Capítulo Trinta e Oito
9:00 P.M . EST, sexta-feira, 16 de abril
Park Avenida,910. Apt. 11B
Nova York, Nova York
Meena só conseguiu encarar Alaric sem palavras quando ele
continuou. "Lucien – esse não era o seu nome na época – e seu
meio-irmão se esconderam atrás do Vlad por razões desconhecidas,
mas provavelmente relacionadas com sua ambição de conquistar o
mundo, vangloriando-se com o Stoker sobre o que ele era. Foi assim
que um dos nossos agentes conseguiu localizá-lo e por uma estaca
nele.”
Alaric se acomodou de novo na poltrona e ficou preocupado com
Meena e Jon, mas principalmente com Meena, que estava com uma
expressão terrivelmente séria.
“Então o romance de Bram Stoker foi lançado e o nome Drácula
tornou-se famoso e sinônimo do mal. Seus filhos têm se escondido
entre a população geral desde essa época, frequentemente trocando
seus nomes e suas profissões, tentando se manter um passo na
nossa frente. Mas eu posso lhes assegurar que a morte do Drácula
Vlad na mão de um dos Palatinos há cem anos atrás fez seu filho
mais velho, que agora chama a si mesmo de Lucien Antonescu, o
príncipe das trevas. Ele tem que ser exterminado.”
Os olhos azuis de Alaric mudaram de direção e se encontraram com
os de Meena, o que de novo fixou-a em seu lugar.
"E você vai nos ajudar a fazer isso, Meena Harper, me dizendo onde
você passou a última noite com ele, para que possamos encontrá-lo e
- e em seguida, todos os membros de seu clã, o Dracul, que
acreditamos serem os vampiros responsáveis pela morte dessas
meninas, assim como os responsáveis por terem quase matado o
meu parceiro – e acabar com eles.”
Meena olhou para ele com enormes olhos incrédulos. Ela não podia
deixar de se lembrar do rosto de Lucien quando ele contou a história
da mulher que mergulhou para a morte no rio ao invés de ser feita
prisioneira pelos turcos.
Se o que Alaric estava dizendo fosse verdade, essa mulher tinha sido
a mãe de Lucien, e ele a assistiu cometer suicídio em frente aos seus
olhos.
Aqueles olhos negros que Meena tinha achado tão cheios de tristeza.
E não se admira!
Mas isso era impossível. Porque se ele tivesse realmente visto a
esposa de Vlad o empalador se matar, isso faria com que ele tivesse
500 anos de idade.
Por outro lado, se ela não tivesse sido a sua mãe, por que outra
razão Lucien teria feito de um ponto tão especial mostrar a ela seu
retrato? Isso tinha que ter algo especial, um significado pessoal para
ele.
Exceto que ...
Não existe essa coisa de vampiro.
Ela tinha realmente que acreditar que Lucien Antonescu era um
vampiro que magicamente tinha transportado a si mesmo para
dentro do museu, nocauteado todos os guardas e desligado os
alarmes… apenas para impressionar alguém com quem ele saia?
Exceto que…
O que aconteceu com todos os guardas?
E sobre aqueles morcegos? Os morcegos que tinham atacado eles no
lado de fora da Catedral de São Jorge?
“Não pode ser verdade”, ela disse francamente, balançando sua
cabeça “Ele nunca… Eu quero dizer, ele parecia tão… normal.”
Com exceção da parte dele ser absolutamente perfeito.
E do ponto que ela nunca pôde sentir que ele fosse morrer algum dia.
Claro que não.
Porque ele já estava morto.
O que Leisha disse naquele dia no telefone quando Meena havia
contado a ela sobre a Shoshona ter ganho o cargo de escritora
principal do programa? Se alguém pode dizer como todo mundo que
ela conhece irá morrer, porque não podem existir vampiros?
De repente com frio, Meena se esticou para pegar o cobertor
estendido no canto do sofá, embaixo do qual Jonathan
frequentemente passava o dia inteiro dormindo.
Mas o braço dela não o alcançou, e ela não parecia ter forças
suficientes para se esticar para isso.
Ele já estava morto.
Oh, Deus.
Os vampiros eram reais.
E ela tinha dormido com um.
"Eles aprenderam a se misturar ao longo dos séculos", Alaric disse
com um encolher de ombros. "Eles tiveram que fazer isso a fim de
sobreviver. Olhe para os seus vizinhos, os Antonescus ".
O queixo de Jon caiu. "O quê?", exclamou ele. "Você não está
tentando me dizer que_"
"Nunca pareceu estranho", Alaric disse, "que vocês nunca os viram
saindo durante o dia? "
Meena e Jon trocaram olhares.
"Eu vejo Mary Lou sair durante o dia", disse ela. “O tempo todo."
"Onde? " Alaric exigiu. "Diga-me um lugar onde você a viu."
Meena abriu a boca para dizer que tinha visto Mary Lou na rua um
monte de vezes… fora do prédio… no supermercado… no balcão de
frios… Mas então ela percebeu que nunca a tinha visto em nenhum
desses lugares. Nenhuma vez.
"Eu a vi no hall de entrada", Meena murmurou. O frio que sentia
pareceu pior, de repente.
"Talvez", disse Alaric. "Chegando da garagem, onde ela e seu marido
mantêm seu carro, com suas janelas especialmente pintadas. "
"Bem ... sim. Eu a vi lá. Ela parece estar sempre lá." Com seus
chapéus largos.
E luvas.
"Espere", disse Jon. "Eles têm esse enorme terraço. Eles recém nos
receberam para um cocktail lá."
Então ele adicionou “Embora tenha sido depois do por do sol.”
"Mas eles são grandes doadores para a pesquisa do câncer!" Meena
exclamou.
"Jack Bauer não pode suportá-los", disse Jon.
"O cão não gosta deles?" Alaric perguntou Jon, ignorando Meena.
“Odeia eles", disse Jon. "Tem uma crise toda vez que ele vê um
deles no elevador. Sempre teve, desde o dia em que nós o pegamos”.
Ele olhou para Menna. “Parando para pensar, ele não pareceu ser fã
do Lucien também, se o rosnado que eu ouvi no corredor foi uma
indicação.”
Meena parecia desconfortável. Jon estava certo, é claro. Ainda assim.
"Jack Bauer é nervoso. Ele sempre foi assim. É por isso que seu nome
é Jack Bauer. Ele tem muita coisa em sua cabeça. "
"Ele parece ser assim", Alaric observou.
Eles olharam para Jack Bauer. Ele estava deitado de costas em sua
cama de cachorro, com as quatro patas abertas, sua barriga e sua
genitália à mostra, e com sua longa língua pendurada, enquanto
cochilava.
"Bem", disse Meena. "Não todo o tempo, é claro."
"Eu acho", Alaric disse, "que a razão do seu cão ser tão nervoso no
elevador e no corredor, e não quando ele está em casa, é porque ele
é um cão vampiro."
