segunda-feira, 22 de julho de 2013

insac - mg - 32-33-34

Capítulo Trinta e Dois
1:00 da tarde. EST, Sexta-feira, 16 de Abril
Union Square West 15, Cobertura
Nova Iorque, Nova Iorque
"Essa é a vítima mais recente," Emil disse, fazendo uma pasta de
arquivo vermelha e colocando-a solenemente na mesa preta de
granito.
Lucien olhou a foto.
Ela provavelmente foi bonita... o tipo de garota que teria dificuldade
em segurar um sorriso quando uma câmera era apontada para ela.
Exceto que, como ele sabia disso?
Mas uma morte violenta tinha roubado sua beleza. Agora seu rosto
era uma máscara rígida e cinza, sombras roxo escuro sob seus olhos.
E abaixo de seu pescoço...
Lucien virou a foto para baixo. Ele já tinha visto esse tipo de estrago
antes.
Mas não pelos últimos dois séculos.
"Eles estimam que o horário de sua morte foi por volta de três da
manhã." Emil disse.
O que ele estava fazendo a essa hora enquanto o sangue desta
garota estava sendo drenado de seu corpo?
Ele sabia perfeitamente. Se ele estivesse fazendo o que veio pra
cidade fazer, ela podia ainda estar viva.
“As mortes estão acontecendo mais próximas," Emil disse "Quem
quer esteja por trás deles, parece estar ficando mais desesperado. Ou
insaciável. Ele tentou matar uma vez e descobriu que gostava disso,
e agora, quer isso o tempo todo, não quer parar, e talvez não possa."
"Talvez" Lucien disse. Sem ter certeza no que acreditar sobre essas
mortes. "É viciante, por isso não pode ser permitido. Mas essas
marcas de mordida não são de apenas um indivíduo.
"Isso ainda vai nos colocar em risco quando os humanos finalmente
perceberem o que está acontecendo," Emil disse isso pesarosamente.
"E decidir nos erradicar do mesmo jeito que os palatinos querem... do
mesmo jeito que eles fizeram com seu pai."
Emil estremeceu, talvez lembrando como o pai de Lucien tinha
encontrado seu destino humilhante. Então ele levantou seu olhar
culpado para Lucien e disse, "É minha culpa, meu lorde. A morte da
última garota. Minha e só minha. Eu nunca deveria ter permitido
minha esposa a convidá-la para... er... nossa casa na noite passada."
Não havia confusão sobre quem Emil quis dizer por ela. O nome
pareceu se demorar no ar da cobertura do mesmo jeito que seu
aroma de humanidade...
Meena Harper. Meena Harper. Meena Harper.
Emil continuou. "Eu percebi, ao fazer isso, que estava muito errado. É
claro que você estava distraído de suas funções. Eu entenderia se
você escolhesse me matar, meu lorde, pela minha enorme
negligência.”
Lucien olhou para o homem menor, que estava curvando sua cabeça,
humildemente esperando seu corpo ser levantado e arremessado
contra uma das janelas bloqueadoras de raios UV para a luz do sol,
onde ele instantaneamente fritaria no sol como uma batata crocante.
Mas Lucien não podia mais culpar seu primo pelo que tinha
acontecido na noite anterior antes que pudesse explicar. Ele ainda
não sabia por que ele estava tão convencido que aquela garota com
olhos negros de pijamas que ele resgatou naquela noite fora da
Catedral de São George acabou por ser a fonte de sua salvação
espiritual e emocional.
Ele certamente não tinha tratando-a de um jeito que se trata um
redentor. Ele tinha passado a noite fazendo coisas para ela, que na
luz do dia, não tinha certeza se ela lembraria.. mas tinha que admitir
que na hora, ela parecia aproveitá-las.
Deus sabia que ele tinha.
Agora o perfume de Meena Harper parecia ter entrado em suas
longas e vazias veias. Elas tamborilavam com sua força e energia,
que davam-nas um tipo de vitalidade elétrica.
Mas isso não era tudo. Ele parecia... saber das coisas.
Ele não podia explicar. Não fazia sentido. Era quase um tipo de...
loucura. A loucura dela, as mesmas imagens oscilantes que ele tinha
visto ir e vir na mente dela toda vez que ele tinha entrado. Como ele
sabia, por exemplo, que a garota da foto tinha dificuldade em segurar
um sorriso quando uma câmera era apontada para ela?
A garota da foto estava morta. E ele nunca a conheceu.
O que isso significava?
Ele não sabia ainda.
Mas ele sabia que significava algo diferente.
E diferente, depois de cinco séculos, era bom.
Muito, muito bom.
"Está tudo bem, Emil," ele disse. Ele se sentiu bonzinho com seu
primo, o que era ridículo.
Apenas uma semana atrás, ele teria ficado raivoso com essa enorme
gafe. Era Meena Harper que estava fazendo-o se sentir tão maduro?
Ou era outra coisa?
Emil levantou sua cabeça, confuso.
"Então..." Ele olhou ao redor da sala, como se estivesse esperando
que um dos partidários de Lucien aparecessem com uma estaca na
mão. "Você não quer me matar, meu lorde? Ou minha mulher?"
"Eu acho que já houveram mortes o suficiente ultimamente," Lucien
disse suavemente "Porque nós não nos concentramos em achar esse
assassino e pará-lo—ou para-los. Você está me dizendo que
ninguém," Lucien perguntou, levantando-se da mesa e caminhando
até as janelas de vidro, "foi capaz de dar a polícia algum tipo de
descrição de qualquer suspeito? Ninguém foi visto descarregando o
corpo ou em qualquer lugar perto disso?"
Emil, parecendo imensamente aliviado por ter ganhado tempo, pegou
seus arquivos e folheou-os rapidamente.
"Oh, vários," ele disse. "Tem tantos suspeitos que a polícia ainda está
entrevistando-os. Todo mundo pensa que viu algo. O que significa, é
claro, que ninguém viu nada. Porque, quem quer que tenha feito isso
teve consciência o suficiente para limpar a mente de qualquer um
que tenha visto algo útil."
Lucien franziu a testa, olhando a cidade. Ele podia ver as luzes de
aviso vermelhas das torres do aeroporto do outro lado do rio East.
As luzes o lembravam do brilho que ele tinha visto nos olhos de seu
irmão na outra noite.
Dimitri sempre teve sede pelo poder, estava sempre procurando
maneiras de expandir seu negócio, seu domínio, seu controle. Quase
o matou, quando o pai deles deixou toda sua imensa fortuna para o
filho mais velho... mesmo que Lucien estivesse mais do que disposto
a compartilhá-la.
O desejo de Dimitri por poder e riqueza se estendia para outras
coisas também? Lucien não tinha certeza se ele sabia.
