segunda-feira, 22 de julho de 2013

insac - mg - 45-46-47

Capítulo quarenta e cinco
12h EST, Sábado, 17 de Abril
Shenanigans
Rua Qadragésima Segunda, oeste, 241
Nova Iorque, Nova Iorque
Alaric não entendeu muito bem como ele poderia estar sentado em
uma cadeira do restaurante chamado Shenanigans* na Time Square
ao meio-dia de um sábado.
(*Shenanigans – significa Travessuras, por isso ele fala isso.)
Mas se algum dia o perguntassem sobre sua idéia de inferno na terra,
seria o Shenanigans.
"Eu quero uma grande Coca Diet" Meena estava dizendo para a
garçonete detrás das nove páginas—literalmente, ele tinha nove
paginas—do cardápio.
A garçonete, com sua calça de poliéster verde e viseira, olhou
desaprovando. Isso claramente não era uma ordem grande o
suficiente para satisfazê-la.
Ou justificar eles terem pego dois lugares em uma das mesas de
janela com vista para a Times Square, para que Menna pudesse
observar a chegada dessa tal Yalena, a qual ela continuava insistindo
que eles deveriam salvar.
"O que acham de alguns Tacos Rápidos*?" A garçonete sugeriu. "Ou
a Batata Stax Picante** que está no especial de hoje, doze por cinco
e noventa e nove."
"Apenas a Coca Diet," Meena disse com um sorriso. Ela tinha seu
lenço vermelho, fixado em volta do pescoço em um perfeito ângulo.
Isso fazia ela parecer como uma idéia de atriz Americana, que toda
garota Francesa gostaria de se vestir.
Esse era o tipo de lugar de como alguma coorporativa sem coração
achava que um restaurante deveria ser.
A garçonete se virou para o irmão de Meena, Jon.
"Vou levar os Tacos e a Stax," ele disse. "E também o Enrolado de
Páprica Frita* e as Asinhas Pegajosas** e o Tijolo de Cebola***".
(*Enrolado de páprica frita – no original “Paprika Curly Fries”, foto:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/da/CurlyFriesatHo
oters.jpg )
(**Asinhas pegajosas – no original “Sticky Wings”, traduzi ao pé da
letra porque achei que seria melhor pra entender a imagem :S foto:
http://media1.px.yelpcdn.com/bphoto/XntOTymmV3neML1qKxQ2ug/l
)
(*** Tijolo de cebola – no original “Onion Brick”, ‘tijolo’ porque as
cebolas ficam todas juntas no formato de ‘tijolo’, entenderam? =x
foto: http://img22.imageshack.us/i/picture028a.jpg/sr=1)
Meena balançou a cabeça. "Você não presta", ela disse a seu irmão.
"Eu te odeio". Alaric não fazia idéia do que significava essa troca.
Talvez ela se ressentia de seu irmão por sua falta de restrição
calórica?
Jon sorriu para a irmã. "Oh, e uma Coca-Cola", disse ele à garçonete.
A garçonete sorriu para ele com aprovação, tomou o seu cardápio, e
sorriu para Alaric.
"E você?"
"Café", Alaric disse, entregando o seu cardápio de volta. Era tão
pesado, ele suspeitou, como o Tijolo de Cebola*. "Preto".
(Aqui ele faz uma pegadinha, porque o cardápio era pesado igual ao
prato que o Jon havia pedido)
A garçonete perdeu o sorriso dela. "Já está vindo," ela disse, e
desapareceu.
"Diga-me mais uma vez", Alaric disse, inclinando seus cotovelos
contra o tampo da mesa pegajosa. "Quem é Yalena?"
Meena olhou para ele. Era claro que ele não era a sua pessoa
favorita. “Ela é uma garota que conheci no metrô,” disse ela. “Ela é
nova nesse país. Eu dei a ela o meu número e disse para me ligar
caso se metesse em problemas, porque eu poderia contar a ela que o
seu namorado estava indo tentar matá-la.”
“Ao contrário de nós,” disse Jon amargurado, apontando para si
mesmo e Alaric. “Quando Meena tem uma de suas visões sobre seu
namorado tentando matar alguém, ela simplesmente convida-o e
dorme com ele e deixa ele morder o seu pescoço.”
Agora Meena estava olhando para seu irmão. “Lucien só vai matar
você em legítima defesa. Se você não tentar matá-lo, então ele não
vai ter nenhum problema com você e por isso não—”
“Eu quero voltar a falar sobre a garota do metrô,” Alaric interrompeu,
colocando o polegar e o dedo indicador na ponte de seu nariz e
fechando os olhos. “Estou cansando de ouvir sobre o quão
maravilhoso Lucien é. E também vocês dois brigando o tempo todo
está me dando dor de cabeça.”
Passar a noite no sofá não ajudou, tampouco.
Tampouco tinha o fato de ele ter perdido a chance de decapitar
Lucian Antonescu por tão pouco. Se Holtzman descobrisse sobre isso,
ele nunca ouviria o final dessa história no escritório.
“Oh,” disse Jon com um grunhido. “Nós brigando? E vocês dois?
Vocês estão parecendo um casal de velhos quando começam a
encher um com o outro.”
Alaric abriu um olho e olhou para o homem mais jovem. “Eu tenho a
minha espada comigo, você sabe. Estou perfeitamente disposto a
usá-la aqui no Shenanigans. Eu duvido que alguém irá notar, na
verdade.”
O irmão fechou a boca e pegou o brilhando menu de cocktails que
ficava na extremidade da mesa junto com a garrafa de ketchup e
outros condimentos, claramente aborrecido. Ele estava chateado,
Alaric sabia, porque ele queria ser um membro do Palatino e o menor
indício de críticas por parte de Alaric arruinava o seu sonho de um
futuro emprego.
Alaric sabia que mais cedo ou mais tarde ele ia ter que dizer ao irmão
que o seu sonho nunca iria acontecer nesta vida.
Primeiramente porque foram necessários anos de treinamento para
alcançar, e Jon estava muito velho para iniciar esse treinamento.
Mas também porque Alaric achou Jon, assim como sua irmã, irritante.
Mas de maneiras totalmente diferentes, é claro. Alaric não era, por
exemplo, sexualmente atraído pelo irmão, quanto ele era pela irmã.
