quinta-feira, 18 de julho de 2013

insac - mg - 13-14-15

Capítulo Treze
10:00 da noite. EST, Terça-Feira, 13 de Abril
Avenida Park, 910, Apartamento 11 A
Nova York, Nova York
"O que é isso?" Emil andou no espaçoso quarto principal, que ele
compartilhava com sua animada e magra esposa, segurando uma
cópia impressa do e-mail que ele encontrou em seu desktop (área de
trabalho do computador).
"Oh, querido," Mary Lou disse enquanto ela se movia rapidamente
para sua penteadeira. "Isso é apenas um pequeno convite que
mandei para todas as minhas amigas para o jantar que teremos na
honra do Príncipe Lucien na quinta-feira".
Emil sentiu uma pequena, porém persistente, sensação no centro de
seu estômago que não era muito diferente de ser arranhado várias
vezes por alguém com as unhas muito longas... uma sensação da
qual, como aconteceu, Emil não era estranho.
"Você mandou um email sobre o príncipe?" ele disse. "Você já pensou
que se essa mensagem cair em mãos erradas, pode comprometer
tudo?"
"Oh, não seja tão tolo," Mary Lou disse. "Eu mandei somente para
minhas melhores amigas. Nas mãos de quem poderia cair?"
Emil lutou pela paciência interior.
"O Dracul, talvez?" disse ele secamente, quanto ele conseguiu falar
novamente. "A Guarda Palatina, por exemplo? Sem mencionar os
seres humanos? Todas as pessoas que gostariam de nos ver, para
não mencionar o príncipe, destruídos?"
"Oh, basta!" disse Mary Lou. Ela se sentou na frente do grande
espelho atrás da penteadeira e começou a remover a maquiagem.
"Você está sendo melodramático. Ninguém mais quer nos destruir. O
príncipe tem Dracul sob controle. A Guarda Palatina não sabe onde
estamos, e os humanos nos amam! Olhe o quanto nós somos
populares em livros e na TV. Por que, se todos descobrirem, eu tenho
certeza que serei convidada para a Oprah como convidada especial."
"Mary Lou!" Emil olhou para o reflexo dela com espanto. "Alguém
está matando mulheres! Por toda a cidade! Ninguém vai te convidar
para a Oprah enquanto mulheres estão sendo mortas por um
membro de nossos irmãos. E o príncipe não vai querer um jantar em
sua homenagem. Ele vai preferir manter um perfil baixo enquanto ele
está na cidade, tentando descobrir quem é o assassino."
"Eu tenho tantas amigas bonitas e inteligentes," Mary Lou disse,
olhando pensativamente para si mesma. "Por que não mostrá-las? O
príncipe tem ficado sozinho por muito tempo."
"Lucien não está aqui," Emil disse, sentindo como se estivesse sendo
afogado, "para achar uma esposa. Ele está aqui à negócios. Os
assassinatos-"
"E se acontecer de ele encontrar uma garota legal," Mary Lou disse,
interrompendo, "enquanto ele estiver aqui, seria tão terrível?
Aparentemente ele não tem tido qualquer sorte no seu próprio país.
Mas você sabe que nós temos as mulheres mais incríveis do mundo
bem aqui, no bom e velho Estados Unidos da A-"
"Mary Lou." Emil olhou inconfortavelmente para sua esposa pelos
ombros. "Você entende que está me colocando numa posição
terrivelmente embaraçosa. Lucien pediu para eu não mencionar sua
chegada com ninguém, e aqui está você mandando e-mails para todo
mundo na sua lista "cc", um e-mail que pode ser rastreado-"
"Não todo mundo," Mary Lou disse indignadamente. "Somente para
minhas melhores amigas solteiras e algumas das casadas para não
deixar ficar óbvio que ele está sendo arranjado. Nenhuma delas é
empregada do Vaticano, pelo amor de Deus, ou membras do Dracul.
Eu convidei somente Linda e Tom, e Faith e Frank, e Carol do seu
escritório, e Becca e Ashley, e Meena do outro lado do andar."
"Meena?" Emil estava confuso. Muitas coisas sobre sua esposa o
confundia. Ele estava certo de que mesmo eles tendo passado uma
eternidade juntos - e ele já sentiu que tinham - ele nunca a
compreendera totalmente. "O príncipe... e Meena Harper? Mas ela é-"
"Por que não?" Mary Lou deu uma sacudidela nos naturalmente
encaracolados - e ainda naturalmente loiros - cabelos. "À primeira
vista, ela pode não parecer o tipo dele, mas eu gosto dela. Ela tem
essa imagem bonitinha, e seus ternos de corte de fadas. A maioria
das mulheres não conseguiriam retirá-lo, você sabe, mas ela trabalha
nisso. E se o príncipe gostar dela, só pense o quanto ele vai ser grato
para nós. Além disso," ela acrescentou com um encolher de ombros,
"tudo o que ela faz é trabalhar para sustentar ela mesma e seu nãobom
irmão de seu naufrágio financeiro. Eu acho que ela precisa de
uma pausa."
"Ela gosta de seu emprego," Emil disse, pensando em todas as vezes
que ele viu sua vizinha em seus pijamas com os pés descalços na sala
do lixo, irritadamente e fortemente empurrando cruzadas páginas de
script rampa abaixo para o incinerador.
Bem, talvez ela nem sempre gostasse de seu emprego.
"Oh, certo," Mary Lou disse. "A coisa da novela. Mas você acha que
ela trabalharia se não precisasse?"
Emil pensou sobre isso. "Sim," ele disse.
"Bem, isso mostra o quanto você sabe sobre mulheres, que é nada.
Olhe para essas damas sobre quem ela escreve em Insatiable,
Victoria Worthington Stone e sua filha, Tabby. Victoria nunca teve um
emprego em sua vida, exceto na vez que ela foi modelo. Oh, e uma
fashion designer. Oh, e quando ela era uma motorista de carro de
corrida, mas isso foi somente uma semana antes de ele bater e
perder o bebê e entrar em coma. Esses não foram sequer empregos
reais. Eles dizem para você escrever sobre o que você desejaria que
acontecesse com você. Então, obviamente Meena deseja que ela não
tenha um emprego."
"Ou," Emil disse, "ela deseja ser uma motorista de carro de corrida."
"E o Príncipe Lucien é capaz de dar isso à ela." Mary Lou continuou,
ignorando-o. "E vendo que o príncipe gosta de escrever, os dois já
tem algo em comum."
"É um tipo bem diferente de escrita," Emil disse. "Lucien escreve nãoficções
históricas. E de qualquer forma, ele deixou bem claro quando
eu falei com ele que ele queria manter a sua visita por baixo do
radar. Estamos em um momento muito crítico com Dracul. Estes
assassinatos-"
"Oh, pare de ser tão pessimista," Mary Lou disse. "Nenhum homem
não quereria ter um jantar com várias garotas bonitas." Ela riu e
virou-se para apalpar seu marido na barriga, que nunca esteve tão
presa sobre o cós da calça. "Não me diga que você não gostaria de
ser o centro das atenções de mim e de todas as minhas amigas. Não
que você seja..."
"Bem." Emil sentiu a pressão em seus intestinos recuar ligeiramente.
"Talvez ele não se importe tanto. Um homem tem que comer, além
de tudo."
"Exatamente," Mary Lou exclamou. "E então, por que não fazer isso
na companhia de um monte de amáveis e talentosas damas?"
"Por que não?" Emil perguntou.
Talvez, ele pensou, sua esposa estivesse certa:
O homem precisaria comer, além de tudo.
Capítulo Quatorze
3:45 da manhã. EST, Quarta-Feira, 14 de Abril
Park Avenue, 910, apt. 11B
Nova York, Nova York
Meena encarou os números vermelho vivo no relógio digital em seu
quarto. Três e quarenta e cinco. Ela tinha cinco horas antes de ter
que sair para o escritório. Quatro para dormir antes de ter que
levantar para começar a se arrumar.
Exceto que ela não conseguia dormir. Ela ficou deitada lá, olhando
para o teto, rangendo os dentes, e pensando sobre Yalena – tudo que
ela podia ver era uma imagem do corpo da garota, espancada quase
até ficar irreconhecível – e a Cheryl e CDI e o cargo que ela não tinha
conseguido e o Jon e seus pais e o David e a condessa e a Leisha e o
Adam e o bebê.
Agora ela nunca iria conseguir dormir.
Só tinha uma solução para o problema de Meena, e estava dentro de
um frasco laranja no armário de remédios no banheiro. Ela odiava ter
de recorrer a comprimidos, mas ultimamente ela estava contando
com eles cada vez mais.
Ela estava prestes a pegar seu estoque secreto de comprimidos no
armário de remédios quando ela ouviu:
O barulho das patas do Jack Bauer no piso de madeira atrás dela.
Vendo-a de pé e andando, Jack Bauer pensou que era de manhã e
estava na hora de seu primeiro passeio do dia.
“Ta bom, Jack,” Meena sussurrou pra ele. “Ta bom. Nós vamos.”
Ela cuspiu fora seu protetor bucal, deixando-o na pia, então vestiu, o
mais silenciosamente possível, seu casaco e um par de tênis e tirou a
coleira do Jack Bauer de seu gancho.
Ela só passearia um pouco com ele, ela decidiu, depois voltaria para
cama. Ela estaria em casa em menos de quinze minutos. Com
metade de um comprimido, ela ainda poderia ter quatro horas
inteiras de sono restaurador antes do trabalho. Tudo ficaria bem.
No alpendre do prédio de Meena, Pradip, o porteiro noturno, tinha
cochilado com a cabeça apoiada em um de seus livros. Ele estava
estudando para ser um massagista, que no pensamento de Meena
era uma opção de carreira legal para ele, considerando que as
pessoas tinham múltiplas carreiras hoje em dia bem até os seus
oitenta anos, e sua morte não parecia ser iminente.
Meena deslizou, passando por ele, tomando cuidado para não
incomodá-lo - toda a equipe de trabalho de seu prédio trabalhava tão
duro - e escorregou para fora das portas automáticas para a calçada,
onde Jack Bauer se apressou a se aliviar em frente ao vaso de
palmas, ao lado do tapete vermelho da entrada do edifício, como já
era seu ritual. Meena esperou atrás dele, inalando o ar fresco da
manhã. Ou ainda era noite? Ela não tinha certeza. O céu sobre eles
era um azul escuro tipo lavado, com um azul pálido nas bordas, onde
ele desaparecia atrás dos altos edifícios.
Meena deu um puxão na coleira de Jack Bauer, e ele começou a
trotar atrás dela obedientemente. Eles tinham um caminho que
sempre tomavam à essa hora da noite - descendo pela Avenida Park
para a Setenta e Oito; passando a Catedral de St. George,
atualmente fechada para reformas muito necessárias; então, depois,
de volta para a Oitenta, e para o seu apartamento.
Mas por alguma razão esta noite - ou esta manhã - Jack estava se
sentindo nervoso. Meena poderia afirmar, porque ele ignorara alguns
de seus lugares que ele normalmente gostava de tomar um tempo
demasiadamente longo, cheirando, e apenas trotara por eles,
nervosamente fungando o ar, quase como se... bem, quase como se
ele estivesse prevendo alguma coisa.
Mas porque este era a maneira que muitas vezes ele se comportava -
seu nome era, afinal, Jack Bauer: ele era um amontoado de nervos,
sempre esperando pelo pior, latindo para a porta da frente quando
era apenas a condessa e seu marido voltando para casa de uma festa
- Meena não pensou nada sobre isso.
Ela deixou Jack Bauer puxá-la, pensando vagarosamente sobre
trabalho. Como ela iria encaixar um príncipe para Cheryl no roteiro de
vampiro de Shoshona?
E Yalena - Meena deveria ter seguido-a para encontrar seu
namorado? Ela adoraria saber se ela poderia ter dito algo a ele, dar
uma olhada nele, feito alguma coisa para ele saber que ela estava de
olho nele, quando ela percebeu a primeira outra pessoa que ela viu
acordada desde deixar seu apartamento, vindo em sua direção no
mesmo lado da rua, mas na direção oposta.
Era um homem.
Mas ele era um homem bem alto, vestido com um longo casaco preto
que esvoaçava atrás dele, quase como uma capa. Meena apertou
mais a mão na coleira de Jack Bauer, e não apenas porque o cão
tinha começado a rosnar. Ela estava sozinha em uma rua escura se
aproximando de um homem grande que ela não conhecia. O quê
diabos ele estava fazendo às quatro da manhã, sem um cão, se ele
não estava bêbado?