"Agora o meu cão é um vampiro?" Meena gritou, indignada. "Quem
vem em seguida? Eu? "
"Eu não disse que seu cachorro era um vampiro", Alaric disse
calmamente. Ele tinha um hábito irritante de nunca perder a calma ...
mesmo quando ele estava ameaçando alguém com uma arma mortal.
"Eu disse que ele era um cão vampiro. Alguns animais, especialmente
cães, são mais sensíveis ao cheiro de podre dos vampiros do que
outros, e por causa disso eles têm sido usados desde os primeiros
dias dos homens para ajudar a monitorar e a controlar a população
de vampiros. Parece que o seu cão pode ter algum instinto antigo
para detecção e alerta sobre eles. "Alaric deu de ombros. "Suponho
que você o repreendeu por isso", acrescentou, "Mas ele só estava
tentando avisá-la sobre um mal que você falhou em sentir".
Meena, sentindo-se envergonhada - porque ela tinha repreendido
Jack Bauer por seu comportamento e até mesmo trancado-o em um
banheiro durante a noite - e ficou aliviada quando Jon mudou de
assunto.
"Se o Antonescus são vampiros,"Jon perguntou: "Por que eles não
nos morderam então, como alguém fez com essas garotas?” Ele
gesticulou para as fotos na mesa de café. “Não é como se eles não
tivessem tido várias oportunidades para isso.”
"Porque então nós os teríamos pego", disse Alaric. "Exatamente do
jeito que iremos pegar quem fez isso com essas garotas. Desde que
seu namorado se tornou príncipe, vampiros têm estado sob ordens de
ficar escondidos, tomando cuidado para não chamarem a atenção
para si mesmos assassinando suas vítimas. Em vez disso, eles
apenas podem achar doadores sem forças de vontade que eles
podem usar como humanos fornecedores de alimentos, sugando-os
devagar, uma pequena mordida de cada vez. Apenas ao invés de
usar a palavra doador, tente usar a palavra escravo.”
Meena soltou uma risada amarga. "E você acha que Lucien está me
usando como um desses escravos? Bem, pense de novo, o Sr. Wulf.”
"Sim", disse Jon, parecendo cético. "Eu não sei se você percebeu,
mas não há nada realmente sem força de vontade na minha irmã. Eu
não acho que alguém poderia fazê-la sua escrava. Exceto uma
escrava do amor, talvez."
No minuto em que Jon disse as palavras escrava de amor, Alaric ficou
com um olhar estranho em seu rosto.
Ele levantou-se e ficou em pé.
"Levante sua saia", ele disse para Meena.
Ela esticou o pescoço para olhar para ele de onde ela estava sentada
no sofá. "Desculpe? "ela disse com um riso incrédulo.
"Levante sua saia", disse ele novamente em uma voz de comando.
Então ela não tinha ouvido mal. "Uh,"ela disse. Ela olhou para Jon,
que lhe deu uma incompreendida sacudida de ombros. "Não. Eu não
vou fazer isso. "
Então, mais repentino do que ela teria pensado ser possível, ele a
agarrou pelo braço e a puxou pelos pés. Jack Bauer, acordado pelo
grito que ela soltou, olhou para a súbita explosão de violência. Jon
saltou e ficou em pé, sua expressão assustada.
"Ei, agora!", ele exclamou.
"Pare com isso!" Meena gritou quando Alaric Wulf se abaixou e
começou a puxar a roupa de baixo para deslizá-la . "O que você
pensa que está fazendo? "
"A artéria femoral," Alaric estava dizendo. Ele estava praticamente
pendurando-a no ar com um braço enquanto ele puxava para cima
sua saia segunda pele com o outro. “Eu esqueci. Os sexuais sempre
vão na arterial femural.”
"Hey, " disse Jon, parecendo desconfortável. "Eu não acho que minha
irmã goste de você fazendo isso_"
"Eu não estou fazendo isso porque eu gosto, seu idiota. Eu tenho que
ver se ela foi mordida." Alaric jogou Meena de volta para o sofá, onde
ela ficou com as pernas ligeiramente afastadas, com a roupa de baixo
tão alta, perto do meio da coxa, que ele pode apontar e dizer,
triunfantemente “Aqui!”. Enquanto a segurava com a mão livre.
Meena, furiosa, olhou para o seu torso para ver sobre o que ele
estava delirando. No máximo, ela esperava ver uma mordida de
amor. Ela estava disposta a admitir, se ela considerasse isso
objetivamente, que as coisas tinham saído um pouco fora de controle
com Lucien na noite passada, isso era verdade. E muito do que
aconteceu na cama, se ela fosse completamente sincera, era um
borrão.
Mas ela nunca esperava ver isso.
Era uma mordida. Não havia como negar. E não era muito diferente
das que ela tinha visto nas garotas mortas das fotos que Alaric tinha
deixado sobre a mesa do café. Na verdade, era exatamente como
aquelas.
Exceto que não tão grande ou tão machucada.
"Oh, meu Deus", disse Meena, com um suspiro.
Meena rapidamente fechou as pernas, mortificada, puxando para
baixo a saia para que ela deslizasse. Agora, tanto seu irmão quanto o
estranho rude tinham visto-a com suas calcinhas pretas sexys.
"Não me admira que ele enviou-lhe uma bolsa", Jon disse em uma
voz atordoada.
"A parte interna da coxa", disse Alaric. Ele soltou-a. "Eu deveria ter
olhado lá desde o início. A artéria femoral é usada frequentemente
para cateteres e stents em hospitais, devido ao seu fácil acesso ao
coração. Mas mordidas lá geralmente passam despercebidas. "O olhar
que Alaric deu ela era inescrutável, a meio caminho entre a
curiosidade e incredulidade. "Não se lembra dele mordendo você? "
"Eu ... eu ...", balbuciou Meena. "Eu me lembro dele dizendo que ele
só me morderia se eu lhe desse permissão ", disse ela, sentindo-se
confusa. E com muito frio.
"E?" Jon ainda estava em pé, ficando mais alto do que Meena e do
que o homem que tinha se jogado nas almofadas ao lado dela. “Você
fez isso?”
Meena piscou para ele. Isso não poderia estar acontecendo com ela.
Lucien a tinha mordido? O homem que a tinha protegido dos
morcegos do lado de fora da catedral de São Jorge? O homem que
tinha dado a ela o seu casaco na casa de Mary Lou? Ele a tinha
mordido?
E mais ... ela estava com a nítida impressão de que tinha gostado.
"Eu disse que sim", ela murmurou para o seu colo. Ela podia sentir
suas bochechas ficando escarlates. "Oh, meu Deus. Eu acho que eu
disse que sim. "
No silêncio em que se seguiu, Jack Bauer deu um espirro. Ele ficou de
pé, bocejou, depois se esticou delicadamente. Então ele caminhou até
o sofá, pulou sobre ele, deu em Alaric Wulf uma rápida cheirada, e
em seguida se enrolou no colo de Meena, virando-se sobre suas
costas para ter a barriga coçada.
