava em sua cintura, puxando alguma coisa de seu cinto. Os olhos dele, entretanto, nunca
deixavam os de Valentine, e Clary não tinha certeza se Valentine viu o que ele estava fazendo, Ela esperava
que não.

“Sim,” Jace disse, “eu lamento ter desobedecido você.”
Não!
Clary pensou, mas seu coração afundou. Estava ele desistindo, ele pensou que isso era o único modo de
salvar ela e Simon?
O rosto de Valentine suavizou.”Jonathan...”
“Especialmente,” Jace disse,”desde que eu planejo fazer isso novamente. Agora mesmo.”
Sua mão se moveu, rápida como um flash de luz, e algo se empurrou através do ar em direção a Clary. Ela
caiu a poucos centímetros dela, acertando o metal com um tinido e rolando. Seus olhos se alargaram.
Era a estela de sua mãe.
Valentine começou a rir.”Uma estela? Jace, isso é algum tipo de piada? Ou você finalmente...”
Clary não ouviu o resto do que ele disse; ela se puxou a si mesma acima, arfando enquanto a dor se lançava
através de sua cabeça. Os olhos dela lacrimejaram, sua visão borrou; ela alcançou uma mão tremendo para a
estela – e enquanto os dedos tocavam ela, ela ouviu uma voz, tão clara dentro de sua cabeça como se sua
mãe estivesse ao lado dela. Pegue a estela, Clary. Use-a, Você sabe o que fazer
Seus dedos se fecharam espasmodicamente em torno dela. Ela se sentou, ignorando a onda de dor que veio
através de sua cabeça e abaixo de sua espinha. Ela era uma Caçadora de Sombras, e dor era algo com que
você vivia. Turvamente, ela podia ouvir Valentine chamar ela, ouvir seus passos, se aproximando...e ela
flutuou para a antepara, empurrando a estela a frente com tal força que quando sua ponta tocou o metal, ela
pensou ter ouvido um chiar de algo queimando.
Ela começou a desenhar. Como sempre acontecia quando ela desenhava, o mundo se afastou e havia apenas
ela e a estela e o metal que ela desenhava em cima. Ela se lembrou de estar de pé do lado de fora da cela de
Jace sussurrando para si mesma, Abra, abra, abra, e sabia que ela tinha desenhado com toda sua força para
criar a runa que tinha quebrado as algemas de Jace. E ela sabia que a força que ela tinha colocado naquela
runa não era um décimo, nem um centésimo da força que ela estava colocando nesta. Suas mãos queimaram
e ela gritou enquanto ela arrastava a estela abaixo na parede de metal, deixando uma espessa linha negra
como carvão atrás dela. Abra.
Toda sua frustração, todo seu desapontamento, toda sua raiva passaram através de seus dedos e dentro da
dentro e dentro da runa. Abra. Todo seu amor, todo seu alívio em ver Simon vivo, toda sua esperança que
eles ainda poderiam sobreviver. Abra! Sua mão, ainda segurando a estela, caiu para seu colo. Por um
momento houve um absoluto silêncio enquanto todos eles – Jace, Valentine, e mesmo Simon – olharam
juntamente com ela para a runa que queimava na antepara do navio.
Foi Simon quem falou, virando-se para Jace. “O que isso diz?”
Mas foi Valentine quem respondeu, não tirando seus olhos da parede. Havia um olhar em seu rosto – não
todo o olhar que Clary tinha esperado, um olhar que misturava triunfo e horror, desespero e deleite. “Ela
diz,” ele disse 'Mene mene tekel upharsin.'”
*N/T: Valentine cita um trecho bíblico de Daniel 5:25:28.Para entender tudo é preciso ler o capítulo 5 de
Daniel.
Mene: Contou Deus o teu reino e o acabou.
Tequel: Pesado foste na balança, e foste achado em falta.
Peres: Dividido foi o teu reino, e deu aos medos e persas.

Clary balançou em seus pés.” Não é isso o que ela diz,” ela sussurrou.” Ela diz abrir.”
Valentine encontrou os olhos dela com os seus próprios.”Clary...”
O grito do metal afogou suas palavras. A parede que Clary tinha desenhado sobre, uma parede feita de folhas
de aço sólido, distorceu e estremeceu. Rebites estouraram livre de suas moradas e jatos de água espalharam-
se na sala.
