quinta-feira, 18 de julho de 2013

insac - mg - 16-17-18

Capítulo Dezesseis
04:10 da manhã EST, quarta-feira 14 de abril
Catedral St. George's
Rua Setenta e oito leste 180
New York, New York
Nada disso era possível, é claro.
Ele estava ileso e conversando com ela educadamente, como se ela
tivesse acabado de tropeçar na coleira de Jack Bauer caído sobre a
calçada e ele fosse um pedestre que se abaixou para ajudá-la. Ela
estava olhando nos olhos do estranho encantador ajoelhado ao lado
dela e viu que eles não estavam todo vermelho, mas perfeitamente
normais, marrom escuro.
"Eu... Eu estou bem", Meena balbuciou em resposta à sua pergunta
sobre a sua saúde. Ela deixou Jack Bauer ir porque ela não conseguia
mais segurar o seu corpo balançando descontroladamente. Ele correu
até onde sua coleira lhe permitira, depois ficou ali rosnando, todo o
pelo das suas costas levantados. Meena não podia acreditar no quão
horrível ele estava se comportado.
"Você está bem?", Ela perguntou a seu salvador com a voz trêmula.
"Estou muito bem, obrigado." O homem tinha se levantado e chegou
a pegar as mãos Meena nas suas, para ajudá-la. "Eu tinha ouvido
falar, é claro, que a cidade Nova York era perigosa. Mas não tinha
idéia de quão perigoso era isso."
Ele estava...? Ele estava.
Ele estava fazendo uma brincadeirinha.
Seu aperto de mão foi firme. Meena se sentiu estranhamente
tranqüila por isso. E pela pequena piada.
"É-e não é", Meena gaguejou.
Meena precisava, ela decidiu, se sentar. Seu aperto de mãos foi a
única coisa que a manteve em pé.
"Eu acho que você deveria ir a um hospital", ouviu-se dizer. Ou eu,
ela pensou. E fazer uma Tomografia Computadorizada na cabeça
inteira.
"De nenhuma maneira", disse o homem, colocando um braço em
volta dos ombros trêmulos dela. Seu agarrar em Meena parecia dizer:
eu estou no controle. Não há necessidade de se preocupar com nada.
Tudo vai dar tudo certo agora. Em uma parte distante do seu
cérebro, ela esperava que ele nunca, nunca a deixasse ir. "Eu estou
bem. Eu acho que você deveria ir para sua casa, apesar de tudo.
Você parece muito cansada. Onde você disse que morava?"
"Eu não disse", disse Meena. Sua mente estava rodando, ela sabia.
Mas a de quem não estaria depois de um acontecimento como esse?
Como ele poderia estar tão calmo? Morcegos, Meena se lembrou, às
vezes transmitiam raiva.
"Será que algum deles te mordeu? Você deve ir ao pronto-socorro
imediatamente. Eles podem parar a raiva se tratar cedo o suficiente."
"Nenhum deles me mordeu", disse ele em tom divertido da voz. Ele
tinha pegado a coleira dela e estava andando com ela e Jack Bauer -
ao contrário de Meena, Jack Bauer não estava nem um pouco instável
em suas patas e estava lutando contra a sua liderança, usando uma
expressão parecida com a que Kiefer Sutherland usava quando
terroristas seqüestraram o presidente em sua aparição, e estava indo
atacar todos os que estavam à sua frente. "Mas vou para o hospital,
verificar o mais rápido possível, para ir para casa em segurança."
"É importante", disse Meena enquanto atravessavam a rua. Ela
estava balbuciando. Ela sabia que estava balbuciando, mas ela não
conseguia ajustar isso. O que estava acontecendo? Quem era esse
homem? Como ele poderia estar ileso? Por que Jack Bauer estava
agindo como um maníaco? "É importante que você vá. Victoria
Worthington Stone pegou raiva uma vez de um morcego raivoso
quando ela sofreu um acidente de avião na América do Sul, seguida
de febre cerebral, ela dormia com seu meio-irmão... embora ela não
soubesse que ele era seu meio-irmão no momento."
O que ela estava falando? Victoria Worthington Stone? Oh, Deus.