"Eu não entendo isso", disse Jon, começando a andar pela sala. "Se
esses ... esses vampiros estão perambulando por todos lugares,
escondidos entre a população geral, alimentando-se de mulheres
inocentes como a minha irmã, por que pessoas como você mantêm
isso como um grande segredo? Não deveria ter um serviço público
anunciando para que garotas como a minha irmã não se coloquem
em situações como essa? Huh?”
Meena olhou para o irmão. Jon sempre foi lento para a raiva.
Mas, uma vez ele chegando lá, era quase impossível acalmá-lo
novamente.
"Você acha que seria melhor se as coisas fossem como nos anos 700
ou 800” Alaric Wulf perguntou suavemente", “quando milhares de
seres humanos inocentes foram falsamente acusados de vampirismo
e assassinados pelos vizinhos porque pessoas como vocês, que
estava chateados porque suas irmãs tinham sido mordidas,
apontavam a culpa para as pessoas erradas? Não. Eu não penso
assim. Melhor para vocês pensarem que essas coisas não existem e
deixar os profissionais como eu calmamente cuidarem do problema.”
"Certo", disse Jon, ainda agitado. "Tudo bem. Então como fazemos
isso? Água santa? Estacas de madeiras? Você tem alguma coisa a
mais? Porque eu estou totalmente com você. Eu quero colocar uma
estaca no peito desse cara. Vamos lá. Eu estou pronto. Podem vir. "
Alaric ficou onde estava, sentado ao lado de Meena. "Não", ele disse
calmamente.
"Eu quero fazer isso ", disse Jon. "Eu não estou com medo. O príncipe
das trevas? Não me assusta. Ninguém morde a minha irmã e depois
envia-a uma bolsa e sai impunemente. Vamos lá. Meena, nos diga
onde esse cara está hospedado. Estamos perdendo tempo aqui. "
Meena, esfregando o estômago de Jack, olhou de Jon para Alaric e
vice-versa. Ela não estava certa do que tinha que fazer. Houve um
ruído súbito rugido em seus ouvidos. Era como se o fundo de seu
estômago houvesse afundado.
Não. Não o seu estômago.
Sua alma.
"Ele já disse que você não vai, Jon", ela disse, lembrando seu irmão.
"Eu certamente vou", disse Jon. "Basta nos dizer onde ele está."
"Não", disse Meena, seus dedos apertando a pele sedosa de Jack
Bauer.
Alaric, ocupando muito espaço no sofá, se virou para ela. "Meena",
disse ele. "Eu sei que esse homem, o príncipe, disse a você coisas
que talvez façam você sentir… coisas por ele. Sentimentos de amor
ou até mesmo piedade. Mas apesar do que ele possa ter dito, ele é
um homem mau que faz coisas ruins.”
“Eu não acredito nisso” Meena disse “Você mesmo me disse que ele
não matou essas garotas.”
Um músculo na mandíbula Alaric estremeceu. Sua boca já pequena
pareceu se encolher mais em frustração.
"O que ele está fazendo aqui, se ele não as matou?” ela exigiu “Me
diga. Ele está aqui para achar a pessoa que fez isso, não é verdade?”
"Sim", Alaric disse lentamente. "Mas isso não faz dele um bom
homem. Ele nem sequer é um homem. Ele é um monstro. Olha o que
ele fez com você. E você nem mesmo sabia. O que ele é ... é uma
coisa morta. Não é natural. E ele criou outros como ele ... É isso que
os Dracul são. Seus subordinados. E eles criaram seus próprios
subordinados. Você vê como isso nunca acaba? E é um desses que
estão matando as meninas. É por isso que os meus colegas e eu
temos que detê-lo. Antes que as coisas fiquem ainda piores. Então,
por favor, apenas me diga onde ele está, e eu irei embora. Você
nunca terá de me ver novamente. "
Meena balançou a cabeça. Seu aperto na orelha de Jack Bauer foi
forte o suficiente para que ele sacudisse a cabeça, irritado. Os dedos
dela se sentiram congelados.
Mas mesmo assim ela não conseguiu.
"... Eu não posso", ela disse.
"Você não pode?" Alaric perguntou a ela, erguendo as duas
sobrancelhas. "Ou você não vai?"
"Eu não vou", ela disse. Até a voz dela começou a tremer.
Mas o que exatamente ela deveria fazer? Ela nunca gostou de
vampiros.
E agora ele os tinha trazido a sua porta.
Bem, ela supôs que ele não tinha sido a pessoa que realmente fez
isso. Então ela lembrou de si mesma naquela noite em que ela pôs a
coleira no Jack e foi caminhar em frente Catedral São Jorge…
"Vamos, Meena!" Jon gritou para ela. "O que você está fazendo? Você
não é esse tipo de garota! Protegendo seu namorado abusivo? Você
está brincando comigo? "
"Não estou protegendo ele", ela disse por entre os lábios congelados.
Ela estava visivelmente trêmula agora. Ela não podia ajudá-lo. Ela
nunca tinha sentido esse frio, nem mesmo durante o mais brutal
inverno de Nova York, quando o vento soprava pela Avenida Madison,
em frente ao prédio da ABN.
"Eu estou p-protegendo vocês dois", disse ela calmamente, lutando
contra as lágrimas. "Você n-não entendem. Ele vai matar vocês dois.
Para tentar me manter com ele. Ele vai matar ambos."
Alaric se virou na direção dela, com um braço ao longo das costas do
sofá. "O que", ele perguntou a Jon, "ela está dizendo?"
O rosto de Jon estava um pouco verde. "Ela sabe", foi tudo o que ele
disse numa voz fraca.
"Ela sabe o quê?" Alaric exigiu.
"Como todo mundo vai morrer." Jon lançou-lhe um olhar confuso.
"Ela sempre soube. É o que ela faz. Ela apenas sabe. Se Meena
afirma que ele vai nos matar ... nós iremos morrer."
Capítulo Trinta e nove
10:00 P.M . EST, sexta-feira,16 de abril
Avenida Park, 910. Apt. 11B
Nova York, Nova York
Alaric sabia que ele poderia ter exagerado um pouco. Especialmente
quando a garota tinha jogado o telefone nele. Um telefone!
Mas Meena Harper tinha demonstrado muito mais coragem do que
ele esperava.
É claro que ele pulou em cima dela. Para imobilizá-la. Isso era tudo.
Que outra escolha ele tinha?
Ele não sabia porque ele tinha sido incapaz de manter as mãos longe
dela. Isso tinha sido uma surpresa.
Foi somente porque ela tinha a pele tão boa. Tão macia e suave ...
como a cera que ele usava para polir seus esquis quando ele ia para
anualmente para Kitzbühel (Kitzbühel é uma das estâncias de esqui
mais populares e de maior estatuto da Áustria) entre o Natal e o Ano
Novo.
Tinha sido praticamente impossível para ele não tocá-la ... e
continuar tocando-a, embora isso claramente a irritou.
