Capítulo Quarenta e um
1:00 A.M . EST, Saturday, April 17
910 Park Avenue, Apt. 11B
New York, New York
Meena deitou na escuridão de seu quarto, piscando os olhos para o
teto, com a cabeça de Jack Bauer descansando em seu ombro.
Ela estava se esforçando para não pensar em nada, porque cada vez
que ela se lembrava o que estava acontecendo - porque, por
exemplo, ela podia ouvir os sons fracos de dois homens conversando
na sua sala, junto com o som do DVD Velozes e Furiosos de Jon que
rodava,– ela queria começar a chorar.
O som abafado vindo da sala parecia inofensivo: dois homens adultos
curtindo um filme sobre carros e armas. Eles de alguma forma
conseguiram juntar comida chinesa que não tinha derramado e
estavam comendo, então ela também podia sentir o cheiro, uma
mistura de odores de moo shu e bolinhos fritos. Apenas uma típica
sexta à noite na casa dela, enquanto lá fora de uma tempestade
estava se formando. Ela podia ouvir o vento agitando as copas das
árvores lá embaixo e o estrondo distante do trovão, e ver a ocasional
luz de um raio contra a parede, através das fendas das sombras
acima das janelas e das cortinas que cobriam as portas francesas de
sua varanda.
Mas ela sabia perfeitamente o que estava realmente acontecendo.
Alaric Wulf estava vigiando sua porta da frente para evitar que ela
saísse para ver Lucien. Ele estava fazendo isso pela mesma razão que
tinha quebrado todos os seus telefones. (Ela esperava que ele não se
lembrasse dos e-mails. Se ele quebrasse seu laptop, ela encontraria
uma maneira de processá-lo. Ela não se importava que seu chefe
fosse o Papa).
Mas Alaric não precisava ter se preocupado com ela tentando fugir.
Ela não estava particularmente ansiosa para ter um confronto com
Lucien. Ela tinha até levado uma arma para cama com ela: uma única
agulha de tricô de madeira remanescente de uma breve e malfadada
tentativa que ela e Leisha embarcaram certa vez.
Ela segurava a agulha de tricô apertada com uma mão, enquanto
com a outra ela acariciava distraidamente a cabeça de Jack Bauer,
observando as sombras dançarem contra o teto, assim como um
ocasional pedaço de luar que brilhava entre as nuvens.
O que exatamente ela planejava fazer com a agulha de tricô, ela não
tinha certeza. Mas apunhalar o coração de qualquer homem que
entrasse em seu quarto - humanos ou vampiro - parecia ser um bom
plano. Meena não estava se sentindo muito entusiasmada com
nenhum membro do sexo oposto no momento.
Ela ainda não tinha exatamente chegado a nenhuma conclusão sobre
tudo o que ela tinha descoberto durante o decorrer da noite. Ela não
tinha certeza se ela realmente seria capaz de entender – muito
menos acreditar – naquilo tudo.
Tudo que ela sabia com certeza era que, depois de tudo que ela tinha
visto e passado nessa noite, ela estava sentindo-se muito cansada e
queria descansar.
Mas - mesmo após colocar sua mais macia camisola branca – no
minuto em que ela se deitou e puxou o cobertor até o queixo, dormir
se tornou impossível. Ela se sentiu completamente acordada, e não
por causa dos trovões ou do barulho baixo que ela podia ouvir vindo
da sala.
Tudo o que ela podia pensar era no fato de que o homem de seus
sonhos - o cara que ela pensava que era tão perfeito… o cara com
quem, se ela fosse totalmente honesta consigo mesma, ela tolamente
tinha pensado em morar na Romenia – era um vampiro.
Um vampiro! Aquelas criaturas da ficção que ela tanto desprezava!
Ou não. Porque os vampiros da vida real não eram parecidos com os
vampiros de ficção. Os vampiros da vida real faziam coisas – muito
mais horríveis do que os vampiros de um filme, cujas imagens Meena
estava convencida que ficariam para sempre gravadas na parte de
trás de suas retinas - para pessoas que nenhum roteirista jamais
poderia, nem em um milhão de anos, ter imaginado.
E não apenas isso, mas Lucien era o governante supremo dos
vampiros.
E ele era filho do Vlad o Empalador. O Drácula.
Após se trancar em seu quarto, Meena achou sua velha e desgastada
cópia do romance - que ela havia comprado durante a sua fase
obcecada por morte gótica no colégio - e cometeu o engano de tentar
lê-lo novamente.
Então tudo veio à tona novamente. Não apenas os detalhes sobre as
criaturas contra as quais Alaric Wulf se comprometeu a lutar, mas
Mina! Havia realmente uma personagem no livro chamado Mina! Era
uma personagem que, Meena lembrou de imediato, se apaixonou
pelo Drácula e realmente bebeu um pouco de seu sangue ... e depois
foi, como tantas mulheres nos filmes e livros de terror, resgatada.
Tudo bem, no livro o nome foi escrito de forma diferente do que a
dela.
Mas, ainda assim.
Como é que estes tipos de coisas continuam acontecendo com ela?
Como se não fosse ruim o bastante ela ter que saber como todo
mundo que ela conhece vai morrer e se sentir moralmente obrigada a
alertá-las.
Agora ela tinha que se apaixonar – e ser mordida – pelo filho do
personagem mais desprezível de toda literatura gótica? Que acabou
sendo real?
Quando ela superasse tudo isso (e ela, na verdade, iria superar tudo
isso – ela tinha que fazê-lo; que outra escolha ela tinha?), ela iria
escrever um livro.
É claro que ela iria. Alguém tinha que começar a colocar as palavras
para fora. Era a única maneira de evitar que outras mulheres
passassem pelo que ela estava passando agora.
Mulheres são de Vênus, vampiros são do inferno.
Meena ficou deitada pensando em seu livro, observando como as
sombras dançavam no teto. Ela estava tão profundamente envolvida
no que ela diria quando a Oprah perguntasse porque ela tinha
deixado Lucien fazer as coisas que ele tinha feito com ela, que ela
nem percebeu quando Jack Bauer ergueu sua cabeça e seu olhar para
as portas francesas e inclinou suas orelhas para a frente.
Os Palatinos, Meena tinha certeza, iria tentar impedi-la de ir no
programa da Oprah. Alaric Wulf foi categórico em afirmar que a
existência dos vampiros não poderia ir a público.
Mas, porque, quando eles causaram tanta dor e sofrimento?
E esses eram apenas os que não estavam assassinando jovens.
Certo, ela tinha mais do que dado a Lucien o seu total consentimento
para que ele fizesse o que fez. E ela certamente gostou.
O que não faz disso certo_
Ao lado dela, o corpo de Jack Bauer começou a sacudir. Ele estava
rosnando, seu rosto de raposa apontando para as portas francesas.
Meena olhou para ele, então olhou para as portas. Ela pensou ter
visto algo preto flutuando passar pela janela com cortinas.
Um pombo, mais do que provável. Ou um saco de plástico, lançado
pela crescente tempestade.
"O que é isso, garoto?" Meena sussurrou. "Um pássaro? Você vai
matar aquele pássaro? "
Jack Bauer levantou apoiando-se nas quatro patas e ficou em pé no
meio da cama com a pele de suas costas completamente esticadas,
ele rosnou mais alto. Toda sua atenção voltada para as postas
francesas, seu pequeno corpo tremendo como uma vara.
Meena sentiu sua pele comichar com a reação dele com o que quer
que ele tenha percebido do outro lado da porta da sua varanda.