Ela podia ouvir Valentine chamando, mas sua voz foi afogada pelo ensurdecido som de metal sendo
arrancado do metal enquanto cada prego, cada parafuso, cada rebite que tinha segurado junto o enorme
navio começaram a rasgar livres de seus ancoradouros.
Ela tentou correr em direção a Jace e a Simon, mas ela caiu para seus joelhos enquanto uma outra explosão
de água veio através do amplo buraco na parede. Dessa vez a onda jogou ela abaixo, água gelada atraindo
ela abaixo. Em algum lugar Jace estava chamando seu nome, sua voz alta e desesperada acima dos gritos no
navio. Ela gritou o nome dele uma vez, antes que ela fosse sugada pelo buraco recortado na antepara e para
dentro do rio.
Ela girou e chutou a água preta. Terror agarrando ela, terror na cega escuridão nas profundezas do rio, os
milhões de toneladas de água ao redor dela, pressionando ela, sufocando o ar em seus pulmões. Ela não
podia dizer que caminho era para cima ou que direção nadar. Ela não podia mais prender sua respiração, seu
peito queimando com a dor, estrelas explodindo por trás de seus olhos. Em seus ouvidos o som de água
correndo era substituído por um alto, doce, e impossível cantar. Eu estou morrendo, ela pensou em espanto.
Um par de pálidas mãos alcançaram a água preta e puxou ela mais perto. Longos cabelos levados pela
correnteza em torno dela. Mãe, Clary pensou, mas antes ela pudesse ver claramente o rosto de sua mãe, a
escuridão fechou seus olhos.
Clary voltou a consciência com várias vozes em torno dela e luzes cintilando em seus olhos. Ela estava
plana em suas costas na aço enrugado da caçamba da caminhonete de Luke. O céu cinza enegrecido flutuava
acima da cabeça. Ela podia cheirar a água do rio em torno dela, uma mistura de cheiro de fumaça e sangue.
Rostos brancos pairavam sobre ela como balões em cordas. Eles nadavam dentro do foco enquanto ela
piscava seus olhos.
Luke. E Simon. Eles ambos olhavam abaixo para ela com expressões de preocupação ansiosa. Por um
momento ela pensou que o cabelo de Luke tinha ficado branco; então, piscando, ela notou que ele estava
cheio de cinzas. Na verdade, era o ar – ele tinha gosto de cinzas – e suas roupas e pele estavam listradas com
sujeira enegrecida.
Ela tossiu, sentindo o gosto de cinza em sua boca. “Onde está Jace?”
“Ele está...” os olhos de Simon foram para Luke, e Clary sentiu seu coração contrair.
“Ele está bem , não está?” ela exigiu. Ela foi para se sentar e uma dor dura atirou através de sua cabeça.
“Onde está ele? Onde está ele?”
“Eu estou aqui,” seu rosto na sombra. Ele ajoelhou próximo a ela. “Me desculpe. Eu deveria estar aqui
quando você acordou. É só...”
A voz dele quebrou.
“É só o que?” Ela olhou para ele; iluminado por trás pelas luzes das estrelas, seus cabelo era mais prata do
que ouro, seus olhos branqueados de cor. Sua pele estava marcada com preto e cinza.

“Ele pensou que você estava morta também,” Luke disse, e se levantou abruptamente. Ele estava olhando lá
fora o rio, algo que Clary não podia ver. O céu estava cheio de redemoinhos de preto e fumaça vermelha,
omo se ele estivesse incendiando.
“Morta também? Quem mais...” Ela se interrompeu enquanto uma nauseante dor agarrava ela. Jace viu a
expressão dela e alcançou dentro de sua jaqueta, trazendo fora sua estela.
“Fique quieta, Clary.” Havia uma dor queimando em seu antebraço, e então sua cabeça começou a clarear.
Ela sentou-se e viu que ela estava sentada em uma prancha molhada enfiada contra a traseira da caçamba. A
caçamba estava cheia de vários centímetros de água aspergida, misturada com redemoinhos de cinza que
estavam penetrando vindos do céu em uma fina chuva preta.
Ela olhou para o lugar onde Jace tinha desenhado uma marca que já estava retrocedendo, como se ele
atirasse um golpe de força nas veias dela.
Ele traçou a linha da iratze que ele desenhou no braço dela com seus dedos, antes que ele se afasta-se. A mão
dele parecia tão fria e molhada quando a pele dela tinha. O resto dele estava molhado também; seu cabelo
úmido e roupas ensopadas aderindo a seu corpo.
Havia um gosto ácido em sua boca, como se ela tivesse lambido o fundo de um cinzeiro. “O que aconteceu?
Houve um incêndio?”
Jace olhou para Luke, que estava olhando lá fora o pesado rio preto acizentado. A água era pontilhada aqui e
ali com pequenos barcos, mas não havia sinal do navio de Valentine.”Sim,” ele disse. “O navio de Valentine
incendiou até a linha da água. Nada ficou para trás.”
“Onde está todo mundo?” Clary moveu seu olhar para Simon, que era o único deles que estava seco. Havia
um fraco esverdeamento preso em seu já pálido rosto, como se ele estivesse doente ou com febre.” Onde
está Isabelle e Alec?”
“Eles estão em um dos barcos dos outros Caçadores de Sombras. Eles estão bem.”
“E Magnus?” Ela girou ao redor para olhar dentro da cabine, mas ela estava vazia.
“Ele foi necessário para atender alguns dos Caçadores de Sombras mais seriamente feridos,” Luke disse.
“Mas todos estão bem? Alec, Isabelle, Maia...eles estão todos bem, não estão?” A voz de Isabelle soou
pequena e fina aos seus próprios ouvidos.
“Isabelle foi ferida,” Luke disse. “E Robert Lightwood. Ele irá precisar de uma boa quantidade de tempo
para se curar. Muitos dos outros Caçadores de Sombras, incluindo Malik e Imogen, estão mortos. Foi uma
dura batalha, Clary, e e não foi boa para nós. Valentine se foi. E assim a Espada. A Conclave está em
farrapos. Eu não sei...”
Ele se interrompeu. Clary olhou para ele. Havia algo em sua voz que assustou ela. “Me desculpe,” ela
disse.”Isso foi minha culpa. Se eu não tivesse...”
“Se você não tivesse feito o que você fez, Valentine teria matado todos no navio,” Jace disse ferozmente.
“Você é a única coisa que manteve isso de ser um massacre.”
Clary olhou para ele.”Você quer dizer o que eu fiz com a runa?”

“Você rasgou aquele navio a fragmentos,” Luke disse. “Cada parafuso, cada rebite, qualquer coisa que
pudesse segurar ele junto, apenas rasgou a parte. A coisa toda estremeceu em pedaços. Os tanques de óleo
racharam-se também. A maior parte de nós mal teve tempo de pular na água antes que tudo começasse a
queimar. O que você fez....ninguém nunca viu algo como isso.”
“Oh,” Clary disse em uma pequena voz. “Alguém foi...eu machuquei alguém?”
“Alguns poucos demônios se afogaram quando o navio afundou,” Jace disse. “Mas nenhum dos Caçadores
de sombras foi ferido, não.”
“Por que eles podem nadar?”
“Por que eles foram resgatados. Nixies empurraram todos nós para fora da água.
Clary pensou nas mãos na água, o impossível doce cantar que tinha cercado ela. Então aquilo não era sua
mãe depois de tudo.” Você quer dizer fadas das águas?”
“ A Rainha da corte de Seelie veio, de seu próprio modo,” Jace disse.” Ela nos prometeu que ajudaria o que
estava em seu poder.”
“Mas como ela...” Como ela soube? Clary está indo dizer, mas ela pensou na sabedoria da rainha e olhos
perspicazes, e de Jace jogando aquele pedaço de papel branco dentro da água na praia de Red Hook, e
decidiu não perguntar.
“Os barcos dos Caçadores de Sombras estão começando a se mover,” Simon disse, olhando lá fora o rio.” Eu
acho que eles pegaram todos que puderam.”
“Certo.” Luke endireitou seus ombros. “Hora de ir embora.” Ele se moveu lentamente em direção a cabine –
ele estava mancando, apesar de ele parecer de qualquer forma a maior parte não ferido.
Luke se jogou no assento do motorista, e em um momento o motor da caminhonete estava turbulento
novamente. Eles foram embora, deslizando sobre a água, as gotas se espalhando nas rodas captando o cinza
prateado do céu iluminado.