Ela não culpou Jack Bauer por ele ficar desconfiado. Ela estava
desconfiada também.
Mas à medida que se aproximavam à passos largos da Catedral de
St. George, cercados por andaimes, Meena viu, pelas luzes de
segurança brilhando nas torres da igreja, que o homem era
excepcionalmente bonito - talvez um pouco mais de trinta anos - e
não estava emitindo sinais de que não pertencesse ao ostentado
bairro. Suas roupas estavam impecáveis e eram de bom gosto; seus
cabelos negros, penteados para trás de suas têmporas, sem nem
uma pitada de cinza, imaculadamente cuidados. Até mesmo suas
costeletas tinham o comprimento ideal.
Ela era a única, ela percebeu tardiamente, que provavelmente
parecia suspeita, considerando o fato que seu cabelo curto estava
sem dúvidas espetado em alguns pontos (como ele costumava fazer
quando ela se levantava), ela estava sem maquiagem e suas calças
de pijama azul de flanela - com nuvens gordinhas - estavam saindo
por baixo do seu próprio casacão, acima de seus legais-porém-gastos
tênis.
Quando ela ergueu o olhar para encontrar o dele quando ele passou
por ela - Jack Bauer estava praticamente rosnando nessa hora - ela
sorriu pedindo desculpas, tanto por sua aparência, quanto pelo
comportamento de seu cão.
Ele sorriu de volta, seus olhos negros e cheios de mistério eram como
uma janela, espreitando ao redor deles.
E ela relaxou.
Ela não tinha pressentimentos ruins sobre esse homem. Nem uma
única pontada sobre como ou quando ele iria morrer. Era bastante
espantoso ela não sentir nada...
... nada mesmo sobre ele.
"Shhh," Meena disse para Jack Bauer, embaraçada com as
travessuras do cão.
E foi logo depois disso que o céu desabou.
Capítulo Quinze
04:00 da manhã. EST, Quarta-feira 14 de abril
Catedral de St. George
Rua Setenta e oito leste 180
Nova York, Nova York
O céu não iria desmoronar de verdade, é claro.
Apenas parecia estar acontecendo isso, porque uma grande parte
dele veio à baixo em Meena de uma das torres da catedral. Ela gritou
e se abaixou, cobrindo Jack Bauer com seu corpo e os braços,
tentando proteger ambos a partir do que parecia uma faixa de tinta
escura do material que caiu, esbarrando em sua cabeça.
Exceto que ela podia ver a luz fraca do brilho de neblina amarela da
rua e a segurança de luzes entre objetos que foram empurrados,
impelindo-a a uma velocidade incrivelmente rápida.
Foi quando Meena percebeu que este não era um pedaço sólido da
Catedral de St. George, desintegrando-se depois. Eram,
inacreditavelmente, morcegos. Centenas, talvez milhares de
morcegos pretos emitindo um som agudo, todos indo diretamente
para ela, suas bocas rosas abertas, garras afiadas estendidas,
pequenos olhos amarelos esbugalhados varrendo abaixo das torres
da catedral, bloqueando a maior parte do céu noturno e luz disponível
com seus patas grandes e asas abertas, o seu único alvo Meena
Harper e seu Pomeranian-chow.
Primeiro Meena congelou. Ela não estava paralisada de medo tanto
como de choque. Tudo o que ela podia pensar era, seria assim que
ela iria morrer? Sendo mastigada até a morte por ratos com asas?
Meena previu a morte de outras pessoas por tanto tempo, nunca
ocorreu que naquele dia ela poderia estar vivenciando a dela própria.
E agora, diante de sua própria destruição iminente, tudo o que ela
era capaz de pensar era que nunca, nem por um segundo, viu isso
chegando.
Então, seu coração ficou preso na garganta, com muito medo para
soltar um segundo grito enquanto estava no fundo da escadaria da
catedral, ela puxou Jack Bauer para seus braços, os morcegos eram
quase tão grandes quanto ela, em seguida caiu no chão para proteger
seu cão, seu rosto e seus olhos. Enterrando o nariz no pelo de Jack,
ela começou a rezar freneticamente, embora nunca tenha sido uma
pessoa particularmente religiosa antes desse momento. Oh, por
favor, por favor, oh, oh, por favor, ela orava, a nenhuma divindade
em particular, a cada segundo o som agudo dos morcegos soava
mais e mais alto em seus ouvidos.