Não era nenhum pássaro.
Quem - ou, mais precisamente, o que – estava lá fora?
"Muito bem, garoto", disse Meena calmamente, balançando as pernas
para fora da cama. Ela agarrou a agulha de tricô firmemente em uma
mão. "Fique".
Ela devia, ela sabia, buscar Alaric Wulf. Era por isso que ele estava lá.
Para protegê-la.
Só que ele não estava por isso. Ele estava lá para tentar arrancar
dela o endereço do seu amante. Para assim ele poder matá-lo.
E, por sua vez, ser morto por ele. Junto com Jon.
Meena não podia deixar que isso acontecesse, do mesmo jeito que
ela não poderia deixar Lucien ser morto, independente do que ele
fosse, independente do que ele fez com ela… por mais que ele tenha
mentido.
Um relâmpago brilhou. Um trovão retumbou um segundo ou dois
depois, soando muito mais próximo agora do que antes. A
tempestade tinha atravessado o rio. Ela estaria sobre eles em poucos
minutos.
Ela não poderia chamar Alaric. Se ela o fizesse, ele morreria nas
mãos de Lucien, e Jon rapidamente o seguiria ... se ela não estivesse
ficando louca e Lucien estivesse, de fato, atrás dessas portas de
vidro. Não, é claro, que isso fosse mesmo possível, porque ela
morava no décimo primeiro andar e não havia escada de incêndio
para que ele pudesse ter subido (ela recusou-se a pensar sobre os
morcegos, ou na forma como o Conde Drácula, no livro de Bram
Stoker, foi capaz de escalar edifícios como uma lagartixa).
Levantando a agulha de tricô em seu punho acima de seu ombro, ela
moveu-se cautelosamente em direção às portas francesas, com as
cortinas brancas obscurecendo sua visão do que estava na varanda.
Atrás dela, Jack Bauer pulou da cama e a seguiu, ainda rosnado,
mesmo quando Meena chiou "Jack! Cachorro malvado! Fica! "
Jack, como sempre, não prestou nenhuma atenção nela.
Colocando uma mão na maçaneta da porta, Meena respirou fundo e a
abriu.
Uma súbita rajada de vento ajudou a empurrar a porta, e Jack,
animado, correu para a varanda. Meena, com o coração na garganta,
sussurrou: "Jack! Não! " e disparou para o terraço para detê-lo antes
que ele se machucasse.
Só que não havia ninguém - nada - ali.
Meena, tremendo, ficou parada com o vento aumentando. Acima de
sua cabeça, o céu estava com um selvagem padrão de mosaico de
nuvens escuras, por trás das quais relâmpagos continuavam a piscar
a cada poucos segundos.
Ela mal conseguia ver a lua como antes. Um trovão soou, tão alto
que ela parecia senti-lo reverberando dentro do peito.
Talvez por isso ela não ouviu o seu nome na primeira vez. A voz
chamando era tão selvagem e tão profunda como o trovão.
Mas então ela percebeu que Jack estava rosnando novamente, com a
cabeça virada na direção do terraço dos Antonescus, com seu nariz
empurrando a grade de ferro trabalhada enquanto ele arreganhava os
dentes.
E quando Meena se virou, ela viu.
Capítulo Quarenta de dois
1:15 A.M . EST, Sábado, 17 de abril
Parque Avenida, 910. Apt. 11B
Nova York, Nova York
Lucien.
Ele estava lá, parado no terraço de seu primo Emil, com seu casaco
longo negro sacudindo ao redor dele pelo vento como uma capa ....
O que ele estava fazendo ali, olhando para ela daquele jeito?
Era meia-noite. As nuvens acima vibravam bastante com a chuva.
Ela colocou a mão sobre o seu coração pulsante.
"Meena".
Sua voz era como seda líquida. Ela quase podia senti-la, tocando
levemente sua pele como o algodão branco de sua camisola.
Ele estava chamando por ela. Chamando por ela da forma como a luz
chamava o trovão.
O que ela iria fazer? O que ela iria dizer a ele?
Meena moveu-se da parede da varanda e inclinando-se contra ela,
disse, através dos oito pés de largura que se introduziam entre eles
“eu realmente não posso falar agora, Lucien."
Sua voz tremia tanto quanto seus dedos, mas ela ainda conseguiu
segurar sua agulha de tricô de madeira. Ela esperava que ele não
percebesse.
"Por que não, Meena?" Lucien perguntou, a preocupação na voz dele
era uma carícia. "Você está chateada porque eu tive que cancelar a
nossa noite juntos? Você não recebeu o meu recado? "
A voz dele se enrolava e serpenteava ao redor do coração dela do
mesmo jeito que o casaco dele envolvia as pernas dele toda vez que
o vento soprava.
"Eu recebi seu recado," ela disse. "Muito obrigada pela bolsa. Mas
agora não é uma boa hora."
"Talvez eu pudesse ter ido ai", ele disse. "Tentei ligar mais cedo, mas
você não estava atendendo o telefone.”
"Eu sei", Meena disse, engolindo em seco. Se ele realmente fosse o
príncipe das trevas, ele iria descobrir algum dia. Então ela podia dizer
a verdade. “Eu não podia atender meu telefone. Tem um guarda
palatino na minha sala. Ele destruiu todos os telefones.
Lucien ficou muito quieto. Na verdade, pareceu para Meena que tudo
tinha ficado quieto. O céu acima de suas cabeças congelou. Os raios,
os relâmpagos, as batidas de seu coração… até mesmo o vento
parou.
As nuvens, que estavam se movendo tão rapidamente apenas alguns
segundos antes, pareciam estar se acumulando uma em cima da
outra.
A densidade das nuvens negras de tempestades ocultavam o brilho
da lua, dissimulando a expressão de Lucien.
"Meena", ela o ouviu dizer.
A palavra - apenas aquelas duas sílabas – disse tudo o que ela
precisava saber, como se as repentinas mudanças meteorológicas
não tivessem sido suficientes para convencê-la. Ela carregava um
mundo de compaixão. E perigo.
Uma pequena parte dela – a parte romântica, ela supôs – tinha
esperanças que Lucien negasse tudo. Um vampiro? É claro que não!
Que ridículo. Tudo mundo sabe que vampiros não existem.
Mas ela somente escutou a verdade agora na voz dele.
"Eu tentei te dizer", disse ele. Sua voz soava como se quebrasse o
coração dela. "No museu ... "
"Vá embora." Ela estava sussurrando para que eles não fossem
ouvidos por ninguém na sala. Mas era difícil conter o horror de sua
voz bem como sua dor. “Vá embora, Lucien. E nunca mais volte."
"Meena". A lua ainda estava escondida atrás das nuvens deslizantes.
Mas agora ela podia ouvir que ele soava menos feridos e mais
impaciente. Como se ele tivesse qualquer direito de estar impaciente
com ela.
“Eu não posso acreditar no quanto eu fui idiota” Meena sentiu como
se ela estivesse sufocando. Ela segurava a agulha de tricô contra o
peito como uma espécie de talismã para afastar o mal. “Eu pensei
que tivéssemos um incrível vínculo. Não me pergunte porquê. Talvez
tenha sido a parte em que você salvou a minha vida na frente da
catedral. Só que eu não sabia que era você que aqueles morcegos
atacavam. Eu não sabia que você era um… um…”
Ela não conseguiu nem dizer a palavra.
"Meena", disse ele. "Eu posso explicar".
Ele estava falando sério? Ele poderia explicar? "Quem eram eles,
Lucien?" ela exigiu. "Você os conhecia, não conhecia?”
