sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Série Instrumentos Mortais - Cidade das Cinzas 11

11 – Fumaça e Aço
A unidade de terapia intensiva do hospital Beth Israel sempre lembrava a Clary fotos que ela tinha visto da
Antártida: Ela era fria e remota, e tudo era sempre cinza, branco ou azul pálido. As paredes do quarto de sua
mãe eram brancas, os tubos que serpenteavam em torno da cabeça dela e as inúmeras e bipantes caixas de
instrumentos ao redor da cama eram cinza, o cobertor puxado ao redor de seu peito era azul pálido. O rosto
dela estava branco. A única cor no quarto era seu cabelo vermelho, estendido em todo a extensão nevada do

travesseiro como uma brilhante bandeira fora lo lugar, plantada no pólo sul.
Clary se perguntou como Luke estava fazendo para pagar por este quarto particular, de onde o dinheiro tinha
vindo e como ele conseguiu ele. Ela se considerou em perguntar a ele quando ele voltasse da compra na
máquina de café em uma pequena cafeteria no terceiro andar. O café que vinha da máquina lá parecia com
alcatrão e tinha gosto disso também, mas Luke parecia viciado nessas coisas.
As pernas de metal da cadeira ao lado da cama chiaram pelo chão quando Clary a puxou e sentou
lentamente, alisando sua saia sobre suas pernas. Sempre que ela vinha ver sua mãe ela se sentia nervosa e
com a boca seca, como se ela estivesse prestes a ficar em problemas por alguma coisa. Talvez porque as
únicas vezes que ela tinha visto o rosto de sua mãe assim, plano e sem animação, era quando sua mãe estava
prestes a explodir com raiva.
“Mãe,” ela disse. Ela se aproximou e tomou a mão esquerda de sua mãe; havia ali uma marca de picada
acima do punho, onde Valentine tinha enfiado um tubo na ponta. A pele da mão de sua mãe – sempre
calejada e gretada, salpicada com tinta e terebintina – parecia como a casca seca de uma árvore. Clary
dobrou seus dedos ao redor dos de Jocelyn sentindo um nó duro vindo em sua garganta. “Mãe, eu...” Ela
limpou sua garganta. “Luke disse que você pode me ouvir. Eu não sei se isso é verdade ou não . De qualquer
modo eu vim porque eu precisava falar com você. Olha, o negócio é, é que...” Ela engoliu de novo e olhou
em direção a janela, a faixa de céu azul visível no canto da parede de tijolos que dava de frente ao hospital.
“É Simon. Algo aconteceu com ele. Algo que foi a minha culpa.”
Agora que ela não estava olhando para o rosto do seu mãe, a história jorrou fora dela, tudo isso: como ela
conheceu Jace e os outros Caçadores de Sombras, a procura pela Taça Mortal, a traição de Hodge e a batalha
de Renwick, a descoberta que Valentine era seu pai tanto quanto era de Jace. Mais dos recentes eventos
também: a visita a noite na Cidade do Osso, a Alma da Espada, o ódio da Inquiridora por Jace, a mulher com
o cabelo prata; E então ela disse a sua mãe sobre a Corte de Seelie, sobre o preço que a Rainha tinha exigido,
e o que aconteceu a Simon mais tarde. Ela podia sentir as lágrimas queimando em sua garganta enquanto ela
falava, mas era uma alívio dizer aquilo, desabafar com alguém, mesmo que esse alguém não pudesse ouví-
la.
“Então, basicamente,” ela disse.”Eu ferrei tudo pra valer. Eu me lembro de você me dizendo que crescer
acontece quando você começa tendo coisas que você olhara para trás e desejará que pudesse mudar. Eu acho
que significa que eu cresci agora. É só que...que eu....” eu pensei que você estaria lá quando eu fizesse. Ela
sufocou em lágrimas justo quando alguém atrás dela limpou sua garganta.
“Há quanto tempo você está aí de pé?”
“Não muito tempo,” ele disse. “Eu te trouxe café.” Ele segurou o copo mas ela acenou ele para longe.
“Eu odeio esse negócio. Ele tem gosto de pés.”
Com aquilo ele sorriu. “Como você sabe que isso tem gosto de pés?”