Bem, ela o irritava. Ele não queria tocá-la. Ele queria descobrir onde
o príncipe estava, ir lá, destruí-lo, e então voltar para seu quarto de
hotel e tomar um bom banho quente.
O que Alaric não queria era ficar preso em um apartamento de Nova
York repleto de baratos - ainda que confortável – móveis Ikea com a
amante atual do príncipe das trevas de olhos grandes e pele sedosa,
que aparentemente tinha a habilidade de prever como as pessoas
morreriam.
"Ela sabe tudo isso? " Alaric perguntou ao irmão com ceticismo.
"Ela nunca está errada," Jon disse a Alaric. "Ela sabe. Ela apenas ...
sabe. Desde que ela era uma garota. "
Alaric olhou para Meena Harper. Ele tinha encontrado um monte de
coisas na sua vida desde que se juntou aos Palatinos: um súcubo que
se separava do corpo quando era noite dando um grito desgostoso
porque Alaric tinha arremessado água benta nele. Chupacabras –
frequentamente confundidos com coiotes sarnentos, mas na verdade
uma espécie de vampiros independentes sugando a vida de ovelhas
que pastavam no Texas. Mas quando eles não conseguiam encontrar
ovelhas, eles sugavam a vida de crianças que dormiam felizes,
quando eles conseguiam chegar a elas através de janelas abertas.
Demônios, voando para ele com as bocas abertas, quando um
sacerdote local tentou exorcizá-los de tomarem posses dos corpos
dos moradores das montanhas da Colômbia.
E é claro mais vampiros do que ele conseguia recordar, todos com
sangue escorrendo pelos queixos e com as frentes das camisas
manchadas de escarlate, correndo para ele vindos da escuridão e
gritando obscenidades.
Vampiros, embora romantizados no cinema e na literatura, em geral
foram bastante boca sujas. Apenas o Dracula teve algum senso de
civilidade.
Mas Alaric não se lembrava de sequer uma vez de ter encontrado
uma vidente, não alguém que realmente tinha algo valioso a dizer. O
motivo pelo qual todos os médiuns, se os seus poderes fossem
verdadeiros, não previam imediatamente os números vencedores da
loteria, e em seguida pegavam seus lucros e se mudavam para
Antigua, Alaric nunca pode entender.
O Vaticano não acreditava neles também – provavelmente pelas
mesmas razões de Alaric – e não havia um único em sua folha de
pagamento.
Mas Alaric podia dizer pelo medo - mas ainda resoluto - no olhar do
irmão de Meena Harper que ele acreditava na capacidade de sua
irmã.
E ele poderia dizer pelo sofrimento no rosto de Meena Harper que ela
também acreditava.
Meena havia enxotado o cão para fora de seu colo e agora estava
sentada com os cotovelos sobre os joelhos e com seu rosto escondido
entre as mãos.
Com sua pequena figura, cabelo curto escuro, e delgados membros e
pescoço, vestida com nada além da roupa de baixo preta, ela parecia
uma dançarina de ballet.
Uma bailarina tendo um colapso nervoso.
Em outro lugar, em outra vida, Alaric pensou que eles poderiam ter
passado um tempo bastante agradável juntos, porque ela não era
sem atrativos.
Mas isso não ia acontecer agora. Porque ela claramente o odiava.
Alaric sabia o que tinha que fazer, é claro: chamar por reforços.
Deixar Holtzman lidar com esses dois. Ele só queria o endereço. O
senhor Sticky tomaria conta do resto.
Ele despacharia Emil e Mary Lou Antonescu, também, na saída. Essa
noite, numa virada, acabaria sendo bem agradável.
"Olha", disse Meena, levantando o rosto molhado de lágrimas de suas
mãos e olhando para ele. Seus olhos estavam muito grandes e
escuros em seu rosto. "Eu sei que você não acredita em mim.
Ninguém nunca acredita. Mas eu não estou inventando isso. Eu não
acreditava nisso até ... bem, até que você disse que estava indo
matá-lo e me mostrou a marca da mordida. E então eu soube. E o
fato de... bem, que ele já está morto. Que é o motivo porque eu
nunca pude dizer _ Não importa. Mas ele vai matar você. Vocês dois.
Você tem que acreditar em mim. "
Sua voz, que o tinha irritado antes, tinha assumido uma doçura
gutural agora que ela estava preocupada. Uma que ele achou
irresistivelmente sexy.
O que havia de errado com ele? Ele não ia cair nos encantos dessa ...
o que quer que ela fosse. De jeito nenhum. Ele tinha alguns vampiros
para matar. E então algum serviço de quarto delicioso esperando por
ele.
"Segure esse pensamento, você fará isso?", ele disse e pegou seu
telefone celular, pressionando o número de Holtzman. "Eu só tenho
que fazer uma chamada rápida. Só vai demorar um segundo. Você
quer mais Coca-Cola? Você está tremendo. Talvez um pouco de chá.
Seu irmão pode fazer para você um chá. "
"Ele vai encontrar você primeiro", ela disse, uma única lágrima
escorrendo por uma de suas suaves e levemente arredondadas
bochechas. Seus olhos estavam fechados, como se estivesse
observando algo na parte de trás de suas pálpebras. "Em um lugar ...
uma sala feita de vidro. Um saguão. Há água em todos os lugares.
Como uma piscina. Sim. A piscina do hotel. Mas no ar. Isso não faz
sentido .... Talvez ... em um telhado. Você está hospedado em um
hotel com uma piscina em um terraço fechado?”
O polegar de Alaric congelou quando ele estava prestes a apertar
enviar.
"Porque é onde ele vai encontrá-lo", ela disse. Ela estava realmente
enxergando essa visão, por trás de suas pálpebras fechadas? "Você
gosta de nadar ou algo assim?"
Alaric olhou para ela. "Como diabos você sabe disso?", ele exigiu,
antes que ele pudesse se conter.
Era preciso muito para assustar Alaric Wulf.
E isso incluía o jeito arrepiante como aqueles chupacabras tinham
levantado as cabeças das cabras de quem eles estavam se
alimentando excessivamente quando ele pisou em um galho ao se
aproximar deles.
E a maneira como o sangue das cabras haviam pingado de seus
pequenos dentes pontudos quando eles elevaram a cabeça para ele
interrogativamente.
Ela não estava mais chorando.
"Eu apenas sei coisas", ela disse com um encolher de ombros.
"Acredite em mim, eu nunca pedi por esse…dom. E se eu pudesse, eu
me livraria dele em um segundo. Você acha que eu gosto de saber o
meu namorado vai estender a mão na água e agarrá-lo pelo seu
cabelo enquanto você dá algumas braçadas amanhã, e em seguida,
levantá-lo para fora da água e arrancar o seu_ "
"Ele não vai", Alaric disse rapidamente, colocando o seu telefone
celular longe e voltando para o sofá para se sentar ao lado dela. "Ele
não vai. Porque agora que você me disse isso, isso muda tudo.
Certo? É assim que funciona? "
Alaric Wulf não era um homem de rezar.
Mas ele estava assustado. Ele estava genuinamente assustado.