Sério?
O homem hesitou. "É uma de suas amigas?" Ele perguntou.
Se encolhendo de vergonha, Meena, disse: "Bem, eu quero dizer, é
Cheryl. Ela interpreta Victoria Worthington Stone em Insaciável. Eu
escrevo as suas falas. Mas é verdade sobre os morcegos e a raiva.
Pode ser apenas uma novela, mas nós nos esforçamos pela
autenticidade de nossos enredos...”.
Ou pelo menos nós costumávamos, antes de Shoshona fazer a
cabeça do escritor à ceder às exigências do patrocinador, ela só
conseguiu obter sucesso parando-se de acrescentar coisas.
"Eu entendo", ele disse, gentilmente guiando-a, passando pela
mercearia onde Jon disse que não tinha sido feita a entrega de
frango. Porém, havia um caminhão de entrega fora da loja agora, o
motor funcionando com um barulho ruidoso. Ah, então haverá frango
hoje, Meena pensou desconexa.
É. Ela estava perdendo o controle.
"Então você é uma escritora."
"Escritora de diálogos". Meena sentiu a necessidade de corrigi-lo. "Eu
nunca escrevi uma cena como essa", querendo dizer no que acabara
de acontecer fora do St. George.
Ela não conseguia tirar de sua cabeça: o som de todas as asas
batendo. E o cheiro deles - tão imundos, do jeito que ela sempre
tinha imaginado o cheiro da morte, não que ela alguma vez já tivesse
cheirado a morte, o que, graças à Deus, ela não havia feito. Ela
conhecia muitas pessoas para quem a morte tinha chegado muito
perto, alguns dos quais sequer foram tocados, porque tinha sido
capaz de salvá-los sempre....
Mas a morte nunca, nunca chegou tão perto dela.
E os sons agudos… o som que eles fizeram quando eles vieram
rasgando o céu e em seguida o estrondo de seus corpos batendo
nele…
E os olhos. Aqueles olhos vermelhos. Certamente ela tinha apenas
imaginado aquilo.
Meena agora tinha chegado perto, pessoalmente, da morte — do
inferno na terra —, como sempre quis. E ela não entendia como ela
conseguira escapar. Ela não entendia nada.
"Sinto muito", ela disse, puxando-o para parar em sua frente e
levantando o queixo para olhá-lo no rosto. Ela não se importava mais
com as lágrimas, ou com a forma como ela devia ter olhado ou
soado. Ela tinha que saber. Ela tinha que saber o que estava
acontecendo. "Mas eu não entendo. Como você pode não estar
ferido? Eu os vi. Havia centenas deles, vindo direto para nós. Eu os
senti batendo no seu corpo. Você deveria estar dilacerado. Mas não
há um arranhão em você."
Ele era tão bonito, tão… agradável. Como ela poderia ter pensado
alguma coisa dele, exceto que ele era o que era? Um estranho, alto
maravilhoso que tinha salvado sua vida?
"N-não me interprete mal", ela disse abanando a cabeça. "Eu sou
eternamente grata. O que você fez… foi tão incrível. Eu nunca vou
conseguir lhe agradecer o suficiente. Mas... como você fez isso?"
"Eles eram apenas pequenos morcegos", disse ele com um sorriso.
Apenas pequenos morcegos.
Mas… não. Tinha sido mais… muito mais do que isso. Ela tinha
certeza disso. Tão certa quanto ela poderia estar sobre uma coisa
tarde da noite, depois de algo tão traumático.
"Você está em casa agora", ele disse, e apontou para as portas
automáticas de bronze a poucos metros de distância. "Sinto muito
pelo que aconteceu. Receio que a culpa foi minha. Mas você deve
estar bastante segura à noite."
Meena focou o olhar e ela percebeu que, na verdade, eles haviam
chegado ao Park Avenue, 910. O toldo verde familiar estendido sobre
suas cabeças. Através do vidro das portas, ela podia ver Pradip, ainda
cochilando no balcão da recepção com o rosto sobre o seu livro.