“Eu apenas sei.” Ela se inclinou a frente e beijou a bochecha fria de Jocelyn antes de se levantar. “Tchau,
mãe.”
A caminhonete azul de Luke estava estacionada no estacionamento embaixo do hospital. Eles tinham ido
para a rodovia FDR antes que ele falasse.
“Eu ouvi o que você disse no hospital.”

“Eu achei que você estava na escuta,” Ela falou sem raiva. Não havia nada que ela tinha dito à sua mãe que
Luke não pudesse saber.
“O que aconteceu com Simon não foi sua culpa.”
Ela ouviu as palavras, mas ela pareciam saltarem fora dela como se tivesse uma parede invisível ao redor
dela. Como a parede que Hodge tinha construído em torno dela quando ele tinha traído ela por Valentine,
mas daquela vez ela não podia ouvir nada através daquilo, não podia sentir nada através dela também. Ela
estava em um entorpecimento como se ela tivesse sido lacrada em gelo.
“Você me ouviu Clary?”
“É uma coisa legal para se dizer, mas é claro que aquilo foi minha culpa. Tudo o que aconteceu a Simon foi
minha culpa.”
“Porquê ele estava com raiva de você quando ele voltou para o hotel? Ele não voltou ao hotel porquê ele
estava com raiva de você, Clary. Eu ouvi falar de situações como esta antes. Eles chamam eles de 'Novatos
da escuridão'*, aqueles que são os semi-transformados. Ele teria sentido atraído de volta ao hotel pela
compulsão que ele não podia controlar.”
*N/T:Darklings pode ter duas coisas para esta palavra: criaturas que são da escuridão - em relação a games
e Darklings como um variação de Fledgling que significa novato, inexperiente, principiante.
“Por que ele tinha o sangue de Raphael nele. Mas isso nunca teria acontecido também se não fosse por mim.
Se eu não tivesse levado ele a festa...”
“Você pensou que ele estaria a salvo lá. Você não pôs ele em nenhum perigo que você não teria colocado a si
mesma. Você não pode se torturar desse jeito,” Luke disse, virando na Ponte do Brooklyn. A água deslizava
debaixo deles em folhas de cinza prateado. “Não há nenhum propósito nisso.”
Ela desmoronou devagar em seu assento, curvando seus dedos nas mangas de seu casaco de capuz verde de
tricô. Suas beiradas estavam desgastadas e os fios picavam em sua bochecha.
“Olha,” Luke continuou. “ Em todos esses anos que eu conheço ele, tinha sempre havido exatamente um
lugar que Jace queria estar, ele sempre lutou como louco para ter certeza de chegar lá e ficar lá.
“E onde é isso?”
“Onde quer que você esteja,” Luke disse. “ Lembra quando você caiu daquela árvore na fazenda quando
você tinha dez, e quebrou seu braço? Lembra de como ele fez que levassem ele de carona dentro da
ambulância, a caminho do hospital? Ele chutou e gritou até que eles deixassem.”
“Você riu,”Clary disse se lembrando, “e minha mãe acertou você em seu ombro.”
“Era difícil não rir. Determinação como aquela aos dez anos é uma coisa de se ver. Ele era como um
pitbull.”
“Se pitbulls usassem óculos e fossem alérgicos a erva daninha.”
“Você não pode por um preço nesse tipo de lealdade,” Luke disse, mais seriamente.
“Eu sei. Não me faça me sentir pior.”
“Clary, eu estou dizendo a você que ele fez suas próprias decisões. Que você esta culpando a si mesma por

ser o que você é. E isso não é culpa de ninguém e nada que você possa mudar. Você disse a ele a verdade, e
ele fez a sua própria cabeça que precisava fazer algo sobre isso. Todo mundo tem escolhas a fazer; ninguém
tem o direito de tirar aquelas escolhas de nós. Nem mesmo por amor.”
“Mas esse é o problema.” Clary disse, “Quando você ama alguém, você não tem uma escolha.” Ela pensou
no jeito com seu coração se contraiu quando Isabelle lhe telefonou para dizer que Jace tinha sumido. Ela
deixou a casa sem um momento de hesitação ou pensamento.”O amor tira suas escolhas.”