O tom de Lucien foi triste. "De certa forma ..."
"E todo o tempo" - a voz de Meena soava irregular até para seus
próprios ouvidos - "você lia a minha mente, não lia? Foi assim que
você soube onde eu morava! E sobre a bolsa!” Ela balançou a cabeça
“Aquela bolsa estúpida! Eu devia ter dito para ele jogá-la pela janela
ao invés do meu telefone. Você matou o dragão. Deus, eu não
acredito que eu caí nessa! Você já pensou em escrever diálogos para
uma novela americana, Lucien? Porque eu posso lhe conseguir um
emprego onde eu trabalho.”
"Meena", Lucien disse. Agora o seu tom de voz era agudo ... tão
afiado quanto seus dentes, ela pensou, já que ela nunca os sentira
afundando em sua pele. "Ele ainda está lá? O guarda Palatino? "
"Oh, o que está errado?" Ela sabia que provavelmente soava mais
histérica do que sarcástica. "Você não consegue ler minha mente
para descobrir?"
Uma rajada fortíssima de vento sobre o terraço apareceu do nada e a
teria derrubado se ela não tivesse largado a agulha de tricô e se
agarrado na grade da varanda com uma das mãos enquanto protegia
os olhos com a outra.
Por alguns segundos ela não conseguiu enxergar, havia muita poeira
e detritos – algumas folhas mortas dos gerânios de sua varanda,
girando em um súbito tornado de primavera, vindo do nada.
Mas ela tinha certeza que vira o contorno borrado de um grande
objeto parecido com um morcego, voando lentamente entre seu
terraço e os do Antunescus, bloqueando a pouca luz que ainda
brilhava no céu e a vinda das janelas dos apartamentos ao redor
deles. Parecia com a vez em que os morcegos tinham descido para
atacar Jack Bauer e ela…
Só que agora ela sabia que eles não tinham vindo atrás dela. Era o
Lucien que eles queriam…
E a razão pela qual eles não tinham causado nenhum efeito nele, era
porque ele não era humano. Os dentes e as garras deles não podiam
machucá-lo porque nada podia. Nada exceto decepar sua cabeça com
uma espada – pelo menos de acordo com Alaric – ou enfiar uma
estaca pontuda de madeira em seu coração.
E ela tinha acabado de deixar cair estupidamente a única peça de
madeira pontuda que ela possuía.
Quando o vento se aquietou e Meena foi capaz de abrir os olhos, viu
que Lucien estava parado na sua frente, na própria varanda dela, só
um pé ou dois de distância.
Meena, seu coração parecendo como se fosse pular fora do peito,
empinou o queixo para olhar para o rosto dele – aquele
impressionante belo rosto – e viu que ele estava com uma expressão
de extremo desagrado.
Pela primeira vez ela reconheceu a afluência de seu pulso pelo o que
ela realmente era: medo.
E não apenas por Jon e pelo guarda Palatino dentro de seu
apartamento: medo por sua própria vida.
"Honestamente", Lucien disse calmamente: "Eu nunca fui capaz de
ler sua mente, Meena. Seus pensamentos sempre foram um pouco…
confusos."
Meena, com os dedos tremendo convulsivamente, agarrou com força
a grade da varanda. O que ela tinha feito? O que estava
acontecendo? O que ele fazia aqui? Ele iria matá-la?
"Eu pensei que vampiros n-não pudessem entrar numa casa sem
serem convidados.” Ela gaguejou através dos dentes que tinha
começado a ranger. Era sua imaginação ou os olhos escuros dele
tinham uma chama vermelha no fundo de suas pupilas?
"Isso costumava ser verdade", disse ele. O trovão tinha começado de
novo, tão alto que abalou a grade de metal sob os dedos dela. A
tempestade acima de suas cabeças estava chegando ao auge. "Pelo
menos nos dias em que as pessoas se importavam o suficiente com
suas casas para tê-las abençoadas por um padre ou um rabino. Nos
dias de hoje, onde ninguém mais parece se importar? Isso não é
realmente um problema para nós.”
"Oh", Meena disse. "Certo." Seu olhar estava fixo no dele, embora ela
estivesse se atrapalhado secretamente com seus pés descalços no
chão da varanda, procurando pela agulha de tricô que ela deixara
cair. Se ela a achasse, ela realmente teria a coragem – e a força –
para fincá-la no coração dele (ou no lugar em que seu coração esteve
um dia)?
Talvez ela devesse apenas pular. A morte seria preferível a isso.
"Mas quando nos depararmos com um lugar sagrado", Lucien disse,
continuando com o mesmo imparcial tom de conversa “nós podemos
achar um meio de contornar isso. Nós podemos usar o controle da
mente para conseguir fazer com que uma pessoa com menos… força
de vontade nos convide a entrar. Alguns de nós podem até se
transformar em neblina e entrar pelo buraco da fechadura, se não
nos importamos de sermos vistos pelos outros depois".
"Você pode transformar em neblina?"ela perguntou baixinho.
Seus olhos vermelhos se focaram nela. "Sim", ele disse. "Eu posso
me transformar em neblina. Eu posso transformar em um lobo
também. E você não vai me matar, Meena. Não com uma agulha de
tricô. Você não vai pular, e nem gritar para que o guarda paladino
venha aqui, mesmo que você me ache repugnante.” Suas
sobrancelhas negras se uniram. "Por que isso?"
Ele podia ler seus pensamentos. Ele podia.
Um pouco, de qualquer maneira.
De repente, o mundo pareceu girar loucamente na frente dela.
Lucien estendeu a mão e agarrou-a pela cintura, puxando seu corpo
contra o dele. Sentir os músculos fortes dele através do fino material
da camisola balançou com o universo dela.
Mas só um pouco.
Agora sua voz era uma calmante amarra. "Eu posso entender porque
você está chateada ...".
"Não." Ela esticou o pescoço para olhar para ele. Ela tinha vergonha
das lágrimas que estavam nadando em seus olhos, mas não havia
nada que ela pudesse fazer para para-las. "Eu não acho que você
possa. Há algumas horas atrás eu pensava que você era a melhor
coisa que tinha acontecido comigo. E agora eu acabo de descobrir
que eu nunca conheci realmente você.” Sua consciência fez com que
ela sentisse remorso.
"E, está certo, você também não me conheceu realmente… mas você
nem sequer é humano.”
O céu se iluminou com um traço único brilhante de raio e, em
seguida, houve um forte estremecimento de um trovão.
Então começou a chover. Gotas grandes e contundentes atingiram a
cabeça dela e seus ombros.
Lucien disse, "Meena." Ele não parecia mais imparcial. Agora a sua
voz, como o trovão, parecia irritada e desesperada. "Eu fui humano
... uma vez." Ele se virou para que seu corpo bloqueasse a chuva de
Meena, mantendo-a em um abrigo duvidoso que a porta do quarto
dela oferecia ao aguaceiro, enquanto o mundo continuava se
tornando cada vez mais doente ao redor dela. O cachorro dela, ao vêlos
tão próximos, lançou rosnados exaltados, mas não ousou uma
abordagem.
"Você não acha que eu desejo sentir essas coisas de novo?” Lucien
perguntou.
Sua voz era crua. Ele sabia o que ele era - e claramente odiava isso.
Mas ele tinha que aceitar ... da mesma maneira, Meena soube em um
momento de clareza, que ela tinha que aceitar o que ela era.