O que era uma coisa triste para um homem admitir isso sobre seu
próprio irmão.
Lucien se afastou da janela com um sobressalto. Emil estava falando
com ele o tempo todo, e ele não estava prestando o mínimo de
atenção.
"É claro," ele disse. O que quer que fosse, Lucien estava certo de que
Emil lidaria com isso admiravelmente, assim como ele fez todos os
seus esforços em nome do príncipe. "Emil."
"Majestade?"
"Eu vou ter que cancelar todos os meus planos para esta noite."
Emil pareceu incerto. "Meu Lorde?"
Lucien ignorou a pulsação em suas veias—uma nova sensação... ou
pelo menos uma que ele não sentia há pelo menos meio milênio—e
disse "Eu tinha feito planos para ir à sinfonia hoje com a Srta. Harper.
Mas tendo em vista... isto”—ele indicou o arquivo na mesa—“Eu
obviamente tenho assuntos mais urgentes para tratar."
"Oh," Emil disse, seus olhos refletindo um verdadeiro
desapontamento. "Eu entendo. É claro, cuidarei disso. Mas você tem
certeza? Certamente há tempo para o prazer tanto quanto para—"
"Depois." Os arranha-céus de Manhattan estenderam-se abaixo dele.
Em algum lugar lá em baixo, ele sabia, espreitava um assassino. Mais
de um. Ele precisava descobri-los e pará-los.
Mas isso seria antes deles matarem de novo?
"Quatro mulheres já morreram," Lucien disse. "Eu não posso me
permitir ser tão negligente novamente."
Mas mesmo ele dizendo isso, ele sabia que seria uma questão de
horas até ele começar a desejá-la novamente. E ele falava dos
assassinos serem viciados.
Ainda, quem, era precisamente o verdadeiro viciado?
Capítulo Trinta e Três
2:00 da tarde. EST, Sexta-feira, 16 de abril
ABN Construtora
Avenida Madison, 520
Nova Iorque, Nova Iorque
“Eu sei quem você é,” Tabitha Wortington Stone disse em uma voz
ofegante. “Ou eu acho que eu deveria dizer o que você é.”
“Deveria?” O homem alto, de cabelos escuros olhou para ela com um
olhar que ardia, um sorriso brincando em seus lábios perfeitos. “O
que eu sou?”
“Você é um... um...” Taylor desviou o olhar, mordendo o lábio inferior
e colocou dramaticamente o braço sobre a testa. “Não! Eu não posso
dizer isso. Isso simplesmente não é possível.”
“Diga.” Maximillian Cabrera agarrou-a pelos ombros. “Basta dizer
isso!”
“Oh, hey.” Paul, um dos escritores da repartição, acenou para Jon.
“Está aqui para ver Meena?”
Jon tirou o olhar da cena incrivelmente apaixonada sendo encenada
no palco vazio à sua frente. Taylor Mackenzie de alguma forma
conseguiu um look sexy em leggings e um grande casaco cinza, que
ela usava aberto sobre uma camiseta preta com a barriga a mostra.
Pena que Jon não tinha nada de bom a dizer sobre o seu futuro coestrela,
Stefan Dominic.
Ele pensou que Dominic parecia terrível, todo de jeans skinny preto,
cabelos oleosos e uma barba de dois dias por fazer.
De maneira nenhuma eles vão dar a ele uma parte, Jon pensou. Eles
seriam mais espertos ao dá-lo a alguém com uma aparência mais
limpa. Como Jon, por exemplo. Dominic era tão... previsível. Para
alguém que deveria estar interpretando um vampiro, quer dizer.
“Sim,” Jon disse para Paul. “Quero dizer, Meena sabe que estou aqui,
de qualquer maneira. Eu tive que telefonar para a segurança para me
deixarem entrar.” Ele apontou para seu passe de visitante,
grampeado no colarinho de sua jaqueta jeans. “Mas eu não a vi em
lugar nenhum.”
“Ela está em seu escritório,” disse Paul. “Sob a pilha de prejuízos que
entreguei na sua mão. É melhor tomar cuidado. Ela está de mau
humor.”
Jon fez uma careta. “Sério? Por quê?”
“Se eu tivesse que adivinhar, esse é o porquê,” disse Paul, apontando
para o palco.
Fran e Stan, chefes de Meena,“Isso foi fantástico,” Fran, uma senhora
de meia-idade com um monte de colares pendurados e cabelo
grisalho selvagemente cacheado, estava dizendo. “Stefan, você me
deu arrepios.”
“Obrigado,” disse Stefan laconicamente, parado com os ossos de seu
quadril se mexendo.(?)*
Jon queria dar um soco nos rins.
“Certo, Tia Fran?” Uma menina magrela com cabelo liso preto e
vestindo uma saia-lápis, saiu de trás de um homem corpulento.
Shoshona, Jon percebeu. E o homem corpulento era o outro chefe de
Meena, Sy. “Ele é simplesmente brilhante.”
Brilhante. Tão brilhante quanto Jack Bauer. O cachorro, não o
interpretado por Kiefer Sutherland.
“Obrigado,” disse Stefan novamente, tirando um pouco de seu cabelo
que parece sujo de seus olhos.
“Eu tenho um pressentimento sobre ele,” Taylor disse em sua voz
tilintante. “Eu acho que temos química. Funciona para mim.”
Oh, Deus, Jon pensou com um gemido interior. Por que ele se
incomodou em aparecer? Para ver—realmente ver, na vida real, não
em uma tela de televisão—sua amada Taylor nos braços de outro?
Isso era demais.
*(“Thanks,” Stefan said laconically, standing around with his hip
bones poking out. [não consegui traduzir direito, se alguém souber
melhor, fala ae])
E então, a próxima coisa que Jon sabia, era que Taylor estava indo
em direção a ele em seu pequeno tênis branco. Ele segurou sua
respiração—e seu intestino, embora ela não tivesse muito um, porque
ele realmente estava trabalhando desta vez, e não só dizendo que ia,
uma vez que ele estava sério sobre essa coisa de exame de policia—e
disse, “Hey, Taylor,” enquanto ela caminhava, deixando um leve
perfume fraco com cheiro de uva em seu caminho.
Ela virou sua cabeça e o viu, seus lábios com gloss abrindo em
surpresa... então se curvando para cima em um sorriso de
reconhecimento.
“Oh, hey...” Ela claramente não lembrava do nome dele.
“Jon,” disse a ela rapidamente. “Jon Harper. Irmão mais velho de
Meena Harper.”
“Oh, certo,” disse ela rindo, “Eu sou muito ruim com nomes. Como
vai?”
“Ótimo,” disse ele. Seu coração estava batendo como uma bola de
basquete. “Eu só peguei o finalzinho da cena com você e... qual-é-onome-
dele. Esse foi um trabalho fantástico.”
“Oh, obrigada,” disse Taylor, com os olhos brilhando. “O nome dele é
Stefan. Ele vai interpretar um novo vampiro na série. Estou muito
empolgada porque um jovem demônio realmente vai dar uma
levantada no show. Stefan não é fabuloso?”
Não, Jon pensou. Você é fabulosa. Não Stefan. Esse cara é uma
merda.
“Então, eles vão definitivamente lançar esse cara, huh?” Jon
perguntou. “Porque, você sabe, eu fiz algumas atuações no ensino
médio—”
“Oh, eu acho que sim,” disse Taylor. “A rede quer. E ele tem o
mesmo gerente que Gregory Bane, você sabe, de Lust*?”
*(é a série concorrente de Insatiable, que fala sobre vampiros)
Ela apontou para um homem que estava parado em um canto,
conversando com Stan, Fran, Sy e Shoshona. Dimitri de uma formaou-
de outra era enorme—fisicamente, muito alto e com ombros
largos, um pouco como o príncipe de Meena—e em um terno de corte
impecável que provavelmente custou uns 3 mil ou mais. Ele parecia
ter um par de guarda-costas com ele. Então ele era rico, também.
Outro cara que Jon ia ter de dar um soco nos rins.
“Interessante,” disse Jon, fingindo não se importar. “Hey, o que você
está fazendo agora? Quer ir tomar uma bebida?”
“Oh,” disse Taylor. “Eu gostaria, mas tenho de ir conhecer o meu
treinador. Talvez da próxima vez, okay?”
Então ela realmente ficou na ponta dos pés, colocou a mão em seu
pulso para se equilibrar, e deu um pequeno beijo—leve como uma
pincelada de asas de borboleta—em sua bochecha.
E então ela foi embora, pulando para seu dia de folga, indo trabalhar
para tirar alguma gordura imaginária.
Jon ficou olhando para ela depois de um minuto ou dois antes que ele
fosse capaz de se despertar o suficiente do feitiço que ela lançou
sobre ele para ir procurar por sua irmã. Ele acabou encontrando-a
exatamente onde Paulo tinha dito que ela estaria, em seu escritório—
a qual, estritamente falando, era na verdade mais um cubículo do
que um escritório, entretanto havia uma estreita janela com uma
vista.
Ela estava escrevendo furiosamente, paginas espalhadas por toda a
mesa e qualquer superfície plana em um estilo randomicamente
parecido, embora Jon soubesse por experiência que se alguém
ousasse tocar neles, ela gritaria como um assassino sangrento,
porque era um tipo de ordem para eles; só sua irmã sabia o que isso
significava, embora.
“Hey, Meen,” disse Jon. Como não havia muitos lugares para ele
escolher, ele sentou numa pilha de scripts perigosamente amontoado
no alto de uma cadeira na frente de sua mesa.
“Vá embora,” disse ela. Ela não tirava os olhos da tela em sua frente.
“O que há de errado?” perguntou ele.
“Tudo,” disse ela. “Nada. Basta ir embora. Este lugar está implodindo.
Como a minha vida. Você não vai acreditar nessas linhas de Fran e
Stan—de maneira nenhuma Shoshona foi inteligente o suficiente para
escrever isso—deram-me para alimentar a pobre da Taylor. Sem
mencionar Cheryl. Há produtos colocados em toda parte. Eu nunca
tinha sequer ouvido falar de alguns desses materiais. Eu não acho
que eles são produtos do CDI. Creme Rejuvenescedor para Rugas?
Óculos escuros Strigoi? Há até uma espécie de spa, onde Victória vai
receber uma total mudança em rejuvenescimento—você já ouviu falar
do Spa Regenerativo para Despertar Jovem?”*
Jon deu de ombros. “Não. Mas, Meena, o que você esperava? Eles
têm essa nova linha de historia sobre vampiros e o CDI acha que o
show tem a chance de conseguir alguns expectadores mais jovens.
Por que eles não colocam alguns produtos no lugar? Eles estão
tentando fazer algum dinheiro.”
*(seguinte, no inglês tá assim: Revenant Wrinkle Cream? Strigoi
Sunglasses?, fiz o meu melhor =x // Regenerative Spa for Youthful
Awakening, seria como aqueles slogans(?) Desperte o jovem que há
dentro de você.. entendem o que quero dizer? =x)
Ela suspirou. “Eu não sei. Eu pensei que eles iam mostrar alguma
integridade no show. Respeito para o público que esteve devotado
desse show por 30 anos. Mas eu sou uma idiota, eu acho. O que você
está fazendo aqui, afinal?”
“Oh,” ele disse. “Estou aqui para a audição.”
“Que audição?” Meena olhou para ele perplexa.
“Para a parte do vampiro,” disse Jon. Deus, ela realmente estava fora
dela.
“Não há nenhuma audição,” disse ela. “Stefan tem a parte. Eles estão
apenas tendo certeza que ele e Taylor têm química—o que
basicamente significa que ele não é menor do que ela é.”
“Sim,” disse Jon um pouco amargurado. “Eu meio que peguei isso
agora.”
“Olha,” disse ela, virando-se para a tela do computador. “Estou muito
ocupada. É melhor você ir.”
Paul tinha razão. Ele realmente estava de mau humor.
“O que há com você?” ele perguntou. “Quero dizer, eu entendo que
você está chateada com o enredo sobre o novo vampiro, mas você
pode tentar ser um pouco mais agradável para as pessoas.”
Ele pensou ter ouvido ela murmurar algo como “Eu estou tentando” e
algo mais sobre o bebê. Ele não tinha idéia do que ela estava falando.
“Que bebê?” ele perguntou perplexo.
“Esqueça,” disse ela para o monitor.
Mas não tinha como esconder a expressão em seu rosto, que ele
reconhecer muito bem.
E como um raio vindo do céu, ele sabia.
“É por isso que você está agindo como uma psicopata ultimamente?”
perguntou ele. “Você teve uma visão sobre o bebê de Adam e
Leisha?”
“Não,” ela disse com uma risada. “Claro que não. Não seja estúpido.”
“Essa foi a risada mais falsa que eu já ouvi,” disse Jon, balançando a
cabeça. “O que você viu?” Ela hesitou, então desistiu rapidamente.
“Tudo bem,” disse ela. “Tanto faz. E eu não vi nada. É apenas um
sentimento. E não é mesmo um sentimento ruim, necessariamente.
Eu só não quero que Leisha se preocupe. Preocupar-se com algo de
ruim que irá acontecer pode ser o que realmente fará com que algo
de ruim aconteça. Portanto, não estamos dizendo a ela, certo? Ou
Adam. Porque não há nada a dizer.”
Jon balançou a cabeça. Ele realmente nunca entendeu o dom de sua
irmã, mas ele tinha aprendido a respeitá-lo ao longo dos anos. Exceto
quando as meninas se recusaram a sair com ele porque ele era o
irmão da Garota Você Vai Morrer.
“Você está certa sobre isso?” ele questionou.
“Positivo,” disse ela com firmeza.
“Okay,” disse ele. “Então no que você está insistindo tanto?”
Ela arregalou os olhos para ele e ele percebeu tardiamente que ele
perguntou exatamente a coisa errada.
“Espera,” disse ele, segurando a mão enquanto ela prendia a
respiração. “Deixe-me colocar isso de outra maneira. O que posso
fazer para tornar as coisas um pouco mais fáceis para você?”
Ela considerou isso. “Você pode ir ao centro para pegar Jack e leva-lo
para casa? Eu o deixei esta manhã no salão de Leisha no caminho de
Lucien para cá. Eu lhe devo isso, pra caramba. Depois de vender
minha alma para a corporação todos os dias como este, eu só quero
ir para casa e—“
“Começar a trabalhar diligentemente no grande romance americano?”
“—preparar-me para o grande encontro desta noite.” ela terminou
com um sorriso.
“Jesus,” disse Jon, levantando-se do monte enorme de papel em que
ele estava empoleirado. “Você vai vê-lo novamente hoje à noite?
Você realmente está mal por esse cara.”
O sorriso de Meena se alargou. “Você disse que eu deveria começar a
ser mais agradável para as pessoas.”
“Eu quis dizer eu, mas tudo bem, eu vou pegar o seu cachorro. E não
se preocupe,” ele acrescentou. “Eu não vou dizer nada a Leisha sobre
essa sua estranha não-visão a respeito de sua criança recémnascida.”
“É melhor não,” disse Meena. “Considerando que não há nada a
dizer. Venha, eu vou levá-lo aos elevadores.”
Quando eles chegaram ao bando do elevador*, ele ouviu Meena
amaldiçoar sob sua respiração. Ele olhou para cima, então viu o
porquê. Fran e Stan estavam ali, junto com a arqui-inimiga de
Meena, Shoshona; Stefan Dominic; o gerente de Stefan; e os guardacostas.
Absolutamente uma multidão.
“Oi, Meena,” Shoshona disse em uma voz gotejando mel.
“Oi, Shoshona,” disse Meena. Parecia como se ela quisesse estar em
qualquer lugar, menos ali.
“Eu não tenho certeza se você conheceu o nosso mais novo membro
do elenco, Stefan Dominic,” Shoshona disse, virando-se para o
magro, de cabelos escuros, o cara otário que Jon tinha tido anseio de
socar apenas meia hora atrás ou algo assim.
“Não, eu não tive o prazer,” disse Meena educadamente, e ela
apertou a mão do homem que logo estaria recebendo o prazer de
furar a boca de Taylor Mackenzie com a língua em uma base diária.
“Prazer em conhecê-la,” disse Stefan Dominic, olhando para Meena.
Meena, apertando a mão de Stefan Dominic, meio que congelou ,
olhando para ele. Jon sabia que ela estava tendo outra de suas
visões.
“Já nos encontramos antes?” ela perguntou, curiosa.
No qual não foi o que ela costuma dizer. Normalmente ela dizia algo
como Não tome a autoestrada ou Eu mudaria da farinha branca para
o trigo, se eu fosse você.
“Eu acho que não,” disse Dominic. *(No original: As they approached
the elevator bank)
Você parece tão familiar.” Ela ainda estava segurando a mão dele.
“Eu podia jurar que já vi você antes.”
“Bem, Meena,” Shoshona disse com um pequeno sorriso. “Stefan é
meu namorado. Você provavelmente já o viu antes. Ao redor do
escritório, comigo.”
“Oh,” disse Meena. Ela soltou um riso embaraçado e soltou sua mão.
“Desculpe. É claro.”
Com isso, o elevador chegou, e Jon entrou, juntamente com Dominic
e seu empresário, quem tinha dito adeus a Shoshona e sua tia e tio.
O último rosto que Jon viu antes das portas do elevador fecharem e
ele descer com eles em silencio foi o de Meena. Ela parecia confusa.
Jon não queria dar um segundo pensamento a confusão de Meena.
Mas não era de se admirar: ela tinha muito com que se confusa
sobre. Em vez disso, ele pensou sobre como Taylor Mackenzie o havia
beijado. Parecia uma coisa muito mais agradável durante a descida
do elevador para o lobby que a conversa que acabara de ter com
Meena.
O que Jon não sabia era que seu pensamento sobre Taylor Mackenzie
em vez de sua irmã, na verdade salvou sua vida durante o passeio de
elevador.
Capítulo Trinta e quatro
5:00 P.M . EST, sexta-feira, 16 de abril
Park Avenida, 910.
New York, New York
Menna, após analisar cuidadosamente o saguão do seu prédio,
percebeu que ele estava livre e correu para o elevador.
Ela não podia acreditar. Ela tinha conseguido passar pelo porteiro –
não o Pradip, agradecidamente, já que ele não estava de plantão – e
pelo elevador sem encontrar sua vizinha. Essa semana tinha sido
como uma montanha-russa – pulando do melhor para o pior e indo
para o melhor de novo – e ela não sabia o que esperar de um
momento para o outro. Nesse momento, parecia que ela estava numa
nova subida.
Exceto que, exatamente no instante em que o elevador estava
fechado a porta, uma conhecida mão, cheia de anéis de diamantes,
apareceu para impedi-la de fechar no meio do caminho.
E depois Meena ouviu o sotaque solista acentuado de Mary Lou
gritando “Yoo-hoo! Meena?”
A porta abriu para revelar a condessa parada ali, parecendo
respeitável e cerimoniosa, vestindo um terno cor de pêssego com um
chapéu combinando, e segurando diversas sacolas de compras da
Bergdorf Goodman.
“Oh” Meena disse. Ela mal podia esconder o seu desapontamento. Ela
estava agradecida por ter amarrado tão bem o seu casaco na cintura.
Talvez Mary Lou não notasse que ela ainda usava seu pequeno
vestido preto da noite passada. “Oi, Mary Lou.”
“Bem, olhe para você!” Mary Lou exclamou “Você não está com as
bochechas rosadas e tão bonitas quanto uma pintura? Você sabe, eu
estava justamente pensando em você. Eu viu seu irmão saindo cedo
e perguntei como você estava e ele disse que não sabia, que não
ainda não tinha visto você hoje.”
Meena fez uma anotação mental de matar o Jon quando ele voltasse
para casa com o Jack Bauer. “Oh, uh” Ela disse inteligentemente. Ela
desejou que o chão do elevador se abrisse e permitisse que ambas
despencassem para a morte.
Não teve essa sorte, no entanto. A porta do elevador fechou e então
começou a longa subida até o decimo primeiro andar.