“Isso é muito melhor do que ter alternativa.” Luke guiou a caminhonete para Flatblush. Clary não
respondeu, apenas olhou entediadamente fora da janela. A área pouco depois não era uma das mais partes
bonitas do Brooklyn; ambos os lados da avenida era alinhadas com feios prédios comerciais e lojas de
oficina. Normalmente ela odiava isso, mas agora a vizinhança combinava com seu humor. “ Então, você já
tem...?” Luke começou, aparentemente decidindo que era hora de mudar de assunto.
“Simon? Sim, você sabe que eu tenho.”
“Na verdade, eu ia dizer Jace.”
“Oh.” Jace tinha ligado para seu celular várias vezes e deixado mensagens. Ela não tinha pegado ou ligado
de volta. Não falar com ele era sua penitência para o que aconteceu a Simon. Essa era a pior forma que ela
podia pensar em punir a si mesma. “ Não, eu não.”
A voz de Luke estava cuidadosamente neutra. “Você pode querer. Só para ver se ele está bem. Ele
provavelmente está tendo um péssimo momento, considerando...”
Clary se deslocou em seu assento. “Eu pensei que você tinha checado com Magnus. Eu ouvi você falando
com ele sobre Valentine e toda a coisa sobre a inversão da Alma da Espada. Eu tenho certeza que ele diria a
você se Jace não estivesse bem.”
“Magnus pode me assegurar sobre a saúde física de Jace. Sua saúde mental, por outro lado...”
“Esqueça, eu não vou ligar para Jace.” Ela ouviu a frieza em sua própria voz e estava quase chocada consigo
mesma. “Tenho que estar lá para Simon agora. E isso não é porque a saúde mental dele é tão importante
também.
Luke suspirou.”Se ele está tendo problemas vindos dos termos de sua condição, talvez ele devesse...”
“É claro que ele está tendo problemas!” Ela atirou a Luke um olhar acusador, apesar de ele estar se
concentrando no tráfego e não ter notado. “Você de todas as pessoas deveria entender o que é como ...”
“Acordar um monstro um dia?” Luke não parecia amargo, apenas cansado.”Você está certa, eu entendo. E se
ele sempre quiser falar comigo, eu ficaria feliz em dizer a ele tudo sobre isso. Ele vai passar por isso, mesmo
se ele pensar que não.”
Clary fez uma careta. O sol estava se firmando bem atrás deles, fazendo com que o espelho retrovisor
brilhasse como ouro. Os olhos dela piscaram com a luminosidade. “ Não é a mesma coisa,” ela disse. “Pelo
menos você cresceu sabendo que lobisomens eram reais. Antes que ele possa dizer a alguém que ele é um
vampiro, ele vai ter que convencê-los que os vampiros existem em primeiro lugar.”
Luke pareceu como se fosse disse alguma coisa sobre isso, então ele mudou de idéia.”Eu tenho certeza que
você está certa.” Eles estavam em Williamsburg agora, dirigindo abaixo da Avenida Kent meio vazia,
armazéns surgiam acima deles de ambos os lados. “Contudo. Eu peguei uma coisa para ele. Está no porta-
luvas. Só em caso...”

Clary bateu o compartimento aberto e franziu as sobrancelhas. Ela tirou um panfleto brilhante dobrado,
'Como se assumir com seus pais',” ela fechou ele alto. “LUKE. Não seja ridículo. Simon não é gay, ele é um
vampiro.”
“Eu reconheço isso, mas tudo no panfleto sobre dizer aos pais as difíceis verdades sobre você mesmo que
eles podem não aceitar. Talvez ele pudesse adaptar um dos discursos, ou apenas ouvir os conselhos em
geral...”
“Luke!” Ela falou tão estridente que ele puxou a caminhonete numa freada com uma alto guinchar dos
freios. Eles estavam justo em frente a casa dele, a água no East River brilhava sombriamente a direita deles,
o céu listrado com fuligem e sombras. Outra sombra mais escura encurvava-se na varanda da frente de Luke.
Luke estreitou seus olhos. Na forma de lobo, ele disse a ela, sua visão era perfeita; na forma humana, ele
continuava míope. “Será que...”
“Simon. Sim.” Ela sabia que era ele mesmo pelo contorno.”Seria melhor eu ir falar com ele.”