"Você acha que eu gosto do que o meu pai me tornou?", ele
perguntou a ela desesperadamente. "Não. Mas você acha que eu tive
alguma escolha? Eu não sei que pacto profano ele fez, ou com quem
ele estava... com os demônios, bruxas, ou com o próprio diabo. Tudo
o que sei é que uma noite eu que morri e acordei para descobrir que
eu era… isso. Ele fez o mesmo com o meu irmão Dimitri. Ele nos
disse para não nos preocuparmos, porque nós viveríamos para
sempre. Ao contrário da minha mãe…Sua morte foi o que o levou a
buscar essa grotesca meia vida para todos nós.”
Meena olhou para ele com horror, do abrigo dos braços dele,
enquanto atrás dele a chuva escorria como uma cortina pesada, e
trovões reverberavam implacavelmente. Ela não queria ouvir isso.
Ela não queria ouvir nada disso.
"É claro", disse Lucien com um sorriso irónico, "não era tão simples
assim. Existiam… estímulos. Eu tentei não ser derrotado por eles. Mas
eles eram tão fortes. Meu pai não fazia nada além de nos encorajar,
trazer para nós… presentes. Dimitri, que sempre teve pouca força de
vontade, não ligava em deixar a febre tomar conta e deixar seus
instintos básicos dominá-lo, matando inocentes e se tornando mais
monstro do que homem. Mas eu… Eu não sei. Talvez porque eu tenha
o benefício de ser filho da minha mãe, que, como você sabe, havia
rumores que ela era parte anjo_”
"Lucien."
Ela estava com pena dele. Ela estava. Ela levantou a mão ... ela não
sabia o motivo. Talvez para acariciar a bochecha dele.
Ela sabia o que ele era. E ela odiava.
Mas ele estava sofrendo.
Ele se encolheu antes que ela pudesse tocá-lo e olhou para longe,
para a chuva.
"Eu não estou dizendo que sou um homem melhor do que o meu
irmão", ele disse. "Ou que minha mãe era uma mulher melhor do que
a dele. E eu não estou dizendo que eu não poderia ter feito mais para
tentar impedir meu pai e ele. Eu poderia. Eu deveria ter feito.
Eventualmente eu… fiz."
Ele olhou para ela, e os olhos dele eram brasas. Meena baixou a mão
tão apressadamente como se tivesse sido queimada.
"Quando meu pai foi finalmente destruído, e eu me tornei o príncipe",
ele disse, "Eu disse a todos que a matança teria que parar. "
Meena não queria ouvir isso. As fotos que Alaric Wulf tinha mostrado
a ela estavam frescas em sua mente.
Mas ela também não podia apenas ficar parada ali enquanto ele se
acabava em vergonha na sua frente.
Especialmente quando a tempestade açoitava as costas dele, batendo
nelas como um furacão de água.
Como ele disse, ele podia ser um vampiro agora.
Mas ele tinha sido humano uma vez.
"Venha para dentro," ela sussurrou. "Você está ficando ensopado."
Ele olhou para ela, como que assustado por ver que ele ainda a
mantinha em seus braços. Então dirigiu a ela um olhar com a
intensidade de um laser que ela não teve certeza se gostou.
Estaria ele vendo-a, finalmente, como Meena, a mulher que ele
amava ... ou como sua próxima refeição?
Ela sabia que esse poderia ser o pior erro que ela cometeria em sua
vida.
Mas ainda assim ela abriu a porta do seu quarto.
Lucien a seguiu na escuridão.
"Você acha que eu sou um monstro", ele disse.
Ela não podia negar.
Então, ela fingiu hospitalidade.
"Eu tenho uma toalha aqui em algum lugar", ela disse enquanto
levantava Jack Bauer, que tinha seguido eles, ainda rosnando, para o
quarto. Ela colocou-o dentro do armário, pegando também uma
toalha de lá. Jack Bauer olhou ao redor, confuso, para todos sapatos
de Meena, então latiu, apenas uma vez, quando ela fechava a porta.
Ele estaria bem, ela sabia, lá dentro. Mais seguro do que ela.
E, mais importante, ninguém iria ouvi-lo, especialmente com o som
da tempestade lá fora e com o filme que ela ainda podia ouvir soando
longe, na sala de estar.
"Você fez alguma coisa comigo." Lucien acusou com uma voz chocada
quando ela lhe entregou a toalha e, em seguida, ajudou a tirar o
casaco molhado.
"O quê? Eu fiz uma coisa com você? Eu não sou a única que fez
alguma coisa ", Meena sussurrou, incrédula, abaixando-se para
enfrentá-lo da cama. "Tudo que fiz foi cometer o erro imenso de me
apaixonar por você. O que, acredite, eu estou colocando junto com o
meu mais profundo, mais sombrio, arrependimento, como aquele
permanente que eu fiz na oitava série porque eu não ouvi a Leisha, e
fui para a formatura com Peter Delmonico. Certo? Então vamos
apenas marcar tudo isso como uma decisão realmente ruim e
terminar com isso agora. Quando parar de chover, você terá que ir.
Acredite em mim, eu estou lhe fazendo um grande favor. Porque
apenas um grito, e o guarda que está na minha sala estará aqui como
um tiro pondo uma estaca em você.”
Ele viu aqueles olhos vermelhos passarem por ela e pararem na porta
do quarto.
Ela balançou a cabeça e se inclinou para agarrar um punhado duplo
da camisa branca no peito dele, puxando-o para baixar ao seu lado
na cama.
"Você sabe que eu não posso ir ", Lucien disse, ainda olhando para a
porta do quarto.
"Sim, você pode", Meena disse, sacudindo a cabeça. Ela continuou
segurando a parte da frente da camisa dele. "Por que você não
pode?"
Seu olhar se voltou para ela, o vermelho morreu um pouco,
felizmente. "Você sabe porque, Meena ".
Sobre o que ele estava falando? Ele não poderia estar querendo
dizer... Não havia nenhuma maneira que ele pudesse_
“Eu não posso ir porque estou apaixonado por você, Meena ", ele
disse em sua voz profunda. Ele se esticou para enrolar sua mão com
a dela."Eu disse a você. Você matou o dragão."
Ele era apaixonado por ela? Lucien Antonescu estava apaixonado por
ela?
Apenas algumas horas atrás, essa notícia teria feito dela a garota
mais feliz do mundo.
Mas agora ...
Agora ela sabia que ele não era apenas Lucien Antonescu, professor
de história do Leste Europeu.
Ele era o príncipe das trevas.
Ele continuou com a mesma voz profunda e áspera, ainda segurando
as mãos dela. "Mas você está escondendo algo de mim, Meena. E não
é apenas um guarda Palatino na sua sala. Eu sei disso desde o
momento em que nos conhecemos. Algo que você esconde de todo
mundo_”
"Eu estou escondendo algo?" Ela sabia exatamente sobre o que ele
estava falando, é claro. Mas ela mentiu automaticamente. Porque ela
sempre fazia isso.
"Sim, você", ele disse. Agora suas mãos se moveram para segurar
seus ombros. "Eu sei. Eu nunca deveria ter pensado que eu poderia
te enganar, de todas as pessoas. Mas você sabe que eu fui tão
honesto o quanto eu pude ser sem… aterrorizar você. Mas você…
Você não foi honesta comigo também. Existe algo sobre você. Desde
que nós… estamos juntos _ Eu... eu…”
"Você o quê?" Meena perguntou. Seu coração estava batendo forte.
Ela sabia que estava assumindo um enorme risco convidando-o para
o seu quarto _ sem falar no seu coração. A qualquer momento, Alaric
poderia irromper no quarto, trazendo Jon correndo atrás dele. Além
de tudo, se o pior acontecesse, seria tudo culpa dela…
Ao deixá-lo entrar em seu quarto, ela estava essencialmente fazendo
o que ele tinha acabado de confessar que fazia, todos esses anos
junto com seu pai e irmão… cometendo assassinato.
O que ela estava fazendo?
"Desde que eu deixei você nessa manhã,” Lucien disse, "Eu estou
tendo a estranha sensação que eu sei como praticamente todos os
humanos que eu estive em contato… irão morrer. E não, o que quer
que você pense de mim, pelas minhas mãos.”
Meena olhou para ele. Pela primeira vez, desde que ela podia se
lembrar, ela não conseguia pensar em nada para dizer.
"Tenho certeza que o homem que está na sua sala lhe disse coisas
muito coloridas sobre mim.” Lucien continuou “Uma grande parte
delas pode até ser verdade. Eu sou o que eu sou há muito tempo.”
Ele estava obviamente escolhendo as palavras com cuidado. “Mas eu
nunca, nunca experimentei algo como isso. Não até… Bem, estar com
você. Você se importa de me explicar o que, exatamente, está
acontecendo? Eu acredito que isso tem algo a ver com o seu segredo.
A coisa que você esconde. E que torna impossível para mim ler sua
mente completamente. E faz com que você se identifique tanto com
Joana D`arc, que ouvia vozes. Porque é isso que eu sinto que estou
fazendo. Ouvindo vozes.”
Na sala ao lado, ela ouviu um estereofónico acidente de carro.
Velozes e Furiosos estava indo a caminho de um crescente
esmagamento de metal.
"Sou eu", ela disse. Ela deu um suspiro cheio de lágrimas.
A força do aperto dele aumentou.
Não muito gentilmente, também.
"Sobre o que você está falando?" ele perguntou asperamente.
"Você bebeu meu sangue", ela o lembrou. "Não muito, então isso
provavelmente vai desaparecer após a sua próxima refeição. Isso
deve lhe ensinar a ser mais cuidadoso. Você é o que você come, você
sabe. "
Capítulo quarenta e três
2:00 da manhã. EST, Sábado, 17 de Abril
910 Park Avenue, Apto 11B
Nova Iorque, Nova Iorque
Lucien olhou para ela. Seu rosto era uma lua pálida, firme sob o dele.
Como deve ser o meu próprio olhar para ela? ele perguntou. Uma
máscara de choque.
“Você pode dizer,” ele murmurou, tentando se certificar de que ele
compreendeu-a corretamente. “como todo mundo vai morrer?”
“Bem, não todos,” disse Meena. “Obviamente, não você. Desde que
você já está morto.”
Ele estava travando ambos os braços, e não soltou ou afrouxou o
aperto sobre ela. Ele só ficava olhando para ela.
“É por isso que você tem que ir.” disse Meena com sua voz rouca. “Eu
sei que você vai matar o guarda. O do Vaticano. E também Jon.”
Na palavra Jon, sua voz quebrou.
Lucien sentiu como se o trovão que soou tinha simplesmente vindo
de algum lugar dentro dele. Ele balançou a cabeça, tentando sacudir
a verdade de suas palavras em sua mente, como as minúsculas gotas
de chuva que ainda estavam agarradas às extremidades de seu
cabelo.
“Não,” disse ele. “Meena, eu não faria isso. Eu não matei um ser
humano em séculos, e você tem que saber, eu nunca iria matar o seu
irmão ou alguém que você amava.”
Apesar da escuridão em seu quarto, viu as lágrimas nos cantos dos
olhos, brilhando como diamantes. “Exceto que você vai.” Disse ela
simplesmente.
“Meena,” disse ele. Seu coração, que por tantos anos ele havia
suspeitado que havia morrido dentro dele, junto com sua alma, tinha
finalmente voltado à vida. “O que você vê... suas visões... elas não
são sempre verdadeiras. Elas são?” Ele pensou no rapaz cujas as
chaves ele tinha levado no início da noite.
“Não.” Meena ergueu um punho e esfregou os olhos marejados. “Não
se eu avisar as pessoas. E eles fazerem algo sobre isso. Mas você é
um vampiro, Lucien. Você não é apenas qualquer vampiro.
Aparentemente, você é o governante de todos os vampiros, o
príncipe das trevas. Que você não vai fazer nada para esse cara? Ou
para o meu irmão? Nem mesmo em legítima defesa? Porque os dois
realmente querem mata-lo. Alaric Wulf tem uma espada muito
grande e—”
Lucien inclinou a cabeça, os ombros caídos. Alaric. Alaric Wulf. “Sim.
Eu conheço esse homem. E,” acrescentou ele, incapaz de manter seu
choque com tudo isso que estava acontecendo. “o seu parceiro. Esse
foi o Dracul quem os atacou.”
“Foi o... Dracul”—ela disse a palavra como se fosse desagradável
para ela—“quem nos atacou fora de São Jorge na noite passada?”
“Sim,” respondeu ele. “Não nós, embora. Eu. Eles estavam atrás de
mim. Você nunca esteve em perigo.”
Meena soltou uma pequena risada melancólica. “Bem, você não
estava em perigo, enquanto eu estava lá,” disse Lucien, alterando
sua declaração.
“E é o Dracul quem está matando essas meninas?” Meena perguntou.
Ele olhou para ela. Como pode uma personalidade tão forte estar
escondida em um corpo impossivelmente pequeno? “Sim,” admitiu.
“Estou bastante certo disso.”
“Então... a nova era iluminada não é realmente trabalhar fora, não
é?” Meena perguntou. Ele nunca tinha sentido tal desespero. Por que
tudo isso estava acontecendo agora, quando ele finalmente tinha
chegado tão perto de agarrar um pouco de felicidade?
A barganha que seu pai tinha selado tinha alcançado a imortalidade
para si e sua família. Mas qual era o ponto da vida eterna se estava
destinado a gastá-lo sozinho?
“É complicado,” disse ele. “O desejo por sangue é forte,
especialmente no recém-transformado, assim se alimentam por
muito tempo... mas não vou permitir que matem. Eles sabem que
haverá repercussões se desobedecerem. Mas há muito mais deles
agora do que costumava ser. Eu não posso controlar todos eles. Eu
tentei delegar, mas... eu acho que meu irmão é a pessoa por trás dos
que se levantam contra mim. Ele fez isso antes. Ele sempre quis o
trono.”
Meena pegou a toalha que tinha largado, levantou-a para limpar seus
cabelos e sua nuca. “Como os escritores de diálogos” ela murmurou,
beijando delicadamente os lugares onde ela pressionou a toalha
apenas alguns segundos antes. “sempre querendo ser escrito na
cabeça.”
Ele olhou para ela com surpresa. O toque de sua boca quente contra
sua pele tinha enviado um choque elétrico através dele. Ele não sabia
como reagir. Ele não tinha certeza se o beijo tinha significado nada...
Ou tudo. “Sinto muito?” ele perguntou, espantado.
Seus olhos estavam arregalados. Ela parecia tão surpresa com o que
ela tinha acabado de fazer como ele.
“O fato é, você ainda vai matar meu irmão,” disse ela.
“Eu não vou,” insistiu ele, tomando-lhe a mão e puxando-a para si,
em seguida, pegando seu rosto de modo caloroso bem na curva do
pescoço, chegando a clavícula. Ele teve o cuidado de não beijá-la ali,
no entanto. Ele tinha visto a cópia de Drácula em um canto no chão
do quarto dela, como se tivesse sido arremessado lá com alguma
violência. “Meena, eu te disse, eu te amo. Eu nunca—”
“Eu sei que você não iria querer,” ela sussurrou em seu cabelo
impecavelmente úmido. Sua voz era instável com lágrimas não
derramadas. “Mas eu também sei que meu irmão não sabe que eu
gosto de você. E ele vai tentar matá-lo. Ele quer se juntar a eles.”
“Juntar-se a quem?” Lucien sentiu sua mente confusa. Isto era
resultado de sua proximidade ou os restos de seu sangue ainda
fervendo em suas veias?
“O Palatino,” disse ela.
Lucien mal a ouvia. De alguma forma, sua camisa se abrira, e ela
estava beijando seus ombros, como se não conseguisse parar por si
mesma, seus lábios macios como pétalas de flores. Tudo o que ele
conseguia pensar era na suavidade de sua pele—como um
Montrachet recém-servido—e o fato de que ele podia ouvir o pulso
acelerado nas veias delas, nas suas veias, um eco dos batimentos
cardíacos, quando ele costumava ter.
Então, ele disse apenas, “Eu não acho que precisamos nos preocupar
com isso acontecendo. Mais do que nós precisamos nos preocupar
sobre eu matando Jon.”
Enquanto falava, ele ergueu a camisola branca cor de neve sobre a
cabeça dela, não inteiramente certo se ela estava mesmo ciente do
que ele estava fazendo.
Agora, ela se ajoelhou ao lado dele, totalmente despidos, com seus
olhos escuros, procurando o rosto dele. Mesmo a sala estando muito
escura, ele podia ver a ponta inclinada de um seio tremendo com
cada pulsa de seu coração.
A onda de desejo que se chocou com ele foi mais forte do que
qualquer coisa que ele jamais poderia lembrar ter sentido em sua
vida. Que tinha sido a mais de meio milênio.
“Meena,” disse ele. A voz era magoada, o desejo enorme.
Então, as reservas finais de controle destruídas pela sensação da pele
acetinada dela sob seus dedos, ele se viu puxando-a contra si,
maravilhado com o calor do corpo de Meena e colou os lábios dele
sobre os dela, dominado por um desespero para consumi-la...
devorá-la...
Ela soltou um gemido abafado — se era de protesto ou de desejo, ele
não conseguiu determinar — e colocou as duas mãos no peito de
Lucien.
Relutante, ele afastou os lábios dos dela e perguntou:
“O que foi?”
“Nada de mordidas,” sussurrou ela. “Estou falando sério dessa vez.”
Capítulo Quarenta e Três
10:15 da Manhã. EST, Sábado, 17 de Abril
Park Avenue, 910, Apartamento 11B
Nova York, Nova York
Jon olhou para as panquecas fritando na frigideira em sua frente.
Perfeitas.
Realmente.
Ele estava no pique hoje. Uma dúzia de panquecas, uma mais
dourada que a outra.
Esse iria ser um café-da-manhã para ninguém nunca esquecer.
Quando tinha certeza de que havia preparado panquecas suficientes,
ele as colocou no prato perto do fogão, cantarolando baixinho.
Ele sabia que não deveria estar se sentido tão alegre, já que sua irmã
estava passando por um momento bem difícil.
Mas poderia haver algo mais legal do que ter um caçador de
vampiros do Vaticano morando em seu apartamento?
Ele olhou para a passagem, a fim de verificar a mesa de jantar. Ah,
sim. Isso estava bom. Mesa colocada. Suco de laranja servido em
copos. Guardanapos dobrados. O lugar parecia um café-da-manhã do
Sarabeth's (estabelecimento que fica no Central Park). Só não havia
carrinhos de bebê ou jovens ricos ou crianças gritando.
Ele desejou poder ligar para Weinberg e convidá-lo para comer
algumas de suas panquecas excelentes. Também para dizer à ele o
que estava acontecendo.
Vampiros, em Manhattan? Ele nunca iria acreditar.
Uma sociedade secreta de caçadores de vampiros?
Ele, assim como Jon, gostaria de entrar para ela. Não haviam dúvidas
sobre isso. Chutar a bunda de alguns mortos-vivos.
Mas por outro lado, Weinberg tinha se mostrado relutante sobre se
juntar à NYPD (Polícia de Nova York).
Talvez ele não fosse querer participar. Talvez ele só quisesse ficar em
casa e continuar assistindo CNN e queixando-se sobre o serial killer
que estava...
Jon parou, o lançador de massa de panquecas ainda levantado em
sua mão. O serial killer. O serial killer sobre o qual Weinberg estava
sempre falando nesses dias.
É claro. Era o mesmo vampiro que Alaric Wulf estava caçando.
Bem, não o mesmo que havia mordido sua irmã, se Jon tivesse
entendido o que estava acontecendo... e Jon não tinha exatamente
certeza de que tivesse entendido direito o que estava acontecendo.
Mas algum vampiro, de qualquer jeito.
Oh, agora ele precisava contar para Weinberg.
Jon pousou o lançador de panquecas, pegou o celular mais próximo e
começou a discar.
- Esse é o meu celular? - Meena perguntou, entrando na cozinha
totalmente vestida com jeans, uma camiseta e um lenço vermelho e
pequeno combinando, os cabelos curvando-se amplamente na parte
de trás do pescoço pelo seu banho da manhã.
Jon olhou surpreso para o celular em sua mão.
- Oh - ele disse, apertando o botão de terminar a chamada. - É.
Desculpe. Eu, hm, consertei na noite passada, depois que você foi
para a cama. Ele funciona bem. Eu acho que foi apenas um ferimento
leve.
- Dê ele para mim - Meena disse, estendendo a mão.
- Sem chance - Jon lançou outro olhar através da passagem, para a
sala de estar. Porém, Wulf não estava lá. Ele ainda estava no outro
banheiro, tomando banho. Ele havia deixado a cargo de Jon, com
instruções severas, de que não permitisse que Meena chegasse perto
de quaisquer telefones, computadores ou sair pelas portas do
apartamento. - Você ainda está toda... infectada e essas coisas.
- Jon - Meena disse firmemente. Ela olhou melhor para o sol brilhante
que era transmitido através das janelas pelas quais ela chegara na
noite anterior. Ela havia se maquiado, por uma coisa.
E ela não estava mais chorando. Ela, na verdade, parecia... bem,
alegre era a única palavra que Jon poderia pensar para descrevê-la.
Mesmo ele sabendo que ela detestava essa palavra.
Como de costume, Jack Bauer estava andando ao seu lado, ofegante.
- Não seja idiota - Meena disse. - Eu não vou ligar para ele.
Ela não precisava dizer quem ele era. Os dois sabiam.
O vampiro.
- Eu só quero checar minhas mensagens - ela disse.
Jon hesitou. Ela realmente parecia muito melhor. Talvez ela tivesse
superado o cara.
A verdade era que, se Jon descobrisse que alguma garota com a qual
ele tivesse saído era uma vampira, ele também a superaria bem
rápido.
A menos que ela fosse Taylor Mackenzie, é claro.
- Bem - ele disse. Ele olhou para o telefone celular. Tinha vibrado
como louco durante toda a manhã. Alguém estava sendo bastante
persistente, tentando se apossar dela.
Poderia ter sido o vampiro, ele sabia. Se fosse, ele poderia dar o
telefone para Meena, e em seguida ouvir a conversa deles, descobrir
onde o cara estava e então contar para Alaric Wulf e ajudar a matálo.
Então, com certeza ele seria contratado por esse grupo da Palatina,
ou qualquer coisa que eles fossem. Ele teria uma carreira nova! E
incrível, diga-se de passagem.
Por outro lado, havia a coisa toda de que Meena tinha certeza que
seu novo namorado ia matá-lo.
Então, houve um pequeno problema.
O telefone começou a zumbir em sua mão, enquanto ele estava ali
debatendo se deveria dar a ela ou não.
- Pode ser Leisha - Meena disse. - Ela pode estar no trabalho.
- Ela não deve trabalhar por dois meses - ele disse.
- Essa é só a opinião do médico - disse Meena. - Não a minha.
- E a sua perícia médica é amplamente conhecida - Jon disse.
- Na verdade, - disse Meena - é mesmo.
Jon olhou para o telefone em suas mãos.
- Aqui diz "Número Desconhecido" - ele disse.
- É Leisha, provavelmente ligando do trabalho - disse Meena.
- Em um sábado - disse Jon.
- Ela é cabeleireira - Meena o lembrou.
Jon rolou os olhos e entregou o telefone à ela. Ela obviamente não
estava tão preocupada com o príncipe das trevas querendo matá-lo.
Então por que ele deveria estar?
Meena pressionou o botão de Aceitar Ligação.
- Alô?
- O que está acontecendo aqui? - trovejou uma voz profunda vinda
da sala de jantar.
Jon lançou a Meena um olhar desesperado. Agora ela o havia
colocado em problemas. Isso definitivamente não iria ficar bom em
sua candidatura à Guarda Palatina.
- Uh, nada - Jon disse, saindo da cozinha com o prato de panquecas.
- É só a melhor amiga dela ligando. Ela está tendo um bebê. Sério,
cara, eu chequei. Panquecas?
Alaric Wulf parecia chateado. Seu cabelo loiro estava ainda molhado
do banho, e ele deixara sua camisa ali atrás, em algum lugar,
mostrando um conjunto verdadeiramente impressionante de deltóides
e peitorais, para não mencionar no abdominal extremamente
definido, que redefinia o termo tanquinho. De fato, se Jon pudesse
ter obtido uma definição muscular como essa, ele não tinha nenhuma
dúvida de que Taylor Mackenzie estaria comendo em sua mão há
meses.
Por outro lado, o cara tinha algumas cicatrizes bem feias que
estavam fazendo Jon pensar que deveria reconsiderar se juntar
naquela coisa de caçadores de vampiros. Isso era uma ferida de
mordida? Parecia... bem, torta era a única palavra que Jon conseguia
pensar para descrever isso.
Meena, em um ato de bravura pelo qual Jon decidiu que iria admirála
infinitamente mais, ergueu um dedo na direção de Wulf, no gesto
internacional para Eu irei falar com você em um momento, enquanto
acenava para quem estava ligando para ela.
Apoplético de raiva, com as veias de seu pescoço e de sua testa
saltando, Alaric Wulf ficou ali olhando para Meena, ignorando Jon
completamente. Ele nem percebeu o gentil prato ou o fato de que Jon
havia feito bacon. Bacon real! Nem mesmo aquele de peru. Ele teve
que abrir as janelas para deixar sair um pouco do fedor de gordura.
- Desligue... o... telefone - disse Wulf.
Jon olhou para Meena, que nem sequer parecia notar Alaric. Suas
sobrancelhas estavam unidas, e ela estava dizendo ao telefone:
- Espere, devagar... aonde exatamente você está?
Alaric Wulf atravessou a sala em três passos longos. Jon pensou que
ele ia arrancar a cabeça de sua irmã fora.
Mas tudo o que ele fez foi alcançar o telefone.
Meena, porém, disparou para trás da poltrona - movendo-se tão
rápido quanto Wulf - e exigiu sarcasticamente:
- Você se importa? Eu estou no telefone. É importante.
Alaric Wulf finalmente olhou na direção de Jon, obviamente à procura
de uma explicação.
- Hm - disse Jon - é. A sua melhor amiga está grávida, e ela acha
que... é uma longa história. Eu juro que isso não tem nada a ver com
vampiros. Olha, eu fiz o café-da-manhã. Porque nós não nos
sentamos e comemos um pouco, antes que esfrie? Eu posso te fazer
um café? É bem fácil com a cafeteira da Meena.
Alaric resmungou alguma coisa. Jon não conseguia saber o quê. Ele
não parecia feliz. Ele ficou onde estava, esperando que Meena
terminasse a chamada, de braços cruzados sobre o peito largo, as
cicatrizes espalhadas.
- Eu entendo - Meena estava dizendo ao telefone - Não, você fez a
coisa certa. Só me diga aonde você está. Nós estaremos aí para
pegá-la.
Um olhar de completa descrença se espalhou no rosto de Alaric Wulf.
Meena encontrou seu olhar e estreitou os olhos para ele.
- Sim, eu sei exatamente onde você está. - Meena disse para o
telefone. - Nós a encontraremos. Eu prometo. Nos dê meia hora.
Tchau.
Ela desligou.
- Nós temos que ir - ela disse. - Nós...
Antes de ela conseguir dizer qualquer outra palavra, Wulf explodiu.
- Você estava com ele na noite passada - ele entrou em erupção,
apontando um dedo acusador na direção de Meena - Ele esteve aqui!
O queixo de Meena caiu. O dela não foi o único. Jon olhou para o
caçador de vampiros com espanto.
- Do que você está falando? - Jon perguntou. - Nós estivemos aqui a
noite toda. E ela nunca...
- Eu estava falando disso.
Wulf avançou e puxou o lenço vermelho e pequeno que Meena havia
amarrado no pescoço, que combinava com a sua sapatilha vermelha.
- Ow - Meena disse, parecendo irritada. - Você enforca muito as
pessoas? Realmente, o seu chefe está ok com você tratando as
pessoas assim?
Alaric, parecendo mais irritado do que ela, deu um abraço de urso de
um braço só em torno de sua cintura, para evitar que ela se lançasse
para o lado novamente. Então, com a mão livre, ele arrancou a parte
do nó, segurando o lenço no lugar.
Quando o lenço caiu e escorregou para o chão, Jon ficou boquiaberto
com a marca circular que viu na garganta de sua irmã, longa e fina,
agora familiar.
Ele até poderia ter tido o benefício da dúvida - considerando que
estavam falando de sua irmã, Meena, que odiava vampiros - se as
bochechas dela não tivessem ficado da mesma cor do lenço aos seus
pés.
- Puta merda, Meena - Jon ouviu a si mesmo balbuciando - O que há
de errado com você?
- Você não entende - ela disse, dando um chute na canela de Wulf
com o calcanhar, que o fez soltá-la com um oof.
Mas, apesar da aparência rebelde, haviam lágrimas em seus enormes
olhos castanhos.
- Ele não é mau. Ele está tão preocupado com os assassinatos quanto
vocês estão - ela insistiu com Alaric. - Eu sei o que você acha que ele
é, mas ele não é. Ele não é como seu pai. Acho que você está
procurando o homem errado.
- Como ele entrou aqui? - Jon perguntou para Wulf, ignorando sua
irmã, porque era óbvio que ela estava enlouquecendo. - Ficamos de
plantão na porta o tempo todo.
- Na pronta da frente - Alaric Wulf disse severamente. Ele não havia
tirado o seu olhar de Meena em nenhum momento. - Devíamos ter
prestado atenção na porta da varanda também.
- A porta da varanda? - a voz de Jon desafinou. - Estamos há onze
andares do chão. O que o cara fez, vôou até aqui em cima?
Ambos, Meena e Wulf, olharam para ele. Meena tristemente, Wulf
com sarcasmo. Jon, percebendo sobre quem estava falando, engoliu
em seco.
- Oh - ele disse. Então ele se virou para trás, para sua irmã. - Eu
pensei que você estava muito preocupada, com medo de que ele nos
matasse - gritou ele. - E você só o deixou entrar, assim?
- Ela não pode fazer nada sobre isso - disse Wulf. Ele virou-se
abruptamente, voltando-se em direção ao banheiro, aparentemente
em busca de sua camisa. - Ela é a serva dele. Viver ou morrer não
significa nada para ela. Enquanto ele ficar com ela.
Jon atirou para sua irmã um olhar acusador.
- Jesus Cristo, Meena. - disse ele. - Você conhece um vampiro e a
sua repugnância profunda e duradoura para com o monstro misógino
vai direto para fora da janela, e você se transforma em uma dessas
garotas? Eu achei que você odiava esse tipo de garota.
Ferroada, Meena prendeu a respiração.
- Eu não sou - ela gritou. - Eu não sou uma daquelas garotas. Eu não
sou uma serva. Eu ainda odeio vampiros. Só não odeio o Lucien.
Porque ele não é como os outros. E eu me preocupo com vocês dois!
Bem... - ela acrescentou, com um olhar fulminante na direção de
Alaric - com um de vocês, pelo menos.
Wulf fez um aceno de desdém com a mão pelas costas, enquanto
caminhava pelo corredor em direção ao quarto de Jon.
- É verdade. - Meena se voltou com os olhos cheios de lágrimas para
Jon - Você tem que acreditar em mim. Eu não sou uma serva. Se
você só deixasse Lucien em paz, não haveria nada para se preocupar.
Jon balançou a cabeça.
- Eu não sei, Meen. Deixar o príncipe das trevas entrar no
apartamento, quando você disse que ele ia me matar? E, em seguida,
deixá-lo morder você? De novo? É um comportamento, tipo, serva, se
você quiser a minha opinião. - e ele abaixou a voz para que Alaric
não pudesse ouvir. - E isso não fica muito bonito para mim, você
sabe, com essa coisa do trabalho.
- Coisa do trabalho? - Meena parecia aturdida.
- Você sabe - Jon disse. - Se eu for conseguir um emprego na
Palatina. Eu não posso ter uma irmã que dorme com o inimigo. Você
tem que parar com isso.
E então Meena pareceu compreender. Sua expressão se tornou
sarcástica.
- Ah, desculpe - ela disse. - Eu esqueci que isso tudo era só para a
sua oportunidade de emprego, Sr. Não Consigo Manter Isso Em
Minhas Calças.
O queixo de Jon caiu.
- Foi uma vez - ele sussurrou, levantando o dedo indicador - E eu lhe
disse, foi no meio da noite! Eu realmente precisava mijar. Como eu ia
saber que um policial estava indo naquele segundo exato para aquela
exata Subway? (Subway é uma rede de fast-food que tem lojas no
Brasil também).
Wulf voltou, abotoando a camisa.
- Quanto você disse para ele? - ele perguntou.
- Para quem? - Meena perguntou, piscando para ele.
Wulf rolou os olhos.
- O inimigo da luz.
- Eu não disse nada para ele - Meena disse. - E pare de chamá-lo
assim. Ele não é assim.
- Ela disse a ele tudo. - Wulf disse conscientemente para Jon.
Jon ergueu as sobrancelhas.
- Ela disse que não...
- Seus vizinhos vão se mudar. - Wulf terminou de abotoar o último
botão. - Espero que não empreste seu açucareiro, porque você nunca
mais vai vê-lo.
- Eu não sei porque você não está me escutando - disse Meena,
olhando para ele. - Lucien não é como outros... er... vampiros que
você pode conhecer. Ele é gentil, bondoso e generoso, e foi
terrivelmente abusado por seu pai, que fez dele o que ele é. Ele não
teve escolha. É do seu irmão, Dimitri, que você deveria estar atrás.
Você sabia que ele tentou nos matar na outra noite? Ou ele enviou
uma colônia de morcegos para fazer isso por ele. Ele quer destruir
Lucien para que possa ser o príncipe das trevas, ou seja lá como isso
seja chamado. E, se isso acontecer, o mundo vai realmente estar em
apuros.
Wulf olhou para Jon, sua expressão entediada.
- Eu vou aceitar o café agora.
- Ah, com certeza, já está saindo - disse Jon, apressando-se em
pegar para ele uma xícara.
- Uau - Meena disse para seu irmão acusatoriamente. Então,
seguindo Alaric até o espelho por sua mesa de jantar, onde ele tinha
ido para se certificar de que não tinha deixado de barbear nenhum
ponto de sua cara, ela disse:
- Lucien é quem está garantindo que nenhum dos Dracul e que
nenhum outro vampiro lá fora cometa mais assassinatos. Quero
dizer, sim, eles bebem sangue humano... mas somente de doadores
dispostos.
- Tente dizer isso à Caitlyn - disse Wulf.
- Quem é Caitlyn? - Meena perguntou sem expressão.
- Meu nome para a última vítima do nosso assassino - Wulf disse,
tomando o café que Jon havia corrido para entregar à ele.
- Não ouviu o que eu disse? - Meena perguntou impacientemente. -
Lucien está tentando descobrir quem é o assassino dessas garotas
para pará-lo, assim como você. Por que você o julga pelo que ele faz,
e não pelo que ele é?
- O que isso supostamente significa? - Wulf puxou uma cadeira para
se sentar na mesa da sala de jantar, pegando um pedaço do bacon
de Jon.
- Eu disse que você está julgando Lucien somente pelo que ele é, o
que, eu admito, é um vampiro - disse Meena. - Mas ele não age como
um.
- Ele não age? - Wulf perguntou, seu olhar indo claramente para o
pescoço dela. A face de Meena ficou vermelha como seu lenço.
- Isso é só... é só... - ela gaguejou. - Nós estávamos apenas
brincando.
- Você poderia estar brincando - disse ele, pegando uma faca e um
garfo e começando a comer as panquecas que Jon havia feito. - Mas
posso te assegurar que ele isso não era "brincadeira" para ele. O fato
é que, se você deixar um vampiro entrar uma vez, ele nunca mais vai
embora. Eles são como um parente desempregado e sem-teto.
- Ei - Jon protestou.
- Sem ofensas - Wulf disse, pegando um pedaço de torrada.
Meena olhou para seu prato.
- O que você está fazendo?
- O que parece que estou fazendo? - Wulf perguntou. - Eu tenho um
longo dia pela frente, protegendo-a para ter certeza de que não faça
nada idiota. Eu vou obviamente precisar usar a força. Porque tenho a
sensação de que você vai tentar fazer muitas outras coisas muito
idiotas.
- Nós não temos tempo para isso - Meena disse, soando exasperada.
- Nós temos que ir. A menos que você esteja a fim de me deixar sair
do apartamento por conta própria.
Wulf levantou uma sobrancelha loira.
- Isso é muito pouco provável. E onde você precisa ir tão
urgentemente? - ele perguntou.
- Era Yalena no telefone agora mesmo - Meena disse, olhando para
Jon. - Ela finalmente terminou com o namorado. Eu prometi que iria
buscá-la.
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