quinta-feira, 18 de julho de 2013

insac - mg - 10-11-12

Capítulo Dez
6:30 da manhã. EST, Terça-Feira, 13 de Abril
Park Avenue, 910
Nova York, Nova York
Meena golpeou o botão de Subir e em seguida olhou em volta,
furtivamente. Ela estava cansada depois de seu longo dia e esperava
que uma coisa - somente essa pequena coisa - fosse para seu
caminho.
E a coisa era escorregar para o elevador do prédio em que morava
sem ter de pegá-lo com sua vizinha Mary Lou, para que ela pudesse
ter a corrida de onze andares até o seu piso em um silêncio
repousante.
O edifício de Meena - 910 Park Avenue - era elegante, com um
porteiro que guardava as portas de bronze brilhantes, um hall de
entrada de mármore, um candelabro de cristal e uma garagem
subterrânea com vagas de estacionamento para todos os moradores
pudessem pagar um adicional de $500 por mês (embora Meena
preferisse investir esse dinheiro em uma certa bola Marc Jacobs de
dragão com pedras-preciosas incrustradas... se ela pudesse bancar
um extra de $500 por mês, que ela não podia).
Mas seu apartamento não fazia exatamente jus à elegância do
edifício: precisava de uma repintura; a moldura ao longo do teto
estava desmoronando; o piso de assoalho precisava de uma lixa; a
lareira antiga não funcionava; e as portas francesas que levavam à
varanda minúscula, a qual dava para ver o terraço de sua vizinha
Mary Lou (que era praticamente do tamanho do apartamento todo de
Meena), estava emperrada. E ela estava saindo fora do espaço do
closet.
O importante era, ele era dela - ou pelo menos seria, quando ela
finalmente pagasse à David a sua parte do pagamento. Tinham sido
sortudos por terem o comprado quando o mercado estava no fundo
do poço e os proprietários anteriores tinham se divorciado e estavam
desesperados para vender... e também porque uma pequena herança
da tia-avó de Meena, Wilhelmina, para a qual tinha sido nomeada
(sua mãe havia escrito Meena por medo que seus professores e
colegas pudessem sempre pronunciar seu nome "Myna"), finalmente
havia vindo.
Apesar de David ter ido muito longe, Meena nunca imaginou seu
apartamento como um lugar onde ela pudesse ter um encontro
amoroso. Mas quando ela viu Shoshona sair do escritório com um
cara bonito (que agora ela percebia que devia ser o famoso Stefan
Dominic; Meena só tinha conseguido vislumbrar a parte traseira de
sua cabeça escura antes de dos dois desaparecerem no elevador para
um happy-hour), ela sentiu uma pontada de inveja.
Meena não conseguia sequer lembrar da última vez que tivera um
encontro... a menos que ela contasse a primeira - e última - vez que
deixara Mary Lou arranjá-la com um cara, alguém que era do
escritório do seu marido... aquele que Meena se sentiu obrigada em
informar, sobre o calamari, quando eles tiveram um encontro em um
dos restaurantes mais chiques da cidade, que ele precisava manter o
seu colesterol controlado, ou ia ter um ataque no coração antes de
chegar aos trinta e cinco.
É desnecessário dizer que ele nunca ligou para um segundo encontro.
Mas, com sorte, ele tinha ligado para seu médico e começado a tomar
Lipitor (remédio para controlar o colesterol).
E, ainda assim, ela continuava rezando por uma coisa que nunca,
nunca mesmo, parecia se tornar realidade.
Com a frequência de seus encontros, Meena podia muito bem ter
saído com seu vizinho.
Todas as manhãs, puf! Mary Lou aparecia, era só Meena apertar o
botão de Descer. A mesma coisa toda noite.
Era estranho.
E toda vez, qualquer esperança de ter uma descida civilizada era
destruída.
Porque então Meena era forçada a ouvir a cera entusiasmada de Mary
Lou sobre o novo cara que ela havia conhecido e que estava
convencida de que ele seria perfeito para Meena ou sobre qualquer
ideia incrível para a trama de Insatiable que ela pensara na noite
anterior.
Ah, verdade? Meena era obrigada a responder educadamente.
Obrigada, Mary Lou. Na verdade, eu estou saindo com alguém.
Alguém do meu escritório.
Ou, Não, verdade, eu vou com certeza passar sua idéia que a Victoria
Worthington Stone deve se tornar embaixadora estrangeira do Brasil
para a Fran e o Stan. Tenho certeza que eles vão adorar.
Exceto que não tinha nenhum cara do escritório com quem Meena
estava saindo (exceto Paul, platonicamente; ele estava casado e feliz
com três filhos por vinte e cinco anos), e a condessa nunca tinha,
nem uma vez, criado uma única história útil para sua personagem
favorita, Victoria Worthington Stone.
Era uma pena, porque Meena genuinamente gostava da calorosa,
talvez um pouco exagerada Mary Lou e seu marido modesto,
ligeiramente atormentado, Emil.
Era só que Meena estava começando a se sentir um pouco como Ned
deve ter se sentido no dia do seu colapso nervoso na sala de jantar
da ABN... principalmente depois que David foi embora, e Mary Lou se
tornou obcecada com a vida amorosa da Meena. Como Meena iria
trazer um namorado para casa se seu irmão mais velho estava
sempre por perto no apartamento, cozinhando fettuccine Alfredo?
Alguém só precisava dar empurrãozinho em Meena na direção certa.
E Mary Lou tinha obviamente designado a si mesma para ser esse
alguém.
Isso se tornou especialmente óbvio naquele dia, quando Meena foi
mais uma vez incapaz de cumprir seu objetivo de evitar a condessa
no elevador...
Poof!
Lá estava ela.
“Meena!” a condessa gritou. “Estou tão feliz de ter te encontrado!
Você recebeu meu e-mail? O primo do Emil, o príncipe, está vindo
para a cidade. Você vai adorar ele; ele é um escritor, que nem você.