Um fato sobre o qual ele manteve repreendendo a si mesmo. Como
ele pode ser atraído por uma mulher que estava dormindo com o
mestre da escuridão eterna? Ela não era nem tudo isso! Ela manteve
o seu cabelo curto demais para o seu gosto, e os dentes da frente
estavam um pouco tortos.
Além disso, ela tinha o hábito irritante de balançar seu pé. Ela estava
fazendo isso agora, debaixo da mesa. Ele podia sentir seu sapato
escovar a perna dele. O contato era muito íntimo, considerando como
ela tinha passado a noite—fazendo amor com o filho do Drácula
debaixo do seu nariz.
Meena continuou como se seu irmão nunca tivesse interrompido.
“Ele—Gerald, o namorado—tomou o passaporte dela e estava
mantendo-a em cativeiro, fazendo ela...” Ela olhou para baixo e
tossiu. “Servi a outro homem. Yalena escapou de alguma forma e me
chamou porque o meu era o único numero que ela tinha. Ela vai me
encontrar aqui. Embora o que ela vai fazer quando ela ver vocês dois,
eu não sei.” Meena olhou para seu irmão e Alaric sombriamente. “Ela
não está exatamente confiando nos homens agora.”
“Bem, eu não estou exatamente confiando em você, também,” Alaric
disse, ainda esfregando a ponte de seu nariz. “Especialmente agora.”
“Oh, certo,” replicou Meena, sua voz pingando sarcasmo. “Porque é
tão provável que tudo isso seja apenas uma fraude para eu poder
fugir com meu namorado vampiro. Ou dar uma dica para ele sobre
onde te encontrar. Como se eu não pudesse ter feito isso na noite
passada, quando você estava assistindo filmes no quarto ao lado.
Vamos ver se você ainda acha isso quando ela chegar aqui, toda
machucada, apavorada e sozinha.”
Alaric abaixou suas mãos e abriu os olhos para encará-la. "Você age
como se já tivesse feito isso antes."
Meena encolheu os ombros. “Isso não é totalmente incomum.
Infelizmente.”
“Eu não entendo,” o irmão explodiu. “É minha irmã uma vampira
agora ou não?”
Ambos, Alaric e Meena, olharam para ele com espanto.
“Bem,” disse Jon, “isso é o elefante na sala.* Ela foi mordida de
novo. Ela é ou não é? Será que temos de estacar ela?”
(*Isso é o elefante na sala – no inglês “it’s the elephant in the room”
é uma expressão usada para dizermos que um problema é tão
evidente e claro, mas mesmo assim as pessoas preferem ignorá-lo ou
simplesmente o deixam passar desapercebido.)
“Oh, isso é muito bom, Jon,” disse Meena, ainda sarcástica. “Apenas
fale sobre me estacar no meio do Shenanigans.”
“Eu já disse a você.” A dor de cabeça de Alaric não estava
melhorando. “Ele tem de mordê-la três vezes, e então ela precisa
beber o sangue dele para se tornar um vampiro. Esta é apenas a
segunda vez que ele mordeu ela. Você não bebeu o sangue dele,
Meena?”
“Não!” ela gritou, olhando horrorizada. Ele sentiu o pé dela parar de
balançar e descansar contra a perna dele. Ele não achava que ela
sabia que sua perna era sua perna e não parte da mesa.
Ele deveria, ele sabia, mover sua perna para longe.
E, no entanto, ele não fez. Ele não sabia por que ele não fez. Esta era
a coisa mais perturbadora de todas.
Tudo bem. Ele sabia o porquê.
Esta era a coisa mais perturbadora de todas.
Possivelmente Holtzman estava certo, e ele precisasse de
acompanhamento psicológico.
“E eu não estou indo, também,*” ela insistiu. “Acontece que eu
gosto de coisas como a luz do sol e jantar no Shenanigans. Mesmo
que seja de prioridade da Consumer Dynamics Inc.**, o que significa
que provavelmente vai estar aparecendo em um episódio de
Insaciável em breve, considerando a forma como as coisas estão
indo,” disse ela sombriamente. “E eu realmente estaria sentada aqui
em plena luz do dia se eu fosse uma vampira?” Ela olhou para o teto.
“Eu não posso acreditar que estou tendo esta conversa. Na
Shenanigans.”
(*Só pra deixar claro, ela ‘não está indo’ virar uma vampira)
(**Deixei em inglês mesmo, porque não sabia se tinham traduzido
antes, já que é nome de empresa e tal)
A garçonete apareceu e derrubou as bebidas de Alaric e Meena na
frente deles. Para Jon ela tinha um gracioso sorriso.
“Seu Taco Rápidos e a Batata Stax Picante estará pronta em breve,
senhor,” disse ela.
“Obrigado,” disse Jon, sorrindo para ela.
Na mesa ao lado deles, um homem vestindo uma jaqueta de couro
preta e um par de calças cáqui riu enquanto o celular em seu cinto de
repente tocou alto e uma voz de criança foi transmitida, alta o
suficiente para ser ouvido sobre todo o segundo andar do
restaurante: “Papai? Você está aí?”
Calças cáqui sorriu tolamente e apertou um botão na lado do
celular/walkie-talkie e gritou: “Eu estou aqui, Munchkin! Eu estou na
Times Square!” enquanto uma mulher na mesa da frente dele—que
tinha um par de extremamente grande seios falsos eminentes em
uma blusa muito pequena de crochê sob um casaco de pele de
marta*—sugou alto um frozen daiquiri** e digitou em seu celular
com um conjunto de longas unhas francesinha.
(*Casaco de pele de marta – no original “Mink Jacket”, foto:
http://www.gmcw.org/springaffair/auctionitems/fullsize/mink_fur.jpg
)
(**Frozen Daiquiri – foto:
http://www.examiner.com/images/blog/wysiwyg/image/strawdaiquiri
(1).jpg )
Alaric jogou ao homem um olhar de advertência. Calças cáqui fingiu
não notar. Isso se tornaria sua desgraça logo, Alaric decidiu.
“Lá está ela,” disse Meena, seus pés se acalmando e sua espinha se
endireitando como um taco de sinuca.
Alaric se virou em seu assento para ver uma garota afundar em uma
cadeira numa mesa para dois em uma ponta escura do restaurante,
longe de onde a luz do sol chegava através das janelas de vidro com
vista para a Times Square.