"Mas..." Ela olhou para trás até ao seu salvador, confusa. "Eu não lhe
disse onde eu moro. Eu nunca lhe falei o meu no-"
Jack Bauer choramingou, puxando sua coleira, ansioso por ficar longe
do homem que tinha salvado sua vida.
"É claro que você fez. Foi maravilhoso conhecê-la, Meena,” disse o
homem, soltando seus ombros. "Mas seria melhor para você, se
esquecesse tudo isso e entrasse agora"
Jack Bauer a puxou para a porta, que abriu automaticamente com
um chiado silencioso. Pradip, atrás da mesa, se agitou e começou a
levantar a cabeça. Os pés de Meena, como se por sua própria
iniciativa, começaram a se mover em direção ao Park Avenue, 910.
Mas, no solado da porta, ela se virou para olhar para trás.
"Eu nem sequer sei o seu nome", ela disse para o estranho alto, que
estava esperando com as suas mãos no bolso do casaco, como se
para ter a certeza de que ela entraria com segurança antes que ele
seguisse o seu caminho.
"É Lucien", disse ele.
"Lucien" repetiu, para que se lembrasse dele. Não como se ela fosse
esquecer de qualquer coisa desta noite. "Pois bem. Muito obrigada,
Lucien."
"Boa noite, Meena", disse ele.
E então Jack Bauer a puxou para o resto do caminho interior e as
portas automáticas se fecharam com um whoosh suave atrás dela.
Quando ela se virou para tentar ter um último vislumbre, ele já tinha
ido embora. Ela não estava totalmente certa de que ele tinha estado
lá.
Exceto pelo fato de que, quando ela chegou em segurança dentro de
seu apartamento de novo, viu que os joelhos de seu pijama estavam
sujos onde ela tinha raspado quando mergulhou na calçada.
A prova de que o que tinha acontecido não tinha sido um sonho - ou
um pesadelo - afinal.
Capítulo Dezessete
4:45 da manhã. EST, Quarta-Feira, 14 de Abril
Catedral de St. George
Rua Setente e Oito Leste, 180
Nova York, Nova York
Isso não era para ser tolerado. Eles atacaram-no, e em campo
aberto, onde qualquer um poderia ter visto. E alguém tinha visto.
Apenas a garota humana, e ela estava muito chocada com a extrema
violência do que havia ocorrido e havia chegado mais perto de tocar a
morte do que qualquer um para dar à qualquer um uma explicação
racional daquilo...
... no momento improvável que ela se lembrasse de tudo, que não
aconteceria.
Mas esse não era o ponto.
Alguém iria pagar.
Mas a questão era, quem?
Lucien estava em frente à catedral, olhando para as torres. Ele tinha
circulado novamente após entregar a garota em segurança em sua
casa. Ele não havia perdido a ironia de onde ela morava. Mas esse
era provavelmente o único lugar esperado. De muitas maneiras,
Manhattan era uma coleção de pequenos vilarejos, assim como em
seu país de origem. As pessoas raramente se aventuravam fora de
seus próprios bairros, especialmente mulheres jovens passeando com
seus pequenos e fofos cães às quatro horas da manhã.
St. George (St. George é São Jorge em português). Ele não tinha
perdido esta ironia também. Não tinha St. George matado o dragão?
E agora a catedral estava vazia, enquanto aconteciam as obras de
renovação. Que momento seria melhor para as crianças de Dracul -
ou "dragão", em sua Romênia nativa - profaná-la?
E qual o melhor momento do que agora para a Dracul transmitir sua
mensagem, para o único filho legítimo do príncipe das trevas, que
eles deixariam de cumprir suas regras?
Suspirando, Lucien subiu os degraus onde, apenas momentos antes,
tinha repelido o ataque de sua própria espécie. Deveriam ter liberado
a notícia de sua chegada apenas meros segundos depois de ele ter
pisado em solo americano, a fim de reunirem vários para a causa de
destrui-lo.
Foi um pouco decepcionante descobrir que seus próprios irmãos não
gostavam dele, tão violentamente.
Mas por outro lado, ele nunca havia pedido para gostarem dele.
Apenas para obedecê-lo.
Olhando para cima e para baixo da rua para ter certeza que estava
sozinho - nenhuma outra passeadora de cães bonita e vestindo
pijamas - ele levantou uma parte do andaime azul que cercava a
catedral, deslizando por trás dele. A igreja, mal a ponto de precisar
de reparos - e ainda mais necessitada de uma limpeza - levantou-se
atrás dele, alguns dos seus vitrais excessivamente enfeitados
quebrados, cobertos de fios de metal.
Não que isso fosse mantê-lo fora de lá, nem nenhum como ele.
Eles todos tinham ido embora agora, é claro. Quanto tempo eles
haviam esperado, sabendo que ele passaria por ali eventualmente,
indo ou voltando do apartamento de Emil. Ele só conseguia imaginar
o bate-boca. Especialmente entre as garotas. As mulheres Dracul
sempre foram cheias de veneno na língua.
Com apenas um ajuste rápido, ele estava dentro das portas
encadeadas da igreja e caminhava pelo corredor central até uma
pilha de entulho. Os bancos estavam em desordem, alguns batidos e
completamente terminados, alguns deitados de uma maneira torta,
como marinheiros bêbados após uma noite fora.
Como ele suspeitara, a Dracul estivera dentro da igreja também.
Havia um esboço feito com spray de um dragão sobre o que já tinha
sido um altar de mármore com decorações ornamentais.
Agora estava completamente arruinado. Por mais que a congregação
tivesse levantado dinheiro para a renovação da igreja, eles
precisariam de muito mais para ter o altar de granito./
Lucien sacudiu a cabeça. Tanta destruição desnecessária. Tanta
desconsideração com a beleza.
Atrás de si ouviu alguma coisa e rodopiou, seus reflexos-velozes uma
fração mais lentos do que o normal por causa de toda a energia que
ele teve que exercer durante o encontro fora da igreja.
Mas felizmente era só um pombo, sacudindo-se para cima de entre os
bancos desordenadamente perturbados, interrompendo a solidão de
Lucien agora. A Dracul havia ido inteira embora, sem dúvida
frustrada pela sua tentiva de assassiná-lo ineficaz.
Aliviado por não ser convocado novamente para se defender tão
cedo, ele deixou os ombros caírem um pouco. Isso havia tomado
cada grama de energia que ele tinha deixado para trás após o ataque
para se curar das feridas que tinha recebido da Dracul. Não teria
razão em permitir à garota ver o cinza que seu corpo e sua face
haviam sofrido e por isso ele tinha tomado o cuidado de reparar os
ferimentos que haviam sido causados. Haviam aqueles seres
humanos que poderiam levar na esportiva a visão do rosto de um
homem picado por um ataque de morcegos comedores de carne...
E então, haviam aqueles que não podiam.
A passeadora de cachorros havia definitivamente caído na categoria
dos que não podiam. Ela parecia uma éspecia de boa pessoa - ou
alguém que se esforçava para fazer a coisa certa, de qualquer
maneira. Apesar de seus pensamentos, por alguma razão, serem tão
difíceis de se penetrar quanto em uma floresta tropical.
Alguns seres humanos eram assim. Alguns tinham as mentes tão
secas e áridas como um deserto e era fácil navegar por ali. Outras
tinham mais psique, como a passeadora de cães, somente acessíveis
com um facão.
Era estranho que uma garota tão vivaz e bonita tivesse tanta
bagagem emocional. Ele confiava, no entanto, que qualquer que
fosse o segredo sombrio que ela estava hospedando, ele não ficava
no mesmo lugar que as memórias que ela administrava ali em cima,
o que garantia que ela não iria se lembrar de nada do incidente e que
iria alegremente ao seu trabalho como se o ataque nunca tivesse
acontecido.
Ele desejava que pudesse ser sortudo.
Lucien estava de pé nas ruínas da catedral, contemplando a sua
próxima jogada. O sol estaria chegando em breve. Ele precisava ir ao
chão, então trocaria algumas palavras com seu meio-irmão, Dimitri.
E é claro, fazer um cheque generoso para o Fundo de Renovação da
Catedral de St. George.
Capítulo Dezoito
08:45 da manhã EST, quarta-feira 14 de abril
O Hotel Tennessean
Chattanooga, TN
Alaric, que acabava de voltar de seu nado matinal, olhou para a
mensagem na tela de seu computador. Parecia bom demais para ser
verdade.
VOCÊ ESTÁ CORDIALMENTE CONVIDADA...
PARA QUÊ: Uma requintada festa em nosso apartamento,
Park Avenue, 910. Apartamento 11A.
QUANDO: Quinta-Feira, 15 de Abril, às 7:30 da noite.
PORQUE: O primo de Emil, o príncipe, está na cidade!
"Onde você conseguiu isso?", Perguntou a Martin no celular.
"O departamento I.T encontrou durante a sua verificação de rotina e
pensei que poderia ser alguma coisa." (Departamento I.T é
português, Departamento da Tecnologia da Informação)
O Vaticano tinha alta tecnologia há algum tempo e agora empregara
toda uma frota de programadores e analistas em tempo integral para
a Palatina, tendo a sua batalha contra as forças do mal no mundo
cibernético assim como as de nível de rua.
"E o que o faz pensar", Alaric perguntou em italiano, "que isso tenha
algo a ver com nosso príncipe?" Martin parecia irritado. E não era de
se admirar. Era hora da sesta, em Roma, pelo menos para a filha de
Martin, Simone. E, provavelmente, para Martin, também. Ele tinha
dormido muito enquanto se recuperava de seus ferimentos, graças a
todos os analgésicos que tinha sido prescrito pelos cirurgiões do
Vaticano. "Eles estão verificando as listas dos passageiros de cada
vôo privado, bem como comercial, para cidade Nova York, e havia um
Lucien Antonescu, professor de história antiga da Romênia, em um
vôo de Bucareste, na noite passada. Assento de primeira classe."
"Então?" Alaric já estava entediado. Sua matança no dia anterior não
tinha sido muito emocionante - exceto na parte em que Alaric tinha
caído pela janela, o que naturalmente ele tinha apreciado. E o
pequeno almoço no bufett, quando tinha feito check-out no caminho
de volta para a sala da piscina, tinha sido inspirador, para dizer o
mínimo.
"Eles analisaram este Professor Antonescu", disse Martin. "Os boatos
dizem que ele dá aula na universidade – aulas noturnas - há trinta
anos. Mas eles pegaram uma cópia da última fotografia do autor... o
cara parece ter trinta e cinco, no máximo."
Alaric resmungou. "Oh," ele disse sarcasticamente. "A foto do autor.
Bem, confirma tudo. O escritor jamais usaria uma foto dele
desatualizada."
"Ele tem uma casa de verão em Sighişoara," Martin continuou. "As
pessoas dizem que é um castelo."
"Quem não possui um castelo em Sighişoara atualmente?" Alaric
perguntou. Ele pegou o controle remoto de sua cama de hotel e
começou a passar os canais. O Tennessean, que prometia ser um
hotel de luxo, oferecia apenas um canal de TV a cabo, HBO, e não
havia nada de bom passando, exceto, previsivelmente, um show de
vampiros. Alaric assistira os vampiros de Hollywood por um tempo,
com sorrisos falsos mostrando o quão atraentes e auto-contidos eles
eram. Se as pessoas soubessem a história real.
"Acho que este pode ser o legítimo, Alaric", disse Martin. "A mulher
que enviou, seu sobrenome é Antonescu. Ela é uma socialite de
Manhattan. Seu marido é um grande revendedor imobiliário. Nós
nunca tivemos nenhuma razão para suspeitar deles antes, exceto que
os rapazes da computação tiveram um acerto com os nomes, a
palavra príncipe e o vôo hoje. De qualquer forma, não vai machucar
conferir a festa, é o que eles estão dizendo lá de cima. Todo mundo
diz que esse cara é da realeza. Ele tem que ser o príncipe do e-mail.
Quer dizer, essa mulher afirma que o marido é descendente da
família real romena e que ela é uma condessa. Eles tem propriedade
em Sighişoara também."
"A família real romena." O dedo de Alaric congelou quando ele estava
trocando do canal dos vampiros de Hollywood.
