sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 18

18 – Escuridão Visível
Clary sempre tinha odiado montanhas russas, odiado a sensação de seu estômago caindo através de seu pés
quando o carrinho se empurrava para cima. Ser arrancada da caminhonete e arrastada através do ar como um
rato nas garras de uma águia foi dez vezes pior. Ela gritou alto enquanto seus pés deixavam a caçamba e seu
corpo decolava para cima, inacreditavelmente rápido. Ela gritou e girou – até que ela olhou para baixo e viu
o quão alto ela já estava acima da água e percebeu o que aconteceria se o demônio voador libertasse ela.
Ela ficou parada. A pickup parecia como um brinquedo abaixo, levada impossivelmente pelas ondas. A
cidade balançava-se em torno dela, desfocadas paredes de luz brilhante. Poderia ter sido bonito, se ela não
estivesse tão assustada. O demônio se inclinou e mergulhou, e subitamente, em vez de subir ela estava
caindo. Ela pensou na coisa largando ela centenas de metros através do ar até que ela se arrebentasse na
gelada água preta, e fechou seus olhos – mas cair as cegas na escuridão era pior. Ela abriu eles novamente e
viu o convés preto do navio crescendo embaixo dela como uma mão tocando eles dois no céu. Ela gritou
pela segunda vez enquanto eles caiam direto para o convés – e através de um quadrado escuro cortado em
sua superfície. Agora eles estavam dentro do navio.
A criatura voadora diminuiu seu ritmo. Eles estavam caindo no centro do barco, cercado por grades de
metal do convés. Clary pegou um lance da maquinaria escura, nenhuma delas parecia trabalhar direito, e
havia alguns instrumentos e ferramentas abandonados em vários lugares. Se lá houvesse tido luz elétrica
antes, elas há muito não funcionavam, embora um esmaecido brilho permeasse todas as coisas. Seja qual
fosse o que alimentasse o navio antes, Valentine agora estava alimentando ele com outra coisa.

Alguma coisa tinha sugado o ar morno da atmosfera. Ar gelado fustigava o rosto dela enquanto o demônio
atingia a base do navio e mergulhava abaixo em um longo e mal iluminado corredor. Ele não estava sendo
particularmente cuidadoso com ela. Seus joelhos bateram contra um cano enquanto a criatura virava em uma
curva, enviando uma onda de choque de dor acima de sua perna. Ela gritou e ouviu sua sibilante risada
acima dela. Então ele a largou e ela caiu. Girando no ar, Clary tentou segurar suas mãos e joelhos abaixo
antes que ela batesse no chão. Isso quase funcionou. Ela atingiu o chão com um impacto chocante e rolou
para o lado, atordoada.
Ela estava deitada em uma superfície de metal, na semi escuridão. Este provavelmente tinha sido um espaço
de armazenamento em um ponto, por que as paredes eram lisas e sem portas. Havia um quadrado se abrindo
acima dela que através do qual uma única luz era filtrada. Seu corpo inteiro sentia-se como uma grande
contusão.
“Clary?” Uma voz sussurrou. Ela rolou para seu lado, retrocedendo. Uma sombra ajoelhada ao lado dela.
Enquanto seu olhos se ajustavam a escuridão, ela viu uma pequena, curvilínea figura, cabelo trançado, olhos
castanhos escuros. Maia. “Clary, é você?”
Clary se sentou, ignorando o grito de dor em suas costas. “Maia. Maia, oh meu Deus.” ela encarou a outra
garota, então selvagemente em torno da sala. Ela estava vazia apesar delas duas. “Maia, onde ele está? Onde
está Simon?”
Maia mordeu seu lábio. Seus pulsos estavam ensagüentados, Clary viu, seu rosto listado com lágrimas secas.
“Simon está morto.”
Ensopado e meio congelado, Jace desabou no convés do navio, a água jorrando de seu cabelo e roupas. Ele
olhou para cima o céu noturno nublado, arfando nas respirações. Não tinha sido uma tarefa fácil subir a
raquítica escada de ferro, mal aparafusada na lateral de metal do navio, especialmente com as mãos
escorregadias e roupas encharcadas o arrastando para baixo.
Se não tivesse sido pela runa destemor, ele refletiu, ele provavelmente teria ficado preocupado que um dos
demônios voadores colhesse ele da escada como um pássaro colhendo um inseto em uma videira.
Felizmente, elas pareceram retornar ao navio uma vez elas tinham capturado Clary. Ele não podia imaginar
como, mas ele a muito tempo tinha desistido de tentar entender por que seu pai não fez nada.
Acima dele uma cabeça apareceu, desenhada contra o céu. Era Luke, tendo atingido o topo da escada. Ele
escalou laboriosamente a grade e desceu para o outro lado dela. Ele olhou abaixo para Jace. “Você está
bem?”
“Ótimo.” Jace ficou em seus pés. Ele estava tremendo. Estava frio no barco, mais frio do que tinha estado na
água - e sua jaqueta tinha ido embora. Ele a tinha dado a Clary.
Jace olhou ao redor “ Em algum lugar a uma porta que dá para dentro do navio. Eu a encontrei da última
vez. Nós temos apenas que andar em torno do convés até que nós encontremos ela novamente.
Luke começou em frente.
“E me deixe ir primeiro,” Jace adicionou, andando em frente a ele Luke lançou a ele um olhar extremamente
confuso, parecendo como se ele fosse dizer alguma coisa, e finalmente diminuiu o passo apenas ao lado de
Jace enquanto eles se aproximavam da curva em frente ao navio, onde Jace tinha estado com Valentine na
noite anterior. Ele podia ouviu a oleosa batida da água contra a proa, bem abaixo.
“Seu pai,” Luke disse, “o que ele disse a você quando você viu ele?” O que ele prometeu a você?”