A garota usava um par de óculos de sol enormes, mesmo que eles
tivessem dentro, o que poderia ter sido suspeito em si... Se não fosse
a contusão roxa que ele podia ver saindo de fora de um dos lados
inferiores dos óculos de sol, indicando que ela estava sofrendo de um
novo, frágil olho roxo. Ela vestia um capuz cinza puxado sobre a
cabeça, com tufos de um não atrativo e curto cabelo loiro escapando
aqui e ali.
Uma coisa sobre ela que mais atingiu Alaric eram os sapatos que ela
usava: scarpins brancos com enormes borboletas de plástico nos
dedos.
Ela olhou em volta, furtivamente debaixo dos óculos... até que seu
olhar caiu sobre a mesa deles.
Então ela desviou o olhar rapidamente e pegou um dos cardápios de
nove páginas, atrás do qual ela escondeu o rosto golpeado.
“Bom Deus,” Alaric disse, horrorizado. As vítimas que ele encontrou
normalmente sofreram o abuso nas mãos dos mortos-vivos. Parecia
difícil acreditar que a pessoa que tivesse feito isso, pelo menos de
acordo com a Meena, realmente possuísse um coração batendo.
“Fique aqui,” disse Meena, e pôs o guardanapo sobre a mesa. “Eu já
volto.”
“Eu vou com você,” Alaric disse, levantando-se. Ele deixou claro, com
o seu tom de voz, que este não era um pedido.
“Apenas fique onde você está e me deixe lidar com isso,” Meena
estalou. “Você só vai assustá-la.”
E então ela se foi.
Alaric, espantado com essa explosão—na verdade, como pode uma
pessoa tão pequena perder muito sangue a cada noite e permanecer
assim... forte?—assistiu enquanto Meena correu da mesa e deixou os
dois homens sozinhos enquanto ela ia se juntar a Yalena, que olhou
para ela quando se aproximou... e imediatamente começou a chorar.
Meena moveu uma cadeira para perto e passou o braço em volta dos
ombros da jovem, murmurando-lhe suavemente.
“Minha irmã pode ser um real pacote de diversão, não pode?” seu
irmão refletiu enquanto picava o gelo de seu drink com um canudo.
“Difícil perceber o que esse príncipe vê nela.”
Alaric resmungou, nem concordando nem discordando. A verdade era
que ele estava começando a formar suas próprias teorias sobre esse
assunto em particular...
“Quero dizer, ele poderia ter qualquer uma.” Jon continuou. “Taylor
Mackenzie, por exemplo. Por que ele iria querer uma pé no saco
como minha irmã?”
Por que de fato? Alaric pensou. “Ela conheceu essa mulher no
metrô?” ele perguntou ao irmão, em vez de responder à sua
pergunta. “E disse a ela que teve uma visão que ela iria morrer?”
“Não,” disse Jon, sugando a sua Coca. “Meena apenas disse a ela
para ligar em caso de problemas. Meena não diz às pessoas que elas
irão morrer. Ninguém acreditou nela quando ela fez isso. Então agora
ela só os aconselha.”
Alaric voltou o olhar para Meena. “E quando eles não escutam o
conselho?”
Jon deu de ombros, desconfortável. “Bem... então eles morrem.”
Alaric sacudiu sua cabeça. Já era ruim o suficiente ele estar no
Shenanigans na Times Square com uma mulher que estava dormindo
com o príncipe das trevas. E não parava de fazer isso.
Mas agora ele foi descobrindo que esta mulher podia realmente ser o
que ela disse que era... uma psíquica.
E se isso realmente fosse verdade... então ela provaria ser um
recurso valioso para seu chefe.
Sim. Por que não? Meena Harper—não o irmão dela—poderia ser a
pessoa que os Palatinos precisavam para ajudá-los em sua batalha
contra os mortos-vivos.
Por um lado, ter alguém por perto que podia avisá-los quando ele e
seus parceiros guardas estavam prestes a entrar em uma armadilha
mortal vinha a calhar.
Por outro lado... Alaric não tinha certeza de quanto tempo ele
realmente queria passar com Meena Harper no futuro.
“Papai, adivinha o que?” bradou o telefone celular no quadril do
homem na mesa ao lado de Alaric. “Estamos assistindo Astro Boy!”
“Isso é ótimo, camarada!” Calças cáqui gritou em seu celular. Alaric
fechou seu punho.
“Aqui está,” a garçonete gritou, chegando com uma bandeja de
alimentos fritos empilhados. “Seus Tacos Rápidos e suas Stax
picantes, enrolados fritos* e os Tijolos de Cebola**—”
“E sobre as minhas Asinhas Pegajosas***?” Jon perguntou, olhando
preocupado.
(*Enrolados fritos – é aquele de páprica, que mostrei lá em cima)
(**Tijolos de Cebola – vou deixar assim mesmo por causa da
piadinha do Alaric lá em cima, mas em qualquer caso, Onion Brick é o
nome do prato.)
(***Asinhas pegajosas – de novo, vou deixar como deixei lá em cima
– Sticky Wings, em inglês.)
“Aqui está,” a mulher disse, deixando milhares de calorias em uma
cesta na frente do irmão da Meena.
“Beleza,” disse Jon, e começou a comer avidamente. Eles tiveram de
sair antes que ele tivesse tempo de terminar o café da manhã, devido
à insistência de Meena de que tinham que encontrar Yalena a tempo.
Alaric olhou para a comida na mesa em frente a ele. Tudo parecia
incrivelmente... bom.
Particularmente as Asinhas Pegajosas.
Jon, aparentemente notando o olhar prolongado de Alaric, disse,
“Pode devorar. Sério. Você não vai acreditar como isso é bom. E é
melhor comer isso antes que Meena volte para cá, por que não
sobrará nada quando ela acabar com isso. É por isso que ela não
tinha pedido. Ela estava tentando ter uma saúde-consciente, mas isso
nunca funciona. Ela é viciada no Shenanigans. Ela pode parecer
pequena, mas você não vai acreditar quanta comida ela pode por pra
dentro. Você deveria ver sua gaveta secreta de doces no trabalho. É
realmente nojento.”
Alaric estudou as cestas em frente a ele. Então ele encolheu os
ombros, levantou uma asinha, e mordeu.
Os sabores que explodiram em sua boca eram como nada que ele já
tinha experimentado. O foie gras* no Per Se não conseguia se
comparar a ele.