“Claro. Eu vou, ah, dar uma volta. Eu tenho coisas a pegar.”
“Que tipo de coisas?”
Ele lhe acenou a distância. “Coisas de alimento. Eu vou estar de volta em meia hora. Entretanto, não fique
do lado de fora. Entre em casa e tranque.
“Você sabe que eu vou.”
Ela observou enquanto a caminhonete se afastava para longe, então se virou em direção a casa. Seu coração
estava pulando. Ela tinha falado com Simon por telefone algumas vezes mas ela não tinha visto ele desde
que eles trouxeram ele, grogue e respingado de sangue, para a casa de Luke nas primeiras horas daquela
horrível manhã para se limpar antes dele ir para a casa. Ela pensou que ele devia ir ao Instituto, mas claro
que aquilo era impossível. Simon nunca iria ver o interior de uma igreja ou sinagoga de novo.
Ela tinha observado ele andando no caminho da sua porta da frente, ombros arqueados a frente como se ele
estivesse andando contra um forte vento. Quando a luz da varanda acendeu automaticamente, ele esquivou-
se dela, e ela sabia que era porque ele tinha pensado que ela era a luz do sol; e ela começou a chorar,
silenciosamente no banco traseiro da caminhonete, as lágrimas espalhando abaixo na estranha marca preta
em seu antebraço.
“Clary,” Jace tinha sussurrando, e se aproximou da mão dela, mas ela tinha recuado dele, exatamente como
Simon tinha recuado da luz. Ela não tocaria nele. Ela nunca tocaria nele novamente. Está era a sua pena, o
seu pagamento pelo o que ela tinha feito a Simon.
Agora, enquanto ela se elevava nos degraus da varanda de Luke, sua boca ficou seca e sua garganta apertada
com a pressão das lágrimas. Ela disse a si mesma que não chorasse. Chorar apenas faria ele se sentir pior.
Ele estava sentado nas sombras em um canto da varanda, observando ela. Ela podia ver o brilho de seus
olhos na escuridão. Ela se perguntou se eles tinham tido aquele tipo de luz neles antes; ela não podia se
lembrar. “Simon?”
Ele ficou em pé em um simples e gracioso movimento suave que enviou uma tremor acima da coluna dela.
Havia uma coisa que Simon nunca tinha sido, e que era gracioso. Havia algo mais nele, algo diferente...

“Desculpe se eu assustei você.” Ele falou cuidadosamente, quase formalmente, como se eles fossem
estranhos.
“Está tudo bem, é só...Há quanto tempo você está aqui?”
“Não muito. Eu só posso me sair depois que o sol começa a abaixar, se lembra? Eu acidentalmente pus
minha mão a centímetros fora da janela ontem e quase carbonizei meus dedos. Felizmente eu curo rápido.”
Ela tateou por sua chave, destrancando a porta, movendo ela aberta. A pálida luz se derramou na varanda. “
Luke disse que deveríamos ficar lá dentro.”
“Porque as coisas nojentas,” Simon disse se empurrando passando por ela,”elas saem no escuro.”
A sala de estar estava cheia da morna luz amarela; Clary fechou a porta atrás deles e trancou o ferrolho. O
casaco azul de Isabelle ainda estava pendurado em um ganço na porta. Ela pretendia levá-lo a uma
lavanderia para ver se eles podiam tirar as manchas de sangue, mas ela não tinha tido uma oportunidade. Ela
olhou para aquilo por um instante, se endurecendo, antes de virar para olhar para Simon.
Ele estava parado no meio da sala, as mãos fracamente nos bolsos de seu casaco. Ele estava usando jeans e
uma camiseta desgastada Eu amo Nova York que tinha pertencido ao pai dele. Tudo nele era familiar para
Clary, e ainda parecia como um estranho.” Seus óculos,” ela disse, tardiamente percebendo o que tinha
parecido estranho para ela na varanda. “Você não está usando eles.”
“Você já viu um vampiro usar óculos?”
“Bem, não mas...”