“Ah, você sabe. O de sempre. Uma vida inteira de suprimento de bilhetes para os jogos do Knicks.” Jace
falou levemente, mas o ponto da memória dentro dele mais profunda do que o frio.” Ele disse que ele
asseguraria não causar dano a mim ou a qualquer um que eu me importasse se eu deixasse a Clave e
retornasse a Idris com ele.”
“Você acha...” Luke hesitou.”Você acha que ele machucaria Clary para ter você de volta?”
Ele contornaram a proa e Jace pegou um breve vislumbre da Estátua da Liberdade à distância, um pilar de
luz brilhante. “Não. Eu acho que ele pegou ela para nos fazer vir para o navio deste modo, para dar a ele
uma moeda de troca. Isso é tudo.”
“Eu não estou certo de que ele precisa de uma moeda de troca.” Luke falou em um voz baixa enquanto ele
desembainhava sua kindjal. Jace se virou para seguir o olhar de Luke, e por um momento só fitou.
Havia um buraco negro no convés no lado oeste do navio, um buraco como um quadrado que tinha sido
recortado no metal, e para fora de suas profundezas jorrava um escura nuvem de monstros. Jace relembrou a
última vez que ele tinha estado aqui, com a Espada Mortal em sua mão, olhando ao redor dele em horror
enquanto o céu acima dele e o mar abaixo tornava-se revolventes massas de pesadelos. Só agora elas
colocavam-se diante dele, uma cacofonia de demônios: os de ossos brancos Raum que tinham atacado eles
em Luke; demônios Oni com seus corpos verdes, bocas largas e chifres; o furtivo demônio preto Kuri,
demônios aranhas com seus oito braços pinçados e o veneno escorrendo de suas presas que protuberavam do
buraco de seus olhos...
Jace não podia contar todos eles. Ele sentiu Camael e tirou ela de seu cinto, seu brilho branco iluminando o
convés. Os demônios sibilaram ao sinal dela, mas nenhum deles se afastou. A runa destemor no ombro de
Jace começou a queimar. Ele se perguntou quantos demônios ele poderia matar antes que ela queimasse até
sumir.
“Pare! Pare!” A mão de Luke, enrolada na parte de trás da camisa de Jace, sacudindo ele para trás. “Há
muitos, Jace. Se nós pudermos voltar para a escada...”
“Não podemos.” Jace puxou a si mesmo para fora do aperto de Luke e apontou. “ Eles nos cercaram de
ambos os lados.” Era verdade. Uma tropa de demônios, chamas lançando de seus olhos vazios, bloquearam
sua retirada.
Luke xingou, fluentemente e cruelmente. “Pule para o lado então. Eu seguro eles.”
“Você pula,” Jace disse.”Eu estou bem aqui.”
Luke jogou sua cabeça para trás. Seus ouvidos tinha despontados, e quando ele rosnou para Jace, seus lábios
puxaram por sobre os caninos que estavam de repente afiados. “Você...” Ele se interrompeu enquanto um
demônio Moloch saltava sobre ele, as garras estendidas. Jace o esfaqueou casualmente na espinha enquanto
ele passava, e chocava-se em Luke, uivando. Luke o agarrou em suas mãos com garras e lançava ele por
sobre a grade. “Você usou a runa destemor, não é?” Luke disse, virando-se de volta para Jace com olhos que
cintilavam em âmbar.
Houve um splash a distância.
“Você não está errado,” Jace admitiu.
“Cristo,” Luke disse.” Você colocou ela em si mesmo?”
“Não. Clary a colocou em mim.” A lâmina serafim de Jace cortou o ar com um fogo branco, dois demônios

Drevak caíram. Havia dezenas de mais de onde eles tinham vindo, movendo-se em direção a eles, suas mãos
com pontas de agulhas esticadas. “Ela é boa com aquilo, você sabe.”
“Adolescentes,”
Luke disse, como se isso fosse a palavra mais suja que ele conhecia, e jogou a si mesmo na horda que se
aproximava.
“Morto?” Clary olhou para Maia como se ela tivesse falado em búlgaro. “Ele não pode estar morto.”
Maia nada disse, apenas olhou ela com tristes olhos escuros.
“Eu saberia.” Clary se sentou e pressionou sua mão, fechada em punho, contra seu peito.”Eu saberia isso
aqui.”
“Eu pensava assim,” Maia disse.”Uma vez. Mas você não sabe. Você nunca sabe.”
Clary lutou para ficar em pé. A jaqueta de Jace pendurada em seus ombros, as costas dela estava quase
retalhada. Ela retirou ela impacientemente e largou ela no chão. Ela estava arruinada, suas costas pontuadas
através com uma dezena de marcas de garras afiadas. Jace vai ficar chateado de eu ter arruinado sua
jaqueta, ela pensou. Eu devia comprar uma nova para ele. Eu devia...
Ela puxou um longo e áspero respirar. Ela podia ouvir seu próprio coração batendo, mas que soava muito
distante. “O que....aconteceu com ele?”
Maia ainda estava ajoelhada no chão.”Valentine pegou nós dois,” ela disse.”Ele nos acorrentou em uma sala
juntos. Então ele veio com uma arma – uma espada, realmente longa e brilhante, como se ela estivesse
cintilando. Ele jogou pó de prata em mim, logo eu não pude lutar com ele, e ele – ele apunhalou Simon em
sua garganta.” sua voz diminuiu para um sussurro. “Ele cortou os pulsos dele e ele derramou o sangue em
tigelas. Algumas das criaturas demônio vieram até ele para ajudá-lo a pegar. Então ele apenas deixou Simon
deitado lá, como algum brinquedo que ele rasgou todo por dentro e portanto ele não tinha mais utilidade
para ele. Eu gritei...mas eu sabia que ele estava morto. Então um dos demônios me pegou e me trouxe aqui
para baixo.
Clary pressionou as costas de sua mão contra sua boca. Pressionou e pressionou até que ela sentisse o gosto
salgado de sangue. O acentuado gosto de sangue pareceu cortar através da neblina em seu cérebro.” Nós
temos que sair daqui.”
“Sem ofensa, mas isso é grandemente óbvio.”Maia ficou em seu pés, pestanejando “Não tem jeito de sair
daqui. Nem mesmo para um Caçador de Sombras. Talvez se você fosse...”
“Se eu fosse o quê?” Clary demandou, andando o quadrado de sua cela. “Jace? Bem, eu não sou.” Ela
chutou a parede. Ela ecoou ocamente. Ela escavou dentro de seu bolso e puxou sua estela. “mas eu tenho
meus próprios talentos.”
Ela impulsionou a ponta da estela contra a parede e começou a desenhar. As linhas pareciam fluir fora dela,
pretas e parecendo carbonizadas, quentes como sua furiosa raiva. Ela bateu a estela contra a parede, de novo
e de novo e as linhas pretas fluíram em suas pontas como chamas. Quando ela se puxou para trás, respirando
com dificuldade, ela viu Maia olhar para ela atônita.
“Garota,” ela disse, “o que você fez?”
Clary não estava certa. Parecia como se ela tivesse jogado um balde de ácido contra a parede. O metal todo
ao redor da runa estava afundando e gotejando como sorvete em um dia quente. Ela andou para trás, olhando