(*Foie Gras – é uma comida francesa feito de fígado de um pato ou
ganso junto com trufas, foto:
http://cascavel.cultmag.com.br/arquivos/foie-gras-dish1.jpg )
Atrás dele, o celular do Calças cáqui apitou alto, depois rugiu com
estática. Munchkin gritou: “Papai, papai, mamãe quer saber quando
você está voltando para casa!”
Alaric abaixou o seu osso de galinha. Cada um de seus músculos
enrijecidos pelo que ele sabia que estava por vir. Ele não tinha
escolha, realmente.
Ele ia ter que enxugar o chão com o Calças cáqui por ter perturbado
a sua experiência de jantar e de todos ao seu redor. Foi,
simplesmente, maus modos.
Jon enxugou seu rosto com um guardanapo. “Não,” disse ele,
segurando uma mão. “Permita-me.”
Alaric assistiu com ceticismo quando Jon enrubesceu, passou para a
mesa ao lado deles, e arrancou o celular da cintura do Calças cáqui.
“Munchkin,” disse Jon ao celular. “Pode dizer a sua mãe que seu pai
não pode falar agora porque ele está almoçando com outra mulher? E
que a outra mulher tem peitos muito grandes? Certifique-se de contar
a mamãe sobre os peitos da senhora.”
“Okay,” disse Munchkin animadamente ao telefone.
“Que diabos?” explidiu Calças cáqui, se levantando tão rapidamente
que a cadeira virou para trás.
Alaric, pegando outra asa de frango, mastigou, curtindo o show...
Pelo menos até que ele percebeu um homem usando um capuz e um
boné de beisebol dos Yankees puxado sobre os olhos dele subindo as
escadas, seu olhar, por trás de um par de óculos espelhados, fixos
em Meena e Yalena.
Alaric pousou a asa de frango e pegou alguns guardanapos para
limpar seus dedos.
“Agora, Phill,” a mulher com o casaco de pele de marta disse. “Não
fique animado. Lembre do seu coração.”
“Talvez você devesse atender suas ligações lá fora,” disse Jon,
entregando a Phil seu celular. “Isso vai manter você fora de
problemas.”
“Talvez eu vá,” disse Phil em um mau humor enquanto seu telefone
estalava com estática e a voz de uma mulher veio, gritando: “Phil?
Phil? O que Munchkin está dizendo sobre você e uma mulher?”
Phil apertou um botão e a voz da mulher foi cortada abruptamente.
Ele colocou o telefone no seu ouvido e disse, “Aw, querida, esqueça.
Era apenas uma piada. Um pouco de loura de Nova Iorque,”
enquanto ele movia-se rapidamente em direção as escadas...
... roçando os ombros com o homem de boné de beisebol e óculos
escuros, que estava tentando alcançar o bolso interno de sua jaqueta
de couro com luvas enquanto se movia rapidamente na direção da
mesa de Meena e Yalena.
Alaric praguejou e saiu da cabine enquanto puxava sua espada, ao
mesmo tempo.
Jon estava deslizando de volta para a cabine em frente a ele,
parecendo satisfeito consigo mesmo.
Vê?” ele disse para Alaric. “Algumas situações você pode resolver
sem balançar uma espada por aí... espera. O que está acontecendo?
Onde você vai?”
Mas Alaric já tinha se lançado sobre a mulher de casaco de pele de
marta—que permanecia sentada para terminar seu daiquiri e os seus
textos—puxando o Señor Sticky* pela bainha quando ele mergulhou.
Sobre a mesa de Yalena, Gerald—porque é claro que era o namorado
de Yalena em um boné de beisebol e capuz, quam mais poderia
ser?—tinha puxado algo pequeno e preto de sua jaqueta de couro e
estava pressionando nas costas de Meena, falando para ela em uma
voz baixa, seus óculos ainda protegendo seus olhos sob a aba do
boné de beisebol dele.
(*Señor Sticky – deixei no original porque eu não sei ao que está se
referindo, mas traduzindo seria “Senhor Pegajoso”)
Ninguém no restaurante estava prestando a menor atenção a eles.
Todos os olhos agora estavam em Alaric, o homem louco no casaco
de couro, fazendo movimentos de ginastica com uma espada em suas
mãos. Só Alaric viu a coluna de Meena ficar reta como um taco de
sinuca de novo, os olhos dela arregalados e assustados olhando.
Enquanto isso, do outro lado da mesa, Yalena não parece nem um
pouco surpresa.
Mais como aliviada pois não era a sua costela que a arma foi
pressionada nesta hora.
Pelo menos, não até que Alaric veio desabando ao lado deles.
Então ele tirou uma reação de Yalena. Sua boca formou um
perfeitinho O de surpresa.
Que ficou ainda maior quando Alaric pegou Gerald pelo pescoço com
uma mão e de forma inteligente apertou a lâmina da espada contra o
pulso dele, fazendo-o largar a arma, pela dor.
Alaric olhou para a Ruger .22* no chão com um sorriso.
(*Ruger .22 – foto:
http://www.engstromauctions.com/Oct17/gunpics/Ruger.22.JPG )
“Pensando em fazer algum treino de tiro ao alvo mais tarde?” ele
perguntou a Gerald. Gerald abriu a boca e soltou um assobio,
revelando um conjunto de dentes incisivos extremamente aguçados...
junto com um enrolado, apontou a língua que disparou para dentro e
para fora de sua boca como a de uma cobra. Meena, seus olhos
arregalados com horror, saltou de sua cadeira e abraçou a parede,
derrubando algumas recordações* do Shenanigans no chão.
(*Recordações – no inglês “Memorabilia”, são coisas que se guarda
pelo valor sentimental, para lembrar.. qualquer coisa google it para
quem não entendeu direito)
“Oh, meu Deus,” ela gritou. “Ele é—”
“Sim, ele é, não é,” Alaric disse calmamente, ainda segurando o
vampiro pela garganta. “Faça-me um favor, você vai? Pegue meu
casaco.”
Meena levantou uma mão trêmula, em seguida, colocou-a no bolso
do casado de Alaric.
“Achou?” ele perguntou quando sentiu os dedos finos dela se
fecharem em torno do que estava no fundo do seu bolso.
“Achei” disse Meena, tirando um frasco pequeno de cristal e o
estudou com curiosidade. “O que é isso?”
“Aguá benta. Eu quero que você jogue isso na cara dele agora.”