“Então você gostou do príncipe?” Mary Lou perguntou completamente
sem necessidade.
Meena pensou que era óbvio que ela tinha gostado dele, já que ela
claramente passou a noite com ele. “Oh”, ela disse, desistindo. Qual
era o ponto? Ela estava apaixonada por Lucien Antunescu. O mundo
inteiro iria descobrir logo se eles continuassem se vendo. “Eu gosto
dele, certo.” Isso soou muito necessitada?
"Estou tão feliz", disse Mary Lou, radiante. “Eu sabia que você iria.
Ele não é bonito? E legal. Eu acho ele tão legal.”
Então Mary Lou, de todas as pessoas, pareceu preocupada que ela
dissesse a coisa errada. “Mas não legal demais, você sabe?” Mary Lou
acrescentou “Quero dizer, ele não é otário. Eu o vi fazer coisasassim,
deixe-me dizer, elas te deixam te cabelo em pé”.
Meena ergueu as sobrancelhas. Ela não tinha idéia sobre o que a
condessa poderia estar falando.
“Oh, deixa para lá. Emil disse que eu tenho tendência a falar demais.
Eu apenas quero dizer é que Lucien é um homem de verdade, se
você sabe o que eu quero dizer.”
Meena sabia exatamente o que ela queria dizer. Ela tinha esfolados
na pele para provar isso.
Meena percebeu que essa mulher tagarela poderia ser uma boa
oportunidade para aprender uma coisa ou duas sobre o príncipe. Ela
tinha apenas seis andares restantes, então achou melhor se apressar.
“Eu achei que havia alguma coisa… melancólica nele.” Meena disse.
“Melancólica?” Mary Lou a olhou como se não tivesse certeza o que
essa palavra significava.
“Sim” Meena disse. Ela sabia que tinha que ir com cuidado. Ela não
queria dizer nada que pudesse fazer com que a Condessa contasse
para Lucien, dizendo que Meena estava falando dele pelas costas. Ela
tinha que ser sutil. Mas não muito sutil. Deus, ela tinha esquecido
quão difícil é estar apaixonada! “Como se algo tivesse acontecido com
ele… Talvez na infância… Que tivesse deixado ele triste?”
“Oh” Mary Lou disse, engolindo a isca “Pode apostar. Seu pai era
realmente um monstro. Mas a sua mãe! Não poderia ter pedido uma
mulher mais agradável. Uma santa viva. Eu nunca os conheci,
compreenda, eles morreram antes do meu tempo. Isso é apenas o
que Emil me contou. Mas, de qualquer forma, sim, o pai dele…”
“Ele costumava bater nele?” Meena perguntou, baixando a voz,
mesmo que elas estivessem sozinhas no elevador.
"Sim, " Mary Lou sussurrou de volta. "Pelo que eu ouvi."
O coração de Meena se torceu por Lucien, enquanto ela se lembrava
de sua expressão no museu quando eles ficaram olhando para o
retrato de Vlad Tepes. O que isso significava, ela se perguntava, ele
estar tão interessado em um herói nacional que tinha tratado os seus
filhos do mesmo jeito que seu próprio pai aparentemente o tratou?
E não é por menos que ele odeie o programa 24 horas. Deve trazer
de volta péssimas lembranças da infância.
Pobre homem! É incrível o quão longe ele chegou no mundo
considerando o seu início obviamente traumático.
“Então o que vocês dois planejaram para hoje a noite?” Mary Lou quis
saber. “Não me fale que ele não te convidou. É sexta a noite!”
Meena se sentiu corando. Ela realmente tinha que superar essa coisa
de corar sempre que o príncipe estava envolvido, já que eles seriam
um casal, pelo menos enquanto ele estivesse na cidade. “Nós vamos
na sinfonia” ela disse.
"A Filarmónica?" Mary Lou gritou. “Oh, que maravilha! Eu consegui
para ele dois lugares, você sabe. Quero dizer, eles esgotaram há
meses. Mas eu conheço alguém que conhece alguém. Estou tão
contente que você vai com ele, vi ser bom para os dois. Vocês têm
tanto em comum, você nem imagina. Os dois trabalham tanto. E os
dois precisam relaxar um pouco, tirar algum tempo para realmente
curtir a vida. Por isso eu pensei que vocês dois seriam um casal tão
bom. Agora.” Mary Lou falava enquanto o elevador alcançava o
décimo primeiro andar e abria a porta “Você tem que pegar
emprestado o meu vintage Givenchy (vestido antigo, ou clássico, da
marca Givenchy), vai ficar um espectáculo em você. Sei que sou um
pouco maior do que você, mas eu não costumava ser, acredite ou
não.”
Meena abriu a boca para protestar que ela não precisava de nada
emprestado para vestir, mas Mary Lou não ouviria. Não havia como
pará-la. Ela arrastou Meena para o seu apartamento e então até o
closet (que era maior do que o quarto da Meena), e então se agitou
por lá até que ela achou o vestido que estava procurando,
reconhecidamente um lindo vestido de cocktail vintage Givenchy,
todo coberto de cristais de ébano costurados a mão que captavam a
luz e brilhavam como diamantes negros.
“Você precisa usar uma segunda pele com ele", disse Mary Lou
criticamente, segurando o vestido até as luzes que brilhavam acima
do espelho de sua penteadeira embutida. "Eu esqueci o quão simples
é. Você tem uma segunda pele?”
Vendo o vestido lindo, Meena esqueceu de todos os seus protestos.
Ela ficaria fantástica com ele. Mesmo sabendo que Lucien ficaria mais
interessado em como ela ficaria sem ele.
“Eu tenho” ela disse. Ela tinha uma segunda pele preta que ela havia
comprado para usar por baixo do vestido que usara como madrinha
de honra de Leisha.
Ela não sabia o que estava acontecendo com ela. Ela estava virando
uma jovem adolescente se preparando para seu baile. Ela nunca
tinha passado tanto tempo discutindo roupas.
Amor. Isso tinha que ser amor.
“Não se preocupe em ter pressa para devolver.” Mary Lou disse,
levando Meena para a porta da frente. “Fique quanto tempo você
quiser. Estou contente que alguém finalmente vai usá-lo depois de
todos esses anos. Você sabe. Eu não me lembro de tê-lo usado desde
os anos sessenta.”
Meena riu. “Você quer dizer quando você era um feto?”
“Espere, eu disse desde os anos sessenta?” Mary Lou colocou a mão
em seu peito e riu. “Eu quis dizer que ele foi feito nos anos sessenta.
Eu não sei no que eu estava pensando.”