aquilo cautelosamente enquanto um buraco do tamanho de um cachorro grande abria-se na parede. Clary
podia ver as estruturas de metal atrás dele, mais das entranhas de metal do navio. Os cantos do buraco ainda
fritavam, apesar de terem parado de dilatar-se para fora. Maria deu um passo a frente, puxando o braço de
Clary.
“Espere.” Clary ficou subitamente nervosa. “O metal derretido – ele poderia ser, como, lama tóxica ou
alguma coisa.”
Maia aspirou. “Eu sou de Nova Jersey. Eu nasci em lama tóxica.” Ela marchou até o buraco e espreitou
através dele. “Havia uma passarela metálica no outro lado.” ela anunciou. “Aqui...eu estou indo me puxar
por ele.” ela se virou e meteu seus pés do outro lado do buraco, então suas pernas, movendo-se para trás
lentamente. Ela fez careta enquanto ziguezagueava seu corpo por ele, e então congelou. “Ai! Meus ombros
estão presos. Me empurra?” Ela segurou suas mãos para fora.
Clary pegou as mãos dela e a empurrou. O rosto de Maia ficou branco, e então vermelho...e ela em seguida
ficou livre, como uma rolha de champanhe estourada de uma garrafa. Com um guincho ela tombou para trás.
Houve uma queda e Clary meteu sua cabeça ansiosamente pelo buraco. “Você está bem?”
Maia estava deitada na estreita passarela de metal a vários metros abaixo. Ela rolou lentamente e colocou a
si mesma em uma posição sentada, pestanejando.”Meu tornozelo...mas eu vou ficar bem,” ela adicionou,
vendo o rosto de Clary.”Nós nos curamos rápido também, você sabe.”
“Eu sei. Ok, minha vez.” A estela de Clary picava desconfortavelmente em seu estômago enquanto ela se
curvava, preparando para deslizar através do buraco após Maia. A queda até a passarela era intimidante, mas
não tão intimidante quanto a idéia de esperar em um espaço de armazenamento por qualquer coisa que
viesse para reivindicar elas. Ela se virou por cima de seu estômago, deslizando seu pés dentro do buraco....
Alguma coisa agarrou as costas de sua camisa, puxando ela para cima. Sua estela caiu de seu cinto e quicou
no chão. Ela arfou no súbito choque e dor; a gola do pescoço de seu suéter cortando em sua garganta, ela
sufocou. Um momento depois ela estava livre, caindo para o piso, seus joelhos batendo no metal com um
tinido oco. Engasgando, ela rolou para suas costas e olhou acima, sabendo o que ela iria ver.
Valentine em pé acima dela. Em uma mão ele segurava uma lâmina serafim, brilhando com uma forte luz
branca. Sua outra mão, que tinha segurado as costas da camisa dela, estava fechada em um punho. Seu rosto
branco esculpido estava preso em um olhar de desprezo e desdém. “Sempre a filha de sua mãe, Clarissa.” ele
disse. “O que você fez agora?”
Clary puxou a si mesma dolorosamente a seus joelhos. Sua boca estava cheia com o sangue salgado vindo
de onde seu lábio tinha cortado. Enquanto ela olhava para Valentine, sua fervente raiva floresceu como um
flor venenosa dentro de seu peito. Aquele homem, seu pai, tinha matado Simon e deixado ele morto no chão
como um lixo descartado. Ela tinha pensado que ela tinha odiado pessoas antes em sua vida, ela tinha
estado errada. Isso era ódio.”
“A garota lobisomem, “Valentine continuou, franzindo o cenho. “Onde ela está?”
Clary se inclinou para frente e cuspiu sua boca cheia de sangue nos sapatos dele. Com uma afiada
exclamação de desgosto e surpresa, ele foi para trás, levantando a lâmina em sua mão, e por um momento
Clary viu a descuidada fúria nos olhos dele e pensou que ele realmente indo fazer aquilo, estava realmente
indo matar ela bem ali, onde ela se encurvava a seus pés, por ter cuspido em seus sapatos.
Lentamente, ele abaixou a lâmina. Sem uma palavra, ele andou passando Clary, e olhou através do buraco
que ela tinha feito na parede. Lentamente, ele se virou, seus olhos varrendo o chão até onde ela viu. A estela
de sua mãe. Ela alcançou ela, sua respiração segurando...”

Valentine, virando-se, viu o que ela estava fazendo. Com um único passo, ele atravessou a sala. Ele chutou a
estela fora de seu alcance, que rotacionou através do piso de metal e caiu pelo buraco na parede. Ela
semicerrou os olhos, sentindo a perda de sua estela como a perda de sua mãe tudo de novo.
“Os demônios irão achar sua amiga downworlder,” Valentine disse, em sua fria, continua voz, deslizando
sua lâmina serafim para uma bainha em sua cintura. “Não há nenhum lugar para ela fugir. Nenhum lugar
para nenhum de vocês irem. Agora, levante-se Clarissa.”
Lentamente, Clary ficou em seus pés. Seu corpo inteiro machucado pelo golpe que ela tinha levado. Um
momento depois ela arfou em surpresa quando Valentine prendeu ela pelos ombros, virando ela ela para que
suas costas estivessem para ele. Ele assobiou; um alto, afiado e desagradável som. O ar agitou-se acima de
sua cabeça e ela ouviu uma feia batida de asas. Com um pequeno grito, ela tentou fugir, mas Valentine era
muito forte. As asas assentaram-se ao redor dos dois e eles estavam levantando no ar juntos, Valentine
segurando ela em seus braços, como se ele realmente fosse o seu pai.
Jace tinha pensado que ele e Luke estariam mortos agora. Ele não tinha certeza do porque eles não estavam.
O convés do navio estava escorregadio com o sangue. Ele estava coberto de sujeira. Até mesmo seu cabelo
estava liso e espesso com o fluído, e seus olhos picavam com o sangue e a sujeira. Havia um profundo corte
longo no topo de seu braço direito, e nenhum tempo para esculpir uma runa de cura em sua pele. Cada vez
que ele levantava o braço, uma abrasadora dor acertava pelo seu lado.
Eles tinham conseguido colocar-se a si mesmos em um retiro na parede de metal do navio, e eles lutaram
neste abrigo com os demônios. Jace tinha utilizado ambos os chakhrams e eram sua última lâmina serafim e
a adaga que ele tinha tomado de Isabelle. Não era muito – ele não tinha ido para fora para enfrentar apenas
uns poucos demônios e estes mal armados, ele agora estava enfrentando uma horda. Ele devia estar
assustado, ele sabia, mas no todo ele sentia quase nada...apenas o desgosto pelos demônios, que não
pertenciam a este mundo, e a fúria por Valentine, que tinha invocado eles ali. Distantemente, ele sabia que
que sua falta de medo não era inteiramente uma coisa boa. Ele não estava nem mesmo com medo pelo
quanto de sangue que ele estava perdendo em seu braço.
Uma aranha demônio correu em direção a Jace, chiando e lançando um amarelo venenoso. Ele mergulhou
para longe, não rápido o suficiente para manter algumas poucas gotas do veneno de respingar em sua
camisa .Aquilo chiou enquanto comia através do material; ele sentiu a picada enquanto ela queimava sua
pele como dezenas de pequenas agulhas superaquecidas.
A aranha demônio piscou em satisfação, e pulverizou outro jato de veneno. Jace se abaixou e o veneno
acertou um demônio Oni em direção ao seu lado; o Oni gritou em agonia e moveu-se para a aranha demônio,
as garras estendidas. Os dois lutaram juntos, rolando através do convés.
Os demônios ao redor agitaram-se para longe do veneno derramado, que fez uma barreira entre eles e o
Caçador de Sombras. Jace aproveitou a vantagem do momentâneo intervalo para virar-se para Luke ao lado
dele. Luke estava quase irreconhecível. Suas orelhas cresciam afiadas, lobamente pontudas; seus lábios
estavam puxados para trás de seu raivoso focinho em um vinco permanente, suas mãos em garras pretas com
o fluído de demônio.
“Nós devemos ir para as grades.” A voz de Luke era um meio rosnar. “Sair do navio. Nós não podemos
matar todos eles. Talvez Magnus...”
“Eu não acho que estamos indo tão mal.” Jace girou sua lâmina serafim – o que foi uma má idéia; sua mão
estava molhada com o sangue e a lâmina quase escapou de seu aperto.”Levando tudo em consideração.”
Luke fez um barulho que poderia ter sido um rosnar ou uma risada, ou a combinação de ambos. Então

alguma coisa larga e sem forma caiu do céu, lançando eles dois ao chão.
Jace bateu no piso duro, sua lâmina serafim voando de sua mão. Ela acertou o convés, agitando através da
superfície de metal, e deslizou para um canto do barco, fora da visão. Jace xingou e tropeçou em seus pés.
A coisa que tinha aterrissado neles era um demônio Oni. Ele era raramente grande para sua espécie – sem
mencionar raramente esperto para pensar em subir até o telhado e cair em cima deles. Ele estava sentado em
cima de Luke agora, retalhando ele com o afiado dentes de marfim que brotavam de sua testa. Luke estava
se defendendo o melhor que ele podia com suas garras, mas ele já estava saturado em sangue; sua kindjal
descansando a um pé longe dele no convés. Luke agarrou ele e o Oni prendeu uma das pernas dele em uma
mão como uma pá, trazendo a perna abaixo como um galho de uma árvore sobre o seu joelho. Jace ouviu o
osso quebrar com um estalo enquanto Luke gritava alto.
Jace mergulhou atrás da kindjal, agarrou ela, e rolou para seus pés,afundando a adaga duramente na parte de
trás do pescoço do demônio Oni. Ela dividiu através com força suficiente para decapitar a criatura, que
sucumbiu a frente, sangue preto jorrando do toco do pescoço. Um momento depois ele desapareceu. A
kindjal caiu no convés ao lado de Luke.
Jace correu até ele e se ajoelhou. “Sua perna...”
“Está quebrada.” Luke lutou para uma posição sentada. Seu rosto contorcido em dor.
“Mas você cura rápido.”
Luke olhou ao redor, seu rosto desgostoso. O Oni podia ter sido morto, mas os outros demônios tinham
aprendido vindo de seu exemplo. Eles estavam enxameando acima para o telhado. Jace não podia dizer, na
turva luz do luar, quanto deles estavam lá...dezenas? Centenas? Depois de um certo número não importava
mais.
Luke fechou sua mão ao redor do cabo da kindjal. “Não rápido o suficiente.”
Jace puxou a adaga de Isabelle de seu cinto. Era a última de suas armas e ela parecia subitamente
lamentavelmente pequena. Uma acentuada emoção perfurou ele - não medo, ele ainda estava além daquilo,
mas tristeza. Ele viu Alec e Isabelle como se eles estivessem parados em frente a ele, sorrindo para ele e e
então ele viu Clary com os braços delas estendidos como se ela estivesse saudando ele em casa.
Ele se levantou a seus pés do mesmo modo que eles caiam vindos do telhado como uma onda, uma maré
sombria borrando a lua. Jace se moveu tentando bloquear Luke, mas isso não adiantou; os demônios
estavam todos ao redor. Um suspendeu-se em frente a ele. Ele tinha um esqueleto de um metro e oitenta,
rindo com dentes quebrados. Pedaços de coloridas e brilhantes bandeiras de orações tibetanas penduravam-
se em seus ossos podres. Ele agarrou uma espada katana em uma mão ossuda, que era incomum – a maioria
dos demônios não eram armados. A espada, inscrita com runas demoníacas, era mais longa que o braço de
Jace, curvada e afiada e assassina.
Jace atirou a adaga. Ela atingiu a gaiola das costelas do demônio e ficou presa lá. O demônio parecia mal ter
notado; que só se manteve movimentando-se, inexoravelmente como morto. O ar ao redor dele fedia a morte
e túmulos. Ele levantou sua katana em uma mão de garras....
Uma sombra cinza cortou a escuridão em frente a Jace, uma sombra que se movia com um redemoinho,
precisa, movimentando-se mortalmente. O impulso abaixo da katana encontrou o afiado guincho de metal
em metal; a figura indefinida impulsionando a katana para trás para o demônio, apunhalando acima com a
outra mão com um rapidez que os olhos de Jace mal puderam seguir. O demônio caiu para trás, seu crânio
estilhaçando enquanto ele enrugava-se para o nada. Tudo ao redor que ele podia ouvir eram os gritos dos