“Isso é tão estranho,” Simon disse. “Eu fico esperando que a caminhonete comece a afundar.”
“Eu não acredito que você passou por aquilo que nós passamos e você pense que isso é estranho,” Jace
disse, mas não havia nenhuma malícia em seu tom e nenhum aborrecimento. Ele soava apenas muito, muito
cansado.
“O que vai acontecer aos Lightwoods?” Clary perguntou. “Depois de tudo o que aconteceu...a Clave...”
Jace deu de ombros. “A Clave trabalha de modos misteriosos. Eu não sei o que eles farão. Eles estão muito
interessados em você, entretanto. E em que você pode fazer.”
Simon fez um ruído. Clary pensou primeiro que era um barulho de protesto, mas quando ela olhou mais de
perto para ele, ela viu que ele estava mais esverdeado do que nunca. “O que há de errado, Simon?”
“É o rio,” ele disse.” Correr pela água não é bom para vampiros. Ela é pura, é...nós não somos.”
“O East River dificilmente é puro,” Clary disse, mas ela o alcançou e tocou o braço dele gentilmente de
qualquer modo. Ele sorriu para ela.”Você caiu na água quando o navio começou a se partir?”

“Não. Havia um pedaço de metal flutuando na água e Jace me atirou nele. Eu fiquei fora do rio.”
Clary olhou acima de seu ombro para Jace. Ela podia ver ele um pouco mais claramente agora; a escuridão
estava desaparecendo. “Obrigada,” ela disse.”Você acha que...”
Ele levantou suas sobrancelhas.”Eu acho o que?”
“Que Valentine pode ter afundado?”
“Nunca acredite que um cara ruim está morto até que você veja um corpo,” Simon disse. “Isso só leva a
infelicidade e armadilhas de surpresa.”
“Você não está errado,” Jace disse. “Meu palpite é que ele não está morto. Senão teríamos encontrado os
Instrumentos Mortais.”
“A Clave pode continuar sem eles?” Quer Valentine esteja vivo ou não?” Clary se perguntou.
“A Clave sempre continua,” Jace disse.”Isso é tudo o que ela sabe fazer.” Ele virou seu rosto em direção ao
horizonte leste. “O sol está nascendo.”
Simon ficou rígido. Clary olhou para ele em surpresa por um momento, e então em horror chocado. Ela
girou para seguir o olhar de Jace. Ele estava certo – o horizonte leste era uma mancha vermelha sangue se
espalhando vindo de um disco dourado. Clary podia ver o primeiro ponto do sol colorindo a água em torno
deles, misteriosos tons de verde e vermelho e ouro.
“Não!”
ela sussurrou.
Jace olhou para ele em surpresa, e então para Simon, que sentava imóvel, fitando o sol nascendo como um
rato encurralado olhando para um gato. Jace ficou rapidamente em seus pés e caminhou para cima da cabine.
Ele falou em voz baixa. Clary viu Luke se virar para olhar para ela e Simon, e então de volta para Jace. Ele
balançou sua cabeça.
A caminhonete deu uma guinada para frente. Luke deve ter pressionados seu pé no acelerador. Clary se
agarrou do lado da caçamba para se firmar. À frente, Jace estava gritando para Luke que devia ter algum
modo de fazer a maldita coisa ir mais rápido, mas Clary sabia que eles nunca ultrapassariam o amanhecer.
“Deve haver algo,” ela disse para Simon. Ela não podia acreditar que em menos de cinco minutos ela foi do
incrédulo alívio para o incrédulo horror. “ Nós podemos cobrir você, talvez, com nossas roupas...”
Simon ainda estava olhando para o sol, o rosto branco. “Uma pilha de trapos não funcionaria,” ele disse.”
Raphael me explicou - necessita de paredes para nos proteger da luz do sol. Ela irá queimar através de
tecido.”
“Mas deve haver alguma coisa...”
“Clary.” Ela podia ver ele claramente agora, na predatória luz cinza, seus olhos enormes e escuros no rosto
branco. Ele segurou as mão dele na dela. “Venha aqui.”
Ela caiu contra ele, tentando cobrir tanto quanto o corpo dele quanto ela podia com o seu. Ela sabia que era
inútil. Quando o sol tocasse ele, ele dissolveria em cinzas.
Eles sentaram por um momento em perfeita imobilidade, braços envoltos em torno um do outro. Clary podia

sentir o levantar e cair habitual do peito dele, ela se lembrou, não necessário. Ele podia não respirar, mas ele
podia ainda morrer.
“Eu não vou deixar você morrer,” ela disse.
“Eu não acho que você tem uma escolha.” Ela sentiu ele sorrir.” Eu não achava que eu chegaria a ver o sol
novamente,” ele disse. “Eu acho que eu estava errado.”
“Simon...”
Jace gritou alguma coisa. Clary olhou para cima o céu que estava inundado com colorida luz rosa, como
corante derramando em água clara. Simon ficou tenso debaixo dela. “Eu te amo,” ele disse. “ Eu nunca amei
ninguém mais além de você.”
Ouro passava através do céu rosa, como o ouro nas veias de um mármore caro. A água em torno deles
inflamava com luz e Simon ficou rígido, sua cabeça caindo para trás, seus olhos abertos preenchendo com
ouro, como se líquido fundido aparecia em sua pele como rachaduras em uma estátua despedaçada.
“Simon!”
Clary gritou. Ela se aproximou por ele, mas ela se sentiu subitamente atraída para trás; era Jace, as mãos
agarrando os ombros dela. Ela tentou se distanciar, mas ele segurava ela apertado; ele estava dizendo algo
em seu ouvido, mais e mais, e só depois de uns momentos ela começou a entender ele:
“Clary, olhe. Olhe.”
“Não!” As mãos dela voaram para seu rosto. Ela podia provar a água enegrecida do fundo da caçamba em
suas palmas. Ele era salgada, como lágrimas.” Eu não quero olhar. Eu não quero...”
“Clary,” as mãos de Jace estavam em seus pulsos, puxando as mãos dela para longe de seu rosto. A luz do
amanhecer picou seus olhos. ”Olhe.”
Ela olhou. E ouviu sua própria respiração chiar asperamente em seus pulmões enquanto ela arfava. Simon
estava sentado na parte detrás da caminhonete, em um trecho de luz do sol, boca aberta e olhando abaixo
para si mesmo. O sol dançava na água atrás dele e as pontas de seu cabelo brilhavam como ouro. Ele não
tinha se queimado até as cinzas, mas sentava-se se queimando na luz do sol, e a pálida pele de seu rosto e
braços e mãos estavam totalmente sem marcas.
Do lado de fora do Instituto, a noite estava caindo. Um esmaecido vermelho do pôr do sol brilhava através
das janelas no quarto de Jace enquanto ele olhava a pilha de seus pertences na cama. A pilha era muito
melhor do que ele pensava que ela seria. Sete anos inteiros de sua vida neste lugar, e isso era tudo o que ele
tinha para mostrar para ela: metade de uma sacola de roupas*, uma pequena pilha de livros, e algumas
armas.
* N/T:duffel bag: uma daquelas sacolas grandes de viagem
Ele tinha debatido se deveria levar as poucas coisas que ele tinha guardado da mansão em Idris com ele
quando ele a deixou à noite. Magnus tinha dado a ele de volta o anel de prata de seu pai, que ele não se
sentia mais confortável usando. Ele tinha pendurado ele em um elo da corrente em torno de sua garganta. No
final, ele tinha decidido levar tudo: Não havia nenhum ponto em deixar nada dele mesmo para trás neste
lugar.
Ele estava fazendo a sacola com roupas quando uma batida soou na porta. Ele foi a ela, esperando por Alec
ou Isabelle.

Era Maryse. Ela usava uma rígido vestido preto e seu cabelo estava puxado para trás acentuadamente de seu
rosto. Ela parecia mais velha do que ele lembrava dela. Duas profundas linhas corriam dos cantos de sua
boca para sua mandibula. Apenas seus olhos tinha alguma cor. “Jace,” ela disse, “Eu posso entrar?”
“Você pode fazer o que você quiser,” ele disse, retornando a cama.”É sua casa.” Ele agarrou uma mão cheia
de camisas e entulhou elas dentro da sacola com possivelmente desnecessária força.
“Na verdade, é um casa da Clave,” Maryse disse.”Nós somos apenas seus guardiões.”
Ele empurrou os livros dentro da sacola.”Tanto faz.”
“O que você está fazendo?” Se Jace não a conhecesse melhor, ele teria pensado que a voz dela oscilou
ligeiramente.
“Estou fazendo as malas,” ele disse.” É o que as pessoas geralmente fazem quando elas estão se mudando.”
Ela empalideceu.”Não saia,” ela disse.”Se você quiser ficar...”
“Eu não quero ficar. Eu não pertenço a aqui.”
“Aonde você vai?”
“Para o Luke,” ele disse, e viu ela hesitar. “Por um tempo. Depois disso, eu não sei. Talvez para Idris.”
“É onde você acha que pertence?” Havia uma dolorosa tristeza em sua voz.
Jace parou de empacotar por um momento e olhou abaixo para sua sacola. “Eu não sei de onde eu pertenço.”
“Com sua família.” Maryse fez uma tentativa de passo a frente. “Conosco.”
“Você me atirou para fora,” Jace ouviu a dureza em sua própria voz, e tentou suavizar ela. “Sinto muito,”
ele disse, virando-se para olhar para ela. “É sobre tudo o que aconteceu. Mas você não me queria antes, e eu
não posso imaginar que você me queira agora. Robert vai esta doente por algum tempo; você vai precisar
cuidar dele. Eu só vou estar no caminho.”
“No caminho?” Ela soava incrédula. “Robert quer ver você, Jace...”
“Eu duvido disso.”
“E que tal Alec? Isabelle, Max...eles precisam de você. Se você não acredita que eu quero você aqui...e eu
não posso culpar você se eu não...você deve saber que eles o fazem. Nós estamos passando por um momento
ruim, Jace. Não machuque eles mais do que eles já foram machucados.”
“Isso não é justo.”
“Eu não te culpo se você me odiar.” Sua voz estava oscilando. Jace girou em torno para olhar para ela em
surpresa. “Mas o que eu fiz....mesmo jogar você para fora – tratar você como eu tratei, foi para proteger
você. E por que eu estava com medo.”
“Medo de mim?”
Ela acenou.

“Bem, isso faz eu me sentir muito melhor.”
Maryse deu uma respirada profunda. “ Eu pensei que você ia quebrar meu coração como Valentine fez,” ela
disse. “Você era a primeira coisa que eu amei, você vê, depois dele, que não era do meu próprio sangue. A
primeira criatura viva. E você era só uma criança...”
“Você pensou que eu era alguém mais.”
“Não. Eu sempre soube quem você é. Desde a primeira vez que eu vi você descendo do navio de Idris,
quando você tinha dez anos de idade – você caminhou para dentro do meu coração, como meus próprios
filhos fizeram quando eles nasceram.” Ela balançou sua cabeça. “Você não pode entender. Você nunca foi
um pai. Você nunca ama nada como você ama seus filhos. E nada pode fazer você mais furioso.”
“Eu percebi a parte da fúria.” Jace disse, depois de uma pausa.
“Eu não espero que você me perdoe,” Maryse disse. “Mas se você ficar por Isabelle, Alec ou Max, eu seria
tão grata...”
Era uma coisa errada para se dizer. “Eu não quero sua gratidão,” Jace disse, e se virou de volta para a sacola.
Não havia nada para trás para se colocar dentro. Ele fechou o zíper.
“ A la claire fontaine,” Maryse disse,” m'en allent promener.”
Ele virou para olhar para ela. “O que?”
“Il y a longtemps que je t'aime. Jamais je ne t'oublierai – é uma balada francesa antiga que eu costumava
cantar para Alec e Isabelle. A que você me perguntou sobre.”
Havia muito pouca luz no quarto agora, e na obscuridade Maryse parecia para ele quase como ela tinha sido
quando ele tinha dez anos, como se ela não tivesse mudado de modo algum nestes últimos sete anos. Ela
parecia severa e preocupada, ansiosa... e esperançosa. Ela parecia como a única mãe que ele tinha
conhecido.
“Você estava errado quando disse que eu nunca cantei ela para você,” ela disse.” É só que você nunca me
ouviu.”
Jace nada disse, mas se aproximou e puxou o zíper aberto na sacola, deixando seus pertences se derramarem
na cama.

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