“Obrigada, Mary Lou.” Meena disse. Ela realmente se sentia
agradecida a mulher mais velha. Uma parte da antipatia que ela
abrigara recentemente estava começando a se dissipar. “E obrigada
por me apresentar para o Lucien. Ele realmente é… Bem, o que você
disse. Muito legal.”
Esta foi a subestimação da década.
"Oh, querida, " Mary Lou disse, inclinando-se para beijá-la na
bochecha. Meena capturou um forte cheiro de perfume da Condessa.
“Estou tão feliz por você. Nunca se sabe. Eu percebi que ia dar tudo
certo entre vocês dois na hora em que eu vi os olhos de vocês
atravessarem a sala e se encontrarem ontem à noite. Era quase
como se vocês tivessem conhecido antes ou algo assim.”
Meena se encolheu quase instintivamente. Oh, mas nós nos
encontramos. “Obrigada, Mary Lou.” Ela disse de novo, o vestido
preso embaixo de seu braço. “Eu… apenas obrigada.”
Ela teve que correr pelo corredor antes que as súbitas lágrimas que
ela sentia no canto dos olhos transbordassem. Qual o problema com
ela? Ela nunca foi emotiva assim para nada. Bem, com exceção do
que estava acontecendo com Leisha e o bebê. E com o seu trabalho,
é claro.
Oh, Deus, seu trabalho. Ela tinha que se sentar e começar a trabalhar
na proposta do príncipe caçador de vampiros romeno que ia matar o
vampiro da Shoshona e acabar com o interesse amoroso da Cheryl.
Se ela não terminasse para segunda, ela sabia que não haveria
esperanças que o tema fosse aceito. Uma vez que Maximillian
Cabrera ganhasse o coração dos telespectadores, ela nunca
conseguiria convencer Fran e Stan – muito menos a rede CDI, que
obviamente estava investindo muito nessa coisa toda de vampiro –
de matá-lo.
O que foi aquilo sobre o Stefan Dominic que a desviou para o
caminho errado? No momento em que ela o viu parado lá pelos
elevadores, Meena soube – apenas soube – que ela já o tinha visto
antes.
E não era, como Shosona havia sugerido, com Shoshona.
Não, Meena conhecia Stefan Dominic de outro lugar.
E não era de um lugar bom.
Destrancando a porta, Meena se permitiu entrar em seu
apartamento, que estava misericordiosamente vazio.
Jon ainda estava fora buscando Jack Bauer. Meena quase caiu com o
alívio de estar sozinha, pelo menos por um pequeno instante.
Pendurando a bolsa e o casaco sobre os ganchos perto da porta e
atirando suas chaves em uma bandeja que mantinha sobre a mesa,
ela foi colocar o vestido de Mary Lou cuidadosamente no seu armário.
Então ela se vestiu com suas “roupas de escrever” (uma calça de
malha e uma camiseta velha do Jon), agarrou seu laptop, empurrou
para cima suas mangas, e se enrolou em sua poltrona favorita para
trabalhar.
E ficou sentada lá, olhando para a tela vazia.
Como ela deveria trabalhar se tudo em que ela conseguia pensar era
no Lucien?
Ela pensou que isso deveria ajudá-la no seu processo criativo, já que
ela escreveria sobre ele. Pelo menos na teoria.
Mas ao invés de escrever, ela só conseguia se sentar lá e se lembrar
da possessividade com que Lucien tinha agarrado-a e beijado-a na
noite anterior… O modo como ele parecia quase devorá-la, até o olhar
de seus olhos negros a devoravam cada vez em que ela a tinha
olhado antes de beijá-la, de novo e de novo… O gosto de vinho de
seus lábios.
E então ela recordou os caminhos que aqueles lábios estranhamente
frios haviam traçado em toda a sua pele, o modo como ele arrastou a
boca do alto de seus seios para as costelas, para a curva suave de
sua barriga. O modo como as mãos dele se moldaram e pressionaram
sua pele, silenciosamente exigindo coisas que ela estava mais do que
disposta a dar, porque ele, em troca, estava dando tanto. O modo
como ele a aninhou depois contra ele, como se ele tivesse medo que
ela pudesse escapar dele durante a noite.
Como ela poderia pensar em outra coisa? Sua pele ainda se sentia
chamuscada em todos os lugares onde ele tocara.
Ela estava enganando a si mesma se ela achava que conseguiria
escrever qualquer coisa. Ela pesquisou ele no Google ao invés de
trabalhar e leu a respeito dos livros que ele tinha escrito (ela os teria
ordenado, mas eles estavam todos em romeno). Ela ainda estava
lendo sobre ele quando ela percebeu o tempo, praguejou, e pulou em
pé, indo correndo para o quarto. Ela tinha que começar a se arrumar
se ela queria parecer estonteante e ainda chegar a tempo de
encontrá-lo na Upper West Side.
Ela estava adicionando a última camada de batom quando sua porta
abriu e Jon entrou com o Jack Bauer.
"Por que você está tão arrumada", ele perguntou, inclinando-se para
deixar o cão fora da coleira.
"Meu encontro com Lucien, ela disse. "Lembra?”
"Oh, certo", ele disse.
O cachorro correu até Meena excitado, pronto para se atirar contra
seus joelhos. Ela pulou para o sofá, não querendo arruinar sua meiacalça.
"Não", ela disse, com firmeza. "Desça".
Jack Bauer parecia confuso e decepcionado.
"Jon, você pode alimentá-lo ou algo assim?", ela perguntou a ele.
"Ele está -"
Foi logo depois que a campainha do interfone do apartamento tocou,
assustando Meena. Ela pulou do sofá e estendeu a mão para o
receptor.
"Sim", ela perguntou.
"Ei, Senhorita Harper," Roger, o porteiro dia, disse. Pradip ainda não
tinha chegado de plantão.
"Entrega para você."
Meena, perplexa, disse: "Eu não pedi nada". Ela olhou para Jon.
"Você pediu alguma coisa? "
Ele deu de ombros. "Como o quê? Eu acabei de chegar "
"Nós não pedimos nada", disse Meena no receptor.
"Você não sabia?" Roger soou como confuso quanto ela. "É um
mensageiro. Com uma grande caixa da Bergdorf Goodman. "
"Ah", disse Meena. Talvez algo que Mary Lou pediu, equivocadamente
endereçada ao seu apartamento. "Bem, mande para cima, eu acho. "
"Farei isso, Senhorita Harper” Roger disse e desligou.
"O que você encomendou da Bergdorf Goodman?" Jon perguntou
depois que Meena também tinha desligado. "Pensei que estivéssemos
sem dinheiro."
"E estamos", disse Meena, indo para a bolsa para pegar uma gorjeta
para o entregador. "E eu não pedi nada. "
"Então, onde você arranjou esse vestido?" Jon perguntou. "Eu nunca
vi isso antes."
"Mary Lou me emprestou", murmurou Meena.
"O que?"
"Mary Lou emprestou para mim", disse Meena mais alto.
Jon piou. "Uau", disse ele. "Vocês duas estão íntimas? O que vocês
garotas farão em seguida? Irão na manicure e pedicure juntas? Chá
no Plaza?”
"Cale a boca", disse Meena. "Ela não é tão ruim."
"Bem, esta é uma mudança de andamento", disse Jon. "Ultimamente
você tem saído do seu caminho para evitá-la. Eu acho que um rolo na
cama com um príncipe lhe dá uma perspectiva completamente
diferente sobre a vida, hein? De repente, seus vizinhos esnobes com
o castelo de verão não são tão ruins, afinal. "
"Falando sério", disse Meena, indo até a porta para destrancá-la.
"Cale a boca."
"Quanto você tempo acha que essa coisa tem? Três mil?"
"Não", disse Meena. "É vintage. Dos anos sessenta. "
"Bem", disse Jon, "Fica bem em você. Eu não estou brincando. Lucien
vai desmaiar quando ele ver você. Você parece uma princesa. "
Meena ficou radiante. Seu irmão raramente dava elogios sobre sua
aparência, então isso significa muito.
Especialmente já que ela tinha tido uma semana tão estranha.
"Ah, Jon", disse ela, com os olhos cheios de lágrimas. "Muito
obrigada." Ela se moveu na direção dele para lhe dar um abraço.
"Uau", disse Jon, abraçando-a de volta. "O que está acontecendo? Eu
apenas disse que parecia bom, isso é tudo. Qual é a do sistema
hidráulico? "
Felizmente, naquele momento, houve uma batida na porta, e Meena,
apressadamente soltou-o e enxugou os olhos - preocupada que seu
rímel estivesse borrando – e foi para abri-la com Jack Bauer latindo
em seus calcanhares, excitado que havia um visitante.
Um homem com uma jaqueta bege com uma bola de beisebol,,
segurando uma enorme caixa preta com uma fita dourada em torno
dela, perguntou: "Meena Harper?"
"Sou eu", ela disse, e pegou a caixa, dando-lhe a nota de cinco
dólares que ela segurava.
"Obrigado", disse ele, e voltou para o elevador.
"Hum", Meena disse, enquanto ele estava ali, a espera do elevador.
"Sim?" Ele olhou para ela interrogativamente.
"Nada", disse Meena, e começou a fechar a porta. Então ela teve um
segundo pensamento, e abriu a porta de novo e disse “Apenas…
Cuidado com as pizzas de pepperoni, ok?”
O entregador olhou para ela, sem entender. "Ok".
Meena sorriu e fechou a porta. Então, ela trouxe o pacote dentro do
apartamento, Jack Bauer saltitava atrás dela.
"O quê?", disse Jon. "Colesterol"?
"Asfixia ", disse Meena. Ela colocou a caixa sobre a mesa da sala de
jantar. "Mas talvez não agora, se ele for cuidadoso. De quem isso
poderia ser? "Definitivamente tinha o nome dela, não o da condessa.
Ela desamarrou a fita dourada e levantou a tampa da caixa. Ela tinha
sido preenchido com papel de seda branco. Ela separou as dobras,
em seguida, prendeu a respiração ....
A bolsa de couro com a jóia incrustada de dragão colada ao lado. Em
vermelho rubi.
"É a bolsa", Meena respirava, segurando -a em uma mão e
estendendo a outra para acariciar cristal individualmente.
"Que bolsa?" Jon perguntou.
"A bolsa", disse Meena, sentindo como se todo vento tivesse batido
dela. "A bolsa que eu sempre quis. Exatamente na cor certa.
Shoshona tem na cor água marinha. Mas água marinha é feio. O rubi
é perfeito. Simplesmente perfeito. Oh, Jon. É tão lindo ".
Ela queria chorar tudo de novo. Ela nunca tinha visto algo tão lindo.
"Bem, eu não fiz isso para você", Jon disse. Ele começou a apalpar o
tecido da caixa.
"Quem fez? Existe um bilhete ou algo assim? "
"Ele comprou isso para mim", Meena disse, sem parar de olhar para a
bolsa. “Eu sei que foi ele.”
Apenas como ele sabia? Ela nunca disse a ele. Eles nunca tinham
discutido qualquer coisa tão ridícula quanto a luxúria inapropriada de
Meena por uma bolsa Marc Jacobs, com um dragão de cristal colado
na frente, que ela poderia – a propósito – nunca ter se permitido ter.
"Quem é ele?" Jon queria saber, apalpando com mais força. "Lucien?
Príncipe Encantado? Isso é a mais nova inovação de presente para a
manhã seguinte nos dias de hoje? Sacolas? "
"É uma bolsa", Meena disse, abrindo-a para ver que a alça da bolsa
poderia ser trocada por uma elegante corrente de ouro para se usar à
noite ou, ou alternando, uma tira fina de couro para eventos
empresariais mais formais. "Não é uma sacola".
"Oh, é claro que é", disse Jon, tirando um envelope de prata do fundo
da caixa. "Aqui está o bilhete."
O envelope tinha a palavra Meena escrita elegantemente nele, com
uma caligrafia ligeiramente à moda antiga que ela instantaneamente
reconheceu como sendo a do Lucien, embora ela nunca tivesse visto
sua letra.
"O que o Sr. Calças grandes tem a dizer de si mesmo?" Jon
perguntou raivosamente. Meena supôs que ele estava com ciúmes
porque ele nunca tinha ganhado nada de tanto bom gosto e tão
elegante de nenhuma de suas namoradas. Ela lembrou que ele uma
vez tinha comprado para uma delas uma pulseira da Tiffany apenas
para vê-la rompendo com ele ao descobrir que ele tinha comprado
uma pulseira exatamente igual para a mãe deles no natal.
Meena colocou a bolsa no chão e correu uma unha debaixo da dobra
do envelope. Ela puxou uma ponta do papel de carta de marfim.
Minha querida Meena, ele tinha escrito.
Ela sorriu. Ela nunca tinha sido chamada de minha querida por
ninguém antes.
“Cada momento longe de você sinto que o tempo passa dentro de
uma cela. Eu não consigo pensar em nada, sonhar com nada, além
de você. Infelizmente, terei que permanecer na minha própria prisão
um pouco mais, já que o trabalho me impedirá de encontrá-la essa
noite. Entretanto, eu não consigo achar um jeito de evitar isso.
Porém, eu espero que esse presente compense o meu
comportamento imperdoável. Eu vi isso e pensei em você e em São
Jorge. Você matou o dragão. Até que nos encontremos de novo, eu
sou seu Lucien.”
Meena leu o bilhete uma vez e depois de novo.
Então seus olhos se encheram, mais uma vez, com lágrimas. "Ele não
está vindo", ela disse para ninguém em em particular.
Jon olhou para ela. "Espere ... você quer dizer para o concerto desta
noite?"
Ela assentiu, sem olhar para ele. Ela deixou o bilhete flutuar até o
chão.
"Ele não está vindo", ela disse novamente.
Então ela virou-se e caminhou até a poltrona onde ela tinha estado
enrolada um pouco antes, não escrevendo, e desabou nela, a saia de
tule do vestido de Mary Lou se inflando ao seu redor.
Jon se dobrou para pegar o bilhete.
"Espere,"ele disse. "Você está chorando?"
"Eu não sei o que há de errado comigo", disse Meena
miseravelmente, levantando os joelhos e abraçando-os contra o
peito.
"Bem, não chore em cima do vestido da condessa," Jon aconselhou.
"Ela provavelmente vai fazer você pagar uma lavagem a seco. " Ele
leu o bilhete. "Vocês mataram o dragão? Que diabos que isso
significa? Quão grande é pau desse cara, afinal? "
Meena deixou a testa cair entre os seus joelhos e começou a chorar.
"Não seja grosseiro", ela disse.
"Merda", ela ouviu o irmão dizer com alguma preocupação. "Não
chore, Meen. Eu sei que você teve uma semana ruim, mas ele não
está terminando com você. Ele só tem que trabalhar. Ele
provavelmente vai ver você amanhã. Quero dizer, pelo amor de
Deus. Ele enviou para você um bilhete muito legal. E uma sacola "
"Não é uma sacola, é uma bolsa. E é justamente isso ", Meena disse,
levantando o rosto molhado de lágrimas. "Eu nunca disse a ele."
"Você nunca disse a ele o que?"Jon perguntou, chegando para se
sentar no braço da cadeira depois que ela tirou um pouco de tule do
caminho.
"Eu nunca disse a ele sobre isso", disse Meena. "Eu estou querendo
essa sacola, quero dizer bolsa, desde sempre. Mas eu não podia
pagar por ela. E eu nunca disse a ele. Isso é como…” "Sua voz
tornou-se um sussurro. "É como se ele lesse minha mente."
Jon ergueu as sobrancelhas. "Bem", ele disse secamente. "Eu posso
ver como isso deve ser perturbador para alguém que está fazendo
exatamente isso com as pessoas durante quinze anos ou mais. "
"Cale a boca", disse Meena, incapaz de deixar de rir um pouco.
"Não", disse Jon. "Realmente. Deve ser um verdadeiro golpe para seu
ego ter que admitir que pode haver mais alguém que possa fazer o
que você faz. Ah, espere ... não, não importa. O príncipe não pode
dizer quando as pessoas vão morrer. Ele só tem a capacidade
psíquica de saber a bolsa que sua namorada secretamente cobiça. "
Meena alcançou seus olhos para secá-los. "Você não é engraçado",
ela disse.
"Então por que você está rindo?", ele perguntou.
"Tudo bem", disse Meena, com um suspiro. "Talvez eu tenha
exagerado. Mas é muito estranho. Você tem que admitir. "
"Acho que o fato de você ter passado a noite fazendo sexo com um
príncipe é muito estranho", Jon disse. "Mas quem sou eu para julgar?
Então, como você vai estar em casa esta noite ... comida chinesa e
um DVD?”
Meena sorriu. Ela ainda se sentia abalada.
Abalada em seu âmago, na verdade.
Mas foi bom ter Jon por perto para ampará-la.
"Parece bom", ela disse.
"Ótimo." Jon lhe deu um tapinha no joelho através de algumas das
rendas. "Eu vou a pé até a locadora de vídeo escolher alguma coisa.
Como promessa, vou pegar algo com um romance em que as coisas
também explodem. Moo Shu soa bem? Vou pegar frango com alho,
também, para variarmos. Vamos lá, Jack. "Ele deu um tapa na coxa,
e Jack Bauer, deliciado, arrastou-se atrás dele enquanto ele
caminhava até a parede para pegar a coleira. "Estaremos de volta
daqui a pouco."
Meena, sorrindo - embora ainda um pouco trêmula - levantou-se da
poltrona e, depois que Jon e o cachorro saíram, abriu o zíper do
vestido de Mary Lou, tirou-o, e pendurou-o cuidadosamente de volta
no cabide em seu armário. Ela teria, ela supôs, outra chance de usálo.
Não era uma coisa tão terrível.
Ela pegou o bilhete que Lucien tinha escrito para ela e leu
novamente. Isso a fez sorrir e fez com que seu coração batesse um
pouco mais rápido.
Você matou o dragão. Ela também não entendia o que aquilo
significava.
Mas ela gostou.
Ela decidiu tomar outro banho e lavar toda a maquiagem que ela
tinha colocado – isso sem mencionar o perfume. Não fazia sentido
desperdiçar com Jon. Ela tirou sua meia-calça e foi descalça até o
banheiro para ligar a água e tirar sua sexy segunda pele e calcinha
preta – ela definitivamente não iria sofrer usando-as a noite inteira se
não precisasse – quando a campainha do interfone tocou novamente.
O que é tudo isso? Grand Central? (Grand Central = metro de Nova
York.)
Ela pegou o interfone. "Alo?"
"Olá, senhorita Harper”, Roger disse. "Entrega".
"Outra vez?", disse Meena. "Eu não pedi nada, Roger."
"Eu sei, senhorita Harper”, Roger disse. "São flores. Do Sr.
Antonescu, o entregador diz. Não do Sr. Antonescu do 11A, mas do
seu amigo Sr. Antonescu. Você sabe, o da festa da noite passada. "
Meena sorriu. Tanto trabalho para impedir que os porteiros do edifício
soubessem tudo da sua vida pessoal. "Mande-o subir, Roger", ela
disse ao desligar o interfone.
Flores e bolsas? Lucien já tinha seu coração. Ele não tinha que
continuar tentando ganhá-lo.
Ela foi para a bolsa e procurou em sua carteira por uma gorjeta para
o entregador de flores. Ela tinha mais nenhuma nota pequena. Ela
teria que ver se o entregador tinha troco.
Você matou o dragão.
O que isso significava?
Antes que ela tivesse chance de colocar um roupão, Meena ouviu um
som vindo de sua porta. Ela olhou pelo olho mágico. Lá estavam elas.
As rosas vermelhas. Um buquê enorme deles.
Seu coração inchou. Ele era louco. E muito extravagante.
Sim, ele era um príncipe.
Mas isso era demais.
Meena destrancou a porta e abriu uma fresta.
"Muito obrigada", ela disse ao entregador de flores. "Você tem troco
para dez?"
Foi quando ele abaixou as rosas de seu rosto.
E Meena, pela primeira vez em sua vida, soube que ela estava
prestes a morrer.

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