“Eu não preciso deles mais. Perfeita visão parece que vem com o território.” Ele sentou no sofá e Clary se
juntou a ele, sentando-se ao lado dele mas não muito perto. De perto ela podia ver como a pele pálida
parecia,traços azuis de veias apareciam logo abaixo da superfície. Os olhos sem os óculos pareciam grandes
e escuros, os cílios como chicotes de tinta preta.”É claro que eu ainda tenho que usar eles em minha casa ou
minha mãe iria surtar. Eu vou ter que dizer a ela que eu estou usando lentes.”
“Você tem que dizer a ela, e ponto final.”Clary disse, mais firme do que ela sentia. “Você não pode esconder
sua...sua condição para sempre.”
“Eu posso tentar.” Ele passou uma mão através do cabelo escuro, sua boca contorcendo.” Clary, o que eu
vou fazer? Minha mãe continua me trazendo comida e eu tenho que jogá-la pela janela – eu não tenho ido
pra fora há dois dias, mas eu não sei o quanto eu consigo continuar fingindo que eu tenho uma gripe. Daqui
a pouco ela vai me levar a um médico, e então o que? Eu não tenho batimento cardíaco. Ele vai dizer a ela
que eu estou morto.”
“Ou prescrever que você é um milagre da medicina,” Clary disse.
“Isso não tem graça.”
“Eu sei. Eu só estou tentando...”
“Eu continuo pensando em sangue,” Simon disse. “Eu sonho com ele. Acordo pensando nele. Muito em
breve eu vou estar escrevendo uma poesia mórbida emo sobre ele.”
“Você não tem aquelas garrafas que Magnus deu a você? Você não está saindo por aí, está?

“Eu tenho elas. Elas estão na minha mini-geladeira. Mas eu só tenho três últimas.” Sua voz soou aguda com
a tensão. “E quando eu correr atrás.”
“Você não vai. Nós iremos conseguir mais,”Clary disse, com mais confiança do que ela sentia. Ela supôs
que sempre poderia ir amigavelmente ao fornecedor local de Magnus de sangue de cordeiro, mas todo esse
negócio fez ela nauseada. “Olha Simon, Luke acha que você deveria dizer a sua mãe. Você não pode
esconder isso dela pra sempre.”
“Posso muito bem tentar.”
“Pense em Luke,” ela disse desesperadamente.” Você ainda pode viver uma vida normal.”
“E o que dizer de nós? Você quer um namorado vampiro?” Ele riu amargamente. “Por que eu prevejo muitos
encontros românticos em nosso futuro. Você bebendo uma pina colada virgem*. Eu bebendo o sangue de
uma virgem.”
*N/T: Pina Colada Virgem: Coquetel de frutas sem álcool da região de Porto Rico.
“Pense nisso como um obstáculo,” Clary instou.” Você tem que aprender a trabalhar sua vida em torno disso.
Muita gente faz isso.”
“Eu não tenho certeza se eu sou uma pessoa. Não mais.”
“Você é para mim.” ela disse.” De qualquer modo, ser um humano é extremamente valorizado.”
“Pelo menos Jace não pode me chamar mais de mundano. O que você está segurando?” ele perguntou,
reparando no panfleto ainda enrolado na mão esquerda dela.
“Ah, isso?” Ela segurou ele acima.”Como se assumir com seus pais.”
Ele esbugalhou seus olhos. “É alguma coisa que você precisa me dizer?”
“Isso não é para mim. É para você.”Ela o deu para ele.
“Eu não tenho que me assumir para minha mãe,” Simon disse. “Ela já pensa que eu sou gay porque eu não
me interesso por esporte e eu não tenho uma namorada séria ainda. Não que ela saiba de qualquer modo.”
“Mas você tem que se assumir como um vampiro,” Clary apontou. “Luke pensou que talvez você pudesse,
você sabe, utilizar uma das sugestões do discurso no panfleto, exceto use a palavra 'morto-vivo ao invés
de...”
“Saquei, saquei.” Simon abriu o panfleto. “Aqui, eu vou praticar em você.” Ele limpou sua garganta. “Mãe.
Eu tenho algo pra te dizer. Eu sou um morto-vivo. Agora, eu sei que você pode ter noções pré-concebidas
sobre o morto-vivo. Eu sei que você pode não se sentir confortável com a idéia de eu estar sendo um morto-
vivo. Mas eu estou aqui para te dizer que os mortos-vivos são pessoas como eu e você.”Simon interrompeu.”