"Exatamente," disse Martin. "É por isso que Johanna enviou para
mim. Ela pensou que você iria querer ver."
"Por que ela apenas não encaminhou direto para mim?" Alaric
perguntou confuso.
"Por que você acha, idiota?" Agora, Martin não parecia irritado, mas
apenas se divertindo. "Não é o seu caso. Você tem que encontrar o
serial killer. Além disso..."
Alaric se inclinou para frente. "Além do quê?", Perguntou ele. Ele não
tinha dormido bem. As almofadas de sua cama de hotel não eram
muito confortáveis. Ele empilhou todas elas uma contra a outra, e
ainda não era igual ao luxo de seus travesseiros de plumas de ganso
em casa. Alaric nem sequer queria pensar sobre o que ele encontraria
se passasse um luminol (aquela luz azul que mostra manchas lavadas
em tecido) no edredom da cama. Ele estava farto e escondeu no
armário de qualquer jeito junto com o que tinha na parede da sala de
"arte".
"Holtzman ordenou que você continuasse em Manhattan atrás do
serial killer. Johanna diz sentir que para você pode ser muito pessoal
todo este processo para ser autorizado a ir atrás do príncipe. "Martin
terminou rapidamente. "Desculpe, velho companheiro."
Alaric quase engasgou ao engolir a água que tinha tomado da garrafa
de água com gás que retirou do minibar. "Eu sei", disse seu exparceiro
de modo traquilizante quando Alaric jorrou algumas seletas
maldições. "Olha, eu sei como você se sente. Você acha que isso não
está me matando, ficar fora de ação enquanto tudo isso está
acontecendo lá fora?"
"Isto é uma besteira burocrática", declarou Alaric, e atirou a garrafa
de água vazia na parede onde a arte ofensivamente ruim estava
pendurada. Irritantemente, a garrafa não quebrou. Era de plástico.
"Eu sei", disse Martin em seu ouvido. "Mas veja pela perspectiva de
Holtzman. Você dificilmente pode ser considerado mais imparcial. E
você não segue exatamente o protocolo quando se trata de caça à
demônios, não é? Não controla seus impulsos e suas fortes
satisfações. O que você acabou de jogar?"
"Nada", Alaric disse, saindo da cama e pegando sua espada. "E eu
ressinto que a implicação de uma luta com o príncipe das trevas não
vai ser nada além de estritamente profissional". Ele apontou a espada
para o lindo garoto vampiro na tela da televisão. "Eu sou
eminentemente capaz de manter minhas emoções sob controle
enquanto corto a cabeça do desgraçado fora de seu corpo."
"Eu sei", disse Martin. "Por que você acha que enviei esse e-mail, em
primeiro lugar?"
Alaric sacudiu a cabeça. Droga de burocratas. Ele adorava o trabalho
dele, mas uma coisa que ele nunca conseguia entender era como os
superiores não podiam ver que eles só tornavam as coisas mais
difíceis com a sua amaldiçoada burocracia.
Veja Martin, por exemplo. Ele ainda tinha que manter o fato de que
ele era casado com um homem em segredo de seus superiores. Não
de Holtzman, é claro... Holtzman, como Alaric, não poderia ter se
importado menos com quem seu companheiro guarda quando vai
para casa à noite, enquanto eles tinham o emprego que tinham sido
treinados para fazer (embora, no caso de Holtzman, ele preferia fazer
dentro do orçamento).
Mas os tempos e as atitudes foram mudando em todo o mundo. Só
podemos apenas esperar que algo mude em breve no Palácio Papal.
"Olhe, só para lembrar", disse Martin. "Você não conseguiu o e-mail
de mim. Entendeu?"
"Sim", disse Alaric, colocando sua espada na bainha. "Obrigado.
Como você está se sentindo, afinal?"
"Às vezes bem”, disse Martin. "Às vezes mal. Tenho que ir. Simone
quer seu cochilo. O que você vai fazer hoje?"
Alaric sorriu. "Oh, o habitual. Checar as coisas. Voar para Nova York.
Salvar o mundo".

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