demônios uivando em dor e surpresa. Girando, ele viu que dezenas de formas – formas humanas – estavam
engatinhando acima das grades, jogando-se ao chão, e correndo para perto da massa de demônios que
espalhava-se, resvalava e sibilava e voava acima do convés. Elas carregavam espadas de luz e usavam as
escuras, e agressivas roupas de...
“Caçadores de sombras?” Jace disse, tão assustado que ele falou alto.
“Quem mais?” Um sorriso brilhou na escuridão.
“Malik? É você?”
Malik inclinou sua cabeça. “ Me desculpe por hoje mais cedo,” ele disse. “Eu estava sob ordens.”
Jace estava prestes a dizer a Malik que ele tinha apenas salvado sua vida mais do que fez por ele mais cedo,
na tentativa de impedir que Jace deixasse o Instituto, quando um grupo de demônios Raum surgiu em
direção a eles, tentáculos chicoteando o ar. Malik girou e se encarregou de encontrar eles com um grito, sua
lâmina serafim queimando como uma estrela. Jace estava prestes a seguir ele quando uma mão agarrou ele
pelo braço e o puxou para o canto.
Era um Caçador de Sombras, todo em preto, um capuz ensombrecendo sua face abaixo. “Venha comigo.”
A mão puxando insistentemente sua manga. “Eu tenho que pegar Luke. Ele foi ferido.” Ele sacudiu seu
braço para trás. “Me deixe ir.”
“ Ah, pelo amor do Anjo...” A figura soltou ele e alcançou a parte de trás de seu capuz de seu longo manto,
revelando um rosto estreito e branco e olhos cinza que queimavam como lascas de diamante. “Agora, você
vai fazer o que você disse, Jonathan?”
Era a inquiridora.
Apesar da estonteante velocidade com que eles voaram através do ar, Clary teria chutado Valentine se ela
pudesse. Mas ele segurava ela como se seus braços fossem faixas de ferro. Seus pés se balançaram livres,
mas ela lutou o quanto ela podia, ela não pareceu ser capaz de se ligar a nada.
Quando o demônio se inclinou e desviou subitamente, ela deixou sair um grito. Valentine riu. Então eles
estavam girando através de um estreito túnel de metal e em uma muito larga e ampla sala. Em vez de largar
eles sem cerimônia, o demônio voador colocou eles gentilmente no chão.
Para a muita surpresa de Clary, Valentine deixou ela ir. Ela se sacudiu para longe dele e tropeçou no meio da
sala, olhando ao redor selvagemente. Ela era um grande espaço, provavelmente algum tipo de sala de
máquinas. Maquinarias ainda alinhadas a paredes, empurradas para longe para criar um largo espaço
quadrado no centro. O piso era um espesso metal preto, manchado aqui e ali com manchas escuras. No meio
do espaço vazio estavam quatro bacias, grandes o suficiente para lavar um cachorro dentro delas. O interior
das duas primeiras eram pintadas de um escuro marrom enferrujado. A terceira estava cheia de um líquido
vermelho escuro. A quarta estava vazia.
Uma maleta de metal permanecia atrás das tijelas. Um tecido escuro tinha sido jogada por cima disso.
Enquanto ela se aproximava, ela viu que no topo do tecido descansava um espada prata que brilhava com
um luz enegrecida, quase uma falta de iluminação: uma radiante, visível escuridão.
Clary girou ao redor e olhou para Valentine, que estava quietamente observando ela. “Como você pôde fazer
isso?” ela exigiu. “Como você pôde matar Simon? Ele era só um ...ele era só um garoto, apenas um humano
comum...”

“Ele não era humano,” Valentine disse, em sua voz sedosa. “Ele tinha se tornado um monstro. Você apenas
não via isso, Clarissa, por que ele usava o rosto de um amigo.
“Ele não era um monstro.” Ela se moveu para mais perto da Espada. Ela parecia larga, pesada. Ela se
perguntou se ela poderia levantá-la...e mesmo se ela pudesse, poderia ela a impulsionar? “Ele ainda era
Simon.”
“Não pense que eu não simpatizo com sua situação,” Valentine disse. Ele permanecia imóvel em um único
ponto de luz que vinha do alçapão no teto.” Foi o mesmo para mim quanto Lucian foi mordido.”
“Ele me disse,” Ela vociferou para ele. “Você deu a ele uma adaga e disse para ele matar a si mesmo.”
“Isso foi um erro,” Valentine disse.
“Pelo menos você admite que...”
“Eu deveria ter matado ele. Isso teria mostrado que eu me importava.”
Clary balançou sua cabeça. “Mas você não o fez. Você nunca se importou com ninguém. Nem mesmo com
minha mãe. Nem mesmo com Jace. Eles eram apenas coisas que pertenciam a você.”
“Mas isso não é o que o amor é, Clarissa? Posse? 'Eu sou do meu amado e meu amado é meu,' como no
Cântico dos Cânticos diz.”
“Não. E não cite a Bíblia para mim. Eu não acho que você possa.” Ela estava parada muito perto do
compartimento agora, o cabo da Espada interno alcançando a distância. Os dedos dela estavam molhados
com suor e ela secou eles escondidamente em seus jeans. “Não é apenas que alguém pertença a você, é que
você se dá a si mesmo para eles. Eu duvido que você já deu alguma coisa para alguém. Exceto talvez
pesadelos.”
“Dar a si mesmo para alguém?” Um fino sorriso não duvidava.”Como você deu a si mesmo para Jonathan?”
Sua mão, que tinha se levantado em direção a Espada, espasmou em um punho. Ela puxou ela de volta
contra seu peito, olhando para ele incredulamente. “O quê?”
“Você acha que eu não notei o modo que vocês dois olham um para o outro? O modo como ele diz seu
nome? Você pode pensar que eu não sinto, mas isso não significa que eu não possa ver os sentimentos dos
outros.” O tom de Valentine era frio, cada palavra uma lasca de gelo apunhalando suas orelhas. “Eu
suponho que só nós mesmos temos a culpa, sua mãe e eu; mantendo vocês dois separados por tanto tempo,
vocês nunca desenvolveriam a repulsa em direção um ao outro, que seria mais natural entre irmãos.”
“Eu não sei do que você está falando.” Os dentes de Clary estava batendo.
“Eu acho que vou me fazer claro o suficiente.” Ele se moveu para fora da luz. Seu rosto era um estudo na
sombra. “Eu vi Jonathan após ele enfrentar o demônio do medo, você sabe. Aquilo mostrou-se a ele como
você. Ele me disse tudo o que eu precisava saber. O maior medo na vida de Jonathan é o amor que ele sente
por sua irmã.”
“Eu não vou fazer o que você me falou,” Jace disse. “Mas eu poderia fazer o que você quer se você me pedir
gentilmente.”
A inquiridora pareceu como se ela quisesse rolar seus olhos, mas tinha esquecido como.” Eu preciso falar