Bem, ok. Possivelmente é mais como eu do que com você.”
“SIMON.”
“Tudo bem, tudo bem.” Ele continuou. “A primeira coisa que você precisa entender é que eu sou a mesma
pessoa. Eu sempre fui. Ser um morto-vivo não é a coisa mais importante para mim. É apenas parte do quem
eu sou. A segunda coisa que você tem que saber é que isso não é uma escolha. Eu nasci desse jeito” Jace
olhou de soslaio para ela por cima do panfleto.” Desculpe, eu renasci desse jeito.”

Clary suspirou. “Você não está tentando.”
“Finalmente eu posso dizer a ela que ela pode me enterrar em um cemitério judeu.” Simon disse
abandonando o panfleto.”Talvez eu deva começar por baixo. Dizer a minha irmã primeiro.”
“Eu vou com você se você quiser. Talvez eu possa ajudar elas a entenderem.”
Ele olhou acima para ela, surpreso, e ela viu as rachaduras em sua armadura de humor amargo, e o medo que
estava por baixo. “Você faria isso?”
“Eu...,”Clary começou, e foi cortada por um súbito guinchar de pneus ensurdecedor e o som de vidro se
estilhaçando. Ela saltou nos pés dela e correu para a janela, Simon ao seu lado. Ela puxou a cortina de um
lado e olhou lá fora.
A caminhonete de Luke tinha se puxado para cima do gramado, seus motor rangendo, tiras de borracha
queimada através do calçada. Um dos faróis da caminhonete estava brilhando; o outro tinha sido esmagado e
havia uma mancha escura na grade da frente dele, e alguma coisa dobrada, branca e imóvel deitada abaixo
dos rodas da frente. A bile subiu na garganta de Clary. Luke tinha atropelado alguém? Mas não –
impacientemente ela limpou o glamour de sua visão como se ela estivesse limpando a sujeira de uma janela.
A coisa embaixo das rodas de Luke não era humana. Ela era aplainada, branca quase larval, e enrolava-se
como um verme pregado em uma tábua.
A porta do lado do motorista se abriu e Luke saltou. Ignorando a criatura depositada debaixo das rodas dele,
ele lançou-se através do gramado para a varanda. Seguindo ele com seu olhar, Clary viu o que era a forma
escura esparramada nas sombras de lá. Esta forma era humana – pequena, com luz, o cabelo trançado...
“É aquela garota lobisomem. Maia.” Simon soou atônito. “O que aconteceu?”
“Eu não sei.” Clary agarrou sua estela em cima de uma estante. Eles se precipitaram pelos degraus, e
lançaram-se nas sombras onde Luke se encurvava, as mãos dele nos ombros de Maia, elevando ela e a
sustentando contra a lateral da varanda. Mais de perto, Clary pôde ver que a frente da camisa dela estava
rasgada e havia uma ferida em seu ombro gotejando um lento pulsar de sangue.
Simon estancou. Clary, quase bateu nele, deu um suspiro de surpresa e lhe atirou um olhar raivoso antes que
ela percebesse. O sangue. Ele estava com medo dele, com medo de olhar para ele.
“Ela está bem,” Luke disse, quando a cabeça de Maia rolou e ela gemeu. Ele bateu nas bochechas dela
levemente e os olhos dela flutuaram se abrindo. “Maia, Maia, você pode me ouvir?”
Ela piscou e acenou, parecendo confusa. “Luke?” ela sussurrou. “O que aconteceu?” Ela se encolheu. “Meu
ombro...”
“Vamos lá. É melhor você entrar.” Luke içou ela em seus braços, e Clary se lembrou que ela sempre achou
ele surpreendentemente forte para alguém que trabalhava em uma livraria. Ele tinha colocado abaixo todo
aquele reboque de caixas pesadas. Agora ela sabia bem. “Clary. Simon. Vamos lá.”
Eles seguiram atrás para dentro, onde Luke deitou Maia no esfarrapado sofá cinza de camurça. Ele mandou
Simon ir atrás de um cobertor e Clary para a cozinha por uma toalha molhada. Quando Clary retornou, ela
encontrou Maia apoiada contra uma das almofadas, parecendo ruborizada e febril. Ela estava conversando
rapidamente e nervosamente com Luke. “Eu estava chegando pelo gramado quando - eu cheirei alguma
coisa. Algo podre, como lixo. Eu me virei e aquilo me acertou...”