O vampiro sibilou com mais veneno ainda ao ouvir isto e agarrou o
braço de Alaric.
Meena olhou para o fraco depois para o vampiro, sua expressão
horrorizada.
“Eu não posso fazer isso,” disse ela, chocada.
“Sim, você pode, Meena,” disse Alaric. “Ele não é mais um homem.
Ele é um monstro. Olhe para ele. E ele só tentou atirar em você.”
“Não é isso,” disse Meena.
“Eu não quero perturbar todos neste agradável restaurante cortando
a cabeça dele,” disse Alaric. Era verdade. Todo mundo nas mesas em
torno deles abaixaram suas Asas Pegajosas* e estavam olhando,
claramente confusos com o que estava acontecendo. “Mas eu preciso
dominá-lo de alguma forma. Então faça como eu peço e jogue a água
benta em seu rosto. Está tudo bem. Ele já está morto. Assim você
não estará ferindo ele.”
(*Asas Pegajosas – no original “Sticky Wings”, só pra não
esquecerem o que é, foto:
http://media1.px.yelpcdn.com/bphoto/XntOTymmV3neML1qKxQ2ug/l
)
“Não,” disse Meena, sacudindo a cabeça. “Quero dizer, eu realmente
não posso fazer isso. Esse é o Stefan Dominic, a nova estrela de
Insaciável. Eu sabia que tinha vista ele antes em algum lugar. Era
aquela foto que Yalena me mostrou em seu celular. Ele é Gerald.”
“Ótimo,” Alaric disse, olhando para o céu.
Esta foi, sem dúvida, a pior tarefa que ele já teve.

Capítulo quarenta e seis
1:00 da tarde. EST, Sábado, 17 de abril.
Park Avenue, 910, Apartamento 11A
Nova Iorque, Nova Iorque
Emil não tinha certeza de como consolar sua esposa aos prantos. Ele
nunca tinha visto Mary Lou tão chateada.
"É provavelmente por pouco tempo, querida," ele disse enquanto ela
jogava as roupas que estavam em seus braços, muitas ainda no
cabide, em sua mala da Louis Vuitton*. Porque era o dia de folga da
empregada, então não havia mais ninguém para fazer isso por ela.
(*Louis Vuitton – foto: http://migre.me/3ObCE )
"Eu amo esse apartamento," ela soluçou. "Eu não quero ir. E eu vou
perder todas as liquidações!"
"Voltaremos em breve," Emil disse.
Sem chance nenhuma ele acreditava que isso era verdade. Mas ele
disse isso para confortá-la, já que ela estava chorando tanto.
"E terão muitos shopping em Tóquio," ele apontou.
"T-Tóquio!" Mary Lou ecoou miseravelmente. "O que há para mim em
Tóquio? Nada!"
Exatamente, Emil pensou consigo mesmo. Ninguém para você ser
anfitriã de festas ou mandar e-mails.
Mas ele não ousou dizer nada disso em voz alta.
"Você amará lá," Ele disse ao invés. "E eu realmente acho que você
não precisa levar tantos vestidos. Nós podemos comprar qualquer
coisa que você precise quando chegarmos lá." Ele adicionou, um
tanto hesitante, já que ele não queria deixá-la mais chateada,
"Depressa, querida. Eu vi o caçador de vampiros sair pelo elevador
com a garota Harper um tempo atrás. Eles voltaram em breve, tenho
certeza. Não acho que temos muito tempo."
"Meena!" Mary Lou rosnou o nome como se fosse uma maldição.
"Depois de tudo que fiz por ela! Para ela nos entregar!"
Emil olhou furtivamente seu relógio.
"Eu não acho que ela teve muita escolha," ele disse. "E foi você que a
juntou com o príncipe. Eu não tenho certeza do que você achou que
fosse acontecer. Nunca é bom misturar o nosso tipo com humanos."
Mary Lou estava tentando fechar sua mala. Ela não fechava. Emil não
tinha certeza se era isso ou seu comentário que fez sua esposa
perder o resto de sua paciência e gritar, "Eu era humana quando
você me conheceu! Lembra? Você está dizendo que não
combinamos?"
"Não, querida" Emil disse. Ele estendeu a mão, abriu de novo a
tampa da mala e começou a aconchegar todas as mangas e golas de
pele que ficaram para fora. "Eu estou apenas dizendo, por mais feliz
que o príncipe está com a Senhorita Harper—e ele parece gostar
muito dela—é lógico que com toda a atenção que estas garotas
mortas estão recebendo na mídia, os Palatinos viriam checar. E é
claro, isso significa que eles descobririam onde estamos. E agora..
bem"
Mary Lou, fungando, afundou na cama ao lado da mala, seu cabelo
normalmente loiro desarrumado e sua maquiagem também.
"Se ele vai nos matar, porque ele vem já, então?" ela pediu. "Eu
preferiria ser estacada do que deixar Manhattan!"
Emil particularmente achava que isso era muito dramático mas não
disse nada, já que sua esposa estava tão exausta. Ele mesmo estava
exausto de seu encontro cedo com o prícnipe que tinha aparecido em
seu terraço e então entrou na sala de estar pelas portas da varanda.
"Meu lorde," Emil tinha chorado. "Está tudo bem?"
"Não," Lucien disse. Sua blusa tinha sido desabotoada até a cintura,
mostrando seu peito magro. Emil desejava que ele tivesse sido pego
em boas condições e não tão perto da meia-idade. "Há um caçador
de vampiros Palatino na porta seguinte, no apartamento da Senhorita
Harper."
Emil quase derrubou o copo de sangue humano que ele estava
tomando de café-da-manhã
"O quê?"
"Sim," o príncipe replicou severamente. "Eu sugeriria a você e Mary
Lou que achassem outro lugar para morar imediatamente."
Ele não tinha certeza se tinha ouvido o príncipe corretamente.
"Majestade, não seria... não deveríamos.." Emil estava balbuciando,
mas honestamente, o que um homem deveria fazer em relação a tal
pronunciamento? "Eu digo, não deveríamos apenas matar ele?"
"Tenho medo que não possamos" Lucien disse, afundando em uma
das cadeiras estofadas preferidas de Mary Lou. "Meena é psíquica,
você sabe."
Essa declaração chocou completamente Emil. "O quê?" Ele perguntou
de novo, estupidamente, ele supôs. Um século mais novo que o
príncipe—felizmente para ele, pelo que ouviu a respeito das coisas
que Lucien passou nas mãos de seu recém transformado pai—ele
nunca se acostumaria com o fato de que Lucien era relacionado com
a realeza e nunca tinha certeza de como agir perto dele.
"Ela pode dizer como todo mundo vai morrer," Lucien explicou.
"Humanos, de qualquer modo. E eu também, quando eu bebo o
sangue dela."
Ele não parecia muito feliz com isso.
Subitamente, Emil entendeu o que o príncipe esteve fazendo a noite
toda.
Que extraordinário. Ele nunca ouviu sobre um psíquico antes, não um
real. Não um que desse previsões consistentes.
E para Lucien ser capaz de dar previsões agora também.. é claro que
seria melhor se ele pudesse prever algo mais interessante do que
quando um humano iria morrer.. algo como o placar de jogos
esportivos.
O príncipe continuou. "Uma vez, Meena teve uma visão que eu
mataria o irmão dela e o assassino. Obviamente, isso não pode
acontecer."
Emil ouviu a ultima parte com espanto.
O príncipe não queria matar um membro da Guarda Palatina que
estava ameaçando a vida deles?
Emil entendia que Lucien queria fazer coisas diferentes do que seu
pai tinha quando ele foi o lorde da escuridão.
E geralmente fazia sentido nos negócios, de um ponto de publicidade,
não sair matando pessoas por comida—especialmente mulheres e
crianças—algo que Lorde Drácula jamais entenderia.
Mas quando uma sociedade papal tinha a intenção de aniquilar toda
sua espécia, não parecia uma boa idéia deixá-los.
Mas Emil sabia o suficiente para não discutir com o príncipe. Ele
apreciava demais seu pescoço.
"Certamente, meu lorde," Ele disse.
"Mas eu não posso ter você e Mary Lou em perigo, também" Lucien
continuou. "Então vocês dois precisam arrumar as malas e ir. Eu não
sugeriria para irem para Sighisoara também. Eles provavelmente
estão por tudo lá agora."
Emil estava escutando isso com um horror crescente. Eles estavam
em Sighisoara? Ele tinha vivido lá sob o nariz da Palatine Guard por
séculos.
E agora, porque o príncipe tinha se apaixonado pela garota da porta
ao lado—que era algum tipo de aberração psíquica—ele tinha que
abandoná-la para sempre? Ao invés de ficar e lutar?
"Tudo bem, meu lorde." foi tudo que Emil disse, no entanto.
Porque isso foi tudo que ele sempre disse.
Mas não era o que ele queria dizer.
"E sobre seu irmão?" Ele perguntou.
"O que tem sobre meu irmão?" O tom de Lucien era afiado.
Talvez, Emil pensou, ele tenha ido muito longe.
Mas Dimitri, certamente, iria querer ficar e lutar.
E isso causaria um problema.
"Bem.." Emil sabia que tinha que escolher suas palavras seguintes
com cuidado. "Eu apenas pensei que quisesse avisar seu irmão que
os Palatine estão na cidade, para que ele e seu sobrinho possam
fugir, também."
"E eu direi algo para meu irmão," o príncipe disse. "Na hora certa."
Emil pensou ter visto para que lado o vento estava indo com aquele
último comentário.
E foi aí que ele decidiu fazer como o príncipe disse e tirar Mary Lou da
cidade assim que possível.
E não só porque havia um guarda Palatino na porta ao lado, ou
porque aquele guarda Palatino estava prestes a ser usado como
motivo em uma guerra em andamento entre dois irmãos vampiros...
Mas porque tinha um brilho no olhar do príncipe que Emil nunca tinha
visto antes.
E Emil tinha uma boa ideia do que—ou, melhor, quem—tinha
colocado esse brilho lá.
Ele nunca mais olharia para Meena Harper do mesmo jeito
novamente. Se ele ver ela outra vez, claro.
Agora ele virou para sua esposa que estava colocando sapatos em
outra mala, e disse,
"Querida. Chega. Eles tem sapatos em Tóquio."
Mary Lou olhou para ele com olhos cerrados. "Mas eu tive alguns
desses por mais de quarenta anos! E você sabe que eles estão de
volta na moda."
"Nós voltaremos por eles, querida" ele disse, colocando a mão
gentilmente no braço dela.
"Você tem certeza?" ela perguntou fungando.
Emil pensou na expressão inabalável do príncipe. Ele não sabia o que
o Lucien tinha planejado.
Mas ele tinha certeza que o príncipe tinha algum tipo de plano.
E não seria bonito, pra ninguém que estivesse em torno, quando esse
plano estivesse em curso.
"Eu tenho certeza," ele disse para sua esposa. "Nós temos que ir. Eu
acho que tem uma batalha iniciando."
"Você já disse isso" Mary Lou disse, fungando. "Os Palatinos..."
"Não," Emil disse. "Entre o príncipe e seu irmão."
"Bem, é claro que tem," Mary Lou disse, amargamente. "Eles se
odeiam por séculos. É por isso que achei que se o príncipe
conhecesse uma boa garota, ele pudesse amadurecer um pouco. E eu
pensei que Meena seria perfeita para ele, por causa daquela coisa
que ela faz."
"Mary Lou," Emil disse. Ele sentia como se suas entranhas tivessem
se tornado pedras. "Você não contou a ninguém, não é? Sobre Meena
e sua habilidade. Sobre ela e o príncipe ficarem juntos. Me diga que
você não contou a ninguém."
"Bem, não" Mary Lou disse, seus olhos esvoaçantes, "Digo, ninguém
que importe. Apenas Linda. E Faith. Bem, e Carol, do seu escritório. E
Ashley. Oh, e Becca, é claro."
"Oh, Deus" Ele disse com um gemido.
Então ele pegou seu celular
Capítulo quarenta e sete
7:00 da noite. EST, Sábado, 17 de abril.
Santuário de St. Clara
Rua Sullivan, 154
Nova Iorque, Nova Iorque
Meena sentou na mesa brilhante da cozinha de frente para Yalena,
observando-a enquanto ela levantou a caneca de cacau fumegante
para seus lábios com seus dedos que ainda tremiam, horas depois de
seu resgate. Meena não tinha certeza se Yalena algum dia pararia de
tremer depois de tudo que passou.
"Mais leite para seu cacau, querida?" Irmã Gertrude perguntou a ela,
pairando por perto com uma jarra.