E então, apareceu à primeira dessas garras afundando em seu couro
cabeludo, na parte de trás do seu pescoço, na sua coluna
desprotegida, ela sentiu algo (ou melhor, alguém) cair por cima dela,
envolvê-la, bloqueando a luz e o som quase por completo.
Ela percebeu, arriscando um breve olhar para cima, que era um
homem que estava parado em cima dela... alto, boa aparência com o
cabelo bonito, de casaco caro. O homem cujo futuro ela não sentia
nada.
Exceto que isso era impossível. Pois ele lançou a si próprio sobre ela,
a fim de protegê-la dos morcegos.
E agora ele, não ela, estava sendo dilacerado por garras de morcegos
e golpeados pelo impacto de seus corpos. Ela podia sentir a força
deles ferindo-o, um após o outro, reverberando todo o caminho
através de seu corpo ao dela, com os dois agachados nos degraus da
catedral, bombardeado por barulhentos mísseis alados.
Por que ele não estava gritando com a dor que tinha que sentir com
cada garra ferindo-o, Meena não sabia. Ele nem mesmo tentava
proteger seu rosto e seu pescoço dos morcegos que continuaram a
rasgar ele. Meena não conseguia ver seu rosto debaixo das dobras
escuras da proteção do seu casaco, que tinha formado uma espécie
de teto sobre ela, protegendo-a do ataque ameaçador.
Ela pensou ter visto um vislumbre de seus olhos quando ela olhou
para fora, tentando ver o que estava acontecendo, e ela poderia ter
jurado que...
Bem, ela poderia ter jurado que eles brilhavam vermelhos como as
luzes de freio (luzes de freio que ficam atrás dos carros), ela tinha
visto tudo de cima a baixo no Park Avenue.
Mas isso, claro, teria sido impossível.
Tão impossível quanto o fato dela não sentir que ele iria morrer essa
noite no minuto em que ela o viu, vindo em sua direção.
E morrer protegendo ela.
Mas era isso que estava acontecendo. Porque nenhum ser humano
poderia passar por um ataque como este e sair vivo.
Meena não conseguia acreditar que nada disso estava acontecendo.
Eram quatro horas da manhã, e ela estava na Rua Setenta e Oito na
frente de uma igreja pela qual já havia passado uma centena -
talvez, até milhares - de vezes antes, e estava sendo atacada por
morcegos assassinos, enquanto um homem, - um total estranho - ,
tinha se jogado sobre ela, voluntariamente, dando a sua própria vida
por ela.
E então, quando Meena estava certa de que não agüentava aquilo por
nem mais um instante, (quando ela estava convencida de que o
ataque não iria parar e que eles iriam passar direito, através do corpo
do homem e ir para ela), de repente como eles tinham aparecido,
eles foram embora.
Apenas desapareceram no céu noturno, desaparecendo tão
misteriosamente como haviam aparecido.
E a rua ficou silenciosa de novo, a não ser pelo som distante do
tráfego na Park Avenue.
Não havia ruído para ser ouvido, exceto as lamentações de Jack
Bauer e sua própria respiração irregular. Até então ela não tinha
percebido que ela estava chorando.
Ela não conseguia ouvir a respiração do homem. Ele já estava morto?
Como ele poderia ser morto se eu não senti sua morte se
aproximando? Mesmo sendo um estranho para ela, ela deveria saber.
Seu poder de prever a morte - que havia sido sempre indesejado -
nunca tinha falhado com ela antes.
"Oh!" Ela achou que não conseguiria recuperar o fôlego. Ela estava
tentando tomar grandes goles de oxigênio, mas não pareceu estarem
alcançando seus pulmões. E não era porque seu protetor era um peso
morto em cima dela. "Oh, meu Deus."
Foi quando o homem saiu de cima de Meena e, com uma voz
profunda, tingida com um sotaque que parecia à ela como uma
mistura de inglês e uma pitada de algo mais, perguntou: "Está tudo
bem, senhorita?"

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