E ele estava rezando para que fosse assim que funcionasse.
Porque assim como ele sabia que tinha feito ela acreditar em
vampiros, ela tinha o feito acreditar em seus poderes.
"Seu aviso que ele estará lá fará com que eu mude meus planos.” Ele
disse “Não funciona assim? Agora eu estarei procurando por ele.
Talvez eu nem vá nadar.”
O coração de Alaric estava batendo rapidamente.
E era preciso muito nos dias de hoje para acelerar seu pulso.
Mas a imagem que ela tinha descrito do príncipe das trevas
agarrando-o pelos cabelos na água e arrancando algo fora enquanto
ele estava inocentemente nadando suas voltas no Península?
Isso tinha conseguido, é certo.
Porque não havia nenhuma maneira dessa garota saber onde ele
estava hospedado. Então não havia possibilidades dela ter inventado
isso.
"Olhe de novo", ele disse a ela. Ele ainda estava falando suavemente,
porque havia algo na linguagem corporal de Meena Harper – no jeito
que ela tinha se curvado desde que ele tinha mostrado a ela a marca
de mordida em sua coxa - que lhe disse que ela estava um pouco
magoada e precisando de um manejo cuidadoso para que
melhorasse.
Mas era difícil para ele conter a urgência do seu tom.
"O que você vê?", ele perguntou. Ele pegou o cobertor no final do
sofá e o envolveu ao redor dos ombros delgados dela "Quando você
olha agora?"
Meena balançou a cabeça. "Não é nada bom", ela disse. "Ele ainda vai
matar vocês dois."
"Por que eu?" lamentou o irmão. "O que eu fiz?"
"Mas onde?" Alaric perguntou, ignorando Jon. "Onde agora?"
Meena continuou. "Não é na piscina ... Em algum lugar escuro. Mas
... algo está pegando fogo."
Suas pálpebras se abriram e ela olhou para Alaric acusadoramente.
Sua voz tinha um pouco da sua antiga aspereza de volta. "Você não
pode culpá-lo. Ele está apenas tentando se defender. Você tentou
matá-lo primeiro. Foi você quem começou isso.”
"Eu? " Alaric apontou o dedo para si mesmo. "Oh, bem, eu sou o
príncipe das trevas, dono de tudo o que é profano, o guardião do
inferno. Certo. A culpa é minha. "
"Ele não escolheu quem foi seu pai", Meena disse alterada ", não
mais do que você fez."
Alaric refletiu brevemente consigo mesmo que teria sido bom saber
quem era seu pai, porque só assim ele poderia dar no velho um
merecido pontapé nas calças por abandoná-lo.”
"Meena", Jon disse. "Você não acha que você deveria nos dizer onde
está, para que possamos matá-lo antes que ele nos ache e nos mate?
Essa é a maneira como eles sempre fazem no cinema. Eles matam
Drácula em seu caixão durante o dia enquanto ele está dormindo
indefeso. "
"Vampiros na verdade não tem essa coisa de caixão", Alaric
comentou.
"Sério? " Jon olhou atordoado. "Mas_"
"Stoker apenas acrescentou isso para amplificar o drama", disse
Alaric. "Ou quem sabe porque. Talvez Drácula tenha lhe dito que isso
era verdade como uma espécie de piada de mau gosto. O cara era
muito distorcido. Seria muito mais fácil se isso fosse verdade.”
“Você". Meena olhou para Alaric. "Você me deu sua notícia horrível.
Certo. Meu namorado é o filho do Drácula. Obrigada. Você pode ir
agora. "
"Uh", Alaric disse, "eu receio que eu não possa fazer isso. Eu tenho
um trabalho a fazer. Matar o dragão e todos como ele. Eu pensei que
tivesse deixado isso claro. "
"Oh", disse Meena, balançando a cabeça. "Como a sua pequena
medalha"
.
"Certo," ele disse com uma piscadela. "Assim como São Jorge."
"Eu vejo a semelhança", disse Meena sarcasticamente. "Bem, boa
sorte com tudo isso. Agora saia da minha casa antes que eu chame a
polícia. "
Alaric olhou em volta da sala. Então, enxergando o telefone em cima
de uma mesa pequena na ponta do sofá, ele tirou o receptor do
gancho, jogou-o no chão, e então pisou nele com uma de suas
enormes botas de bico de aço.
Quando ele levantou o pé, o receptor abaixo dele lançou-se em
muitas peças individuais.
Meena arregalou os olhos ao máximo.
"Eu acredito que seu celular está quebrado também," Alaric disse,
olhando incisivamente para os pedaços de seu BlackBerry no chão.
"Você não pode me manter prisioneira na minha própria casa", Meena
disse ... com considerável coragem, ele achou, para alguém que tinha
recentemente servido como banco de sangue para um dos filhos do
senhor das trevas.
"Se você quer que eu vá", Alaric disse educadamente: "Eu vou estar
mais do que feliz. Apenas me diga onde posso encontrar Lucien
Antonescu e eu irei deixá-la. E como bônus, você nunca terá que me
ver novamente. "
"Mas você vai me dar seu e-mail, certo?" Jon perguntou a Alaric.
"Porque eu falei sério sobre tentar essa coisa de Palatino. Eu sei
sobre o congelamento de contratações, mas eu acho que seria
fantástico_ "
"Oh, não importa", disse Meena, interrompendo. "Vocês dois estão
me dando uma dor de cabeça. Vá em frente, fique. Fique a noite
toda, que eu não me importo. Eu estou indo para a cama."
E com isso, virou-se e pisou descalça pelo corredor, arrastando o
cobertor atrás dela. Ela bateu a porta do quarto, diretamente no
rosto de Jack Bauer, que tinha trotado atrás dela.
"Não há telefone no quarto, não é?" Alaric perguntou o irmão.
"Claro que há," Jon respondeu.
Movendo-se com a velocidade da luz, Alaric pulou sobre a mesa do
café e os detritos sujaram o hall de entrada, e em seguida se
arremessou e abriu a porta do quarto decorado com bom gosto de
Meena - Pottery Barn nessa vez, Alaric pode observar criticamente –
exatamente quando ela levantava o telefone do gancho.
Ele arrebatou o aparelho de sua mão com um severo “Tsk, Tsk Tsk. O
eu disse sobre o uso do telefone?”
"Eu não estava ligando para o Lucien", Meena disse. "Eu não sou
estúpida. Eu não quero que vocês dois sejam mortos. Eu estava
ligando para a minha amiga Leisha. Eu preciso falar com alguém que
não seja homem.”
Mas Alaric já estava caminhando para as portas francesas que
levavam para uma pequena varanda e deixando-as abertas. O ar da
noite tinha se tornado muito mais fresco do que quando ele tinha
entrado no prédio. Nuvens de tempestade, ele viu, estavam se
movendo, retumbando em direção à cidade sobre o rio como um
exército avançando.
"Pare", Meena disse, correndo atrás dele exatamente quando ele
esticou um braço sobre a grade de ferro trabalhada.