Yalena não respondeu. Não estava claro se ela não entendia o que a
freira estava dizendo ou se ela tinha ficado surda de todos os golpes
que tinha recebido na mão de seus captores.
Ou talvez estivesse apenas em choque por tudo que tem acontecido.
Meena não a culpava. Ela ainda estava um pouco em choque pelo
modo que Alaric tinha cruzado todas aquelas mesas, subjulgando
Stefan, e depois assegurando a todos os atordoados no Shenanigans
que Stefan era um viciado em drogas e que Alaric era um policial
disfarçado que estava prendendo ele.
Meena tinha certeza que se ela não estivesse sentada lá, comendo
asinhas pegajosas no Shenanigans, ela nunca teria acreditado.
9 fev
Mas todo mundo—até os garçons e o gerente, que ofeceram a todos
os clientes Tijolos de Cebolas grátis pela inconveniência—pareciam
bem com isso.
Foi até eles começarem a descer as escadas do Shenanigans para
pegar um táxi ao St. Clara—onde, Alaric insistiu, que conseguiriam
ajuda para Yalena, e o "resto disso resolvido"—que eles descobriram
mais dois vamps (como Alaric os chamava) esperando eles nas
sombras da escada.
Eles fugiram ao ver Alaric segurando a espada, cruzando a cozinha do
restaurante e saindo pela porta dos fundos em direção a um carro de
aluguel que os esperava no beco escuro.
O carro correu com um guincho de freios ou assim Jon, que correu
atrás dos vampiros, tinha reportado. Aparentemente, eles estavam
apenas esperando Meena, Yalena e Stefan, é claro... e não Meena,
Yalena, Stefan, o irmão de Meena, e um pesado caçador de demônios
da Guarda Palatina.
Primeiro o namorado de Meena. Depois seus vizinhos da porta ao
lado. Agora um dos atores do show que ela trabalhou.
Todo mundo que ela conhecia revelaria ser um vampiro?
Meena sabia que Stefan Dominic parecia familiar. Ela apenas não
tinha sido capaz de associá-lo com o estúdio. Mas porque Stefan
tinha—que revelou ser Gerald, de todas as pessoas—tentado
sequestrá-la?
Alaric estava em outra parte do St. Clara aplicando água benta em
partes diferentes do corpo de Stefan Dominic, tentando descobrir a
resposta dessa questão.
De onde ela sentava, na cozinha da reitoria, mal podia ouvir os gritos
do vampiro.
"Aqui está," disse Irmã Gertrude calmamente, pondo mais leite na
caneca de Yalena, mesmo que a garota não tivesse dito que queria
mais. Em seguida a freira se abaixou para endireitar a manta
aveludada que ela tinha colocado sobre os ombros de Yalena. "Bom e
quente. Bom para o corpo. Bom para a alma."
Yalena não sabia quão sortuda era de ainda ter uma alma.
Ou talvez soubesse. Meena não tinha certeza do que a garota sabia.
Uma coisa Meena sabia:
O modo que Alaric salvou Meena—e Yalena—no Shenanigans tinha
amolecido sua atitude com ele. Havia algo a ser dito sobre alguém
que cruzava várias mesas do restaurante para colocar sua mão nua
no pescoço de um vampiro que estava tentando sequestrar você.
"Isso acontece com frequência?" ela perguntou a Abraham Holtzman,
apontando na direção em que os sons fracos dos gritos de Stefan
Dominic podem ser ouvidos. Abraham tinha se apresentado a Meena
e Jon como o chefe de Alaric Wulf. Ele estava atualmente andando
para baixo e para cima da cozinha nervoso, ocasionalmente colidindo
com a Irmã Gertrude e dizendo, Oh, eu peço seu perdão, Irmã.
"Ceús, não" ele disse, finalmente parando de sua caminhada pela
cozinha. Ele parecia horrorizado. "Nós não conduzimos esse tipo de
coisa em circunstâncias normais. Alaric tem seus próprios métodos, é
claro, eles foram mostrados ao longo do tempo para ter uma eficácia
surpreendente—"
Meena levantou uma mão para pará-lo. "Não precisa dizer mais" ela
disse secamente. "Eu entendi a figura."
Incomodou um pouco ela, no entanto, que seu irmão tenha se
voluntariado tão cavaleiramente para "ajudar" Alaric, e várias das
freiras que viviam no santuário, a torturar Stefan.
"Senhorita Harper," Abraham Holtzman disse, parecendo meio
perturbado. "Eu posso dizer pelo seu tom que não é particularmente
afeiçoada ao Guardião Wulf—e, portanto Os Palatinos—o que, para
uma mulher em suas cirscunstâncias, é perfeitamente
compreensível."
Meena corou. Ela estava ciente que Alaric tinha contado a seu chefe
quais eram suas circunstâncias—que ela estava dormindo com o
príncipe da escuridão—e ela estava completamente mortificada. Que
esse estranho total (que tinha idade para ser seu pai) soubesse a
maioria dos detalhes de sua vida não estava okay.
A irmã Gertrude sabia, também? Meena deu um olhar nervoso na
direção do homem mais velho, mas ela estava serenamente tentando
fazer Yalena comer cookies de chocolate recém-saidos do forno.
(Meena tem colocado os cookies da Irmã Gertrude sem parar na boca
desde que a irmã os guiou para a igreja do santuário quando saíram
do táxi do qual eles quase caíram fora—Alaric tinha mantido Stefan
Dominic embaixo de sua jaqueta de couro para protegê-lo do sol e a
espada, o tempo todo... muito para a estupefação do taxista.)
Abraham Holtzman continuou. "Qualquer que seja a impressão que o
Guardião Wulf tenha te dado, e eu não duvido que não seja uma
muito boa, você deveria saber que ele é um dos nossos funcionários
mais bem treinados. Ele acumula mais mortes durante um ano que a
maioria dos guardiões durante uma carreira inteira. E o fato de ele
conseguir fazer isso sem a perda de civis é uma verdadeira realização
em nosso trabalho." Abraham parecia pensativo. "Ele tem um bom
método pessoal. Te digo isso. Mas considerando seu passado , já era
esperado."
Meena levantou suas sobrancelhas. "Seu passado?" ela perguntou.
"Bem, o fato é que ele é.." Abraham olhou desconfortável na direção
da Irmã Gertrude e Yalena e sussurrou,"Um bastardo."