com você.”
Jace encarou a inquiridora. “Agora?”
Ela pôs a mão no braço dele. “Agora.”
“Você é louca.” Jace olhou abaixo o comprimento do navio. Ele parecia como uma pintura do inferno de
Bosch. A escuridão era cheia de demônios: amontoados, urrando, grasnando e retalhando com garras e
dentes. Nephilim se arremessando para frente e para trás, suas armas brilhantes nas sombras.
Jace podia ver que já não havia Caçadores de Sombras suficientes. Nem quase suficiente. “Não tem
jeito...nós estamos no meio de uma batalha...”
O aperto ossudo da inquiridora era surpreendentemente forte. “Agora.” Ela empurrou ele, e ele deu um
passo para trás, tão surpreendido de fazer qualquer outra coisa, e então mais outro, até que eles estavam
parados em um recesso de uma parede. Ele largou Jace e deixou cair as dobras e seu manto escuro, puxando
adiante duas lâminas serafim. Ela sussurrou seus nomes, e então várias palavras que Jace não conhecia, e
lançou elas no convés, uma de cada lado dele. Elas prenderam, as pontas para baixo, e uma única placa de
luz lançou-se delas, emparedando Jace e a inquiridora do resto do navio.
“Você está me prendendo aqui de novo?” Jace exigiu, olhando para a Inquiridora em descrença.
“Esta não é a Configuração Malachi. Você pode sair dela se você quiser.” As finas mãos dela estavam
entrelaçadas juntas apertadamente. “Jonathan...”
“Você quer dizer Jace.” Ele podia não mais ver a batalha se passando pela parede branca de luz, mas ele
podia ainda ouvir os sons dela, os gritos e os uivos dos demônios. Se ele virasse sua cabeça, ele podia pegar
um vislumbre de um pequeno pedaço do oceano, espumando com luz como diamantes espalhados sobre a
superfície de um espelho. Havia cerca de uma dezena de barcos lá embaixo, o elegante, e multi-cascos do
trimaran* usado nos lagos em Idris. Barcos de Caçadores de Sombras. “O que você está fazendo aqui,
inquiridora? Por que você veio?
*N/T: Trimaran é uma embarcação, o mesmo que um catamarã mais com três cascos
“Você estava certo,” ela disse. “Sobre Valentine. Ele não faria a negociação.”
“Eu disse a você que ele me deixaria morrer.” Jace se sentiu subitamente tonto.
“No momento que ele recusou, é claro, eu chamei a Conclave juntos e os trouxe aqui. Eu...eu devo a você e
a sua família desculpas.”
“Anotado,” Jace disse. Ele odiava desculpas. “Alec e Isabelle? Eles estão aqui? Eles não foram punidos por
me ajudar?”
“Eles estão aqui, e não, eles não foram punidos,” Ela ainda estava olhando para ele, seus olhos procurando.”
Eu não posso entender Valentine,” ela disse.” Para um pai jogar a vida de seu filho, seu único filho...”
“Yeah” Jace disse. Sua cabeça doía e ele desejou que ela calasse a boca, ou que um demônio atacasse eles.
“Isso é uma charada, tudo bem.”
“A menos que...”
Agora ele olhou para ela em surpresa.” A menos o quê?”

Ela golpeou um dedo no ombro dele. “Quando você conseguiu isso?”
Jace olhou abaixo e viu que o veneno da aranha demônio tinha comido um buraco em sua camisa, deixando
uma boa parte de seu ombro esquerdo de fora. “A camisa? No mercado Macy's Winter.
“A cicatriz? Esta cicatriz, aqui em seu ombro.”
“Ah, essa.” Jace se perguntava pela intensidade do olhar dela.” Eu não tenho certeza. Alguma coisa
aconteceu quando eu era muito novo, meu pai disse. Um acidente de algum tipo. Por que?”
A respiração sibilou através dos dentes da inquiridora.” Não pode ser,” ela murmurou.”Não pode ser...”
“Não pode ser o quê?”
Havia uma nota de incerteza na voz da inquiridora. “Todos esses anos,” ela disse.”Quando você estava
crescendo...você realmente pensava que era filho de Michael Wayland...?
Uma afiada fúria passou através de Jace, fez tudo mais doloroso pela pequena facada de desapontamento
que acompanhou aquilo. “Pelo Anjo,” ele cuspiu, “você me arrastou até aqui no meio de uma batalha só para
me perguntar as mesmas merdas de questões de novo? Você não acreditou em mim na primeira vez e ainda
não acredita em mim. Você nunca vai acreditar em mim, apesar de tudo o que aconteceu, mesmo depois de
tudo o que eu disse a você que era a verdade.” ele apontou um dedo em direção ao que quer que estivesse
acontecendo no outro lado da parede de luz. “Eu deveria estar lá lutando. Por que você está me mantendo
aqui? Então depois que tudo isso acabar, se algum de nós estiver vivo, você pode ir até a Clave e dizer a eles
que eu não lutei ao seu lado contra meu pai? Bela tentativa.”
Ela tinha ficado mais pálida do que ele achava que era possível. “Jonathan, isso não é o que eu...”
“Meu nome é Jace!”
ele gritou. A inquiridora vacilou, sua boca meio aberta, como se ela estivesse para dizer algo. Jace não queria
ouvir. Ele andou passando ela, quase esbarrando nela ao lado, e chutou uma das lâminas serafim no convés.
Ela tombou e a parede de luz desapareceu.
Além dela estava o caos. Formas escuras se empurravam a partir do convés, demônios escalavam por cima
dos corpos dobrados, e o ar estava cheio de fumaça e gritos. Ele se esforçou para ver alguém que ele
conhecia na luta. Onde estava Alec? Isabelle?
“Jace!” A inquiridora se apressou atrás dele, seu rosto apertado com o medo. “Jace, você não tem uma arma,
pelo menos pegue...”
Ela se interrompeu enquanto um demônio agigantava-se na escuridão em frente a Jace como um iceberg na
proa de um navio. Ele não era um que Jace tinha visto antes à noite, este tinha o rosto enrugado e ágeis mãos
de um grande macaco, mas a longa e farpada cauda de um escorpião. Seus olhos eram revolventes e
amarelos. Antes que Jace pudesse se abaixar, sua cauda atirou em direção com a velocidade de um bote de
cobra. Ele viu a pontiaguda ponta chicoteando em direção a seu rosto...
E pela segunda vez aquela noite, uma sombra passou entre ele e a morte. Puxando uma longa faca laminada,
a inquiridora jogou a si mesma em frente a ele, apenas a tempo para o ferrão do escorpião enterrar-se no
peito dela.
Ela gritou, mais permaneceu de pé. A cauda do demônio chicoteou de volta, pronto para outro ataque – mas
a faca da inquiridora já tinha deixado sua mão, voando direta e certeira. A runas gravadas em sua lâmina
brilhavam enquanto ela deslizava através da garganta do demônio. Com um assobio, como o ar escapando

de um balão perfurado, ele se dobrou para dentro, a sua cauda em espasmos enquanto ele desaparecia.
A inquiridora dobrou-se no convés. Jace se ajoelhou ao lado dela e colocou uma mão sobre o ombro dela,
colocando ela em suas costas. Sangue estava se espalhando por toda a frente cinza de sua blusa. Seu rosto
estava muito frouxo e amarelo, e por um momento Jace pensou que ela já estava morta.
“Inquiridora?” Ele não podia dizer o primeiro nome dela, nem mesmo agora.
Seus olhos flutuaram abertos. Os brancos estavam já entorpecidos. Com um grande esforço ela acenou para
ele ir em direção a ela. Ele se inclinou mais próximo, próximo o suficiente para ouvir o sussurro dela em seu
ouvido, sussurrar em um último exalar de respiração...
“O que?” Jace disse, perplexo.”O que isso significa?”
Não houve resposta. A inquiridora tinha caído de volta contra o convés, seus olhos largos abertos e
encarando, sua boca curvada em o que quase parecia como um sorriso.
Jace sentou de volta em seus calcanhares, paralisado e fitando. Ela estava morta. Morta por causa dele.
Alguma coisa prendeu as costas de seu casaco e puxou ele para os seus pés. Jace lançou uma mão em seu
cinto – e notou que estava desarmado – e girou ao redor para ver um par familiar de olhos azuis encarando
ele com absoluta incredulidade.
“Você está vivo,” Alec disse – três curtas palavras, mas havia lá um abundante sentimento por trás delas. O
alívio em seu rosto era sincero, como era sua exaustão. Apesar do frio no ar, seu cabelo preto estava
emplastrado para suas bochechas e testa com o suor. Suas roupas e pele estavam manchada com sangue e
havia uma longo rasgão na manga de seu casaco blindado, como se alguma coisa denteada e afiada tivesse
rasgado ela aberta. Ele agarrava uma lança em sua mão direita e a gola de Jace com a outra.
“Eu pareço estar,” Jace admitiu.”Eu não estarei por muito tempo se você não me der uma arma, apesar
disso.”
Com um rápido olhar ao redor, Jace soltou ele, tirou uma lâmina serafim de seu cinto, e a entregou . “Aqui,”
ele disse. “Ela se chama Samandiriel.”
Jace mal tinha a lâmina em sua mão quando um demônio Drevak de tamanho médio correu em direção a
eles, gorjeando imperiosamente. Jace levantou Samandiriel, mas Alec já tinha despachado a criatura com um
golpe impelido de sua lança.
“Bela arma,” Jace disse, mas Alec estava olhando atrás dele, para a figura cinza encurvada no convés.
“Aquela é a inquiridora? Ela está...”
“Ela está morta,” Jace disse.
A mandibula de Alec apertou. “Boa libertação. Como ela conseguiu?”
Jace estava prestes a responder quando foi interrompido por um grito alto de “Alec! Jace!” Era Isabelle,
apressando-se em direção a eles através do fedor e fumaça. Ela usava um fechado casaco escuro ajustado,
manchado com sangue amarelado. Correntes douradas com atrativas runas circulando seus pulsos e
tornozelos, e seu chicote enrolado em torno dela como uma rede de fio de electrum.
Ela estendeu seus braços. “Jace, nós pensamos...”

“Não.” Algo fez Jace andar para trás, encolhendo-se para longe do toque dela. “Eu estou todo coberto com
sangue, Isabelle. Não.”
Uma expressão de dor atravessou o rosto dela. “Mas nós todos estivemos procurando por você...mamãe e
papai, eles...”
“Isabelle!”
Jace gritou, mas era tarde demais: Uma enorme aranha demônio elevou-se atrás dela jogando veneno
amarelo de suas presas. Isabelle gritou enquanto o veneno atingia ela, mas seu chicote se atirou com uma
velocidade cega, cortando o demônio ao meio. Ele estrondou no convés em dois pedaços, e então sumiu.
Jace se arremessou em direção a Isabelle enquanto ela caia a frente. Seu chicote escorregou de sua mão
enquanto ele segurava ela, deitando ela sem jeito contra ele. Ele podia ver o quanto de veneno tinha pego
nela: ele tinha espalhando a maioria sobre sua jaqueta, mas algum dele se espalhou na garganta dela, e onde
ele tocava, a pele queimava e fritava. Mal audível, ela choramingou – Isabelle que nunca tinha demonstrado
dor.
“Dê ela para mim.” Era Alec, largando sua arma enquanto ele se apressava para ajudar sua irmã. Ele pegou
Isabelle dos braços de Jace e baixou ela gentilmente para o convés. Ajoelhando-se ao lado dela, estela na
mão, ele olhou acima para Jace. “Mantenha longe o que quer que venha enquanto eu curo ela.”
Jace não podia arrastar seus olhos para longe de Isabelle. Sangue jorrava de seu pescoço abaixo para a
jaqueta dela, ensopando seu cabelo. “Nós temos que tirá-la deste barco,” ele disse asperamente.”Se ela ficar
aqui...”
“Ela irá morrer?” Alec tinha traçado a ponta de sua estela tão gentilmente quanto ele podia sobre o pescoço
de sua irmã. “Nós todos iremos morrer. Há muitos deles. Nós estamos sendo massacrados. A inquiridora
mereceu morrer por isso – tudo isso é culpa dela.”
“Um demônio Scorpios tentou me matar,” Jace disse, se perguntando por que ele estava dizendo isso, por
que ele estava defendendo alguém que ele odiava.” A inquiridora ficou em seu caminho. Salvou a minha
vida.”
Ela salvou?” Espanto estava claro no tom de Alec. “Por que?”
“Eu acho que ela decidiu que valia a pena me salvar.”
“Mas ela sempre...” Alec se interrompeu, sua expressão mudando para uma de alarme.”Jace, atrás de
você...dois deles...”
Jace girou. Dois demônios estavam se aproximando: Um Ravener, com seu corpo como de jacaré e dentes
serrilhados, sua calda de escorpião curvando em direção acima em suas costas, e um Drevak, sua carne de
verme pálida esbranquiçada brilhando na luz do luar. Jace ouviu Alec, atrás dele, sugar em uma respirar
alarmado; então Samandiriel deixou sua mão, cortando um caminho prateado através do ar. Ela cortou
através da cauda do Ravener, bem abaixo do saco de veneno suspenso no fim de seu longo ferrão.
O Ravener uivou. O Drevak se virou, confundido e recebeu o saco cheio de veneno no rosto. O saco
arrebentou, encharcando o Drevak em veneno. Ele emitiu um único grito distorcido e se dobrou, sua cabeça
destruída para o osso. Sangue e veneno espalhou no convés enquanto o Drevak desaparecia. O Ravener, o
sangue jorrando do pedaço de sua cauda, arrastou-se por mais alguns passos a frente antes dele, também,
desaparecer.