“O que acertou você?” Clary disse, Luke lhe entregando a toalha.

Maia franziu as sobrancelhas. “Eu não vi ele. Ele me bateu e então...eu tentei chutá-lo, mas ele era muito
rápido...”
“Eu vi ele,” Luke disse, sua voz seca. “Eu estava dirigindo para casa e ví você atravessando o gramado – e
então eu vi ele seguindo você, nas sombras dos seus calcanhares. Eu tentei gritar por você pela janela, mas
você não me ouviu. Então ele te golpeou.”
“O que estava seguindo ela?” Perguntou Clary.
“Era um demônio Drevak, Luke disse, sua voz sombria. “Eles são cegos. Eles seguem pelo cheiro. Eu dirigi
o carro por cima do gramado e atropelei ele.”
Clary olhou fora pela janela a caminhonete. A coisa que tinha estado se debatendo debaixo das rodas tinha
ido, sem surpresa – demônios sempre voltam as suas dimensões quando eles morrem. “ Porque ele atacou
Maia?” Ela deixou cair sua voz enquanto pensava no que ocorreu a ela: “Você acha que foi Valentine?
Procurando por sangue de um lobisomem para seu feitiço? Ele foi interrompido da última vez...”
“Eu acho que não.” Luke disse, para sua surpresa. “Demônios Drevak não são sugadores de sangue e eles
definitivamente não podem causar o tipo de dano que você viu na Cidade do Silêncio. A maioria deles são
espiões e mensageiros. Acho que Maia apenas ficou em seu caminho.” Ele dirigiu seu olhar para Maia, que
gemia suavemente, seus olhos fechados. “ Você pode puxar sua manga para eu poder ver seu ombro?”
A garota lobisomem mordeu seu lábio e acenou, então alcançou acima para arregaçar a manga de seu suéter.
Havia um longo arranhão bem abaixo do ombro. Sangue tinha secado para uma crosta em seu braço. Clary
sugou sua respiração quando ela viu que o corte entalhado vermelho estava alinhados com o que parecia
como finas linhas pretas tocando grotescamente fora da pele.
Maia olhou abaixo de seu braço com óbvio horror. “O que é isso?”
“Demônios Drevak não tem dentes; eles tem espinhos venenosos em suas bocas,” Luke disse.”Alguns desses
espinhos devem ter quebrado em sua pele.”
Os dentes de Maia começaram a bater.”Veneno?” Eu vou morrer?”
“Não se trabalharmos rápido,” Luke assegurou a ela.” Vou ter que puxá-los, apesar de que eles vão
machucar. Você acha que agüenta?”
O rosto de Maia se contorceu em uma careta de dor. Ela conseguiu acenar. “Apenas...tire eles de mim.”
“Tirar o que?” Simon perguntou, entrando na sala com um cobertor enrolado. Ele deixou cair o cobertor
quando ele viu o braço de Maia, e deu um passo involuntário para trás. “ O que é isso?”
“Enjoado com sangue, mundano?” Maia disse, com um pequeno e retorcido sorriso. Então ela arfou. “Oh,
isso doí..”
“Eu sei,” Luke disse, gentilmente envolvendo a toalha ao redor da parte mais baixa do braço dela. Do seu
cinto ele puxou uma faca de lâmina fina. Maria deu uma olhada na faca e apertou seus olhos fechados.
“Faça o que você precisa,” ela disse em uma voz pequena.” Mas...eu não quero os outros olhando.”
“Eu entendo.” Luke se virou para Simon e Clary. “Vão para a cozinha, vocês dois,” ele disse.”Liguem para o
Instituto. Diga a eles o que aconteceu e mandem eles enviar alguém. Eles não podem mandar alguém dos

Irmãos, então alguém preferivelmente com treinamento médico, ou um bruxo.” Simon e Clary olharam para
ele, paralisados com a visão da faca e o braço levemente arroxeado de Maia. “Vão!” ele disse, mais
severamente, e dessa vez eles foram.

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