Meena teve que segurar um sorriso.
"Na América chamamos isso de ser criado por uma mãe solteira," ela
sussurrou em resposta. "E não é uma grande coisa. Acontece com
muita gente."
"Oh, mas ele não foi" Abraham disse. "A mãe dele era uma viciada
em drogas que o abandonou. Ele cresceu nas ruas até ser colocado
em um lar para adolescentes, que foi onde a Palatina achou ele.
Agora o que é isso de você ser psíquica? Abraham perguntou, antes
que Meena tivesse tempo de superar sua surpresa de ouvir sobre um
homem que parecia ir adiante com a vida um fardo nos ombros. "Isso
é bem improvavél, né? Talvez Alaric tenha entendido errado. Ele faz
isso com frequência. Suas habilidades com pessoas deixam muito a
desejar... compreensivelmente."
Meena se arrepiou. O que tinha com esses homens que trabalhavam
para a Guarda Palatina? Eram todos completamente arrogantes?
"Sim," ela disse. "Está certo. Ele entendeu errado."
"Pensei que sim." Abraham olhou para fora das janelas do santuário e
depois para seu relógio. "O sol está começando a se pôr. “Irmã, acho
melhor mover a Senhorita Yalena para um cômodo sem janelas.”
"Está é uma boa ideia." Irmã Gertrude disse. Ela colocou as mãos
gentilmente nos ombros de Yalena. "Vamos, querida."
"Espera," Meena disse enquanto Yalena se levantava—como uma
criança obediente—e deixava a freira tirá-la do cômodo. "Eu não
entendo. Um cômodo sem janelas? O que você acha que vai
acontecer quando o sol se pôr?"
"Bem," disse Abraham parecendo um pouco desconfortável. "Eu acho
que é bem provável que quando o sol se pôr, o Dracul vai vir aqui
procurar por você, Senhorita Harper."
"Eu?" Meena disse. Ela o encarou. "O que o Dracul iria querer
comigo?"
"Bem, essa é a pergunta de um milhão de dólares, não?" Abraham
disse com o mesmo tipo de ânsia que qualquer trabalho pode
mostrar. Ele só acontecia de ser um expert em demonologia. "Mas há
uma razão para aquele vampiro no porão elaborou um plano para te
sequestrar em plena luz do dia. Muito arriscado. Ele podia ter sido
fritado vivo facilmente. Alguém te quer, Senhorita Harper, muito.
Seja o lorde da escuridão ou outra pessoa..."
Meena abriu sua boca para dizer que era ridiculo Lucien estar atrás
da tentativa de sequestro dela. Verdade, ela lembrava perfeitamente
de uma promessa dele, um pouco antes de adormecer em seus
braços, que ele iria embora e nunca mais voltaria... senão ele mataria
o irmão dela e Alaric.
Mas sequestrá-la contra sua vontade para eles ficarem juntos?
Nunca. Lucien amava ela, e ela ele. Ele nunca mandaria alguém fazer
isso com ela. Ele mesmo teria sequestrado ela.
Espere. Não, ele não teria.
Ou teria?
Abraham Holtzman, no entanto, não a deu uma chance de dizer uma
palavra.
"A melhor coisa que podemos fazer agora é se preparar, como dizem,
para uma noite longa. Nós podemos nos defender, é claro, mas está
senhorita aqui..." Ele lançou um olhar de compaixão na direção de
Yalena; Ela ainda estava parada na porta, abaraçada com a Irmã
Gertrude. "Bem, ela está melhor fora e deitada em uma cama segura,
eu acho."
Irmã Gertrude acenou, não parecendo incomodada que sua igreja
pode ser atacada por vampiros agora que estava ficando escuro lá
fora.
"Colocarei um pouco de alho na porta, por medida de segurança," a
freira disse com um aceno caloroso.
"Idéia excelente." Abraham Holtzman disse. "Os mais velhos ainda
são melhores."
"Eu tenho minha Beretta semi-automática." Irmã Gertrude adicionou
felizmente, dando tapinhas em seu bolso. "Aqui com as balas de
prata. Isso tem que tirar alguns desses vampiros do jogo."
Os olhos de Meena alargaram. Sem surpresa que ela tinha uma
sensação tão ruim sobre tudo isso.
Essas pessoas eram completamente loucas.
Yalena surpreendeu todos abrindo sua boca e tentando falar. "Eu—"
seus olhos azuis fixados em Meena. Yalena continuou na porta, com
uma manta enorme em sua volta e a Irmã Gertrude com os braços
em volta dela.
"Eu—desculpa," Yalena finalmente conseguiu dizer, uma lágrima
escapando de um de seus olhos e indo devagar para sua bochecha.
"Eu não quis te ligar Meena. Eu não queria te colocar em problemas
também. Mas ele achou o cartão que você me deu. Ele encontrou
logo. E hoje, por alguma razão eles me fizeram te ligar. Eles disseram
que fariam comigo o que faziam com as outras garotas se eu não
ligasse... Eu sinto muito!"
Ela colocou as mãos no rosto e desatou a chorar. Irmã Gertrude
desaprovou com sua lingua e abraçou Yalena fortemente.
"Calma, calma, querida" Irmã Gertrude disse. "Eles são criaturas
nojentas. Você não deve se culpar. Você não sabia."
"Eu não sabia," Yalena concordou com a Irmã Gertrude. "Eu não
sabia!"
Meena levantou da mesa da cozinha e colocou uma mão no ombro de
Yalena, seu coração batendo pela garota.
"Está tudo bem, Yalena" disse. "Foi bom você ter me ligado. Eu te
disse para ligar, lembra? Eu disse que te ajudaria, e ajudei." Bem,
tecnicamente, foi Alaric. Mas foi ela quem trouxe Alaric e sua espada.
"Mas," Meena adicionou. "Eu preciso saber... que outras garotas?"
Yalena levantou o rosto machucado, cheio de lágrimas do ombro da
Irmã Gertrude e disse fungando, "Para os bancos. Gerald, ele não é
um empresário de atrizes." Yalena parecia muito triste. "Ele apenas
quer garotas para alimentar os bancos."
"Alimentar os bancos?" Meena sacudiu sua cabeça, completamente
confusa... e horrorizada. "Yalena, do que você está falando?"
"Os bancos," Yalena disse. Seus olhos estavam cheios de terror. "Que
eles fazem pros vampiros."

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