"Você não pode dizer a ninguém o que está acontecendo aqui", ele
explicou. "Nem para sua amiga Leisha. Nem para sua mãe. Nem para
a polícia. Não se você quer que eles vivam. Você me entende,
Meena? Estes monstros vão matar todos que você ama em um piscar
de olhos, se eles acharem que isso irá beneficiá-los de alguma forma.
"
Eu entendo", Meena disse. "Mas você entende que há pessoas lá em
baixo? Se você jogar o telefone por essa grade, você poderia acertar
em alguém. "
Alaric olhou para o lado da grade da varanda de Meena. "Tem alguma
premonição de morte iminente de alguém?" ele questionou.
Meena mordeu o lábio inferior. "Bem", disse ela. "Não. Mas_ "
"Bomba lançada" ele disse e largou o telefone. O vento soprava com
força em sua mão.
"Não funciona dessa forma", Meena disse, continuando. "Eu
realmente tenho que encontrar a pessoa. Mas bom trabalho. Você
provavelmente acabou de matar alguém. "
Lá embaixo, um alarme do carro disparou.
"Pobre de mim", Alaric disse, balançado a cabeça. "Eu matei um
carro. "
"Você acha que tudo isso é uma piada?" Meena olhou para ele na luz
do luar que aparecia entre as nuvens de tempestade em movimento
rápido. "Porque não é."
Alaric sentiu uma pontada de decepção. Meena Harper não tinha feito
nada além de surpreendê-lo, por sua resistência – nenhuma vítima
tinha lutado tanto fisicamente quanto ela – e por descoberta sobre a
sua capacidade psíquica.
Teria sido bom se ela tivesse se mostrado imprevisível dessa maneira
também. Mas ele sabia o que ela estava prestes a dizer. Ele tinha
ouvido centenas de vezes antes.
Esse era o problema com os vampiros ... e porque eles precisava de
ser universalmente erradicados.
Eles trabalharam de sua maneira sob a pele até mesmo das pessoas
mais sensíveis e inteligentes e as transformavam em viciadas tanto
quando a heroína black tar fazia.
"Eu sei", Alaric disse categoricamente. "Que você o ama. Que você
não pode viver sem ele. Mas veja você, eu posso curar isso. Se você
apenas de me dizer onde ele está, eu vou matá-lo e, em seguida_ "
"Não", Meena disse, interrompendo-o. "Não era isso o que eu estava
falando. Você alguma vez para e escuta as pessoas? Ou você
simplesmente corre acenando sua grande espada e faz as perguntas
depois? Ele irá matar você. E meu irmão também. E você sabe que
eu não posso deixar isso acontecer, Alaric.”
Foi a primeira vez que ela disse seu nome. Ele não sabia o porquê,
mas o som de seu nome nos lábios dela fez algo estranho com os
cabelos na parte de trás de seu pescoço.
Ou talvez isso tinha sido apenas um raio sobre o rio Hudson.
"Eu não posso ser o responsável pelo que acontece ao seu irmão",
Alaric disse, lutando pela calma. E não apenas porque ele estava
começando a perceber que sua atração por ela era mais do que física.
"Enfim ... pelo que entendi, ele está desempregado por algum tempo.
Você devia estar feliz por ele estar mostrando alguma iniciativa _"
"Por que ele quer matar vampiros?"a voz de Meena subiu acima de
um longínquo estrondo de trovão. "Tudo que eu queria para ele era
que ele conseguisse um emprego e talvez que fizesse as paredes do
quarto de bebê de Leischa. Eu nunca quis que ele se matasse indo
atrás dos mortos-vivos!"
"Bem, você devia ter pensado nisso antes de passar uma noite com
Lucien Drácula.” Alaric disse, cruzando os braços. Abaixo, o dono do
carro tinha finalmente desligado o alarme. Ele tinha estado alto
bastante para que o tráfego ainda pudesse ser ouvido, porém baixo.
Ele pensou que ela pudesse estar com frio com sua saia segunda
pele, mas ela não mostrava sinais disso, mesmo tendo abandonado o
cobertor do sofá. Seu temperamento devia mantê-la aquecida, ele
supôs.
Isso e suas bochechas coradas. Ela não gostou dele se referindo ao
seu encontro amoroso com Antonescu como algo de uma noite.
"Mas já que você não fez isso", ele continuou brutalmente "você terá
que lidar com as consequências. Uma das quais sou eu. E eu não vou
a lugar nenhum até que você me diga onde ele o príncipe das trevas
está. A escolha é sua, realmente. Ele, ou eu.”
Ela apenas olhou para ele. Então, sem uma palavra, ela se virou nos
calcanhares e andou, descalça, da varanda de volta para o quarto.
Sua decisão foi bastante óbvia.
Essa seria, Alaric percebeu, uma longa noite.
Capítulo quarenta
12:00 A.M . EST, sábado, 17 de abril
The Box
Rua Chrystie,189.
NovaYork, NovaYork
Foi fácil para Lucien encontrar seu irmão, Dimitri.
Ele era o príncipe das trevas, afinal de contas. Ele podia encontrar
qualquer pessoa que quisesse.
Exceto, é claro, quem estava matando as garotas e jogando seus
corpos nos parques ao redor de Manhattan. A pessoa -ou pessoas –
que fazia isso parecia querer manter isso em segredo dele, por uma
razão óbvia…
Eles valorizaram suas vidas.
Seu irmão disse que estaria entretendo outro grupo de analistas
financeiros em um clube ridículo no centro da cidade. Lucien não
frequentava esse tipo de lugar – francamente, se ele quisesse ver
uma mulher se despir na frente dele, ele não gostaria de pagar por
esse privilégio.
Este clube particular estava mais cheio do que qualquer outro que ele
já vira, e não apenas com homens. Havia mulheres lá também – de
todas as idades - aguardando o show começar, a maioria sem
assentos. O clube estava quase somente em pé. As mesas tinham
uma “taxa de garrafa” de mil dólares. Isso significava que os
cidadãos estariam sentados apenas se comprassem uma garrafa de
champanhe… por mil dólares.
Era um absurdo.
Mas foi assim que o clube fez o seu dinheiro.
Lucien não teve tempo de parar para ouvir os resmungos da
multidão, no entanto. Ele estava seguindo seu caminho e subindo as
escadas para o camarote vermelho de veludo luxuoso, onde seu
irmão estava sentado com os banqueiros investidores com os quais
ele confraternizava por algum motivo.
Ainda assim, foi difícil manter o zumbido fora de sua cabeça. Não o
zumbido das conversar ao redor dele, mas o zumbido que ele sentia
desde que deixou Meena pela manhã e que parecia acontecer agora
toda vez que havia humanos em volta.
Era uma estranha sensação. Ele realmente não podia compará-lo com
qualquer coisa que ele sentira antes. Era como ter uma abelha
minúscula dentro de seu cérebro. A sensação desaparecia sempre
que não havia ninguém ao redor.