Só que ele escreve livros, não para uma novela. Um professor de
história romena antiga, na verdade. Você recebeu meu e-mail sobre a
festa com jantar que estou dando em sua honra nessa quinta-feira,
certo? Você acha que vai conseguir ir?”
"Oh," Meena disse. "Eu não sei. Está uma loucura no trabalho-"
“Oh, seu trabalho!” Meena percebeu que deveria ter ficado de boca
calada, já que Mary Lou se aqueceu para o assunto imediatamente.
“Você trabalha demais naquele seu emprego. Não que eu não ame
cada minuto disso. Semana passada quando Victoria se agarrou com
o Padre Juan Carlos no vestíbulo depois que ela foi se confessar sobre
sua culpa de dormir com o instrutor de direção de sua filha, eu tive
que enfiar um guardanapo na minha boca para me impedir de gritar
que nem louca e assustar a empregada enquanto ela estava
passando o aspirador, de tão empolgada que eu estava. Isso foi tão
brilhante! Esse enredo foi um dos seus, não foi?”
Meena inclinou sua cabeça modestamente. Ela estava orgulhosa do
enredo Victoria-e-o-padre-sensual. É diferente quando é um padre
que está nobremente se contendo de dormir com uma mulher. Padre
Juan Carlos não tinha também o desejo de matar Victoria.
“Bem, na verdade-” ela começou a dizer, mas Mary Lou a
interrompeu.
“Ainda assim, você vai acabar se levando a menopausa precoce se
continuar se escravizando por aquele show. De qualquer forma,
escuta...”
Com um barulho as portas do elevador se abriram e Meena e a
condessa entraram para começar o que, para Meena, de qualquer
forma, seria a interminável subida.
Mary Lou então prosseguiu dando a Meena uma longa descrição do
castelo no qual o príncipe passava seus verões na Romênia. Mary Lou
era intimamente familiar com o castelo, porque era perto do castelo
no qual ela e seu marido passavam o verão por dois meses todo ano
– dois meses de felicidade durante os quais Meena era capaz de
andar de elevador sem condessa.
Pelo quinto andar, Meena estava se perguntando porque ela nunca
tinha tido um pressentimento sobre os falecimentos iminentes de
Mary Lou e seu marido Emil. Isso era estranho, realmente.
Por outro lado, isso era possível com o seu poder de prever a morte,
que havia aparecido quando ela estava entre a infância e a
adolescência e estava começando a diminuir agora que ela estava se
aproximando dos trinta (uma garota poderia sonhar).
Era mais provável, entretanto, considerando a sorte de Meena, que
estava se transformando em alguma outra coisa... vendo o
sentimento estranho que ela tinha tido sobre Leisha e seu bebê.
No décimo andar, Meena havia ouvido tudo o que ela podia sobre as
influências arquitetônicas britânicas.
"Oh, eu queria parecer como isso," Meena disse quando as portas do
elevador finalmente, e felizmente, abriram em seu andar.
"Oh, Meena," a condessa disse enquanto as duas caminhavam em
direção a suas respectivas portas. "Eu esqueci de perguntar. Como o
seu irmão está se virando?"
E lá estava. A Inclinação de Cabeça.
A Inclinação de Cabeça era acompanhada, é claro, pela Olhada
Simpática. A condessa não era estranha ao Botox, como Meena sabia
muito bem, desde que a condessa deveria ter bem mais de quarenta
anos, mas seu rosto era tão sem linhas de expressão como se ela
fosse da idade de Meena - talvez porque Mary Lou teve uma
extraordinária coleção de chapéus de quadros, assim como luvas, que
ela usava com uma frequência feroz para se manter fora do sol. Hoje
era uma mistura gigantesca de marrom.
Então, tudo estava lá, a Inclinação de Cabeça, o "onze" entre as
sobrancelhas (duas linhas enrugadas de preocupação), o franzir dos
lábios como se dissesse, Eu me importo. Profundamente. Diga-me:
Como o seu irmão está se virando?
"Jon está se virando muito bem," Meena disse com tanto entusiasmo
quanto ela conseguiu reunir, tendo em vista quantas vezes por
semana ela havia sido obrigada a repetir essa frase. "Realmente
muito bem. Trabalhando fora, lendo muito, até mesmo cozinhando.
Ele tentou uma nova receita para o jantar na noite passada. Ele fez
um imenso Bife de Laranja Chinesa para mim que ele retirou do
Times. É delicioso!"
Isso era uma completa mentira. Estava na verdade horrível e Meena
tinha ficado furiosa com Jon por ter tentado. Ele não era nenhum
grande chef. Bifes na grelha portátil da Meena na sacada eram o seu
forte, não algo que eles podiam muito bem ter pedido para
entregarem. Ela teve que jogar tudo no lixo. Meena esperava que a
condessa e seu marido Emil não tinham sentido o cheiro quando eles
voltaram de qualquer evento beneficente em que eles estavam. Eles
estavam sempre indo a – quando não estavam promovendo –
eventos de caridade, por toda a cidade, tarde da noite, e tinham seus
nomes mencionados nas páginas sociais regularmente, tanto pelos
seus generosos presentes quanto pela sua ida de festa a festa.
“Oh!” Mary Lou colocou sua mão na frente de sua jaqueta Chanel.
“Isso é ótimo. Eu admiro tanto o que você está fazendo, deixando-o
viver com você até ele se recuperar. Tão generoso. O príncipe adora
pessoas generosas, então ele vai te adorar. Claro...” Mary Lou moveu
sua mão, e o diamante de sete ou oito quilates que ela estava usando
por baixo da luva que ela tinha tirado brilhou na luz da lâmpada do
corredor. “Traga o Jon quando você vier no jantar para conhecer o
príncipe na quinta-feira à noite. Ele é também é sempre bem-vindo.
Um jovem tão encantador.”
Meena manteve um sorriso congelado no rosto.
“Bem, obrigada,” Meena disse com entusiasmo forçado. “Mas eu não
tenho certeza sobre os nossos planos. Eu te aviso. Tenha uma boa
noite!”
“Você também,” Mary Lou disse. “Au revoir!”
Uma coisa, Meena pensou enquanto corria em direção ao seu
apartamento. Uma coisa boa ainda podia acontecer com ela hoje. Ela
nunca perderia a esperança. Sem esperança, o que mais você tem?
Nada. É isso o que você tem.
Ela ainda podia achar a bolsa de dragão de rubi. Talvez online, usada
em algum lugar.
Exceto que, até mesmo usada, ela ainda seria mais cara do que ela
podia pagar. Seria egoísta e horrível da parte dela comprar algo tão
frívolo que ela obviamente não precisava, especialmente quando
tantas pessoas estavam desempregadas e mal podiam pagar comida
e tinham pessoas horríveis como o namorado de Yalena abusando
deles.
Ela nunca ia comprar a bolsa, é claro. Nem mesmo usada.
Mas era importante ter esperança.
Capítulo Onze
6:30 da tarde. EST, Terça-Feira, 13 de Abril
Park Avenue, 910, apt. 11B
Nova York, Nova York
Você tem o necessário para entrar para o Departamento de
Polícia de Nova York? Para conseguir marcar um horário com o
DPNY, você deverá passar por uma série de exames médicos, físicos
e psicológicos para determinar a sua adequação. Quer saber mais
sobre nossas exigências?
Jon, encarando a tela do computador, deu de ombros, deu outro gole
no seu Gatorade, e clicou Aprenda mais.
Candidatos devem ter pelo menos 17 anos e meio até o último dia de
dar entrada no exame para o qual eles estão candidatando-se.
“Oh, yeah,” Jon disse. “É disso que eu estou falando.”
O cachorro de Meena, Jack Bauer, ouvindo o som de uma voz
humana, pulou da sua cama de cachorro e andou rápida e
curiosamente até o sofá para ver o que estava acontecendo. Jon
inclinou sua garrafa de Gatorade na direção do cachorro em um
brinde e continuou a ler alegremente.
Candidatos não devem ter alcançado seu 35° aniversário antes ou no
primeiro dia de dar entrada no exame para o qual eles estão
candidatando-se.
“Feito,” ele disse para Jack Bauer. “Nós com certeza vamos entrar
para o DPNY!”
Jack Bauer inclinou sua cabeça como se não entendesse, sentou em
suas patas traseiras, e latiu.
“Sim.” Jon soltou seu Gatorade, pegou o telefone, e discou. Assim
que a pessoa no outro lado da linha pegou o telefone, ele disse,
“Cara. Nós vamos entrar pro DPNY.”
“O diabo que vamos,” Adam disse. “Eu estou prestes a me tornar pai.
Eu posso precisar de trabalho, mas não um em que eu receba um tiro
no traseiro. Você sabia que tem um serial killer a solta lá fora?”
“Eu tenho certeza que há vários,” Jon disse. Ele pôs seu pé tamanho
44 na mesinha de centro da sua irmã. Jack Bauer, inspirado por esse
ato, subiu no sofá, onde ele era estritamente proibido pela Meena de
sentar. Jon se moveu um pouco para dar espaço para ele. “E nós
vamos pegá-los. Porque adivinha só? O Departamento de Polícia de
Nova York? Contratando. Você só tem que ser mais velho que
dezessete anos e meio e mais novo que trinta e cinco. Bingo. Somos
nós.”
“E louco também. Você leu essa parte? Que alguém tem que ser
louco para se candidatar para ser policial nessa loucura de cidade?”
“Sim, além de um exame escrito e físico, tem uma avaliação
psicológica,” Jon disse, olhando de relance para seu laptop. “E você
pode ter problemas passando por essa parte, visto que você era um
negociador de títulos apoiados por hipotecas comerciais.”
“Você acabou?” Adam perguntou. “Porque eu tenho que desligar
agora.”
“É,” Jon disse. “Tudo bem, vai para o site do DPNY. Eu realmente
acho que a gente devia fazer isso. Nós podemos fazer algo para fazer
uma diferença, Weinberg. Nós podemos prender criminosos. Nós
podemos ajudar pequenas crianças que foram abusadas.”
“Ouça você mesmo,” Adam disse. Mas Jon podia ouvir cliques no
fundo e sabia que Weinberg estava fazendo o que ele tinha pedido.
“Criminosos. Como se você soubesse alguma coisa sobre criminosos.
Você andou assistindo The Wire de novo?”
“Estou falando sério. Pensa nisso. O que nós fazíamos em nossos
últimos empregos? Claro, nós ganhamos um monte de dinheiro, para
outras pessoas e para nós mesmos. Mas nós tocamos realmente as
vidas das pessoas de uma maneira significativa? Não.”
“Eu discordo,” Adam disse. “Eu fui encarregado do fundo de pensão
da União de Professores do Alasca.”
“E,” Jon disse, “o que aconteceu com ele, Adam?”
Adam resmungou, “Não foi minha culpa.”
“Aqueles professores vão ficar bem,” Jon disse. “Okay,
provavelmente não. Mas talvez ter sido demitido foi uma bênção
disfarçada. Essa pode ser nossa chance de devolver o que perdemos.
Ajudando pessoas que realmente precisam.”
“E carregar armas,” Adam ressaltou. “Admita, Harper. A parte que
você gosta é a parte em que nós ganhamos armas.”
“O pensamento que nós receberíamos armas de fogo e permissão
para carregá-las legalmente passou pela minha cabeça,” Jon disse.
“Mas é realmente sobre ajudar pessoas, Weinberg. Você
honestamente quer deixar esse serial killer com o qual você está
preocupado perambular por aí livre?”
“Não,” Adam disse. “Eu quero achar um emprego fazendo o que eu
fui treinado para fazer. Eu gostaria de implementar dinheiro e
estratégias não originais e executar trocas enquanto comunico
informações e tendências de market para outros profissionais de
investimento dentro da firma.”
“Sério?” Jon não conseguia esconder sua decepção. “É isso o que
você vai pôr no seu currículo?”
“É isso o que eu disse para o representante do RH no TransCarta,”
Adam disse. “O qual parece ser o único lugar que está contratando no
momento.”
“Quando você podia estar salvando vidas.”
“Deixa eu te perguntar uma coisa,” Adam disse. “Você falou disso
para a sua irmã?”
“O que você quer dizer?” Jon perguntou defensivamente.
“Eu acho que você sabe o que eu quero dizer,” Adam disse. “Eu quero
dizer, você disse para aquela sua irmã louca de pedra que você está
pensando em se candidatar para um emprego no DPNY?”
“Eu não tenho que contar para a minha irmã tudo o que eu estou
pensando em fazer,” Jon disse firmemente.
“Ah, é?” Adam riu de um jeito maléfico. “Bem, eu não vou me
candidatar para um emprego no DPNY a não ser que sua irmã diga
que ela nos vê aposentando como tenentes ou sei lá.”
Jon disse, com um jato de irritação, “Você já deveria saber que não
funciona assim com ela.”
“É,” Adam disse. “Eu acho que se fosse assim, nenhum de nós estaria
nessa situação, não é?”
Jon suspirou. O dom da sua irmã nunca havia deixado a vida
exatamente mais fácil para ele. Porque ela não poderia ser capaz de
prever os números premiados da loteria, ou que garota no bar era
mais provável que dormiria com ele, ou algo realmente útil? Ouvir as
maneiras nas quais ele poderia concebivelmente morrer eram
interessantes, Jon supunha.
Mas ele preferia começar a ser rico. Ou ficar deitado.
Jon ouviu o raspar da chave de Meena na fechadura. Jack Bauer
ouviu isso também, e rapidamente saltou do sofá para retornar à sua
cama de cão.
Jon disse, "Nós falamos disso depois. Eu preciso desligar," para
Adam, em seguida desligou o telefone e tirou os pés da mesa de café.
Meena entrou, sua face parecendo nervosa e robusta, como sempre
fazia quando voltava de qualquer lugar. Ela perguntou, "Era Jack
Bauer no sofá agora mesmo?"
"É claro que não," Jon disse, levantando. "Como foi o seu dia,
querida?"
"Foi uma droga. Eu conheci uma garota no metrô e acho que ela vai
acabar sendo vendida como uma escrava branca e depois morta."
"Legal," Jon disse sarcásticamente.
"Eu que o diga," Meena disse. "E Shoshona conseguiu o cargo de
Escritora Principal. E a emissora está obrigando-nos a fazer um
roteiro cagado de vampiros, então minha linda e totalmente
medonha-inspiradora proposta sobre o bad boy com o pai chefe da
polícia está completamente morta na chegada."
"Shoshona conseguiu o cargo de Escritora Principal?" Jon perguntou.
"Isso é uma desgraça. Você deu à garota do metrô o seu cartão, não
deu?"
"Sim," Meena disse, jogando suas chaves dentro da pequena bandeja
sobre o balcão da cozinha, que ela começou a manter ali para esse
fim depois que Jon finalmente salientou que o seu poder psíquico era
ínutil para encontrar as coisas que ela continuava perdendo. "Espero
que ela ligue."
"E Taylor?" Jon perguntou. Ele tentou manter a voz casual. Ele tinha
uma atração por Taylor Mackenzie - que sua irmã tinha apontado
várias vezes que era muito jovem para ele - desde que Meena tinha
começado a escrever para o show.
"Ela é a que vai ter o novo namorado vampiro," Meena disse. "Eles
têm o melhor amigo de Gregory Bane para interpretar com ela na
sexta-feira. Ele é gostoso, aparentemente. Eu acho que o vi saindo
do escritório com Shoshona esta noite. Mas, na maior parte, era
apenas a parte de trás de sua cabeça."
Jon olhou para seu reflexo no espelho redondo antigo que Meena
havia pendurado acima da mesa de jantar.
"Eu sou gostoso," ele disse, admirando o seu próprio reflexo. "O que
você acha? Eu não pareço com um material de vampiro para você?"
Meena bufou. "Certo. Interpretar um membro do coral no musical
Mame quando você estava no Ensino Médio não conta como
experiência de atuação. Especialmente se você só fez isso pelo
crédito extra por se manter fora da equipe de baseball, graças ao seu
D em Espanhol."
Ela retirou o seu casaco e atravessou a sala para encontrar Jack
Bauer, que ia correr para le dar uma lambida de boas-vindas.
"E como está o meu pequeno homem?" ela perguntou. "Você salvou o
mundo hoje? Eu acho que salvou. Eu acho que você salvou o mundo
de uma aniquilação nuclear, como você faz cada vinte e quatro horas.
Olhe para você. Só olhe para você."
Jack Bauer era uma mistura Pomeranian-chow que Meena insistira
em trazer para casa do ASPCA (Sociedade Americana de Prevenção à
Crueldade com Animais) na primeira vez que colocou seus pés lá, "só
para dar uma olhada", depois que David havia saído com ela e que
ele esteve em um estado comatoso, com depressão. O minúsculo cão
estava sentado em uma grande e vazia gaiola por si mesmo, seus
enormes olhos castanhos tão cheios de ansiedade que Meena havia
comentado que, com a sua pele clara, ele parecia Kiefer Sutherland
durante um momento particularmente dramático na série de televisão
24 Horas.
Quando o cão caiu em seus braços assim que a porta da gaiola foi
aberta, dando um banho em sua face com beijos agradecidos, a
adoção inevitável foi assinada, e o nome Jack Bauer ficou, porque o
olhar ansioso nos olhos do vira-lata raramente desapareceu por todo
o caminho, a menos quando ele estava descansando no
aparetamento ao lado de Meena.
"Ele salvou o mundo, tudo bem," Jon disse. "Ele tentou encoxar um
pequeno maltipoo na corrida pelo Parque Carl Schurz."
"Meu herói", gritou Meena, trazendo o cão para cima e abraçando-o.
"Continua mostrando a sua dominação masculina, mesmo sendo
castrado." Ela virou-se para Jon. "Então, o que você fez hoje?"
"Eu estava totalmente indo fazer frango," Jon disse. "Mas quando
cheguei à loja nenhum dos frangos parecia bom."
"Sério?" Meena disse, indo para o sofá e alcançando o controle
remoto.
"Sim," disse Jon. "Todos estavam passados na data de validade. Era
como se a entrega Perdue não tivesse vindo na hora ou algo assim."
"Vamos apenas pedir," ela disse. Ela ligou nas notícias. "Nós não
pedimos comida tailendesa há um tempo."
Ele sentiu uma onde de alívio.
"Tailandês me parece muito bom. Ou Indiana."
"Indiana me parece boa, também," ela disse. "Oh, meu Deus, nós
fomos convidados para o apartamento da condessa na quinta-feira.
Se mativermos as luzes apagadas," ela acrescentou, como se esse
fosse um jeito perfeitamente razoável de lidar com o problema, "não
precisamos nos preocupar com eles vendo que estamos em casa pela
fresta da porta."
"Meena." Jon amava sua irmã.
Mas ela era totalmente e completamente insana.
E ela sempre tinha sido.
Meena sacudiu a cabeça. "Jon. Você sabe que eu não posso deixar de
amá-la. Mas ela está tentando me arranjar com algum príncipe
romeno parente de seu marido. Vamos lá."
"Um príncipe?" Jon ergueu as sobrancelhas. "Sério? Ele é rico?"
"Eu não quero conhecer um príncipe," Meena disse. Ela soava
maluca. Ela parecia maluca. "Eu já estou tendo a pior semana da
minha vida, e ainda é terça-feira!"
Jon conhecia Meena bem o suficienta para saber que não era sobre
Shoshona conseguir o emprego, ou a garota que ela conheceu no
metrô, ou mesmo o show, que ela adorava.
"O quê," ele disse sem rodeios. "O que você viu?"
"Nada," ela disse, atirando-lhe um olhar confuso. "Eu não sei do que
você está falando."
"Você sabe de alguma coisa," Jon disse. "Você sabe do que eu estou
falando. É sobre quem? Eu? É sobre mim, não é? Só me conte. Eu
consigo aguentar. Quando eu vou? É essa semana?"
Meena desviou o olhar. "O quê? Não. Você está bem. Eu não sei do
que você está falando."
Jon sacudiu a cabeça. Ele não pensava que estava errado. Ele vivera
com a sua irmã desde criança, tempo suficiente para reconhecer os
sinais.
Ela obviamente sabia algo sobre alguém... só que quem? E porque
ela não estava dizendo?
"É sobre mamãe e papai?" ele perguntou. "Eu pensei que tivesse dito
que eles estavam bem. Quero dizer, relativamente falando."
"Eles estão bem." Meena olhou furiosa para ele. "Para duas pessoas
que continuam fazendo algazarra no happy hour toda noite em Boca
como se pensassem que fossem F. Scott e Zelda Fitzgerald."
"Então eu não entendo," Jon disse. "Sua louca-burra e milionária
vizinha que pensa que é uma condessa a convidou para um jantar em
seu apartamento para conhecer um príncipe romeno real na quintafeira
à noite. E você está me dizendo que não pensa que irá obter
todas as ideias para as histórias lá? Você está falando sério?"
Meena olhou para ele, seus grandes olhos escuros iluminados à luz do
sol poente, apenas fora de sua janela, transformando o céu de um
rosa pink à um lavanda delicado. Finalmente, ela sorriu.
"Você está certo," ela disse. "Como eu poderia perder uma grande e
fantástica oportunidade, tão rica, com a promessa de uma palhaçada
pretenciosa para mim zombar mais tarde em Insatiable? Eu tenho um
dever profissional em estar lá."
"Absolutamente," Jon disse.
"Eu vou dizer sim ao RSVP (Responda Por Favor, expressão francesa)
da condessa," disse Meena.
"Temos caminho à percorrer." Jon estendeu a mão para franzir seu
short, como um menino de cabelo escurto curto. "Eu vou pedir
algumas samosas (comida indiana) para nós."
Meena sorriu e aumentou o volume das notícias, que era todo sobre
como eles ainda não tinham sido capazes de identificar algumas das
vítimas do que eles estavam chamando agora de Estrangulador do
Parque. Eles estavam encorajando qualquer membro do público que
poderia reconhecer a mulher à se apresentar.
"Depois de tudo," Meena disse pensativa, claramente não prestando
atenção às informações que a apresentadora seríssima estava
destribuindo, "Os vários encontros de Victoria Worthington Stone com
médicos, advogados, milionários, dirigentes magnatas, gangsters,
assassinos, maníacos, policiais, cowboys, padres, e uma vez que até
mesmo o seu próprio meio-irmão - até ela descobrir quem ele
realmente era. É hora de ela sair com um príncipe".
"Esse é o espírito," Jon disse, e começou a discar.
Capítulo Doze
6:30 da manhã. EST, Terça-Feira, 13 de Abril
Rua Quatro Oeste
Chattanooga, TN
Alaric Wulf não estava surpreso em descobrir que Sarah, como a
maioria das mulheres - e homens - apaixonadas por um vampiro,
estava resistindo inicialmente à ideia de dar-lhe o endereço do seu
amor.
"Só me diga onde ele está, e eu vou deixá-la viver."
Sarah escapou por um tempo. Como a maioria das vítimas, ela não
ligava mais para a sua própria vida. Seu cérebro estava provado de
muitos nutrientes. Ela só estava preocupada em proteger seu
garanhão.
Até Alaric finalmente colocar sua espada em sua garganta.
A Guarda Palatina estava listada na maioria das enciclopédias e
serviços de busca como uma extinta unidade militar do Vaticano,
formada para defender Roma contra o ataque de invasores
estrangeiros.
Essa parte era verdade: a Guarda Palatina era uma unidade militar do
Vaticano.
Mas ela estava quase extinta. E os invasores pelos quais ela tinha
sido formada para defender não eram estrangeiros.
Eram demônios.
E os Guardas não estavam defendo só Roma contra eles, mas o
mundo inteiro.
Membros da Guarda tinham métodos diferentes de fazer as vítimas
desses demônios, as quais estavam frequentemente apaixonadas
pelos seus agressores, falarem. Abraham Holtzman – atualmente o
oficial mais velho da Guarda, que tinha treinada ambos Alaric e
Martin – tinha sempre preferido enganação. Ele mostrava um cartão
falso de uma firma de advocacia chique (fictícia), explicando que ele
tinha sido contratado pela família distante do vampiro para entregar
um grande cheque de herança.
Frequentemente a vítima ficava tão nervosa pela agradável surpresa
que ela não percebia que Holtzman nunca tinha nem mencionado o
nome do vampiro.
Isso era porque ele não sabia o nome.
Mas esse era o Holtzman. Alaric tinha sempre suspeitado que
Holtzman só era capaz de fazer isso porque ele tinha uma aparência
tão erudita. Seus pais judeus tinham ficado horrorizados quando ele
foi trabalhar para o Vaticano, mesmo que o Holtzman não havia se
convertido. (Conversão não era uma exigência do trabalho. Já era
suficientemente difícil achar alguém capaz de se manter são
enquanto brandia uma espada na direção de um demônio estridente,
ainda mais alguém que era também um católico devoto. Os membros
da Guarda Palatina eram uma vasta mistura de religiões... até
mesmo, como Alaric, completos ateus.)
O que ajudava na trama do Holtzman, Alaric supunha, era que ele
parecia um advogado.
Ainda assim, não tinha nada de errado em parecer um caçador-dedemônios
musculoso... principalmente se era isso o que ele era.
Alaric não tinha nenhuma especialização, exceto em cortar fora
cabeças de vampiros e devolver novamente para suas vítimas a
humanidade total.
Então Alaric não desperdiçava tempo em tramas como Holtzman.
Principalmente quando se tratava de Sarah. Ele foi direto ao ponto...
aplicando o Señor Sticky em sua garganta.
Quando ela finalmente gaguejou, “Felix... Felix vive em um loft em
cima de uma loja de antiguidades na West Fourth... mas por
favor...,” ele agarrou-a pela nuca e a enfiou no banco do passageiro
do seu carro alugado. Ele não precisava dela mandando mensagens
de aviso para seu amante imortal para Felix poder chamar seus
amigos vampiros e fazer uma armadilha.
Não foi uma viagem de carro muito construtiva até a casa do Felix.
Principalmente porque Sarah soluçou a maior parte do caminho e
sussurrou, “Por favor, por favor... não o machuque. Você não
entende... ele não quer ser do jeito que ele é. Ele odeia o que ele é.
Ele odeia ter que... me machucar.”
“Verdade?” Alaric olhou para ela de relance. Ele tinha colocado o
rádio do carro na estação de heavy metal. Ele não gostava muito de
heavy metal, mas ele precisava de algo alto o suficiente para abafar o
som dela fungando. “Então por que você deixa ele te machucar?”
“Porque,” Sarah disse, fungando, “ele vai morrer se eu não deixar.”
“Você está errada sobre isso,” Alaric disse. “Ele não pode morrer a
não ser que alguém o apunhale com uma estaca de madeira no
coração ou corte fora sua cabeça. Ou, em vez disso, se alguém o
colocar debaixo de uma luz direta do sol ou imergir completamente
seu corpo em água benta. Mas” ele completou, dando uma olhadela
em sua direção, “você deve saber de tudo isso.”
“Nada disso é verdade,” Sarah disse. “Ele me disse que tudo isso era
mito. Assim como vampiros conseguirem viver somente com sangue
animal. Ele disse que se eles fizerem isso, eles morrem. É por isso
que ele precisa beber meu sangue. Para se manter vivo.”
Alaric revirou os olhos. “Você percebe que garotas como você tem
caído nessa por séculos? Vampiros simplesmente não gostam de
sangue animal. Isso os enfraquece. E eles não ficam tão bonitos
depois de o beberem por um tempo. E se tem uma coisa que vampiro
não deixa de ser, é ser vaidoso. Sangue humano é como filet mignon
para eles. Então se ele te contou que ele vai morrer se você não o
deixar beber seu sangue, ele é um mentiroso maldito, além de ser
uma abominação pútrida, fedorenta, abusadora de mulheres e sem
alma.”
Sarah pareceu achar seu linguajar censurável, já que essa declaração
só a fez chorar mais.
Alaric se sentiu um pouco mal sobre isso. Holtzman estava sempre
dizendo a ele que ele precisava trabalhar mais nas suas habilidades
em lidar com pessoas.
Sendo assim, Alaric passou para ela um lenço do pequeno pacote que
a agência de aluguel de carros tinha deixado no carro.
“Você é malvado,” Sarah disse, assoando o nariz no lenço. “Felix não
é uma abominação sem alma. Ele é sensível. Ele tem sentimentos.
Ele lê poesia para mim. Shakespeare.”
Alaric queria parar o carro para que ele pudesse vomitar, mas eles
não tinham tempo. Quanto antes eles acabassem com isso, mais
rápido ele poderia voltar para o hotel; pedir um serviço de quarto;
tomar um agradável, relaxante banho (na menor banheira da mundo,
a qual tinha aquelas tiras granuladas fixadas no fundo, para clientes
não escorregarem no chuveiro – essa era a reclamação número um
de Alaric sobre hotéis menos-do-que-cinco-estrelas; ele era um
homem adulto, ele sabia ficar em pé sem cair na banheira); e ir pra
cama.
Então, amanhã de manhã, ele iria voar para Nova York, fazer o check
in no Peninsula, achar o príncipe, e matá-lo.
Ele ficou muito feliz de pensar nisso.
“Isso,” Alaric explicou para Sarah no que ele achou ser uma voz
gentil, “que você está sentindo não é amor. É só dopamina. Porque
Felix não é parecido com ninguém que você conhece. Sendo uma
criatura da noite, ele é novo e empolgante e ativa um
neurotransmissor no seu cérebro que solta sentimentos de euforia
quando você está perto dele... principalmente porque você sabe que
vocês nunca poderão ficar juntos, e ele parece complicado, e talvez
até sensível e vulnerável às vezes. Mas eu posse te garantir: ele não
é nada disso.”
“Como você se atreve?” Sarah exigiu zangadamente. “Não é dopa...
tanto faz! É amor! Amor!”
Alaric queria discutir. Vampiros eram incapazes de amar – amor
humano – porque eles não tinham corações. Bem, tecnicamente, ele
supunha que eles possuíssem corações, já que era nisso que ele tinha
que apunhalar uma estaca para matá-los. Mas seus corações não
pulsavam sangue ou batiam.
Então como eles podiam sentir amor, muito menos retorná-lo?
Mas discutindo com uma adolescente sobre as semânticas de amor de
vampiro não parecia para ele uma proposta favorável.
“Ah, vamos lá,” Alaric não pode evitar dizer finalmente, percebendo
que sua passageira continuava a soluçar silenciosamente para si
mesma. “Não é tão ruim.”
“Como?” Sarah exigiu, lançando um olhar irritado em sua direção.
“Como não é tão ruim? Você vai tentar matar meu namorado!”
“Verdade,” Alaric disse. Eles estavam quase no endereço que ela
tinha lhe dado. “Mas olhe por esse lado. Ele prometeu te transformar
em uma vampira, não prometeu?”
“Sim,” Sarah disse, parecendo um pouco surpresa. “Ele disse que ele
ia me transformar, assim que ele se fortalecesse. Então eu serei
linda, como ele. E imortal.”
“Certo,” Alaric disse um pouco sarcasticamente. Ele sabia que esse
Felix não tinha qualquer intenção de transformá-la. Fazer isso iria
privá-lo de sua principal fonte de alimento.
O que Alaric tinha certeza que o vampiro faria ao invés disso era
enganá-la por mais alguns meses; então, quando ela ficasse doente
demais de anemia para ser de qualquer uso para ele, ele iria mudar
para uma hospedeira mais saudável. Ele provavelmente diria para ela
que era ele, não ela... que ele precisava de tempo para “pensar sobre
as coisas”. Então ele desapareceria.
Então, depois do coração quebrado dela – e do corpo mais quebrado
ainda – ter sarado, Felix provavelmente voltaria para Sarah – e para
Chattanooga – e começaria o ciclo todo de novo. A não ser que Sarah
achasse forças para tomar uma atitude e dizer para ele não, ela não
seria abusada dessa forma.
Mas isso não iria acontecer. Os vampiros eram fascinantes demais. E
suas vítimas nunca pareciam pensar que elas mereciam coisa melhor
do que o tratamento que elas recebiam. Era quase como se elas
tivessem medo de tomar uma atitude, porque elas pensavam que
nunca conseguiriam nada melhor...
Mas era para isso que servia Alaric. Ele tomaria a atitude por Sarah,
já que ela não
tinha forças, ou vontade própria, para tomar a atitude por si mesma.
Ele faria com que ela conseguisse algo melhor e parasse o ciclo de
continuar. Permanentemente.
Alaric achou uma vaga... exceto que era do lado de um hidrante.
Não importava. Eles não ficariam lá por muito tempo.
“Supondo que ele transformasse você em um da espécie dele,” ele
disse, desligando o motor e se virando para olhá-la, “então eu, ou um
dos meus caros oficiais, teria que te matar eventualmente, porque é
isso que fazemos. Nós matamos demônios. E confie em mim, você
não iria querer nenhum de nós no seu rastro. Nós seríamos seu pior
pesadelo. É muito melhor desse jeito. Desse jeito, você vai continuar
humana, e talvez você possa ir para faculdade e conseguir uma
especialização e um emprego divertido fazendo algo que você goste.
Ou talvez você possa conhecer algum cara legal no Walmart com o
qual você possa namorar, até mesmo casar. E, supondo que vocês
queiram, vocês podem ter alguns bebês, e envelhecer e ver eles
tendo bebês, e serem avôs um dia.Você não gostaria disso? Você
nunca poderia ter bebês com o Felix.”
“Vampiros podem ter bebês,” Sarah o informou. “Eu li isso em um
livro.”
“Sim,” Alaric disse, se sentindo irritado. “Bom, em livros, os vampiros
nobremente lutam contra si mesmos para não te morder, porque eles
te amam tanto. Mas isso não aconteceu, aconteceu? Então os livros
não são realmente muito precisos, são?”
Sarah o fuzilou com os olhos.
“Eu te odeio,” ela disse.
Alaric balançou a cabeça. “Eu sei,” ele disse. Ele estendeu o braço na
frente dela e abriu a porta do carro. “Sai.”
Ela olhou para ele sem expressão. “O quê?”
“Vai em frente,” ele disse. “Eu sei que você está morrendo de
vontade de sair correndo e dar o aviso para o garoto amante. Eu vou
deixar você fazer isso. Diga a ele que eu vou deixá-lo ir, com uma
condição.”
A atitude dela mudou completamente. De repente, ela estava toda
atenciosa e agradável.
“Que condição?” ela perguntou avidamente.
“Fale para ele que se ele me contar onde eu posso encontrar o
príncipe, eu deixarei vocês dois irem. Então vocês poderão fugir e ter
bebês vampiros juntos.”
30/07/10
Alaric não conseguiu dizer a última parte sem rir, embora tenha
tentado, lembrando que ele deveria estar trabalhando em suas
habilidades com pessoas.
Sarah evidentemente não notou. "Oh, obrigada!" Sarah estava
sorrindo enquanto se afastava do carro. "Muito obrigada!"
"Sem problemas," Alaric disse. Ele observou enquanto ela corria pela
calçada até uma porta discreta ao lado da vitrine de uma loja de
antiguidades no interior de um edifício industrial. Ele juntou suas
coisas enquanto ela apertava o interfone. Então caminhou
calmamente para o beco, onde, como ele suspeitava, existia uma
saída de incêndio. Ele pulou para a escada de metal enferrujada
enquanto ouvia a voz de Felix perguntando pelo interfone, "Quem é?"
Então veio o zumbido, deixando Sarah entrar no edifício.
Alaric só teve um ou dois momentos para subir ao telhado do edifício,
e menos do que isso para encaixar um gancho ao lado do edifício, e
em seguida apertar a ponta da corda na cintura.
Alguns segundos depois, Alaric pulou do telhado, indo de encontro à
janela de placas de vidro de Felix e estraçalhando-as...
... enquanto o vampiro colocava uma capa preta para se proteger do
sol, preparando-se para fugir dele. Sarah gritou enquanto vidros com
proteção UV voavam por todo lado.
O vampiro, desesperado para sair dos raios de sol, que poderiam ser
fatais para ele, atirou-se na porta da frente.
"Agora, Felix" Alaric disse calmamente. "Você não pode ir por aí,
também".
Um segundo depois, Felix estava gritando. Isso porque Alaric
arremessara um frasco de vidro cheio de água benta na porta.
Estourou sobre a maçaneta, chamuscando os dedos do vampiro
enquanto ele a alcançava. Ele puxou sua mão, sibilando com dor e
balançando os dedos de fumar.
"Eu pensei que você havia dito que iria deixá-lo ir se ele dissesse!"
Sarah gritou com indignação.
"E eu vou deixar," Alaric disse, sorrindo para ela. Ele virou-se para
Felix. "Então," ele disse. "Onde eu posso encontrar seu príncipe?"
Felix, que se parecia com um belo rapaz de dezoito ou vinte anos - e
parecendo, pelos cartazes na parede, ter um carinho pela banda Belle
and Sebastian - enrolou seus lábios para revelar um conjunto de
dentes brancos extremamente fortes. Seus incisivos eram
anormalmente longos e, fiel à sua espécie, muito afiados.
"Eu nunca vou te dizer, caçador de demônios," ele rosnou.
Então ele jogou a cabeça para trás e soltou um assobio, a sua longa
língua entrando e saindo de sua boca como a cauda de um lagarto.
Sarah olhou chocada. Ela aparentemente nunca ouvira seu namorado
usar aquele tom de voz antes. Ou visto seus olhos com aquele brilho
vermelho.
"Felix," gritou ela. "Só diga para ele! Ele disse que vai deixar você ir
se você disser."
Quando Felix balançou seus brilhantes olhos vermelhos e torceu sua
língua em direção à ela, ela cambaleou um passo para trás. "Porque
você o trouxe aqui, sua vadia estúpida?" Felix exigiu.
Horrorizada, Sarah começou a chorar novamente.
Alaric tomou as lágrimas como um palpite de que tudo ficaria bem
com ela, se ele fizesse seu dever. Então ele se adiantou, balançando
Señor Sticky, livre de sua bainha.
Tudo terminou em uma questão de segundos. A seu crédito, o
vampiro fizera uma boa luta.
Mas encurralado pela luz do sol de um lado e água benta do outro,
ele não tinha para onde ir. Não havia escapatória.
Alaric não lhe deu chance para últimas palavras. Pela sua
experiência, vampiros não tinham realmente nada de interessante ou
perspicaz para dizer. Era sempre Shakespere e emo.
Quando terminou, olhou para a garota. Ela estava enrolada em uma
bola sobre o vidro quebrado, chorando baixinho para si mesma.
Mas - e Alaric sabia que não estava imaginando isso - seu cabelo já
tinha recuperado o seu brilho, e havia cor em suas bochechas que
não estavam lá antes.
Ela ficaria bem em alguns dias, se seus pais a alimentassem com
bastante proteína.
Ele embainhou sua espada.
"Levante-se agora," ele disse no que ele esperava que fosse uma voz
calma. Ele era muito ruim nessa parte. Martin era o único que sempre
sabia as coisas certas à dizer. "Vou te levar para casa, para sua
mãe."
Ela se desenrolou um pouco e olhou friamente para ele. "Você disse
que não iria matá-lo se ele dissesse," ela disse. Sua voz soou mais
forte do que antes, e seus olhos tinham um brilho à ele que não tinha
nada a ver com as lágrimas. Ela era, ele sabia, sua própria pessoa
novamente, e não mais um peão para um senhor vampiro. Seu Felix
assassino a tinha libertado.
"E ele não me disse," Alaric apontou.
"Você não deu chance à ele!" ela chorou.
Mas ela estava se levantando, evitando cuidadosamente olhar na
direção onde o corpo estava.
Só que não havia corpo. Somente roupas jogadas onde Felix havia
estado. Ele tinha que ter mais de cem anos. Seus ossos eram poeira.
"Ele nunca me diria," Alaric disse. "Se ele me dissesse, o príncipe, ou
seus subordinados, iriam matá-lo, e muito menos gentilmente do que
eu mataria. Ele escolheu morrer pela espada porque ele sabia que
seria mais rápido." Ele desceu o olhar até ela. "Eles teriam matado
você também, você sabe, se eles encontrassem você aqui com ele.
Eles teriam se alimentado de você até não sobrar mais nada."
Sarah piscou. "Você quer dizer... ele morreria para me proteger?
Oh... isso é tão doce!"
Alaric gostaria de mostrar à ela as fotografias que ele sempre
carregava do que alguns dos amigos do seu agora ex-namorado
tinham feito com Martin. Como eles o tinham picado e descarnado,
apenas por diversão. Vampiros eram incapazes de fazerem doçuras.
Mas Holtzman, ele sabia, não aprovaria isso.
Além disso, seu trabalho ali havia terminado. Ela estava livre agora.
E isso queria dizer que era hora de ele voltar para o hotel e embarcar
para New York, para ir atrás de um vampiro que talvez realmente se
revelasse um desafio para sua mão de espada, ao contrário do seu
namorado imbecil.
Então ele apenas disse, "Vamos levar você para casa agora."
E isso foi exatamente o que ele fez.

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