Jace se curvou e pegou Samandiriel cuidadosamente. O metal do convés estava ainda fervendo onde o
veneno do Ravener tinha se derramado, pipocando ele com minúsculos buracos difusos como gaze.
“Jace.” Alec estava em seus pés, segurando uma pálida mas em pé Isabelle pelo braço. “Nós precisamos
tirar Isabelle daqui.”
“Tudo bem,” Jace disse. “Você tira ela daqui. Eu estou indo lidar com isso.”
“Com o quê?” Alec disse, confuso.
“Com isso,” Jace disse novamente, e apontou. Algo estava vindo em direção a eles através da fumaça e
chamas, algo enorme, encurvado, e sólido. Facilmente cinco vezes o tamanho de qualquer outro demônio no
navio, ele tinha um corpo blindado, muitos membros, cada extremidade terminando em uma afiada garra de
quitina*. Seus pés eram os pés de elefante, enormes e dilatados. Ele tinha a cabeça de um mosquito gigante,
Jace viu enquanto ele se aproximava, completo com olhos de inseto e um pendente tubo** de alimentação
vermelho sangue.
*N/T: Quitina(chitinous):parte integrante do exoesqueleto de artrópodis, e forma: unhas, cabelos, cascos,
chifres..etc. ** tubo (tube) ficou esquisito mais o termo científico é Probóscide e na pontinha fica o labelo.
...tradução também é cultura!
Alec sugou em sua respiração. “Que inferno é esse?”
Jace pensou por um momento.“Grande,” ele disse finalmente. “Muito.”
“Jace...”
Jace se virou e olhou para Alec, e então para Isabelle. Alguma coisa dentro dele disse que esta poderia ser
muito bem a última vez que ele via eles, e mesmo assim ele não estava com medo, nem por si mesmo. Ele
queria dizer algo para eles, talvez que ele os amava, que qualquer um deles valia mais para ele do que mil
Instrumentos Mortais e o poder que eles podiam trazer. Mas as palavras não vieram.
“Alec,” ele ouviu a si mesmo dizer. “Leve Isabelle para a escada, agora, ou todos nós vamos morrer.”
Alec encontrou seu olhar e segurou ele por um momento. Então ele acenou e impulsionou Isabelle, ainda
protestando, em direção a escada. Ele ajudou ela a subir e então acima, e com imenso alívio Jace viu a
cabeça escura dela desaparecer enquanto ela começava a descer a escada. E agora você, Alec, ele pensou.
Vá.
Mas Alec não estava indo. Isabelle, agora fora da vista, gritou afiadamente enquanto seu irmão saltava de
volta pela grade, no convés do navio. Sua lança deitada agora no convés onde ela tinha jogado ela; ele a
agarrou agora e se moveu para ficar próximo a Jace e enfrentar o demônio enquanto ele vinha.
Ele nunca chegou tão longe. O demônio, transportando-se abaixo para Jace, fez um súbito desvio e se
apressou em direção a Alec, seu sangrento tubo de alimentação chicoteando para frente e para trás
esfomeadamente. Jace se adiantou para bloquear Alec, mas o convés de metal que ele estava em pé,
apodrecido com o veneno, desabou debaixo dele. Seus pés mergulharam através e ele caiu duramente contra
o pavimento.
Alec teve tempo de gritar o nome de Jace, e então o demônio estava sobre ele. Ele o apunhalou com sua
lança, mergulhando o fim afiado em profundidade dentro da carne do demônio. A criatura elevou-se para
trás, gritando um berro estranhamente humano, sangue preto respingando da ferida. Alec recuou, alcançando
por outra arma, no momento em que a garra do demônio chicoteou ao redor, acertando ele para o convés.
Então seu tubo de alimentação se envolveu em torno dele.

De algum lugar, Isabelle estava gritando. Jace lutou desesperadamente para puxar suas pernas para o convés;
cantos afiados de metal o apunhalavam enquanto ele se libertava e escalava para seus pés.
Ele levantou Samandiriel. Luz resplandeceu brotando da lâmina serafim, brilhante como uma estrela
cadente. O demônio hesitou para trás, fazendo um baixo som sibilante. Ele relaxou seu aperto em Alec e por
um momento Jace pensou que ele poderia estar o libertando. Então ele chicoteou sua cabeça para trás com
uma súbita, velocidade surpreendente e arremessou Alec com imensa força. Alec acertou o escorregadio e
ensangüentado convés duro, derrapando através dele – e caiu, com um único grito rouco, por cima da lateral
do navio.
Isabelle estava gritando o nome de Alec; seus gritos eram como estacas sendo direcionadas para as orelhas
de Jace. Samandiriel ainda estava queimando em sua mão. Sua luz iluminava o demônio se aproximando
silenciosamente em direção a ele, seu olhar de inseto brilhante e predatório, mas tudo o que ele podia ver era
Alec; Alec caindo por cima da lateral do navio, Alec afundando na água preta muito embaixo. Ele pensou
que ele tinha provado a água do mar em sua própria boca, ou isso poderia ter sido sangue. O demônio estava
quase nele; ele levantou Samandiriel em sua mão e a lançou – o demônio gritou, um alto, som agonizante – e
então o convés cedeu abaixo de Jace com um rangido de metal desmoronando e ele caiu na escuridão.

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