Mas logo que qualquer pessoa com coração batendo estivesse por
perto, a vibração recomeçava.
Não era apenas um zumbido, no entanto. Ele sabia coisas. Bastava
olhar para os rostos das pessoas com as quais ele esbarrava. Como a
garçonete segurando a bandeja com copos vazios, balançando perto
dele com seu bustier de cetim preto e sua cinta-liga de renda. Ela
precisava ser cuidadosa na escada estreita com seus precários saltos
altos plataforma, ou ela iria tropeçar, cair e quebrar seu pescoço.
Isso não era algo que ele poderia dizer lendo sua mente. Era só uma
coisa ele sabia simplesmente por olhar em seus olhos fortemente
maquiados.
"Cuidado com seus passos", ele disse a ela quando ela esgueirou por
ele na escada.
"Obrigada", ela disse, sorrindo para ele sugestivamente através de
seus lábios vermelhos esmaltados. "Embora eu prefira cuidar dos
seus.”
E não apenas ela. O garoto gritando em seu telefone celular no topo
das escadas também.
"Você não vai acreditar neste lugar", ele dizia a um amigo do outro
lado do telefone. "Uma das mulheres no palco fuma! Não com sua
boca, mas com sua_ "
"Filho", Lucien disse a ele.
"Cara". O garoto se virou para ele. "Eu não sou seu filho. E eu não sei
onde o banheiro é .... "Sua voz sumiu quando ele olhou nos olhos de
Lucien. Ele engoliu em seco. "Me desculpe ", disse ele. "Posso ajudálo,
senhor?"
"Sim", Lucien disse, estendendo a mão. "Dê-me as chaves do carro."
O garoto, que não poderia ter mais de dezenove anos, – ele
obviamente tinha usado uma identidade falsa para entrar no clube -
colocou a mão trêmula no bolso do casaco e retirou um conjunto de
chaves do carro.
Ele colocou na palma da mão estendida de Lucien.
Lucien colocou as chaves no bolso do casaco.
"Pegue um táxi para casa", ele disse ao garoto, batendo-lhe no
ombro. "Eu acho que você bebeu algumas bebidas a mais para dirigir
para casa em segurança. "
"Mas ..." O garoto olhava para ele quando Lucien afastou-se, indo
para as cortinas de veludo vermelhas escuras que fechavam o
mezanino do segundo andar, situado sob a área de ficar em pé, com
vista para o palco. "Eu vim da cidade de Long Island."
"Pegue o trem", disse Lucien com uma piscadela. "Você vai me
agradecer um dia."
Ele encontrou Dimitri em um camarote escuro privado com seis ou
sete empresários com ternos de negócios, todos recostados em sofás
e almofadas suntuosamente decorados, em torno de uma mesa
carregada de bebidas. Não havia nenhuma mulher para ser vista.
Elas, Lucien sabia, estariam aparecendo no andar debaixo, em vários
estados de nudez, fazendo coisas com adereços variados que teriam
surpreendido até mesmo seu pai, que foi levado pelos turcos no
século XV.
"Lucien!" Dimitri exclamou após enxergá-lo. "Que surpresa!
Senhores, conheçam o meu irmão, Lucien. Lucien, estes são alguns
dos meus amigos do TransCarta".
Lucien lançou um olhar para os homens abaixo dele, todos de meia
idade, com um pouco de gordura devido ao excesso de tempo
sentados na frente de um computador o dia todo, e todos eles iriam
morrer ...
... dentro de uma semana.
Espere. Todos eles?
Como?
E por quê? Algum tipo de acidente de avião da empresa?
Mas tudo Lucien podia ver na instantânea confusão de sua mente, era
uma sala... uma sala muito escura. Um porão, talvez.
E sangue. Bastante sangue.
Um acidente de carro em uma garagem subterrânea?
Essa era única coisa que fazia sentido.
Pobres coitados.
O que estava acontecendo com ele? Como ele sabia como todas
essas pessoas iriam morrer? E por que ele sabia?
"Como vai você?" Lucien disse educadamente ao homem prestes a
ser morto. Não havia motivo para adverti-los, é claro. O que havia
para avisar? "Me desculpe incomodar sua… saída noturna. Mas eu
pergunto se eu poderia ter uma palavra com o meu irmão a sós.”
Um olhar de aborrecimento passou pelo rosto de Dimitri. Lucien viu
isso. Ele estava certo que viu.
Mas o olhar se foi quase tão rápido como apareceu.
"É claro", disse Dimitri. "Vai ser apenas por um momento, senhores."
"Leve o tempo que quiser," um dos homens prestes a ser morto disse
jovialmente. "O ato seguinte não começa antes de dez minutos. Você
deve se juntar a nós, Lucien. Uma garota aparentemente fuma com
sua_ "
"Eu já vi", disse Lucien rapidamente. "Na Turquia, uma vez. Mas
obrigado pelo convite. "
Dimitri levantou e passou pela cortina que Lucien estava segurando
aberta para ele. "O que é isso? ", ele perguntou aborrecido, seguindo
Lucien para fora da varanda em direção a um lugar dizendo saída.
"Eu realmente estou aqui a negócios, você sabe. Eu não tenho tempo
para continuar a ter essas reuniões não-tão-fraternais com você.”
Um homem careca com bíceps enormes, vestido com camisa e calças
pretas, que tinha plantado a si mesmo em frente a porta que dizia
saída disse “Apenas saída de emergência. Pegue as escadas.”
"Isso não será necessário, Marvin", Lucien disse suavemente.
"Não", Marvin disse, parecendo confuso. Então ele deu um passo para
o lado e abriu a porta para eles. "O senhor me desculpe. Eu não sei o
que eu estava dizendo. Tenha uma boa noite. "
"Nós teremos", Lucien disse.
Eles saíram em uma escada de incêndio que havia nos fundos acima
de um beco. O ar da noite estava fresco. Estava mais silencioso ali
fora do que dentro do clube, onde a música rock pesada tocava.
Embora Lucien tenha ouvido o som de um trovão distante de uma
tempestade que estava se formando sobre Nova Jersey.
O segurança fechou a porta de saída atrás deles.
"Bem?" Dimitri perguntou irritado, tirando um cigarro e acendendo-o.
"O que é isso? Pensei tivéssemos dito tudo o que tínhamos para dizer
na última vez em que nos encontramos”.
"Não", Lucien disse. "Nem tudo. Eu estive pensando em você."
"Você pensou?" Dimitri olhou desconfiado. "O que sobre mim?"
"Eu estava imaginando que esse pequeno" - Lucien fez um
movimento girando no ar o seu dedo indicador – “é sobre o que
falamos antes, na verdade”.
Dimitri olhou para o céu. "Eu deveria ter sabido. Você pensa demais,
você sabe. Você sempre fez isso. Com você foi sempre sobre os
livros. E o passado. Nunca o futuro. "
"Você já considerou que somente estudando os erros do passado” –
Lucien disse suavemente, "É que nós podemos ter um futuro?"
Dimitri revirou os olhos. "Certo. O que você está fazendo agora é tão
nobre, moldando pequenas mentes humanas. E provavelmente nunca
lhe ocorreu, ocorreu? Que a nossa espécie está começando a dizer
que você está ficando molenga…”
Lucien levantou uma sobrancelha. "Realmente. Você acha que eu
estou ficando molenga, Dimitri? "
"Eu não disse eu", ele disse. "Mas eu estava lhe dando uma
oportunidade para mostrar para eles o quanto estão errados." Ele
esfregou as costas do seu pescoço, como se lembrando de sua
aterrissagem forçada pelas mãos de Lucien. "Você deveria estar me
agradecendo, na verdade. Acho que eu fiz um trabalho exemplar em
mostrar que você ainda está no topo do jogo."
"Interessante", disse Lucien. "Sendo que eu fui atacado no início
desta semana também."
Dimitri olhou para ele, surpreso. Lucien não pode dizer se sua
surpresa era verdadeira. Dimitri sempre teve o dom para atuação.
"Aqui", ele perguntou. "Na cidade?"
"Sim", disse Lucien. "E na frente de um ser humano."Ele não ia dizer
uma palavra sobre Meena. Nada além do que o que ele tinha dito. Ele
sabia que não devia deixar transparecer que ele tinha um interesse
especial em uma mulher - particularmente uma mulher humana - na
frente de seu meio-irmão. "Você não sabe nada sobre isso, não é
mesmo?”
"Pelo amor de Deus, Lucien", disse Dimitri. Ele empurrou um pouco
da cinza para fora da grade da escada de incêndio. "Claro que não.
Quem você acha que eu sou? "
Lucien alcançou o símbolo do dragão que estava pendurado no
pescoço do seu meio-irmão. "Alguém que tentou me matar no
passado para que pudesse assumir o trono. Vejo que você ainda está
usando isso ", ele disse, deixando a imagem de ferro oscilar entre os
dedos, colocando a mão muito perto da garganta de Dimitri em uma
ameaça implícita. "Então foi o seu filho e aquele outro rapaz que
estava sentado com ele no clube. Você está me dizendo que isso não
significa nada?”
"É claro que isso significa alguma coisa." Dimitri cuspiu acima da
escada de incêndio, no beco quinze metros abaixo. "Somos parentes
de Drácula, pelo amor de Deus! Por que eu não usaria isso, e o
brasão da família, para promover a minha imagem como homem de
negócios? Você sabe que eu nunca entendi a sua relutância em fazer
o mesmo. "
A expressão de Lucien se torceu em desgosto. "Talvez porque eu não
queira ter nada a ver com o Dracul ", ele disse. "E porque eu não
vejo nada de admirável sobre ser um descendente direto de alguém
que matou dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes em
sua vida, e que foi, muito justamente, morto por isso."
Dimitri parecia entediado. "Bem", ele disse: "Eu supus que você fosse
colocar dessa maneira."
"E você está me dizendo que nem você, nem seu filho, tem nada a
ver com o atentado dos Dracul contra a minha vida em frente da
Catedral de São Jorge? "Lucien exigiu.
"Irmão". Dimitri sacudiu a cabeça, sua expressão abatida. "O que eu
fiz para você para fazer você desconfiar assim de mim?”
"Acredito que foi quando você tentou me enterrar vivo em te
Târgovi", Lucien observou.
"História antiga", disse Dimitri. "Você sempre guardou rancor por
muito tempo. O pai pensava isso também. "
"Estranhamente eu não levo muito a sério nada que o pai disse:"
Lucien comentou. "Se ele tivesse sido bom no que falava, a verdade
sobre a nossa existência nunca teria vazado para aquele tolo do
Stoker e não teríamos os Palatinos atrás de nós e nem teríamos que
mudar o nome da família "
As sobrancelhas de Dimitri baixaram em uma expressão que Lucien
reconheceu. "Existem maneiras de contornar os Palatinos", disse
Dimitri. "Eles não são tão onipotente quanto eles pensam."
Lucien estendeu a mão e, pegando seu meio-irmão pelo pescoço,
levantou-o no ar. Não apenas deixando seus pés no ar, mas
levantando-o até que ele o segurasse acima do lado da escada de
incêndio, quinze metros do chão. Dimitri, em pânico, agarrou a
manga de Lucien e olhou para baixo desesperado e ofegante. Ele
largou o cigarro, que caiu no chão e explodiu como uma chuva de
faíscas vermelhas ao bater no cimento.
"O pai também costumava se vangloriar que os Palatinos nunca o
pegariam ", Lucien disse. "E olha o que eles fizeram com ele. É isso
que você quer que aconteça com você? "
"Eu não quis dizer isso", Dimitri gargarejou. Ele não estava na
posição mais confortável do mundo, pendurado pelo pescoço tantos
metros acima do chão. "Pare de brincar, Lucien. M-me ponha no
chão.”
Lucien apertou seu punho. "Você realmente pode ter algo para se
preocupar, Dimitri, além do Palatinos ... porque nesta manhã eu
acordei com a estranha sensação de que tudo isso – as garotas
mortas, o ataque a minha vida – de alguma maneira apontam
para…você.”
Dimitri fez um barulho de engasgo. Ele parecia estar dizendo, Não.
Não, não sou eu…
Mas Lucien apenas sorriu.
"Oh, sim", ele disse ele. "Eu estou quase certo disso, na verdade. Eu
não posso provar... ainda. Mas eu irei. E quando eu fizer isso, farei
algo pior do que decapitar você, eu posso assegurá-lo ... assim como
farei com qualquer um que eu descobrir que possa ter ajudado você.
Eu fechei meus olhos para a sua rebelião contra mim no passado
porque você é meu irmão, Dimitri, e família é… Bem, família. Mas as
coisas mudaram agora. Você não precisa saber como mudaram,
apenas que eu não farei isso novamente. Não quando vidas humanas
estão sendo tiradas e outras estão em jogo. Você me entendeu?
Dimitri assentiu. Ele não parecia contente com a situação. "É claro",
disse ele, engasgando."Meu príncipe."
"Bom menino", Lucien disse.
Então de repente ele abriu as mãos e deixou o irmão cair.
Dimitri, como Lucien sabia que ele faria, caiu apenas poucos metros
antes de virar algo preto e lustroso, cheio de asas, garras e dentes,
que mergulhou em uma espiral graciosa antes de finalmente pousar
na terra ao lado do cigarro abandonado...
... então mudou novamente para a forma do irmão que ele conhecia
tão bem.
"Maldito seja, Lucien," Dimitri disse, levantando-se enquanto sacudia
seu terno. Ele parecia furioso. "Você sabe como eu odeio quando
você faz isso! "
Lucien sorriu para si mesmo. Agora quem tinha ficado molenga?
Ele se virou e bateu na porta da saída de emergência. Marvin, sempre
amável, abriu a porta para deixá-lo voltar. Embora o método de saída
de seu irmão fosse mais rápido, Lucien geralmente preferia pegar as
escadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário